Mal sabendo a atenção que estava ganhando de uma certa professora, andava tranquilamente para o meu quarto.
No momento, minha mente estava preocupada com uma coisa que queria fazer desde que voltei do Distrito Norte.
Começar minha própria empresa…
Finalmente percebi que apenas me sustentar com dinheiro vindo da bolsa não iria dar certo.
Eu precisava de uma solução há longo prazo. Algo que duraria por um bom tempo.
E por isso estava pensando bem a fundo sobre isso.
Eu já sabia o que iria vender e era um produto que não estava disponível no mercado ainda. Um produto revolucionário! Como outros chamariam:
‘Cartas de Mana’
Um conceito que só apareceria na segunda metade da história e arrastaria o mercado como uma tempestade. Algo que ambos: vilões e heróis desejariam.
Um item que permitia uma pessoa ativar um feitiço sem precisar aprendê-lo…
De acordo com a cronologia da novel, deveria estar agora na fase de desenvolvimento. Não, pior, ainda nem chegou nisso. Talvez só a ideia tenha se manifestado, mas ninguém decidiu seguir em frente com isso.
Como não entrei em muitos detalhes sobre o processo de criação delas na novel, não sei muito sobre isso, mas a ideia geral eu sei.
Quais são os materiais necessários para a criação e o conceito geral por trás de como funciona o projeto.
Além do mais, eu não precisava saber todos os detalhes sobre como fazê-los.
Esse não era o meu trabalho.
Era o trabalho de outra pessoa… Eu só daria os meios para conseguir desenvolver o projeto.
Essa era a primeira parte do meu plano.
É óbvio que só ter um projeto não era a única coisa necessária para criar uma empresa. Apesar de ser o ponto mais importante, eu ainda precisava de outras coisas, como uma plataforma capaz de proteger o produto e aumentar o valor dele.
Algo que daria à minha empresa proteção e publicidade.
Felizmente, já tinha a solução para esse problema: conseguir um patrocinador.
Um patrocinador que pudesse proteger o produto dos concorrentes, como também trazer credibilidade ao produto. E eu sabia exatamente quem poderia me ajudar.
Então, para conseguir seguir com o meu plano, precisaria entrar em contato com duas pessoas.
Melissa e Amanda.
As duas desempenhariam papeis fundamentais na fundação da empresa.
Preciso conversar com a Melissa sobre a criação e desenvolvimento das cartas, já que ela é a única pessoa que eu conhecia capaz de desenvolver o produto.
E sobre a Amanda… preciso conversar com ela sobre a possível colaboração com a guilda dela.
Guilda [Caçadores de Demônios], Rank 1, nível Diamante.
Tipo, quem melhor que a primeira guilda no ranking?
A menos que tivesse outra guilda de Nível Diamante, ninguém teria coragem de mexer com a minha empresa, principalmente se o meu patrocinador for a guilda número um. Uma organização quase intocável.
Felizmente, negociar com a Amanda não será algo difícil, por conhecer a personalidade dela. E como disse antes, ela sempre retribui os favores.
E ela me devia uma… Ainda mais porque salvei a vida dela em Hollberg.
Além do mais, mesmo se esse não fosse o caso, acho difícil ela não concordar com a proposta porque seria benéfica para a guilda ganhar outra forma de renda.
Quem recusaria uma oportunidade tão fácil de ganhar dinheiro?
E com relação a Melissa, também acho que não vai ser difícil conseguir a colaboração dela, já que ela também conseguiria uma outra fonte de renda.
Afinal de contas, financiar as pesquisas que ela faz não é algo barato.
No fim, depois de pensar por um bom tempo, voltei para o meu dormitório para organizar meus pensamentos.
Ainda preciso planejar sobre muita coisa.
…..
-Click!
“Huuu…”
Assim que entrei no meu quarto, me joguei na minha cama com edredom branco. Não aconteceu nada no caminho de volta para cá.
Deitado na cama, encarei o teto branco do quarto, murmurando enquanto diversos pensamentos passavam pela minha mente.
“Hmmm… se eu conseguir entrar nos Top 100, a escola vai me dar um quarto melhor, né?”
Embora o prédio Leviathan estava fora de cogitação, por ser exclusivo apenas para os alunos Tops 10, talvez tenha alguma chance de ser transferido para a Mantícora ou para a Hidra? Não é?
Afinal, se eu conseguisse uma classificação alta, acabaria me destacando demais. Um aluno do Top 100 no prédio Carneiro Chifrudo?
Era a mesma coisa que ter o melhor jogador de futebol do mundo jogando em um time da segunda divisão. Não fazia o menor sentido.
Na verdade, independente da minha classificação, preciso mudar de quarto. Mesmo se precisar pagar por um quarto novo.
Preciso da minha própria sala de treinamento.
Não aguento mais usar o campo de treinamento, principalmente porque preciso tomar cuidado toda vez que estou treinando, para não ter o perigo de revelar a Arte da Espada que uso.
Porque vamos combinar, Manuais de Cinco Estrelas são extremamente cobiçados, provavelmente no mesmo nível que habilidades de <Classe S> são.
O seu valor era inimaginável.
