Supreme Magus – Capítulo 1182

Demônios Internos (2)

“Eu não gosto daquele cara.” disse Quylla. “Na verdade, eu não gosto de ninguém daqui. Todos eles tratam a gente que nem lixo e eu não acho que você deva confiar neles. Suas Projeções de Alma são estranhas.”

As Projeções de Almas não eram leitura de mente, mas graças a elas era impossível não perceber como todos na vila Dewan cuidavam do Rezar muito mais do que era apropriado.

A maneira como as Projeções de Alma dos Dewans fitavam Nalrond sempre que o viam poderia significar uma grande afeição ou uma profunda ganância.

“Eu notei isso também.” Nalrond assentiu. “Eles desprezam todos vocês, até mesmo Morok, só porque vocês são estranhos, mas eles me trataram como um salvador desde que nos conhecemos. Hoje Kimo veio com o tópico Maestria da Luz.”

“Acho que eles esperavam que eu ficasse aqui e lhes confiasse meu legado.”

“Falando em legados, antes de continuar com nosso trabalho, há algumas coisas que gostaríamos que você perguntasse a Mogar em nosso lugar.” disse Quylla.

“Já sei o que você vai dizer. Como sobreviver ao Despertar com seu núcleo violeta e o que Friya deve fazer com sua vida. Há algo para você, Morok?” perguntou Nalrond.

“Sim. Pergunte como agir menos idiota, porque você precisa. Eu também falo assim?” Ambos os homens não mediam palavras e encontrar seu igual mostrou a Morok o quão irritante ele era.

“Você é pior.” As garotas disseram em uníssono sem um pingo de hesitação, deixando o Tirano sem jeito.

“Na verdade, há outra coisa que eu gostaria que você perguntasse assim que terminar com seus assuntos pessoais. Você é quem está colocando sua vida em risco por isso, então você tem o direito de questionar Mogar o quanto quiser, mas caso aceite apenas algumas perguntas, meu Despertar não é uma prioridade.” disse Quylla.

“Idem. Já tenho muito em que pensar.” Friya olhou para sua própria Projeção de Alma ponderando seu significado.

Depois de passar muito tempo com os membros da tribo Dewan, ela percebeu que as Projeções deveriam mostrar a emoção mais intensa de seu proprietário de acordo com a situação.

Uma criança faminta manifestaria um Dewan comendo doces, um fazendeiro cansado se mostraria descansando, enquanto o que Friya fazia ou como ela se sentia não parecia afetar sua projeção.

A única coisa que mudava era o tamanho e o número de correntes que usava.

‘Se o que Nalrond disse no dia de nossa chegada for verdade, então, em vez de incomodar o planeta, devo trabalhar em mim mesma e aceitar meus limites. Afinal, até mesmo os professores Vastor e Marth não são nada comparados a Manohar, mas eles continuam tendo uma vida boa.’ Friya pensou.

‘Meu único problema com essa decisão é que parece mais com desistir do que com alcançar a paz interior. Com minha força atual, não sou párea para um morto-vivo ancião e, afinal, mesmo já tendo passado por isso, não tenho mais os nervos de aço que a política exige.’

‘Mesmo que Faluel concorde em me deixar ir sem cumprir meu juramento, ainda não consigo encontrar uma única coisa que eu possa fazer que não faça eu me sentir um desperdício de espaço. Talvez eu devesse voltar para a academia Grifo Branco e me tornar um professor.’

Então, seus olhos caíram na Projeção de Quylla, retratando-a vestindo o manto roxo profundo de um Magus. Teria sido ótimo, não fosse a Projeção lançando feitiços que se transformavam em cobras que a comiam viva em meio a gritos agonizantes e silenciosos.

‘Ou não.’ Friya suspirou.

“Então o que você quer que eu pergunte?” Nalrond parecia intrigado. Ele havia notado como todos, exceto ele, pareciam se distanciar de vez em quando, como se estivessem tentando ouvir uma voz distante.

