The World After the End – Capítulo 42

Médico do Desespero (9)

Depois de ouvir tudo, Jaehwan perguntou: — Acabar com toda a [Cultivação]?

— Sim, foi o que ele disse. Ele era único.

Jaehwan continuou fazendo perguntas: — A expedição. Deu certo?

— Pode-se dizer que sim. Tive que parar na entrada do <Abismo>, mas Mulack conseguiu alcançar o topo da Árvore da Miragem.

— Como sabe disso?

— Porque [Frutos] começaram a cair dos galhos.

Chunghuh se lembrou de observar os frutos caindo dos céus. Os meteoros dourados que com certeza trariam de volta esperança para as pessoas.

— Acho que pode dizer que foi sorte. Todos os membros da equipe de expedição voltaram com um punhado de frutos.

— Entendo.

Mas aquilo era estranho. Se a expedição deu certo e eles conseguiram o [Fruto], por que esse velhote ainda estava no <Caos>? Foi quando Claire entrou na conversa.

— Não minta velhote. A expedição teve sucesso?

Chunghuh gargalhou — Estava me perguntando quando você iria interromper.

— A expedição falhou. Sabe disso.

— O que se sabe quando ainda nem nasceu?

Claire franziu a testa e foi servir as outras mesas. Chunghuh engoliu outro copo de cerveja.

— O que quer dizer?

— É como ela disse. A expedição falhou.

— Não acabou de dizer que deu certo?

— Deu certo para pegar o [Fruto].

Significava que algo aconteceu quando eles voltaram para o <Caos>.

— Havia algumas pessoas esperando pela equipe na entrada do <Caos>.

Eram os mais fortes que moraram nas Grandes Terras por um bom tempo, mas eram os mesmos que nunca ousaram se aventurar pelo <Abismo>.

— Eram os Monarcas e os Anciões das famílias renomadas.

Chunghuh falou com raiva. Foi há centenas de anos, mas ele ainda se lembrava claramente.

— A expedição tinha Mestres de fortalezas e líderes dos Dez-Clãs. No entanto, todos juntos não eram páreos para eles. Nem perto disso.

— E seus [Frutos] foram levados.

Chunghuh bebeu de novo.

— Eles ainda usam o [Fruto] até hoje para serem revividos caso morram. Eles têm até um lugar chamado <Palácio da ressurreição> onde podem reviver. Todos eles vão para esse lugar se morrerem e esperam para serem revividos.

— Entendo.

— O <Caos> é só uma parte das Grandes Terras. Que pode viver uma vida normal não somos nós.

Jaehwan olhou ao redor das ruas novamente. O mundo tinha algo chamado [Fruto] e isso permitiria que eles revivessem. Mas era muito distante deles. Por isso todos estavam desesperados, assim como esse velhote.

— Ah, o que aconteceu com Mulack?

Jaehwan havia esquecido de Mulack enquanto conversava, então perguntou. Chunghuh não respondeu, Jaehwan então se virou para ele.

— Ei, velhote.

Ele dormiu na mesa. Não foi ele quem disse que as pessoas aqui não podiam ficar bêbadas? Por que apagou?

— Não adianta. O velhote fica bêbado mesmo.

Claire falou enquanto lavava a louça.

— Fica bêbado?

— Não sei por que, mas ele fica bêbado quando bebe.

Jaehwan olhou com atenção para o rosto de Chunghuh. Era o rosto de um homem que havia vivido por mil anos. Talvez em seus mil anos de vidas falsas, ele tivesse encontrado uma maneira de fingir a realidade.

— Tinha uma pergunta sobre o Mulack?

Jaehwan ficou surpreso com a voz.

— Também conhece ele?

— Todos da Fortaleza de Gorgon sabem sobre a [Equipe de Expedição do Abismo]. É a história que o velhote sempre conta quando está bêbado.

Claire suspirou e continuou.

— Aquele Pesadelo se foi.

— Se foi?

— Ninguém o viu depois que a expedição acabou.

Claire parou por um momento e continuou — Acho que o Pesadelo disse algo para o velhote antes de desaparecer…

— O quê?

— O quê? Hmm…

Claire pensou enquanto esfregava a louça por um tempo e resmungou ao lembrar.

— Eu falhei.

O sotaque pareceu tão realista que Jaehwan quase pensou que a mulher era o próprio Mulack.

