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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo Paralelo 2

O único deus restante dos onze deuses

Alda, o deus da lei e do destino.

O único deus da criação ainda restante em Lambda, excetuando-se os deuses subordinados. O deus que possuía o maior poder — mesmo se comparado aos deuses malignos.

A fonte desse poder residia nos servos e seguidores que o respeitavam e, mais importante ainda, no número de crentes que lhe ofereciam orações.

Ele havia sofrido feridas profundas durante a batalha contra o Rei Demônio e, depois, contra Vida — que deveria ser sua aliada —, mas mesmo assim, o poder de Alda permanecia vasto.

Ele era representado como um velho austero de cabelos brancos segurando um livro pesado, um jovem de olhar severo segurando uma grande foice de julgamento na mão esquerda e uma tocha na direita, ou então como uma lua brilhante.

Todas essas eram formas e símbolos de Alda.

Alda vinha se preocupando com muitas coisas ao longo das últimas dezenas de milhares de anos. E o que mais o preocupava, naturalmente, era o futuro do mundo de Lambda, que tanto amava. Mais precisamente, ele sempre esteve preocupado.

Refletia, ouvia as vozes das pessoas, pensava em como poderia manter o mundo na luz, preservar a ordem, trazer e sustentar a paz…

E também em como espalhar esses ideais entre as pessoas e fazê-las compreendê-los.

Ele sempre pensava nessas coisas.

Contudo, as coisas não haviam corrido bem nessas dezenas de milhares de anos.

“Suponho que isso significa que é hora de revisar a política adotada até agora. É realmente irritante não ter escolha a não ser concordar com as palavras daquele deus da reencarnação. No entanto…”

— murmurou Alda para si mesmo, tentando organizar seus pensamentos.

“Por favor, espere,” disse outra voz.

Curatos, o Deus dos Registros, subordinado e braço direito de Alda, havia aparecido ao seu lado. Curatos era um dos servos (equivalentes a anjos na Terra) criados por Alda pouco após o nascimento do mundo, que ascendeu ao status de deus.

Ele não possuía divindade própria; era apenas o ajudante direto de Alda, o que era simbolizado pelo livro que segurava em suas mãos.

“Meu senhor, não há necessidade de dar ouvidos às palavras de alguém como Rodcorte,” aconselhou Curatos. “Esse ‘desenvolvimento’ de que ele fala não passa de uma desculpa vazia.”

“Acalme-se, Curatos,” respondeu Alda, tentando tranquilizar seu servo.

“Não é que eu tenha reconhecido a necessidade do ‘desenvolvimento’ de que Rodcorte fala.” Rodcorte havia dito a Alda e aos outros deuses, inúmeras vezes, que este mundo era inferior a outros mundos e que era necessário promover seu “desenvolvimento”.

Contudo, tais palavras não tocavam os corações de Alda e seus companheiros; pareciam mais com queixas vagas e sem sentido.

O desenvolvimento e a transmissão da cultura e da arte, a continuação estável de uma civilização… Essas são, de fato, coisas maravilhosas.

Mas para Alda, o deus da lei e do destino, e para seus deuses subordinados como Yupeon, essas não eram prioridades.

Para eles, eram tempos de guerra.

O Rei Demônio e Vida haviam sido derrotados, sim — mas os deuses malignos ainda tramavam nas sombras, enquanto os monstros e as raças criadas por Vida construíam seus ninhos.

A prioridade era clara: combater os deuses malignos, os monstros e as raças criadas por Vida. Qual seria o propósito de priorizar o “desenvolvimento” do mundo em meio a isso?

E então Alda compreendeu a verdadeira intenção por trás da ideia de “desenvolvimento” de Rodcorte: Rodcorte simplesmente desejava que a população deste mundo aumentasse.

Afinal, conforme mais almas entrassem no ciclo de reencarnação, maior seria o poder de Rodcorte. Em contraste, Alda não desejava o crescimento populacional.

Se o número de pessoas aumentasse demais, os recursos necessários para sustentá-las também aumentariam, facções se formariam, novas nações surgiriam… e com isso, surgiria conflito entre elas.

