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The Author’s POV – Capítulo 6

A Arte da Espada [2]
 “Gasp…Gasp…Gasp…”

Com olhos cheios de raiva, continuei a descer na corda.

Eu não sei quanto tempo se passou, mas chuto que pelo menos dois dias já se passaram desde que comecei a descer.

Minhas mãos, já cheias de bolhas, começaram a sangrar na corda inteira, deixando para trás um rastro de sangue durante minha descida. Meus músculos tremiam a cada minutos, quase me fazendo perder a pegada na corda em algumas ocasiões.

Parecia que tinha voltado no tempo, onde eu escrevia no teclado sem nenhum objetivo em mente.

Eu só continuava, continuava e continuava, até meu senso de tempo e razão sair do meu corpo. Até mesmo a dor diminuiu aos poucos, parecendo que havia me transformado em um robô.

Infelizmente, como qualquer outro item alimentado, robôs tendem a ficar sem bateria. E isso, era exatamente o que aconteceu comigo.

Minha visão ficou turva e minhas mãos aos poucos foram perdendo a pegada na corda.

…..

Parece que morri de novo, hum?

Por mais estranho que pareça, não foi como da primeira vez em que morri, quando tudo o que senti foi um frio interminável e uma solidão sem fim.

Dessa vez, um calor envolveu meu corpo, me fazendo sentir extremamente confortável. Era como se estivesse voltado para a barriga da minha mãe, com os nutrientes e proteção diária. Não era tão ruim assim…

-Dong! -Dong! -Dong!

De repente, escutei o som de um sino tocando, fazendo minha cabeça girar e meus olhos se arregalarem.

“O que acabou de acontecer?”

Sentando bruscamente, percebi que meu corpo estava todo suado. Desnorteado, toquei em meu corpo e percebi que estava no topo de uma pequena cama com o lençol encharcado com o meu suor. Olhando para minhas mãos, vi que não tinha mais nenhum sinal da aparência grotesca de quando estava na corda.

Olhando ao redor, finalmente me dei conta dos meus arredores. Eu estava dentro de um quarto com o que parecia ser tatames de estilo japonês no chão. O cômodo estava quase vazio, com apenas uma mesa de chã e um relógio antigo enorme, que fazia barulho constantemente no canto do quarto, fora isso, não tinha mais nada.

“Acordou, garoto?”

“Huh?”

Virando minha cabeça para a direita, de onda a voz vinha, um senhor de meia-idade estava sentado na mesinha preparando um pouco de chá. Seus movimentos despreocupados e seu comportamento relaxado misturava-se muito bem com o ambiente tranquilo.

O aroma vindo chá inundou o quarto inteiro, me fazendo relaxar por um momento. Mas não por muito tempo, já que pulei da cama e olhei em alerta para o estranho a minha frente.

Cabelos pretos como a noite, olhos pretos hipnotizantes e uma expressão rígida, porém gentil.

“Relaxa, garoto. Não vou fazer nada com você.”

“Quem é você?”

Eu perguntei cautelosamente, se abaixar minha guarda.

Se não fosse pelo fato de que tinha certeza de que ele não estava ali quando olhei ao redor do quarto, eu não estaria tão em alerta assim.

Um mestre.

Ele era definitivamente um mestre muito além do meu nível.

Apenas alguém que seja níveis acima de mim que poderia aparecer do nada, sem eu notar.

Batendo o punho na palma, como se tivesse lembrado de algo, o senhor de meia-idade com a expressão rígida olhou para mim e disse, “Ah! Verdade! Eu ainda não me apresentei, né?” Sorrindo levemente, ele estendeu a mão direita em minha direção, “Prazer em conhecê-lo, garoto. Meu nome é Toshimoto Keiki.”

No mesmo segundo, minhas pupilas dilataram e meu queixo caiu no chão.

“Ma-as mas m-mas como? Você já não tinha morrido?”

Meu corpo tremia enquanto olhava para o homem diante de mim em choque.

“Ei, garoto, não seja assim.”

Ele riu amargamente da minha reação. O Grande Mestre Keiki, calmamente colocou o bule de chá na mesa e assoprou a xícara de chá em sua mão.

“Fuu… Sim, tecnicamente, eu posso ser considerado morto, mas… alguém invadiu minha casa e acabou acordando o resto da minha alma, que deixei para trás quando morri.”

“R-Resto de alma!”

