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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 7 – Capítulo 30

Herói Autoproclamado, Natsuki Subaru

A expressão de Mizelda era resoluta enquanto declarava que abriria mão de sua posição como Chefe.

A dominância de sua beleza selvagem e de olhos fortes não havia diminuído, e ela ainda era exatamente a mesma de quando a viram pela primeira vez. Nos bons e nos maus momentos, a impressão de ser uma mulher forte permanecia a mesma.

E com essa noção ainda presente, tendo perdido sua perna direita, Mizelda havia decidido renunciar à sua posição como Chefe.

Todos: “――――”

Os que cercavam Mizelda eram aqueles que abrigavam um profundo senso de arrependimento.

O Povo de Shudrak, aqueles que haviam testemunhado de perto a força de Mizelda, sua Chefe, não seriam capazes de descartar sua amargura e sensação de perda tão facilmente.

A falta de expressão de Kuna era intensificada por sua frieza habitual, ao lado de Holly, cujo estado relaxado usual foi substituído por uma expressão sombria. Utakata, de olhos lacrimejantes, mordeu o lábio e baixou a cabeça, enquanto todos os Shudrakianos restantes também exibiam expressões melancólicas em seus rostos.

No entanto, a mais abalada entre todos eles――

Taritta: “Ah, irmã, é impossível. Não tem como alguém como eu ser uma boa Chefe…”

Mizelda: “――Taritta.”

Taritta: “É porque é você, irmã, que você conseguiu! Eu não tenho capacidade pra isso…”

Balançando a cabeça em discordância, Taritta implorou freneticamente.

Que ela, a irmã mais nova de Mizelda, que havia sido pessoalmente nomeada para ser a próxima Chefe, respeitava e praticamente idolatrava sua irmã mais velha era fácil de imaginar, baseado em cada uma de suas palavras e ações diárias.

Por essa razão precisamente, Taritta estava em negação, incapaz de aceitar o fato de que Mizelda havia perdido sua perna. Ela parecia ainda mais perturbada do que a própria Mizelda.

Rem: “…É por causa da minha falta de habilidade.”

O apelo angustiado de Taritta foi recebido por uma voz fraca e autocrítica.

Veio do outro lado da sala repleta de corpos feridos, de Rem, que estava em estado de exaustão, fazendo uso de sua bengala para ficar de pé.

Ela era a única existência neste lugar capaz de usar magia de cura. Fazendo-se útil, Rem se agitou da esquerda para a direita, indo de pessoa em pessoa, esforçando-se para salvar muitos dos feridos. Só se podia adivinhar pelas roupas manchadas de sangue, cabelo desgrenhado e expressão fatigada o quão desgastante havia sido.

No entanto, a pessoa em questão não se importava, e até mesmo as palavras de agradecimento de Subaru no início haviam sido recebidas com um simples “Estou bem” de dispensa.

Mesmo assim, ninguém tinha o direito de condenar Rem por sua falta de força.

Sem ela, não teriam sido capazes de atingir um resultado desprovido de fatalidades do ataque de Arakiya. Todos entendiam isso.

Portanto――,

Mizelda: “Rem, não precisa se preocupar. Tive sorte de sair da batalha com a General Imperial tendo perdido só uma perna… Não, foi porque você me ajudou.”

Rem: “Mizelda-san… isso pode ser verdade, mas――”

Mizelda: “Eu sou grata a você. Não tenho mais nada a dizer.”

Rem foi impedida de falar mais, enquanto Mizelda repetiu sua gratidão.

Rui, seu longo cabelo loiro em desordem, se aconchegou ao lado da silenciosa Rem. Enquanto a primeira pegava delicadamente a bainha do vestido da segunda, Rem baixou o olhar calmamente, colocando a mão no ombro de Rui.

O remorso e a impotência que Rem estava sentindo eram dolorosamente óbvias para Subaru. Mas o homem moreno de cabelos escuros deu um passo à frente mais rápido do que Subaru pôde dizer qualquer coisa.

Abel: “Mizelda, você não tem intenção de mudar de ideia, tem?”

A pergunta de Abel ao dar um passo à frente foi recebida com um aceno de Mizelda, que estava sentada sobre um objeto.

