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The Author’s POV – Capítulo 82

Caïssa [1]

Domingo, Guilda Galxicus, 80º andar. 

Um dia depois do duelo que tive contra Alex, nesse exato momento, eu estava dentro do escritório do meu pai. 

Sentado em um largo sofá cinza, observei a sala. 

Do lado oposto a mim, sentado em uma larga mesa de rosewood, meu pai estava ocupado trabalhando em alguns documentos. 

Enquanto organizava a papelada sobre a mesa, sua caneta deslizava em movimentos rápidos e fluídos pelos papéis sobre a mesa. 

Sua eficiência era algo impressionante. 

Olhando para a mesa do meu pai, bem diante dos meus olhos, uma série de papéis, uma pilha de blocos de notas, um laptop e vários monitores estavam organizados perfeitamente sobre a grande mesa. 

No chão, embaixo da mesa, ficava um gabinete de um PC que zumbia baixinho. De vez em quando, uma luz azul piscava sinalizando que ele estava ligado. 

Na parede à direita, havia diversos post-it pendurados em um quadro de madeira com vários rótulos e fotos. 

Embora o escritório não fosse um dos mais organizados, o número de documentos em cima da mesa dele apenas mostrava a quantidade de esforço que meu pai está colocando para manter a guilda de pé. 

“Ren…” 

Enquanto estava ocupado observando tudo, meu pai chamou minha atenção. 

“Sim?” 

Largando a caneta na mesa, olhos cor de obsidiana me encararam. 

“O que você acha da nossa guilda? Seja honesto.” 

O que eu penso da guilda? 

Honestamente, está péssima. 

Pelo que vi de ontem, a guilda não estava unida. Estava dividida entre diferentes facções e tinha uma briga de poder evidente acontecendo. 

Não sei como eles conseguiram manter escondido o que estava acontecendo aqui dentro fora dos ouvidos do pessoal de fora. 

Eu tenho certeza de que uma Guilda de Nível Bronze ou Prata iriam adorar tirar vantagem da notícia. Tipo, quem não iria né? Apesar da Galxicus estar sucumbindo, se outras guildas estiverem querendo expandir, puxar a Galxicus seria uma ótima ideia a se fazer. 

Principalmente agora que a Galxicus só era uma ‘guilda’ em nome. 

Era apenas um título vazio, como uma loja se não vendesse nada. A única razão por ela ainda estar de pé até hoje, era devido aos esforços dos meus pais, mas isso não irá durar por muito tempo. Vai chegar uma hora em que os dois não irão mais aguentar toda a demanda… 

Quando minha linha de pensamento chegou nessa parte, foi aí que lembrei do fato dos meus pais estarem trabalhando até mesmo no domingo. Em nenhum momento eles descansaram. 

…Se as coisas continuarem assim não dou nem um ano para serem obrigados a fecharem. 

Hesitando por um momento, olhei para a expressão sincera do meu pai e compartilhei minha opinião. 

“Para ser honesto… é péssima.” 

“Os membros da guilda ao invés de estarem unidos estão divididos em facções e…” 

Depois que falei sobre meus pensamentos, assentindo com a cabeça, Ronald suspirou. 

“Julgando pelo jeito que falou posso, assumir que já deve ter descoberto sobre o que está acontecendo dentro da guilda.” 

Olhando para a pilha de papéis na mesa, uma leve expressão de tristeza se fez presente nos olhos do meu pai enquanto murmurava. 

“…Lamentavelmente, a guilda está passando por uma fase de grave crise.” 

Organizando as papeladas, meu pai encostou-se na cadeira e olhou para o teto. 

“Meu plano era que um dia você se tornasse Líder da guilda.” 

“Eu queria passar essa guilda para você no futuro, para que pudesse guiá-la para o sucesso… mas, pelo visto, isso foi apenas um desejo egoísta meu.” 

Olhando na direção da gaveta da mesa, meu pai tirou uma chave prata do bolso. 