Quando um mestre chega a um certo nível, é possível aprender uma técnica chinesa antiga, conhecida como [Divisão de Alma]. O proposito principal é dividir a alma e colocá-la em um objeto, permitindo uma pessoa interagir por um curto período de tempo com o usuário da técnica. Para resumir melhor, é basicamente uma gravação que você consegue interagir.

A técnica não tem nenhum poder de ataque e, além de herdar as memórias de quem a invocou, não possuía nenhuma outra característica.

Sabendo disso, somei dois com mais dois e consegui me recompor.

” *Cough*… Me desculpe por isso.”

Interessado pelo meu comportamento estranho, o Grande Mestre Keiki gargalhou e disse, “Hahahaha sem problemas, sem problemas. Já esperava por esse tipo de reação quando alguém encontrasse meu lugar de descanso.”

“Ren.”

“Perdão?”

Confuso, o Grande Mestre Keiki ergueu a sobrancelha e olhou para mim, quando estendi a mão.

“Meu nome é Ren. Ren Dover.”

“Ah! Certo! Que rude da minha parte, eu ainda não havia perguntado pelo seu nome… É um prazer conhecê-lo, Ren!”

Apertando minha mão, ambos olhamos um para o outro e nos cumprimentamos.

“Por favor, sente-se.”

Ele gesticulou para me sentar perto da mesinha. O Grande Mestre Keiki pegou o bule de cerâmica e me serviu.

“Verde ou preto?”

“Hmm… Verde, por favor.”

Sorrindo de leve, o Grande Mestre Keiki adicionou as folhas de chá ao recipiente de mistura e, com calma, despejou a água quente dentro do recipiente para que as folhas pudessem molhar e liberar seu sabor.

Enquanto olhava a água lentamente se escurecendo, o Grande Mestre Keiki soltou um suspiro triste e uma expressão de nostalgia apareceu em seu rosto.

“Sabe, eu já fui jovem e inocente como você… No passado, eu vivia em um país chamado Japão. Era um dos lugares mais lindos do mundo. Tinha montanhas altas e belas, a primavera era toda rosa, por causa das árvores de cerejeira, comidas deliciosas e um céu com incontáveis estrelas… alguns até diziam que era o Paraíso da Terra.”

Escutando o Grande Mestre Keiki relembrar sobre seu passado, imediatamente me endireitei na cadeira e prestei atenção no que ele estava dizendo.

Mais do que o desejo de conhecer seu passado, qual eu já sabia, minha atenção total era devido ao respeito que eu sentia por ele.

Embora ele fosse um personagem fictício que eu criei, mas isso é passado agora.

Ele não era mais um personagem fictício e esse mundo não é mais uma novel. Isso é real… e o homem diante de mim é o Grande Mestre Keiki, um guerreiro legendário que sacrificou a vida pela segurança de milhares.

Olhando para o teto do quarto enquanto contava sobre seu passado, o Grande Mestre Keiki abriu um sorriso triste e cheio de pesar.

“Antes do desastre, eu tinha uma linda esposa e filha. Naquela época, trabalhava como instrutor de Kendo e por mais que não recebia muito, eu estava feliz. Era uma vida simples, porém satisfatória.”

“Mas aí veio… Terremotos enormes ocorreram por todo Japão, criando tsunamis em toda parte. Era um caos total, com pessoas sendo mortas e casas sendo destruídas. O mundo que antes conhecíamos, começou a desmoronar. Felizmente, quando isso aconteceu, minha esposa e filha estavam viajando comigo em um avião, então não fomos afetados pela catástrofe, mas…”

De repente, o Grande Mestre Keiki segurou a xícara fortemente, com seu rosto queimando de pura raiva.

“Aí a segunda catástrofe começou!”

Ele respirou fundo para tentar se acalmar antes de continuar.

“Criaturas pretas enormes com asas de morcegos e chifres pontiagudos saíram daqueles portais misteriosos que apareceram ao redor do mundo. No início, eles não fizeram nada, apenas ficaram flutuando no ar e nos observaram como se fossemos ratos em laboratórios. Até hoje ainda lembro aqueles olhos arrogantes e sorrisos estranhos que desfrutavam do nosso medo.”

Com as mãos tremendo, o Grande Mestre Keiki olhou diretamente pra mim.

Embora ele fosse apenas o resto de uma consciência, eu ainda conseguia ver a tristeza e angústia escondidos em seus olhos, que escorriam lagrimas cristalinas por seu rosto enrugado.

