The Beginning After The End – Capítulo 361

A Segunda Ruína

Meus olhos permaneceram fixos nos sabres gêmeos de éter brilhando nas mãos da mulher djinn. Admiração, excitação e inveja circularam por mim enquanto eu examinava suas criações quase perfeitas até que me forcei a desviar o olhar. “E quanto à sua tarefa de me julgar?”

“Ela já começou,” ela respondeu com confiança. “Vou julgar o seu valor enquanto lutamos.” Ela girou nos calcanhares e a sala desapareceu, derretendo minha armadura e tudo ao nosso redor em um espaço vazio branco. “Não perca tempo agora.”

A djinn correu em minha direção, se tornando um borrão ametista enquanto seus sabres gêmeos tentaram cortar minha garganta em um amplo movimento de arco.

Eu girei, aparando seus ataques com um golpe em suas mãos antes de forçar o éter a assumir a forma de uma lâmina nebulosa. Aproveitando o curto instante enquanto ela levantava suas espadas, eu me lancei em sua lateral com minha adaga.

A djinn girou no meio do movimento, torcendo todo o seu corpo ferozmente, ganhando o impulso para interceptar meu golpe com sua lâmina esquerda.

Faíscas queimaram com o impacto, mas a única arma remanescente era a dela.

A djinn mal esperou por mim e partiu pro ataque, suas lâminas gêmeas se tornando uma enxurrada de golpes cruzados, decididos a me despedaçar.

Eu invoquei lâmina após lâmina, cada vez forçando mais para manter a forma unida, para segurá-las enquanto redirecionava seus ataques, mas nenhuma durou mais do que um único golpe.

“Você está se segurando,” disse a djinn laconicamente, enquanto me golpeava com seu sabre. Assim que a lâmina de ametista passou assobiando por mim, ela se transformou em um longo bastão. Girando em seu pé de apoio, ela agarrou sua nova arma com as duas mãos e golpeou minhas pernas com a extremidade do bastão, tentando uma rasteira.

Caí sobre um joelho com a força e, no momento em que olhei para cima, seu cajado havia se tornado um martelo de guerra.

Arcos irregulares de relâmpago violeta arquearam através do meu corpo quando recuei vários metros de distância com o Passo de Deus, no momento em que o martelo gigante criava uma onda de choque de força após o impacto com o chão branco.

A expressão da djinn de cabelo curto se transformou em surpresa pela primeira vez, seus olhos arregalados e sobrancelhas franzidas quando ela percebeu o que acabara de acontecer.

“De novo,” ela rosnou, lançando-se em minha direção como um borrão.

Eu dei um passo à frente, concentrando-me nos caminhos etéreos que convergiam ao redor dela, enquanto conjurava minha própria lâmina. Simplesmente redirecionar seu golpe com minha arma de éter já era o suficiente pra quebrá-la, mas me dava tempo suficiente.

Gavinhas de relâmpago violeta arquearam através de mim mais uma vez enquanto eu aparecia atrás da djinn. No entanto, no tempo que levei para formar outra adaga, a sua lâmina de éter já havia interceptado meu ataque.

“Se você tivesse escolhido atacar com o punho, eu provavelmente não teria sido capaz de bloqueá-lo,” ela admitiu, seus olhos afiados parecendo olhar através de mim ao invés de para mim. “Sua mente parece ter associado esta runa divina com o elemento relâmpago de mana. Explica muito sobre suas tendências ao usar éter.”

Eu franzi minhas sobrancelhas, confuso. “Minhas tendências?”

A djinn dispensou minha pergunta, cravando sua espada etérea no chão e casualmente encostando-se nela. “Antes, gostaria de perguntar primeiro o que você quer de mim, Arthur Leywin,” ela perguntou, com um tom áspero.

Eu congelei antes de responder, percebendo que ela havia usado meu nome verdadeiro.

O cabelo curto da djinn balançou enquanto ela inclinava a cabeça para o lado. “Você já está se sentindo incomodado com esse nome?”

“Não,” eu respondi, pego desprevenido. Eu não tinha certeza de como me sentia. Fazia meses que ninguém, exceto Regis, me chamava pelo meu nome verdadeiro, e percebi que estava acostumado demais a ser chamado de Grey. “Está tudo bem. Mas eu não entendo sua pergunta.”