-Clank! 

Usando-a para destravar a gaveta meu pai a abriu. 

Com uma sensação de nostalgia nos olhos e olhando para mim ele pegou um livro verde grosso. 

“Quando vi você lutando ontem, percebi que mesmo tendo uma defesa boa ainda lhe falta algo importante. No início, pensei que isso era uma Arte de Ataque, mas depois de analisar melhor entendi que esse livro vai te ajudar ainda mais…” 

Depois de dar uma última olhada no livro, meu pai o ofereceu para mim. 

“Tome.” 

Chocado, apenas pude ficar olhando para ele. Por mais que ele parecesse indiferente, os olhos deles demonstravam carinho. O que seja isso que tenha me dado definitivamente é algo muito precioso para ele. 

“Muito obrigado…” 

Assentindo com a cabeça, olhei para o livro verde. 

Nunca vou me esquecer desse momento… 

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[★★★Passos de Deriva] 

Técnica de movimento de aceleração contínua. Cada passo amplia a velocidade do usuário. Sem interrupções, o ganho de velocidade é constante, limitado apenas pela reserva de mana ou quando ocorresse uma lesão no corpo. 

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“Isso…” 

Isso era exatamente o que eu precisava: uma Arte de Movimento. Será que isso é uma coincidência?  

Ao olhar para o meu pai, percebi seu olhar de compreensão. Como se soubesse desde o começo que eu precisava disso. 

Acho que ele não é um Líder de Guilda atoa né… 

Depois de me assistir lutando só uma vez, ele já conseguiu descobrir o que me faltava. Com essa Arte de Movimento, minhas habilidades vão aumentar ainda mais. 

Principalmente, já que estou quase perto de subir para a <Classe F+>… Podia sentir que só faltava mais alguns dias para isso acontecer. 

Enquanto eu admirava o livro, meu pai apontou para o objeto em minhas mãos e disse. 

“Essa Arte de Movimento é uma das melhores da guilda e tecnicamente eu não podia dá-la a você…” 

“Normalmente eu precisaria ganhar uma permissão da diretoria antes de sequer mostrá-la a você, mas…” 

Pausando brevemente, meu pai olhou para a cidade movimentada de Ashton através da janela e disse em um tom firme. 

“…mas com o estado da guilda, não vejo o porquê de não fazer isso.” 

Virado de costas para mim, meu pai, Ronald Dover olhava para as pessoas que entravam e saíam do prédio. 

Depois de um breve momento, ele se virou para mim e disse em um tom sério. 

“Eu quero criar uma divisão diferente para a nossa guilda.” 

“Uma divisão?” 

Apenas inclinei a cabeça para o lado sem saber o que falar. 

Se a guilda está em decadência, por que criar uma divisão? Não faz o menor sentido. 

“…Sim, e você que vai liderar.” 

“Quê?!” 

Chocado com o que ouvi, olhei para meu pai de olhos arregalados. 

Que tipo de piada é essa? Eu ainda estou no meu primeiro ano na Lock. Como que vou ter tempo o suficiente para administrar uma divisão? 

Me pedir para operar uma divisão significaria que não vou ter tempo para participar das aulas, ou até meus treinos. 

Assistindo as ruas pela janela, Ronald Dover sorriu. 

“…Ren, nesse mundo, ou você é um peão ou você é o rei.” 

“Você pode ser uma pessoa que sempre segue as vontades dos outros ou você é aquele que segue a própria vontade. Embora criar uma divisão de uma guilda em decadência não seja uma boa ideia, na verdade, meu objetivo não é bem criar uma divisão.” 

Percebendo uma pequena indireta nas palavras dele, um pensamento surgiu na minha cabeça enquanto olhava para ele em choque. 

“Você não quer dizer…” 

“Sim… Eu quero que você crie um grupo de mercenários.”  

Um grupo de mercenários. 

