“Eu estive esperando você…”
Andando de forma relaxada até mim, Arnold abriu um sorriso de canto.
“Eu devia ter acabado com você depois do que aconteceu na Realidade Virtual, mas depois de tudo que aconteceu em Hollberg e muitas outras coisas acontecendo na minha vida acabei me esquecendo completamente de um inseto como você.”
“Mas não se preocupe, agora que me lembrei. Vou ter certeza de que você pague…”
-Crack!
Estalando o pescoço, Arnold olhou com desdém na minha direção.
“Vamos começar fazendo com que você não passe na prova.”
Vendo o brutamontes vindo na minha direção, aos poucos fui recuando e levantando as mãos em rendição. Abrindo um sorriso apreensivo, eu falei.
“Ah… Arnold, que tal a gente conversar primeiro, hein? Não tem necessidade de isso virar uma luta, né?”
“Sim, nós vamos conversar. Mas não com a boca.”
-Boom!
Ao terminar de falar, Arnold tencionou as pernas e inclinou o corpo para frente e, como uma bala, ele se aproximou de mim.
Percebendo a intenção dele, assisti ele surgindo diante de mim enquanto o xingava gritando.
“Ah, qual é cara! Por que as pessoas sempre partem para a violência?!”
“Morra!”
Quando Arnold chegou a metros de distância de mim, tudo que vi foi um punho enorme vindo na minha direção.
*Suspiro* Suspirando, movi a cabeça para o lado e desviei do ataque.
“Huh?”
Em seguida, antes que ele pudesse descobrir como que desviei, fechei o punho e concentrei um pouco de mana no local, desferindo um soco em direção à parte superior direita do corpo dele.
-Bam!
Uma onda de choque atravessou o local.
“Qu-khuuuaa!”
Antes que Arnold tivesse tempo para reagir, meu punho foi em direção a área do fígado dele. No instante seguinte, ele caiu com tudo de joelho no chão.
“Kkhhhhhh.”
Com a saliva escorrendo pelo canto dos lábios, Arnold tentou ficar de pé.
Porém, seus esforços foram em vão, pois suas pernas se recusavam a colaborar.
Quando tentou se mover, teve a sensação de que uma corrente elétrica estivesse passando pelo seu corpo, começando do fígado, descendo pela perna direita e subindo até o tronco encefálico. Menos de meio segundo após meu punho atingir seu fígado, Arnold se viu paralisado no chão. Uma dor excruciante dominava todo o seu corpo, tornando impossível respirar, ficar de pé ou até mesmo pensar com clareza.
Não importava o quanto tentasse, ele não conseguia se levantar.
“Não adianta. Eu concentrei tudo na área do seu fígado.”
Assistindo o brutamontes agonizar no chão, me aproximei em passos lentos.
“Se estivesse prestado atenção nas aulas… iria saber que o fígado é um dos maiores órgãos do corpo humano. E quando está em contato com estímulos, ele solta toxinas que estava tentando filtrar, como uma grande quantidade de sangue voltando ao organismo, fazendo com que o corpo se desligue como uma forma de se proteger.”
Agachando-me até ficar na altura dos olhos de Arnold, agarrei-o pelos cabelos e disse lentamente.
“Então… independente do quanto tente, seu corpo não vai te obedecer.”
Já tendo recuperado um pouco da clareza, Arnold me encarou com os olhos arregalados e soltou uma pergunta, com a voz trêmula.
“Vo-ocê, c-como?”
Tenho que lembrar vocês, que apesar do fato dele ter sido pego de surpresa por não ter levado seu oponente a sério, Arnold nunca teria sido machucado por um simples soco desse.
Ainda mais por ser especializado em defesa. Ao menos que o oponente tenha status maiores que os seus, era algo impossível de acontecer.
E ele lembrava que até dois meses atrás esse desgraçado não passava da <Classe G>, então não tinha como ele estar com os status maiores que o dele.
Era impossível.
Contudo, ele foi atingido por um soco extremamente rápido e preciso.
Quase como se esse inseto estivesse esperando por esse momento. E, aos poucos, Arnold começou a compreender.
“V-Você, você esperava por esse momento desde o começo!”
Abrindo um sorriso, decidi não o responder.
A linha de pensamento dele não estava errada.
Eu realmente estava esperando pelo ataque dele desde o começo da prova.
Como o Arnold é um personagem que até teve uma influência importante na segunda parte da novel, eu analisei o jeito de luta dele por inteiro.
E quando fiz isso, percebi o hábito dele de sempre começar com um soco de direita. E depois daí, as coisas ficariam mais fáceis. Já que ele achava que eu era fraco, tirei vantagem da brecha para desferir o melhor golpe que consegui.