“Assim que eles nos determinaram como fracos.”

A xícara que já estava tremendo antes, tremeu mais ainda e sua expressão, que ainda estava neutra, caiu por completo quando mais lagrimas começaram a escorrer por seu rosto.

“E-les e-les pe-garam minha esposa e filha de mim…”

Com o corpo tremendo, o Grande Mestre Keiki – ou melhor, Toshimoto Keiki, um pai e marido – deixou que as lágrimas corressem livremente enquanto chorava a perda daqueles que amava.

Observando o homem de aparência frágil desabar diante de mim, resolvi permanecer calado e esperei pacientemente que ele se acalmasse. Uma pequena dor me atingiu no peito, já que uma parte de mim se sentia responsável pela tragédia desse homem.

Limpando os olhos, o Grande Mestre Keiki se levantou e andou calmamente em minha direção.

“Me desculpe por te fazer ver isso.”

“Não fique, eu entendo.”

Balancei a cabeça em negação, também me levantando.

Após alguns segundo nos encarando nos olhos, o Grande Mestre Keiki sorriu repentinamente e deu um tapinha no meu ombro.

“Que bom, me parece que minha sorte nem é tão ruim assim.”

Ele passou por mim, abriu a shoji e saiu da sala, acenando para que fosse junto.

“Siga-me.”

Assim que sai do quarto, fiquei de queixo caído. Um jardim inexplicavelmente belíssimo estava diante de mim. Senti como se tivesse perdido o ar enquanto fiquei ali parado, olhando encantado para a cena.

-Tak! -Tak! -Tak!

Plantas verdes cobriam o jardim com vida, e no meio dele havia um lago transparente onde carpas koi de vários tamanhos nadavam livremente. Pássaros voavam e cantavam no céu azul sem nuvens, e às vezes se ouvia o som calmo e repetitivo de uma fonte de bambu no jardim.

Quanto mais andava pelo jardim, ficava cada vez mais encantado pelos meus arredores.

Ao me aproximar do lago, pude ver carpas koi de diferentes cores – variando entre vermelho e o branco – que espreitavam levemente a superfície da água, quase como se estivessem cientes da nossa presença.

No meio do lago, tinha uma pequena ilha conectada por uma ponte pequena de madeira.

Andando pela ponte, mais uma vez, fiquei de queixo caído.

Um jardim em miniatura, estilizado com paisagismo delicado – onde pedras, fontes de água e musgo eram cuidadosamente dispostos – surgiu no meu campo de visão, cercado por cascalho cuidadosamente rastelado para se assemelhar a ondulações na água.

“Um jardim zen.”

“É bonito, não é?”

Sentando-se confortavelmente perto do jardim, o Grande Mestre acenou rapidamente para me sentar junto.

“Muito…” Eu respondi, enquanto me sentei no chão ao lado dele.

Um silêncio tomou conta da área enquanto observávamos calmamente o jardim zen à nossa frente. Era estranho, e, ao mesmo tempo, relaxante.

“Sabe, fiquei realmente surpreso quando te vi pela primeira vez…”

O primeiro a interromper foi o Grande Mestre Keiki, com um sorriso em seu rosto ao mesmo tempo que continuava a olhar para o jardim.

“Desde a minha morte, ninguém jamais veio a esse lugar. E com razão, já que fiz questão de escondê-lo dos olhares curiosos daqueles bastardos gananciosos…”

“E claro, mesmo se eles encontrassem esse lugar por pura sorte, eu tratei de garantir que não conseguissem entrar. Tenho certeza de que você sabia que aquela corda era uma corda, certo?”

O Grande Mestre Keiki olhou para mim com um sorriso no rosto, o que me fez lembrar da experiência traumatizante que passei antes.

‘Claro que eu sei! Eu ainda estou traumatizado pela aquela corda!’ Eu xinguei internamente ao mesmo tempo que sorria e assenti.

“Sim, eu lembro.”

“Kukuku, você é tão fácil de se ler, garoto.”

Rindo alto, o Grande Mestre Keiki continuou, “Veja bem, eu coloquei aquela corda como um teste para determinar se alguém seria digno de acordar minha alma. Se você tivesse descido, mas parado depois de uma hora, você não teria conseguido achar esse lugar. E mesmo se você tivesse gastado um dia descendo, você nunca teria chegado aqui. Assim que tivesse descido sem parar por dois dias sem cair, apenas assim você teria conseguido ter uma audiência comigo.”

