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Warlock Apprentice – Capítulo 373

Outro Jardim do Feiticeiro

Os Krakoks viviam exatamente onde, no Mundo Real, deveria existir a Água Grasse.

Angor e Sombra desceram a montanha e seguiram lentamente em direção ao habitat dos Krakoks. Pelo caminho, Angor via apenas ruínas e terras sem vida por toda parte — solo nu, terrenos devastados. Até mesmo o oceano interior original, que sustentava incontáveis pessoas no Mundo Real, havia se transformado em águas negras e estagnadas.

“Os Krakoks vivem neste lugar? Tudo é assim fora da barreira?” perguntou Angor.

Sombra assentiu levemente e suspirou. “Quase, exceto pelos locais onde os magos estabelecem suas bases. Isso é o que você costuma ver tanto no Mundo Médio quanto no Outro Mundo. Mana primordial em excesso pode matar plantas. Acho que é o que chamam de ‘equilíbrio de energia’? Uma pena… Mas esse é o preço a se pagar por passar por uma fusão planar.”

Sombra ergueu o olhar novamente e viu Angor observando o horizonte com a testa franzida.

“Você está sentindo pena dos Krakoks?”

Angor assentiu. Segundo a lenda urbana de Leonrick, os Krakoks costumavam ser criaturas pacíficas e amorosas. Devido à sua ingenuidade, tiveram um destino trágico ao lidar com humanos, o que os forçou a viver nesta terra morta.

Que história triste.

“Não tire conclusões precipitadas ainda.”, disse Sombra, soltando uma risada. “Você viu como aquele Gigante Mágico e os Flamingos de Magma estão sempre de olho nos Krakoks, não é? Ganância, cara. Exatamente como eu costumava ser.”

Sombra soltou um suspiro de desdém sobre si mesmo. “Algo que atraiu a ganância de tantos outros monstros… Você acha que eles são miseraveis?”

Sombra apontou para a frente. “Aqui, eles são muito mais felizes. É por isso que nunca mais deixaram este lugar nos últimos mil anos.”

Angor não compreendeu totalmente Sombra, mas viu diferentes monstros observando fixamente o mesmo ponto, do lado de fora da cúpula de barreira.

Aqueles olhares ávidos sugeriam que eles invadiriam o local em massa caso o obstáculo fosse removido.

Ele percebeu que Sombra tinha razão. Devia haver algo mais de especial nos Krakoks.

Com essa questão em mente, Angor subiu em uma pequena colina para ter uma boa visão das planícies próximas à costa.

Como esperado, tudo parecia muito diferente das terras verdes e vibrantes ao redor de Água Grasse. Quase não havia nada ali. Nenhum vestígio humano, nenhuma construção.

Quase nada, exceto por uma esfera brilhante suspensa no ar.

Angor ficou bastante confuso ao vê-la. O objeto parecia uma esfera de superfície vítrea com cerca de 20 metros de raio, pairando imóvel no ar enquanto emitia uma luz verde tênue ao seu redor.

Ele não conseguia ver o interior da esfera; a superfície estava toda embaçada.

Angor não acreditava que os Krakoks pudessem estar escondidos no subsolo, já que todos os monstros estavam olhando diretamente para eles. Sombra também mencionara que os Krakoks podiam ser observados do céu.

Então…

“Eles vivem dentro daquela coisa em forma de bola?” murmurou Angor. “Mas não é grande. Isso significa que a população deles é de apenas, sei lá, uma dúzia?”

Sombra juntou-se a ele no topo da colina. “Acertou na metade. Os Krakoks estão dentro daquilo, sim. Mas eles são mais do que uma dúzia. Gummy me disse que, após todas essas gerações, eles têm pelo menos dez cidades, cada uma abrigando milhares de habitantes. Acho que a capital deles tem uma população na casa das centenas de milhares.”

Angor deduziu que a explicação de Sombra sugeria a existência de mais de 200.000 Krakoks, mas não conseguia imaginar como aquelas criaturas caberiam naquela esfera. Não existia nenhuma runa de expansão poderosa o suficiente para criar um espaço tão vasto.

E não havia como aquela bola flutuante ser uma pulseira dimensional, pois isso custaria uma quantidade imensurável de Erva Oca.

Seria possível que houvesse outra dimensão ali dentro? Em seguida, Angor pensou em dimensões espelhadas como o Poço do Crepúsculo e o Afluente.

No entanto, logo descartou essa hipótese, pois tais dimensões geralmente refletiam o mesmo ambiente de suas contrapartes.

Um mundo espelhado dentro da esfera deveria parecer-se com a paisagem desolada do lado de fora, a qual não oferecia nada que despertasse qualquer desejo.

Sombra percebeu a confusão de Angor e riu novamente. “Acho que você sabe a resposta, mas se recusa a acreditar nela. Vai parecer uma piada para quem ouvir falar a respeito.”

Como ainda não conseguia chegar a uma resposta plausível por conta própria, Angor aguardou mais explicações.

“É bem simples. Você já ouviu falar do Jardim do Feiticeiro?”

