The Book Eating Magician – Capítulo 310

Lairon, o Último Dia #5

‘Não me diga que…’

Os restos da divindade, a pedra fundamental da Igreja de Lairon, estavam dormindo no caixão dourado? Theodore continuou se movendo, se sentindo duvidoso. Quanto mais perto ele chegava, mais ele podia sentir os efeitos da luz. Essa luz divina que aquecia os vivos não parecia uma armadilha do Jerem.

Assim que ele chegou a uma curta distância do caixão dourado, Theodore foi capaz de ver uma visão inesperada.

– “Bem, não há motivos para ele ter deixado o conteúdo.”

O interior do caixão dourado estava vazio. A tampa já estava aberta e havia uma forma gravada no interior como prova de que costumava haver algo lá dentro. Com base nas marcas, o dono do caixão dourado devia ser um homem de dois metros de altura e com membros finos.

Como um membro típico do clã dos deuses costumava ser maior que um humano comum, esse caixão dourado provavelmente era uma relíquia divina que abrigava os “restos da luz”. O caixão podia conter algumas pistas. Theodore olhou cuidadosamente ao redor do caixão dourado e encontrou o contorno borrado das letras no interior.

A data de produção daquela relíquia tinha pelo menos 3000 anos. As letras esculpidas estavam gastas, mas os traços atraíram os olhos do Theodore. Não eram letras comuns. Houve uma sensação de incongruência quando ele seguiu as letras com os dedos. Sua cabeça inclinou quando ele enfrentou a frase desconhecida.

‘O quê? Eu não consigo reconhecer fisicamente os caracteres?’

Seu nervo óptico não respondeu. Assim que ele cortou o poder mágico que fluía para seus olhos, as letras borradas desapareceram sem deixar vestígios. Significava que eram letras que não podiam ser vistas com os olhos das pessoas comuns.

– “Gula.”

– Hum.

Se houvesse algo que não sabiam, eles não podiam hesitar em perguntar. Esta era a filosofia de todos os magos. Theodore acordou o Gula. Sem surpresa, Gula respondeu prontamente, – Hoh, faz algum tempo desde que eu vi letras divinas.

– “Letras divinas? São letras do clã dos deuses?”

– Isso mesmo. É um sistema que se desvia do conceito de “escrita” da forma como é definido por outras espécies, mas ainda é o mesmo que “escrever e ler”. Não é visível aos olhos dos mortais ou daqueles sem divindade.

– “…Entendo. É completamente destinado ao clã dos deuses.” Theodore se convenceu e assentiu.

Enquanto isso, Gula continuou explicando, – São chamadas de letras divinas, mas estritamente falando, não são letras. Elas formam uma mensagem que se inscreve com a vontade contida na alma e são chamadas de letras divinas.

– “Então é impossível rastrear a fonte?”

– Normalmente, mas é possível para mim. Cada padrão tem suas próprias características. Não é difícil para mim distinguir entre as letras de cada deus.

Independentemente do quanto fosse considerado impossível, Gula rapidamente decodificou as letras divinas no caixão dourado.

Foi o momento em que o segredo da Era da Mitologia foi revelado em Lairon. Esta era a verdadeira realidade de Lairon, que foi usado como fonte de falsa fé para os humanos. A verdade ressoou na mente do Theodore.

– Aqui jaz Baldur, deus da luz, nascido como o segundo filho do Rei Odin e amado por todos. O orador que representa a bondade do mundo, um brilho que não tolera o pecado. Quem danificar esses restos mortais não poderá encontrar descanso no pântano da morte.

O filho do Rei Odin do Clã Aesir, Baldur — essa era a identidade do deus chamado Lairon! Baldur era o deus da luz, então a expressão “restos da luz” era adequada. Era a fonte do poder divino que sustentou Lairon por centenas de anos, um sacrifício que seria mais precioso do que um coração de dragão para um bruxo.

Foi por isso que o Jerem foi até o palácio do rei divino.

– “Droga, já é tarde demais!”

O caixão vazio provava que o Jerem havia alcançado seu propósito, fazendo com que o Theodore tivesse uma sensação de crise. O corpo do Baldur estava nas mãos de um mago do 9º Círculo. A escala do desastre que isso causaria não podia ser compreendida. O círculo mágico final deixado naquele reino era apenas um esquema, e os dois magos chegaram tarde demais.

Esse foi um golpe fatal que não podia ser ignorado.

– Não, Baldur parece ter criado seu próprio truque. Gula parou o sentimento de culpa do Theodore.