E a manutenção da ordem se tornaria ainda mais difícil.

A ordem já era difícil de manter com a atual população de menos de cem milhões.

Se a população total de Lambda atingisse os bilhões, como Rodcorte desejava, não haveria como prever a magnitude do caos e da desordem que surgiriam.

Era aterrorizante só de imaginar.

“Para começar, ‘desenvolvimento’ não é necessário para a preservação do mundo,” disse Alda. “É absurdo usar outros mundos como exemplo.”

Ele admirava a ciência e a tecnologia que não dependiam de magia, mas será que isso era necessário em Lambda?

Eletricidade, automóveis, pólvora e dinamite, aviões, computadores, bolsa de valores…

Os benefícios trazidos por essas coisas eram certamente grandes, e tornariam a vida das pessoas mais rica e conveniente.

Mas será que os benefícios superavam as desvantagens?

Na verdade, essas mesmas coisas causaram a destruição da natureza em prol da geração de energia. Elas não foram também responsáveis por guerras e conflitos?

Automóveis causavam dezenas de milhares de mortes em acidentes todos os anos.

Pólvora, dinamite e aviões eram usados em guerras.

Computadores davam origem a novos tipos de crimes, e o comércio de ações fazia as pessoas se preocuparem com coisas sem forma física, levando algumas à ruína.

O mais tolo de tudo era que, nos mundos onde essas coisas existiam, ainda não havia um sistema completo para controlar as pessoas que as usavam, e os sistemas que existiam não eram obedecidos.

A magia já existia em Lambda. E havia desvantagens em sua existência: as pessoas já a usavam para se matar. Então por que trazer as sementes de desastres de outros mundos para cá, para aumentar ainda mais os perigos? Era por isso que as palavras de Rodcorte causavam tão pouca impressão em Alda.

Alda simplesmente respondia que cada mundo tinha suas próprias circunstâncias.

E esse também era o consenso entre os demais deuses que o apoiavam.

“Então, qual política o senhor está pensando em revisar?” — perguntou Curatos.

“O sistema de transmigração do Rei Demônio e o sistema de transmigração de Vida… sem a destruição deles, este mundo jamais conhecerá a paz, meu senhor.”

O objetivo de Alda era destruir todos os sistemas de transmigração deste mundo que não fossem o de Rodcorte, trazendo a ruína aos deuses malignos, monstros e às raças criadas por Vida.

O sistema de transmigração criado por Rodcorte e atualmente sob seu domínio — ao contrário do próprio Rodcorte — era perfeito.

Contudo, os outros dois sistemas eram problemáticos.

O sistema de transmigração criado pelo Rei Demônio ainda estava ativo e continuava gerando monstros no mundo.

Os deuses malignos também o usavam para se reencarnar voluntariamente.

Esse sistema até contribuía para as pessoas com a criação de Dungeons, mas era uma única vantagem em troca de cem… não, mil desvantagens.

E não era necessário usar almas para abastecer Dungeons com monstros.

Dungeons podiam ser preenchidas com fantoches sem alma — embora isso exigisse que Ricklent, o gênio do tempo e da magia, despertasse de seu sono.

Já o sistema criado por Vida era um produto altamente instável.

Afinal, tratava-se de uma imitação de uma imitação do sistema original. Era de se esperar que fosse defeituoso. Pelo que parecia, Vida pretendia um dia transferir a transmigração de todos os seres vivos do mundo para esse sistema.

Mas isso teria sido um empreendimento perigosíssimo.

Ela havia cruzado com monstros para criar novas raças, a fim de estabilizar seu sistema, e deu origem aos Vampiros parcialmente para ajudá-la nesse esforço.

Mas confiar as almas das pessoas do mundo a um sistema tão instável era impensável.

“Muitas almas corajosas lutaram pelos seus ideais,” disse Curatos.

Ele havia “registrado” toda a história até aquele ponto.

Portanto, era alguém que usava o passado como referência ao tomar decisões.

Alda lançou um sorriso amargo para Curatos.

“Não estou considerando desistir de acabar com a loucura de Vida,” ele disse.