Ao sentir a superfície de sua perna amputada e enfaixada com os dedos, ela disse,

Mizelda: “Não tenho. O pacto entre os Shudrak e o Imperador de Vollachia continua de pé. Mas daqui pra frente, você vai ter que falar com a Taritta… quer dizer, com a Chefe.”

Abel: “――. Entendo. Mizelda, você cumpriu bem seu papel.”

Mizelda: “Mh.”

Mizelda havia endurecido sua determinação em renunciar e Abel mostrou sua compreensão à resposta dela enquanto cruzava os braços. Com isso, Mizelda soltou um pequeno suspiro e mostrou um sorriso largo.

Com um sorriso fraco, ela olhou para cima para Abel.

Mizelda: “Se vai ser assim, me mostre seu sorriso. É de sua obrigação como um homem bonito.”

Abel: “――. Hmm.”

Mizelda: ” Isso serve.”

Apesar de ter perdido a perna recentemente, Mizelda ainda era feroz demais.

Até mesmo Abel, arrogante como era, não a criticou por sua falta de respeito, e até sorriu para sua atitude.

Acima de tudo, isso era prova de que o Imperador, cujo trono havia sido usurpado, demonstrava seu respeito pela guerreira que vivia na selva.

E então――,

Mizelda: “――Escutem, meus irmãos!”

O rosto sorridente de Mizelda endureceu, enquanto ela levantou a cabeça para falar em voz alta.

Ouvindo o som feroz de sua voz, todos os Shudrak endireitaram suas posturas para ouvir com atenção.

Mizelda: “Como eu disse antes, estou cumprindo meu dever como Chefe! Agora passo o papel de Chefe pra minha irmã, Taritta! Todo mundo, obedeçam a Taritta daqui pra frente!”

Shudrakianos: “――――”

Mizelda: “Esse é meu último comando como Chefe. ――Obrigada pelos votos ancestrais e pelo orgulho ancestral.”

Shudrakianos: “――Obrigado!!”

Mizelda concluiu, e os Shudrakianos pareciam estar recitando algo.

Ele não conhecia seus costumes ou práticas de longa data. Mas até mesmo Subaru, um estranho e leigo, podia sentir que era um ritual de sucessão.

Foi curto, informal, e uma combinação de herança prática e conceitual.

Neste lugar, a posição de Chefe do Povo de Shudrak havia sido herdada, passando de Mizelda para Taritta.

Taritta: “Irmã…”

Mizelda: “Não abaixe a cabeça, Chefe. Sua hesitação é nossa hesitação. Sua fraqueza é nossa fraqueza. Sua morte é nossa morte.”

Taritta: “――――”

Aproximando-se dela, Mizelda encorajou a nova Chefe, Taritta, cuja expressão estava turva.

Isso não faria Taritta se sentir melhor de uma vez. No entanto, Taritta deve ter percebido que se apegar a ela não mudaria a situação.

Após alguns momentos de silêncio, Taritta assentiu timidamente e silenciosamente.

Mizelda: “――――”

As emoções complexas que passaram pelos olhos de Mizelda ao ver isso eram algo que passou despercebido por Taritta enquanto ela baixava a cabeça. ――E era algo que ninguém além dela mencionaria.


Subaru: “…Pra falar a verdade, isso foi inesperado.”

Com o discurso de sucessão da Chefe e o relatório de danos concluídos, Subaru chamou Abel.

Abel franziu a testa ao ser parado sem receber um assunto concreto. Mostrando desagrado, ele então indagou sobre a verdadeira intenção de Subaru com um “O que foi?”,

Abel: “Tenho muito no que pensar. Você, de todas as pessoas, não deveria estar me atrapalhando.”

Subaru: “Você é duro como sempre, não é… É que eu fiquei surpreso. Você aceitou a Mizelda-san sair da linha de frente assim, de boa.”

Abel: “――――”

Subaru: “Achei que você ia falar que ela só perdeu uma perna. Pensei que ia mandar ela trabalhar até cair.”

Mesmo achando isso extremo demais, Subaru declarou seus sentimentos honestos para Abel.

Este era o Imperador que havia anexado o Povo de Shudrak às suas tropas com o objetivo de recuperar o trono, e alguém que havia considerado poluir a Cidade Fortaleza de Guaral com veneno, na pior das hipóteses.

