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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 77

Abandonando o ducado, incapaz de perdoar o inimigo

— “Espera um pouco, vai lá?” disse o aventureiro, se aproximando casualmente do balcão de atendimento, em frente ao qual Vandalieu estava completamente congelado. — “É a primeira vez que ouço falar dessa mudança na regra. Pode me explicar o que isso significa?”

— “V-você está me atrapalhando. Estou lidando com esta criança no momento —” começou a recepcionista.

— “Eu tenho algo a dizer sobre como vocês estão lidando com ele. Pode chamar o Mestre da Guilda para mim?” disse o aventureiro.

— “Você está me atrapalhando,” repetiu a recepcionista. — “Se quiser fazer uma reclamação à Guilda, por favor, quando for sua vez, fale com um dos funcionários aqui no balcão de atendimento.”

— “Eu sou o aventureiro classe A Heinz. Gostaria de solicitar uma reunião presencial com o Mestre da Guilda, sob a autoridade de um aventureiro classe A.”

Heinz. Era Heinz.

Vandalieu virou a cabeça como se estivesse num eixo rangendo, olhando para o aventureiro que estava ao seu lado.

Era um jovem bem-apessoado e de personalidade forte, com cabelos loiros e olhos azuis. Tinha por volta dos vinte e poucos anos. Já dava para ver, só pelo seu aspecto e equipamentos, que ele não era uma pessoa comum.

Embora a voz tivesse mudado um pouco, era a mesma que Vandalieu tinha ouvido em Evbejia, e ele correspondia à descrição física dada por Riley.

O inimigo da mãe, o Espadachim de Chama Azul, Heinz!

Ele era uma daquelas pessoas que Vandalieu absolutamente precisava matar. Vandalieu ouvira que Heinz havia passado para o Reino de Orbaume, mas jamais imaginara que ele estivesse no Ducado de Hartner, nem que encontraria ele naquele momento.

A ressurreição de Darcia era algo absolutamente necessário para a “busca da felicidade” de Vandalieu. E quem interferisse nisso precisava ser eliminado. Por isso ele mataria Heinz.

Vender sua mãe para um fanático que cultuava Alda fora só mais um favor a Heinz. Não importava se as ações dele eram completamente normais e legais naquele país.

Não importava o que Heinz estivesse pensando e fazendo agora.

O problema era o futuro, o que estava por vir. Ele já havia vendido Darcia para um fanático religioso uma vez. Por que Vandalieu deveria acreditar que ele não faria isso de novo? Se ele já havia mudado de ponto de vista uma vez, quem garantia que não mudaria outra vez?

Para reduzir essas possibilidades a zero, Heinz precisava ser morto e destruído.

Agora era uma boa oportunidade para isso.

Claro, Vandalieu não podia fazer nada chamativo em um lugar como aquele, onde as pessoas estavam observando. Ele sabia disso. Poderia simplesmente envenená-lo ou infectá-lo com alguma doença.

Deveria transformar sua respiração, uma pequena quantidade de saliva ou as substâncias secretadas pela pele em veneno? Deveria ‘acidentalmente’ tocar Heinz e infectá-lo com algum patógeno?

Vandalieu começou a pensar nesses planos, mas toda vez que pensava nisso, ouvia os avisos do Sentido de Perigo: Morte em sua cabeça.

Se ele tentasse envenenar Heinz, ele seria morto. Se ele tentasse infectá-lo com patógenos, ele seria morto.

De qualquer jeito, quem morreria não seria Heinz, mas Vandalieu.

Impossível, esse cara é invencível, imortal ou algo assim?!

Ele era completamente diferente de quando trabalhava para o Alto Sacerdote Gordan. Vandalieu ficou pasmo com essa mudança, mas não podia negar a realidade diante de seus olhos nem a magia de atributo morte que o havia salvo até agora.

Entendi; esse é um aventureiro classe A digno de se tornar classe S como Mikhail, aquele que foi forte o bastante para matar Borkus e os outros num instante.

Alguém que derrotaria aventureiros classe A, que supostamente eram super-humanos, com facilidade. Um super-humano que transcende super-humanos.