“Estou apenas pensando em revisar a maneira como venho fazendo isso.”

Curatos soltou um suspiro de alívio.

E então começou a tentar registrar os pensamentos de Alda.

“Como o senhor pretende revisar seus métodos?” — perguntou Curatos.

Até agora, a abordagem de Alda era tornar seus ensinamentos claros e então deixar que as pessoas escolhessem como colocá-los em prática.

Afinal, os deuses são guias, não governantes.

Nesse ponto, Alda até concordava com os deuses de outros mundos.

Os ensinamentos de Alda diziam que os deuses malignos e as raças criadas por Vida deveriam ser exterminados, assim como todos que não seguissem sua doutrina.

E também afirmavam que era proibido confiar no conhecimento vindo de outros mundos, como as invenções deixadas por Zakkart.

Esses ensinamentos eram transmitidos através de mensagens divinas para os fiéis mais capazes. Contudo, o conteúdo das mensagens divinas era frequentemente distorcido à medida que se espalhava, e havia muitos casos em que não eram colocados em prática corretamente.

Um exemplo recente disso havia ocorrido na igreja principal de Alda, no Império Amid.

A prioridade dada à extinção das raças de Vida e ao conhecimento de outros mundos ultrapassava em muito a prioridade do extermínio dos deuses malignos e seus seguidores.

O Império estava explorando politicamente esses ensinamentos, e por causa disso, Hihiryushukaka, o Deus Maligno da Vida Alegre, estava conseguindo expandir sua influência nas sombras.

“Eu lhes direi exatamente o que deve ser priorizado,” disse Alda.

“Até agora, eu esperava que as pessoas tomassem as decisões certas por si mesmas… mas parece que estive desejando algo do passado por tempo demais.”

“Uma decisão inevitável,” concordou Curatos.

“Afinal, o senhor está longe de ser onisciente e onipotente.”

“Exatamente. Mesmo deste Reino Divino, há muitas coisas que não posso enxergar.

Foi por isso que esperei que as pessoas interpretassem minha mensagem divina de maneira adequada. No entanto…”

— Então, o que o senhor gostaria que eles priorizassem? — Curatos perguntou novamente a Alda. — Seria a extinção das raças geradas por Vida, afinal? Ou talvez você limitasse os alvos às criaturas impuras que têm sangue monstruoso correndo em suas veias?

A influência das raças criadas por Vida havia diminuído bastante nos últimos cem mil anos. Poucas delas tinham suas próprias nações independentes, e mesmo essas contavam com populações na escala de alguns milhares de habitantes.

Havia exceções, como os Vampiros Puro-Sangue, mas, em geral, eles não reuniam muita força concentrada. Esmagar cada raça individualmente para exterminá-las seria relativamente simples.

Por isso, Curatos supôs que Alda priorizaria isso.

— Não, Curatos — disse Alda. — Planejo dizer ao povo que a batalha contra os deuses malignos deve ser prioridade.

— Meu senhor! Ainda há muitos que mantêm sua força, incluindo o Deus Maligno da Vida Alegre. Bellwood-dono ainda está adormecido após sua luta contra o Deus Maligno das Correntes Pecaminosas. Isso é aceitável? Como Curatos mencionou, os deuses malignos preservaram sua força melhor do que as raças criadas por Vida. Não só havia aqueles como o Deus Maligno da Vida Alegre, que estenderam suas raízes nas profundezas da sociedade, mas também os que haviam formado grandes hordas de monstros que os adoravam, além daqueles que estabeleceram suas próprias nações de seguidores em ilhas afastadas dos continentes.

— Tenho certeza de que a batalha contra os deuses malignos será feroz e dura — disse Alda. — Porém, se a extinção das raças de Vida for priorizada, os deuses malignos irão tirar proveito disso.

— Você registrou os acontecimentos que acometeram a Lança Divina do Gelo, Mikhail, não é? — perguntou Alda.

