Quando Vandalieu e os outros retornaram para casa em triunfo, foram recebidos com aplausos pelos Ghouls que haviam permanecido na vila.
Eles haviam expandido a vila antecipadamente em preparação, mas como a população havia aumentado com mais de cem mulheres Ghoul que estavam sendo mantidas em cativeiro, agora ela excedia os limites da vila. Mas ninguém se importava com isso.
Em seguida, as mulheres Ghoul e os aventureiros resgatados puderam descansar, enquanto Vandalieu desfez a transformação em mortos-vivos dos alimentos e dos espólios de guerra que haviam caminhado até ali por conta própria, para que pudessem ser desmontados adequadamente.
As línguas e os globos oculares dos Magos Kobold podiam ser usados como materiais para alquimia. A pele dos Generais Kobold podia ser usada para armaduras e roupas, enquanto suas presas se tornariam boas facas.
Os Orcs comuns só rendiam carne, mas os tendões dos Generais Orcs podiam ser usados para fabricar cordas de arco. Já as línguas, olhos e fígados dos Magos Orcs seriam usados como ingredientes adicionais para alquimia.
E todas as partes dos corpos dos Nobres Orcs podiam ser aproveitadas como materiais. Sua carne seria usada como alimento; seus intestinos, para alquimia ou fabricação de remédios; sua pele, para itens de couro; seus ossos, para armaduras ou armas; seus órgãos genitais, para medicamentos que aumentam a função sexual; e seus pelos dourados, para tecer roupas à prova de perfuração.
E, claro, suas Pedras Mágicas.
Se alguém levasse essas pedras até uma Guilda dos Aventureiros, poderia receber uma bela quantia em troca.
— Ufufufu, materiais~ materiais~ O que será que eu devo fazer~♪—
É meio macabro, mas ela está se divertindo bastante, pensou Vandalieu ao ver Tarea manuseando habilmente uma faca para desmontar Bugogan em pedaços enquanto cantarolava para si mesma. Enquanto ele observava, ela de repente se virou.
— Pensando bem, Van-sama, o que você vai fazer agora? —
A faca pingando de sangue e gordura, que ela segurava próxima ao rosto, era de fato algo grotesco, mas parecia que ela estava preocupada com os planos futuros de Vandalieu.
O título de Rei dos Ghouls era um papel que só existia enquanto várias vilas de Ghouls se uniam contra um inimigo comum; era diferente do título de rei em outras raças, como Goblins ou Kobolds.
Agora que os Nobres Orcs haviam sido derrotados e o restante dos inimigos eliminado, não havia mais motivo para Vandalieu continuar sendo o Rei dos Ghouls, nem para todos os Ghouls continuarem no mesmo lugar. Tarea e seus seguidores voltariam à vila original e retomariam suas vidas normais.
(É exatamente por isso que eu preciso levar Van-sama comigo!)
Tarea guardava esse pensamento no coração enquanto Vandalieu respondia:
— Sobre isso, tem algo que quero conversar amanhã.
— Eh?! Algo que você quer conversar só entre nós dois~♪—
— Não, com todo mundo.
— E-eu imaginei que seria isso mesmo. Ho, hohoho… —
O jantar daquela noite foi um banquete em comemoração à vitória; os Ghouls se elogiavam mutuamente enquanto comiam espetinhos grelhados e sopas feitas com carne de Orc. O apetite das mulheres que haviam sido mantidas em cativeiro era especialmente feroz.
Elas devoravam a carne de Orc com avidez, como se estivessem se vingando por terem sido tratadas como brinquedos por tanto tempo.
Até mesmo as aventureiras que antes apenas desejavam a morte estavam com um apetite vigoroso. No momento, elas só queriam passar pela transformação em Ghouls para se tornarem seguidoras de Vandalieu, então parecia que o conselho de Zadiris — “Se vocês não ganharem um pouco de força física, seus corpos não vão aguentar o ritual” — havia surtido efeito.
Vandalieu nunca imaginou que a habilidade【Encanto de Atributo da Morte】seria eficaz em humanos que haviam perdido a vontade de viver e desejavam apenas a morte.
