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The Author’s POV – Capítulo 133

Novos Membros [2]

*Sigh*

Soltando um suspiro alto, olhei na direção da Matriarca, não da Angelica.

Essa última semana foi fogo hein.

Pelo visto, enquanto estava sob a influência da [Indiferença do Monarca], eu acabei ‘escravizando’ ela e a trouxe aqui à força.

Felizmente, eu não corria nenhum perigo. Sempre que ela tentava me atacar, bastava canalizar a mana dentro do meu corpo até o núcleo que engoli, o que a fazia sentir uma dor inimaginável que a impedia de fazer qualquer coisa.

Ou seja, Angelica estava sob meu controle.

No entanto, mesmo podendo controlá-la, isso não significava que ela faria tudo que pedisse.

Afinal de contas, apesar de poder decidir se ela viveria ou morreria com um simples pensamento, isso não me ajudava em nada.

Como que vou conseguir usar uma peça que se recusa a mover?

Uma peça dessa não era algo que queria ou que preciso…

Não tem por que continuar mantendo-a aqui, se ela se recusa a escutar minhas ordens… Não preciso de um fardo nesse perto de mim… principalmente considerando o quão perigosa ela é.

“Huuu…”

Encostando na cadeira, soltei um suspiro e comecei a pensar em alguma forma de consertar essa cagada.

Por mais que odiasse dizer isso… trazer ela foi a decisão certa. Considerando a força dela, Angelica é provavelmente a pessoa mais forte no grupo… e por uma diferença gigantesca.

Observando a mulher, que estava sentada não muito longe com uma expressão fria, massageei a mão no queixo e comecei a pensar.

Agora que já engoli o núcleo dela, Angelica definitivamente está sob meu controle… O problema era como vou fazer com que ela siga as minhas ordens por vontade própria e não me traia?

Embora os demônios pareçam ser uma raça unida, na realidade, era o total oposto. Se não fosse pelo Rei Demônio mantendo-os sob controle com o poder imenso dele, uma guerra já deveria ter acontecido entre os demônios de Classe… e era isso que poderia usar para minha vantagem.

O fato da lealdade de Angelica pela raça demoníaca não ser forte…

Então, decidindo o que fazer, olhei na direção do PequenaCobra e Leopold, que já estavam olhando para mim. Assentindo na direção dele, falei.

“PequenaCobra, Leopold, vocês podem nos dar um minuto?”

PequenaCobra ficou encarando por alguns segundos, alternando entre Angelica e eu algumas vezes antes de concordar com a cabeça.

“Beleza…”

Ao se levantar da cadeira, Leopold jogou o cigarro no lixo e se despediu com um aceno de mão enquanto seguia PequenaCobra para fora da sala.

“Leve o tempo que precisar, chefe.”

-Clank!

Pouco depois que eles saíram e as portas da sala se fecharam, o silêncio tomou conta do ambiente. Então, olhando para Angelica, falei calmamente.

“Então, ainda não querendo falar comigo…”

Cruzando as pernas, olhei para a mulher que se manteve quieta na cadeira. Desde que a trouxe para cá, ela não disse sequer um a. Não reclamou de nada ou estourou de raiva.

Acho que essa é a maneira dela de me falar que não iria fazer nada que eu mandasse.

Abrindo um sorriso sem jeito, levei a mão até minha boca para esconder o sorriso de lado que se formou no meu rosto. Encarando de volta Angelica que me olhava friamente, como se quisesse me devorar inteiro, falei.

“Você quer sua liberdade de volta?”

“…”

Angelica não me respondeu e apenas franziu ainda mais o rosto.

É, sem chances que ela iria acreditar em qualquer coisa que saísse da minha boca. Na mente dela, eu não passava de um verme que apenas ganhou por trapaça.

Para ela, cada palavra que eu dizia era apenas uma armadilha criada para fazê-la fazer algo que não queira… afinal, se alguém me engana uma vez, a culpa é dele, se me engana duas vezes, a culpa é minha.