Abel―― não, Vincent Vollachia, estava muito disposto a fazer tais coisas.

Abel: “Bobagem. Qual seria o sentido de ser tão forçado assim?”

No entanto, a resposta de Abel para Subaru, que estava preparado para lançar palavras de abuso e sua verdadeira opinião, foi calma e sóbria.

Na frente do decepcionado Subaru, Abel olhou para os Shudrakianos conversando à distância.

Abel: “Olha, eu não desejo que meus subordinados façam mais do que conseguem. Mesmo que eu ordene que façam o máximo, seria ilusão esperar que fossem além dos limites deles.”

Subaru: “――――”

Abel: “Se alguém render mais do que eu avaliei que era capaz, o plano vira uma bagunça. Eu só peço o que eu exijo, nada mais, nada menos. E a Mizelda cumpriu o papel dela. Nesse caso, a única coisa que posso dar a ela é uma recompensa.”

Com palavras, motivá-los. Com recompensas, fazê-los exceder suas habilidades. Com elogios, fazê-los prometer melhorar da próxima vez.

Subaru sempre havia pensado, com absoluta certeza, que era assim que pessoas poderosas subjugavam seus subordinados. Portanto, a resposta de Abel estava em contradição direta com o que Subaru tinha em mente.

Ele não solicitaria trabalhos além das capacidades de seus subordinados.

Parecia um bom ambiente para os subordinados trabalharem, embora simultaneamente também fosse solitário.

Abel: “Nem preciso dizer que render menos do que o esperado gera uma punição. Punição ou recompensa na medida certa, você entende o que isso significa, certo?”

Subaru: “…Então quer dizer que eu vou ser punido?”

Abel: “Se você fosse meu subordinado, sim. Mas você é meu subordinado?”

Olhando diretamente para frente, os olhos de Subaru se arregalaram com as palavras de Abel.

Claro, Subaru não se lembrava de ter se tornado subordinado de Abel. Em sua discussão com Priscilla, Abel havia tratado Subaru como um estrategista militar, mas ele não tinha nenhuma intenção de se tornar um formalmente.

Subaru: “Não é que eu não goste do título de estrategista militar, mas eu não quero ser tipo… seu subordinado.”

Abel: “E então é isso. Você não é meu subordinado e, portanto, não se enquadra na categoria de receber punição ou recompensa definitiva.”

Subaru: “Pensando bem… o que você é pra mim, afinal?”

Por causa da situação deles, foram forçados a se acompanhar. Não tinham o relacionamento de mestre e servo em primeiro lugar, nem qualquer tipo de relacionamento pessoal.

Eram duas pessoas presas em um fluxo de obstáculos, e uma vez que esses obstáculos fossem superados, seus caminhos se separariam. Esse era o tipo de relacionamento que tinham.

Chamá-los de amigos, ou aliados, ou camaradas, seria simplesmente falso. Se houvesse algo em que pudessem ser classificados, seria companheiros de travestismo.

Abel: “Alguns tiveram a liberdade de me chamar de amigo, mas você não.”

Subaru: “Ah. Eu sou meio tímido, então não consigo virar seu amigo assim tão fácil.”

Dada a situação atual, a pessoa que poderia tê-lo chamado de amigo aqui seria ou uma pessoa muito boa ou uma fraude, e Flop seria o primeiro.

De qualquer forma――,

Abel: “Vou retomar minha conversa com Priscilla. Vá fazer o que mais precisa fazer.”

Subaru: “O que eu preciso fazer…”

Abel: “Não preciso te falar o que é.”

Sendo cortado por aqueles olhos amendoados, o olhar de Subaru deixou Abel e se dirigiu para o canto da sala.

Lá, ele encontrou a figura de Rem sentada no chão. Não conseguia distinguir sua expressão abatida à distância, mas não havia dúvida de que deixá-la sozinha não seria bom.

Ele estava um pouco irritado por Abel ter dito para ele fazer isso primeiro, porém.

Subaru: “Não quero que você arrume briga com a Priscilla de novo. Só toma cuidado com o jeito que fala com ela.”

Abel: “Tenho certeza que muita gente diria que é você, e não eu, quem deveria ouvir isso.”

