Subaru: “Wabuh ――!”
???: “Aaah! Subaru-sama, me perdoe!”
Em meios à borrifos e salpicos, Subaru foi encharcado por uma torrente de água que desceu por cima de sua cabeça. Enquanto deixava escapar uma queixa assustada, perguntando-se o que diabos acabara de acontecer, um pedido de desculpas vindo de uma voz aguda alcançou seus ouvidos.
Quando Subaru olhou para cima ao chacoalhar sua cabeça, viu as cortinas oscilarem de uma janela aberta; seu olhar encontrou-se com o de uma garotinha ― Petra, que o observava de cima para baixo.
Petra parecia ter acabado de jogar um pouco de água da janela do segundo andar.
É claro que Petra não seria mal-criada ao ponto de esparramar água no jardim. Ela despejou a água na borda do canteiro, para se certificar que ninguém se molharia.
Subaru: “E, para meu azar, eu estava cuidando das flores bem aqui…”
Petra: “M-me perdoe, Subaru-sama! Eu vou pegar uma muda de roupa agora mesmo….”
Subaru: “Ahh, você não precisa se preocupar. Eu só me ensopei um pouco e…caramba, que fedor! Quer dizer então que eu não fiquei só ensopado!?”
Petra: “Foi a água que eu usei para limpar o quarto… de qualquer forma, eu vou buscar agora mesmo, me espere no regadio.”
Disse Petra para Subaru, que estava abismado pelo cheiro horrível da água suja em cima dele. E assim, sua feição adorável retirou-se para o outro lado da janela, e ela começou a correr para pegar outra muda de roupa, com seus passos batendo no chão.
Subaru sorriu ironicamente ao ver Petra aflita, rindo mais ainda devido a sua maldita sorte, e dirigiu-se ao regadio do jardim da mansão, seguindo exatamente as ordens de Petra.
Subaru: “Bem, eu já planejava mesmo me trocar depois de terminar a jardinagem…”
Subaru se consolou com o fato de seus planos terem se adiantado um pouco.
Se Petra ia trazer uma muda de roupa, ele próprio iria limpar a sujeira. Antes de pegar água do poço, ele tirou sua camisa apressadamente――,
???: “――Hm, que ousadia a sua, se despindo tão subitamente.”
Subaru: “Espera……aaaaaaah!?”
???: “Nossa, e pensar que você soltaria um grito tão parecido com o de uma garota… Normalmente nossas posições estariam trocadas, não acha?”
Uma menina de cabelos cor-de-rosa disse isso enquanto encarava os gritos de Subaru ― Velha Ryuzu, que estava sentada em uma rocha no jardim perto do regadio.
Ela olhou para Subaru, que cobriu a parte exposta de seu rosto, abraçando sua camisa ao peito; seus olhos cintilavam de esperteza em contraste com a sua aparência assustadoramente jovem.
Ryuzu: “Você não precisa se esconder assim. Eu já estou acostumada a ver o corpo nu de um garoto. Eu vivia com o menino Garf, sabe.”
Subaru: “Bem, você pode até estar certa, mas uma vergonha é uma vergonha, né!?”
Ryuzu: “Não tem nada com o que se envergonhar. Além disso, seu porte físico não é tão ruim assim. Na verdade, é bem agradável aos olhos. Bem agradável aos olhos, deveras.”
Subaru: “No fim das contas, ainda é vergonhoso. Ryuzu-san, você não tá agindo meio estranha?”
Ryuzu se destacava pelo seu comportamento que de modo nenhum condizia com sua aparência, com sua relaxada e calma forma de falar, porém, ela causou uma forte impressão em Subaru a respeito de como tudo nela, com exceção de sua aparência, fazia jus ao trabalho que lhe fora confiado.
Foi por essa razão que ele ficou surpreso quando ela o provocou, referindo-se à parte despida de seu corpo.
Subaru: “Estou certo ao achar que isso é principalmente porque você foi liberta da árdua responsabilidade de ser líder do Santuário?”
Ryuzu: “Eu suponho que seja isso até certo nível. Embora eu tenha saído do Santuário, me mudei para um lugar que o menino Ros preparou, e uma posição parecida me foi passada. Logo, se perguntasse a mim mesma se um peso foi tirado de meus ombros, então…”
Ryuzu disse, apontando seus olhos afiados para trás dela ― diretamente para a mansão.
Ela não estava especificamente olhando para a mansão, mas sim para as pessoas vivendo nela. Para ser ainda mais preciso, ela provavelmente estava contemplando uma família que consistia numa irmã mais velha e um irmão mais novo, que ela amava como se fosse seus próprios netos.
Tendo finalmente se reconciliado com Frederica, Garfiel também foi libertado da cruz que havia carregado por anos. Apesar disso, Subaru se surpreendeu quando ele se tornou um moleque astuto muito além do que imaginava, como resultado de ter se livrado de seus fardos.
Subaru: “Está solitário viver longe do Garfiel e da Frederica?”
Ryuzy: “Nn… por que pensou isso tão de repente?”
Subaru: “Foi de repente? Bom, eu pensei acerca disso. Claro, seria de grande ajuda se eles ficassem juntos na mansão para a Seleção Real da Emilia, mas…..”
Ryuzu: “Não dá pra evitar. Há muitos problemas para mim ao viver na mansão, claro, e também por causa dos clones…… minhas irmãs. Não acho que sejamos úteis também.”
Subaru: “――――”
Ryuzu respondeu com uma breve risada, e Subaru fechou a boca enquanto a ouvia.
“Eu não estava falando sobre ser ou não útil”, era o que Subaru queria gritar.
