Supreme Magus – Capítulo 1173

Medo e Desconfiança (1)

“Mesclar duas Margens é bem simples se você assumir que todas elas são na verdade subespaços vizinhos.” Friya ponderou.

“Você pode imaginá-las como diversas terras, cada uma com diferentes pontos de entrada que Mogar mantém isolado do mundo exterior, mas as Margens estão realmente próximas umas das outras e sob a lupa de Mogar.”

“Eu concordo com Friya. Mesclá-las exigiu o mínimo de esforço, ao mesmo tempo em que me deixou um lugar para onde voltar.” Nalrond assentiu. “A questão agora é se queremos ficar ou sair.”

“Esses caras são nervosinhos demais e este lugar é um pé no saco.” Morok podia sentir a densa energia mundial da Margem tentando se infiltrar em seu corpo e desencadear seu Despertar. “Acho que devemos ir embora.”

“Eu gostaria de ficar, mas Morok está certo. Os Dewans tem todos os motivos para odiar os humanos e antes de deixar nosso acampamento, você claramente expressou suas dúvidas sobre Friya. Sou grata por esta oportunidade, mas eu não quero tomar riscos desnecessários.” disse Quylla.

Desde que seu corpo se acostumou ao ambiente da Margem, ela quase podia ouvir uma voz em sua cabeça toda vez que usava magia. A princípio, Quylla pensou que estava ficando louca, mas depois de compartilhar seus medos com os outros, ela descobriu que a mesma coisa estava acontecendo com Friya e Morok.

Enquanto esperava o retorno de Nalrond, ela acreditou ter encontrado uma explicação.

‘Afinal, runas mágicas elementais podem ser consideradas como um tipo de linguagem com a qual um mago se comunica com Mogar e toma emprestado uma fração da energia mundial. Runas de Magia Espiritual e varinhas de Forja Real, em vez disso, permitem que o mago se comunique com seu próprio núcleo de mana.’ Ela pensou.

‘O núcleo de mana é apenas uma parte de mim enquanto Mogar é tão grande e com tantos magos lançando magia o tempo todo que é normal que o planeta nem se preocupe em responder a tantos chamados. No entanto, dentro da Margem há mais do que só energia elemental.’

‘Faluel disse que usando Fluxo Vital, a técnica de respiração da linhagem Hidra, sua avó conseguiu aprender pedaços da sabedoria de Mogar. Se eu estiver certa, isso aconteceu porque ao assimilar a energia mundial, ela também estabeleceu acesso a parte das informações armazenadas dentro da Margem.’

“Adoraria ficar aqui para ver se com tempo e prática posso aprender a ouvir Mogar. Infelizmente, entre os problemas de confiança de Nalrond e o ódio que os Dewans têm pelos humanos, seria muito arriscado.’ pensou Quylla.

“Concordo com Quylla, devemos sair.” disse Friya.

“Acho que não sou nada parecida com Acala, mas entendo que você não tem motivos para confiar em mim ou no meu julgamento. Só nos deixe do lado de fora. Vamos Dobrar o máximo que pudermos antes de pedir que Faluel nos ajude para que a posição da Margem permaneça oculta.”

“Você fica aqui e diz adeus ou tenta entrar em contato com Mogar sobre seu problema de núcleo duplo. Afinal, esta é sua jornada, não nossa.”

‘Eu posso entender por que mesmo os Despertos estão desesperados para encontrar as Margens. Eu posso sentir uma picada na área onde meu núcleo de mana deveria estar toda vez que eu respiro ou lanço um feitiço.’

‘Além disso, nunca me senti tão forte antes. É como estar sob os efeitos de uma poção de reforço corporal que também aumenta minha magia. Minha mente nunca esteve tão clara antes.’ pensou Friya.

“Eu realmente sinto muito por ter sido tão rude mais cedo.” Nalrond suspirou. “Eu não esperava que a Margem ainda estivesse aqui. Isso aumentou minhas esperanças e ver que a sua Projeção é quase idêntica à de Acala só piorou as coisas.”

