Na noite do dia que marcava duas semanas desde que Vandalieu abriu seu carrinho de comida, o Vice-Mestre da Guilda de Comércio, Joseph, estava em seu escritório, com uma expressão tão amarga que o número de rugas em seu rosto parecia ter dobrado.
“Grr, aquele maldito pirralho insolente…!”, ele resmungou.
Claro, ele estava se referindo a Vandalieu.
“A culpa é dele por rejeitar minha proposta e começar esse negócio estúpido. Fiz aquela oferta para o bem dele… Que ingrato.”
Joseph havia feito a oferta de estabelecer contato com a facção pacífica de Alda para Vandalieu, o segundo Dhampir conhecido no reino. Isso porque ele queria conexões com figuras importantes da facção pacífica de Alda, que estava se tornando a facção dominante no Ducado de Alcrem — em especial, ele queria conexões com as Lâminas de Cinco Cores.
De fato, no fim das contas, isso também beneficiaria Vandalieu, embora a proteção da facção pacífica de Alda e o apoio de aventureiros de classe S seriam nada além de um incômodo para ele. Mas Joseph não podia ser culpado por não saber disso, já que não tinha como conhecer as circunstâncias de Vandalieu.
Mas a oferta que Joseph fizera a Vandalieu não tinha sido pelo bem dele nem por um instante na época. Ele simplesmente havia alterado sua própria memória desses eventos para justificar a oferta para si mesmo.
Sem perceber isso, Joseph estava tão irritado que poderia gritar, então pressionou a mão contra a boca. Ele vinha de uma família de condes, mas como Vice-Mestre da Guilda, seu escritório era inferior ao do Mestre da Guilda em tamanho, luxo e isolamento acústico.
E por mais que eu eduque aquele garoto, ele continua desobedecendo ao invés de pedir desculpas!
A “educação” à qual Joseph se referia era seu assédio contra Vandalieu. Porém, não era uma expressão figurativa ou sarcástica; ele realmente acreditava que estava educando.
Ele achava que estava ensinando a um pirralho insolente quão cruel o mundo era e o quão importante era ouvir seus superiores. Era algo que já havia feito com muitos jovens mal-comportados no passado.
Mas Vandalieu não mostrava nenhum sinal de arrependimento ou vontade de pedir desculpas a Joseph para aceitar sua oferta. Ele sequer havia visitado a Guilda de Comércio desde que completara o registro temporário.
Embora Joseph tivesse interferido no negócio do carrinho de comida de Vandalieu, Vandalieu caçava e conseguia carne por conta própria, e ainda associava outros carrinhos de comida ao seu usando métodos surpreendentes de preparar carne de Goblins e Kobolds para consumo.
Considerando que ele já havia domado e aumentado o Rank de um cachorro de rua e de Ratos Gigantes, ele havia sido notado como um novato promissor pela Guilda dos Domadores.
E embora essa informação não fosse confirmada, aparentemente os monstros tornaram-se membros de novas raças após seu aumento de Rank no dia anterior. A visita do Mestre da Guilda Bachem à capital também era alvo de rumores, dizendo que a sede da Guilda dos Domadores estava planejando trabalhar para atrair Vandalieu.
Mas eu não me importo com a Guilda dos Domadores. O problema é a carne de Goblin!
Desde tempos antigos… até quando o deus heróico Bellwood ainda era vivo, inúmeros magos, alquimistas, nobres, aventureiros e chefs da cidade tentaram tornar comestível a carne fedorenta e desagradável de Goblins.
Todos falharam. Alguns métodos de processamento ou tempero haviam sido descobertos, mas eram tão caros e resultavam em pratos tão sem graça que não podiam ser usados em tempos de crise alimentar ou para alimentar os pobres.
Mas Vandalieu conhecia uma forma de usar carne de Goblin em comida.
A técnica aparentemente vem do conhecimento dos Ghouls, mas… como diabos ele aprendeu isso? Ele os domou? Ou talvez a vila da mãe Elfa Negra dele interagia com Ghouls… Não, não importa. Os produtos são para gente pobre e imunda, mas essa tecnologia poderia ser usada para arrancar dinheiro de nobres que têm problemas para alimentar sua população! E ainda assim… Aquela vadia e seu pirralho! Eles realmente querem fazer negócios?!
Vandalieu não havia cedido ao assédio de Joseph, nem mostrado fraqueza para Aggar e seus comparsas, a quem Joseph havia pago para se aproveitarem da situação. Pelo contrário, ele continuava lucrando. Além disso, Darcia estava sendo tratada como uma santa depois de invocar um espírito familiar na Igreja Comunitária.
A popularidade de Darcia e Vandalieu continuava crescendo entre os habitantes da cidade. Chegava ao ponto de Vandalieu ser chamado de “rei dos carrinhos de comida” e “gênio domador”, enquanto Darcia era conhecida como “mulher santa”.