Um grupo composto de talentos independentes, que fazem serviços por dinheiro. Seja matar certos monstros, vilões ou até indivíduos corruptos. Qualquer serviço que seja são eles que o pessoal chama. 

Grupos de mercenários são tão populares quanto as guildas, com alguns tendo influência que rivaliza até mesmo com as Tops Guildas do Domínio Humano. 

…e meu próprio pai estava pedindo para eu criar um grupo desse. 

Colocando a mão no queixo, comecei a pensar sobre isso. 

“Se é um grupo de mercenários…” 

Talvez seja possível. 

Por mais que fosse difícil, era possível. 

Estabelecer um grupo não é nada fácil. 

Eram necessários dois requisitos para criar um. 

—Ter pelo menos um indivíduo com um certificado de Herói; ou 

—Receber uma recomendação de uma guilda oficial. 

Ainda que não consiga pegar um certificado de herói já que não me formei ainda, com a recomendação do meu pai, estabelecer um grupo de mercenários não parecer ser um sonho distante. 

Criar minha própria organização… 

A ideia é tentadora. 

…Criar uma organização com pessoas que posso controlar. 

Quanto mais pensava sobre isso mais percebia que isso era algo que precisava. 

Depois de ver que algumas coisas nunca vão de acordo com o plano, ao invés de ficar na passiva, por que não criar minha própria organização? 

Uma organização que operária das sombras, como meus ajudantes. Se o Kevin e os outros eram a luz, por que não ser a sombra?  

Passando a língua nos lábios, cruzei as pernas e pensei. 

‘Se é para fazer, que seja em grande estilo.’ 

Com o meu conhecimento sobre o futuro sabia de certas pessoas que não tiveram muito tempo na novel, mas que eram extremamente talentosas por si só. 

Com a minha própria organização me apoiando não vou precisar ficar me preocupando com problemas que ficam me assombrando desde o primeiro dia que reencarnei. 

…Meu deus, por que não tive essa ideia antes. 

Decidido, olhei para o meu pai e disse. 

“Muito bem, vou fazer isso.” 

Concordando com a cabeça e vendo a determinação nos meus olhos, um sorriso se formou no rosto de Ronald Dover. 

“Ótima escolha.” 

….. 

Ao sair da sala do meu pai já comecei a pensar em todos os indivíduos que posso chamar para se juntar ao grupo. 

Que por sinal, já tinha algumas pessoas em mente… 

No momento quando estava fazendo a lista de pessoas que queria que se juntasse ao meu grupo, meu celular tocou. 

Ligando o celular, verifiquei para ver quem era. Logo, um sorriso se abriu em meus lábios. 

‘Falando no diabo…’ 

[PequenaCobra] era quem estava me ligando. 

—Alô? 

Assim que aceitei a ligação, o rosto dele apareceu na tela de holograma. 

“E aí, quanto tempo. O que foi?” 

—…Onde você está? Consigo ouvir várias pessoas perto de você? 

“Eu? Eu estou na guilda dos meus pais.” 

Levantei o celular e mostrei os arredores para ele. 

“Estive cuidando de alguns problemas familiares na guilda.” 

—Sério? 

“Sim, de qualquer forma, preciso conversar com você sobre algo.” 

—Vá em frente. 

“Não pelo celular, me encontre perto da guilda no Distrito Norte.” 

—É um pouco longe aí… 

“Confia em mim, você não vai se arrepender sobre o que vou dizer.” 

Ao me ver sorrindo misteriosamente, a expressão do PequenaCobra ficou desconfiada. No fim, ele acabou concordando. 

—Ok, eu vou… 

“Perfeito, então te vejo em breve.” 

Sorrindo triunfantemente, desliguei a ligação. 

—É melhor que isso sej- 

-Tak! 

Desligando o celular, um sorriso se formou no meu rosto. E depois de pôr um casaco, fui em direção de um café perto daqui e mandei minha localização para o PequenaCobra. 

Fico pensando o quão grande a minha organização vai se tornar…

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