Contudo, os detalhes da situação não poderiam se resolver com nada que fosse um berro de criança.
Atualmente, na Mansão Roswall, as pessoas permitidas para ficar eram apenas as que possuíam um papel ativo, e que poderiam cumprir com suas responsabilidades. Em tempos assim, regras severas a tal ponto eram necessárias.
Subaru:”…… Ainda assim, Garfiel tem catorze anos. Ele ainda é uma criança.”
Ryuzu: “――.Você é gentil. Está preocupado com o menino Garf?”
Subaru: “Bem, sim…… Quando eu próprio tinha catorze, eu era um moleque tolo e imaturo. Mesmo agora, a parte do “moleque tolo” não mudou, mas costumava ser pior. Ao ponto de ficar puto comigo mesmo por pensar que não seria nem mesmo capaz de nada longe dos meus pais.”
Claro, indo de encontro à sua vida neste mundo, Subaru experimentou um dia a dia leve e indulgente, algo pacificamente tão bom quanto ser posto para dormir em um berço.
Garfiel tinha catorze anos ― mesmo que ele tivesse a idade de um aluno do fundamental, algo assim não se encaixava nesse mundo, e Garfiel era muito mais maduro que Subaru nessa idade.
Ainda assim――,
Subaru: “Você pode retribuir o bem que lhe fizeram…. é o que eu penso……”
Ryuzu: “Fufu, permita-me reformular o que eu disse. Você não é apenas gentil, mas delicado e todo verde, também.”
Subaru: “Eu me lembro de um ditado famoso que diz que homens não devem apenas serem fortes, mas também gentis…. huh? Seguindo essa lógica, eu não sou um homem porque não sou forte….? O que que eu sou?
Uma risada irrompeu da garganta de Ryuzu ao ver Subaru incapaz de se defender do que havia acabado de dizer. Subaru achou que a reação dela foi algo inesperado, enquanto a via limpar o canto de seus olhos com um dedo, dizendo: “desculpa, desculpa.”
Ryuzu: “Entendi o que quis dizer. De tempos em tempos eu vou aparecer só para me certificar de que o menino Garf e Frederica não se sintam sozinhos. Está bem assim?
Subaru: “Desculpa. Isso provavelmente pareceu um intrometido te dizendo o que fazer.”
Ryuzu: “Você não precisa se desculpar….. é só que, se isso se trata de uma criança bem pequena, que ainda está longe da maturidade, que está longes dos pais, tem alguém mais jovem que o menino Garf na mansão, não tem?
Subaru: “Você fala da……”
Logo após Subaru tentar adivinhar a quem Ryuzu se referia, um barulho de passos se aproximou deles. Quando ele e Ryuzu viraram os olhos na direção do barulho, avistaram Petra indo ao encontro deles.
Petra tinha em mãos uma muda de roupas, e dizia, “Subaru-sama~!”, enquanto ia na direção dele, cheia de energia. Ela parou, no entanto, logo antes de se aproximar do regadio.
Petra: “Wah! Aaa! Subaru! Por que você está nu!?”
Subaru: “Ah, caramba. Eu ia tomar banho, mas me entreti nessa conversa profunda aqui.”
Petra corou, comentando sobre o corpo meio nu de Subaru enquanto cobria sua face com as duas mãos. Entretanto, ela olhava para ele do espaço entre os dedos que escondia o seu rosto, com Subaru concluindo como uma reviravolta clichê dos acontecimentos, algo que ele estava acostumado a ver em animes e mangás.
Até as orelhas de Petra estavam numa cor vermelho vivo enquanto ela gritava, “ah, ah” com bastante entusiasmo.
Subaru: “Olha, Ryuzu-san. As pessoas chamam isso de uma típica reação fofa de uma menina adolescente.”
Ryuzu: “Muito ganancioso da sua parte me pedir para agir assim… Pra começar, não adiantaria nem mesmo se eu fizesse. Eu já sou uma pessoa idosa.”
Subaru: “Além do seu jeito sábio de falar, você não aparenta ser uma pessoa idosa.”
Respondendo à voz tranquila de Ryuzu, Subaru pegou um balde de água do poço. Ele derramou a água fria como gelo na sua cabeça, dizendo: “Aah! Frio!
Subaru: “De qualquer modo, essa sua reação foi muito adulta para sua idade, Petra.”
Petra: “Ah, Subaru-sama, você ainda está me tratando feito uma criança, não é mesmo? Estou só dizendo, mas eu acabei de completar treze anos. Um ano de diferença do Garf-san!”
Subaru: “Mesmo que tivesse alguma coisa a ver com data de nascimento, o fato de haver uma diferença de um ano entre Petra e Subaru me parece um pouco engraçado….”
De um lado havia Garfiel, cuja aparência e força de combate não se assemelhavam em nada a de um garoto de catorze anos, embora sua personalidade parecesse. Do outro, Petra, que mais parecia um broto gradualmente florescendo numa rosa, mantendo sua aparência jovem e adorável.
Era natural que assim fosse, porque o tempo voa e não pode ser parado, mas a ideia de crescer era algo preciosa.
Subaru: “Bem, eu tenho dezoito, e Emilia-tan e Beako não mudam de aparência. Nesse sentido, eu sinto um grande potencial da Petra…..”
Ryuzu: “Ah, menino Su, menino Su. É mesmo certo um adolescente olhar para as coisas de uma perspectiva dessa?”
Subaru: “Mesmo que você me dissesse isso….. ah, obrigado pelas roupas, Petra. Elas caíram das suas mãos enquanto você me encarava.”