Na verdade, Joseph estava em pior posição.
Ele nunca havia se importado com o que os pobres dos cortiços pensavam dele. Mas como Darcia estava sendo tratada como uma santa, não eram apenas os moradores do subúrbio; a cidade inteira começava a ter uma impressão ruim dele.
E quando uma imagem negativa de Joseph se espalhasse pela cidade comercial de Morksi, ela se espalharia para as cidades e vilas próximas por meio de mercadores e viajantes… Não, considerando quão famosos Vandalieu e Darcia estavam agora, talvez até para outros ducados.
Se continuasse assim, a situação seria ruim para Joseph quando o Mestre da Guilda retornasse.
De acordo com os rumores recentes, estão me chamando de velho tarado que tentou cortejar aquela Elfa Negra, foi rejeitado e agora a está importunando em retaliação! Nesse ritmo, estou acabado… e ainda não há notícias de Aggar, mesmo tendo dito que tinha um bom plano. Inútil!
Joseph não confiava muito em Aggar. No fim, ele era apenas um guarda corrupto; Joseph já tinha decidido que não podia esperar muito dele depois que suas primeiras tentativas de encontrar falhas no negócio de Vandalieu fracassaram.
Mesmo assim, Joseph observava Aggar, pensando que talvez ele pudesse ter alguma ideia engenhosa, mas… parecia que era hora de desistir.
“… Já que chegou a esse ponto, não tenho escolha. Vou me desculpar,” Joseph decidiu.
Ele se ajoelharia diante de Vandalieu, admitiria que estava errado e encerraria sua pressão sobre os armazéns de atacado, os quais havia deixado em paz recentemente já que Vandalieu não os visitava mais.
“Ouvi dizer que ele tem doado para o orfanato e cuidado de aventureiros que perderam membros. Ou ele está fazendo isso para propagar sua religião, ou, se não for o caso, ele é inegavelmente uma boa pessoa,” disse Joseph a si mesmo. “Se eu me curvar diante dele com muitas pessoas assistindo, ele provavelmente aceitará minhas desculpas. Talvez seja ainda mais eficaz mencionar a doutrina de Vida durante o pedido de desculpas.”
Depois disso, bastaria continuar quieto em suas funções como Vice-Mestre da Guilda até que algo acontecesse. E quando oportunidades surgissem, ele ofereceria informações úteis a Vandalieu e o trataria favoravelmente como forma de compensação.
Se fizesse isso repetidamente, o relacionamento hostil entre eles se tornaria mais nebuloso.
“Muito bem. Já que decidi, irei agora mesmo… Não, o carrinho de comida fica num beco do distrito de entretenimento. Irei lá me desculpar quando mais pessoas estiverem reunidas à noite,” disse Joseph para si mesmo.
Enquanto pensava em como formular suas desculpas a Vandalieu e Darcia, houve uma batida na porta, como se tivesse sido cronometrada para interromper seus pensamentos.
“… Entre,” disse ele sem olhar para a porta, achando que algum funcionário vinha trazer documentos.
Mas no momento seguinte, seus olhos se arregalaram de surpresa ao ver que não era um funcionário… mas guardas armados.
“Q-quem são vocês?! O que querem comigo?!” ele gritou.
“Vice-Mestre Joseph da Guilda de Comércio. Você está preso por incitar desvio de fundos e sequestro cometidos por Aggar e outros três guardas renegados!” declarou um dos guardas.
Joseph ficou ainda mais atônito. “Preso?! Desvio de fundos e sequestro?! Do que vocês estão falando?!”
Ele estava em pânico e confuso com acusações das quais não tinha conhecimento. Era verdade que havia pago Aggar e seus comparsas para encontrarem alguma desculpa para interferir no negócio de Vandalieu. Mas apenas isso.
Se Aggar tivesse desviado fundos da guarda e confiscado bens, ou planejado um sequestro, Joseph não tinha nada a ver com isso. Ele não havia pedido para ele fazer tais coisas; certamente não tinha incitado tais atividades.
“Qual é a prova de vocês?! Se desejam me prender, então mostrem a prova!” Joseph exigiu, levantando-se da cadeira enquanto seu pânico e confusão se transformavam em raiva.
“Silêncio! Resistir não vai lhe fazer bem algum!” respondeu um dos guardas.
Sem a menor intenção de mostrar qualquer prova das acusações, os guardas o cercaram, o imobilizaram à força e começaram a amarrá-lo.
“Seus bastardos! Vocês sabem quem eu sou?! E-eu sou o Vice-Mestre da Guilda, tio do Conde Isaac Morksi a quem vocês servem!” Joseph gritou. “Não pensem que vão escapar disso –”
Mas os guardas não responderam; simplesmente arrastaram Joseph para fora do escritório que, até segundos atrás, tinha sido dele. O motivo disso era que eles haviam recebido ordens diretas do Conde Isaac Morksi para garantir a segurança de Joseph.