— Se eu estivesse na Terra agora, provavelmente faria muitos amigos só de ficar parado perto de locais famosos por suicídios. —
Bem, se ele realmente fizesse isso, provavelmente acabaria como fundador de uma nova religião, então, mesmo que estivesse na Terra, provavelmente não o faria.
Vandalieu mordiscava um espetinho de Nobre Orc enquanto pensava nisso.
A carne havia sido temperada com um molho tare feito de frutas e ervas que cresciam no Ninho do Diabo antes de ser assada. Cada mordida preenchia sua boca com o suco e a gordura derretida da carne, mas o molho tare proporcionava um sabor final limpo; era o tipo de comida que ele poderia comer sem parar.
Ele não conseguia evitar se emocionar com o sabor daquela carne.
Entre os alimentos que havia comido desde que reencarnou em Lambda, os javalis selvagens já eram saborosos, mas a carne dos Javali Gigantes que comia desde que passou a viver naquela vila era ainda melhor. No entanto, a carne do Nobre Orc superava até isso.
Nem mesmo a carne suína de alta qualidade da Terra podia se comparar. Era tão deliciosa que Vandalieu tinha certeza disso, mesmo nunca tendo provado carne suína realmente cara.
— Uu, eu venci, finalmente venci uma contra eles… —
Enquanto comia a carne do Nobre Orc — algo que definitivamente jamais teria provado na Terra — ele sentia orgulho por sua vitória contra a família do tio.
O primeiro passo do ritual para transformar mulheres humanas em Ghouls era cavar um buraco no chão grande o suficiente para conter todas as mulheres que passariam pelo processo. Em seguida, sangue de Ghoul e o veneno secretado por suas garras eram misturados à lama, enquanto orações eram feitas à deusa Vida.
Depois, mais lama era colocada de volta no buraco, submergindo completamente as mulheres.
Elas então se transformariam de humanas em Ghouls após três dias.
— Parece que estamos afogando elas… —
Olhando fixamente para a lama onde Kachia e as outras aventureiras haviam sido submersas, ele usava sua magia repetidamente para verificar se ainda conseguia detectar sinais de vida. Não conseguia evitar. Afinal, em circunstâncias normais, elas estariam morrendo sufocadas.
— Não há nenhum problema com isso. Este é o método que tem sido usado desde os tempos antigos. Mas se tentássemos com raças que não fossem humanas, como monstros ou outras raças criadas por Vida, elas se afogariam. —
— Van-sama, foi assim que eu me transformei de humana em Ghoul. —
Ao ouvir a aprovação das duas anciãs, Zadiris e Tarea, e ao sentir que ainda conseguia detectar sinais de vida das aventureiras após dez minutos, Vandalieu se convenceu.
— Mais importante, precisamos continuar a conversa do outro dia, não é?
— Tem razão. —
Já havia passado uma noite desde o banquete da vitória, e o clima festivo entre os Ghouls havia se acalmado. Eles estavam reunidos, esperando por Vandalieu. Incluindo Tarea, todos pensavam que Vandalieu começaria agora a discutir a realocação das cem mulheres Ghoul cujas vilas haviam sido destruídas e que agora não tinham para onde ir, das aventureiras que estavam sendo transformadas em Ghouls, os Itens Mágicos prometidos para aumentar a taxa de natalidade dos Ghouls, e o próprio futuro de Vandalieu.
As mulheres que haviam engravidado dos monstros se recuperariam normalmente alguns meses após o parto, e não haveria problema em alocar dez delas para cada uma das outras vilas. E eles haviam acabado de obter tanta comida que, se não fosse pelo método de preservação de Vandalieu, ela apodreceria antes que pudessem consumir tudo.
As aventureiras provavelmente seriam todas tratadas como espólios de guerra de Vandalieu. Dessa forma, não seria necessário tempo ou esforço para ensiná-las as coisas após a transformação em Ghouls, e Vandalieu havia feito por merecer isso.
Era estranho que uma delas não estivesse passando pelo ritual e estivesse sob os cuidados diretos de Vandalieu
— provavelmente era a favorita dele.
Vandalieu havia prometido distribuir os Itens Mágicos assim que os produzisse. As vilas de Zadiris e Tarea competiriam entre si para ver qual delas teria Vandalieu morando com elas, então não havia necessidade de mencionar isso.