Mexendo a cabeça para tirar a água do cabelo, Subaru pegou a blusa caída nos pés de Petra, e a vestiu depois de tirar as manchas de terra. Petra pareceu perceber só agora que deixou as roupas caírem, dizendo um “ah” enquanto se dava conta de seu erro.
Petra: “Uu~, desculpe. Me desculpe pelas suas roupas, e por ter te molhado antes…”
Subaru: “Que nada, foi um erro até que fofo. Deixando de lado as minhas roupas, eu me molhei porque dei azar. Por causa disso, eu mostrei um lado meu inconveniente para duas damas.”
Ryuzu: “Ah, você me contou como uma dama…. ora, ora, você é bom em flertar com idosas.”
Subaru riu ironicamente para Ryuzu, que fez um meneio lento com a cabeça, seu comportamento o mesmo de sempre. Depois disso, ele acariciou gentilmente a cabeça de Petra, que ainda refletia consigo mesma, sorrindo para ela com um “está tudo bem.”
Subaru: “Todo mundo erra de vez em quando, e não é como se eu tivesse me machucado. Não foi nada demais mesmo.”
Petra: “……Sim, eu entendo. Vou me certificar de escrever sobre isso no meu diário”
Subaru: “Você está escrevendo um diário? Isso é ótimo. Eu sou do tipo de pessoa que faz um pouquinho a cada dia, mas meus diários nunca duram, não importa o que eu faça”.
Ele era capaz de fazer seus treinos diários e tinha o hábito de correr todo dia, mas, estranhamente, seus diários não duravam muito tempo. Possivelmente porque o conteúdo do que ele escrevia todos os dias não era consistente.
Soma-se isso ao fato de que seus dias de folga eram chatos e monótonos, então ele não tinha muito o que escrever naquela época.
Subaru: “Embora meu Diário Adorável da Beako ainda esteja em andamento……”
Petra: “Você vai mostrar para a Beatrice-chan mais tarde?”
Subaru: “Sim, quero mostrar o quanto eu a mimo diariamente com carinho”.
Não apenas isso, mas as reações de Beatrice eram dramáticas e adoráveis. Se isso significava ser carinhoso com Beako, então Subaru se desafiaria de bom grado a superar sua própria fraqueza de não ser consistente escrevendo seus diários.
De qualquer forma..,
Petra: “Então, do que vocês dois estavam falando?”
Subaru: “Ahh, só papo furado? Algo do tipo: “Você não se sente sozinha por estar separada de Garfiel?” ou coisas do tipo…… mas, você também está longe de seu pai e de sua mãe. Você não tem saudades de casa nem nada?”
Petra: “‘Saudades‘…… você está me perguntando se eu sinto falta de casa?”
Levando um dedo em seus lábios, Petra franziu sua testa enquanto tentava encontrar sentido nas palavras de Subaru. Ela parecia estar em profunda reflexão, murmurando: “Hmmm, deixe-me pensar…” antes,
Petra: “Às vezes, me sinto sozinha. Mas é o que eu decidi que quero fazer, e é isso que estou fazendo agora. Não posso ficar me lamentando”.
Subaru: “Nossa, que madura…… você ouviu, Ryuzu-san?”
Ryuzu: “Eu ouvi, eu ouvi. Nossa, você parece que está orgulhoso dela, não é?”
Ryuzu acenou com a cabeça para Subaru, que se virou, genuinamente orgulhoso da confiante resposta de Petra.
Era exatamente como Petra havia dito.
Ele também estava no meio da tentativa de realizar o que se comprometeu a fazer. Se assim fosse, em vez de ficar se queixando pelos lados, ele precisava levantar a cabeça e sorrir, mesmo que estivesse agonizando em dor.
Petra: “Subaru-sama, respondi corretamente?”
Subaru: “– Sim, claro. Como era de se esperar de você! É a resposta que eu queria!”
Petra: “Oba!”
Em resposta à pergunta da já preocupada Petra, Subaru levantou o corpo dela em seus braços.
Era a mesma sensação de quando levantava a Beako, mas Petra era mais pesada em comparação com ela – porque ela estava em fase de crescimento.
Subaru: “Você não tem mais idade para eu fazer isso, hein……”
Petra: “Isso é óbvio! …… Mas, se você vai fazer uma cara tão triste, acho que posso lhe fazer companhia”.
Subaru: “Oh, obrigado!”
Embora ela tenha virado seu rosto para longe dele, ela estava permitindo que ele fosse egoísta. Aproveitando-se da bondade dela, Subaru passou mais algum tempo lamentando a chegada da idade de Petra.
Olhando para os dois estava,
Ryuzu: “Bem, bem, difícil dizer qual deles é a criança.”
Ryuzu, que murmurou isso com seu jovem rosto, mas do jeito que faria uma pessoa idosa.
――Em meio a borrifos e salpicos, Subaru foi banhado por um sangue negro desde sua cabeça, e as cenas de sua vida piscando diante de seus olhos se encerraram abruptamente.
A única coisa em comum entre a cena e a realidade era o líquido sendo derramado sobre sua cabeça, mas se ele dissesse a Petra que o fragmento de memória que a envolvia estava sendo lembrado neste exato momento, imaginou que a deixaria furiosa.
Entretanto, para ser castigado dessa maneira, Subaru não podia se dar ao luxo de parar em seu rastro aqui.
Subaru: “Por que a flecha do caçador atingiu a serpente……!?”
O que obstruiu sua grande fuga, segurando Rui relutantemente em seus braços, foi a enorme cobra que estava se escondendo dentro da floresta.