O que fiz não foi nada extravagante, foi apenas uma simples análise.
“Hmm? Não consegui te entender, poderia repetir por gentileza?”
Fingindo que não consegui entender o que Arnold estava falando, inclinei a cabeça para frente.
“Solta a minha ca-beça!”
Arnold me fuzilou com os olhos, enquanto apoiava ambas as mãos no chão para tentar levantar.
Eu disse, ele tentou, mas não é como se eu fosse deixá-lo fazer isso. Como estava na vantagem, nem a pau que iria desperdiçá-la. O pegando pelos cabelos, empurrei a cabeça dele com tudo contra o chão.
-Bam!
“Khhhhhhauuu!”
“Nananinanão, pode ficar onde está. Você precisa descansar mais um pouco.”
“Eu vou te matar!”
Para o meu espanto, Arnold que estava com o nariz sangrando, moveu a cabeça na minha direção com tudo. Quase como se quisesse me morder.
“Epa!”
O movimento dele me pegou de surpresa.
E recuando a cabeça para trás, em reflexo, levantei a mão no ar e, em seguida, um som de tapa ecoou pelos túneis.
-Slap!
Observando minha mão agora vermelha, levantei minha voz para o Arnold.
“Meu Deus, pra que morder?! Virou cachorro agora, foi?”
“E-Eu vou te matar!”
-Slap!
Dando mais um tapa nele, uma marca vermelha se formou no rosto do brutamontes. Olhando para a marca, falei em tom de culpa.
“Eu só estou tentando te acalmar, Arnold. Não leva isso para o pessoal.”
-Slap!
“Como um aluno que segue as regras, é meu dever ajudar os meus colegas que estiverem com problemas…”
-Slap!
Ignorando o fato que as bochechas do Arnold já estavam ficando inchadas, continuei dando tapas no rosto dele.
Durante os próximos minutos, a única coisa que podia ser ouvida no local eram os sons de tapas que ecoavam pelas paredes.
Enquanto ainda dava tapas no rosto dele, começaram a escorrer lágrimas pelo rosto do Arnold. Sem dúvidas, eram por causa da dor, mas não me importava.
Ele precisa aprender uma lição.
Eu não era mais o coitado indefeso que todos conheciam.
Por mais que ainda amasse não chamar a atenção, isso não significava que iria ficar quieto quando alguém mexesse comigo como antes. Se o meu oponente fosse alguém eu que sabia que não conseguiria ganhar, eu aguentaria, mas, se não fosse o caso… bem, a pessoa cavou a própria cova.
-Slap!
Depois de mais alguns tapas, dando uma leve gargalhada, parei com os meus movimentos. As bochechas de Arnold já estavam com um tom azul escuro e nem dava para ver seus olhos de tão inchado estava seu rosto.
Soltando o cabelo dele, me levantei. Dando leves tapas no meu traje para tirar a sujeira, falei.
“De qualquer forma, já que a sua especialidade é defesa, umas tapinhas como essa não devem ser nada para você, né? Pense como se eu tivesse apenas o acariciado.”
“E-Eu…hggg” Detonado no chão, Arnold tentou dizer algo, mas o inchaço em seu rosto era tanto que apenas sons incompreensíveis conseguiram escapar.
O ignorando e olhando em volta, suspirei em alívio.
Felizmente, ninguém viu o que aconteceu. Talvez seja pelo fato de que a maioria dos alunos fortes já estavam na frente, ou seja, ninguém me viu ‘educando’ o Arnold.
E óbvio, como estava apenas o ‘educando’, tive certeza de não exagerar. Embora os alunos do segundo e terceiro ano estivessem aqui, eles não iriam conseguir saber o que aconteceu.
O trabalho deles era apenas monitorar e salvar os alunos do primeiro ano que estivessem em perigo.
Então, se Arnold realmente estivesse em perigo, o traje dele já teria acendido a luz faz tempo e mandado um alerta para os mais velhos. Que só assim, iriam agir.
Por isso, enquanto estava o ‘educando’ como um aluno que segue todas as regras, tive a certeza de não o machucar muito.
“O que está acontecendo aqui?”
Mal terminei de resolver a situação com Arnold, uma voz clara e agradável chegou aos meus ouvidos, fazendo-me congelar no mesmo instante.
“Huh?”
Logo, a figura de Melissa apareceu pelo túnel do meio da bifurcação. Analisando o local por um momento, sua visão caiu sob a figura deplorável de Arnold.
Tossindo sem jeito, meus lábios estremeceram de leve.
