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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 7 – Capítulo 29

Como nós Ficamos

“Conquistar os Nove Generais Divinos” — essa era a condição para retomar o trono imperial.

Com essa condição exposta, junto aos nomes e títulos essenciais, Subaru percebeu, pela experiência, que o ar na sala se tornara denso. Claro, os nomes dos Nove Generais Divinos, tão comuns para os habitantes do Império, eram totalmente inéditos para ele.

Subaru: “Se isso fosse um mangá ou um anime, seria uma reviravolta eletrizante ver todos os nomes dos Generais revelados de uma vez.”

Mas, como aquilo acontecia de verdade, não era algo para se festejar abertamente.

Enquanto Abel enunciava o nome e o título de cada um dos Nove Generais Divinos, Subaru imaginava o quão problemáticos eles poderiam ser, já que cada apelido parecia exaltar uma habilidade formidável.
Se o apelido de Arakiya, “Devoradora de Espíritos”, refletia uma marca especial dela, então os outros provavelmente faziam alusão às capacidades ou ao estilo de luta de cada um.

Subaru: “Só consigo visualizar com clareza as habilidades do Mestre das Ferramentas Amaldiçoadas e do General do Dragão Voador, né?”

Esses dois nomes, sem dúvida, derivavam do modo de lutar e das armas que usavam. Os demais, possivelmente, foram inspirados na aparência ou em histórias lendárias sobre suas façanhas. Em obras como o Romance dos Três Reinos ou À Margem da Água, é comum os personagens adotarem apelidos assim.
Pensando bem, dava para dizer que essas narrativas também giravam em torno da conquista de um país. Infelizmente, Subaru não conhecia muito bem essas histórias, tendo apenas uma vaga noção do conteúdo.

Subaru: “Não é hora de ficar viajando na maionese. Já ouvi que conquistar os Nove Generais Divinos é o requisito para a vitória, mas tem umas coisas que preciso perguntar.”

Abel: “O quê? Há espaço para dúvidas?”

Abel ergueu uma sobrancelha e repousou a mão sobre o mapa na mesa enquanto Subaru se recuperava do choque inicial. Se ele achasse que tinha explicado tudo com aquilo, seria o exemplo perfeito de um gênio mudo. Comparado a Zikr e aos demais — sem falar do Povo de Shudrak —, Subaru tinha bem menos informações sobre o Sacro Império de Vollachia.

Subaru: “Então, dá pra duvidar sim. Se você continuar pulando explicações porque já sabe do que está falando, ninguém vai saber exatamente o que se passa na sua cabeça.”

Abel: “Vou tomar isso como um conselho e deixar pra lá. Agora, fale logo sua pergunta.”

Subaru: “Guarde esse ‘deixar pra lá’ pra você…”

Subaru suspirou enquanto Abel cruzava os braços com ar de superioridade. Depois, resignado à atenção que recaía sobre ele, levantou a mão — quatro dedos de um lado e cinco do outro — e disse:

Subaru: “São Nove Generais Divinos, e ainda bem que é número ímpar, porque isso acaba virando uma questão de força numérica. Mas os que estão do nosso lado ainda são um mistério; no momento, Arakiya e esse tal do Chisha estão, sem dúvida, do lado inimigo. Já estamos muito em desvantagem.”

Teoricamente, precisavam conquistar o apoio de pelo menos cinco, mas o adversário já tinha dois dos Nove Generais sob seu comando.
Além disso, não se sabia se Goz, quem ajudou Abel, estava vivo ou morto. Ou seja, havia uma grande chance de que uma das cartas em jogo tivesse sido permanentemente descartada.

Subaru: “A situação só piora a cada minuto. É bom ter as condições de vitória bem claras, mas será mesmo possível convencer cinco dos Nove Generais Divinos?”

Al: “Ei, mano, acho que você ainda tá subestimando demais o Imperador. Já falei isso antes: ele venceu a Cerimônia de Seleção Imperial. Não podem simplesmente negar que ele venha conversar. Contanto que não o façam esperar do lado de fora…”

Priscilla: “――Então teremos a chance de decapitar quem se opuser a nós, ao mesmo tempo.”
Subaru: “Precisamos trazê-los para o nosso lado!”