Isaac havia recebido um relatório estranho de seus espiões… Ele estava intrigado com o fato de Aggar e seus comparsas terem entrado no orfanato pela porta dos fundos e depois desaparecido sem deixar rastros. Ele estava confuso, mas Aggar e seus companheiros agora estavam desaparecidos. Isaac deduzira que alguém de alguma forma os capturara e se livrara dos corpos.
Ele tinha a sensação de que esse “alguém” era Vandalieu ou alguém ligado a ele. Não havia prova alguma disso. Ele apenas tinha a vaga ideia de que alguma magia avançada havia sido usada, uma ideia que qualquer um poderia ter e que nem poderia ser chamada de dedução. Era um pensamento irracional de que todos os eventos estranhos estavam conectados a Vandalieu.
Mas ele não conseguia imaginar outro motivo para Aggar e seus comparsas desaparecerem exatamente naquele momento.
Foi por isso que Isaac decidiu garantir a segurança de Joseph — já que ele provavelmente seria o próximo alvo de Vandalieu — e puni-lo.
Ele havia sido movido pela necessidade de mostrar a Vandalieu que não era um inimigo, oferecendo seu próprio tio como sacrifício, mesmo que isso significasse ficar em dívida com a Guilda de Comércio.
“Is-isso é uma violação dos direitos da Guilda! Vocês acham que a Guilda vai ficar calada sobre isso?! Sou inocente; estou sendo incriminado por alguém, com certeza! ALGUÉM ACREDITE EM MIM!” Joseph gritou.
Mas ninguém respondeu às palavras de Joseph enquanto ele era arrastado para fora do prédio da Guilda de Comércio.
Na manhã seguinte ao dia em que Vandalieu adquiriu o Trabalho ‘Guia dos Sonhos’, mais ou menos ao mesmo tempo em que Joseph era preso, Simon estava visivelmente animado ao encontrar Vandalieu para seu treinamento.
“Escute, Mestre! A verdade é que… eu adquiri uma proteção divina,” ele sussurrou para Vandalieu e Natania.
“… Entendo,” disse Vandalieu.
“A-aah, sério…?” disse Natania.
“Ah, nenhum dos dois acredita em mim! É verdade! Quando acordei esta manhã, ouvi ‘Você adquiriu uma proteção divina!’ E quando olhei meu Status, ela estava realmente lá!” disse Simon, radiante.
Nem Natania nem Vandalieu sabiam como responder.
Natania não podia simplesmente dizer: “Eu também tenho,” e Vandalieu não podia dizer: “Fui eu que lhe dei.”
“Então, de qual deus é a proteção divina?” Vandalieu perguntou.
Simon fez um sorriso sem graça e coçou a cabeça. “Esse é o problema… Mesmo olhando meu Status, o nome do deus está coberto. Só sei que são seis caracteres, e o último é uma vogal longa,” disse ele.
Parecia que o Status de Simon exibia “Proteção Divina de ■■■■■ー”, então ele não sabia que Vandalieu era quem havia concedido a proteção divina.
“Talvez seja um deus subordinado de Vida relacionado a espadas ou batalha. A verdade é, Mestre, que eu tive um sonho estranho ontem à noite. Alguém colocou a mão quente nas minhas costas enquanto eu treinava e, quando me virei, recebi uma espada… e quando acordei, eu tinha recebido a proteção divina,” contou Simon. “Você pensaria que sonhos seriam especialidade de Mill, a deusa do sono, uma das subordinadas de Alda, mas não tive a sensação de que era ela. Consegue pensar em algum deus subordinado de Vida que governe sonhos ou espadas?” ele perguntou.
“… Não, não consigo pensar em nenhum deus subordinado de Vida que governe sonhos ou espadas e tenha um nome com seis caracteres,” disse Vandalieu.
Ele não podia dar outra resposta. Ele certamente não podia contar a verdade — que ele havia tocado as costas de Simon com a ponta de sua língua pendurada, e que o item entregue fora um chifre caído de seu corpo, não uma espada.
“Entendo… Então acho que vou tentar perguntar indiretamente na Igreja Comunitária… Ah, talvez seja melhor visitar a biblioteca pela primeira vez em mais de uma década e pesquisar,” disse Simon.
Fang deu um latido suspirado em decepção por Simon não perceber a verdade, e as irmãs ratazanas também lançaram olhares desapontados.
“Desculpe não poder dizer de qual deus é a proteção,” disse Simon.
Ele não tinha como imaginar o que eles estavam realmente pensando; acreditava que a decepção deles era por não ouvirem o nome do deus que lhe concedera a proteção.
“Será que isso é comum? Aposto que é porque não sou devoto o suficiente… Eu nem consigo pensar em um deus cujo nome tenha seis caracteres e termine com vogal longa,” disse Simon, já cabisbaixo.