O grande número de Ghouls reunidos ali esperava que esses fossem os assuntos a serem discutidos.
No entanto, Vandalieu contrariou todas essas expectativas já no tom da sua primeira frase:
— Todos, por favor me escutem com calma. Até o verão, no mais tardar, um grande exército de humanos virá até aqui para nos matar. —
Era abril. Cerca de dois meses após a notícia de que a vila dos Nobres Orcs havia sido aniquilada por um grupo de Ghouls liderado por um Dhampir, uma força de extermínio com mil integrantes, organizada sob a liderança do Marechal Palpapek, invadiu a floresta do Ninho do Diabo.
Havia trezentos aventureiros de Classe D e cem de Classe C. Também havia uma brigada de Guerreiros Sagrados de Alda, liderada pelo Alto Sacerdote Gordan, além do aventureiro de Classe B conhecido como【Lança do Vento Verde】Riley, que anteriormente fazia parte das Lâminas de Cinco Cores, bem como soldados e cavaleiros.
Buscando a perfeição, o marechal queria contratar ainda mais aventureiros de Classe B, mas reunir muitos aventureiros de Classe B ou superior em um único local causaria problemas no enfrentamento de monstros em outras regiões. Por isso, ele optou por reunir aventureiros de Classe C habilidosos, formando uma força de extermínio desse porte.
— Heheheh, desculpem, mas o Dhampir é meu. Da última vez, tive que deixá-lo escapar porque o Heinz não concordou comigo, mas agora estou livre. Vou adicionar isso à minha lista de conquistas. —
— Faça como quiser! Desde que o sangue de um Vampiro maligno e de uma bruxa seja eliminado, o deus abençoará aquele que realizar a tarefa! —
O sorridente Riley e o Alto Sacerdote Gordan, cujo semblante sério deixava os cantos da boca voltados para baixo, eram os destaques da força de extermínio, e todos esperavam que esses dois derrotassem os Ghouls de Rank mais elevado e o Dhampir.
Até mesmo os outros aventureiros e cavaleiros obedeciam às suas ordens.
Ambos estavam entre os melhores aventureiros e, por possuírem a força da Classe B — que ultrapassa os limites humanos — era natural que recebessem esse tratamento, já que a força de extermínio não contava com nenhum aventureiro de Classe A ou superior.
O Marechal Palpapek havia posicionado espiões constantemente entre a cidade e o Ninho do Diabo para garantir que os Ghouls não atacassem a cidade, mas até então os Ghouls não tinham demonstrado nenhum movimento.
— Os Ghouls estão esperando que nós venhamos até eles. Só posso rezar ao meu deus para que eles não ataquem vocês quando estiverem distraídos, transformando-os em Pontos de Experiência para eles. — (Gordan)
O fato de os Ghouls não saírem do Ninho do Diabo mesmo sabendo que os humanos estavam se movendo certamente significava que estavam se preparando e planejando uma emboscada. Essa foi a conclusão a que chegaram os líderes da força de extermínio, incluindo o Alto Sacerdote Bormack Gordan.
Por isso, todos os membros da força de extermínio estavam visivelmente tensos.
— Não preciso que você me diga isso. Eles só vão servir de degraus para que eu supere aquele Heinz ingênuo.
—
Desde que Riley deixou as Lâminas de Cinco Cores, o número de pedidos diretos e a forma como a Guilda o tratava haviam mudado drasticamente. Ele ainda era um indivíduo obscuro, então estava desesperado para conquistar feitos próprios ao aceitar o pedido do marechal. Por isso, a expressão em seu rosto era de empolgação — e não de nervosismo.
Sua cabeça estava cheia de pensamentos sobre erguer a cabeça decepada do Dhampir no ar, ganhar ainda mais a confiança do Marechal Palpapek, ter uma carreira bem-sucedida e se tornar o cavaleiro pessoal e instrutor de lança de algum marquês.
E assim, a força de extermínio adentrou o Ninho do Diabo e começou a busca pelo inimigo. Eles sabiam onde ficava a vila dos Nobres Orcs, mas as localizações das vilas dos Ghouls que a destruíram ainda eram desconhecidas.