Quando suas mandíbulas abertas estavam prestes a engolir Subaru por inteiro, uma poderosa obstrução se prendeu entre eles dois, e ele teve a sorte de ter escapado por um triz da morte.
Subaru: “――――”
O que perfurou o corpo da Serpente, espesso como três Subarus juntos, foi uma flecha disparada pelo caçador, que atormentava Rem e ele, dificultando as coisas até ali.
Ele pensou na possibilidade de que o caçador tivesse inesperadamente os perdido de vista, mas como a flecha tinha atravessado o centro da serpente, ele sentiu que a possibilidade de um disparo errado era terrivelmente baixa.
O que significava que..,
Subaru: “O caçador me salvou……!?”
Embora ele não conseguisse entender nada, nenhuma outra resposta lhe veio à mente.
Ele estava certo de que o caçador não agiu por mero capricho, e também era difícil imaginar a situação de repente se desdobrando em uma cena típica de um mangá shounen, como, por exemplo, “Eu que vou te matar!
No entanto, se Subaru considerasse apenas o que acabara de ocorrer, então ele foi realmente resgatado pelo caçador. Além disso, o efeito do único golpe não se limitou apenas deter as presas iminentes da enorme Serpente durante este momento.
Serpente Majuu: “――ϡϡ!!”
Com seu corpo perfurado pela flecha, a cobra ensanguentada soltou um grito que fez o céu estremecer, soando como se duas coisas fossem raladas uma contra a outra, produzindo um guincho de partir os ouvidos.
Assim, ao invés de perseguir Subaru, que tentava fugir dele, a serpente virou-se na direção de onde a flecha veio – fixando sua mira no arqueiro que chumbou o seu corpo, começando a deslizar pela floresta, ignorando quantas plantas danificava ao longo do caminho.
Foi tenebroso ver uma cobra de dez metros de comprimento rastejando no chão da floresta, aproximando-se de sua presa.
Sem aparentar ser lenta apesar de seu corpo gigantesco, a visão dela se movendo no chão como se deslizasse pela superfície, fazia crer que o chão que sustentava a floresta estava em movimento.
O caçador contra-atacou a investida da cobra com uma flecha, mas ela não atingiu o alvo.
Serpente Majuu: “――ϡϡ!!”
Mostrando suas presas salivantes, a enorme Serpente apontou para o caçador à medida que se aproximava.
Saltando para fora do caminho, o caçador a evitou, disparando uma flecha à queima-roupa, indo para o tudo ou nada.
Uma violenta batalha entre o homem e a Serpente, um querendo matar o outro, estava se desdobrando além das árvores.
Em meio aos sons de colisões e explosões espalhados por todo o lugar, cortesia da luta que acontecia onde nem o caçador nem a cobra recuavam, Subaru atirou-se de volta para o grande buraco em que estava Rem, mantendo Rui firme em seus braços.
E então――,
Subaru: “Rem, me dê sua mão! Vamos aproveitar e sair daqui!”
Rem: “――hk, a garota está segura?”
Subaru: “Sim, ela está dormindo feito uma pedra! Aqui, rápido!”
Ele estendeu a mão para Rem, que estava encostado à parede dentro do grande buraco. No entanto, Rem olhou para sua mão, antes de balançar a cabeça com um “Não” e colocar suas mãos na borda do buraco sozinha.
Foi um gesto de teimosia, dizendo que não pegaria a mão que Subaru estendeu para ela. Se este era o caso, então estava tudo bem. Subaru retirou sua mão, puxando seu chicote e usando-o para amarrar Rui às suas costas.
Se Subaru a jogasse para fora, um conflito entre ele e Rem surgiria mais uma vez. Ele queria evitar tal coisa.
Subaru: “Além disso…!”
Rem: “Esper…”
Depois de fixar bem o corpo de Rui nas costas, certificando-se que ele não a deixaria cair, Subaru puxou Rem com força, que rastejou para fora do grande buraco, em seus braços.
Com isso, ela estava sendo carregada como uma princesa. Rem fechou sua expressão devido a esse gesto imprevisto de Subaru.
No entanto――,
Subaru: “Pense! Eu ou o caçador ou a Serpente, qual você prefere nesse momento!?”
Rem: “…… Se eu pudesse me comunicar com ela, a Serpente”.
Subaru: “Você não pode, por isso, por favor, tenha paciência comigo, o segundo-lugar! Vamos!”
Subaru desviou os olhos de Rem, que não foi capaz de disfarçar seu descontentamento interior, embora ele acreditasse que suas prioridades eram bastante óbvias. Olhando para a batalha que ainda acontecia entre o caçador e a cobra do canto de olho, Subaru se afastou do campo de batalha, correndo com todas as suas forças.
Quer o vencedor fosse o caçador ou a enorme cobra, Subaru suspeitava que um deles começasse a persegui-lo assim que a luta terminasse. Ele não sabia exatamente quando isso terminaria, ou se seria resolvido mais cedo ou mais tarde, mas queria manter distância deles o melhor que pudesse.
Rem: “――O que você vai fazer?”
Subaru: “Ambos estão realmente acostumados com a floresta, comparados a nós……! Precisamos de uma maneira de afastá-los, mas é inútil fugir da cobra por causa do meu fedor. Então……”
Ele rezou para que o Caçador saísse vitorioso.
Se o caçador fosse um perseguidor sem conexão com o miasma da Bruxa que o impregnava, então valeria a pena colocar em prática os métodos para afastá-los de seus rastros.
Subaru: “Escolher o caminho onde não vou deixar muitas pegadas, apagar os rastros o máximo possível, e depois disso……”.
Rem: “Deixar traços em uma direção separada, não é verdade?”