Seus olhos brilhantes vagaram por mim como holofotes. “O que você quer, Arthur?”

Isso faz parte do teste? Eu pensei, mas em voz alta, disse, “Não tenho certeza se essa é a pergunta certa. O que eu preciso é aprender como controlar o Destino.”

“Se o Destino fosse algo que pudesse ser simplesmente ensinado, passado de pessoa para pessoa, então nosso universo poderia muito bem caber dentro de um globo de neve.” Ela apoiou o queixo nas costas da mão enquanto continuava a me devorar com os olhos. “Não. O que você quer é poder. O poder pra proteger todos os seus entes queridos e derrotar seus inimigos.”

Eu cruzei meus braços. “Mas isso não é a mesma coisa? Mesmo com todos os quatro elementos base à minha disposição, não consegui derrotar nem uma única Foice. Eu quero — preciso — de algo mais forte. Pelo que me disseram, esse algo é o Destino.”

Ela se ergueu mais uma vez, arrancando sua lâmina de éter do chão. “Então você terá que abrir sua mente para novas ideias. Você está se restringindo ao tentar ver o éter pela perspectiva da mana, equiparando um ao outro. Só depois de entender o éter por si só é que você pode começar a entender o Destino. Agora forme sua lâmina. Mostre-me que você entende.”

Minha adaga se formou quando me levantei, sua ponta irregular e sem substância.

Ela a olhou com desgosto. “Acerte-me.”

Eu não hesitei, me lançando para frente e fintando para a direita. Quando sua lâmina se moveu para interceptar, conjurei uma segunda adaga e empurrei em suas costelas pela esquerda.

Sua espada desviou os dois golpes em um movimento, e minhas lâminas de éter se desfizeram. Me defendi do seu contra-ataque com minha mão, então dei um Passo de Deus para atrás dela, mas ela já estava rolando para frente, sua lâmina cortando o ar atrás dela para me pegar se eu a seguisse. Foi um movimento limpo e incrivelmente rápido.

Ela ergueu a mão antes que eu pudesse atacar novamente. “Foco. Você está tentando vencer, e talvez até consiga, mas deveria estar tentando aprender. Por que sua arma colapsa sempre que você a usa?”

“Porque não sou forte o suficiente para manter uma forma tão complicada,” respondi honestamente.

Ela franziu a testa para mim como se eu fosse uma criança tola. “Errado. Você é mais forte do que o necessário. Mais forte do que eu – pelo menos, esse resto de mim, contida no cristal de memória. Mesmo assim…”

Uma espada perfeitamente formada apareceu em sua mão direita. Em seguida, uma segunda em sua esquerda. Em seguida, uma terceira, pairando sobre seu ombro. E uma quarta flutuando perto de seu quadril.

Ela olhou para mim com raiva, e todas as quatro lâminas apontavam para meu rosto. “Não é poder que falta. É perspectiva. Como humano, sempre se esperou que você construísse a partir do que já sabe. Engatinhar, andar e depois correr, certo? Para manejar o éter, você deve esquecer que existem regras para as coisas. Restringir-se a um sistema que já existe ao seu redor apenas te atrasa. Não tente andar ou correr. Ignore a gravidade e simplesmente voe.”

Eu não pude deixar de jogar para ela um sorriso divertido. “Já aprendi a voar—”

Uma das lâminas voadoras acertou meu pescoço. Eu a desviei com uma lâmina de éter minha, mas ela se estilhaçou. A segunda espada voadora passou pela lateral do meu joelho, enquanto as duas que ela segurava apunhalaram meu peito e quadril. Lembrando-me das lições de Kordri, assumi uma posição defensiva e usei movimentos curtos e rápidos de ambas as mãos e pés para interceptar ou evitar cada golpe, conjurando várias adagas etéreas, uma após a outra, cada uma evaporando sob a pressão de seus ataques.

Seu bombardeio foi implacável, com ataques vindos de várias direções ao mesmo tempo. Embora eu fosse rápido o suficiente para desviar ou bloquear a maioria, eu ainda sentia os cortes repetidos e estocadas penetrantes onde seus golpes acertavam.

Eventualmente, ela simplesmente parou, dispensou suas armas e sentou-se mais uma vez. Cautelosamente fiz o mesmo, esperando silenciosamente que a lição continuasse. Eu queria pensar que tinha aprendido algo, mas até agora sua orientação tinha sido muito esotérica, muito vaga, para realmente me ajudar a entender como ela conjurava lâminas de éter tão poderosas. Embora ela fosse uma fantástica parceira de treino, minha capacidade de manter a forma de uma arma de éter puro não havia melhorado muito.