As palavras de Al, que tentava dissipar as dúvidas de Subaru, foram rapidamente ofuscadas pelo comentário cortante de sua própria senhora – de todas as pessoas. Enquanto debatiam como conquistar os Nove Generais Divinos, sugerir eliminar aqueles que não se alinhassem seria como tentar colocar a carroça na frente do dragão terrestre.

Abel: “Mas o palhaço de capacete de ferro ali está certo. Se eu disser que quero encontrá-los, nenhum General recusará o encontro. O problema é o que acontece depois que nos reunirmos.”

Al: “O palhaço de capacete de ferro sou eu?”

Subaru: “Não há mais ninguém usando capacete de ferro. Se você se incomoda com ele te tratando como um palhaço, comece por fazer uma petição à Priscilla.”

Depois de calar as provocações de Al, Subaru voltou ao assunto.

Subaru: “Primeiro, não entendo bem o sistema dos Nove Generais Divinos. Sempre imaginei que fossem nove Generais que respondessem diretamente ao Imperador. Isso não significa que todos estejam na Capital Imperial?”

Priscilla: “Os Generais de Primeira Classe são o alicerce desta nação. Pense no quão vasto é este Império. Mesmo que a Capital fique bem no centro, como poderiam agir com rapidez numa emergência se todos permanecessem lá?”

Zikr: “Exato. Ainda que sua presença tenha sido drasticamente reduzida durante o reinado de Sua Excelência, as chamas da agitação civil nunca se apagam neste Império. Ter uma base firme na Capital não é garantia de segurança.”

Subaru: “…Ou seja, os Nove Generais Divinos estão espalhados por todo o país, fora da Capital?”

Enquanto Priscilla e Zikr complementavam as informações, Subaru levou a mão ao queixo, compreendendo a nova realidade.

Seguindo um exemplo já conhecido, Roswaal também fora agraciado com o grandioso título de Marquês das Terras Ocidentais, no Reino de Lugnica, e tinha o dever de agir com presteza nos momentos de necessidade. Claro que lhe era permitido formar um exército particular em seu território. — Mas, no caso de Roswaal, sua força individual superava em muito a de uma tropa mal organizada. Bastava lançar bolas de fogo enquanto voava para derrotar a maioria dos adversários por completo.

Subaru: “Pensando bem, esse cara também é um verdadeiro ‘truqueiro’… Fico curioso pra saber onde ele se encaixa em relação aos Nove Generais Divinos.”

Kuna: “Não sei, mas acho que estamos saindo do assunto, Natsumi.”

Subaru: “Foi mal. De qualquer forma, já entendi que os Nove Generais Divinos estão espalhados pelo país. Se for assim, posso concluir que nem todos participaram do golpe na Capital?”

Abel: “Pelo que observei e, na prática, diria que sim.”

Abel assentiu, confirmando a observação de Subaru. Para ser sincero, Subaru ainda tinha suas dúvidas sobre essa avaliação – afinal, a impopularidade de Abel era notória – mas o silêncio dos demais sugeria que, por ora, aquilo era aceitável.
O lado bom era que nem todos os Nove Generais Divinos haviam se tornado inimigos.
A condição para a vitória, de que quanto mais Generais divinos eles garantissem, maiores as chances de êxito, fazia todo sentido. Se havia algo que ainda inquietava Subaru, era…

Subaru: “Desculpa tantas perguntas, mas tenho mais uma. Se os Nove Generais Divinos são simplesmente classificados pela força, a prioridade não deveria ser para os de maior hierarquia, certo?”

Abel: “Sim, essa ideia está correta.”

Subaru: “Então, aquele forte o bastante pra estar no mesmo patamar que Reinhard seria o Cecilus, né? É óbvio que deveríamos focar nele… Não seria suficiente?”

