-Clink!
“Idiota! Idiota! Idiota!”
Ao entrar no quarto furiosa, Emma jogou suas coisas na cama.
Seu mau humor já estava no seu ápice.
“Como ele teve coragem de me ignorar daquele jeito!”
Essa foi a primeira vez que ela se sentiu tão desrespeitada.
Durante toda a viagem de trem para Lock, ela se sentou ao lado da pessoa que mais tinha curiosidade. O garoto que ela achava que salvou sua vida em Hollberg.
E pelo visto não estava errada…
Ele descaradamente admitiu esse fato, enquanto esfregava na cara dela. Só de lembrar daquele sorriso cínico no rosto dele enquanto falava sobre isso, fazia o sangue de Emma ferver.
Apesar disso irritá-la muito, isso não era o que realmente a irritou.
Não.
O que a irritou de verdade foi o fato dele ter completamente a ignorado depois que ela respondeu à pergunta que ele fez.
Nada que ela fazia funcionava, ele não reagia por nada ou sequer reconhecia sua presença, como se ela fosse invisível.
Argggg!
Só de pensar nisso, a deixou mais puta ainda.
Emma não o perdoaria depois dessa…
Ren Dover, Ren Dover.
Esse era o nome dele.
Cerrando a mandíbula, Emma jurou para si mesma.
“Acho bom que ele reze para que na próxima vez que nos encontrarmos eu não esteja de mau humor… se não.”
…..
Achoo!
“Tem alguém pensando em mim?”
Coçando o nariz, senti como se alguém estivesse falando mal de mim pelas costas… e, tinha quase certeza, de que não estava imaginando isso.
Porque, primeiro, com esse corpo é muito difícil uma gripe comum me afetar. Mas depois de pensar por um tempo resolvi deixar de lado.
‘Quer saber, dane-se. Tenho outras coisas importantes para me preocupar.’
Como por exemplo, treinar.
Como as provas vão começar semana que vêm, o Centro de Treinamento estava lotado de alunos. E por causa disso, só consegui fazer um treino decente na parte da noite.
Huuuu—! Yaaaa—!
Os gritos exaustos vindo das áreas de treinamento com os bonecos ecoavam por todo o centro. O poder residual que vinha das lutas se espalhava pelo salão, formando uma atmosfera densa e sufocante.
Na parte dos equipamentos de academia do Centro de Treinamento você conseguia ver alunos fazendo levantamento de peso com 150Kg, sem nem suar. Parecendo que só estava segurando seus celulares.
Eu também tentei fazer alguns levantamentos. Contudo, o que consegui nem se comparava com outros alunos… e isso, era pelo fato que as pessoas à minha volta, não passavam de marombeiros.
Tipo, cada um dos bíceps deles, eram iguais ao tamanho da minha cabeça. Que doidera.
Wiing— “Uuk,” Usando a desculpa do celular tocando, parei de treinar e baixei a barra que estava usando. Assim que levantei, uma onda de tontura passou por mim ao mesmo tempo que senti meu peitoral ficar dormente. Pelo visto, 190kg ainda é muito para mim.
Me sentando, limpei o suor com a toalha que estava no meu pescoço e depois olhei sobre o que era a notificação.
[Os papeis estão prontos… mas, você realmente tem certeza sobre os termos que quer oferecer ao Leopold?]
Era uma mensagem do PequenaCobra.
Ah, pelo visto, ele já conseguiu entrar em contato com o Leopold.
Maravilha. Para falar a verdade, eu nem estava preocupado sobre a possibilidade dele não conseguir, já que sei exatamente do que ele é capaz. Com todos os contatos e inteligência que tinha, recrutar o Leopold era um mamão com açúcar.
Agora, só preciso esperar o Ryan. E tenho certeza de que ele já deve estar pensando em aceitar a minha proposta. Só mais um pouquinho que ele vem de vez.
E em relação à Ava, agora que estava de volta na Lock, vai ser fácil falar com ela.
Mas tudo no seu tempo.
Não vou me aproximar dela ainda.
Primeiro, preciso passar nas provas semestrais. Isso é mais importante, já que pode determinar o meu futuro.
Sabe, eu acabei colocando uma meta para mim nessas provas.
Top 100.
Isso mesmo.
Não falei errado. Top 100.
E existem vários motivos para eu ter colocado uma meta tão alta… porém, no final das contas, havia dois motivos principais.
—Facilitaria o recrutamento de qualquer pessoa que eu quisesse no meu grupo mercenário.
—Compraria tempo para os meus pais.
O primeiro motivo era autoexplicativo. Quem iria querer se juntar a um grupo onde o seu líder tinha Rank 1550 na Lock. Não fazia sentido.
Bom, sendo sincero.
Se alguém de Rank 1550, tentasse me recrutar, eu provavelmente riria da cara dele. Mesmo que duvide que Ava é esse tipo de pessoa, ela não era a única pessoa que quero recrutar aqui.