Como o Ninho do Diabo era uma área perigosa, hesitaram em enviar aventureiros para investigá-lo com antecedência. Também não podiam enviar espiões, já que, apesar de suas habilidades de coleta de informações, eram fracos em combate. A razão disso era a conclusão de que o Dhampir era um Espiritualista.
Espiritualistas podiam se comunicar com os espíritos dos mortos para obter informações. Se os espiões ou aventureiros fossem descobertos, seriam mortos sem piedade — e então o Dhampir obteria informações diretamente de seus espíritos. Como os mortos costumavam ser bastante falantes, precisavam ser cautelosos com a perda de pessoal.
A busca pelo inimigo estava sendo difícil.
— Só encontramos vilas de Goblins e Kobolds. Encontramos dois ou três Orcs, mas nenhum único Ghoul foi visto. —
— É, e além disso, só encontramos Javalis Gigantes, os Javalis Enlouquecidos que são ainda mais fortes, Touros Empaladores, Tartarugas de Ferro, Ratos Gigantes… nada além de monstros do tipo besta. —
Não seria estranho ao menos encontrarem um pequeno pelotão de Ghouls fazendo vigilância naquela área, mas a força de extermínio simplesmente não conseguia encontrar nenhum.
Na verdade, eles encontraram uma vila de Ghouls, mas…
— Nada feito, tudo o que encontramos lá foram Goblins que se instalaram no lugar. —
Não havia mais nada no que parecia ser o que restava de uma antiga vila de Ghouls.
— Os Ghouls com certeza estão todos reunidos em um único lugar, esperando para nos emboscar! Isso é ruim… mesmo com mil homens, se eles atacarem todos de uma vez só… —
— E daí?! Eu vou me vingar do Rikken, meu irmão mais novo! —
O irmão mais velho de um aventureiro que se acreditava ter sido morto pelos Orcs fez essa declaração furiosa, mas ninguém o lembrou de que foram os Orcs, e não os Ghouls, que haviam matado seu irmão.
— Bem, talvez as mulheres tenham sobrevivido, mas…
— É bem provável que já tenham sido transformadas em Ghouls, certo? Temos que salvar suas almas o quanto antes. —
O aventureiro não contestou as palavras do devoto seguidor de Alda. Mesmo ele concordava que, depois de terem sido usadas como brinquedos e ainda transformadas em Ghouls, talvez fosse mais feliz para elas simplesmente morrerem.
A força de extermínio montou um acampamento no local onde ficava a vila dos Orcs, enquanto continuavam a busca pelo interior do Ninho do Diabo.
No entanto, a busca só resultava em monstros que não eram Ghouls, e mesmo após vários dias, não havia sinal de que os Ghouls tentariam atacá-los.
É claro que isso não mudava o fato de estarem acampados em um perigoso Ninho do Diabo, mas como haviam reunido pessoal mais do que suficiente para lidar com os monstros normais da floresta, o clima de tensão ao redor da força de extermínio começou a diminuir.
— Mais marcas de rodas de carroça. O que isso significa? —
— Isso não quer dizer que já passamos por aqui antes? —
— Seu idiota, as carroças estão lá no acampamento. —
A força de extermínio estava usando várias carroças para transportar suprimentos. Mesmo sendo uma floresta, esse Ninho do Diabo tinha Javalis Enlouquecidos de cinco metros derrubando árvores por onde passavam, então havia várias trilhas largas o suficiente por onde carroças podiam circular.
No entanto, aquelas carroças estavam ou no acampamento montado nas ruínas da vila dos Orcs, ou fora do Ninho do Diabo, indo e voltando da cidade para trazer mais suprimentos. Não havia como aquelas carroças estarem usando aquela trilha de animais, que ficava em uma direção completamente diferente da cidade e do acampamento.
— Então que marcas de rodas são essas? Elas parecem pegadas de monstros para você?
— Provavelmente aventureiros passaram por aqui há muito tempo. A ausência de marcas de cascos de cavalo é a prova disso; a chuva lavou tudo, exceto os sulcos profundos das rodas. —
Os soldados e aventureiros ali presentes consideraram essa dedução razoável, então não se incomodaram em relatar o achado aos superiores da força de extermínio.