Quylla saiu de seu devaneio e contou a ele tudo sobre a condição de Lith e sobre como qualquer coisa além da Magia Proibida provou ser inútil para consertar sua força vital.

“Eu não entendo com o que você está se preocupando. Lith é um Desperto. Ele ainda vai viver uma vida longa para os padrões humanos.” Nalrond deu de ombros.

“Retiro o que disse, você é pior do que Morok. Ele é incapaz de ler o ambiente enquanto você simplesmente não se importa!” Quylla deixou escapar.

“Valeu, docinho.” Morok piscou.

“Não me chame de docinho!” Ela estalou. “Quanto a você, Nalrond, você deveria tirar a cabeça do rabo ou duvido que vá sobreviver ao seu encontro com Mogar. Você entende que se Lith não salvasse o Protetor, você não teria onde ficar?”

“Que, apesar de você agir tão sábio, você tende a julgar os outros, mesmo quando não sabe nada sobre eles e que a única dor com a qual você realmente se importa é a sua? Claro, Lith pode ter uma vida mais longa que a minha se eu não Despertar, mas isso não é uma questão de quanto tempo ele vai viver, mas de quão bem ele vai.”

“Durante os meus momentos mais sombrios, Lith sempre permaneceu ao meu lado, fazendo tudo o que podia para fazer com que eu me sentisse melhor. Agora ele está bem, mas e se depois de uma luta as rachaduras em sua força vital se espalharem? E se elas piorarem só com o passar do tempo?”

“Eu não me importo com o quão durão ele age, não posso simplesmente sentar e esperar o melhor sabendo que meu melhor amigo está doente e que eu poderia ter feito algo para ajudá-lo.” Quylla então contou a ele sobre a Visão da Morte e como a luta contra o Odi quase custou a vida de Lith.

Ouvir o quão pesado era o fardo dos outros abalou Nalrond profundamente.

‘Quylla tem razão. Continuo agindo como se soubesse de tudo, mas sou apenas um sapo no poço. O que aconteceu comigo é trágico, mas ainda não é nada comparado ao que Solus teve que suportar.’

‘Quando entramos na Margem, subestimei o fardo das meninas e nós três quase morremos por isso.’ Ele pensou enquanto olhava para sua própria Projeção de Alma, representando um Rezar furioso que sempre chorava sangue.

‘Estou tão cego pela minha dor que rapidamente julguei Friya só porque sua projeção parecia com a de Acala.’

‘Estou com tanta raiva de mim mesmo por ter falhado com meu povo, por ter sobrevivido enquanto os outros morreram lutando, que descarrego minha frustração nos outros no momento em que falham em atingir minhas expectativas. Toda vez que culpo os outros, na verdade estou me culpando.’

“Me desculpe por ser tão desagradável. Vou fazer a sua pergunta primeiro.” Nalrond respirou fundo enquanto refletia sobre esses pensamentos.

Para sua surpresa, sua Projeção de Alma se acalmou e suas lágrimas se transformaram de sangue em água. Foi uma pequena melhora, mas Nalrond sentiu como se um peso tivesse sido tirado de seu peito.

“Cara, tu foi frouxo hein. Um homem de verdade nem conhece a palavra desculpa.” disse Morok.

“Acho que um homem de verdade também pode começar a procurar uma namorada em outro lugar.” Quylla disse com um sorriso de escárnio.

“Contudo, ele é rápido em aprender quando surge a necessidade.” Morok se apressou em dizer.

“Como ou por que ele é o único sem uma projeção está além de mim.” Friya disse.

“Existe mais alguma coisa que eu deva perguntar a Mogar?” perguntou Nalrond.

‘Você pode, por favor, pedir uma maneira de curar Solus?’ Friya disse por meio de uma conexão mental para não deixar Morok ouvi-los.

‘Não quero nem pensar no que pode acontecer com ela se ela cair nas mãos de alguém que a tratará como uma escrava. Especialmente quando ela recuperar seu corpo humano.’

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