The Book Eating Magician – Capítulo 331

Dmitra #2

Faltava menos de uma hora para o ataque do Nídhöggur sobre o qual Hræsvelgr alertou. Theodore e três elfos superiores estavam se preparando para uma operação limpa. Era um plano para pegar emprestado o poder de um deus para enfrentar o Nídhöggur. Do ponto de vista do mundo material, Nídhöggur era um convidado indesejado. Os deuses eram uma parte do mundo material e guardiões.

O problema era que não havia deus para pedir ajuda.

– “…O-O que acha?” Ellenoa mostrou uma expressão envergonhada ao usar uma roupa fina, um vestido para ocasiões cerimoniais ou rituais especiais.

Theodore brevemente ficou em branco quando a viu. Havia folhas de louro em seu cabelo, e o tecido, feito com a técnica de tecelagem élfica, envolvia suavemente o corpo esguio da Ellenoa. Deixando de lado a atração sexual, era uma beleza que fazia todos sentirem admiração.

– “Linda.”

Ellenoa ficou surpresa com as palavras do Theodore. – “Hã…? O-Obrigada.”

– “Ah! N-Não, ficou muito bom. Cof cof.”

Ela já tinha ouvido tudo. Ambos estavam cientes da gravidade da situação e evitaram o olhar um do outro por um momento. Então a Ellenoa abriu a boca cautelosamente primeiro. Ela ouviu algumas palavras no caminho até lá, mas não pôde deixar de duvidar do plano do Theodore. – “Theodore, isso é realmente possível? Eu não imaginei que a Mitra pudesse voltar a ser uma deusa novamente.”

– “Haha, minha explicação foi um pouco breve.” Theodore reconheceu o fato com um sorriso amargo.

Se a Ellenoa estava perguntando sobre isso, então os outros elfos superiores provavelmente também estavam confusos se era realmente uma boa ideia.

‘Sinceramente, eu também acho um pouco absurdo. Eu não tive tempo de explicar e pulei muitas coisas.’

Era um plano para devolver a divindade da Mitra e impedir o ataque do Nídhöggur. Com relação às teorias dos elementais, as ideias dos elfos eram mais estabelecidas do que as dos magos. Se não fosse pelas conquistas anteriores do Theodore, eles teriam descartado seu plano na hora.

No entanto, Theodore estava de certa forma confiante.

Ele uma vez conseguiu dentro de seu próprio corpo e agora tinha uma compreensão mais profunda do conceito dos deuses. Seria possível se ele usasse todos os recursos de Elvenheim.

– “Criar deuses do zero é impossível até mesmo para os transcendentais. No entanto, preencher partes incompletas não é tão difícil. Eu mal posso tentar com minhas capacidades, mas será possível com a sua ajuda.”

Havia três elementos que estabeleciam a existência de um deus: a trindade do prestígio, poder e autoridade. Aqueles com todos os três eram reconhecidos como um deus definitivo.

O prestígio era o símbolo de um deus, a presença da divindade. O poder era a prova de um deus, ou seja, representava a fé das pessoas. Autoridade significava a presença de adoração.

Nos tempos antigos, um deus nascia quando o nome de uma existência se tornava conhecido e adorado. Eles procuravam amar e cuidar dos mortais, preenchendo as partes que faltavam.

‘Pensando bem, não é fácil.’

Em uma época em que todos os deuses haviam desaparecido, onde a divindade poderia ser obtida? Quais tipos de meios poderiam ser usado para reunir fiéis em um mundo que não era religioso, fora a igreja de Lairon?

Nesse sentido, Theodore teve sorte. Os próprios elementais antigos eram fragmentos dos deuses e já tinham divindade. Theodore estabeleceu o templo dos quatro elementos em seu corpo e, por um curto período, trouxe de volta a divindade da Mitra.

No entanto, a terceira parte não era tão fácil de preencher. Eles precisavam de seguidores que realmente acreditassem no deus. Nos tempos antigos, centenas de humanos seriam suficientes, mas não nos tempos atuais. No momento, pelo menos dezenas de milhares de fiéis seriam necessários. Além disso, Theodore era um mago, não um sacerdote. Ele podia deificar a Mitra, mas não era o suficiente para torná-la uma deusa. Ele se esqueceu disso até que se deparou com essa situação.

Ellenoa entendeu o que ele disse e assentiu. – “Aha, então ficamos encarregados da autoridade da Mitra. A mãe de uma grande terra. Nós rezaremos pela Dmitra, que é relacionada à árvore-mãe.”

– “Ah, mas ela não poderá se tornar completamente a Mãe Terra. As três divindades do céu, mar e terra… Não é um cálculo exato, mas exigiria uma autoridade 30 vezes o tamanho de Elvenheim.”

– “3-30 vezes…! Você é incrível, Mitra.”