De tempos em tempos, grupos de aventureiros levavam carroças para dentro do Ninho do Diabo para transportar grandes quantidades de materiais. Derrotar Orcs e Javalis Gigantes rendia muita carne, e cortar Ents produzia madeira valiosa — mas carroças eram necessárias para transportar esses itens que podiam pesar centenas de quilos pela floresta.
Existiam magos do atributo espacial capazes de transportar bagagens em subespaços, e também Caixas Mágicas criadas por alquimistas que dominavam esse atributo. Mas ambos eram raros, então a grande maioria dos aventureiros não tinha acesso a esses recursos.
Assim, os membros da força de extermínio presumiram que aquelas marcas de rodas haviam sido deixadas por tais aventureiros.
Eles só descobririam que essa suposição estava errada duas semanas depois. Até lá, o Marechal Palpapek e o Visconde Balchesse já estavam cada vez mais impacientes, e a tensão na força de extermínio praticamente havia desaparecido.
— Há marcas de rodas de carroça levando para fora do Ninho do Diabo?! Por que ninguém percebeu isso antes?! —
Gordan gritou de raiva com o subordinado que lhe trouxera essa notícia.
— Como as marcas estavam indo na direção completamente oposta à cidade, em direção à Cordilheira da Fronteira, ninguém deu importância. E embora Vampiros possam usar carroças, ninguém imaginou que os Ghouls iriam… —
Monstros como Goblins e Orcs geralmente não usavam carroças. Não, eles não sabiam usar. Não possuíam o conhecimento necessário para construí-las.
Monstros como Vampiros, que se escondem em meio à sociedade humana e atraem humanos para colaborarem com eles, tinham meios de obter carroças. Mas nos raros casos em que Goblins ou Orcs possuíam carroças, era porque as haviam saqueado de humanos.
Eles usavam as carroças de forma rude, sem saber fazer manutenção, e frequentemente comiam os animais usados para puxá-las, então as carroças geralmente quebravam e eram abandonadas ou desmontadas para servir de material na construção de casas.
Mesmo que os Ghouls fossem muito mais inteligentes do que Goblins e Orcs, o mesmo raciocínio deveria se aplicar a eles. Foi por isso que nem mesmo os aventureiros mais experientes imaginaram que os Ghouls estavam usando carroças para transporte.
Os cavaleiros e soldados, que haviam sido instruídos a ouvir os conselhos dos aventureiros, pensaram exatamente da mesma forma.
Mas eles haviam procurado e vasculhado o Ninho do Diabo várias vezes sem encontrar um único Ghoul, e os Ghouls nunca atacaram. E havia marcas profundas de rodas de carroça levando para fora do Ninho do Diabo, como se dezenas de carroças tivessem passado todas pelo mesmo caminho.
Havia apenas uma possível conclusão.
— Droga, aquele Dhampir usou carroças para fugir com os Ghouls?! Como ninguém percebeu isso?! Que diabos os espiões estavam fazendo?! —
Riley gritou essas palavras, mas todos sabiam a resposta — inclusive ele mesmo.
Os espiões estavam realmente fazendo vigilância… mas entre o Ninho do Diabo e a cidade.
O Marechal Palpapek estava preocupado com a possibilidade dos Ghouls avançarem sobre a cidade a partir do Ninho do Diabo — não com a ideia de que eles poderiam fugir para a direção oposta, em direção à Cordilheira da Fronteira, ao leste.
Por isso todos os valiosos espiões haviam sido posicionados ao oeste, entre a cidade e o Ninho do Diabo.
— Pensar que o Dhampir, liderando centenas de Ghouls, fugiria sem lutar… Fomos enganados! —
O Alto Sacerdote Gordan deixou escapar essas palavras com um gemido frustrado, e assim a expedição da força de extermínio chegou ao fim.
Mas, exceto por ele e Riley — que perderam a chance de conquistar mais feitos para seus próprios nomes — o restante da força de extermínio retornou à cidade com expressões mais aliviadas do que amarguradas.
Eles também haviam perdido a chance de ganhar dinheiro e glória derrotando os Ghouls, mas haviam coletado uma boa quantidade de materiais, Pedras Mágicas e partes de corpos de monstros como prova de que os haviam derrotado durante a expedição. E como a nação havia financiado os custos da operação, não saíram no prejuízo.