Palavras odiosas foram retrucadas com mais palavras odiosas, e Subaru se separou de Abel, que voltou para a sala de conferências.

A perna de Mizelda mudaria a situação do Povo de Shudrak, então seria necessário levar isso em consideração ao se envolver em discussões com Priscilla.

No entanto, havia pouco espaço para Subaru na conversa entre os seres celestiais, Abel e Priscilla.

A prioridade para Subaru era falar com a única pessoa que podia.

Subaru: “――Rem, posso falar com você agora?”

Ele respirou fundo levemente e se acalmou, antes de se dirigir a Rem.

Sentada com os joelhos dobrados e as costas contra a parede, Rem se mexeu ligeiramente com as palavras de Subaru, sua figura fracamente refletida em seus olhos azul-claros.

Rem: “…É você? Quando vai trocar de roupa?”

Subaru: “Vejo que tem prioridades diferentes da minha. Assim que a gente terminar de conversar, eu troco.”

Rem: “É mesmo? Então a conversa já acabou. Por favor, vá trocar de roupa.”

Subaru: “Que grosseria!”

Subaru ficou desamparado e levantou a voz após a resposta direta de Rem. Com a voz de Subaru, os olhos de Rem se afiaram e ela disse: “Por favor, fique quieto”.

Então ela apontou o queixo para a garota apoiada em seu ombro esquerdo.

Rem: “Desse jeito você vai acordar a Rui-chan que tá dormindo. Pense nela.”

Subaru: “Bem, eu…”

Rem: “Ou será que você não quer ter essa mínima consideração com essa garota?”

Subaru: “Não fala assim. Foi mal…”

Respirando levemente enquanto dormia, Rui se aconchegou mais perto de Rem.

Rui havia estado ajudando Rem a tratar os feridos; suas roupas brancas estavam manchadas de sangue aqui e ali. Pelo que ele havia aprendido com a atitude de Rem e de Utakata, ela havia feito exatamente como lhe haviam dito, embora de forma inadequada.

Naturalmente, os pensamentos internos de Subaru eram confusos, porém.

Rem: “Me incomoda quando você faz essa cara séria com essa aparência.”

Subaru: “Ah, é, foi mal. Minha maquiagem tá toda borrada, deve tá horrível.”

Rem: “Já tava horrível mesmo quando tava arrumada.”

Subaru: “Haha…”

Os ombros de Subaru caíram em depressão com o comentário de Rem, que era tão duro quanto sempre. Subaru então lentamente se sentou lado a lado com Rem, à sua direita, oposto a Rui.

Ele espiou o olhar de protesto de Rem, mas conscientemente o ignorou.

Subaru: “Rem, você foi incrível. Todo mundo sobreviveu graças a você.”

Rem: “…Eu sei muito bem que não tenho poder suficiente. Pra falar a verdade, sou inútil.”

Subaru: “Rem…”

Em resposta às palavras de gratidão, Rem olhou para suas mãos em frustração. Ao contemplar aqueles dedos pálidos, Rem estava mordendo o lábio fracamente.

Subaru: “Você não é inútil de jeito nenhum. Mesmo com as memórias confusas, você usou sua magia de cura perfeitamente e salvou muita gente. Mas…”

Rem: “Eu sei. Se eu estivesse completa, essa magia não teria sido assim.”

Subaru: “Assim?”

Rem: “Minha magia de cura. A magia que eu tô usando agora é por intuição, tipo… autodidata. Até consegui dar um jeito com a ajuda da Rui-chan. Mas mesmo assim…”

As palavras de Rem não continuaram além desse ponto.

A razão pela qual ela não continuou depois disso era porque era algo que não precisava ser dito. Ela sabia que, se colocasse em palavras, se tornaria uma lâmina com a qual se machucaria, e que a dor a consolaria, embora ligeiramente.

Reclamações, quando faladas, machucariam a si mesmo e aos outros. Em compensação, porém, aliviaria o coração de alguém apenas um pouquinho. E Rem não gostava da ideia de aliviar seu coração.

Era prova de que ela realmente se culpava por sua incapacidade de salvar os outros, por causa de sua falta de poder.

Subaru: “――――”

Mais uma vez, Subaru entendeu dolorosamente os sentimentos de Rem.