Simultaneamente, o caixão dourado começou a emitir uma luz ainda mais brilhante. Foi o brilho final antes da morte. Assim como uma vela prestes a ser apagada, o poder divino remanescente no caixão dourado realizou seu arranjo final.

Huuuuuuong!

A onda de luz espetacular emitida de dentro do caixão logo se transformou em uma única imagem. Era um galho fino e comprido.

– “O que é esse galho?”

Ao contrário de sua aparência, um poder divino puro podia ser sentido a partir dele. Theodore olhou para o galho brilhante com uma expressão intrigada. Ele não sabia o que aquele galho tinha a ver com o “truque” do Baldur. No entanto, a reação do Gula foi dramática de várias maneiras.

– Mistilteinn! O galho do visco que matou o Baldur, o deus amado por todos.

Theodore ficou espantado com as palavras e olhou para Mistilteinn, enquanto o Gula compreendia a história completa.

– Parece que a alma do Baldur não está dentro de seu corpo. Em vez disso, ele fugiu para o galho que o matou. Ele foi despertado pela divindade do Portador para transmitir seu último desejo. Portador, você conhecerá o desejo dele se tocar no Mistilteinn.

– “…Certo.” Theodore se aproximou cuidadosamente do Mistilteinn.

Era um galho que emitia uma luz quente. Parecia um galho comum, desses que você podia encontrar em qualquer lugar, mas na verdade era uma relíquia de uma lenda que havia matado o Baldur. Os dedos do Theodore se estenderam lentamente e finalmente tocaram a superfície do galho.

Pahat! Uma memória desconhecida emergiu do Mistilteinn.

< … Os cálculos estão fora de ordem. Apesar de milhões de vidas estarem sendo sacrificadas, não é suficiente para devorar o corpo do Baldur. Parece que esses vermes não valem nada. > Era uma voz fria e misteriosa, a voz da encarnação do próprio desastre que não continha nada além do mal.

A voz do Jerem, o bruxo que ameaçou o mundo e eliminou o povo de Lairon, sussurrou nos ouvidos do Theodore, < A divindade do Baldur foi mais consumida do que o esperado. Eu ignorei o poder da ganância humana… E minha ressurreição também atrasou muito. Eu preciso de uma nova oferenda para preencher esta diferença. >

A causa raiz era a alma do Baldur escapando para Mistilteinn, mas o Jerem não parecia saber disso.

Ele ficou em silêncio por um tempo antes de ter uma ideia perversa. < Isso me lembra que há uma árvore do mundo jovem na parte norte do continente. Além disso, se eu oferecer as almas dos elfos… deve ser suficiente. É bem fácil calcular a energia que será consumida no processo. >

A árvore do mundo de Elvenheim…!

Talvez fosse porque o Jerem ocupou o corpo do Theodore por um tempo, então ele se lembrou de algumas oferendas adequadas usando essas memórias. A árvore do mundo era um símbolo de vitalidade sem fim, um sacrifício adequado ao corpo do Baldur. Os seres das trevas ansiavam por uma vida e luz que não podiam produzir, então o valor da árvore do mundo era incalculável.

Kuhuhu, eu finalmente poderei brincar com os elfos depois de tanto tempo. > Finalmente, o monólogo parou, e a voz do Mistilteinn não pôde mais ser ouvida.

Esta era a única coisa que a alma do Baldur podia fazer com o fraco poder que restava. Enquanto o Mistilteinn desaparecia em sua mão, Theodore assentiu como se estivesse respondendo à vontade do Baldur.

– “Eu entendo sua vontade, Baldur.”

Baldur era uma alma que se importava com aquele mundo mesmo estando morto.

– “Eu certamente o impedirei.”

Mistilteinn brilhou mais uma vez, como se a voz do Theodore tivesse sido ouvida.

*Clarão*

O galho da árvore desmoronou como se tivesse queimado, e a luz penetrou no corpo do Theodore. Era uma bênção do Baldur.

‘Isso…!’ Theodore ficou chocado no momento em que percebeu que bênção havia recebido. Ele recebeu a bênção do Baldur dos mitos antigos, onde nada poderia prejudicá-lo, exceto um ramo de visco. Era uma bênção da invencibilidade! Uma bênção superior, que podia negar o poder de um deus uma única vez, estava aninhada dentro do corpo do Theodore.

Foi o presente de despedida do Baldur, após ele partir sem nenhum ressentimento.


– “Veronica… Ainda não!”