Vandalieu considerou se deveria dizer “Não se preocupe com isso; não há nada que você possa fazer.”
“Mas ainda assim, o fato de terem me dado uma proteção divina significa que esperam algo bom de mim! Se eu der o meu melhor no treinamento, recuperar meu braço e recomeçar, tenho certeza de que vou descobrir o nome do deus!” disse Simon. “Agora então, vamos treinar!” disse ele, se animando novamente enquanto caminhava para o portão.
Fang e as ratas o seguiram, provavelmente pensando em como ele era um júnior sem esperança e que cedo ou tarde perceberia.
“… É surpreendentemente difícil perceber a verdade,” Vandalieu murmurou.
“Acho que tem a ver com o fato de que ele só consegue ver o caractere mais vago, mas acho normal não perceber, Mestre,” Natania sussurrou de volta.
Para as pessoas de Lambda, proteções divinas eram concedidas por deuses. O conteúdo do Status normalmente era informação pessoal importante, mas proteções divinas eram Habilidades Únicas tão especiais que obtê-las era motivo de alegria para compartilhar com pessoas próximas.
Além de reduzirem a dificuldade de superar barreiras no desenvolvimento e outros efeitos concretos, davam uma sensação de realização por ter sido escolhido pelos deuses.
Parecia impossível para Simon sequer imaginar que havia recebido algo assim de seu próprio mestre.
“Eu mesma não achei que a pessoa no meu sonho era você, Mestre… embora eu tenha visto o ‘V’ no meu Status ao acordar e pensado que talvez fosse, e aceitei depois que você me disse na hora,” disse Natania.
Ela havia sonhado com o momento em que foi usada como isca pelos Flaming Blades e atacada pelos Minotauros. Era um pesadelo que ela tivera inúmeras vezes, mas no meio dele, enormes pernas negras haviam descido do alto.
As pernas esmagaram os Minotauros e lançaram os Flaming Blades pelos ares com alguns chutes. Natania, caída no chão, olhou para cima e viu um gigante grotesco olhando para ela.
O gigante então a pegou com uma mão óssea e a envolveu em um fluido quente. Aquele líquido… seu sangue carmesim, foi absorvido por Natania, tornando-se parte do próprio sangue dela.
Quando ela acordou daquele sonho, havia recebido a proteção divina de Vandalieu, assim como Simon. Aliás, Juliana também havia recebido uma proteção divina da mesma forma, o que a fez chorar de emoção por um bom tempo, e demorou para que se acalmasse.
“Aliás, eu estou feliz por ter recebido sua proteção divina, mas… isso tem relação com o treinamento, Mestre? Não vai ter efeitos estranhos, tipo deixar nossa língua mais longa, né?” perguntou Natania, preocupada.
“Hmm… Provavelmente vai ficar tudo bem, não é? Bom, talvez vocês se tornem capazes de estender a língua quando quiserem,” disse Vandalieu, dando uma resposta nada reconfortante.
Mas Natania e Simon adquiriram a Habilidade ‘Forma Espiritual’ naquele dia de treinamento.
“Uau! Meu braço, meu braço está se movendo! Eu consigo mover esse braço artificial de metal exatamente como eu quero, Mestre!” gritou Simon, empolgado.
“Eu também, consigo andar! Ainda estou um pouco bamboleante!” disse Natania.
A forma espiritual de Simon havia habitado seu braço artificial, e ele se movia conforme sua vontade. Da mesma forma, Natania conseguia usar suas duas pernas artificiais e, apesar de seus movimentos ainda serem desajeitados, ela conseguia ficar de pé e andar.
“Parabéns. Vocês completaram a primeira etapa do treinamento,” disse Vandalieu, batendo palmas para parabenizá-los. “Natania, você tem mais partes que precisam se mover, então vai precisar de mais prática. Mas nesse ritmo, vocês dois conseguirão mover seus membros artificiais como se fossem os reais.”
Simon e Natania ficaram comovidos até as lágrimas ao ouvirem essas palavras.
“Agora então, vamos começar a segunda etapa do treinamento imediatamente. Vamos alternar entre treinos de combate comigo e prática livre,” disse Vandalieu.
“Sim, Mestre!” responderam Simon e Natania em uníssono, seus corações pulsando de entusiasmo.
Quando retornaram à cidade, pouco depois do almoço, Simon estava sendo carregado por Fang e Natania por Vandalieu.
“M-mestre, você é incrivelmente forte…” arfou Simon.
“Eu só fiquei praticando posturas… Será que vou estar bem amanhã?” questionou Natania.
Os dois estavam totalmente exaustos e surpresos após terem sentido na prática a diferença de força entre eles e Vandalieu durante os combates de treino.