Heinz era completamente diferente de Riley, cuja alma fora quebrada por Vandalieu após sua derrota para Borkus. E diziam até que Heinz era muito mais abençoado em aliados do que Riley jamais fora.

Vandalieu moveu os olhos e olhou muito além de Heinz para ver que havia mais cinco pessoas ali. Dois deles correspondiam às descrições que ele ouvira de Riley.

A anã portadora de escudo de cabelo azul, Delizah. O batedor de cabelos pretos e olhos negros, Edgar. Os outros dois talvez fossem membros novos do grupo, uma elfa com maça e roupa de sacerdotisa, e uma jovem que parecia uma lutadora desarmada.

Heinz não os teria escolhido só pela aparência, então provavelmente eles também eram classe A e B, no máximo C.

Esse devia ser o novo ‘Cinco Lâminas Coloridas’ com dois membros novos no lugar de Riley e da maga espiritual elfa que aparentemente morreu numa masmorra.

A quinta integrante extra, uma garota da idade de Vandalieu ou até mais nova, que se escondia meio atrás de Delizah, provavelmente não era membro do grupo. Seria irmã mais nova de alguém?

Ah, que problema. Eles são o pior tipo de inimigos para mim.

Mesmo excluindo a garota, dava para ver só de olhar para os outros quatro. Era por causa dessas pessoas que Vandalieu não tinha nem uma fração de porcentagem de chance de matar Heinz.

Eles olhavam para Heinz com sorrisos irônicos e expressões de exaustão, murmurando palavras como “Que saco,” e “Lá vamos nós de novo.” Mas se algo acontecesse com Heinz, eles o protegeriam com rapidez e precisão.

Se Heinz lutasse contra Vandalieu com esses membros do grupo ao lado, não havia dúvida de que usaria a habilidade de coordenar com eles para desferir um golpe capaz de atravessar as barreiras de Vandalieu.

Envenená-los ou infectá-los com patógenos seria inútil. Diferente dos soldados do exército de expedição da nação-escudo de Mirg, eles estavam preparados para lidar com monstros de alto Rank que causavam efeitos de status com seus ataques. Eram diferentes até mesmo do arrogante Riley.

Eles eram ridiculamente fortes. Seus reservatórios de Mana não importavam. Se Vandalieu fosse um elefante enorme, eles eram formigas capazes de matar tal elefante.

Não tenho escolha. Preciso suportar essa humilhação por enquanto. Não posso morrer; tenho coisas para fazer. Vou me contentar em poder ver o rosto desses caras de perto. Vou me reagrupar com Eleanora e os outros e… Hã? O que esses caras estão fazendo… O que Heinz está fazendo?

Vandalieu, que até estava usando sua habilidade Processamento de Pensamento em Alta Velocidade para se imergir nos próprios pensamentos, tentando suportar o sentimento de impotência e humilhação que atormentava todo o seu corpo, foi repentinamente despertado ao começar a processar a informação que chegava pelos seus ouvidos.

— “Por favor, aguardem, o Mestre da Guilda está fora do escritório no momento —”

— “Então deveria haver um Submestre aqui. As regras dizem que, quando o Mestre da Guilda está ausente, um dos dois Submestres deve sempre permanecer dentro da Guilda. Ou essa regra também mudou?”

Heinz estava agora discutindo não com a recepcionista, mas com um funcionário homem que parecia ser superior dela. Mas a situação estava pior para o funcionário.

— “I-isso é…”

— “Eu sei que não adianta dizer isso para você,” disse Heinz. “O mesmo vale para o Mestre da Guilda da filial de Niarki. Mas há algo que eu quero que o Mestre da Guilda escreva. Quero que ele escreva uma carta de apresentação para que eu possa me encontrar com o Mestre da Guilda da sede da Guilda dos Aventureiros do Ducado de Hartner.”

— “S-se o nosso Mestre da Guilda escrever algo assim, isso não significa que ele está endossando você?!” disse o funcionário.