Ainda me encarando, Angelica tentou o melhor que conseguia para não voar em cima de mim e me matar…

Percebendo que ela não queria responder, continuei.

“Deixe-me refazer a pergunta, você quer o seu núcleo de volta?”

“…”

E novamente, Angelica não me respondeu. Sem me importar com isso, me aconcheguei na cadeira e continuei falando sabendo que consegui a atenção dela…

“Sabe, devolver o seu núcleo não é uma tarefa muito difícil de se fazer… é só que não me beneficiaria em nada… entende?”

Fazendo uma pausa e olhando direto nos olhos de Angelica, abri um sorriso e disse.

“Se eu devolver o seu núcleo, o que você pode me dar em troca?”

Depois de me observar por alguns segundos, ela finalmente falou algo.

“O que você quer…?”

Ao ouvir ela falar, não pude segurar uma leve risada.

“Ahh… então você fala, pensei que o gato tinha comido sua língua. Hm, essa situação não parece um pouco confusa? Lembra de quando você me chamou de mudo ante-“

A voz fria de Angelica me interrompeu, ecoando pela sala.

“Vá direto ao ponto!”

Abrindo um sorriso leve, me sentei direito na cadeira e olhei para a Matriarca, balançando o dedo indicador na minha frente.

“Nah… Nah… Só escuta o que tenho para falar… Vou te oferecer uma proposta e você irá decidir se vai aceitar ou não.”

Fiz uma breve pausa, e meu semblante se tornou sério enquanto eu a encarava friamente. Ao mesmo tempo, uma aura branca começou a emanar do meu corpo.

“Não pense que só porque estou te mantendo viva, significa que não posso te matar no futuro… Afinal de contas, qual é a utilidade de uma peça de xadrez que não há funcionalidade para mim? Eu lhe oferecendo a proposta é sua última chance de manter sua vida… se decidir recusar, apenas a morte lhe espera.”

Depois de alguns segundos fitando Angelica com seriedade, finalmente sorri, deixando que a minha habitual expressão despreocupada e alegre voltasse.

Bati palmas e falei suavemente.

“Muito bem, agora que a parte séria terminou… me diga. O que está disposta a oferecer em troca do seu núcleo?”

Sem precisar pensar duas vezes, Angelica mal esperou terminar de falar e respondeu.

“Dinheiro, informação, mulhe-“

Estendo uma mão para frente, a fiz parar de falar e balancei a cabeça.

“Desculpa, estava mentindo quando disse aquilo. Eu já sei o que quero…”

Angelica me encarou seriamente, as orelhas se erguendo em alerta enquanto ela se inclinava ligeiramente para frente, atenta às minhas palavras.

“O que você quer…?”

Com um sorriso, apontei na direção dela e provoquei.

“Você.”

Com os olhos arregalados, Angelica pulou de pé e me fuzilou com o olhar.

“Seu bastardo imundo!”

“Wow, calma lá. Estou brincando, relaxa.”

Erguendo as mãos em forma de rendição, soltei uma risada descontraída ao ver a reação dela. E se não fosse pela aura branca que ainda envolvia meu corpo, ela com certeza teria pulado para cima de mim.

Com um olhar afiado, Angelica bufou.

“Hmph, se fizer mais uma brincadeira nojenta como essa, mesmo se eu morrer, vou ter certeza de puxar você junto.”

Arqueando uma das sobrancelhas, balancei a cabeça em desdém. Em seguida, levantando a mão esquerda, abri a palma da minha mão e disse.

“Cinco.”

Depois de se acalmar, Angelica arqueou uma sobrancelha e inclinou a cabeça para o lado confusa.

“Cinco o que?”

Olhando brevemente para minha mão, voltei minha atenção para Angelica e expliquei.

“Cinco anos. Eu quero que você trabalhe para mim por cinco anos.”

Pela última semana, fiquei toda hora pensando sobre isso, sobre como resolver esse problema.

Cinco anos. Esse era o tempo que planejo mantê-la por perto.

Pelos próximos cinco anos, ela irá trabalhar para mim como membro do grupo de mercenário.