Lamentar que se poderia ter feito mais era mais doloroso do que uma parede inatingível. Seria ainda pior quando se tratasse do futuro de outra pessoa, alguém além de si mesmo.

――A perda da perna de Mizelda havia deixado algo pesado nas profundezas do coração de Subaru.

Não era uma vida. Mas não era difícil imaginar a magnitude de perder um de seus quatro membros.

O exemplo mais próximo era certamente Al, um homem de um braço só que havia perdido o braço esquerdo. Além disso, havia a Cidade das Comportas de Pristella; durante aquela batalha, Ricardo havia perdido um de seus braços em um confronto contra Gula.

Havia sido um evento extremamente chocante, mas não era uma tragédia tão remota que não pudesse acontecer. Na verdade, para aqueles que se colocavam em perigo, poderia ser mais apropriado chamá-la de uma tragédia familiar.

Ainda assim――,

Subaru: “É difícil.”

Rem: “…Sim.”

O murmúrio ressecado de Subaru foi recebido com um pequeno aceno de Rem bem ao seu lado.

Esta foi a primeira vez que ele recebeu um aceno direto sem repercussões, mas infelizmente ele não estava no estado de espírito certo para apreciá-lo. Rem lançou um olhar para Subaru, este último segurando um nó no fundo do peito.

Rem: “A anterior… A eu de antes, será que teria conseguido…?”

Subaru: “…A você de quando ainda tinha as memórias?”

Rem: “Sim. Se fosse a magia de cura da eu de antes, a perna da Mizelda-san talvez…”

“Poderia ter sido salva”, Subaru fechou os olhos com as palavras que teriam se seguido.

Não era que ele não pudesse compreender o que Rem estava pensando. Mas era difícil para Subaru, estando de fora, julgar até que ponto a presença ou ausência de memória havia afetado a magia de cura de Rem.

Mesmo que fosse possível quantificar o poder de cura, seria difícil para Subaru avaliá-lo.

No entanto――,

Rem: “――――”

Rem, seus olhos azul-claros cheios de emoção sincera, estavam direcionados para Subaru.

Se a resposta que ela estava procurando era algo que Subaru poderia fornecer, ele não sabia, mas havia apenas duas escolhas na frente dele: “A Rem anterior poderia” ou “A Rem anterior não poderia”.

Qual das duas se revelaria a salvação para Rem?

――Ou melhor, qual das duas salvaria Rem de ser ferida ainda mais?

Subaru: “…Mesmo com as memórias, acho que teria sido impossível.”

Rem: “――――”

Subaru: “Magia de cura não é onipotente. Nesse caso, só sei que a Rem teria feito o melhor que conseguisse.”

Ele respondeu após alguns segundos de pensamento agonizante, que pareceram muito mais longos na mente de Subaru.

Mesmo que Rem tivesse suas memórias, mesmo que sua magia de cura estivesse em perfeitas condições, ela não teria sido capaz de salvar a perna de Mizelda.

A verdade era que não se tratava de “e se”.

Se começassem a falar sobre “e se”, não haveria fim. Era verdade que Rem não havia sido capaz de salvar a perna de Mizelda. Mas além de Mizelda, ela havia salvado as vidas de muitas outras pessoas feridas.

Ela deveria ser elogiada por suas conquistas, e não havia razão para se culpar.

Na verdade, se alguém devesse ser culpado, deveria ser――,

Subaru: “Eu não fui forte o suficiente.”

Rem: “Eh…”

Subaru: “Eu não pensei direito. Devia ter analisado melhor as coisas.”

Ao ouvir essa resposta cuspida por Subaru, os olhos redondos de Rem se arregalaram.

Na frente de Rem, Subaru cerrou os molares com força e cobriu o rosto com as duas mãos.

Se alguém fosse amaldiçoar a falta de força, a culpa deveria cair sobre Subaru.

Subaru: “Tudo. É tudo culpa minha.”

Apesar das afirmações pomposas de um “cerco sem sangue”, a realidade estava longe de tais resultados.

A intrusão de Arakiya havia causado muitos ferimentos, e sua recuperação havia trazido a morte para vários guardas. Não havia havido baixas dentro de suas próprias fileiras, mas levando em consideração a perna perdida de Mizelda, como poderia ser chamado de “sem sangue”?