Heinz pressionou ainda mais. — “Então, ele não pode fazer isso? Mesmo que ele possa aprovar uma mudança de regra tão sem sentido?”

— “E-está não é uma decisão que um mero funcionário possa tomar!” protestou o funcionário.

— “Qualquer funcionário da Guilda sabe que essa mudança de regra sem sentido é uma decisão sem compromisso tomada pelo Lorde Belton para ganhar o apoio das igrejas, incluindo a Igreja de Alda, porque ele não consegue o apoio do exército do ducado na disputa familiar,” disse Heinz. “É algo que eu poderia perceber imediatamente, afinal.”

Aparentemente, muitos dos atuais líderes importantes da Igreja de Alda no Ducado de Hartner eram fundamentalistas, e não membros da facção pacífica.

— “Crianças com sangue de monstros são perigosas, então não podem ser julgadas por um único exame. Elas podem perder o controle a qualquer momento, então deixá-las entrar na escola dos aventureiros também é perigoso. Vocês realmente acreditam nessas coisas?” Heinz perguntou.

Quanto mais Heinz falava, mais pálido o rosto do funcionário ficava, e mais ele tentava evitar o contato visual. Provavelmente ele concordava secretamente com as palavras de Heinz. Parecia que o mesmo valia para os outros funcionários e recepcionistas.

Os outros aventureiros presentes manifestaram concordância.

— “Qual é o problema? Vocês só têm que entregar uma mensagem!”

— “Isso mesmo, isso mesmo! As portas da Guilda dos Aventureiros estão abertas para todos, não estão?!”

— “Vocês não vão começar a nos barrar, bestas, não é?”

Então, o funcionário pareceu tomar uma decisão.

— “Entendi,” disse ele. “Mas a única coisa que posso fazer é passar a mensagem para o Mestre da Guilda.”

— “Eu sei,” disse Heinz. “Isso já é suficiente.”

— “Aviso… Como aventureiro classe A, você já tem mais influência do que um nobre inferior,” disse o funcionário. “Suas intenções serão conhecidas pelos lordes. Mas não se esqueça que cabe a eles decidir como interpretar suas intenções.”

— “Eu sei disso também,” disse Heinz. “Não como membro da facção pacífica de Alda, mas como aventureiro, acredito que a Guilda não deveria obedecer à vontade dos políticos. Era só isso que eu queria dizer. ‘As portas da aventura estão abertas para membros de todas as raças’… Não deveríamos ignorar as palavras do fundador, deveríamos?”

— “Eu também gosto dessas palavras,” disse o funcionário. “Agora, vou enviar um mensageiro para o Mestre da Guilda, então, com licença. Você teve sorte, não foi?” ele disse, sorrindo para Vandalieu.

Com as palavras do funcionário, o cérebro de Vandalieu finalmente começou a funcionar de novo.

Sorte? Por quê? Porque ele conseguiu ver a aparência do seu inimigo e parte do seu poder? Não, não era isso…

Seria… Heinz me ajudando? Impossível!

Vandalieu direcionou o olhar para Heinz, que lhe deu um aceno com um sorriso confiante e tranquilizador. Como quem diz: “Deixe comigo.”

No entanto, ao invés de ficar tranquilo, Vandalieu estava enlouquecendo.

Por que eu tenho que ser ajudado?! Não mexa comigo!

Será que é algum tipo de armadilha?! Tem outro lado nisso, tem outro lado nisso, tem que ter!

— Tem algo estranho nisso tudo, é esquisito, não estou convencido!

Sentindo uma sensação desagradável que fazia seu cérebro, espírito e até sua alma parecerem estar se tornando uma meleca, Vandalieu não conseguia organizar seus pensamentos. As habilidades Processamento de Pensamento Paralelo e Processamento de Pensamento em Alta Velocidade só aumentavam sua confusão; ele não conseguia se acalmar.

— “Puxa vida. Quem foi que disse que ele não se interessa por política? No momento em que terminamos nosso pedido de escolta e chegamos na cidade, acontece isso. E agora você ainda planeja reclamar com o próximo duque e com o Mestre da Guilda da sede do ducado,” disse um dos companheiros de Heinz.