Simon sabia que Vandalieu não era uma pessoa comum, e Natania sabia, pelo que havia sido contado a ela, que ele tinha a força de um aventureiro classe A ou superior.
Mas imaginar algo e vivenciar eram coisas completamente diferentes.
“Mais importante, como você consegue fazer aquelas coisas? Materializar sua forma espiritual, arrancá-la e depois arremessá-la…” murmurou Simon.
“E é tão complicado que sua forma espiritual se move depois de você arremessá-la,” acrescentou Natania. “Que tipo de forma espiritual você tem, Mestre?”
Não era apenas que Vandalieu fosse mais forte do que eles imaginavam; parecia que a forma como ele usava sua forma espiritual era inumana.
“É porque é mais fácil melhorar suas habilidades treinando contra pessoas da sua própria força e também mais fortes do que você. Talvez eu tenha ficado um pouco empolgado demais, já que foi minha primeira vez tentando lutar com esse método também,” explicou Vandalieu.
Ele havia treinado Simon e Natania principalmente usando sua forma espiritual, sem usar feitiços ou armas. Ele achou que seria melhor que enfrentassem as mesmas Habilidades que estavam tentando aprimorar.
“E vocês dois agora são como eu, já que adquiriram a Habilidade ‘Forma Espiritual’ e conseguem usá-la em combate. Do ponto de vista de pessoas comuns, isso por si só já pareceria bem inumano,” acrescentou Vandalieu.
Ele estava meio certo e meio errado.
Forçar a alteração da forma de uma forma espiritual causaria efeitos correspondentes na mente e, no pior caso, poderia levar à insanidade. A razão disso não ocorrer com Simon e Natania é que suas formas espirituais simplesmente estavam retornando à forma que tinham quando possuíam todos os seus membros, então suas formas não se desviavam do formato humano.
Por outro lado, Vandalieu já havia alterado a forma de sua própria forma espiritual tantas vezes que já havia ultrapassado há muito o ponto de se desviar da forma humana. A única maneira de descrevê-la era como algo amorfo, semelhante a um Slime.
Natania e Simon também alteravam suas formas espirituais como Vandalieu, mas o grau era totalmente diferente… embora Vandalieu tencionasse eventualmente elevá-los (se isso pudesse ser descrito assim) ao próprio nível dele.
“De qualquer forma, quando vocês adquirirem as Habilidades ‘Materialização’ e ‘Controle à Distância’, aumentarem seus níveis e aumentarem sua Mana para conseguirem sustentar a forma espiritual por tempo suficiente, vocês dois conseguirão fazer a mesma coisa,” disse Vandalieu.
Por isso ele havia mostrado a Simon e Natania qual era o objetivo, feito-os experimentar isso em batalhas de treino e feito-os acreditar que podiam alcançar o mesmo.
Ao contrário do corpo físico, a forma espiritual era completamente controlada pela força da imaginação e da vontade. Havia limites, mas era possível fazer quase qualquer coisa com ela, desde que se pudesse imaginar e treinar para isso.
“Entendo… Seria incrível só conseguir ter um corpo que lute de novo, mas se for para tentar, eu quero ao menos me tornar um aventureiro classe C… não, classe B ou melhor!” disse Simon.
“Eu também. Não sei se conseguiria retribuir tudo se apenas voltasse a ser como eu era antes. Além disso, a Juli… Julia me deixaria para trás,” disse Natania.
“Isso mesmo, isso mesmo, esse é o espírito,” disse Vandalieu com um aceno satisfeito, olhando para seus rostos suados quando chegaram ao portão.
“Bem-vindos de volta. Parece que o treino de hoje foi pesado,” disse Kest, que estava de plantão sozinho no portão.
Aqueles que sabiam que Vandalieu havia levado o Simon de um braço só e a Natania sem membros para fora da cidade ontem e hoje achavam estranho. O que eles estavam fazendo afinal?
Mas como Vandalieu e Simon respondiam que estavam treinando quando perguntados, muitos entenderam errado que Simon e Natania estavam treinando para se tornarem Domadores, e ficaram satisfeitos com essa explicação… porque Vandalieu era famoso na cidade de Morksi não como mago, mas como dono de um carrinho de comida e como Domador.
Muitos aventureiros Domadores dependiam de seus monstros domesticados em batalha, então era imaginável que essa fosse uma forma possível para Simon e Natania viverem.
Os dois estavam totalmente exaustos, haviam removido seus membros artificiais e estavam sendo carregados por Fang e Vandalieu, então o mal-entendido só seria esclarecido após o dia seguinte.
“Sim. Mas falando nisso, mesmo sendo meio-dia, quando menos pessoas entram e saem da cidade, não é descuidado ter só uma pessoa de plantão?” perguntou Vandalieu.
“O Aggar, aquele veterano seu, está faltando ao trabalho de novo?” perguntou Simon.