Ele havia fracassado. Era uma pilha de fracassos, e a chance de recuperação havia sido perdida.

Tudo que ele queria era o melhor final feliz possível, e o que Subaru havia obtido era ou um final feliz mais ou menos ou o que deveria ser chamado de um final ruim mais ou menos.

Para parafrasear as palavras de Abel de antes, punição ou recompensa definitiva―― a punição deveria seguir.

Se Subaru fosse um dos homens de Abel, não seria estranho ter sua cabeça cortada.

――Na pior das hipóteses, ele teria que Retornar Através da Morte.

Pensamentos como esses cruzaram sua mente.

Nesse caso, ele provavelmente voltaria ao ponto de retorno mais recente, ao momento da batalha sangrenta contra Todd em Guaral. ――O medo causado pela lembrança daquele momento fez seu corpo inteiro tremer.

Ainda assim, mesmo que ele voltasse àquele momento de terror, se pudesse recuperar o que haviam perdido――,

Rem: “…Por quê?”

De repente, essa palavra atingiu os tímpanos do Subaru reflexivo.

Levantando o rosto imediatamente, ele foi recebido de frente pelos olhos de Rem olhando diretamente para ele.

Os olhos de Rem, que haviam estado úmidos de remorso até pouco antes, agora estavam encarando Subaru diretamente, segurando um remorso ainda mais forte dentro deles.

Rem: “Por que virou culpa sua?”

Agitado pelo olhar de Rem, mais palavras foram empilhadas sobre Subaru, incapaz de se mover.

Ela estendeu a mão, seus olhos úmidos, e enquanto indicava a Prefeitura devastada, disse,

Rem: “Então a perna da Mizelda-san, os machucados da Rui-chan e da Utakata-chan, os ferimentos da Medium-san e do Flop-san, tudo isso é culpa sua?”

Subaru: ”Sim. Essas coisas não teriam acontecido se eu tivesse me preparado melhor.”

Rem: “Você bolou um plano, e esse plano aparentemente maluco deu certo. Você conseguiu segurar o General de Segunda Classe e entrar na cidade sem deixar ninguém lutar. Exatamente como a gente planejou.”

Subaru: “Mas depois disso…”

Rem: “――Quem se importa com o que aconteceu depois!?”

Com a persistência de Subaru, Rem levantou as sobrancelhas e elevou a voz. Rem rapidamente virou o rosto, e por causa disso, Rui, que estava apoiada nela, caiu em seu colo.

Rui se mexeu ligeiramente e gemeu suavemente, sem acordar. Enquanto apoiava o ombro de Rui, Rem bufou ligeiramente e olhou para Subaru novamente.

Rem: “Ninguém podia prever o que ia acontecer depois. A aparição daquela mulher seminua e o ataque dela, ninguém esperava por isso. Então…”

Subaru: “――――”

Rem: “Então por que você é responsável por tudo?”

Subaru engoliu em seco quando a pergunta de “por quê” foi novamente feita a ele.

Se você perguntasse a ele por quê, ele acharia que era a responsabilidade de quem tinha poder.

Da mesma forma que Rem lamentava a falta de poder em sua própria magia de cura, Subaru às vezes se arrependia e lamentava o fato de que sua própria Autoridade não podia compensar isso. O escopo do Retorno Através da Morte era maior.

O futuro poderia melhorar ou piorar, dependendo de se Subaru exercesse seu poder.

No entanto――,

Subaru: “É que…”

――Era uma verdade que não podia ser contada a outra pessoa, mesmo que a pessoa fosse Rem.

Não estava restrito apenas a Rem.

A autoridade que Subaru exercia, isso sozinho ele não podia propagar para ninguém, não importa quão aberta fosse a outra parte. ――Não, ele era incapaz de falar sobre isso mesmo para alguém com quem tivesse estabelecido um vínculo emocional.

Se ele contasse, não havia como ele pudesse divulgar a verdade sem possivelmente causar a morte dessa pessoa.

Ele tinha medo da dor. A dor provocada por tentar contar a alguém sobre o Retorno Através da Morte era aterrorizante.

Quem poderia se acostumar com aquela dor intensa que agarrava o coração de alguém, não importa quantas vezes a experimentasse?