“O que mais…”
Franzindo a sobrancelha, comecei a listar mentalmente tudo que precisava tomar conta até o final do mês.
“Recrutar a Ava, desenvolver o conceito básico das ‘Cartas de Mana’, criar uma empresa, de algum jeito conversar com o Kevin sobre a viagem para Immorra, alcançar a <Classe E>, coisas do grupo de mercenário…”
“Ughh… caralho viu.”
Erguendo as mãos até a cabeça não consegui mais segurar os grunhidos altos.
Só de pensar em todas as coisas que preciso fazer até o final do mês, já estava me dando dor de cabeça. Vai se foder…
“Huuu…”
Depois de dez minutos me lamentando, soltei um suspiro cansado e me sentei direito.
“Beleza, um problema de cada vez.”
Não adianta ficar reclamando da vida. É melhor só fazer tudo rápido para não ficar atolado depois.
E de todas as coisas que preciso fazer escolhi completar o resumo da ‘Cartas de Mana’.
Afinal, sem isso, não dá nem para começar o plano.
“Onde estão as coisas…”
Vasculhando o cômodo, procurei nas gavetas e peguei um papel e lápis.
Me sentando na mesa desenhei o formato retângulo da carta.
O conceito por trás das cartas não era difícil.
Resumindo, são cartas com feitiços gravados na superfície. Contudo, o que fazia o item especial era o fato de não serem itens de uso único. Eles podiam ser usados várias vezes antes de precisarem ser substituídos.
“Pó de núcleo de monstro… Extrato de folha tulif… Extrato de medula óssea de Orc…”
Depois de escrever todos os materiais necessários para a criação da carta, peguei o celular e pesquisei os preços de cada um.
Precisava fazer o cálculo básico dos gastos da produção de cada carta. Dessa forma, vou ter uma ideia melhor sobre quanto vou precisar investir para a primeira leva das cartas, que vou apresentar para o meu ‘patrocinador’.
“30.000 U… huh…”
Depois de pesquisar por trinta minutos, consegui chegar em um resultado aproximado dos gastos. E vamos usar o feitiço de <Classe G>, Geada Prateada.
Sinceramente, é um pouco caro para uma pessoa normal poder comprar, mas não é um preço tão absurdo assim também.
Bom, para as guildas grandes, isso não passa de uns trocados.
“Ok, isso não deve ser problema.”
Encostando na cadeira, assenti com a cabeça algumas vezes. É claro que vou vender as cartas por um preço maior, mas, em geral, já consigo imaginar o quão famosas vão ser.
Não vou entrar em muitos detalhes sobre o processo, porque não sei sobre nada específico, mas, resumindo tudo, usando os itens que escrevi na lista, daria para criar um objeto que armazenaria mana que poderia ser usado outra hora.
Com isso, esse objeto poderia ser transformado em um círculo mágico através do feitiço gravado.
Círculos mágicos de nível alto também podem ser usados nas cartas, mas, obviamente, o preço da carta subiria drasticamente. Por que você diz?
Simples, porque quanto mais alto for o nível do feitiço mais mana precisaria ser usada.
Encarando o teto branco do meu quarto não pude segurar o riso.
“Sem dúvidas, todos os magos vão ficar com raiva depois disso…”
Apesar de todo mundo possuir mana, apenas aqueles com bastante afinidade poderiam ser considerados magos.
Através de feitiços mágicos, eles conseguiam invocar bolas de fogo e inúmeros outras manifestações sobrenaturais.
Quando as cartas ficarem disponíveis qualquer pessoa poderia se tornar um mago… E por causa disso, já consigo até imaginar um grupo de magos de nível baixo protestando na frente do prédio da empresa.
Afinal, com a introdução das ‘Cartas de Mana’, ninguém mais teria necessidade de chamá-los para as explorações nas dungeons. Quero dizer, as cartas são mais baratas do que contratar magos.
Claro, os protestos iriam cessar rápido, porque, mesmo se quisessem, era impossível as cartas substituírem os magos.
De início, elas podem parecer úteis, mas quando o tempo passar as pessoas vão realizar que as ‘Cartas de Mana’ não são como pensavam… e assim, os magos voltariam a serem procurados para os grupos.
Principalmente, porque os magos não precisam de muito tempo para ativarem os feitiços, diferente das cartas que necessitam.
O motivo era por causa da grande quantidade de mana usada para ativá-las. Em termos de eficiência, ‘Cartas de Mana’ não estão no mesmo nível que os magos.
Mas eu não ligo…
Com a proteção da guilda [Caçadores de Demônios] com certeza vou sair ileso independente se houver reações negativas ou não. Sem contar que ninguém irá descobrir que sou eu por trás do projeto pois vou usar um pseudônimo.
“Muito bem, acabei a estrutura da carta, agora preciso entrar em contato com a Melissa e a Amanda.”
Depois de duas horas trabalhando na carta, me levantei e estiquei as costas.
“Acho que preciso dar uma passada na Leviatã…”
É preciso.
Afinal de contas, era melhor fazer agora do que deixar tudo para depois e acumular tudo. Além do mais, era onde as duas devem estar agora.
“Bom, é tudo ou nada.”
E assim, depois de lavar o rosto no banheiro, sai do quarto.
-Clank!