Os cavaleiros e soldados estavam recebendo salários maiores por participarem de uma missão perigosa, e tinham comido carne de Javalis Enlouquecidos e outros monstros que raramente tinham oportunidade de experimentar, então estavam muito satisfeitos.
O Visconde Balchesse estava dançando de alegria por dentro ao ouvir que os Ghouls haviam fugido para a Cordilheira da Fronteira e que a força de extermínio não havia sofrido nenhuma baixa.
Se soldados e cavaleiros tivessem morrido, ele teria que pagar indenizações às famílias e ainda encontrar substitutos para as perdas.
Ele estava um pouco inquieto com o fato de que os Ghouls não haviam sido exterminados e que a ameaça ainda existia.
Mas, além da cordilheira, havia inúmeros Ninhos do Diabo tão grandes que todo o seu território caberia facilmente dentro de um só. E os monstros que habitavam lá não estavam no mesmo nível de Nobres Orcs.
Desde a era dos deuses era dito que inúmeros Dragões — designados como monstros de nível de desastre — viviam naquela região.
Ele sentia que a adição de algumas centenas de Ghouls não faria muita diferença naquele caos.
O Visconde Balchesse estava mais interessado no Ninho do Diabo em forma de floresta, cuja população de monstros havia sido drasticamente reduzida pela força de extermínio de mil homens.
Como já não havia mais monstros poderosos vivendo ali, se os demais fossem caçados e se magos fossem contratados para purificar a Mana corrompida da região, havia a possibilidade de transformar o Ninho do Diabo em terras agrícolas férteis e prósperas.
Com pensamentos como esses ocupando sua mente, ele não tinha muitos neurônios sobrando para se preocupar com os Ghouls e o Dhampir.
— Pensar que eles realmente fugiriam… —
Com uma expressão como se tivesse engolido dezenas de insetos amargos, o Marechal Palpapek enviou espiões para verificar se os Ghouls realmente haviam fugido para a cordilheira, e então voltou sua atenção para outros assuntos.
Agora que os Ghouls haviam escapado, ele teria que travar uma batalha política com o ministro das finanças, que certamente faria reclamações como:
— “Esse orçamento enorme era realmente necessário?”
— “Será que você apenas queria usar os fundos do reino para purificar o Ninho do Diabo no território do visconde e transformá-lo em terras cultiváveis?”
Quem mais se beneficiou com esse incidente foi o Visconde Balchesse, cujo território aumentou e poderia ter um enorme ganho econômico no futuro.
E como o aventureiro que obteve as informações sobre o Dhampir Vandalieu havia simplesmente desaparecido e a expedição terminou em fracasso, nenhuma das informações que ele forneceu foi registrada nos relatórios escritos. O único lugar onde essas informações ainda existiam era na memória de algumas poucas pessoas envolvidas.
Na discussão no dia seguinte à festa da vitória, Vandalieu contou aos Ghouls sobre os humanos que marchariam em direção ao Ninho do Diabo. Naturalmente, a resposta furiosa deles foi:
— “Vamos emboscar esses humanos!”
— “Ficamos mais fortes! Não importa quantos centenas de humanos venham, nós não seremos derrotados!”
Enquanto Vigaro levantava o punho com bravura no ar, muitos dos Ghouls concordavam com ele. Seus níveis haviam aumentado nas batalhas contra os Orcs, e vários deles haviam até mesmo aumentado de Rank.
De fato, a força de combate dos Ghouls havia crescido bastante. No entanto…
— “Desculpe, Vigaro. Não podemos vencer essa batalha.”
Vandalieu declarou que não seriam capazes de vencer os humanos.
— “Por quê?!”
— “Rei, nós somos fortes! Não vamos perder para humanos!”
— “Com você aqui, podemos vencer! Por que está dizendo que não podemos?!”
— “Vamos lutar juntos!”
A opinião dos Ghouls parecia unânime, e Vandalieu escolheu cuidadosamente suas palavras ao responder:
— “Sim, ficamos fortes. Se os humanos atacassem com um número igual ao nosso, venceríamos. Mas, diferente dos Orcs, os humanos vão se preparar adequadamente para nos derrotar, e virão de fora do Ninho do Diabo para nos matar. Desta vez, nós é que estaremos na defensiva.”