“Keuuumm….keuuumm, ahmm, você acreditaria se eu falasse que ele caiu?”
“Não-hmmm.”
Embora Arnold não conseguisse enxergar, sua audição ainda funcionava. Assim que percebeu alguém se aproximando, tentou falar na mesma hora. Porém, antes que pudesse dizer qualquer coisa, pisei em seu rosto e o impedi de abrir a boca.
“Fica na sua, eu estou falando.”
“…”
Melissa ficou sem saber como reagir sobre a cena.
Porque tipo, não precisava ser um Einsten para saber o que aconteceu aqui.
Em seguida, um silêncio constrangedor envolveu o local.
Depois de uma pequena pausa, Melissa balançou a cabeça e começou a andar em direção ao túnel da esquerda da bifurcação.
“Esquece o que disse. Não tenho interesse em saber sobre os seus fetiches. Sai do meu caminho, não quero perder mais nenhum segundo do meu tempo assistindo essa palhaçada.”
Ao me empurrar para o lado, a garota foi em direção a entrada do túnel da esquerda.
Sorrindo para ela, acenei com a mão.
“Tchau, tenha uma boa viagem.”
“Tsk.”
Estalando a língua em irritação, Melissa rapidamente desapareceu no túnel.
Vendo-a indo embora, não consegui conter um riso.
“Aquele túnel só leva para um beco sem saída…”
“Muito be…”
-Kacha!
Depois de ter certeza de que Melissa tinha ido embora, voltei minha atenção para Arnold. Sem nem pensar duas vezes, pisei com tudo na cabeça dele, o fazendo ficar inconsciente.
-Khueeekh!
Alguns momentos depois de apagar o brutamontes, minhas orelhas estremeceram ao ouvirem o som de goblins vindo do túnel do meio.
Sem hesitação, escondi nós dois na beirada da caverna, debaixo de uma pedra. E esperei, pacientemente, os goblins passarem.
-Khueeekh! -Khueeekh! -Khueeekh!
“Um…dois…cinco… perfeito.”
Ao contar a quantidade de goblins que estavam passando por nós, consegui ver cinco deles. Um sorriso enorme se fez presente no meu rosto.
“Huuuup!”
Sem nem pensar duas vezes, pulei para fora do meu esconderijo e caí de frente aos goblins.
-Khuaaak! -Khuaaak! -Khuaaak!
-Bam!
Tendo os pego de surpresa, usei meu punho para acertá-los em cheio no meio da sobrancelha. Onde era o ponto fraco desses monstros esverdeados.
-khhhha! -khhhha!
Sob a pressão dos meus golpes rápidos, os cinco goblins morreram em instantes.
Isso nem dava para se chamar de luta…
“Pronto…”
Depois dos monstros morrerem, os arrastei na direção de Arnold e os joguei em cima do corpo do brutamontes.
“Beleza, isso deve resolver.”
Batendo as mãos para um trabalho bem-feito, observei Arnold, que agora estava debaixo de uma pilha de goblins.
Quando matei esses carinhas, evitei usar minha espada justamente para que parecesse que foi Arnold quem os derrotou.
“Hmm… tem alguma coisa faltando.”
Franzindo o cenho, analisei a cena e comecei a pensar. Ainda precisava de mais alguma coisa…
“É isso!”
Dei um soco na palma da mão e, de repente, entendi o que havia de errado.
-Kacha! –Kacha!
Indo em direção aos monstros, comecei a surrar o corpo deles para não parecerem que morreram por apenas um golpe, mas sim, em uma luta contra o brutamontes.
Quase esqueci de fazer o mais óbvio…
Depois de uns minutos batendo nos corpos dos cinco goblins, observando a imagem com a mão no queixo, acenei a cabeça com satisfação.
Perfeito.
“Agora sim parece que ele lutou contra vários goblins de uma vez, mas que infelizmente perdeu mesmo tendo colocado sua vida em risco…”
Já que ele queria me fazer reprovar, porque não fazer o mesmo por ele, não é?
-Bam!
-Kacha!
Olhando na direção do Arnold pela última vez, chutei as costelas dele com todas as minhas forças, fazendo com que os sons de ossos se quebrando ecoassem pela caverna.
-Beeeeep! -Beeeeep! -Beeeeep!
Assim que quebrei as costelas dele, o traje ficou vermelho e sons de alarme começaram a vir da roupa.
“Bye bye.”
Satisfeito com o resultado, corri para o túnel da direita.
00H: 27M: 67S Olhando o meu relógio, abri um sorriso.
“Ainda dentro do tempo…”