Entre os quatro humanos mais poderosos – aqueles que fizeram nome nos Quatro Grandes Países – se Cecilus, mencionado como um dos quatro, era considerado à altura de Reinhard, seria como se o desfecho da batalha dependesse apenas dele. Afinal, a ideia de que Reinhard poderia vencer enfrentando todos no Reino já soava quase como um sonho audacioso na mente de Subaru. Naturalmente, ele pressumia que Cecilus, por ser igual a Reinhard, seria a peça-chave. Contudo――

Abel: “…É verdade que se garantirmos essa pessoa, todos os problemas relacionados à nossa força se resolverão de uma só vez.”
Subaru: “Se for assim, por que você está com essa cara amargurada?”

Com o rosto franzido, Abel respondeu à pergunta de Subaru sem esconder o peso da situação. Mesmo que as expectativas de Subaru não parecessem tão distantes, o semblante sombrio de Abel não se alterava; ele soltou um suspiro contido, revelando a razão.

Abel: “O motivo de que conquistar os Nove Generais Divinos seja condição para a vitória é simples: tanto generais quanto soldados obedecem às ordens militares. Quanto mais Generais Divinos você tiver sob seu estandarte, mais tropas se juntarão às suas forças. Entende?”

Subaru: “――? Sim, entendo. É por isso que estou dizendo que devemos garantir o cara mais forte do nosso lado. Ou será que chamá-lo de o mais forte do Império não passa de conversa fiada?”

Abel: “Não, não há dúvida de que ele é o mais forte do Império. Porém, há um problema.”

Subaru: “Um problema?”

Abel: “――Ele não é muito popular.”

Subaru ficou por um instante em silêncio, deixando que aquelas palavras, carregadas de frustração contida, se infiltrassem em sua mente. “Falta de popularidade” — aquela informação se assentava lentamente.

Subaru: “Você realmente acha que devo dizer isso?”

Abel: “É um fato. Ele ostenta o posto de Primeiro entre os Generais de Primeira Classe do Império, mas não detém autoridade. Mesmo que eu lhe concedesse poder, ele seria incapaz de fazer algo com ele. A única coisa que consegue fazer é cortar as pessoas.”

Subaru: “Não dá pra colocar alguém assim no comando de um exército!”

Al: “Calma, calma, relaxa, mano! É assim que o Império funciona, sabe como é!”

Após essa crítica a Cecilus proferida por Abel, Al impediu Subaru de se exaltar. Com um braço em volta de Subaru, Al inclinou a cabeça para olhar Abel e disse:

Al: “Na verdade, você só lhe deu o título de Primeiro. Talvez devesse ter tentado conceder a autoridade que ele realmente merece. Quem sabe ele tenha sido enganado por alguém que o adulava, né?”

Abel: “Claro que não desejo que alguém além de mim o utilize. Se houvesse tal perigo, já teria me livrado dele há muito tempo.”

Subaru: “Mas você estava sozinho na floresta, indefeso…!”

Mesmo que ele dissesse estar no comando, se a realidade fosse diferente, nada passava de vanglória. Afinal, seria inconcebível levar a sério a ideia de que o homem, rotulado como o mais forte do Império, não consegue conquistar popularidade num Império tão dedicado à força.

Subaru: “E quanto a isso, Zikr-san?”

Zikr: “Eu, é?”

Subaru: “Hum, sim. Como General do Império, quero saber sua opinião sincera. O que você acha do General de Primeira Classe Cecilus?”

Sondado por Subaru, Zikr respondeu: “Pois bem,” cruzando os braços por um momento e, depois, assentindo várias vezes com o olhar expectante de Subaru.

Zikr: “Primeiro, não há dúvida de que Cecilus-dono é a pedra angular da nossa defesa nacional e o símbolo da força do Império. ‘O povo do império deve ser forte’ — ele é a encarnação desse ideal.”

Subaru: “Ah, isso soa bem… E então, qual é o problema?”

Zikr: “Como pessoa, ele é despreocupado, amigável, e exibe um jeito sempre solto e acolhedor com todos. Mas, no geral…”

Subaru: “No geral…?”

Zikr: “Muitos dos soldados o veem como um monstro incompreensível, alguém com quem é impossível se comunicar em um nível mais profundo. Acredito que Sua Excelência está certa em sua avaliação.”

