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The Author’s POV – Capítulo 33

Habilidade [2]

Felizmente, graças a tecnologia avançada desse mundo, todos os meus ossos quebrados e ferimentos se curaram na manhã seguinte. O que levava meses para se curar no meu mundo anterior, levou apenas uma noite. Isso é uma maravilha.

Era sábado de manhã e Thomas veio me buscar.

…Finalmente é a hora de eu pegar minha recompensa. Uma habilidade.

Originalmente, estava planejando pegar uma habilidade quando meu poder chegasse em um certo nível, mas foi uma agradável surpresa para mim conseguir um tão cedo na história.

Da para notar que dentro da escola, tirando os professores, apenas uma pequena porcentagem de alunos possuía habilidades. Isso incluindo o terceiro ano.

Apenas os herdeiros ricos da segunda geração podiam sonhar em obter uma habilidade, e ainda assim, o acesso se limitava a um par, no máximo. Elas eram simplesmente muito caras e raras para as guildas darem de bom grado…

Seguindo Thomas até um local remoto e fortemente guardado por todas as direções, chegaram em frente a um grande edifício que parecia um depósito comum. Thomas, então, acenou na direção de um espaço.

Logo, algumas sombras na forma de dois guardas vestidos de branco se materializaram à nossa frente. Me assustei um pouco com a chegada deles, mas rapidamente me acalmei. As pessoas protegendo este lugar deveriam, obviamente, ser fortes, caso contrário, qual seria o sentindo de armazenar coisas tão valiosas aqui?

Depois de revistarem múltiplas vezes Thomas, os guardas vestidos de branco se esconderam nas sombras, mascarando suas presenças por completo.

Após ver os guardas desaparecerem, Thomas colocou uma mão na parede.

-Clank!

Segundos depois de colocar a mão na parede, uma pequena parte dela desapareceu, revelando um pequeno compartimento com uma tranca digital de seis dígitos.

-Beep! -Beep! -Beep!

Parando em frente a caixa, Thomas rapidamente colocou a senha.

Logo depois de inserir a senha, uma luz verde piscou algumas vezes e, em seguida, de um jeito semelhante a anteriormente, um pequeno compartimento circular apareceu na parede.

Arregalando seu olho direito, Thomas se inclinou para perto da parede e colocou seu olho no buraco.

-Clank!

-Vooooom!

Sem demora, um barulho alto ecoou através dos arredores e a porta deslizante se ergueu.

“Que puta processo demorado em!”

Ao esticar as costas, Thomas resmungou enquanto esperava a porta se erguer por completa.

Logo após a porta se abrir por completo, senti uma luz ofuscante cegar meus olhos, me fazendo cobri-los com um braço.

Quando as luzes se apagaram, um mundo completamente diferente foi revelado para mim.

Um forte cheiro metálico imediatamente entrou por minhas narinas enquanto passava pelo enorme portão de metal. Em seguida, o cheiro foi substituído por um cheiro aromático agradável.

Além da porta, uma entrada ampla com tetos altos, pintados com imagens vividas de vários humanos lutando contra um demônio, prendeu meu olhar instantaneamente.

O chão de mármore, polido a ponto de refletir as luzes com clareza, lembrava um lago sereno espelhando os raios solares. Ao chegarmos a uma sala espaçosa com paredes estampadas, cortinas pesadas, tapetes, janelas altas e móveis estofados de carvalho maciço, Thomas me disse para sentar pacientemente em um sofá vermelho.

Sentindo meu corpo afundar no sofá, nervosamente esperei por Thomas. Falar que eu não estava nervoso seria uma mentira. Embora não tenha ninguém presente na sala, parecia que milhões de olhos estavam observando cada movimento meu.

Cada instante que Thomas esteve ausente pareceu horas.

Felizmente, a espera não se prolongou mais, pois Thomas logo voltou com um cartão vermelho em mãos.

“Me siga.”

Ao me entregar o cartão, ele me apressou para acompanhá-lo, seguindo para uma seção particular do complexo.

Assentindo, o acompanhei enquanto admirava os corredores enfeitados com pinturas, artigos de luxos e outros enfeites decorativos que faziam o lugar passar um ar de pura riqueza.

Em pouco tempo, chegamos a uma grande porta de cofre, diante da qual dois indivíduos esperavam pacientemente. No entanto, o que me chamou a atenção, foi o fato de que apesar seus uniformes serem similares aos guardas regulares do mercado negro, diferente da cor branca, o deles eram vermelhos. Indicando que possuíam um status superior aos de trajes brancos.

…fazia sentindo, porque eles eram a última linha de defesa que levava para o cofre.

Acenando com a cabeça para os guardas, Thomas parou.

Olhando para mim solenemente, ele disse. “Muito bem, antes que eu vá, vou te dar um aviso.”