Theodore subiu de volta ao primeiro andar e olhou ao redor do auditório vazio. Ele não conseguiu encontrar mais pistas além do Mistilteinn. O grande círculo mágico, o alvo original dos dois, devia estar no último andar com a Veronica. Os mortos-vivos não conseguiram entrar no subsolo por causa da divindade, então devia haver muita segurança ao redor do círculo mágico. Não era uma má ideia ele se juntar a ela.

– “—Hum?”

E foi nesse momento que…

Kwaaaang!

De repente, o teto desabou e uma pilha de escombros caiu. Claro, não foi o suficiente para ferir o Theodore. No entanto, ele não pôde deixar de se sentir confuso. Era porque a Veronica podia ser vista do teto. A Mestra da Torre Vermelha não destruía as coisas sem motivo. Ela não podia destruir a porta do palácio real de Meltor, mas podia arruinar aquele edifício, já que o reino já estava morto.

– “…Veronica, o que é isso na sua mão direita?”

Ela estava segurando algo como trapos em sua mão.

– “Ah, isso? É o antigo papa.”

Veronica sacudiu o crânio esmagado e jogou o lich com a roupa luxuosa no chão. Não havia nenhuma parte de seu corpo que não tivesse sido esmagada, e um forte poder mágico estava vazando dele. O Lich Ancião era um morto-vivo sênior, mas foi colocado em estado crítico pela Veronica que não tinha nenhuma divindade.

– “O papa?” Os olhos do Theodore estremeceram quando ele ouviu as palavras.

Veronica apertou as duas mãos e resmungou, – “Sim, ele disse que era um agente de Lairon. Eu estava nervosa porque ele era um lich sênior, mas parece que ele não sabia como usar seu poder.”

– “Bem, ele não era um mago, então não tinha como evitar.”

Seria difícil para os dois magos saberem se venceriam ou perderiam contra um lich sênior em seu auge. Afinal, era difícil destruir esses monstros sem divindade, e eles eram monstros que lançavam uma sombra no mundo material. No entanto, um lich que não sabia como usar seu poder era apenas um esqueleto. Veronica provou isso o esmagando em poucos minutos.

– “Você o interrogou?”

– “É claro. Eu o queimei algumas vezes, mas ele não sabe de nada. Ele nem mesmo viu o rosto do bruxo.”

– “Não há motivos para deixá-lo aqui. Acabe com ele.”

O fogo da Veronica incinerou perfeitamente o Lich Ancião, o antigo papa. Era um lich que não havia sido feito pelo processo coreto, então não tinha como ele sobreviver depois que o corpo desaparecesse completamente. Por garantia, Theodore usou a onda de luz para se certificar de que o lich havia sumido.

– “E quanto ao círculo mágico? Parece que ainda não foi destruído.”

Poder mágico ainda estava transbordando na cidade, provando que o Palácio de Plutão estava vivo e fornecendo força e imortalidade a todos os corpos em sua esfera de influência. Talvez o círculo mágico não estivesse no último andar? Theodore estava se sentindo confuso quando a Veronica remexeu no bolso com uma expressão sombria.

– “Eu encontrei. O problema é que não consegui destruí-lo.”

Ela segurava um estranho cristal roxo em suas mãos.

– “Essa ametista…”

– “Era o núcleo do grande círculo mágico. Não, esta ametista é provavelmente o próprio círculo mágico.”

– “A magia não foi cancelada apesar de estar separada do círculo mágico. Uma vez que o cristal é ativado, ele só existe como fonte de energia.”

Como um mago, eles imediatamente entenderam a explicação enigmática, e as duas pessoas olharam sombriamente para a ametista. Era uma pequena joia na superfície, mas o poder inerente e a sensação ameaçadora que exalava a tornavam incomparável aos mortos-vivos seniores. Manuseá-la descuidadamente podia causar uma catástrofe além da atual.

Foi por isso que a Veronica disse que não podia ser destruída. No entanto, a joia revelaria as más intenções do criador quando o círculo mágico atingisse seu máximo, então não podia ser ignorada.

– “Gula.” No entanto, uma terceira escolha existia para o Theodore. – “Essa coisa, você consegue digerir?”

– …

O silêncio foi a resposta à pergunta do Theodore. – Eu não sou fraco, Portador!

Antes que o Theodore pudesse dizer mais alguma coisa, a língua rapidamente se esticou e engoliu a ametista.

A Pedra de Sangue de Nídhöggur foi consumida. É difícil medir a quantidade de poder mágico que está contido nela. >

A magia ritualística “Palácio de Plutão” foi destruída. >

Levará sete dias para digeri-la completamente. >

Nídhöggur notou a presença do Portador. Ele o ameaçou por ir contra seu contratante. >

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