*pheew* *pheew* *pheew* Sentado na cadeira, soprei a franja do cabelo e, de tempos em tempos, olhava o celular.
“Nada ainda, hein…?”
Depois de olhar meu celular por dez minutos sem parar, suspirei.
‘Parece que isso vai demorar mais do que pensava…’
“O que você está fazendo?”
“Hmm? PequenaCobra?”
Olhando para ele, que tinha acabado de chegar, encostei na cadeira e continuei a soprar minha franja.
Ao ver o jeito que estava agindo percebi que nem se importou com o que estava acontecendo.
“Já conseguiu resolver as coisas com a Luxious?”
Olhando meu relógio, sem nem olhar para ele, respondi.
“Ainda não… mas devo conseguir em breve.”
“Que seria quando?”
Pensando por um momento, respondi.
“Acho que daqui uma hora mais ou menos?”
Arqueando a sobrancelha, o PequenaCobra perguntou, curioso.
“Uma hora? Então… toda essa algazarra acontecendo lá fora, é por sua culpa?”
Com os olhos semicerrados, olhei de relance na direção dele.
“Pode se dizer que sim.”
Fazendo uma careta, o PequenaCobra hesitou antes de perguntar.
“O que foi que você fez…?”
“É uma longa história…”
-Vuam!
Clicando no meu celular, um tabuleiro enorme de xadrez apareceu na nossa frente.
“Topa uma partida enquanto conto o que aconteceu? Para ser sincero, estou quase desmaiando de tédio.”
Observando o tabuleiro, o homem de olhos verdes suspirou e sentou-se na minha frente.
“Xadrez? Com as regras normais?”
“Yup.”
“Ok.”
Assentindo com a cabeça, o PequenaCobra encarou o tabuleiro diante dele. Agora, ele estava usando as peças pretas, então a vez dele só seria depois que eu fizer o primeiro movimento.
“Então, me diga o que fez.”
“O que eu fiz?”
Depois de olhar para o tabuleiro por um instante, olhei na direção do meu oponente e sorri.
“Eu só movi as peças, uma de cada vez.”
Não entendendo nada, o PequenaCobra apenas balançou a cabeça.
“Não sei o que você quer dizer com isso, mas sério, qual é a sua e essa obsessão por xadrez.”
“Eu tenho? Hm… acho que você tem razão.”
Pego de surpresa, não consegui achar nenhuma palavra para retrucar.
Parando para pensar, eu realmente tenho, não é?
Do nome e da estrutura do grupo até a maneira como eu falava… eu vivia fazendo referências ao xadrez.
Acho que tenho mesmo uma certa obsessão por xadrez.
-Tak!
Suspirando, assim que fiz meu primeiro movimento, abri um sorriso.
“Vamos começar a partida.”
…..
Alinhados ao lado de um sedã preto, estacionado abaixo de um alto prédio, cinco homens de terno preto e óculos escuros permaneciam eretos.
Cada indivíduo vasculhava a área toda e não se atreviam a conversar entre si.
Era evidente que todos eram profissionais.
-Clank!
Saindo do prédio, um jovem, vestindo uma camiseta de grife passada e calças pretas, se dirigia ao carro preto. Enquanto o jovem andava os guardas não puderam deixar de notar o ar elegante, porém orgulhoso, que ele exalava pelo corpo.
Quase como se ele fosse uma fênix intocável.
Acenando com a cabeça na direção dos guardas, o jovem abriu a porta do carro e entrou. Seguindo-o, por todos os lados, os guardas também entraram.
Sentado no volante, o chofer de luvas brancas se virou e sorriu educadamente para o Nolan.
“Jovem Mestre, onde gostaria de ir hoje?”
Jogando no celular, Nolan respondeu, indiferente.
“Não sei, tem alguma sugestão?”
Sorrindo, o chofer disse.
“Jovem Mestre Nolan, de acordo com os meus contatos, parece que o Jacob, da guilda Luxious, está passando o dia na boate Olar, na rua Paltor, que não é muito longe daqui…”
Ao ouvir a informação, Nolan tirou a atenção do jogo e abriu um sorriso.
“O Jacob está lá, hmm… Interessante, muito bem, vamos para lá.”