Rem disse enquanto arrancava um galho que quase fez contato com seu corpo, atirando-o para longe e deixando-o arranhar as árvores que estavam posicionadas em uma direção diferente de sua rota de fuga.
Se os rastros estivessem distribuídos em dois lugares, sendo um o galho quebrado e o outro a marca na árvore, será que o adversário ficaria confuso com isso?
Subaru: “――――”
Como Subaru continuou a correr com Rem em seus braços, uma emoção profunda, imprópria para a ocasião, um tanto quanto nostálgica, lhe passou pela cabeça. Há muito tempo atrás, ele teve a experiência de correr pela floresta enquanto era perseguido por um Majuu, bem parecido com a situação atual.
No entanto, a pessoa que ele carregava não era Rem, mas sim Ram.
Subaru: “Nee-sama também esqueceu, então sou apenas eu… ha… que se lembra, mas……”
Rem: “Você está ficando sem fôlego. Desse jeito eles vão nos alcançar”.
Subaru: “Eu sei! Merda, as duas irmãs… ha… realmente não têm nenhum pingo de misericórdia……!”
A pessoa em seus braços não era Ram, mas a dureza de suas palavras era praticamente idêntica à de sua irmã.
Uma forte emoção percorreu-o ao reconhecer suas semelhanças, e deu um empurrão encorajador para suas costas. Subaru se obrigou a continuar correndo apesar de sua falta de fôlego, confiando a Rem o papel de monitorar o que estava acontecendo atrás deles, e correu desesperadamente pela floresta.
De qualquer forma, Subaru tinha corrido o dia todo hoje.
Ele estava exausto, desgastado física e mentalmente, queria se esparramar pelo chão, se pudesse. Na verdade, ele ia fazer isso quando despistasse seu perseguidor. Ele dormiria por oito horas seguidas.
Subaru: “Então, por favor, aguente até que eu possa fazer isso, querido corpo…!!”
Rem: “――hk, espere!”
Subaru: “Owowowow!? Para que diabos foi isso!?”
Enquanto Subaru se impelia à ação gritando para que seu corpo se movesse, Rem, que era carregada em seus braços, deu um puxão forte em sua orelha. Enquanto ele franzia por causa da dor, Rem apontava para uma direção que se afastava do caminho em que estavam,
Rem: “Consigo ouvir o som de água. A torrente……de um rio? Talvez você possa apagar seus rastros com ele? Você disse que precisava de água também”.
Subaru: “Você estava realmente me ouvindo enquanto falava sobre meu conhecimento de sobrevivência…… Estou lisonjeado, mas isso pode esperar. Você está certa, seria ótimo se houvesse um rio! Se cruzarmos o rio por enquanto, eles certamente vão nos perseguir com maior dificuldade……!”
Infelizmente, o som da água corrente não era audível para Subaru, devido ao barulho incômodo causado por seu rápido batimento cardíaco e respiração, mas ele não tinha motivos para duvidar da audição de Rem aqui, agora.
Obedecendo a Rem, que apontou seu dedo na direção, dizendo “Por ali”, Subaru mudou de rumo, correndo pela floresta enquanto ele procurava o rio.
E então, ao passar pelo tufo de árvores e saltar sobre os fragmentos de grama, assim que o caminho se abriu..,
Subaru: “-Um rio! ……M~a~s~?”
No momento em que a floresta ficou pra trás e seu campo de visão foi ampliado, Subaru pôde finalmente ouvir o som da água corrente em um volume tremendo – sim, um volume tremendo.
Claro que um som como esse chegaria aos seus ouvidos, já que sua nascente era um enorme rio. Até onde Subaru e Rem podiam ver, olhando para ele, a água jorrava por um penhasco de quase dez metros de altura.
Rem: “Não importa como você pense, esta é……”
Em seus braços, Rem segurou um suspiro, contemplando o enorme rio abaixo deles.
Levando em conta o fluxo impetuoso da água e a altura do penhasco, era natural que ela ficasse consternada com a visão. Ela provavelmente também estava se culpando por conduzi-los até ali, tudo porque ela confiou em seus instintos.
Entretanto, não havia tempo para culpá-la pelo que ela já havia se arrependido, nem para fazer o oposto e confortá-la.
Subaru: “――Que droga, a luta acabou!?”
Vindo da floresta atrás dele, um rugido distante e feroz trovejou para o céu.
Soou como o grito da enorme cobra, transbordando algum tipo de emoção. Quer fosse um sinal de vitória ou de derrota, aquele que sobrevivesse viria atrás de Subaru e Rem.
Subaru: “Antes que isso aconteça, temos que……”.
Rem: “――Me deixe.”
Enquanto Subaru pensava sobre como precisavam de sair da área, Rem, ainda perto de seu de peito, declarou isso.
Ouvindo sua voz tensa, Subaru soprou um breve fôlego, e,
Subaru: “O que…em?”
Rem: “Me deixe. Foi por minha culpa que eu fiz você fazer um desvio desnecessário. Um único momento não pode ser perdido. Vou tentar amarrar o atrasar de uma forma ou de outra, então……”
Subaru: “N-não seja ridícula! Deixar você é algo que eu não posso……”
Rem: “Então, que diabos você vai fazer!? Como você, que trouxe uma criança e uma mulher que não consegue mexer as pernas, sem fôlego e com seus joelhos tremendo, pode fazer algo mais do que isso!?”
Subaru: “――――”
Rem gritou para ele de perto, seu rosto ruborizado de raiva. Não era como se Subaru estivesse sobrecarregado com a dureza de suas palavras, mas ele não foi capaz de dar uma resposta imediata.