“Não, é que… estamos um pouco sem pessoal hoje,” respondeu Kest de forma vaga. “Hmm… Me disseram para não falar sobre isso, mas acho que você está envolvido nisso, Vandalieu,” disse ele, decidindo explicar de forma adequada. “A verdade é que descobriram que Aggar-senp– Aggar, e outros quatro guardas, eram corruptos. Eu sei que parece tarde demais para isso, mas eles contrabandearam substâncias venenosas que confiscamos e… parece que estavam tentando sequestrar órfãos do orfanato para tráfico humano.”
“Não, não pode ser,” disse Vandalieu num tom completamente neutro.
“Agora que você mencionou, estava bem barulhento perto do orfanato ontem. Pensar que algo assim aconteceu…!” disse Simon.
Kest deu um sorriso amargo e balançou a cabeça. “Você não precisa fingir surpresa, Vandalieu. Eu sei que você tem visitado o orfanato,” disse ele, presumindo que as freiras ou as crianças teriam contado a notícia a Vandalieu. “Felizmente, tudo terminou apenas como uma tentativa de sequestro. Aparentemente havia uma freira lá quando Aggar e seus amigos pularam o muro, e eles fugiram quando ela gritou. Mas mesmo sendo só uma tentativa, sequestro é um crime sério. Guardas que fazem esse tipo de coisa não podem servir de exemplo para o resto da cidade. Eles vão ser completamente investigados, e temos recrutado muita gente nova desde hoje de manhã.”
“Mesmo assim, é perigoso ter só uma pessoa de plantão no portão, não é? Pelo que você está dizendo, eles ainda não foram capturados, certo? Como você impediria eles se tentassem deixar a cidade?” perguntou Simon.
“Está tudo bem. Eu sou o único observando quem entra na cidade, mas há um ponto de inspeção do outro lado do portão para verificar quem sai,” disse Kest.
“Uau, ainda bem que saímos cedo de manhã, né, Mestre?” disse Simon.
“Sim… é mesmo,” disse Vandalieu, um pouco confuso que a eliminação de Aggar e seus cúmplices tivesse causado consequências mais amplas do que ele esperava.
Era provável que fosse uma ordem do conde ou de alguém ligado a ele, mas parecia que eles haviam moldado a história para que os homens mascarados que Irmã Seris viu fossem Aggar e seus comparsas… quanto da verdade será que ele descobriu?
Eu só pedi para Gufadgarn e os outros esperarem até o último momento, e então eliminassem eles se tentassem entrar no orfanato, mas… pensar que os espiões tentariam capturá-los segundos depois. Por que não os capturaram antes de entrarem no orfanato? Eu não teria feito nada se o pessoal do conde lidasse com eles, pensou Vandalieu. Talvez eles tivessem uma opinião diferente sobre como lidar com as crianças e freiras do orfanato? Eu acharia melhor evitar assustar todo mundo, mas talvez o pessoal do conde pense diferente… Eu sei que eles têm suas circunstâncias, mas, se for isso, é meio desagradável.
“Mas já que Aggar e os outros ainda não foram capturados, tomem cuidado. Não há garantia de que ele não esteja tramando algo por ressentimento contra você,” disse Kest, terminando a explicação. “Diga à sua mãe para ter cuidado redobrado.”
Aggar, no momento, vagava pelo labirinto de Gufadgarn sem saída, mas Kest não sabia disso; parecia preocupado que Aggar estivesse escondido em algum lugar da cidade aprontando algo.
“Certo. Vamos tomar cuidado,” disse Vandalieu com um aceno, sentindo-se culpado por não poder corrigir Kest.
Ele considerou fazer com que ao menos o cadáver de Aggar fosse descoberto em algum lugar.
A propósito, Natania sabia a verdade; ela fingia estar dormindo nas costas de Vandalieu para que Kest não suspeitasse de nada.
Ao entrar na cidade e retornar para casa, Vandalieu descobriu que havia recebido um convite pessoal para um chá da tarde vindo do conde.
《Vandalieu adquiriu os títulos ‘Rei do Carrinho de Comida’ e ‘Domador Gênio’!》
《Você adquiriu a habilidade ‘Terapia Espiritual’!》
Birkyne refletia sobre as informações que havia recebido de seus fantoches na cidade de Morksi. “Parece ser o momento perfeito para agir,” murmurou.
As informações eram extremamente fragmentadas. No entanto, Birkyne considerava todos os eventos estranhos e inexplicáveis naquela cidade como relacionados a Vandalieu.
De acordo com as informações, parecia que os fantoches de Birkyne haviam se infiltrado no círculo de Vandalieu melhor do que ele imaginava.
Com os fantoches infiltrados tão fundo, Vandalieu não seria capaz de cortá-los facilmente. Era o suficiente para usar como moeda de troca e compensação.