Subaru: “Sua avaliação tomou um rumo inesperado, não é!?”

Zikr, que até então pintava um quadro positivo, escolheu suas palavras com cautela. Alguns poderiam pensar que ele estava só tentando ser gentil com Abel, o Imperador, mas as linhas de preocupação entre suas sobrancelhas mostravam o esforço; provavelmente, ele falava a verdade.

Ou seja――
Priscilla: “Seria imprudente, para não dizer temerário, tentar reprimir o Primeiro dos Nove Generais Divinos numa jogada única para desequilibrar a balança. Não consigo compreender como você ousa ter uma ideia decente, mesmo com a cabeça cheia de devaneios insensatos.”

Subaru: “Cala a boca! Não me culpe pela falta de popularidade dele! Se o Imperador e os Generais não forem populares, não é de se admirar que tenha rolado um golpe de estado!”

Abel: “Quantas vezes você vai repetir isso? Não pense que seu desrespeito passará despercebido para sempre.”

Recebendo olhares cortantes de Priscilla e Abel, Subaru, em um gesto irreverente, mostrou a língua para eles.
Mas era fato que seu plano havia sido despedaçado com facilidade. Se conquistar os Nove Generais Divinos equivale a somar números na batalha, então garantir aqueles que não são populares não traz nenhum benefício.

Subaru: “Na verdade, se eles não são populares, podemos simplesmente deixá-los de lado…?”

Abel: “Isso também é um problema. Esse sujeito tem o poder de mudar o curso da guerra sozinho, dependendo da situação. Mesmo que consigamos garantir todos os outros Generais Divinos, há uma boa chance de que, por si só, ele possa acabar com a minha cabeça.”

Subaru: “Esse cara é difícil de lidar! É um entrave absurdo, não é?!”

Correr atrás de conquistá-lo não seria o ideal, mas deixá-lo solto era perigoso demais — uma verdadeira bomba-relógio que não se pode negligenciar.

Foi só agora, em uma terra estrangeira, longe de casa, que Subaru percebeu o quão valioso Reinhard era, com suas habilidades e humanidade garantidas.

Talvez, se o chamasse alto o bastante, ele viria correndo até o país vizinho?

Priscilla: “Deixe-me dizer uma coisa, plebeu tolo. Se está pensando em convocar o Santo da Espada, saiba que ele não pode cruzar fronteiras por causa do pacto de não-agressão. Seria sensato não alimentar falsas esperanças.”

Subaru: “Não leia a mente dos outros. Eu nem estava considerando isso de verdade… Depender dele só quando estou em apuros não é o jeito certo de tratar um amigo.”

Se o usasse por conveniência, só porque poderia chamá-lo e tê-lo ao seu lado num instante, não poderia chamar isso de amizade de verdade.

Se a situação realmente piorasse, talvez não pudesse dizer o mesmo. Mas, até que esse momento chegasse, Subaru estava decidido a manter seus princípios intactos.

Priscilla: “E então? O plebeu tolo que está sendo tratado como estrategista militar de Abel já esgotou suas perguntas?”

Subaru: “Ainda não acabei com as perguntas, e, antes de tudo, não sou estrategista militar…”

Subaru respondeu, franzindo a testa enquanto Priscilla zombava de sua posição. Então, quando estava prestes a passar para o próximo assunto da reunião――,

???: “――Senhorita Natsumi e Chefe da Aldeia-kun! Com licença!”

No instante em que uma voz animada ecoou, a porta se abriu, e uma nova pessoa surgiu na sala de reuniões com energia.

Quem apareceu foi Flop, um belo homem vestido de azul, com seus longos cabelos dourados balançando com vivacidade.

Flop deveria estar cuidando dos feridos no andar superior, onde ainda restavam os estragos causados pelo surto de Arakiya. Enquanto se tornava o centro das atenções na sala, ele olhou para Subaru e Abel e assentiu, dizendo: “Aí estão vocês”.

A figura de Flop estava manchada de sangue por toda parte, realçando o horror do improvisado hospital de campanha. Mas o fato de ter aparecido ali significava que――,

Subaru: “Flop-san, como está o tratamento de todos?”