“Você só tem permissão para pegar uma habilidade, ouviu? UMA habilidade.”

Enquanto falava, Thomas repetidamente ressaltava o fato de que posso apenas pegar uma habilidade. Olhando bem para mim para ver se entendi, ele continuou.

“Como você já sabe, habilidades podem ser caras… até para nós.”

“Apesar da nossa organização ser poderosa, distribuindo habilidades para não-funcionários ainda é algo que pesa para nós. Se não fosse pelo fato de você ter nos ajudado a resolver um grande problema, nunca teríamos considerados fazer isso.”

Ouvindo atentamente, assenti repetidamente com a cabeça. Tudo que ele disse, eu já sabia. A seriedade dele era compreensiva, já que habilidades eram algo de valor alto.

Thomas fez uma breve pausa, e um sorriso de satisfação surgiu em seu rosto ao me ver, que havia compreendido suas palavras. Pegando o cartão vermelho das minhas mãos, o entregou para os guardas.

“Outra coisa que precisa se lembrar, é que a habilidade que pode escolher é entre as Classes G e F. As habilidades superiores estão inacessíveis para você.”

“O cofre que está prestes a entrar tem três andares, que você só terá acesso ao primeiro.”

Rindo levemente, Thomas olhou de forma brincalhona para mim.

“Se conseguir repetir o que fez, quem sabe não damos acesso aos outros andares.”

“Estou de boa.”

No mesmo instante, minha boca se mexeu para recusar. Nem morto que vou passar por uma experiência daquela de novo.

“Ok, vou esperar aqui fora. Assim que terminar de escolher, você pode aprendê-la imediatamente com um dos guardas observando.”

Terminando o que tinha para dizer, Thomas abriu espaço e me permitiu entrar no cofre.

“Fique parado ali.”

Parando em frente a porta, o guarda em vermelho apontou para um certo lugar.

-Voom!

Seguindo suas ordens, fiquei pardo no lugar onde o guarda pediu. Logo, meu corpo foi envolvido por uma luz vermelha.

-Ding! -Ding!

“Muito bem, tudo pronto.”

-Beep!

-Krrrrr

Escaneando o cartão no cofre, uma luz verde piscou seguida por um barulho alto da porta se abrindo.

“Se divirta, garoto.”

Com um gesto casual, Thomas apoiou-se na parede, sacou um pacote de cigarros e, ao ser fuzilado pelos olhares dos guardas, sorriu com amargura.

Balançando a cabeça em divertidamente, segui em direção ao cofre.

-Clank!

Ao entrar no cofre, a porta atrás de mim se fechou. Logo, um silêncio envolveu todo o meu redor.

Olhando para cima, eu podia ver grandes e robustas estantes cobrindo as paredes, avançando pelo chão em fileiras coloridas, estendendo-se até o fim do primeiro andar. No final da sala, era visível uma escadaria que levava para o segundo andar.

“Nossa…”

As incontáveis habilidades diante de mim, me deixou sem palavras. Só na seção Classe F, tinha pelo menos uns mil livros ali.

Como em jogos, as habilidades vinham em livros. É por causa disso que esse lugar não diferente de uma biblioteca normal.

Cada livro com uma cor diferente representava uma afinidade diferente, variando entre fogo, água, terra e assim vai.

-Você tem uma hora para decidir sua habilidade.

No momento em que eu estava atordoado, uma voz fria vinda do alto-falante no canto da sala me despertou.

Rapidamente me recompondo, observei as seções de Classe G e F.

Com tantas habilidades para escolher, decidi reduzir meu campo de busca. Primeiro, optei por excluir aquelas que exigiam um alto consumo de mana.

Como não sou um mago, minha capacidade de mana era bem baixa. Escolher uma habilidade que exigia toda a mana do meu corpo seria total idiotice, pois o [Estilo Keiki] também exigia mana sempre que usava um movimento. Se eu não usasse mana, sem chances que conseguiria me mover rápido daquele jeito.

Excluindo isso, meu campo de busca diminuiu drasticamente. Segundo, preciso de uma habilidade que é compatível com o [Estilo Keiki]. Quando estava lutando contra o Barão do Everblood, percebi que, apesar do [Estilo Keiki] ser poderoso, em suas etapas iniciais, era uma arte da espada bastante medíocre. Principalmente porque, uma vez que meu primeiro ataque era bloqueado, eu não conseguia fazer mais nada, como demonstrou o Barão ao me neutralizar permitindo que minha espada penetrasse em seu corpo.

Preciso de algo que me ganhe tempo, assim conseguiria reajustar minha postura… ou pelo menos algo que complementaria meu estilo de luta.

Tendo reduzido ainda mais a busca, decidi examinar as seções F e G.

Folheando os livros, não pude deixar de babar em algumas habilidades. Encontrei algumas especialmente incríveis. Uma em específico chamou minha atenção.