“Admito que não confio muito em vocês, mas estava ciente das consequências que teriam por trazê-los aqui. Além disso, desde que chegamos aqui, posso sentir meus núcleos sendo inundados pela energia mundial.”

“Depois de ficar tanto tempo do lado de fora, posso sentir os pensamentos de Mogar com muito mais clareza do que nunca. Quero ficar e tentar o ritual para chamar a atenção do planeta, mas para isso, preciso de sua ajuda.”

“Você não pode simplesmente pedir aos seus amigos mal-educados e nos deixar ir?” disse Morok.

“Eu estava falando com elas, não com você! Sinta-se à vontade para sair quando quiser. Você nem precisa da minha ajuda para sair já que por algum motivo Mogar gosta de você.” Nalrond rosnou.

“E deixar Quylla com o senhor alto, moreno e bonito? Obrigado, mas não tô afim.” respondeu Morok.

“Espere, Morok está certo. Por que você precisa da nossa ajuda quando você pode simplesmente pedir aos Dewans?” perguntou Friya.

“Porque cada tribo de Teriantropo tem seu próprio ritual. Podemos ser amigáveis ​​um com o outro, mas isso não significa que eu esteja disposto a compartilhar com eles os segredos do meu povo.” disse Nalrond.

“Eu posso lhes ensinar apenas as partes que precisam para desempenhar seu papel, enquanto se eu mostrar aos Dewans meu ritual, eles serão capazes de aprendê-lo e usá-lo para complementar o seu próprio. Isso pode ser difícil para vocês entenderem, mas para mim, as tradições dos Rezar são o último vestígio do legado do meu povo.”

“Eu não me ressinto dos Dewans por tomarem a terra de uma tribo morta e enterrada, mas não quer dizer que eu goste. Eu sei que é irracional, mas sinto que se eu desistir desse último fragmento da minha identidade, esta terra  realmente se tornará deles e todos os vestígios da minha antiga casa desaparecerão.”

“Quanto tempo levará para se preparar para o ritual?” perguntou Quylla.

“Só alguns dias. Um para desenhar as runas ancestrais com as quais Mogar deu as boas-vindas ao meu povo na primeira vez que entramos em nossa Margem e outro para conjurar a energia mundial. Funciona de maneira semelhante aos seus círculos de Maestria da Forja.”

Depois de testemunhar Guerra em ação e ver como a magia verdadeira e falsa se tornaram semelhantes ao longo do tempo, Nalrond muitas vezes se perguntava se grandes artefatos nasciam quando o núcleo do Forjador alcançava Mogar através de seu trabalho e obtinha sua bênção.

“Não querendo ser o Lith da situação, mas antes de irmos lá, devemos preparar nossos feitiços e anéis como se estivéssemos indo para a batalha.” disse Friya.

“Sem ofensa aos Teriantropos, mas com tudo que os humanos fizeram com eles, eu não ficaria surpresa se nosso cheiro fosse algum tipo de gatilho e eles nos atacassem em frenesi.”

“Eu acho que você está sendo paranóica.” Nalrond balançou a cabeça. “Eles não cheiram um humano há séculos. A julgar por como sua vila parece desatualizada, mesmo em comparação com Lutia, eles não são diferentes do meu povo.”

“Nós nunca saímos da Margem, então as únicas melhorias que fizemos ao longo do tempo foram devido ao conhecimento que os viajantes que conseguiram entrar na Margem por conta própria compartilharam conosco.”

“Esse é exatamente o meu ponto.” Friya assentiu. “As pessoas nunca pararam de procurar por Margens e, com base no que disseram a Morok, os Dewans estão cientes de que tanto os humanos Despertos quanto as Bestas Imperadorqs podem mudar de forma.”

“No entanto, você diz que a aldeia deles é antiquada, portanto, ninguém nunca compartilhou com eles costumes modernos. Você já se perguntou o que aconteceu com aqueles que entraram aqui antes de nós?”

“Será que os Dewans só os afugentaram ou mataram os convidados indesejados para não deixar testemunhas?” Friya realmente soava como Lith, mas seu raciocínio fez Nalrond se sentir um idiota por não ter considerado tal possibilidade por conta própria.

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