Subaru não foi esperto o suficiente para propor instantaneamente um plano alternativo.
Entretanto, como ele não era inteligente, ele podia encontrar uma resposta que não o exigisse.
Subaru: “――Não, isso não serviria. Não vou deixá-la aqui”.
Rem: “――fh, essa sua teimosia……”
Subaru: “Qual de nós está sendo mais teimoso, huh!? Eu entendo que você se sente responsável por isso! Mas, você sabe, você está demonstrando seu senso de responsabilidade no lugar errado, na hora errada! Eu não posso simplesmente deixá-la para trás”!”
Rem: “O que……”
Subaru: “É inútil se você não estiver lá comigo! Se você vai morrer, é melhor que eu morra em seu lugar. O que posso fazer para que você o entenda!?”
Subaru falou sério, tentando descartar a ideia de Rem.
Suas palavras vieram do coração. É claro, Subaru não queria morrer também. Mesmo que o “Retorno através da Morte” lhe concedesse uma oportunidade, ele não queria morrer. Por isso, tratava-se apenas de estar preso a um dilema, buscando a melhor opção entre a pior e a escolha mais indesejada.
Mesmo assim..,
Subaru: “Escolherei o método que não fará nenhum de nós morrer.”
Rem: “…… O que você vai fazer com a garota nas suas costas?”
Subaru: “Eu gostaria de usá-la como isca se me fosse permitido, mas ser um alvo de reclamações vai ser um problema. Portanto, por enquanto, vou fugir enquanto permaneço com ela”.
De qualquer forma, já estava incomodando-o a forma como Rui estava sempre sendo motivo de problemas entre ele e Rem.
Entretanto, se ele expulsasse Rui agora mesmo, sua relação com Rem seria danificada para sempre. Essa escolha estava fora de questão. É por isso que, por mais odiosa que fosse Rui, Subaru não podia abandoná-la.
Rem: “――――”
Ao ouvir as palavras de Subaru que vinham de sua vontade resoluta, Rem alargou os olhos, caindo em silêncio.
Mesmo agora, Subaru podia vislumbrar o conflito interior de Rem, incapaz de compreender como ela deveria julgá-lo, que estava envolvida em um cheiro maligno que ela não suportava.
Mantendo sua expressão incerta no canto do olho dele, Subaru averiguou seu entorno, procurando por uma rota de fuga.
No entanto, um caminho que lhes permitisse sobreviver não era algo que pudesse ser encontrado de forma tão conveniente. Subaru pôde ver que a situação proporcionava uma razão suficiente para Rem começar a dizer para usá-la como isca.
Se assim fosse, sua última opção restante era..,
Subaru: “――Pular”.
Rem: “O que…… Es-espera! Isso que é ser imprudente! Você entende a situação em que estamos!?”
Subaru: “Tem eu, que está exausto do peso preso às minhas costas, que carrega uma Rem incapaz de mexer as pernas, que tem três dedos partidos, e cuja caixa torácica está nas últimas……”
Rem: “À respeito de seus dedos…… De qualquer forma! É um absurdo tentar algo assim em seu estado! Desta altura…… no momento em que você saltar, você só vai cair inconsciente e se afogar!”
Apontando para o gigantesco rio abaixo deles, Rem declarou suas realistas discordâncias com o plano de Subaru.
A altura era de dez metros, e eles estavam numa posição em que a pessoa ferida tinha que cuidar de duas pessoas que não conseguiam nem se mover apropriadamente. Se eles tivessem que de alguma forma alcançar a margem oposta enquanto corriam as águas violentas, era natural que vissem isso como um ato suicida.
Subaru: “Mas, não é suicídio. Mesmo que fosse, quando morrermos, morreremos juntos”.
Rem: “Absolutamente não!”
Subaru: “Yep!”
Rem deu nele um esplêndido tapa direto no sorriso que mostrava seus dentes brilhantes. Seu pescoço foi torcido para o lado devido à força colocada no golpe, e enquanto ele pronunciava um, “Ow ow”, a bochecha onde ele tinha levado uma bofetada estava vermelha, e
“Subaru: Já que você está dizendo isso, eu não vou morrer”.
Rem: “――――”
Subaru: “Sou eu quem vai conceder seu desejo. ――Porque, eu sou seu herói”.
Ouvindo suas palavras, Rem olhou fixamente para ele, de olhos arregalados.
Não foi porque suas lembranças tinham pulsado inconscientemente, mas foi uma surpresa o fato de Subaru ter repetido sem vergonha a mesma declaração desconfiada que fizera logo após o seu despertar, sem aprender com o desastre em que resultou.
Mas, tudo bem.
Ele não queria necessariamente que Rem ouvisse o que ele disse há pouco. ――Tudo o que ele queria fazer era lançar um feitiço sobre o homem refletido nos olhos azuis claros de Rem, que escondeu a própria estupidez atrás de um blefe.
Subaru: “Segure firme.”
Subaru exalou enquanto dizia isso, sentindo o perigo se aproximando deles.
Rem estava tentando resistir até agora, mas Subaru já havia empurrado os pés contra o chão, enquanto ele estava escolhendo cuidadosamente as palavras para fazê-la parar. Preparando-se para a queda, Rem agarrou-se firmemente às vestes de Subaru com sua mão.
E então――,
Rem: “――Não vou te perdoar se morrer!”
“Ahh, eu não posso morrer se você disser isso”, riu Subaru ironicamente enquanto dava um forte salto no penhasco.
Uma coluna de água subiu no ar pelo impacto, seu corpo foi engolido por uma força violenta, e ele girou, girou e girou.