Flop: “Acabamos de encerrar, por enquanto! …Hmm? Pelo visto, você tá mais para Marido-kun do que para Senhorita Natsumi hoje? Se for o caso, volto a te chamar de Marido-kun.”

Subaru: “Tanto faz. Mas, sim, parece que as coisas estão se resolvendo…”

Enquanto lidava com as palavras ligeiramente oblíquas de consideração de Flop, Subaru sentiu um misto de alívio e ansiedade ao ouvir que o processo de cura havia terminado.

O alívio vinha do simples fato de que o auxílio aos feridos estava concluído. A ansiedade, por outro lado, era causada pela incerteza em relação aos resultados desse esforço.

O objetivo do “cerco sem derramamento de sangue” já havia falhado. Sete guardas haviam se tornado vítimas durante a extração de Arakiya. A única dúvida agora era se algum dos feridos se juntaria a eles.

Flop: “Não houve mortes, Marido-kun.”

Subaru: “Eh…”

Flop: “A situação foi difícil para todo mundo, viu? Mas acho que foi graças aos esforços da Esposa-san e da Sobrinha-chan. A rapidez da senhorita Taritta e da senhorita Utakata também ajudou muito. Claro, eu e minha irmã tivemos que suar a camisa!”

Lendo os sentimentos de Subaru em sua expressão, Flop deu a resposta que ele mais queria ouvir.

Se gabando de suas contribuições enquanto apontava para si mesmo com um gesto confiante, Flop parecia orgulhoso de seu papel. Sua resposta foi direta, e Subaru precisou de apenas um instante para absorver a informação.

E, no momento seguinte, quando realmente compreendeu o que aquilo significava, um longo suspiro escapou de seus lábios.

Subaru: “Sem mortes… Hk.”

Flop: “Sim, é um sinal de que todos lutaram para sobreviver. Eu mesmo teria batido a cabeça e morrido se não fosse pela minha irmã me protegendo! Hahaha, eu não sou páreo para ela!”

Subaru: “É… Eu também não sou páreo para a Medium-san…”

Enquanto Flop ria de maneira vibrante, Subaru abaixou a cabeça, com os ombros tremendo levemente.

Sem exagero ou brincadeira, ele realmente sentia o mesmo. Se Medium―― ou qualquer outra pessoa, por sinal―― não estivesse lá, esse relatório jamais teria sido ouvido.

Havia vidas que foram perdidas. Mas também havia vidas que foram salvas.

Essas emoções transbordavam em seu coração――,

Abel: “――Mercador, o que aconteceu com aquela praticante das artes curativas?”

Apesar da agitação de Subaru, Abel se intrometeu na conversa com um tom indiferente.

“Praticante das artes curativas”. Subaru arqueou uma sobrancelha ao ouvir a expressão incomum, enquanto Flop levava um dedo aos lábios, pensativo.

Flop: “Ah… Está falando da Esposa-san do Marido-kun?”

Abel: “Quem mais poderia ser? Acredita haver outra pessoa naquele lugar capaz de usar magia de cura além daquela garota?”

Flop: “Não, não consigo pensar em mais ninguém! Só que…”

Abel: “Só que?”

Flop: “Acho que você deveria tentar falar de um jeito que as pessoas gostem mais de você, Chefe da Aldeia-kun. Mesmo quando quer informações, as coisas fluem melhor se você for mais amigável!”

Abel ergueu uma sobrancelha em resposta ao protesto alegre, porém direto, à sua frente.

A declaração de Flop era digna, mas ouvir algo assim de forma tão franca era, no mínimo, desconcertante.

Naturalmente, ouvir Rem ser reduzida a apenas suas habilidades não agradou nem um pouco a Subaru.

Al: “Depois dessas palavras nada respeitosas, nem parece que você tá em posição de dar lição de moral, mano.”

Subaru: “Considerando tudo que passamos, acho que tenho o direito de falar isso… E o Flop-san também, não acha?”