[Punho da Fúria]: Uma habilidade de soco que concentra toda a mana em um determinado raio, liberando um golpe devastador capaz de causar danos terríveis se alguém for pego desprevenido. Aumenta momentaneamente a força por um fator de dois.

Lendo a descrição da primeira habilidade que peguei na seção de Classe F, minha boca abriu em um formato de ‘o’.

“Aumenta a força por um fator de dois?”

…Isso é bom demais.

Especialmente se alguém já super forte usar essa habilidade. Imagina um dos Setes Lideres da União usar ela. Só o soco deles provavelmente conseguiria tremer uma montanha inteira.

Basicamente, essa habilidade fica mais assustadora quanto maior for a Classe da pessoa.

…se esse é o padrão para habilidades Classe F, um arrepio passou pelas minhas costas quando pensei nas habilidades de níveis superiores.

Apesar de saber algumas das habilidades Classe S que o Kevin irá conseguir mais tarde, isso não impediu minha mente de imaginar o quão devastador a cena seria na vida real.

Graças a deus que elas são raras.

Enquanto vasculhava os livros nas estantes, eu pausava aqui e ali para assimilar algumas das habilidades.

Isso continuou por trinta minutos até finalmente, eu conseguir diminuir minhas escolhas para três habilidades. Duas delas eram Classe F e uma Classe G.

[{G} Indiferença do Monarca]: Habilidade que permite o usuário a apagar todas as emoções, e agir como um monarca supremo que apenas calcula a melhor opção, independente das emoções.

[{F} Santuário de Chamas]: Habilidade que invoca um anel de fogo ao redor do usuário. Excluindo o usuário, um calor escaldante envolvera todos que estiverem dentro das chamas.

[{F} Sopro de Inverno]: Habilidade que permite ao usuário exalar um sopro de gelo, fazendo com que a temperatura circundante em um certo raio caia abaixo de zero. Reduz a velocidade do inimigo em um fator de dois.

Essas três são as que mais seriam úteis para mim no momento. Não por que são fortes, mas porque são compatíveis com meu estilo de luta.

[{F} Santuário de Chamas] chamou minha atenção, porque é uma habilidade que me ganharia tempo. Ativando-a, eu conseguiria pegar meu oponente de surpresa e durante esse tempo, ganhar de volta minha postura e atacá-los.

[{F} Sopro de Inverno] faria algo semelhante a [Santuário de Chamas], mas, diferente dela, essa atrasava os oponentes. Contrário do [Santuário das Chamas], que poderia ser usada para acabar com a luta pegando de surpresa, essa habilidade era mais voltada para lutas prolongadas. Isso me daria uma grande vantagem se usada com o [Estilo Keiki], que brilhava quando o oponente é mais lento. Em termo de compatibilidade, essa era a que mais se encaixava.

Por último, [{G} Indiferença do Monarca], a única Classe G da lista, e provavelmente a que mais me interessou.

Uma coisa que percebi da minha luta contra o Barão do Everblood, foi que, se eu tivesse ficado mais calmo, não teria acabado em naquela situação.

Assim que o braço dele se regenerou, eu deveria ter percebido que apenas uma parte dele se curou. Eu estava tão distraído pela presença dele que não notei um detalhe tão pequeno. Se o tivesse feito, a luta teria terminado rapidamente e eu não teria tido que sofrer tanto.

Além disso, [Indiferença do Monarca] era particularmente útil, já que eu ainda não havia tirado uma vida humana. Sim, tecnicamente eu matei o Lucas e o Patrick, mas foi no mundo da realidade virtual onde não me senti culpado em matá-lo. Sendo alguém vindo da Terra, onde desde cedo ensinavam que matar era ruim, eu ainda não conseguia, de fato, tirar uma vida humana. Pelo menos, não ainda.

Nos tempos atuais, matar um humano era algo que a maioria dos estudantes da escola teria de fazer pelo menos uma vez, já que eventualmente seríamos encarregados de eliminar certos vilões.

Para mim, o esforço metal para tirar uma vida humana era muito maior do que para as pessoas nascidas neste mundo, que foram expostas a tais coisas desde o nascimento.

Com o auxílio da [Indiferença do Monarca], não vou precisa me preocupar com isso mais. Sem contar que, com essa habilidade, quando lutando contra um oponente, emoções como nervosismo, medo e ansiedade não atrapalhariam meu julgamento, me permitindo agir da melhor forma em momentos críticos e reduzindo as chances da minha morte.

Tendo considerado todas as opções, resolvi pegar [Indiferença do Monarca].

Apesar de ser a única habilidade Classe G, para mim, essa habilidade é a mais útil dentre as três. Tenho a sensação de que, não importasse o quão forte eu ficasse no futuro, essa habilidade sempre estará do meu lado.

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