“Isso é porque você está esperando que eu diga o que fazer, como se estivéssemos aprendendo manipulação de mana naquela sua academia,” ela disse brevemente. “Mas eu não posso.”

Eu franzi o rosto para ela. “Você alega que quer me ensinar, mas também que eu deveria simplesmente puxar esse conhecimento do ar, manifestando-o como se fosse mágica.”

“Exatamente,” disse ela, dando-me um único aceno de cabeça ríspido. “Mas posso sentir sua frustração e reconheço que você não é um djinn, mesmo que compartilhe uma gota de nossa essência. Então tentarei explicar isso de uma maneira diferente.”

Ela fez uma pausa, seus olhos perscrutadores olhando profundamente nos meus. “Eu mencionei suas tendências antes. Você não consegue formar uma verdadeira arma de éter porque trata o éter da mesma forma que trataria a mana. Você sente uma necessidade constante e cada vez maior de estar no controle, Arthur Leywin. Do seu corpo, da sua magia, da sua vida. Com mana, esse desejo, juntamente com a profundidade de sua confiança, permitiu que você progredisse a uma velocidade notável. Mas com o éter, isso só resulta em uma barreira entre você e o que deseja.”

Resistindo ao impulso de discutir sobre minha aparente necessidade de controle, eu disse apenas, “Você pode explicar melhor? Se eu não devo controlar o éter, então o quê?”

“Você entende como funciona o seu coração ou os seus pulmões?” Ela perguntou imediatamente, pressionando a mão no peito.

“Sim,” eu disse lentamente, sem saber aonde ela queria chegar com isso.

“Você controla seus pulmões?” Perguntou ela. “Você força cada respiração, absorvendo apenas a quantidade certa de oxigênio em seu corpo? Você para de respirar se não se concentrar?”

“Não, claro que não. Mas eu posso controlar minha respiração—”

Ela estalou os dedos e apontou para mim. “Sim, pode. Mas se você se concentrar em cada respiração que faz ao longo de um dia, uma semana, um ano, isso de alguma forma o tornaria melhor em respirar?”

Eu fiz uma careta e comecei a bater meus dedos no meu tornozelo. “Não, embora praticar o controle sobre a respiração ajude a…”

Ela estendeu a mão e deu um tapa na lateral da minha cabeça. “Não seja espertinho. Mantenha o foco.”

“Tudo bem,” eu disse, esfregando minha têmpora. “Então, se eu não consigo controlá-lo, o que eu faço?”

Ela sorriu enquanto se levantava, gesticulando para que eu fizesse o mesmo. “Éter não é mana da mesma forma que a água não é um cavalo de raça. Um pode ser controlado, o outro deve ser guiado. Deve haver confiança. Um vínculo deve ser formado. Mas o éter também não é um cavalo de raça. Não deve ser quebrado. Além disso, seu éter não é meu éter. Através da aplicação muito cuidadosa de runas de feitiço e décadas de prática, eu lentamente aprendi a guiar o éter para me ser útil, absorvendo-o e direcionando-o. Já você, por causa de seu núcleo e sua capacidade de absorver e refinar facilmente o éter dentro de seu próprio corpo, tem um relacionamento com éter mais parecido com o de pai e filho.”

Eu busquei a sensação vinda do meu núcleo, transbordando de éter puro e brilhante. Minha primeira lição de Lady Myre a respeito do éter foi reforçar a ideia de que ele tinha uma espécie de “consciência,” e que só podia ser persuadido, nunca controlado. Quando forjei meu núcleo e provei que ela estava errada, presumi que meu núcleo me permitia manipular e controlar o éter de uma forma que a raça de dragões dos asuras simplesmente não conseguia compreender, e não tinha pensado muito além disso.

Mas…

“Então você está dizendo que o éter que absorvo e purifico dentro do meu núcleo… posso exercer uma influência tão forte sobre ele porque é… o quê? Ligado a mim?”