Um ataque surpresa como o que fizeram na vila de Bugogan seria impossível.
Os humanos reuniriam tropas numerosas e incluiriam indivíduos de alta qualidade em seu exército.
— “E eles continuarão vindo até que sejamos derrotados. Se vencermos a primeira força de extermínio, eles mandarão outra. E se vencermos essa, mandarão mais uma depois. Isso nunca vai acabar.” —
Mesmo que a primeira força de extermínio fosse repelida com sucesso, a nação-escudo de Mirg certamente não deixaria um grupo tão perigoso de monstros em paz; com certeza enviariam uma segunda força de extermínio.
Se fosse um conflito entre humanos, haveria tentativas de encontrar um meio-termo e suprimir o conflito nesse ponto. Mas os Ghouls eram apenas monstros aos olhos dos humanos. E o Ninho do Diabo ficava a apenas três dias de viagem da cidade. Não haveria negociação.
A menos que os Ghouls fizessem algo contra toda a nação de Mirg, a perseguição não cessaria… Não, o próprio Império Amid interviria antes que Mirg fosse arruinada. Para Vandalieu e os Ghouls, simplesmente não haveria fim.
— “É como o menino diz. Já que os humanos inicialmente reuniram suas forças para exterminar os Nobres Orcs, haverá inúmeros aventureiros e cavaleiros fortes o bastante para terem derrotado aquele chefe Orc.” —
— “Muh…” —
Ao ouvir a opinião de Zadiris, Vigaro não respondeu, apenas emitiu um rosnado baixo.
Mas mesmo enquanto se opunha à proposta de guerra de Vigaro, Zadiris mantinha uma expressão amarga. Eles haviam acabado de defender a vila contra os Nobres Orcs; era natural que ela se sentisse assim.
Os Ghouls nem sequer estavam pensando em atacar a cidade humana. Eles estariam satisfeitos apenas em continuar vivendo no Ninho do Diabo como sempre viveram.
Apesar disso, os humanos os consideravam perigosos e estavam enviando uma força de extermínio para matá-los. Para os Ghouls, isso era extremamente injusto.
E, embora não demonstrasse em sua expressão, Vandalieu sentia vergonha. Sentia-se amargo por não poder realizar o desejo dos Ghouls que ele considerava como sua família — os Ghouls que o amavam tão profundamente.
Se ele pudesse construir dezenas de fortalezas resistentes, erguer um muro de pedra ao redor de todo o Ninho do Diabo e formar um exército de milhares de Golens, ele poderia proteger aquele lugar.
— “E temos pessoas que precisamos proteger.” —
A maioria das mulheres resgatadas estava grávida; elas não estavam em condições de lutar.
Claro, também havia Bilde e outras Ghouls que estavam grávidas de filhos Ghouls.
Ninguém queria expô-las ao perigo.
— “Sim… O que queremos é a sobrevivência da espécie. Devemos escolher uma derrota onde salvamos o maior número de pessoas possível, em vez de uma vitória onde muitos são sacrificados e apenas poucos sobrevivem.”
— disse Tarea com um suspiro.
Com isso, o desejo de guerra dos Ghouls se dissipou completamente.
Ainda havia muitos que realmente queriam lutar. Mas Zadiris era sensata, Vigaro estava em silêncio, e Tarea estava convencida.
Nessa situação, os Ghouls, cuja sociedade era fundada no respeito aos poderosos, não podiam expressar objeções e simplesmente tinham que concordar.
— “Mas o que faremos agora? Esconder-se será impossível, e mesmo que fujamos…” —
Os Ghouls precisavam de um Ninho do Diabo para viver. As capacidades reprodutivas dos Ghouls caíam ainda mais fora desses ninhos, e não haveria presas suficientes para alimentar aquela população.
Também seria muito difícil para eles começar a cultivar a terra e praticar agricultura de repente para obter comida.
— “Eu tenho uma ideia de para onde podemos fugir, embora seja um pouco longe.” —
No entanto, conforme Vandalieu explicou sobre o Ninho do Diabo que os insetos mortos-vivos que ele havia liberado tinham encontrado, caso os Ghouls não conseguissem derrotar os Nobres Orcs, o problema de para onde fugir foi resolvido.