Assentindo com a cabeça, uma expressão de animação se fez presente no rosto dele.
‘Vou fazer aquele desgraçado se arrepender de ter mexido comigo…’
Sorrindo, o chofer concordou e voltou sua atenção para a frente.
-Voom Logo, o carro já estava desaparecendo na distância.
…..
-Tak!
Mexendo uma peça para frente, o PequenaCobra olhou para mim e perguntou.
“Então você se infiltrou como chofer? Então era essa uma das identidades que você me pediu para fazer uma máscara?”
-Tak!
Movendo outra peça, assenti com a cabeça.
“Bingo.”
-Tak!
Encarando o tabuleiro e pensando por um tempo, o PequenaCobra fez o próximo movimento e assentiu com a cabeça.
“Acho que estou começando a entender a situação…”
-Tak!
“Já? O que você descobriu?”
O homem de olhos verdes olhou na minha direção enquanto fazia a próxima jogada.
“Seu plano é provocar um conflito entre as duas guildas, colocando os dois herdeiros um contra o outro. Dessa forma, ambas vão ter uma desculpa para entrar em confronto… Porém, por mais que seu plano seja bom, ainda está cheio de falhas.”
-Tak!
Movendo uma peça, sorri para ele.
“Bom, você não está errado sobre a parte que eu quero começar um confronto entre as duas, mas esse não é o meu objetivo principal…”
Pausando por um momento, ele olhou para mim e franziu a testa.
“Não é? Então…?”
Ainda sorrindo, escolhi não responder à pergunta.
-Tak!
Pegando o cavalo, fiz o movimento dele para cima.
“Você vai ver em breve…”
…..
Depois de vinte minutos no carro, quando chegaram no destino, Nolan e seus cinco guardas saíram do veículo.
Junto com o chofer.
-Vuam! -Vuam! -Vuam!
Conforme avançavam, a música alta que vinha da boate ecoava por toda a área, fazendo o chão tremer sob eles.
“Com licença, senhor.”
Assim que eles estavam prestes a entrar no lugar, um indivíduo musculoso os parou na entrada.
“Por favor, me mostrem suas identificações.”
“Ele-“ Quando um dos guardas estava prestes a falar, Nolan o interrompeu com a mão e balançou a cabeça, depois tirou sua identificação do bolso.
“Aqui está.”
Oferecendo para o guarda da boate, Nolan sorriu com educação. Alguns segundos depois o guarda voltou e sem jeito entregou de volta para o Nolan.
“M-Mil desculpas, senhor Nolan. Peço desculpas por não o reconhecer na hora.”
“Haha, sem problemas.”
Soltando uma risada, Nolan pegou seu cartão e entrou dentro do estabelecimento.
Ao entrar, ele olhou para todos os lados e procurou quem estava procurando e finalmente achou um jovem sentado em um dos cantos do espaço.
Andando na direção do jovem, Nolan sorriu de lado enquanto o olhava de cima.
“Que coincidência te encontrar aqui, Jacob.”
Ao erguer o olhar, um jovem de aparência atraente, pele clara e sobrancelhas bem definidas olhou para Nolan. Ao reconhecê-lo, cerrou os dentes e cuspiu com ódio.
“Nolan!”
“Hehe, há quanto tempo querido amigo!”
Assim que começaram a trocar farpas pelos olhos a atmosfera da boate começou a ficar tensa.
O Nolan e o Jacob só se conhecem há um ano.
No entanto, durante esse ano que se conheceram, eles sempre compravam encrenca um com o outro. Sempre tentando irritar um ao outro.
Os conflitos nunca eram grandes. Na verdade, o motivo da briga nem era algo extravagante.
Eles não se davam bem por um motivo simples: na primeira vez que se encontraram, cada um estava acompanhado de um amigo que tinha inimizade com o do outro.
E, naturalmente, como seus amigos eram inimigos eles também eram.
…e desde então, o conflito entre eles nunca acabou.
E como ambos eram herdeiros de uma guilda Nível Ouro, naturalmente, o ego deles são enormes.
Por isso, até tiverem um vencedor nítido, os dois estão destinados a lutarem entre si.