Se eu alcançar os Top 100, recrutar as pessoas que quero iria ser moleza.
O segundo motivo é… bem, se eu alcançar os Tops 100, minha família conseguiria usar isso para impedir os avanços do grupo opositor. Não iria pará-los de vez, mas os impediria por um tempo.
Se eu conseguir um rank alto, meus pais poderiam aproveitar essa carta quando forem conversar com os membros do conselho administrativo.
Mas no final, a conversa não levaria a nada, porque meu talento não mudaria.
Para eles, independentemente do quão bom eu for, eu estava destinado a nunca passar da <Classe D>.
Bom, pelo menos é isso que está escrito nos documentos. Porque na realidade, eu não tenho um limite. Sem falar na <Classe S>, eu poderia facilmente ultrapassar até mesmo a <Classe SS>, ficando mais forte que os atuais topos da humanidade.
Parando minha linha de raciocínio, franzi o cenho.
‘Matthew certamente não vai gostar do que vai acontecer, mas fazer o quê, ele não vai ser um problema por agora…’
Eu sei que ele não vai agir até a guilda dos meus pais serem dominadas e por causa disso vou ganhar mais alguns meses para me preparar. Além do mais, estando na Lock, ele não iria conseguir me alcançar facilmente.
E isso era ótimo, não estou nem um pouco a fim de passar pela mesma situação do parque, onde o Antigo Ren tomou conta do corpo.
Sem contar, que quanto mais tempo tiver mais poderia me preparar para a viagem fora da Terra.
E quando voltar, a maldição dos meus pais não será mais um problema e a influência do Antigo Ren não irá mais me incomodar.
Por falar nisso, sobre a viagem…
“Eu preciso falar com o Kevin, tinha me esquecido desse detalhe…”
Tipo, ele é a única pessoa que consegue sair da Terra quando quer.
Tudo graças ao sistema que ele tem.
Com o sistema, ele consegue viajar para qualquer planeta que quisesse… mas, obviamente, não era algo de mão dada.
Dependendo do quão longe quisesse viajar, ele precisaria usar um núcleo de monstro. Só com essa condição, já o limitava para caramba, porque núcleos são raros e caros.
E, considerando o lugar para onde quero ir, estou estimando que vou precisar de pelo menos um núcleo de <Classe D>.
Merda…
Comprá-lo, definitivamente, não é uma opção. Porque, caralhos, essa coisa deve custar no mínimo uns 100 milhões de U e isso, se ninguém fizer uma oferta.
Se ao menos o planeta onde tem a cura não fosse tão longe da Terra…
Mas no fim, isso é apenas um desejo da minha parte. Só o fato de não precisar de um núcleo de <Classe C>, já era algo de motivo de comemoração.
Mas, se precisasse de um mais alto que <Classe D>, minha única opção seria desistir. Porque na moral, independente do quanto de dinheiro que tivesse guardado, não existia chances de eu conseguir comprar um núcleo de classe alta em um curto período de tempo.
Não era algo que conseguiria nem mesmo com ações.
De qualquer forma, o planeta que preciso ir se chama… [Immorra] Um planeta que antes era habitado pelos Orcs… até os Demônios chegarem e dominarem tudo.
Apesar de não ser considerado o planeta principal deles, ainda assim era considerado um dos planetas mais importantes para os Orcs, porque era o planeta que tinha o melhor terreno fértil… ou seja, era onde a maior parte da comida dos Orcs eram cultivadas.
O lugar vai estar infestado de perigo e se até lá eu não conseguir alcançar pelo menos a <Classe E> posso dar adeus a minha vida.
Esse era o tamanho do perigo.
Perigos à parte, existe um outro problema.
Como caralhos vou convencer o Kevin de me levar lá?
Não é como se eu pudesse ir até ele e falar ‘E aí, Kevin! Beleza, cara. Então, estou precisando ir até Immorra, tem como você me levar lá? Como que sei que você consegue viajar para outros planetas? Ahh, é simples, é porque sou o seu criador!’
É.
Sem chances.
-Ding! -Ding!
Me interrompendo dos meus pensamentos, o alarme do meu celular começou a disparar.
“Bom, é hora de voltar.!
Já eram 10 da noite, o que significa, que era hora de terminar tudo que estava fazendo e ir dormir.
Percebi que, para me manter em meu estado ideal todos os dias, precisava dormir ao menos oito horas.
Principalmente, porque estava chegando os dias das provas.
Na parte da manhã, eu estudo e de tarde e noite, treino o meu corpo. Esse era o meu dia a dia no momento.
Estaria mentindo se dissesse que estou gostando, mas… preciso de notas boas. Já que agora tenho uma meta para alcançar.
E por isso, voltei para o meu dormitório.
E sobre a situação do Kevin…