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The World After the End – Capítulo 18

Prisão de Prata (2)

As <Grandes Terras>, a terra prometida.

Adaptados que viveram por algum tempo naquele lugar sabiam o que significava a “terra prometida”. A terra não prometia chance alguma, mas prometia uma coisa.

Era relacionado à morte.

— Só pode vir para cá quando você morre.

Jaehwan percebeu o motivo dele não ter conseguido ir para as <Grandes Terras> e ter vindo para o <Caos> em vez disso. Se ele tivesse o corpo dele, conseguiria ir para as <Grandes Terras>. Mas Jaehwan saiu da torre depois de completar o tutorial apenas com o espírito dele. Foi por isso que a Árvore da Miragem o categorizou como um “homem morto” e o mandou para cá.

Era o lugar em que todos os espíritos definhados das <Grandes Terras> se reuniam.

Esse era o Caos.

Jaehwan olhou para as pessoas nuas que foram enviadas na forma de espírito. Elas saíram das raízes, mas foram enviadas para o tronco. A maioria eram homens, mas havia algumas mulheres. No entanto, todos tinham olhares de desespero. Alguns nem perceberam que estavam mortos.

— Então essa é a “última chance” dada pelas malditas <Grandes Terras>.

Minora falou enquanto olhava para a arena de invocação.

— Se morrer aqui, está acabado. O espírito será enviado como nutrientes para a Árvore. Não tem mais chances.

Jaehwan pensou nos membros da Raposa Vermelha que escaparam.

— Então as pessoas aqui ainda têm uma “chance”?

— Sim.

— Tem alguma maneira de encontrar um corpo?

— É uma chance muito pequena, mas se sobreviver aqui…

Parecia cruel. Mesmo depois da morte, ainda precisava encontrar uma maneira de “sobreviver”. Minora ficou com um aspecto amargo ao olhar para as pessoas.

“É por isso que ela ficou com inveja de mim.”

Ela também veio para cá após a morte. Era uma memória que ninguém queria pensar. A pergunta de Jaehwan. “Como chegou no <Caos>?” era como perguntar, “como você morreu?”.

A runa desapareceu e os soldados vieram pela ponte da entrada do castelo.

— Droga, dessa vez também tem muitos. Vamos trabalhar!

Um homem barbudo de uniforme gritou e os soldados começaram a trabalhar para segurar os feridos.

— Ei! Juntem-se! Vocês morreram porque são indefesos!

Os novatos eram escoltados para a fortaleza pelos soldados. Parecia que cuidar dos mortos era o trabalho deles.

— Ei, vistam isso e fiquem na fila.

Dezenas de pessoa fizeram uma fila na frente do auditório. Em um pequeno palco em frente ao auditório estava o homem barbudo. Ele olhou em volta e falou:

— Todos vocês provavelmente já sabem onde estão agora. Podem estar pensando que não é verdade, mas é. Todos vocês estão “REALMENTE” mortos. A maioria provavelmente morreu na primeira batalha das <Grandes Terras>. Suas cabeças provavelmente foram esmagadas ou seus intestinos foram estourados como insetos.

A expressão de todos ficou sombria. O que ele disse era verdade. A maioria das pessoas que estavam ali haviam morrido assim que entraram nas <Grandes Terras>.

— Algum de vocês sabe por que morreu?

Ninguém respondeu enquanto o homem barbudo ficou em silêncio. Ele tirou um cigarro de sua roupa e o acendeu. Estava dando tempo a eles para encontrarem uma razão. Isso os permitiu chegar a uma conclusão.

Algumas das mulheres estavam tremendo de frio, já que os panos que as cobriam não eram suficientes. O barbudo jogou o cigarro no chão e pisou nele. Então um dos homens perguntou com a voz trêmula:

— Foi… Porque éramos fracos?

Parecia que ele estava sendo esmagado de dentro para fora só por dizer isso. O barbudo zombou:

— Sim, mas para ser mais preciso…

Ele chamou a atenção de todos.

— Todos vocês morreram como insetos, porque não se esforçaram o suficiente.

As pessoas começaram a murmurar umas para as outras. Elas discordaram. Cada um deles aqui tinha se esforçado o suficiente. A Torre dos Pesadelos não era fácil de ser completada se não tentassem. Alguns até encararam o homem barbudo.