— “Mas Edgar, ele tem falado isso o tempo todo, não tem? Que os ensinamentos de Alda deveriam ser mais pacíficos. E até romper com o Riley para vir para este país foi ideia do Heinz –”

— “Mas eu me lembro de ouvir que o objetivo desse grupo era limpar completamente a Dungeon errante, o Julgamento de Zakkart,” disse uma terceira companheira, uma mulher.

— “Por favor, não diga isso,” disse outro membro do grupo. “Ou você está querendo dizer que acha que as palavras do Heinz estão erradas, Jennifer?”

— “… Não era isso que eu queria dizer,” disse a mulher chamada Jennifer.

Vandalieu podia ouvir os companheiros de Heinz conversando como se nada pudesse ser feito, embora nenhum deles demonstrasse qualquer sinal de discordar das palavras de Heinz.

— “Ei, o Heinz é o que pertence à facção pacífica de Alda?”

— “Isso mesmo. Ouvi dizer que na nação-escudo de Mirg ele presenciou a tragédia de um certo Dhampir e sua mãe, e por isso ele veio para este país.”

— “Hã. Então é por isso que ele está ajudando um Dhampir agora. Aventureiros-samas classe A realmente são outra coisa.”

Vandalieu podia ouvir as vozes de outros aventureiros.

Resumindo, Heinz e seus companheiros mudaram de opinião quando viram a mãe queimar na fogueira depois que a capturaram e entregaram. Agora eles fazem parte da facção pacífica de Alda e trabalham no Reino de Orbaume. Então é por isso que estão ajudando um Dhampir? Ajudando…

— “Está tudo bem,” disse a garotinha que estava com os companheiros de Heinz. Ela estava bem à frente de Vandalieu, que, apesar de seus pensamentos internos, parecia simplesmente estar parado ali imóvel.

Ela pegou a mão dele enquanto continuava falando.

— “Heinz-oniichan vai ajudar você. Assim como ele me ajudou!” ela disse, rindo. Um dos olhos dela era vermelho sangue, diferente do outro.

— “Ah…”

A mão de Vandalieu tremia.

— “Uu…”

Náusea, dor de cabeça e um desconforto como ele nunca havia sentido em suas três vidas atravessaram seu corpo.

— “Kyah?!” a garotinha exclamou surpresa.

Incapaz de suportar mais, Vandalieu sacudiu a mão dela para se soltar. Ao fazer isso, ele manteve as garras recolhidas e controlou a força para não machucá-la.

Esse foi o limite do que ele conseguiu conter.

— “Ei, você?!” assustado, Heinz estendeu a mão para Vandalieu.

Mas Vandalieu colocou todo seu esforço para aumentar a distância entre ele e Heinz o máximo possível. Usou os quatro membros para se impulsionar pelo chão e usou o Voo de maneira a forçar seus órgãos internos ao extremo.

— “O-oi! Espera um pouco!”

— “O que aconteceu?!”

Ignorando as vozes surpresas dos companheiros de Heinz e dos outros aventureiros, Vandalieu usou o ombro para arrombar a porta da Guilda e fugiu!

Vandalieu estava sentado no chão, olhando para suas mãos tremendo.

Ele já estava fora da cidade de Niarki; provavelmente dentro de uma floresta ou mata próxima. Era improvável que tivesse viajado muito longe.

Ele não tinha nenhuma lembrança de como saiu da cidade depois de deixar a Guilda. Era possível que ele tivesse criado um buraco na muralha externa para escapar.

“Ah… Guh… oh…”

A mente de Vandalieu estava em um caos tão grande que ele nem teve tempo para se preocupar com essas coisas. Sentia como se todo o seu corpo fosse apodrecer, tomado pela raiva, humilhação e impotência que sentia.

Ele não conseguiu derrotar seu inimigo de forma alguma. Sabia, mesmo sem enfrentá-lo, que aquilo terminaria em derrota total. Antes, ele havia imaginado que essa seria a maior humilhação possível.