Al: “Não sei, mas tô morrendo de curiosidade pra saber das suas aventuras, mano.”

Era uma história turbulenta demais para contar naquele momento, mas esse era um assunto para outra hora.

Independentemente de como Abel havia se referido a ela, a segurança de Rem era a prioridade máxima de Subaru. E, claro, ele já tinha confirmado com os próprios olhos que ela não tinha sofrido nenhum trauma aparente.

Subaru: “Ela fez alguma coisa do tipo, trabalhar demais e acabar desmaiando?”

Flop: “Não se preocupe com isso, Marido-kun. Claro, todo esse esforço deixou marcas, mas nada que um pouco de descanso não resolva. É realmente maravilhoso ter uma Esposa-san tão dedicada ao seu lado.”

Subaru: “Entendo… Bem, isso é um alívio.”

Acariciando o peito em sinal de alívio, Subaru ficou satisfeito com a garantia de Flop.
A situação era o que era. Por mais que precisasse contar com Rem, no fundo, temia que ela se esforçasse demais. Não importava o que ele dissesse; se estivesse ao alcance dela, Rem não o ouviria.

Al: “…Esposa-san?”

Al murmurou baixinho ao lado de Subaru, que acabara de suspirar aliviado.
Com a mão no queixo do capacete de aço, inclinou a cabeça, intrigado.

Al: “Não acho que vi ela lá em cima, mas aquela garota do seu grupo veio pra cá também?”

Subaru: “A garota do meu grupo… você tá falando da Emilia-tan? Não, ela não veio. Seria um alívio enorme ter ela aqui… mas, por outro lado, eu não gostaria que ela estivesse.”

A natureza gentil de Emilia e o jeito do Império de Vollachia eram como água e óleo.
Embora houvesse a possibilidade de Emilia, que agia antes de pensar, se adaptar ao estilo direto do Império, a crueldade do lugar ia muito além disso. — Emilia não combinava com o Império.

Al: “…Uma esposa que não é a sua garota, hein?”

Subaru: “Só pra deixar claro, estamos levando isso como uma questão de conveniência. Pra falar a verdade, ela é alguém que eu decidi cuidar com todo meu coração. Eu vou levar ela de volta pra casa, não importa o que aconteça.”

Al: “……”

Subaru explicou com firmeza para Al, que murmurava em tom baixo, com a mão no queixo.
Enquanto estivessem no Império, não havia risco de boatos estranhos se espalharem pela boca de Al, mas Subaru não queria que ele interpretasse as coisas errado. Não queria que sua determinação fosse enfraquecida.

Priscilla: “Aquele homem de aparência delicada, o que chamam de comerciante… Você é um dos subordinados de Abel?”

Flop: “Não, não sou subordinado dele. Minha irmã e eu estamos cooperando com o Marido-kun e o Chefe da Vila-kun. Bem, acho que dá pra dizer que ele é meu mais novo amigo!”

Priscilla: “Oh, um amigo, é?”

Trocando palavras com Flop, Priscilla curvou levemente os lábios ao ouvir a resposta.
Escondendo o sorriso com seu leque, lançou um olhar carregado de significado na direção de Abel.

Priscilla: “Não sabia que você estava tão empenhado em fazer amigos. Parece que o trono do Imperador de Vollachia anda fácil de ser deixado vazio.”

Abel: “Poupe-me do sarcasmo. Não me lembro de ter feito amizade com esse homem.”

Flop: “Do que você tá falando, Chefe da Vila-kun? Atravessamos juntos o vale da morte usando roupas de mulher!”

Abel: “Se enganar a morte junto com alguém o transforma em amigo, então todo soldado imperial é meu amigo. E aquele que esteve mais perto da morte ao meu lado… é meu inimigo.”

A resposta impecável, aproveitando-se de sua própria posição, fez Flop ficar em silêncio.
Mas era uma lâmina de dois gumes que também não deixava Abel ileso.

Subaru: “Enfim, Flop-san trouxe boas notícias. Eu também queria falar de algo positivo…”

Abel: “…Espere.”

Subaru: “…O que foi?”