Olhando para o Grande Mestre, pude ver um simples traço de admiração enquanto olhava para mim.

“Quatro dias, 3 horas, 22 minutos e 41 segundos. Esse foi o tempo que você passou descendo a corda. Mesmo como um resto de alma, ainda fiquei chocado com sua determinação.”

Eu continuei sorrindo, mas minhas pálpebras não puderam deixar de tremer com o que ele disse, ‘Mas é claro que continuei descendo, não é como se quisesse morrer logo depois de reencarnar!’

“Mesmo se você continuasse, porque queria viver, isso ainda conta como determinação. Aliás, você nunca iria morrer em primeiro lugar, já que era apenas uma ilusão.”

Parecendo que tinha lido meus pensamentos novamente, o Grande Mestre soltou um riso, fazendo eu sorrir de vergonha.

“Voltado ao assunto, a razão pela qual criei o teste da corda foi para determinar se alguém seria digno o suficiente para herdar minha arte da espada. Alguém sem determinação, nunca poderia sonhar em herdar meu [Estilo Keiki].”

“O [Estilo Keiki] é uma arte da espada que foca em cortes monótonos, porém perfeitos. Se alguém não conseguisse praticar o mesmo movimento monótono, como balançar a espada na mesma direção por mais de metade do dia inteiro, ele não é digno!

Levantando-se, o Grande Mestre andou para o outro lado da ponte e parou diante de uma árvore.

Colocando a mão no punho da sua katana, ele respirou fundo.

Logo em seguida, sua figura se misturou aos poucos se mesclou com a paisagem ao redor, fazendo parecer que ele era um com a natureza.

-Rustle.

Do nada, uma pequena rajada de vento passou, fazendo algumas folhas caírem da árvore.

As folhas levadas pelo vento desceram lentamente, pousando próximo de onde o Grande Mestre estava.

-Click!

Tudo que ouvi foi o som de um clique antes de todas as folhas ao redor do Grande Mestre Keiki dividir em oito pedaços idênticos, fazendo minha boca fazer um formato de ‘O’.

-Click!

Com outro clique, a katana, que pareceu nunca ter saído da bainha, retornou para sua posição original.

“O [Estilo Keiki] é a arte da perfeição. Quando você conseguir repetir o mesmo movimento toda hora sem nenhum erro, isso significa que você terá finalmente dominado o [Estilo Keiki].”

Fechando meus olhos, tentei manter minha compostura.

Meu coração estava batendo loucamente, e meu sangue borbulhava. ‘Isso é insano! Puta merda! Como caramba ele conseguiu cortar aquelas folhas tão perfeitamente sem se mover! Eu quero ser capaz de fazer isso também!”

Olhando para os olhos brilhantes de Ren, o Grande Mestre deixou soltar uma leve risada.

“Você deseja aprender?”

O que me interrompeu dos meus pensamentos foi a voz rígida do Grande Mestre Keiki.

“Sim!”

Sem pensar duas vezes, assenti com a cabeça com entusiasmo.”

Eu estava esperando por esse momento!

“Muito bem.”

Parecendo ter feito sua decisão, o Grande Mestre Keiki sorriu em paz.

Lentamente, ele andou até mim e tocou em minha testa.

Imediatamente, senti minha mente dar um branco enquanto ondas de informações surgiam em minha mente.

Vendo que fiquei sobrecarregado com as informações, o Grande Mestre Keiki sorriu enquanto seu corpo aos poucos foi ficando mais e mais transparente.

Quando finalmente consegui organizar as informações dentro do meu cérebro, o Grande Mestre Keiki já estava quase desaparecendo.

Assustado, rapidamente me ajoelhei e prestei meus respeitos.

“Obrigado! Muito obrigado! Eu vou me certificar de levar adiante sua arte e espalhar seu nome pelo mundo!”

O Grande Mestre sorriu mais uma vez, enquanto murmurava alguma coisa inaudível antes de desaparecer e se dispersar em pequenos fragmentos.

Assenti com determinação, me levantei. Por mais que suas palavras foram inaudíveis, eu já sabia o que ele queria falar.

“Mantenha-se fora do radar até ficar forte o suficiente…”

Soltando um suspiro longo, dei uma última olhada aos meus arredores e gravei o cenário em minha cabeça.

Depois de prestar meu último respeito, rapidamente andei na direção onde estava a saída.

“Eu sei.”

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