— É, foi isso. Eu falhei. Foi o que ele disse.

Eu falhei… Jaehwan podia imaginar o que significava. Mulack havia alcançado o fim do Abismo e adquirido os [Frutos], mas falhou em parar a [Cultivação].

— É isso?

— Hm… tinha mais um…

Claire não parecia se lembrar e em seguida alguém desmoronou na cadeira ao lado deles. Era um dos homens bêbados que estavam lutando há pouco tempo.

— Ha, esse velhote está bêbado de novo.

Jaehwan sentiu que o rosto era familiar. Ao olhar mais de perto, percebeu que era o guarda com quem ele brigou no portão há alguns dias.

“Era o James?”

Claire falou — Ei, pinguço.

— Que foi?

— Sabe o que o Pesadelo Mulack disse antes de desaparecer?

— Mulack? O Pesadelo maluco que disse que iria parar a [Cultivação]?

— Sim.

— Essa não era uma história de pescador do velhote? Não existe Pesadelo assim.

James foi então atingido por uma panela e murmurou o que sabia.

— Eu falhei, mas não completamente… era disso que estava falando?

— Sim, isso.

— Droga, isso dói. E então, por que perguntou?

— A pessoa do seu lado estava curiosa sobre isso.

James então olhou para Jaehwan.

— Ah. Nós nos conhecemos.

— …

— Estava te procurando. E pensar em todos os problemas que me meti por sua culpa…

James murmurou enquanto cerrava os dentes. Parecia que Jaehwan seria envolvido em outro problema irritante, mas James de repente disse algo inesperado.

— Obrigado pelo que fez hoje.

James não olhou para Jaehwan enquanto falava.

— É sobre o capitão. Ele teria morrido se não fosse por você.

Um momento estranho passou e James pegou o copo que Chunghuh estava bebendo e virou.

— Senhora, vou pagar por ele. Quanto é?

— Vaza. Eu não estava pensando em receber algo dele mesmo.

— Ah, queria agradecer também?

— Sai fora.

James se levantou enquanto falava.

— Ei, o que quer que faça, venha pelo Posto Norte quando entrar em Gorgon na próxima vez. De agora em diante não vou mais pedir certificados.

Ele se virou e acrescentou com uma voz baixa — Ah, mas não deixe o Capitão saber.

James foi embora. Claire começou a cortar ingredientes e Chunghuh começou a roncar alto. O som de comida sendo feita para saciar uma fome inexistente e o som de cervejas sem gosto sendo bebidas tomou conta da área.

Um mundo sem esperança. Um mundo sem coisas reais, cheio de pessoas que fingem ser reais.

“O que é essa sensação?”

Jaehwan não conseguiu entender o que sentiu. Foi muito estranho. Então ele viu alguém correndo em direção a ele.

“O comandante?”

Ele estava vasculhando a rua com seus homens que nem um maluco.

— Doutor! Onde você está! Doutor!

O comandante então encontrou Jaehwan e Chunghuh e correu para eles ofegante.

— Também estava com ele?

O comandante fez uma reverência e olhou para Chunghuh.

— Droga, é por isso que ele não respondeu. Doutor, acorde!

O doutor não acordou e Jaehwan perguntou: — O que foi?

— O Mestre enlouqueceu de repente. Ele só fica assim uma vez por semana, mas…

Parecia que tinha acontecido algo com relação ao Mestre da fortaleza que só Chunghuh podia resolver. Em seguida, uma explosão foi ouvida no castelo e o comandante ficou pálido.

— Não…!

A fonte energia poderosa e sombria era mais forque que a de Janya. Era mais forte que qualquer força que Jaehwan havia encarado até agora. Ele estreitou os olhos.

“Então, o mestre estava nesse estado.”

Ele havia imaginado quando ouviu Euren pedindo para salvar o “Mestre” dele.

“Abaixo do castelo… é subterrâneo?”

Jaehwan olhou para o castelo com a [Suspeita]. Parecia estranho. Era como se o castelo tivesse a forma de um estômago gigante de um monstro. Bem abaixo havia algo escuro. Era uma figura escura que sua [Suspeita] não conseguia identificar. Um monstro com tentáculos e uma boca gigante. Jaehwan soube o que era imediatamente.

“Homem Morto.”

O Mestre da Fortaleza de Gorgon estava se transformando em um Homem Morto.

Algo terrível estava prestes a nascer.

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