Mikhail, a Lança Divina do Gelo, era um herói que vinha chamando a atenção de Alda nos tempos recentes. Ele vinha colocando em prática a doutrina de Alda e os ensinamentos do Campeão Bellwood. Alda planejava recebê-lo algum dia para servir como espírito heroico, ou, dependendo de suas conquistas, como um deus heróico como Bellwood, mas…

— Sim, eu os registrei — respondeu Curatos. — Esse valioso indivíduo nos foi roubado pela escuridão. O espírito de Mikhail fora roubado por algo. Provavelmente, obra dos subordinados do Deus Maligno da Vida Alegre, ou dos subordinados de algum deus maligno que assombrava a região além da Cordilheira da Fronteira.

— Seja quem for, esses deuses malignos se aproveitaram do conflito entre Vida e eu para seus próprios fins — disse Alda. — Sendo assim, o extermínio desses deuses deve ser prioridade sobre o extermínio das raças enfraquecidas criadas por Vida.

Além disso, algumas dessas raças já conquistaram seu lugar entre o povo.

Entre as raças criadas por Vida, Titãs, Homens-Besta e Elfos Negros já haviam estabelecido sua existência entre as pessoas.

Camponeses, escravos, trabalhadores braçais, mineiros, prostitutas, aventureiros, artesãos. A maioria estava nas posições mais baixas da sociedade, mas havia também nobres e membros da realeza entre eles.

Por não serem maus por natureza, não eram poucos os países que os aceitavam como parte de suas sociedades.

— Mesmo que eu ordenasse que fossem destruídos sem piedade, minha verdadeira vontade não seria transmitida. Afinal, o povo não pode ser informado sobre os sistemas de transmigração.

Se Alda instruísse o povo a matar seus vizinhos virtuosos apenas por pertencerem às raças criadas por Vida, ele seria criticado como um deus injusto, e muitos se oporiam.

Alda esperava que seus seguidores conseguissem fazer os outros entenderem, mas ainda assim, essa não era uma escolha favorável.

— Portanto, a ponta da lança deve mirar primeiro os deuses malignos — concluiu Alda. — Durante esse tempo, devemos apoiar o povo e traçar planos para destruir as raças de Vida.

— Entendo — disse Curatos. — Porém, o povo entenderá suas intenções imediatamente, meu senhor?

— Esse é o problema.

Mesmo que Alda enviasse uma mensagem divina para transmitir sua vontade, ele não podia falar diretamente com o povo.

Era necessário reduzir a informação para que o povo pudesse entender, e mesmo assim, seus fiéis que a recebessem precisariam traduzi-la em suas próprias palavras.

Só assim a vontade de um deus poderia ser transmitida.

Se o cérebro de um deus fosse um supercomputador, o cérebro da pessoa comum seria como um console portátil de gerações passadas.

Por isso, Alda precisava escolher indivíduos poderosos entre os fiéis para enviar uma mensagem divina, garantindo que ele e o fiel estivessem na mesma sintonia.

Se escolhesse alguém pouco habilidoso, essa pessoa poderia nem entender o significado da mensagem divina e interpretá-la erroneamente. Em alguns casos, nem perceberia que recebera uma mensagem divina. Por isso, era correto enviar apenas mensagens divinas curtas e simples para santos escolhidos. Seria diferente se Alda descesse à terra, como fez na era dos deuses, ou se recebesse as almas de heróis como Mikhail no Reino Divino após suas mortes.

— Eles aceitariam a sua vontade mesmo que ela fosse transmitida? — perguntou Curatos. — Afinal, nós, deuses subordinados e servos, temos condenado as raças de Vida como más até agora.

— Se o povo soubesse do sistema de transmigração, o extermínio das raças de Vida poderia ser justificado em nome de uma grande justiça, mas… parece que isso se voltou contra nós.

Alda acreditava que as raças criadas por cruzamentos com monstros eram malignas. Podia haver alguns indivíduos bons entre elas, mas com modos de vida como o dos Vampiros, raízes do mal permaneceriam no futuro. Eles estavam destruindo grande parte da ordem atual do mundo.