“Você tem certeza disso? Nesse ritmo, é provável que a situação alcance a região dentro da Cordilheira da Barreira que é governada por ele. Isso não seria tarde demais?” disse um dos acompanhantes próximos de Birkyne.
“Não, não temos tanto tempo,” disse Birkyne, balançando a cabeça. “Se demorarmos demais, é possível que os seguidores de Alda façam um movimento. Bem, tenho certeza de que eles não esperavam que ele começasse um negócio pacífico de carrinho de comida na cidade, então provavelmente estão quebrando a cabeça para descobrir como lidar com isso também, e certamente não têm forças para derrotá-lo. Mas é possível que os tolos impacientes reúnam os heróis que são seus peões e ataquem assim que ele sair da cidade.”
Birkyne sabia que até entre os deuses havia tolos. Alda, que foi incitado por Bellwood cem mil anos atrás, e Vida, que não foi capaz de prever isso. Exemplos mais recentes seriam Ternecia, que se encurralou e teve a mão mordida por seu próprio cão de estimação, e Gubamon, que enlouqueceu e se isolou ao se livrar de todos os seus subordinados.
Deuses puros eram diferentes de dragões, verdadeiros Colossos e Vampiros de Sangue Puro como Birkyne, bem como deuses malignos que não podiam manter sua existência sem um corpo físico, mas não havia diferença na tolice.
“Bem, é difícil imaginar que eles forçariam seus próprios heróis a agir como bandidos. Ainda assim, não tenho tanta certeza quanto aos indivíduos reencarnados. É bem provável que tenham recebido poderes impossíveis dos deuses,” disse Birkyne. “Mortor, você descobriu o que eles estão fazendo?”
Suor frio surgiu na cabeça careca de Mortor, um dos Quatro Confidentes de Birkyne, um Vampiro Nobre que antes fora um Anão.
“Asagi Minami e seus dois companheiros estão no Ducado de Birgit. Estão pesquisando os fragmentos do Rei Demônio que capturaram junto a alquimistas e magos ligados à nossa organização, e não mostram sinais de que vão partir,” relatou. “E parece que Kaoru Gotouta deixou o Ducado de Farzon pelo porto, em um navio rumo ao Arquipélago Laberta. Não houve sinais de que tenha retornado ao continente.”
Os movimentos de ‘Esmaga-Magos’ Asagi e seus dois companheiros — claramente indivíduos reencarnados, devido ao contato com Vandalieu e seus nomes característicos — estavam sendo reportados por pessoas em contato com eles. Birkyne também recebia informações sobre a ‘Super-Sentidos’ Kaoru Gotouta, cujo nome característico também denunciava sua origem reencarnada. Ao todo, Birkyne tinha informações sobre quatro indivíduos reencarnados.
“Mas… Hajime Inui, Junpei Murakami e outros dois desapareceram,” disse Mortor.
A tensão no ambiente aumentou imediatamente.
“E?” disse Birkyne, indicando para Mortor continuar.
Os outros confidentes de Birkyne também começaram a suar frio.
“Hajime Inui nunca se aproximou de lugares onde humanos vivem, então sempre foi difícil rastreá-lo, mas como sua presença não foi confirmada em nenhuma cidade, vila ou estrada, não sabemos se ele simplesmente está dentro de um Ninho do Diabo ou Dungeon, ou se está se movendo em segredo enquanto evita chamar atenção,” continuou Mortor. “Da mesma forma que Hajime Inui, não conseguimos confirmar o paradeiro de Junpei Murakami e seus dois companheiros após desaparecerem das cidades e vilas onde estavam hospedados.”
Birkyne também havia deduzido corretamente que esses dois grupos eram indivíduos reencarnados pelos seus nomes; eles haviam evitado ser rastreados pela organização inúmeras vezes.
Como o “Marionete” Hajime Inui mantinha distância de assentamentos humanos, era difícil até mesmo fazer contato com ele, muito menos mantê-lo sob vigilância. O grupo de Murakami simplesmente era muito cauteloso, então a organização de Birkyne não podia se aproximar deles de forma descuidada.
Embora os motivos fossem diferentes, parecia que a organização havia perdido o rastro dos dois grupos.
“Entendo… Então eles estão ou escondidos perto da cidade de Morksi, ou no processo de se mover para lá e se esconder,” disse Birkyne.
Considerando o momento em que desapareceram, era fácil deduzir seus objetivos. Assim, ele não repreendeu Mortor… nem teve um acesso de histeria.
Seus confidentes soltaram um suspiro de alívio.
“Mas como os reencarnados perceberam o aparecimento de Vandalieu? Seriam os poderes especiais que receberam dos deuses?” perguntou um dos outros confidentes.
“Mais importante, se os reencarnados forem fazer um movimento contra Vandalieu, não seria melhor esperar para ver o resultado? Se vencerem, ganhamos muito. Se forem derrotados, isso não nos afeta em nada.”