Mas o que era verdadeiramente assustador não era a dor, mas a perda.

Havia algo neste mundo que fosse mais aterrorizante do que a perda?

Não era por causa desse medo extremo precisamente, que essa Autoridade havia sido concedida a Natsuki Subaru?

Rem: “…Por que você me protegeu?”

Subaru: “Hã…?”

Rem continuou a falar como se tivesse desistido de Subaru, este último silencioso e incapaz de responder.

Por um momento, Subaru piscou, sem ter certeza do que ela estava falando.

Rem: “Quando aquela mulher seminua me atacou. Eu derrubei um pilar, mas não funcionou… Ela veio pra cima de mim, e você ficou na minha frente.”

Em uma tentativa altruísta de salvá-la de ser atacada por Arakiya, Subaru havia ficado na frente de Rem.

Com os braços estendidos, ele estava desesperado para manter qualquer ameaça longe de Rem. Naquele momento, Subaru não se importava se Arakiya fosse tirar sua vida.

Ele queria que Rem sobrevivesse, por pelo menos um segundo a mais.

Isso era――,

Rem: “O resultado do seu cerco sem sangue, o fato de você ter me protegido naquela hora, e até a perna da Mizelda-san, você tá tentando carregar tudo sozinho…”

Subaru: “――――”

Rem: “Você não é forte o suficiente pra fazer tudo isso sozinho… No começo, fiquei com medo de você por causa daquele cheiro horrível.”

Foi aí que Rem interrompeu suas palavras, e assim que o fez, ela olhou para Rui em seu colo.

Acariciando suavemente seu cabelo dourado, Rem engasgou e calmamente voltou o olhar para Subaru, dizendo

Rem: “Eu, a Rui-chan, o Abel-san, a Mizelda-san e os outros, a Medium-san e o Flop-san, todo mundo tem vontade própria, e você não precisa se matar pra proteger a gente.”

Subaru: “Ah…”

Rem: “Por favor, não tenta fazer tudo sozinho. Você não precisa assumir responsabilidade pelas nossas ações.”

A boca de Subaru abriu e fechou repetidamente, oprimido pela chuva de palavras.

Seu cérebro se recusava a compreender o que estava sendo dito, de forma rápida. No entanto, um senso de urgência não identificado queimou o coração de Subaru, forçando-o a não ouvir mais.

Com emoção sincera, direcionada a um Subaru amaldiçoando sua própria falta de poder, Rem retrucou.

Ele tinha que impedi-la de dizer qualquer coisa além disso――,

Rem: “Você não é uma pessoa especial――”

Ele sabia que não deveria ter permitido que ela dissesse isso.

Rem: “――Porque você não é um herói.”


Cambaleando, Subaru caminhou pela Prefeitura como se estivesse vagando.

Ele não tinha destino em mente. Nem sequer estava claro quando ele havia começado a andar, para começar. Quando voltou a si, estava andando, e se algo, sua consciência ainda permanecia em um estado de imprecisão.

Subaru: “――Hk.”

De repente, ele foi atingido de frente por um impacto duro.

Dando uma olhada, parecia que ele havia batido em uma parede. Ele estava andando enquanto olhava apenas para seus pés, essa era a razão. Batendo a testa contra a parede nua, Subaru segurou a testa dolorida e exalou.

Então, sem pensar, ele bateu a testa contra a parede sólida novamente.

Um impacto firme e um som abafado, e Subaru sentiu uma dor aguda em seu cérebro.

Ao sacudir seu cérebro de fora, ele sentiu como se a estagnação que permeava todo o seu corpo estivesse lentamente retrocedendo.

Da mesma maneira, Subaru bateu a testa contra a parede repetidas vezes.

Bum, bum, bum――

???: “Ei, ei, para com isso, irmão.”

Quando ele puxou para trás para bater novamente, seu ombro foi agarrado por trás. Ele havia sido chamado.

O que entrou em vista quando Subaru se virou foi um olhar que encontrou o seu próprio por trás de um capacete de aço direcionado para ele. Ainda segurando Subaru pelo ombro, a outra parte estralou os ossos de seu próprio pescoço e falou,

Al: “Eu entendo a vontade de querer morrer. Mas não importa quantas vezes você faça isso, não vai ter fim.”

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