Mas existia uma humilhação ainda maior. Ser piedosamente tratado pelo inimigo — por Heinz. Vandalieu quase foi ajudado por ele.

Foi uma ação que pisoteou o orgulho de Vandalieu.

Mas o que Vandalieu considerou mais imperdoável foi o motivo pelo qual Heinz tentou ajudá-lo.

Heinz tentou ajudá-lo porque ele era um Dhampir.

Heinz mudou seu modo de pensar e passou a fazer parte da facção pacífica de Alda depois de ver a mãe de Vandalieu, que ele mesmo havia capturado e entregue a um fanático como parte de uma missão, ser torturada e queimada viva em público.

— “Não… fode… comigo!”

Logicamente, fazia sentido o motivo de tudo ter acontecido assim. Heinz provavelmente não sabia que Vandalieu havia sobrevivido. Ele acreditava que Vandalieu havia morrido há muito tempo.

A existência de Vandalieu era conhecida por pouquíssimas pessoas — alguns indivíduos da nação-escudo de Mirg e do Império Amid, além dos Vampiros de Sangue Puro. Não era estranho pensar que Heinz não soubesse que ele estava vivo.

Por isso ele estava tentando se redimir por seus atos passados. Era uma história comum, encontrada tanto em livros de ficção quanto de não-ficção na Terra.

Para pedir desculpas às pessoas que haviam matado, eles viviam e buscavam redenção.

Salvavam o máximo de pessoas que podiam, em contrapartida às que haviam matado.

Sentindo culpa pelos civis inocentes das nações inimigas que haviam morto em guerra, passavam o resto de suas vidas buscando expiação.

Não era nada incomum ou estranho.

Os exemplos que Vandalieu mais lembrava vinham justamente de obras de ficção.

O erro de alguém causava a morte de outro, mas sem punição legal. Mesmo assim, essa pessoa se sentia atormentada por isso, e então o protagonista do drama ou mangá dizia a ela: “Continue ajudando os outros até o dia em que possa perdoar a si mesmo.”

Os protagonistas diziam aos ex-vilões: “Redima seus erros com suas ações futuras.”

Heinz estava se redimindo pelos erros cometidos contra Darcia e Vandalieu. Colocava em prática os ensinamentos pacíficos que acreditava serem corretos, e havia salvado aquela garotinha Dhampir.

Ninguém o havia pedido para se redimir, e mesmo assim ele o fazia, de uma forma que não tinha relação direta com Darcia ou Vandalieu.

— “Não mexa comigo…!”

Então, Vandalieu deveria perdoá-lo? Deveria parar de culpá-lo? Deveria parar de tentar matá-lo?

Nem pensar. Não havia a menor chance de Vandalieu sequer considerar aceitar algo tão absurdo.

Imagine se houvesse um assassino em série estrangeiro que matou inúmeras pessoas em certo país e depois salvou, em seu próprio país, tantas pessoas quanto matou. Se Vandalieu tivesse que perdoar Heinz nessa situação, então as famílias das vítimas do assassino em série também deveriam perdoá-lo, não deveriam?

Se Vandalieu salvasse tantas pessoas no Reino de Orbaume quanto matou na nação-escudo de Mirg, as famílias enlutadas da nação-escudo de Mirg o perdoariam? Com certeza não. Não haveria como.

Não haveria milhares de pessoas incomuns que o perdoassem.

Mas se tudo fosse esclarecido, todas as pessoas no Reino de Orbaume diriam a Vandalieu que ele deveria perdoar Heinz.

Eles diriam para perdoá-lo porque ele salvou muitas pessoas, porque fez grandes feitos. Porque ele era um herói.

Porque a partir de agora ele salvaria ainda mais pessoas, aliviaria o sofrimento de milhares, de dezenas de milhares. Ele faria as pessoas mais felizes.

A existência de Heinz era benéfica para a nação.

Eles diriam a esse único Dhampir, que o odiava por matar uma única pessoa, sua mãe, para perdoá-lo.

Isso seria considerado normal e inegavelmente correto em qualquer mundo.