“Não podemos fazer isso. Não sabemos quando ou com qual propósito eles farão contato com Vandalieu. É possível que se tornem seus subordinados como Kanako Tsuchiya e as outras… embora isso seja bem difícil de imaginar.”
As ações de Hajime eram as de alguém passando por treinamentos rigorosos para enfrentar um inimigo poderoso, e o grupo de Murakami claramente via Vandalieu como alvo.
Era improvável que as coisas terminassem como com Kanako, que se tornou subordinada de Vandalieu, ou Asagi, que se retirou após apenas conversar com ele.
Considerando isso, foi descuido deles terem suas identidades reveladas apenas pelos nomes… mas talvez não tanto, se eu considerar que o deus que os enviou a este mundo também queria que se livrassem de mim? Bem, posso pensar sobre suas circunstâncias e propósitos depois, pensou Birkyne, desviando sua atenção desse assunto.
Ele bateu o dedo sobre a cidade de Morksi no mapa do Ducado de Alcrem sobre a mesa.
“Se os reencarnados decidirem se livrar de Vandalieu com um método extremo, como explodir a cidade inteira, não há como prever o que acontecerá com meus fantoches. Seria tolice esperar e assistir apenas para perder as peças que são necessárias para o meu plano,” disse Birkyne.
Ele não subestimava o poder dos reencarnados, ao menos o de Hajime e Murakami. Se eles pretendiam matar Vandalieu, provavelmente tinham poder igual ou superior ao de aventureiros de classe A.
Se tais indivíduos agissem violentamente sem pensar nas vítimas, a cidade de Morksi sofreria grandes perdas. Não havia garantia de que os fantoches de Birkyne permaneceriam intactos se isso acontecesse.
“E… se demorarmos demais, pode haver efeitos sobre os próprios fantoches. Afinal, ele provavelmente é um guia,” disse Birkyne.
Um tipo diferente de tensão surgiu nos rostos de Mortor e dos outros confidentes. Não era apenas medo — era pavor.
“Mesmo que ele seja um guia, ele não poderia abalar o controle sobre os fantoches de Birkyne-sama… ou isso realmente é possível?!” exclamou Mortor.
“É, sim. Afinal, Vandalieu está reunindo os fragmentos do Rei Demônio, embora pareça que, por enquanto, não há efeitos nos fantoches…” Birkyne parou no meio da frase.
Talvez os fantoches já estivessem sendo afetados.
O comportamento dos fantoches em relação a Vandalieu… Birkyne os havia preparado para que se aproximassem e se sentissem positivamente em relação a indivíduos que se encaixassem em certa descrição, de um jeito que não fosse estranho. Como resultado, Vandalieu e os fantoches tinham um bom relacionamento, mas… a orientação não influenciaria esses sentimentos positivos?
Não, mesmo que haja efeitos, será dentro de um limite que posso controlar, então não é um problema. A parte principal do meu fragmento está em mim, e as partes que cortei permanecem dentro dos fantoches. Não há problema algum, repetiu Birkyne para si mesmo.
“Agora então, vamos fazer um acordo. Vandalieu obterá nossos fantoches, e nós obteremos nossa segurança. Se ele recusar, haverá combate, mas… mesmo que isso aconteça, será favorável para nós enquanto ele não puder sacrificar os fantoches,” disse ele aos seus confidentes.
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Rei dos Carrinhos de Comida Um Título que pode ser adquirido por alguém associado a múltiplos carrinhos de comida e que é uma figura de destaque nas ruas e regiões em que opera. Existem muitos outros Títulos relacionados (por exemplo: Rainha dos Carrinhos de Comida, General dos Carrinhos de Comida). Ele é frequentemente adquirido por chefs que treinaram vários aprendizes ou figuras influentes que representam outros donos de carrinhos de comida. Em cidades movimentadas, geralmente existe ao menos um ‘Rei dos Carrinhos de Comida’. Ele fornece um bônus à Habilidade ‘Culinária’, embora pequeno. |
| Explicação do Título |
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Domador Gênio Como o nome sugere, é um Título que pode ser adquirido por Domadores talentosos. Conquistas extraordinárias ou demonstração de um potencial incrível como Domador são requisitos para adquiri-lo. Devido à natureza desses requisitos, é mais fácil para Domadores relativamente jovens obtê-lo. É um Título mais raro do que ‘Rei dos Carrinhos de Comida’, mas no Reino de Orbaume, existe apenas cerca de um ‘Domador Gênio’ em cada ducado a cada dez ou mais anos. Ao adquirir este Título, a pessoa já teria Habilidades relacionadas a Domador suficientemente elevadas, mas ainda assim recebe bônus em certa medida. Mas alguém com esse Título se torna candidato a posições altas dentro da Guilda dos Domadores… no mínimo o cargo mais alto de uma filial. Isso é mais significativo do que os bônus que ele fornece às Habilidades. |