— Parece que não concordam. Pensem nisso. Vocês realmente se esforçaram? Até seu “último” suspiro?

Ele enfatizou a palavra “último” de propósito.

— Vocês morreram uma vez, então agora vão saber. Vocês, depois de serem mortos com seus intestinos para fora, com a cabeça decapitada, serem estuprados e deixados para morrer, vão saber. Vão saber o que quero dizer com “último suspiro”.

As pessoas gemiam e choravam, as memórias de suas mortes ainda estavam frescas. Elas não conseguiam olhar para o homem barbudo. Ele estava certo no fim das contas. Depois de morrerem, agora perceberam que nunca haviam se esforçado tanto a ponto de morrerem por isso.

— Mas vocês são sortudos. Terão outra chance. Uma chance de se esforçarem mais.

Alguns olharam para ele.

— Só precisam saber uma coisa. Se morrerem aqui, vocês vão “realmente” morrer.

Essas eram palavras assustadoras para pessoas que já tinham morrido uma vez.

— Então o que precisam fazer aqui é só uma coisa. Continuar sobrevivendo.

Sobreviver.

— Vivam, e trabalhem em suas habilidades. Fiquem mais fortes. Esperem por uma chance.

Esperem e consigam mais poder.

— É aí que o milagre vai vir. Garanto a vocês, aqueles que se esforçarem terão a chance de sair da Árvore da Miragem. Se esforcem para se vingarem de seu inimigo. Faça o que for preciso para devolver o que sofreram. Isso é tudo que posso dizer.

As pessoas que ouviram estavam sem palavras. Algumas até tremeram.

O discurso acabou. Os soldados em volta deles bateram palmas sem demonstrar emoções. Então, começaram a guiar os novatos para o auditório.

— Homens, por aqui. Mulheres, por ali. Venham.

Os soldados se aproximaram do homem barbudo enquanto descia do palco.

— Foi um grande discurso!

— Que ótimo discurso, tenente!

O homem barbudo pegou a água do soldado e murmurou:

— Nah.

Ele não tinha interesse. Provavelmente tinha repetido o mesmo discurso por centenas de vezes. As palavras soaram ótimas, mas ele sabia que eram todas mentiras.

Nenhum deles conseguiria deixar a Árvore da Miragem. Assim como todos fizeram quando estavam nas <Grandes Terras>, a maioria morreria na “primeira caçada” deles, e aqueles que sobrevivessem continuariam mal sobrevivendo.

Assim como ele.

Então alguém disse:

— James, que discurso, hein. Achei que só fazia isso quando chamava garotas para sair.

James estreitou os olhos. Havia um homem e uma mulher se aproximando do portão. A mulher era linda, vestia uma capa preta e tinha um cabelo ruivo brilhante. Não tinha como ele não se lembrar de uma garota tão bonita.

— Já se esqueceu de mim? Qual é, James.

Algo brilhou em sua cabeça e as feições da mulher mudaram. Cabelo preto longo e olhos brilhantes. Uma pele pálida quase branca. James reconheceu.

— Olha só! Quem temos aqui? Não é a Minora dos Guerreiros das Sombras?

Minora franziu a testa enquanto mudava rapidamente suas feições de novo.

— Não diga isso alto!

Jaehwan olhou para James e Minora. Parecia que eles se conheciam.

— Então agora você é um tenente capitão?

— Sim, é por isso que fiz aquele discurso.

James examinou o corpo de Minora de cima a baixo como se estivesse começando a revistá-los no portão.

— Esperei bastante até o seu discurso acabar. Seria ótimo se nos deixasse passar rápido.

James sorriu.

— O que os trouxe até a entrada norte? Normalmente não usam o outro lado?

— Sim, aconteceu de eu vir por aqui hoje.

Minora não pareceu querer entrar em detalhes e logo respondeu:

— Não preciso me “identificar” né? Você me conhece.

Jaehwan olhou para Minora. Ela então suspirou e sorriu.

[Você também não sabe sobre “identificação”?]

Jaehwan concordou, e Minora enviou outro sussurro.

[Todos que entram no castelo precisam se identificar. Geralmente você abre os Detalhes do Usuário para provar… Sabe fazer isso, né?]