Portanto, desde o primeiro encontro, ambos sempre tentaram causar problemas um ao outro, até um admitir derrota ou desistir.
Ao levantar, Jacob, mais alto e de porte mais robusto que Nolan, lançou-lhe um olhar de cima.
“Você veio aqui se redimir por causa da sua última derrota?”
Arqueando uma sobrancelha, Nolan olhou para Jacob e abriu um sorriso debochado.
“Derrota? A única que me lembro, é de mim dando uma surra em você. Falando nisso, seu nariz quebrado já melhorou?”
De frente um para o outro, as auras de Jacob e Nolan se intensificaram aos poucos.
“Hã? Já chegou à idade das alucinações?”
“Eh? Mas me lembro de até tirar fotos suas naquele estado patético. Se quiser, posso te mandar elas depois.”
“Filha da puta!”
“Acha que tenho medo de você?”
-Vuam!
-Vuam!
Em seguida, duas auras de <Classe F-> envolveram o local por inteiro.
E no mesmo instante, a atmosfera ao redor do local, começou a ficar tensa. Ambas as partes estavam em um impasse, mas nenhuma se movia.
Todo mundo presente no bar, ao sentirem a atmosfera, ou foram embora ou apenas se afastaram dos dois jovens.
Ao redor, os guardas mantinham-se firmes.
No momento em que ambos os lados estavam prestes a avançarem, um barulho de clique baixo pôde ser ouvido dentro do local. Em seguida, a boate inteira ficou branca por um instante, quase como se um raio tivesse caído.
-Click!
Seguindo o barulho de clique, um braço voou pelo ar.
No mesmo instante, todo mundo congelou.
Ninguém disse uma palavra.
Tudo tinha acontecido tão rápido, que ninguém conseguiu ver o que aconteceu ou quem fez isso. Foi muito rápido…
“Kuuuuuuuuaaaah!”
Logo, um grito estridente quebrou o silêncio, enquanto Jacob segurava à area onde seu braço costumava estar.
“Jovem Mestre, Jacob!”
Em pânico, os guardas do Jacob correram em sua direção. Pegando algumas poções e imediatamente o fizeram beber com esperança de parar o sangramento.
“Como você ousa!”
Jaboc, com sangue nos olhos, fuzilou Nolan enquanto segurava o braço. Seus olhos não tinham nada, exceto puro ódio.
E uma aura assassina começou a se espalhar pelo ar.
“E-Espera aí! N-Nós não fi-fizemos nada!”
Sem saber o que fazer, Nolan recuou alguns passos.
Ele realmente não tinha ideia do que aconteceu.
Em um momento, o Jacob estava parado na frente dele e, no outro, o braço dele já estava voando pelo ar.
“Como você ousa!”
Olhando para os seus guardas, Jacob apontou na direção de Nolan, com a única mão que lhe restava, e gritou.
“Isso é uma ordem, acabem com eles! Não me importa o que façam, só tenham certeza de matá-lo!”
“Entendido.”
Seguindo a ordem do Jacob, os guardas não perderam tempo em avançar.
-Boom!
Logo, uma explosão chocou o lugar inteiro, espalhando poeira e detritos por todo lado.
…..
-Creak!
Enquanto explosões chocavam o edifício por inteiro e os dois grupos brigavam, vestindo um terno preto e luvas brancas, o chofer do Nolan saiu da boate pela porta dos fundos.
Sorrindo, ele murmurou.
“Missão comprida.”
Erguendo a mão até o topo da cabeça, uma máscara aos poucos foi se soltando do seu rosto.
-Claaaa E sobre o brilho da lua, o verdadeiro rosto do indivíduo foi revelado.
Abrindo um sorriso de canto, o ‘chofer do Nolan’ foi em direção a uma parte isolada do estacionamento e puxou um grande pano branco, revelando uma moto preta estilosa.
Subindo na moto, o indivíduo a ligou e desapareceu a distância.
-Voom!
Porém… ao partir em alta velocidade com a moto, ele não percebeu a pequena câmera escondida em um canto da boate.
A câmera havia gravado tudo… Desde o momento em que ele saiu do lugar, até o momento que ele tirou a máscara e revelou o rosto por debaixo dela.