O modo de vida dos Vampiros, assim como as aparências das Lamias e das Sícillas, diferia muito do dos humanos. Por isso, muitos acreditavam nas palavras de Alda e os tratavam como alvos a serem exterminados. No entanto, como Alda mencionou recentemente, alguns membros das raças de Vida haviam sido aceitos pela sociedade. Por isso, Curatos e Yupeon, o deus do gelo, vinham declarando que essas raças eram más em nome de Alda — para que fossem destruídas.

Destruir um sistema de transmigração exigiria o uso de uma habilidade capaz de destruir almas, como a do Rei Demônio, ou a eliminação dos destinos das almas reencarnadas… a morte de todos os indivíduos nos quais as almas poderiam reencarnar. Não poderiam haver exceções por serem virtuosos ou fazerem parte da sociedade.

— E agora, como devo lidar com isso? — Alda perguntou em voz alta. Seus pensamentos estavam confusos, mas ele era realmente devoto ao seu trabalho como deus.

Ele espalhava pelo mundo de Lambda o atributo luz que governava e o atributo vida que roubara de Vida. Normalmente, Lambda operaria com o suporte dos oito deuses dos atributos e outros três deuses: Marduke, Zerno e Gangpaplio.

Porém, como resultado da guerra contra o Rei Demônio e a batalha contra Vida, Alda era o único que restava. Os atributos fogo e vento estavam sendo geridos pelos deuses subordinados remanescentes de Zantark e Shizarion, que compartilhavam sua administração.

Entretanto, para retirar a divindade de Vida e seus deuses subordinados e impedir seu renascimento, Alda roubara a autoridade dela sobre o atributo vida.

Por isso, agora Alda tinha que gerenciar um atributo no qual não era especialista. Seus deuses subordinados o auxiliavam, mas não era sua especialidade, então isso não representava uma grande vantagem em combate. Seria como pedir a membros de um time profissional de futebol que tivessem resultados como lutadores de sumô sem perder habilidade.

Aumentar o número de deuses subordinados proficientes no atributo vida resolveria o problema, mas aqueles que possuíam recipientes dignos de ascender a deus não surgiam com frequência, e Alda não podia monopolizar indivíduos prodigiosos só para si. Todos os atributos estavam sofrendo, afinal.

— Uma solução seria fazer Rodcorte manipular seu sistema e nos apresentar almas dignas de se tornarem deuses subordinados — disse Alda. — Contudo…

Trazer indivíduos de outros mundos para se tornarem deuses temporariamente e trabalharem para Alda, ainda que por algumas centenas de anos, aliviaria a carga de Alda e seus seguidores enquanto aumentaria sua força para lutar contra os deuses malignos.

Mas Curatos balançou a cabeça.

— A resposta daquele deus certamente seria: “Não posso usar meu sistema arbitrariamente” — disse Curatos.

— Não tenho dúvida disso — concordou Alda.

Embora Rodcorte estivesse silencioso ultimamente, isso não significava que ele havia se tornado cooperativo. Pedir ajuda a ele seria inútil.

— Meu senhor, que tal procurar novos deuses subordinados? — sugeriu Curatos. — Atualmente há três candidatos com ao menos status de espírito heroico.

Ele abriu o grosso livro que segurava e mostrou a Alda os candidatos a deuses subordinados registrados ali. O motivo para serem apenas candidatos era que não se sabia como seus recipientes se mostrariam até o momento de suas mortes. Por mais extraordinários que fossem, aqueles que não guiavam o povo não poderiam se tornar deuses, e aqueles que o povo não admirava não poderiam se tornar espíritos heroicos. Por mais lamentável que fosse, heróis anônimos não chegavam ao Reino Divino.

Três candidatos era, na verdade, um número grande para existir em um único momento.

O nome de um deles… desaparecera.

— Minhas desculpas — disse Curatos. — Parece que um deles virou para o lado de Vida.

— Entendo. Provavelmente ele cedeu à tentação dos Vampiros ou se rebaixou a ponto de se tornar um Demônio.

Os métodos para transformar pessoas existentes em membros das raças de Vida eram prejudiciais ao mundo real.