“Exatamente!” Ela exclamou, focalizando meu esterno como se pudesse ver através da minha carne e dentro do meu núcleo. Em seguida, seu rosto mudou pra uma pequena carranca, quase um beicinho. “Embora sua técnica de Spatium anterior tenha sido impressionante, eu ainda me sinto desanimada – até mesmo desapontada – por isso ser tudo o que você conseguiu realizar considerando o imenso potencial de seu corpo e núcleo combinados. Você deve ser capaz de formar uma arma de éter com um pensamento – não, o éter deve reagir à sua intenção antes mesmo de articulá-la totalmente em um pensamento consciente.”

Eu cocei minha nuca, ao mesmo tempo frustrado e um pouco magoado com sua repreensão. “Acho que estou começando a entender.”

A mulher djinn riu e balançou a cabeça quando uma única lâmina apareceu em suas mãos. “Não. Mas com mais prática e menos conversa, você vai.” Seu rosto tão sem emoção quanto pedra, ela avançou, sua lâmina apontada para o meu núcleo.


Depois do que pareceram dias, nossa luta continuou inabalável. Eu fui forçado a me lembrar de meu tempo no treinamento de orbe de éter com Kordri enquanto a djinn e eu lutávamos um contra o outro até um impasse, nossas batalhas durando horas seguidas. Nenhum de nós se conteve, nem cedemos um centímetro ao outro. A djinn poderia invocar várias armas ao mesmo tempo e mudar suas formas com uma precisão instantânea e imprevisível, mas eu era o melhor espadachim.

E pela primeira vez desde que a Canção do Amanhecer se espatifou, eu tinha uma espada de verdade novamente.

Levou algum tempo para que a mensagem forçosa da djinn fosse absorvida, mas não foi a primeira vez que tive que reaprender algo que achava que sabia bem. Lentamente, ao longo de horas ou dias, pratiquei deixar minha intenção moldar a lâmina de éter.

Na prática, o conceito era semelhante ao que aprendi com a Three Steps para perceber os caminhos etéreos do Passo de Deus sem primeiro ter que “vê-los”. Enquanto antes a sensação era de tentar moldar água com minhas próprias mãos, depois tornou-se tão confortável e natural quanto fechar minha mão em um punho, embora manter a lâmina ainda exigisse quase toda a minha concentração.

Eu sorri enquanto lutávamos, deleitando-me com a sensação da arma etérea em minha mão. A lâmina em si era mais longa e mais larga do que a Canção do Amanhecer, ligeiramente mais grossa na base e afinando até uma ponta afiada, e brilhava com uma cor ametista. Uma empunhadura protegia minha mão – uma adição que eu fiz depois que a djinn deu um golpe doloroso contra meus dedos e interrompeu meu foco na arma.

Segurar a espada me revitalizava, me devolvendo algo que eu nem tinha percebido que estava perdendo. Tanto como Rei Grey quanto Arthur Leywin, dominar a arte da esgrima foi fundamental para meu senso de identidade, e quando a Canção do Amanhecer foi destruída, foi como perder um membro.

Sempre que minha lâmina de éter cruzava com uma das muitas armas da djinn, um zumbido profundo e ressonante enchia o ar, e o espaço ao redor delas parecia deformar, flexionando levemente para fora e causando uma distorção visível. Dava a impressão de que nosso combate estava alterando a própria estrutura do mundo ao redor, e eu tive que me perguntar se isso era meramente devido ao fato de estarmos em um reino inteiramente mental – alguma representação de minha mente crescendo com o uso da lâmina – ou se esta simulação mental estava retratando com precisão o verdadeiro impacto físico das armas de éter.

A djinn se jogou em mim com um grito de guerra penetrante. A arma em sua mão mudou para uma glaive, enquanto lâminas gêmeas giravam em minha cabeça e quadril. Eu pulei no ar, girando horizontalmente com o solo para que as espadas voadoras cortassem apenas o ar acima e abaixo de mim. Com a glaive, a djinn cortou para cima em um movimento curto e brusco, com a intenção de me golpear no ar, mas eu não precisava estar com os pés no chão para reagir.

Eu dei um Passo de Deus para atrás dela, mas não conseguia manter a concentração na lâmina etérea durante aquele espaço intermediário. O tempo que levou para reformar a lâmina me custou a vantagem que eu tinha, dando à djinn tempo suficiente para girar para me encontrar e então saltar sobre meu golpe apontado para sua cintura. Eu redirecionei o ímpeto do meu movimento para um golpe sobre a cabeça, forçando-a a levantar sua própria arma – uma espada novamente – para se defender.

