Hoje é o terceiro dia do Festival de Ação de Graças.
“Sophie, encontrou algo bom?”
Eu, que tenho o dia livre hoje, estou passeando pela cidade com a Carol, que também está livre, pensando no presente para dar ao Orun-san.
Log tem que ajudar de manhã, então nós duas vamos listar algumas opções primeiro e, depois de nos encontrarmos com ele no almoço, os três decidirão juntos.
Ouvi dizer que em certo país existe o costume de dar presentes quando alguém faz aniversário.
Aqui não temos esse costume, mas nós três conversamos e decidimos dar um presente no mês do aniversário do Orun-san para demonstrar nossa gratidão por ele cuidar de nós.
Mas não tínhamos tido a oportunidade de perguntar o mês do aniversário do Orun-san e, quando finalmente consegui perguntar anteontem, ele disse que era em junho, o que me deixou desesperada.
Estou arrependida de não ter perguntado antes, mesmo que forçando a barra…
Mas, ainda bem que o mês do aniversário ainda não acabou!
Além disso, nesta época do ano vendem coisas que normalmente não aparecem nas lojas, então deve haver muitas coisas raras, mas…
“Não, e você, Carol?”
“Eu também não~. Puxa, o que deixaria o Mestre feliz? ――Hm?”
Enquanto a Carol falava, parece que percebeu algo e saiu andando apressada para algum lugar.
Eu a sigo apressadamente. O que será que houve?
“Moça, você está se sentindo mal? Tudo bem?”
No lugar para onde a Carol foi, uma moça de cabelos azuis escuros (índigo) estava sentada num banco, de cabeça baixa.
“…? Está falando comigo?”
Reagindo à voz da Carol, a mulher levanta o rosto.
…É uma pessoa incrivelmente linda.
Se a Irmãzona for uma beleza do tipo legal, essa moça é uma beleza do tipo fofa.
Acho que ela é mais nova que a Irmãzona.
Pelas roupas, deve ser uma exploradora?
“Uhum, uhum. Você parecia estar sofrendo, ficou enjoada com a multidão?”
“Eu só estava pensando um pouco. Obrigada por se preocupar.”
A moça responde com um sorriso.
Mas a expressão dela era solitária, e dava para ver claramente que estava se forçando a sorrir.
“Pensando em problemas, é~. Na verdade, nós também estamos no meio de um grande problema~. É que o Mestre está no mês do aniversário dele, então estamos pensando num presente para dar, mas não conseguimos pensar em nada bom~”
“Dar um presente no mês do aniversário para o Mestre, é?…Vocês são ――entendi…, pensando bem, já estamos em junho.”
A moça murmura algo baixinho e faz uma expressão de quem entendeu.
“Pois é~. A gente só descobriu que o mês do aniversário do Mestre era em junho anteontem, então estamos pensando no presente correndo agora. Puxa, por que o Mestre não contou mais cedo, né~. Se ele tivesse falado, a gente poderia ter pensado com mais calma.”
“Fufu, vo―― vocês se importam muito com o Mestre, não é. Ter discípulas tão fofas assim, sinto inveja dele.”
“Ehehe~, é que nós adoramos o Mestre! Por isso queremos dar um presente que deixe o Mestre feliz~”
“Algo que o deixe feliz, é. Vejamos… O Mestre de vocês deve ser fascinado por novas informações. Nesta época há comerciantes de outros países por aqui, então se derem um livro publicado em outro país, acho que ele ficará feliz.”
(Ah, é verdade! O Orun-san estava sempre lendo nos momentos livres!)
Por que não pensei em dar um livro de presente?
Com certeza um livro é o que o deixaria mais feliz!
O Orun-san parece estar ocupado mesmo no Festival de Ação de Graças.
A Irmãzona disse que no primeiro dia, quando ele deveria estar livre, aconteceu alguma coisa e ele não conseguiu andar muito pela cidade.
Nesse caso, acho que a probabilidade de o Orun-san estar comprando livros de comerciantes estrangeiros é muito baixa!
“Um livro…? É verdade, o Mestre lê com bastante frequência! Moça, obrigada!”
A Carol parece ter pensado o mesmo, e decidimos que o presente para o Orun-san serão livros de outros países.
Livros são caros, mas acho que conseguimos comprar um cada!
“De nada.”
“Mas como você sabia que o Mestre lê muito?”
“Fufu, os espíritos me contaram.”
Seirei (Espírito)? Não é nome de pessoa, né? O que será que significa?
“Hmm~?”
Carol também não parece ter entendido e inclina a cabeça em dúvida.
“Se estiverem curiosas, tentem perguntar ao Mestre de vocês. Acho que ele poderá explicar de forma mais fácil de entender do que eu.”
“Uhum, entendi! Vou perguntar pro Mestre. Moça, muito obrigada mesmo!”
“Eu que agradeço, conversar com você tão animada me deu um pouco de energia. Muito obrigada.”
“Que bom que você ficou mais animada, moça! Então, tchauzinho!”
“Sim. Adeus.”
Carol se despede da moça acenando com a mão com um grande sorriso.
A moça também parece estar com uma cor melhor no rosto do que antes de conversar com a Carol.
“Não sei o que é esse tal de Seirei, mas que bom que a moça ficou um pouco mais animada, que bom! E também decidimos o presente do Mestre, né!”
“A Carol é gentil.”
“Hmm~? Não é nada disso. Eu só faço porque quero. Não faço as coisas pelos outros!”
Não sei se ela realmente pensa assim ou se está dizendo isso para esconder a vergonha, mas como esperado, essa consideração da Carol é uma virtude.
Provavelmente, se fosse só eu, não teria puxado assunto com a moça.
Quero aprender com esse tipo de atitude.
“Então, vamos procurar os livros. Se o tempo passar, outra pessoa pode comprar.”
“Isso seria terrível! Sophie, vamos rápido!”
Depois disso, encontramos com o Log, analisamos os livros publicados em outros países e compramos um livro cada um.
Espero que o Orun-san fique feliz.