Claro, esse não era o objetivo principal. A esperança era que, durante esses cinco anos juntos, ela se tornasse leal a gente.

Se eu mostrasse a ela benefícios suficientes, tinha certeza de que conseguiria convencê-la sobre isso. Além do mais, mesmo que ela decidisse ir embora em algum momento desses cinco anos, não poderia voltar para os demônios.

Com o núcleo dela tendo sido tomado uma vez, conseguir a posição antiga dela era impossível.

Se ela voltasse, a posição mais alta que conseguiria era de Primeiro Ancião… e, para alguém que já provou do poder que vem em ser líder, sei muito bem que isso não era algo que Angelica estava disposta a aceitar.

Principalmente, se o líder fosse alguém a quem ela costumava dar ordens. O orgulho dela não permitiria isso.

Percebendo que Angelica estava pensando, aconcheguei-me na cadeira e esperei pela resposta.

Depois de um tempo, Angelica finalmente olhou para mim e disse, quase como um sussurro.

“Contrato de Mana.”

“Hm?”

Inclinando-me para frente, não consegui entender muito bem o que ela disse. E, ao ver que não escutei, Angelica repetiu, mas dessa vez, mais alto.

“Eu disse, estou disposta a aceitar se fizermos um Contrato de Mana.”

Com um sorriso grande no rosto, falei.

“Mas é claro.”

Já era algo que planejava fazer mesmo, mas pelo visto, ela acabou oferecendo primeiro.

Um Contrato de Mana…

Um contrato que vincula duas pessoas por meio do poder da mana.

Depois de escolherem os termos e assinarem, as duas pessoas sob a influência do contrato devem cumprir a parte delas até o final. Se uma pessoa falhar em cumprir, só a morte a espera… e uma bem dolorida por sinal.

A mana dentro do corpo da pessoa começaria a ficar caótica e o corpo explodiria em pedacinhos. Essa provavelmente é a pior maneira que alguém poderia morrer.

Apesar de Contratos de Mana serem caros, eles valiam cada centavo e, desse jeito, não precisaria me preocupar sobre se a outra pessoa irá cumprir ou não o lado dela.

Esse método é mais eficiente do que ficar ameaçando-a, já que ela agora iria seguir as minhas ordens sem reclamar até o contrato vencer.

Afinal, agora que ela tinha um objetivo para alcançar, ela definitivamente vai seguir minhas ordens, contanto que não fossem absurdas.

Além do mais, não precisaria me preocupar com ela me traindo enquanto o contrato estiver ativado, já que seria um dos termos que vou colocar.

Tudo estava indo perfeitamente…

Assentindo com a cabeça satisfeito e vendo que Angelica também parecia satisfeita, tirei o cabelo dos meus olhos e perguntei uma coisa que estava me incomodando faz tempo.

“Agora, vamos para o ponto principal…”

“Já que você está disposta a assinar um contrato, é hora de fazer algumas perguntas que estive querendo fazer faz um tempo, certo?”

Angelica piscou duas vezes antes de responder, cautelosa.

“Depende do que for a pergunta…”

Ao ouvir a resposta dela, um sorriso leve se formou nos meus lábios.

Então ela ainda tinha uma certa lealdade pelos demônios em…

Era compreensívo, afinal é a raça dela. Não importa o quanto detestasse eles, ela ainda teria uma certa lealdade sobrando… mas tudo bem.

Eu quero ver se a opinião dela vai ser a mesma depois desses cinco anos.

Estou começando a ficar curioso…

Depois desses cinco anos, você ainda será minha peça ou será algo que irei descartar? Você irá escolher me seguir depois de tudo que te mostrar… ou você voltará para os demônios?

Ainda com um sorriso no rosto, pausei meus pensamentos ali. Olhando direto nos olhos da mulher, fiz a pergunta que estava me incomodando por um bom tempo.

“Minha pergunta é… por que você achou que fui eu que matei o Elijah, sendo que todas as provas apontam para a Amanda? Por que eu?”

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