Inclinei-me em sua direção e empurrei com força, fazendo minha oponente deslizar para trás enquanto eu segurava minha espada para afastar um ataque surpresa das armas que voavam sem suporte ao redor dela.

Acionando o Passo de Deus, eu fui para o lado dela, então imediatamente dei outro Passo de Deus para o lado oposto e formei minha lâmina, empurrando-a em seu peito, mas ela já estava se movendo, suas muitas lâminas girando para se defender de vários ângulos possíveis.

Repeti isso várias vezes, a cada vez tentando pegá-la desprevenida, atacando de uma direção diferente, mas ela me acompanhava passo a passo, e nenhum de nós foi capaz de desferir um golpe sólido contra o outro.

Então, de repente, suas armas desapareceram e ela piscou – não seus olhos, mas seu corpo inteiro, como se ela tivesse ficado momentaneamente invisível. Eu deixei minha própria espada desaparecer.

“Está tudo bem?”

Ela acenou com a cabeça, mas eu não pude deixar de pensar que sua forma não era tão brilhante quanto antes. “Temo que nosso tempo esteja se esgotando. Devemos” — o vazio branco desapareceu, e estávamos mais uma vez nas ruínas de pedra dilapidadas — “voltar para seus companheiros.”

A projeção da djinn havia sumido e a voz agora emanava do cristal no centro da sala. “Você se saiu bem, descendente.”

Caera e Regis se levantaram de onde estavam sentados contra uma das paredes em ruínas. Caera parecia aliviada, mas Regis estava me olhando com uma carranca aborrecida. Percebi que estava de volta à minha armadura, ou, mais provavelmente, que nunca a havia descartado, já que a luta havia ocorrido em minha mente.

“Tava sem pressa, amigão?” disse ele, mal-humorado. “Isso durou muito mais do que da última vez.”

“Oh,” eu disse, já que não parei pra pensar na passagem do tempo enquanto eu estava treinando com a djinn. “Quanto tempo faz?”

“Dez minutos, no máximo,” respondeu Caera, cutucando a lateral de Regis com o joelho. “Você estava meio que parado aí, olhando fixamente para o vazio… Foi meio assustador, na verdade.”

O cristal pulsou ao intervir, dizendo, “É uma pena que não tive energia para continuar, mas manifestar o reino do pensamento é cansativo. No entanto, acredito que você fez progresso suficiente para continuar treinando sua técnica de lâmina de éter por conta própria.”

“E a minha avaliação?” Eu perguntei. Além de treinar e discutir como eu poderia melhorar, ela não me deu nenhum outro teste.

“Um teste de caráter e força de vontade,” respondeu o cristal, iluminando-se. “Você foi aprovado, por meu julgamento, e terá sua recompensa.”

Minha runa de armazenamento dimensional ficou quente, e me apressei em retirar um cubo preto liso que tinha acabado de aparecer dentro. Como o anterior, era muito mais pesado do que parecia. Uma parte de mim queria imbuir éter nele imediatamente, entrando na pedra angular para ver o que continha, mas resisti ao impulso.

Caera se inclinou, olhando para a relíquia. Entreguei a ela para examinar, confiando que ela tomaria cuidado, e voltei minha atenção para o cristal.

“Você pode me dizer que tipo de percepção esta relíquia contém?” Eu perguntei esperançosamente.

O cristal esmaeceu, pulsando de forma desigual. “Sinto dizer que não. A descoberta é essencial para o aprendizado. Ao dizer a você qualquer coisa, eu poderia inadvertidamente limitar ou mesmo corromper seu eventual entendimento da runa divina.”

Pensei por um momento e perguntei, “E de onde vêm essas runas divinas? Quem ou o que as dá a nós? Seu compatriota não foi capaz de responder.”

“Essa informação não é armazenada dentro deste remanescente.”

Eu não fiquei desapontado, já que esperava por isso. Além disso, eu tinha muitas outras coisas com que me preocupar. O mistério das runas divinas teria que ser resolvido algum outro dia.

“Sinto muito, não pensei em perguntar antes… Qual é o seu nome?”

O cristal parecia zumbir, sua luz tremeluzindo vagamente. Em um tom cru e emocional, dizia, “Essa informação também não está armazenada neste remanescente.”