O fato de Darcia ter sido morta, o ódio fervendo dentro de Vandalieu, tudo isso se tornaria detalhes na comovente história de Heinz. Perdoá-lo seria o correto a se fazer.

Perdoar Heinz, que andava por aí salvando Dhampirs como aquela garotinha sem que ninguém pedisse, era pelo bem da felicidade de todos.

E isso também se tornaria mais um detalhe a ser acrescentado à história de Heinz.

… Como Vandalieu poderia perdoá-lo!

『O nível da habilidade Mente Grotesca aumentou!』

『Você adquiriu a habilidade ■ab■■■st■■on】!』

Mas Vandalieu resistiria por enquanto.

Heinz acreditava que suas ações eram uma forma de redenção, mas até mesmo esses feitos ele usava para ganhar mais popularidade. No entanto, Vandalieu atualmente não conseguia derrotá-lo.

Mesmo que usasse magia de atributo morte e todo tipo de habilidade, mesmo que pedisse ajuda a Eleanora e aos outros, não importava o que fizesse, ele não podia vencer.

Isso era vingança. Para Vandalieu, essa vingança era um processo necessário para alcançar sua própria felicidade. Não era o resultado.

『O nível da habilidade Mente Grotesca aumentou!』

『O nível da habilidade ■ab■th■str■on】aumentou!』

Mas esse ódio não podia ser contido. O fogo do ódio não podia ser apagado; Vandalieu sentia como se seu coração fosse congelar no lugar pelo frio do medo!

— “Ei, ali! É esse!”

— “Rápido, capturem! Esse moleque tinha moedas de prata; deve ter mais algumas!”

— “Deixe comigo, Oba-san.”

Foi por isso que Vandalieu fugiu daquele lugar. Foi por isso que ele deixou a cidade e veio para um lugar assim.

Ele tinha certeza de que ninguém se envolveria.

— “Não esperava que o encontrássemos tão rápido. Finalmente tivemos sorte!”

— “Tenho certeza que é porque estamos nos comportando bem todos os dias. Não pensem mal de nós. Por causa da crise econômica, vender frutas não dá pra me sustentar. Mas com sua aparência, quem comprar vai cuidar bem de você.”

— “Esse moleque é menino ou menina? Se for menina, não dá pra vender por muito, sabia?”

— “Não, ela tem olhos de cores diferentes. Se falarmos pro comprador que é um Dhampir, será que pagam mais?”

— “Nem adianta. E se aquele problemático aventureiro-sama de classe A se meter nisso?”

— “Falando nisso, o Salvador veio para essa cidade. O nome dele era ‘Heinz’, ou algo assim, né?”

Heinz, aquele que Vandalieu tanto odiava, era Heinz!

— “Chega de conversa. Amarrar o moleque e levar de volta para a cidade!”

A mulher de meia-idade que vendia maçãs na feira se aproximou de Vandalieu, que estava ajoelhado na terra, completamente imóvel.

『Você adquiriu a habilidade Grito!』

— “Ah…■■…■…”

Surpresa com o som ininteligível que Vandalieu fazia e achando que fosse uma espécie de encantamento, a mulher e os homens com ela tentaram rapidamente agarrá-lo.

Naquele momento, se eles tivessem feito o possível para fugir, poderiam ter sobrevivido.

— “■■■■■■■■■■!”

Um grito aterrorizante saiu da boca de Vandalieu.

『Os níveis das habilidades Grito, Intromissão Mental e Construção de Labirinto aumentaram!』

A mulher e os homens gritaram, como se reagissem ao ‘Grito’ de Vandalieu.

A cor desapareceu de seus cabelos e a luz da consciência sumiu de seus olhos.

— “■■■■■■■■■■■■■■!”

Mas a mulher de meia-idade e os capangas liderados por seu sobrinho não estavam mortos. Eles se mexiam vigorosamente. Colocavam os dedos nos ouvidos tentando escapar do grito, mordiam suas línguas até rasgá-las e arrancavam os próprios olhos.

Mas como se ainda não bastasse, usavam os olhos que deveriam estar cegos para se encontrar, agarrar um ao outro e começar a se matar.