Como ele conseguiu mergulhar primeiro com os pés na água, ele manteve no mínimo os danos que recebeu da queda.
Entretanto, o poder do rio era suficiente para causar-lhe o mínimo dano, e para Subaru, cuja barra de vida já estava na zona vermelha, ele não podia apagar a impressão de que tinha apertado os dentes e se virado com a sua escassa força de vontade.
Embora não houvesse necessidade de esgotá-la..
Subaru: “Gah, bh,”
Sem precisar apagar tal impressão, o corpo inteiro de Subaru estava encharcado de água. Ele foi atirado pelo impulso da água, como se fosse uma toalha sendo mexida dentro de uma máquina de lavar.
Ele queria de alguma forma subir à superfície da água, e respirar. No entanto, ele não tinha como fazer isso. Mesmo que ele quisesse agitar seus membros para tentar flutuar, era impossível porque estava carregando algo precioso nos braços.
Subaru: “――――”
Ele estava sendo espremido e amassado pela água, mas sentiu os alvos de seu afeto e ódio em seus braços e em suas costas, respectivamente. Nem o chicote preso a si mesmo, nem seus braços que abraçavam fortemente a garota, estavam se desmanchando.
Subaru: “Gabh… gabh…”
Devido ao impacto ao mergulhar na água, a maior parte do ar que ele havia puxado antes de pular havia escapado de seus pulmões.
Ele não ia nadar, mas precisava tanto de resistência quanto de oxigênio para manter sua sanidade. Já que ambos estavam à beira do esgotamento, ele não podia ficar tranquilo e agir com calma.
Subaru: “Gabh, gabh……”
A água fluía de seu nariz para sua boca e ele sentia como se estivesse entrando também em seus olhos e ouvidos.
Seus pés soltos remaram a água confusamente, e ele também se sentiu impotente para fazer qualquer coisa enquanto era transportado para o estômago do esôfago de uma criatura gigante ― que poderia ser dito que era o rio enorme. Uma vez que ele chegasse “lá”, não seria possível voltar atrás.
Antes de chegar lá, ele precisava fazer algo.
Subaru: “Gabh… gabh…”
Quando ele se agitava desesperadamente na água, muitos pensamentos desnecessários inundavam sua cabeça.
Assim como ele se lembrava de Petra e Ryuzu quando estava banhado de sangue, assim como ele se lembrava de carregar Ram enquanto corria pela floresta, inúmeras coisas lhe passavam pela cabeça.
Emilia, Beatrice, Ram e Meili estão seguras? O que Julius, Anastasia e Echidna estão fazendo? Todos se sentiriam à vontade se Patrasche estivesse lá. Se Patrasche estivesse aqui, ela o teria resgatado. Salvando e sendo salvo. Ele tinha repetido esse ciclo muitas vezes, e Rem deveria ser a pessoa com quem ele mais o tinha repetido, mas ela quebrou seus dedos. Ele não pensou nisso até agora, mas fez um bom trabalho em não gritar, apesar de ter doído muito. Muito bem feito. Ele não queria fazer nada de bobo diante de Rem. Na frente da Emilia, na frente da Beatrice, e na frente da Petra e Garfiel também. Otto, Clind e Frederica sabiam como ele era patético, por isso não se importava com eles. As coisas iriam se transformar em algo assustador se Roswaal soubesse disso, então ele precisava continuar escondendo de alguma forma. Ele precisava voltar rapidamente para Pristella, ajudar as pessoas que precisavam muito,, a Seleção Real, amanhã, todos juntos――,
Subaru: “Gabuh… gabh……”
Todos,,,, juntos..,
Subaru: “――Gahgk,”
Estendendo sua mão com todas as suas forças, Subaru se puxou para perto do galho que conseguiu agarrar. Ele agarrou-o com a mão esquerda e uma dor excruciante percorreu seus três dedos quebrados, mas não foi incomodado por isso.
Seu corpo inteiro estava gelado até o osso, e seus sentidos estavam distantes e sem graça. Havia a possibilidade de que ao invés de três dedos, todos os dedos de sua mão esquerda estivessem quebrados, mas ele pouco ou nada ligou para isso.
Subaru: “Oergh, bhleh,”
Ele entrou em um ataque de tosse, vomitando grandes quantidades da água que havia enchido seu estômago.
Ao fazer isso, ele foi capaz de atrair o peso em seu braço direito para mais perto de si, fazendo com que o rosto dela fosse para acima da superfície da água. Olhando de lado para seu rosto inconsciente, ele correu para rastejar até a margem, confiando no galho.
Subaru: “Gaghk, urgh,”
Na margem onde ele finalmente chegou, a náusea fez com que vomitasse uma enorme quantidade de água. E então, lutando contra a sensação de ter água deixada ainda dentro de seu corpo, ele colocou a menina que arrastou para fora da água no chão.
Subaru: “――――”
Aproximando seu ouvido da boca dela, ele verificou a respiração dela. Não houve reação. Ele mordeu o lábio, empurrando com força contra a área do peito dela, fazendo RCP* nela.
Entretanto, ela não voltou à vida. Enquanto ele se curvava, seu rosto se aproximando dela enquanto se perguntava se deveria fazer respiração boca a boca, ela vomitou um pouco de água junto com uma pequena tosse. Inclinando seu rosto para o lado, Subaru a deixou expelir a água de seu corpo.
Subaru: “Hah, ha……”
Aguentando a fadiga que se instaurava por todo o corpo, ele soltou o chicote que amarrou contra si mesmo, baixando o peso sobre suas costas. Talvez o fato de dela estar inconsciente desde o início tenha ajudado, pois o peso diminuído estava deixando a fraca respiração sair.