O destino deles era uma ruína de Ninho do Diabo, além da borda oeste da Cordilheira da Fronteira.
O melhor de tudo é que ele descobriu que havia Mortos-Vivos naquele Ninho do Diabo. Por causa da habilidade 【Encanto de Atributo Morte】de Vandalieu, eles instantaneamente se tornariam aliados.
Com isso resolvido, as discussões terminaram rapidamente e os Ghouls começaram imediatamente a se preparar para a grande mudança.
— “UOOOOOOOOOH!” —
O primeiro passo foi desmatar o Ninho do Diabo a ponto de extinguir os Ents que viviam ali. Vandalieu usou a madeira recolhida para fabricar carroças, Carroças Amaldiçoadas, uma após a outra.
『Parece que agora tenho muitos kouhais.』
Os espíritos usados nessas carroças eram de Orcs e outros monstros que haviam sido mortos em grande número alguns dias antes, então não possuíam habilidades como【Condução Precisa】. Mas, desde que fossem carroças resistentes que se movessem sozinhas, isso já era suficiente.
Então, as aventureiras completaram sua transformação em Ghouls. Elas nem tiveram tempo de se acostumar com seus novos corpos antes de serem carregadas, junto com as mulheres grávidas, nas carroças para deixar o Ninho do Diabo.
Vandalieu confirmou, usando Lemures e insetos mortos-vivos, que não havia espiões na direção da cordilheira, então a partida não foi especialmente apressada.
E então veio abril. Já havia se passado mais de um mês desde que os Ghouls deixaram a floresta do Ninho do Diabo.
Como parte do grupo líder dos Ghouls, Vandalieu estava sentado na carroça de Sam.
A estrada era íngreme, mas a jornada estava indo bem, exceto por três problemas.
— “Surpreendentemente, a cordilheira não é nada demais.”
— “Engraçado dizer isso estando completamente enrolado em peles.”
As roupas para o frio necessárias para atravessar a alta cordilheira foram feitas com peles dos animais que caçaram na floresta do Ninho do Diabo.
Os Ghouls eram muito mais resistentes que os humanos, então a maioria não sofria com o mal da altitude.
A energia dos Ghouls diminuiu um pouco desde que deixaram o Ninho do Diabo, mas isso foi compensado pela habilidade【Fortalecer Seguidores】de Vandalieu.
Montanhistas da Terra questionariam se o equipamento atual deles seria suficiente, mas eles podiam dizer isso com orgulho.
A única coisa que tinha mais chance de ser problema do que o equipamento ou os suprimentos era o caminho. Trilhas íngremes e penhascos, que até montanhistas teriam que arriscar suas vidas para escalar, eram frequentes.
— “Garoto, vou deixar o caminho com você.”
— “Ok~”
No entanto, enquanto o Mana de Vandalieu não acabasse, isso não seria um problema.
Depois de transformar a superfície da montanha em Golens, ele podia usar【Transmutação de Golem】para abrir estradas por onde as carroças pudessem passar. Se a estrada fosse estreita, ele alargava; se houvesse penhascos íngremes, ele cavava túneis através deles.
A princípio, Vandalieu pensou em usar a【Transmutação de Golem】e seu Mana para abrir caminho pela força bruta, fazendo túneis por baixo da cordilheira ao invés de atravessá-la por cima. Mas um túnel grande o suficiente para carroças passar poderia desabar, e eles poderiam encontrar reservatórios subterrâneos de água, o que causaria grandes problemas, então ele desistiu da ideia.
E pouco tempo depois que os Ghouls passaram, as estradas voltavam a se transformar em trilhas estreitas e penhascos íngremes.
Preocupado que os espiões da nação-escudo de Mirg pudessem descobri-los, Vandalieu fez com que eles não pudessem ser seguidos, e isso foi um grande sucesso.
De fato, vários dias depois, os espiões enviados pelo Marechal Palpapek, que estavam cerca de um mês atrás de Vandalieu e dos Ghouls, chegaram ao pé da cordilheira. Eles concluíram que uma perseguição mais longa seria impossível e voltaram para a cidade.
Então, se houve algum problema, foram… ataques de monstros, cuidar dos Ghouls enfraquecidos e o aumento repentino de bebês.