— Os outros dois são Bormack Gordan e Heinz, não? — Alda conhecia esses dois. Gordan era um crente zeloso… às vezes um pouco zeloso demais, mas um indivíduo devoto que continuava a lutar contra os Vampiros nas linhas de frente. Seu poder como herói era relativamente baixo, mas ele era de primeira classe por ser um exemplo brilhante para o povo.

Porém, a expedição para a Cordilheira da Fronteira que começara recentemente seria seu último trabalho; parecia que ele planejava se retirar das linhas de frente e focar em guiar a próxima geração depois disso. Ele apenas desejava que, durante essa expedição, pudesse matar o Dhampir que lhe escapara antes para que pudesse se aposentar com a consciência limpa.

… Naquele momento, Alda ainda não sabia que esse Dhampir, Vandalieu, havia sido reencarnado em Lambda vindo de outro mundo. Ele não tinha meios para obter informações sobre os sistemas de transmigração de Rodcorte ou Vida; só tinha as informações dadas por meio de oração pelo Alto Sacerdote Gordan. Embora estivesse um pouco desconfiado do Dhampir, ele aceitava a explicação de que o Dhampir era um produto das distorções do sistema de transmigração de Vida.

Quando Alda e os outros deuses haviam convocado campeões no passado, Rodcorte fizera a exigência absurda de que esses campeões fossem enviados de volta imediatamente ou explorados até a morte. Considerando isso, nem mesmo um deus poderia imaginar que Rodcorte teria enviado humanos de outro mundo para este sem aviso, sabendo muito bem que proibira Alda e os outros de fazê-lo.

Alda passou os olhos pelos dados registrados sobre Heinz.

Heinz era outro seguidor de Alda, um indivíduo que se tornara um aventureiro classe A em menos de dez anos. Tinha poder mais que suficiente, mas seus feitos eram um pouco insuficientes para ser chamado de herói. Talvez fosse melhor para Alda conceder-lhe uma proteção divina para auxiliá-lo, mas parecia que Heinz estava hesitante.

A hesitação era aceitável. Tanto os deuses quanto os humanos aprofundam seus pensamentos por meio da dúvida. Uma proteção divina era apenas um auxílio para quem a recebia, uma recompensa por seus feitos. Não podia ser algo que prendesse o crente.

Era provável que Alda precisasse observar Heinz cuidadosamente, esperando que sua hesitação o levasse à resposta correta.

Mas também era necessário fazer preparativos antecipados.

— Notifique Rodcorte sobre esses dois — ordenou Alda.

Para converter um herói em seguidor de um deus após sua morte, em vez de criar um novo servo através do poder divino, era preciso que Rodcorte fosse notificado previamente. Mesmo que fosse um crente de Alda, não era Alda quem controlava o ciclo da transmigração, mas Rodcorte. Se Alda tentasse algo muito forçado por conta própria, causaria defeitos no sistema.

— Como desejar — disse Curatos.

— Além disso, reúna todos os que não estejam ocupados neste lugar, incluindo os deuses subordinados dos deuses dos outros atributos. Quero falar-lhes sobre o que vai acontecer a partir de agora.

— Sim, meu senhor. — Curatos desapareceu com uma reverência. Conhecendo-o, logo retornaria após cumprir as tarefas que Alda lhe dera.

— Seria bom se um segundo Bellwood nascesse entre o povo… — Alda olhou para o céu do Reino Divino e seus pensamentos foram para o passado distante.

Quando Zuruwarn, o deus do espaço e da criação, sugeriu que campeões deveriam ser convocados de outros mundos para derrotar o Rei Demônio, Alda foi cético. Não entendia por que campeões que vieram de outro mundo como o Rei Demônio arriscariam suas vidas para lutar por este mundo. Não haveria risco de eles trair os deuses e se voltarem para o Rei Demônio?

No entanto, Vida concordou com Zuruwarn, dizendo que ações ousadas eram necessárias para lidar com a situação.

E como o deus da reencarnação não podia ser confiável para ajudar, as opiniões de Zuruwarn e Vida foram apoiadas pelos outros.