Isso significava… que todos estavam… a salvo..,
Subaru: “Sa…. l… vos……”
Sua cabeça balançou para o lado, em meio a vertigens, e desmaiou no local.
Ele pensou que de alguma forma tinha que sair da margem e ao menos se esconder na mata e nos arbustos, mas seu corpo não o ouvia de maneira alguma. Sua energia havia se esvaziado completamente.
Incapaz de mover um único dedo, sua consciência gradualmente caiu nos abismos da escuridão.
Como se ele tivesse ficado preso em um poço de formigas, descendo para o mundo escuro e obscuro, para todo o sempre.
O que ele desejava antes de desmaiar, não tinha a ver com o caçador ou a serpente, mas com alguém que..,
Subaru: “Salve… Rem……”
Havia apenas um desejo, de que alguém pelo menos salvasse Rem, mesmo que fosse apenas ela.
――。
――――。
――――――――。
Subaru: “――ah,”
Lentamente, sua consciência foi arrancada das profundezas da escuridão fria e amarga.
Silenciosamente, ele se lembrou que havia esquecido como respirar, depois engoliu e ingeriu ar em seu corpo vazio. Mais, mais. Ele desejava mais oxigênio como se estivesse se afogando, abrindo bem sua boca,
???: “――Pode ir parando com esse gemido, cara.”
Subaru: “Mrgh,”
Algo foi enfiado à força em suas mandíbulas abertas, e ele foi banhado em abuso verbal.
Incapaz de compreender a situação, ele alargou os olhos, mas não foi capaz de ver nada. Parecia que algo havia sido enrolado ao redor de seu rosto, cobrindo seus olhos. No entanto, ele sabia que algum sujeito selvagem havia enfiado algo em sua boca.
O sabor do solo e da terra, e uma textura grande e sólida – ele soube imediatamente que era um sapato.
Alguém estava com a ponta do sapato na boca de Subaru.
Subaru: “Oergh! Bweh! Que, que…… guweh!”
???: “Por que diabos você está me desafiando? Você não entende a posição em que se encontra?”
Subaru: “Ghurgh, gargh,”
Subaru foi atingido em seu plexo solar com um chute bem dado pela ponta do sapato do homem, após Subaru ter cuspido sem pensar. Quando sua respiração ficou presa em sua garganta pelo impacto, seguido de um surto de tosse, o selvagem cuspiu nele.
Enquanto o homem estava fazendo isso, a mente de Subaru imergiu em tremenda confusão.
Ele não conseguia ver e estava totalmente confuso, e ainda estava sendo violentado.
Além disso, mesmo que ele tentasse esfregar seu peito dolorido, ele não poderia fazer porque seus braços estavam amarrados atrás das costas. Suas pernas também estavam amarradas, tornando impossível ficar de pé e escapar.
Subaru: “O…que … o que está……”
???: “Aah? Por quanto tempo você continuar brincand……”
???: “――Ei, ei, acalme-se! Ele está completamente indefeso! Não há o que fazer! Ao invés disso, aqui! Vamos tirar a venda dos olhos!”
???: “Tsk.”
Dois homens pareciam estar tendo uma discussão na frente de Subaru, que estava enrolado no chão com saliva pingando sua boca. O homem que chegou depois tinha convencido o homem violento, e Subaru sentiu que aquela presença rude e grosseira tinha se distanciado da área.
Depois disso, a voz do homem calma chegou a seus ouvidos com um, “Bem,”
???: “Lamento que isso tenha ocorrido logo após o seu despertar. Eu acho que você provavelmente está se sentindo confuso e tudo mais, mas eu vou tirar a venda, ok? Embora eu não possa remover a corda em torno de suas mãos e pés, então você vai ter que aguentar isso”.
Subaru: “――――”
Como Subaru permaneceu em silêncio, o homem gentilmente colocou suas mãos sobre sua cabeça, desprendendo a venda que estava firmemente enrolada ao redor de sua cabeça. Ele sentiu o ar contra sua pele, junto com uma pequena picada de dor, e esperou que sua visão retornasse enquanto respirava fundo, suportando a dor palpitante em seu peito.
E então..,
Subaru: “――Onde… diabos eu estou?.”
Tendo recuperado seu campo de visão, a clareira estava salpicada com muitas barracas e fogueiras. Juntamente, havia homens equipados com espadas e armaduras, dando uma sensação de ferocidade indo e voltando incansavelmente ao redor da área.
Subaru ficou completamente sem palavras e pensou na imagem mais apropriada que representaria a visão que tinha em sua mente,
Subaru: “……Vi algo assim em uma longa série de TV”.
A razão pela qual ele pensou nisso não foi por ter encontrado um rio gigantesco antes de tudo, mas o que lhe passou pela cabeça foi uma cena de uma desses Taiga Drama[1] ―― um acampamento de uma unidade militar, ocupada pelos preparativos antes do início da batalha oficial.
Era como se a visão na sua frente fosse uma réplica de – não, não era.
???: “Encontramos você quando sairmos para buscar água, sim. Desculpe, mas você foi capturado. Você é nosso prisioneiro”.
A pessoa que andou na sua frente foi o homem que tirou a venda?
Colocando uma mão no quadril, ele falou a Subaru com uma expressão genuinamente perturbada.
――Natsuki Subaru era agora um prisioneiro.
Nota do Tradutor original:
[1] – 大河ドラマ (Taiga drama) = Série de TV de longa duração.
大河 (Taiga) = Um grande rio.