— “ÓDIO! ÓDIO! O QUE EU ODEIO?!”

— “ME MATE! MATE ELE! MATE QUEM?! MATE TODOS E ELE?!”

— “MEUS OUVIDOS, MEUS OLHOS, MINHA LÍNGUA, MINHAS MÃOS, MINHA CARNE, MEUS ÓRGÃOS, ELES ME NOJAM!”

— “■■■■■■■■■■■■■■!”

Enquanto Vandalieu sentia uma sensação de libertação, como se a escuridão acumulada em seu coração tivesse sido liberada para o ambiente ao seu redor, ele perdeu a consciência.

Sentindo-se bem, Vandalieu abriu os olhos.

Olhou para o céu e viu que ainda era início da tarde. Ele havia ido até a Guilda dos Aventureiros antes do meio-dia, então deveria ter se passado apenas uma ou duas horas, mas ele estava com um humor leve, como se tivesse acordado após uma noite de sono tranquila.

— “Mas estou me sentindo realmente cansado? Uma sensação agradável de fadiga?” Confuso, Vandalieu conferiu seu Status e viu que quase não tinha Mana restante. O que ele havia feito enquanto dormia? Embora houvesse manchas de sangue ao redor, não havia mortos-vivos.

— “Vandalieu-sama, você está bem?!”

Nesse momento, Eleanora desceu do céu e o pegou nos braços com força.

— “Ah, sim. Não tenho muita Mana sobrando, porém. Aliás, o que exatamente aconteceu aqui?” perguntou Vandalieu.

— “Isso é o que eu quero saber!” respondeu ela. “Você disse que terminaria rápido, então nos escondemos e esperamos, só para ver você sair correndo da Guilda, voar sobre as muralhas externas e desaparecer! Nem conseguimos entrar em contato com você! Você tem ideia do quanto ficamos preocupados?!”

— “Desculpem… por deixá-los preocupados,” disse Vandalieu, repousando seu peso no abraço firme de Eleanora.

Depois de usar o dispositivo de comunicação em cabeça de Goblin para contatar Braga e os outros que procuravam em outros lugares, Vandalieu explicou tudo em ordem cronológica.

— “Vandalieu-sama, vamos conquistar e destruir este reino.” Essas foram as primeiras palavras de Eleanora ao final da explicação. Seus olhos estavam vidrados; ela não parecia estar brincando.

— “Não, não podemos vencer Heinz agora,” disse Vandalieu. “E mesmo se pudéssemos, não podemos conquistar e destruir o reino.”

Zran, assim como Nuaza e Borkus, que falavam pelos dispositivos de comunicação, concordavam com a sugestão de Eleanora. Provavelmente Sam e Zadiris também não discordariam.

— “Por quê?! Vamos exterminá-los!” disse Zran.

— “Filho Sagrado! Eles não são humanos! São meros montes de excremento com forma humana! Incorporações vivas do mal!” exclamou Nuaza.

Borkus rugiu. — “Vamos matar todos eles, garoto!”

Borkus e os outros Titãs Mortos-vivos haviam descoberto a traição da Casa Hartner há duzentos anos. Dizer que suas opiniões favoráveis haviam despencado seria pouco; parecia que haviam caído até o fundo do abismo.

— “Fico feliz que todos vocês estejam dispostos a se zangar por mim. Mas existem quase tantos bons quanto maus na Casa Hartner,” disse Vandalieu. — “Certo, Braga?”

Surpresos, Eleanora e Zran olharam para os Goblins Negros e seus parceiros que estavam com eles.

— “N-nós já abandonamos nossa terra natal,” disse Marie.

— “Por favor, não se preocupe com isso,” disse outra garota.

Vandalieu explicou que os libertaria com dinheiro suficiente para viver por alguns meses, desde que mantivessem seus segredos, mas eles decidiram seguir Braga e os outros Goblins Negros.

Eles sentiam uma profunda gratidão por Vandalieu, pois ele os curara do vício em drogas e removido as coleiras e tatuagens de escravos com magia.