Zuruwarn abriu um portal para outro mundo e os outros sete deuses, incluindo Alda, escolheram e convocaram um campeão digno.

O campeão que Alda convocou foi Suzuki Shouhei, que mais tarde se tornaria o campeão Bellwood. Vida convocou Sakado Keisuke, que viria a ser o campeão caído Zakkart. Outros cinco campeões desceram em Lambda junto com eles.

Eram salvadores extraordinários. Tinham opiniões conflitantes, mas conseguiam discutir e chegar a melhores soluções para os problemas.

Bellwood, em particular, era o campeão ideal para Alda. Não só era forte em combate, mas possuía grande coragem, lutando contra grandes hordas de monstros na linha de frente. O mais importante, ele compreendia os pensamentos de Alda.

Bellwood lamentava a história, cultura e civilização de Lambda, perdidas na feroz batalha contra o Rei Demônio, e até se arrependia de que alguns elementos de civilizações de outros mundos tivessem que ser aceitos, incluindo a língua falada pelo povo.

— Alda-sama, eu amo este mundo. Este mundo que é tão diferente do mundo em que vivi antes, este mundo maravilhoso. Depois que o Rei Demônio for derrotado e a paz retornar, este mundo será muito melhor do que o mundo de onde vim. — Essas foram as palavras de Bellwood.

Era bem possível que o conflito fosse inevitável entre o grupo de Bellwood e Alda e o grupo de Zakkart e Vida, que defendiam que o conhecimento de outros mundos deveria ser adotado proativamente neste. Agora, olhando para trás, Alda via isso como um erro.

Alda estava profundamente nostálgico. Os que sobreviveram à guerra contra o Rei Demônio foram ele mesmo, Bellwood e mais dois heróis que concordavam com suas opiniões, e Vida.

Mas, naquela época, Vida já havia perdido a confiança em Alda. Provavelmente não podia perdoar Bellwood por abandonar Zakkart durante a batalha, mesmo que fosse uma decisão necessária para alcançar a vitória. Não, parecia que Vida suspeitava que Alda e os outros tinham planejado para que Zakkart caísse. A rixa entre Alda e Vida se aprofundou, e embora o Rei Demônio tivesse sido despedaçado e selado, os dois deuses sobreviventes continuaram a lutar entre si.

No passado, Shizarion, Ricklent, Marduke, Ganpaplio e os outros intervinham entre eles para repreendê-los. Zuruwarn e Peria finalizavam as decisões baseando-se nas opiniões de todos. Porém, agora todos estavam adormecidos ou haviam sido destruídos.

Se a confiança tivesse sido mantida entre nós, talvez Vida não tivesse cometido atos imprudentes, como criar seu próprio sistema de transmigração e dar origem a novas raças, pensava Alda. Mas ele também achava que teria apenas reconsiderado quais coisas deveriam ser priorizadas; jamais teria feito mudanças drásticas, como permitir aquilo que antes havia proibido.

Pois, se ele fizesse mudanças em sua doutrina equivocada, isso significaria que todos os seus seguidores que o adoravam também estavam enganados.

Mais importante ainda, aqueles que foram vítimas até então não se inspirariam com tais mudanças. Também era pelos que foram rotulados como “maus” e enterrados que Alda não podia mudar a definição do que era “certo”.

— Meu senhor! Isso é uma questão séria! — Nesse momento, Curatos retornou. No entanto, sua expressão havia mudado. Alda não via uma aparência de desânimo assim no rosto dele desde a batalha contra Vida.

— Alguém destruiu o Artefato que era um clone de Yupeon, o deus do gelo!

— Q-quê? — Alda demonstrou profunda inquietação ao ouvir o relatório de Curatos.

Pois tal coisa só seria possível para alguém que possuísse a habilidade de quebrar almas, como o Rei Demônio.

— O Rei Demônio foi ressuscitado, ou talvez um novo Rei Demônio tenha surgido… De qualquer forma, precisamos descobrir primeiro quem destruiu o clone de Yupeon — disse Alda.

Alguém com a habilidade de quebrar almas precisava ser destruído, não importava quem fosse. A guerra não podia se repetir.

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