Hoi? > Mitra fez um som confuso ao ouvir seu nome. Então ela riu e se agarrou à parede. Apesar de seus poderes místicos, ela era como uma garota da montanha.

Sim, Mitra é incrível! Sempre assim! >

– “Sim, agora é hora de se tornar ainda mais incrível.”

Hoing! >

Theodore abriu os braços e a Mitra correu para eles. Ela era como uma cigarra se agarrando a uma árvore. Enquanto carregava a Mitra nas costas, Theodore e Ellenoa caminhavam lado a lado. Cada vez que davam um passo, a luz se aproximava. Aquele era um ponto no galho da árvore do mundo onde as tribos se reuniam quando havia assuntos importantes.

*Passo*

Faltavam três passos quando o passo da Ellenoa diminuiu. Não fazia nem 10 anos que ela passou a viver naquela floresta. Theodore se perguntou se isso não seria um fardo muito pesado, mas a Ellenoa era uma elfa superior com uma boa nobreza. Além disso, o poder dos governantes elementais era essencial para o plano do Theodore.

Ellenoa pareceu constrangida por ter desacelerado. – “Ah…”

Sua palma não era firme como a de um mago. Ela colocou a mão sobre a palma áspera do Theodore.

Por quê será? O tremor de seu corpo parou de repente.

– “Vamos, Ellenoa.” Sua voz firme a acalmou.

– “Sim, Theodore.”

Os dois caminharam juntos para a luz branca ofuscante.

*     *     *

Havia uma floresta. Era fácil confundi-la com a grande floresta de Elvenheim, mas havia algumas outras espécies além dos elfos. Havia os ents que se integravam à floresta e protegiam o ecossistema, assim como as dríades. Além disso, havia os homens-lagarto dos pântanos e o clã das bestas.

– “Pessoal, obrigada por se reunirem.” A voz da Ellenoa não tremeu, apesar de haver milhares de pessoas diante dela. Sua voz clara acalmou a área, e todos, independentemente da espécie, concentraram-se em suas palavras. Os elfos superiores, vestidos com roupas cerimoniais e ostentando uma atmosfera mística, eram o orgulho da floresta.

– “Eu acho que todos sabem da ameaça que nós e esta floresta enfrentamos. O dragão maligno dos mitos, ele olha do céu e quer queimar nossa árvore do mundo.”

Ellenoa estava calma, apesar de suas palavras raivosas. No entanto, sua calma criou uma onda maior. As pessoas que ouviram em silêncio foram dominadas por raiva suficiente para esquecer o medo. Era a prova de que estavam assimilando os sentimentos da Ellenoa.

– “Nós tentamos proteger esta floresta, mas estamos indefesos.”

Diante do dragão maligno que possuía poder transcendental, a única coisa que os habitantes da floresta podiam fazer era correr, morrer ou rezar. Cheia de impotência e remorso, Ellenoa continuou dizendo: – “Nós pensávamos que antecipávamos o futuro, mas éramos ignorantes.”

Os elfos superiores, que podiam invocar os governantes elementais, eram arrogantes e pensavam que podiam defender a floresta com suas próprias forças. No passado, eles pensaram que poderiam derrotar todos os desastres e infortúnios. Uma sabedoria estúpida. Isso mesmo.

Ela lamentou na frente de todos: – “Portanto, eu rezei para a árvore-mãe.”

Daquele ponto em diante, era um roteiro pré-escrito.

– “Eu não sabia para onde ir e como superar essa dificuldade, levando-me a rezar para a árvore-mãe.” Enquanto a Ellenoa continuou com uma voz triste, ela chamou Nohengrin sob o solo. Ela reduziu o poder e a presença da invocação o máximo possível para que os outros não percebessem.

Assim que ela contou a ele o propósito dessa invocação, Nohengrin respondeu com uma voz agradável: – “Então eu recebi a resposta!”

Era verdade que eles obtiveram permissão da árvore do mundo. No entanto, a consciência da árvore do mundo ainda não havia crescido, então eles não podiam usar esse poder livremente. Felizmente, a árvore do mundo respondeu positivamente ao mana da Mitra, então o plano do Theodore funcionaria.

Enquanto os presentes começavam a responder ao discurso da Ellenoa, Ellenoa e Theodore pensaram quase simultaneamente: ‘Agora!’

Ao mesmo tempo, um grande pilar de pedra apareceu no meio do espaço vazio diante da Ellenoa.

Kukukukukung…

Não, era um ovo, em vez de um pilar de pedra. O pilar na frente da Ellenoa tinha uma forma oval. Parecia que tinha subido ao seu chamado. Ellenoa acariciou a superfície do ovo de pedra lisa e terminou a atuação.

– “A árvore-mãe chamou uma deusa.”

A multidão se agitou com a palavra “deusa”, enquanto a Ellenoa continuou até o fim sem perder o ritmo.