Angor arregalou os olhos ao ouvir aquele termo familiar.

Um jardim de feiticeiro?

Aquele tesouro específico que atraía a atenção de todas as organizações de magos. Uma pequena área que possuía suas próprias leis naturais e era abençoada pela consciência do mundo?

Ele havia pensado nisso há pouco tempo. E, como Sombra disse, ele nunca acreditou que fosse esse o caso. Um Jardim de Mago sempre foi um recurso tático valioso para os magos. Como um jardim poderia simplesmente ficar ali, no meio do nada, servindo de lar para um bando de criaturas pequenas?

“Então você sabe sobre isso.”, continuou Sombra. “Bem, você devia ter ouvido falar. O Senhor Mestre Fantasma descobriu recentemente um Jardim de Feiticeiro particular, e isso foi notícia por todo o mundo mago. Nossa, aqueles fofoqueiros passaram meio ano vasculhando a Floresta da Gravidade em busca de qualquer informação. Quase obrigaram a Floresta da Gravidade a mudar de nome.”

“Agora que penso nisso, fiz exatamente a mesma expressão que você quando soube dessa resposta há cinco anos. Mas é verdade. Aquela maga que criou este lugar era forte. Mas aquela maga era uma esquisitona, igualzinho àquela velha bruxa. Ela deixou o Continente Feérico e entregou o Jardim de Mago aos Krakoks, e a velha bruxa concordou com isso.”

“Há muitos que tentam tomar o jardim para si. A bruxa declarou que qualquer um que tentasse tal coisa seria considerado inimigo do Castelo das Trevas. Entende agora por que todos os monstros estão babando por este lugar?” Sombra suspirou novamente e disse: “Ainda não sei por que aquela grande maga fez isso. Bem, ela pode fazer o que quiser com sua propriedade pessoal, mas a escolha dela não faz sentido.”

“Talvez os Krakoks tenham algo especial ou realmente valioso que justifique essa decisão?” sugeriu Angor. Isso era o que ele havia aprendido após passar um tempo no mundo mágico: o interesse pessoal sempre contava muito.

“Talvez. Mas o Castelo das Trevas não é uma instituição de caridade. Eles devem ter um motivo muito bom para manter os Krakoks.”, disse Sombra.

Ele então deu de ombros. “Mas isso não é problema nosso.”

“É…”

Como aprendizes, eles não deveriam questionar as ações dos magos. Era melhor concentrarem-se no que precisavam fazer naquele momento.

“Você disse que existe um caminho para o Outro Mundo e para o Castelo das Trevas ‘real’.” Angor apontou para a esfera flutuante e perguntou: “Dentro daquilo?”

“Isso mesmo. Sempre que os Krakoks realizam seu ritual, pessoas do Castelo das Trevas vêm para o Jardim do Feiticeiro através daquela passagem dimensional. E é a nossa passagem de entrada desta vez.”

…

Não era uma tarefa fácil. Antes de tudo, Angor e Sombra precisavam se infiltrar no Jardim do Feiticeiro e chegar ao local do ritual.

Os Krakoks eram tão frágeis quanto mortais, mas, para evitar problemas desnecessários, não podiam simplesmente invadir o local usando a força bruta.

“Já tem alguma ideia?” perguntou Angor.

“Não. É impossível nos misturarmos àquelas criaturas minúsculas. Precisamos recorrer à magia.”, disse Sombra. Ele tirou uma capa da mochila e continuou: “Você sabe como ficar invisível? Se não, pode usar a minha capa. Ela possui um encantamento de Confusão Óptica embutido.”

A princípio, Angor não planejava acompanhar Sombra tão longe, mas, pensando bem, ele estava MUITO curioso sobre o Jardim do Feiticeiro e qual lei o regia. Seria uma boa ideia verificar se aquele jardim tinha algo semelhante ao jardim da purificação.

Já que os Krakoks sobreviveram lá dentro por mil anos, essa lei deveria ser inofensiva para as formas de vida.

Angor balançou a cabeça. “Não. Eu consigo me virar.”

“Ah, esqueci. Nunca vi como você entrou sorrateiramente naquela sala com o Mágico lá atrás. Que feitiço você usou? Vamos, me diga. Tentarei descobrir quando voltar para a Cidade Mecânica Flutuante.”

Angor não respondeu. Não era um grande problema contar a Sombra sobre a matriz mágica da Reticência Infinita, mas ele ainda queria manter seus movimentos secretos longe daquele indivíduo ardiloso.

“Heh, tudo bem. Já que o dono do jardim já deixou a região bruxa do sul, só podemos entrar pelo portal no topo.”

Sombra tirou um pergaminho de seda da mochila.

“Este é um veículo que encontrei por… acidente. Não me entenda mal, não tem nada a ver com o meu gosto pessoal.”

Gosto pessoal?

Angor não entendeu essas palavras até Sombra abrir o pergaminho de seda e revelar uma capa de seda macia que ficaria bem em qualquer mulher bonita.

Sombra vestiu a capa com uma expressão envergonhada e flutuou no ar.

“Quer que eu te dê uma carona?”

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