“Há mais alguma coisa que você gostaria de me dizer antes de partirmos?” Havia uma centena de perguntas que eu gostaria que o resto da djinn respondesse, mas se estivéssemos com pouco tempo, eu não queria desperdiçá-lo perguntando coisas que ela não poderia me dizer.

A luz lilás do cristal piscou silenciosamente por um minuto. “Não tente forçar o mundo a se adequar às suas necessidades, mas você também não deve aceitar as limitações deste mundo como ele é. Seu caminho é apenas seu, e só você pode percorrê-lo. Eu sinceramente espero que minha criação o ajude neste caminho. Ela atrairá o éter para você, tornando-o mais fácil de ser absorvido, e o protegerá de quase qualquer ataque, mas não é impenetrável. Um oponente forte o suficiente, com controle potente sobre mana ou éter, ainda será capaz de feri-lo. Não os permita fazer isso.”

Eu assenti com a cabeça. “Obrigado.”

A ruína mudou ao nosso redor, apenas parcialmente se tornando a biblioteca que eu tinha visto com o canto do olho enquanto navegava pela passagem em colapso antes. Era como olhar para duas imagens transparentes colocadas uma sobre a outra, tornando-se a biblioteca e a sala em ruínas ao mesmo tempo.

Uma parede da biblioteca era dominada por um portal sombrio, cuja moldura era um arco de prateleiras repletas de cristais. A biblioteca estava cheia de pequenos movimentos, já que pequenas imagens passavam pelas muitas facetas das centenas de cristais, mas achei impossível focar nelas, e quando fui pegar um, minha mão passou como se não estivesse realmente lá.

De frente para o portal, perguntei, “Será que conseguiremos usar isso?” Mas não houve resposta do cristal.

“Isso é muito estranho,” disse Caera, passando diretamente por uma mesa ampla. Ela moveu a mão pelas costas de uma cadeira. “Uma ilusão?”

“Acho que nós somos a ilusão,” disse Regis, farejando ao redor. “Não há nenhum cheiro aqui. Apenas uma leve insinuação de algo como ozônio… como se não houvesse nada neste lugar. Ou como se não estivéssemos realmente aqui.”

Eu retirei a Bússola. “A djinn vinculou e moldou a realidade com éter aqui, mas está começando a entrar em colapso. Este lugar é como três quartos diferentes empilhados um em cima do outro… mas os limites entre eles não são estáveis. Precisamos ir embora.”

Segurando a relíquia semiesférica, eu coloquei éter nela. A luz nublada se estabeleceu sobre o portal e a moldura se solidificou, tornando-se mais concreta. Após o portal ficava meu quarto na academia, mas minha atenção foi atraída para os cristais, que também estavam sólidos. As imagens passando por suas muitas superfícies mostravam os djinn – sua raça óbvia pela variação de tons de rosa e roxos em seu tom de pele e as runas de feitiço que frequentemente cobriam a maior parte de seus corpos – realizando uma série de atividades mundanas.

Muitas das facetas mostravam apenas rostos de djinn, falando. A maioria parecia cansada e profundamente triste.

Timidamente, estendi a mão para levantar um cristal da prateleira. Ao meu toque, uma dúzia de vozes sobrepostas – ou melhor, a mesma voz, mas dizendo uma dúzia de coisas diferentes ao mesmo tempo – foram emitidas do cristal, diretamente em minha mente. Instintivamente, toquei o cristal com éter, e as vozes foram cortadas e as imagens desapareceram.

A curiosidade venceu a cautela – e uma pequena pontada de culpa – e eu guardei o cristal na minha runa de armazenamento dimensional para mais tarde.

Caera e Regis observaram isso em silêncio. Apesar de seu estoicismo e resistência anormal, Caera parecia cansada. Regis, por outro lado, estava ilegível, suas emoções escondidas até mesmo da nossa conexão, e ele desapareceu pra dentro de mim sem uma palavra.

Com muito em que pensar e ainda mais a fazer, deixei meu parceiro sozinho enquanto me lembrava da armadura de relíquia. O traje preto etéreo de escamas evaporou, mas eu ainda podia senti-lo, esperando que eu o chamasse novamente.

Compartilhando um aceno de cabeça e um sorriso cansado, gesticulei em direção ao portal. “Vamos ver o que aconteceu na cerimônia de concessão.”

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