– “Após a Era da Mitologia, poucas divindades permaneceram neste mundo. Mãe Terra, o começo da árvore do mundo Yggdrasil e o nome da grande deusa!”

O ovo de pedra foi partido ao meio.

– “Dmitra!” Ellenoa ergueu a voz o máximo que pôde. Infelizmente para ela, o esforço teve pouco significado. Ela não precisou fazer mais nada porque a multidão em frente à árvore do mundo já estava cativada pela garota que emergiu do ovo de pedra.

Ela tinha cabelos cor de trigo que desciam até a cintura, dois olhos que brilhavam com uma luz misteriosa e pele ocre. Borboletas dançavam no ar ao seu redor, enquanto os gnomos, famosos por sua aparência invisível, apareceram. Logo depois, a garota sorridente estendeu as mãos para o chão e galhos começaram a brotar da árvore do mundo.

A casca seca descascou e brotos verdes cresceram. Os brotos verdes floresceram todos ao mesmo tempo. Era uma visão espetacular que podia ser chamada de “Espetáculo das Cem Flores”. Os habitantes da floresta viram as flores desabrochando sob seus pés e perceberam que não era um mero truque.

– “É-É realmente uma deusa…!”

A parceria do Theodore com a árvore do mundo foi breve, mas não havia mais necessidade de se preocupar. A reação das pessoas que viam milagres era a mesma em todas as épocas. Eles se sentiriam honrados, assustados e mostrariam intenções de rejeição ou desafio. Os habitantes da floresta adoravam a árvore do mundo, então havia apenas uma escolha.

– “D-Dmitra! A deusa da terra!”

– “Por favor, nos salve, Dmitra!”

– “Nós acreditamos em você!”

Eles se ajoelharam e abaixaram a cabeça. Ninguém os forçou a fazer isso, mas o clã das bestas abandonou seu orgulho e se curvou diante do grande ser. Não havia nem necessidade de falar sobre os ents e dríades. Eles seguiram as ordens da Mitra antes mesmo de ela revelar sua identidade, e agora estavam completamente submissos.

Hoong? >

Então algo estranho aconteceu. Mitra, que estava no início da adolescência, começou a crescer ainda mais. Seus membros esbeltos se alongaram e seu corpo magro começou a desenvolver curvas. Os olhos inocentes da Mitra se encheram de travessura, enquanto seu cabelo cor de trigo estava crescendo.

Hihihi! Bem maior? >

Com base na forma como os humanos envelheciam, Mitra agora parecia ter uma idade entre 16 e 18 anos. Tendo ficado maior em um instante, ela riu enquanto tocava seus braços.

‘…Não, não foi só o corpo dela. Sua divindade também cresceu.’ Theodore admirou interiormente enquanto observava a Mitra.

Era como ele disse. Seu poder constantemente crescente purificou os odores e venenos dos mortos-vivos da sangrenta batalha de um tempo atrás, fazendo com que as flores e a grama levantassem suas cabeças apesar do céu escuro de Nídhöggur. Esse era o poder da Dmitra, a deusa das plantas.

Theo! >

Theodore ficou surpreso com o chamado repentino e respondeu estupidamente: – “S-Sim?”

Mitra riu e disse brincando: < Obrigada por me criar! >

– “…Você é uma gata ou uma cachorrinha?”

Hihihi! Então, posso te chamar de Pai? >

– “Eh.”

Theodore empalideceu ao pensar em ser chamado de “pai” quando nem era casado. Enquanto isso, Mitra virou a cabeça. < Hong! Theo é um pai para a Mitra! >

Então ela se virou para a surpresa Ellenoa. < Theo é o Pai, então a Ellenoa é Mãe! O que acha? >

– “Hã?!”

– “O quê?”

Theodore e Ellenoa ficaram chocados com as palavras da Mitra e evitaram os olhos um do outro. Mitra balançou a cabeça com uma risada pela visão. Sua jovialidade havia aumentado e ela tinha a habilidade de pegá-los desprevenidos. Ela olhou entre o Theodore e a Ellenoa antes de bater palmas. < Ah, vocês dois são muito tímidos. Eu preciso usar muito esforço para fazê-los progredir rapidamente. >

Então ela apontou para o céu com o dedo e gritou na direção exata do Nídhöggur: < Então, você! Essa coisa escura aí! Desapareça! >

Uma voz mal-humorada foi ouvida do céu em resposta: — Garotinha atrevida.

Então uma luz branca explodiu. A proteção, que Hræsvelgr havia feito, quebrou repetidamente e logo desapareceu sem deixar vestígios. A forma de um dragão com chifres enormes se projetava da fenda no céu enegrecido. Era um transcendental que era a personificação do medo.

Era o encontro entre o dragão maligno, Nídhöggur, e a Deusa da Terra, Dmitra.

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