Num encontro tão sombrio, falar sobre algo otimista era um alívio.
Mas, antes que Subaru pudesse continuar, Abel ergueu o queixo na direção de Flop.
O olhar de Subaru seguiu aquele gesto, voltando-se para Flop.

Subaru: “Flop-san?”

O motivo para a interrupção ficou claro ao notar a mudança na expressão de Flop.
Embora ainda mantivesse seu sorriso alegre, em seus olhos—sempre tão brilhantes quanto o sol—havia uma sombra sutil de hesitação e melancolia.

Abel: “Se você é um comerciante, deveria ter mais cuidado com as palavras. Nesse sentido, não acho que você sirva pra essa profissão.”

Flop: “Já ouvi essa opinião algumas vezes, então tenho meus pensamentos a respeito, mas vou deixar isso de lado por enquanto… Marido-kun, tem uma coisa que esqueci de mencionar antes.”

Subaru: “……”

Ignorando a provocação de Abel, Flop piscou em um gesto pensativo e voltou os olhos para Subaru.
O rosto bem-apessoado e a melancolia em sua expressão apertaram o coração de Subaru.
Parte dele queria não ouvir o que Flop diria, mas não tinha escolha.

Nesse aspecto, Flop tinha um talento natural para fazer os outros ouvirem. Se não fosse pelas circunstâncias, Subaru até o elogiaria por isso.
Ainda assim…

Flop: “Isso também envolve o Chefe da Vila-kun. Quero que a Srta. Kuna e a Srta. Holly venham conosco.”

Agora que não podia mais impedir Flop de falar, Subaru odiou aquele talento—como se fosse uma maldição.


???: “…Então, Abel e Natsumi também vieram, hein.”

Após serem chamados por Flop, Subaru e os outros deixaram a sala de conferências e subiram até o andar superior do prédio da Prefeitura.

No espaço que lembrava um hospital de campanha, onde os feridos estavam reunidos, quem os recebeu foi Mizelda – com os cabelos negros queimados cortados de forma irregular.

O grupo que havia invadido Guaral foi pego de surpresa pelo ataque repentino de Arakiya. Ainda assim, Mizelda foi quem sofreu os ferimentos mais graves. Primeiro, foi consumida pelas chamas; depois, teve de suportar os golpes ferozes que trocou com Arakiya até o amargo fim.

Seu corpo inteiro fora queimado e, como se isso não bastasse, foi engolida pelo tornado que a inimiga conjurou. Por fim, um golpe final dilacerou suas entranhas.

Por mais resistente que fosse, até mesmo o vigor de Mizelda estava sendo testado até o limite – um desafio cruel para a cura imperfeita que Rem conseguia realizar em seu estado atual.

Mizelda: “Desculpem por chamarem vocês aqui. Achei que precisava contar o quanto antes.”

Subaru: “Mizelda-san…”

Com um sorriso fraco, Mizelda falou enquanto se apoiava em um objeto próximo à parede.

A selvageria que antes dominava sua postura como uma das amazonas mais poderosas estava ausente. Contudo, a determinação em seu olhar permanecia firme – ainda que parecesse em desequilíbrio com seu corpo debilitado.

Mizelda: “Antes de mais nada, obrigada. Graças à Rem, ainda estou viva. É um milagre.”

Subaru ficou em silêncio. Palavras pareciam insuficientes diante de alguém que tinha lutado até aquele ponto e pago um preço tão alto.

Mizelda: “Vocês também reconquistaram a cidade. Como Chefe dos Shudrak, preciso reconhecer o mérito disso. Além disso… há algo que devo declarar para o futuro desta guerra.”

Elogiando o esforço de Rem e a contribuição de Subaru, Mizelda se endireitou, mantendo a dignidade mesmo em seu estado enfraquecido. Então, sem hesitar, fez seu anúncio.

Mizelda: “A posição de Chefe dos Shudrak será passada para minha irmã, Taritta. Não posso mais cumprir meus deveres.”

Com um gesto calmo, ela bateu na perna direita – ou no que restava dela, amputada abaixo do joelho – e anunciou que sua irmã assumiria o papel.

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