Jaehwan não tinha feito isso, então não sabia. Mas ele tinha um problema maior. Ele nem conseguia usar o Sistema de Interface. Desde que havia saído da Torre dos Pesadelos, ele não conseguia usar nenhuma habilidade relacionada ao Sistema de Interface. Foi quando o tenente James falou:

— Minora.

— Hã?

— Sinto muito, mas as coisas mudaram.

— O quê? Como assim?

— Nossas políticas mudaram. Precisamos de um certificado de todos que entram na fortaleza agora.

— Certificado?

Minora olhou confusa.

— Está falando do antigo certificado que o [Grande Irmão] costumava distribuir?

— Isso.

— Por quê? Isso não desapareceu depois que fomos autorizados a usar o Sistema de Interface dentro da Árvore da Miragem?

— Fiquei sabendo que o sistema tem alguns problemas agora e não funciona direito.

Minora então lembrou da habilidade de identificação dela falhando. Ela achou que a habilidade dela estava quebrada, mas parece que tinha a ver com isso.

— Enfim, há muitos casos em que os Atributos do Usuários estão corrompidos. É por isso que agora toda fortaleza no <Caos> pede um “certificado” para identificação.

— Por que agora…?

Era irritante. Minora berrou e olhou para Jaehwan.

[Ei, você tem um certificado?]

Jaehwan não respondeu.

[Pelo visto não.]

Então algo veio na mente dela. Houve muitos casos em que Jaehwan cometeu erros graves, como perguntar sobre o passado dela e fazer perguntas tabu.

Minora sorriu provocando.

— James.

— Hã?

— Esqueci meu certificado, mas isso não serve? Não somos estranhos, afinal.

Minora sorriu e entregou algo a James. Era um envelope com pó branco. James olhou e respondeu:

— Bom medicamento. Quantos chifres tinham?

— Dois.

— Deve estar tendo boas caçadas esses dias.

James sorriu ao aceitar o envelope e colocá-lo no bolso, satisfeito. Ele então virou para Jaehwan e perguntou:

— Ele é seu amigo?

— Não conheço ele.

Minora passou por James e sorriu provocativamente.

— Ah, ele disse que perdeu a memória…? Ou algo do tipo.

Jaehwan continuou em silêncio e James falou:

— Então preciso do seu certificado.

— Não tenho.

— Hein? Então não pode entrar.

— Precisa?

James e os outros soldados ficaram confusos.

— É claro.

— Porque não posso provar quem sou?

— Exato.

— Mas posso provar para mim mesmo que sou eu. Por que precisa de mais que isso?

— Haha, está tentando me fazer de bobo?

Os soldados começaram a se aproximar enquanto seguravam as armas. Minora sorriu enquanto observava da entrada do muro.

[Por que não me pede ajuda? Se quiser, posso te ajudar.]

Mesmo que Jaehwan seja poderoso, ele era apenas um indivíduo que tinha que seguir as regras desse mundo. Esse mundo tinha regras.

“Talvez eu tenha exagerado.”

Mesmo sem um certificado, era fácil para ela, persuadir um ou dois soldados. Mas algo estranho aconteceu. A energia dentro de Jaehwan mudou. O pé esquerdo dele se afastou e ele abaixou os ombros. Foi uma pequena mudança que só Minora percebeu, e se ele colocasse as mãos na espada…

[Espera!]

Minora rapidamente usou o sussurro.

[Espera! Não faça isso!]

Ela pareceu desesperada.

[Eu sei que você é forte, mas vai se tornar um criminoso se matá-los!]

Entretanto, isso não mudou a postura de Jaehwan. Os soldados tolos não sabiam, mas Minora tremeu com a presença poderosa se acumulando em Jaehwan. Isso até deu a ela uma ilusão de Jaehwan matando todos no local e entrando no castelo.

A devastação do dia anterior veio na cabeça dela. A estocada assustadora que queimou a floresta inteira.

Minora percebeu que cometeu um erro.

Esse cara não era só forte. Ele também não era controlado por nenhuma lei.

Ela soube então que ele iria desembainhar sua espada. Ele mataria todos os soldados e, se necessário, lutaria contra toda a fortaleza. A questão de “se ele poderia ganhar ou não” parecia não o incomodar.

Minora ficou pálida.

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