Claro, tinham seus próprios interesses em mente, e talvez nem acreditassem que Vandalieu realmente os libertaria.

Mas escolheram ir para Talosheim, e, diferente dos membros do exército de expedição da nação-escudo de Mirg, era definitivamente possível fazer as pazes com eles.

Assim, essas garotas nascidas na Casa Hartner agora eram cidadãs de Talosheim… Bem, um terço das garotas que trabalhavam no bordel eram refugiadas do Ducado de Sauron, mas isso não era motivo para preocupação.

Dizer que todos na Casa Hartner deveriam ser mortos e que eram todas incorporações do mal diante dessas garotas as deixaria desconfortáveis.

— “… Foi mal,” disse Zran. — “Perdi a calma ali.”

— “De fato, peço desculpas,” disse Eleanora às garotas. — “Também não desconhecia que muitas das circunstâncias de vocês estavam fora do seu controle.”

— “Não, eu também não podia falar nada. Obrigado, Rei,” disse Braga.

— “De nada,” disse Vandalieu. — “Afinal, eu mesmo cometi um erro ao perder a calma pouco antes.” Vendo que todos pareciam estar mais calmos, levantou-se. — “Mas se continuarmos nos deixando tratar assim, não seremos mais do que presas para as feras. Teremos nossa carne devorada, órgãos arrancados e ossos sugados. Precisamos recuperar o que nos foi roubado e fazê-los pensar que foi um acidente. Quanto ao Heinz…” Ele fez uma pausa. — “Vamos deixá-lo por enquanto. Vamos juntar forças e esperar por uma oportunidade. Ah, e vou desistir do Ducado Hartner,” acrescentou.

Todos olharam para Vandalieu em silêncio, surpresos com sua última frase.

— “Vou desistir de me registrar como aventureiro no Ducado Hartner, trabalhar aqui e fazer comércio com ele no futuro,” explicou.

Era o quanto o Ducado Hartner havia rejeitado os Titãs. Se eles rejeitariam Vandalieu e Talosheim tão fortemente, ele retribuiria e os abandonaria.

— “Ah, exceto as aldeias agrícolas,” acrescentou Vandalieu.

Todos, exceto os parceiros dos Goblins, riram, murmurando: — “Eu sabia.”

— “Aliás, Vandalieu-sama, o que é isso?” perguntou Eleanora. — “Essa pedra sempre esteve aqui?”

— “É… certo que essa não é uma pedra natural,” disse Zran.

Eles olhavam para um enorme rochedo que se erguia atrás de Vandalieu. Era muito maior que uma árvore comum da floresta.

Mas sua forma era mais estranha que seu tamanho.

Tinha o formato de um crânio gigante, e sua boca aberta era grande o bastante para caber uma carruagem dentro.

O interior daquela boca parecia estar conectado a algo. Um ar quente saía de dentro, como se o crânio estivesse respirando.

— “… Ao menos, é algo inofensivo para nós,” disse Vandalieu.

『Os níveis das habilidades Construção de Labirinto, Grito, Recuperação Automática de Mana, Encanto de Atributo Morte e Ultrapassar Limites aumentaram!』

Habilidade Ativa

Grito

Uma habilidade que produz efeitos através de um som emitido. A capacidade dos morcegos de enxergar através de seus gritos e seu sentido especial de audição (ou pelo menos, essa é a interpretação comum em Lambda, embora na verdade seja sonar), os efeitos dos gritos das Mandrágoras e os gritos das Banshees vêm desta habilidade.

Como Vandalieu usa esta habilidade simultaneamente junto com as habilidades Quebra de Alma e Ameaça Mental, além de causar dano ao Mana e ao sentido da audição em uma ampla área, ele também pode realizar um ataque que faz suas vítimas morrerem uma morte terrível em insanidade, caso percam a batalha mental contra si mesmas.

Também pode ser usada simplesmente para fazer a voz do usuário alcançar uma distância maior, sem perder clareza. Isso permite que o usuário faça um discurso (sem precisar de megafone ou microfone).

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