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Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu – Arco 6 – Capítulo 75

Rui Arneb

―― Quero… ser feliz.


Os pontos positivos e negativos da vida são um grande jogo de apostas determinado pelo nascimento e ambiente.

Essa era a filosofia que Rui Arneb, como um Arcebispo do Pecado da “Gula”, adquiriu após caçar e devorar incontáveis vidas humanas.

Rui Arneb era a irmã mais nova entre os três irmãos que eram Arcebispos do Pecado, carregando o título de “Gula”.

Originalmente, apesar da escala de suas atividades e da falta de controle, surpreendentemente pouco era conhecido sobre os assuntos internos do Culto das Bruxas. No entanto, muito estava envolto em mistério, especialmente no que diz respeito aos Arcebispos do Pecado.

Embora o principal fator disso seja que a maioria das pessoas que os encontraram tenha perdido suas vidas, aqueles que tiveram seus nomes bem conhecidos mesmo entre os Arcebispos do Pecado – não, isso seria no pretérito, então aqueles que “tiveram seus nomes bem conhecidos” devem ter sido os dois da “Preguiça” e “Ganância”.

Embora seja sabido que existam Arcebispos do Pecado para “Ira”, “Luxúria” e “Gula”, que tipo de indivíduos eles são tem sido envolto em mistério por anos.

Muito menos, a própria existência de Rui Arneb, a irmã mais nova entre o trio de irmãos da『Gula』, com exceção dos demais Arcebispos do Pecado, era desconhecida.

O Arcebispo do Pecado oculto, essa era a posição em que Rui Arneb se encontrava.

“Bem, não é como se nós tivéssemos desejado por isso”

Sussurrou Rui, esticando as pernas dentro do espaço branco em que estava desde o nascimento.

Pela circunstância, Rui não podia sair desse espaço branco e não tinha a capacidade de encontrar ninguém. Incapaz de usar a Autoridade da 『Gula』em qualquer lugar, exceto no local onde era altamente restrita também, seria o conhecido desperdício de talento.

No entanto, graças aos seus dois irmãos mais velhos, apenas quando se tratava de refeições é que ela não ficava incapacitada.

Isso porque as 『Memórias』e os 『Nomes』que seus irmãos mais velhos comiam — isto é, as vidas de outras pessoas — ela podia, de forma não associada, pegar essa comida e saciar sua fome.

“Por quê, nós temos que ser assim?”

Saciando sua fome com as sobras dos seus irmãos mais velhos, Rui, que estava moldando sua própria identidade pouco a pouco enquanto devorava as vidas dos outros, imediatamente percebeu que estava em circunstâncias totalmente diferentes das outras.

Sem um corpo que pudesse ser livre, o que ela podia operar era apenas a consciência.

Possuia memórias de caminhar, mas nunca de fato experimentou caminhar.

Esse era o produto defeituoso conhecido como ela própria.

“Ah…. Que situação infeliz nós estamos vivendo.”

Foi assim que Rui reconheceu para si mesma que estava em um ambiente ‘infeliz’.

E, ela entendeu que essas circunstâncias não mudariam, independentemente do quanto lamentasse.

Numa tentativa de confortar a irmã envolta em tanta tristeza, os irmãos competiam em suas refeições, oferecendo à irmã os mesmos pratos que haviam comido.

Os pratos trazidos pelos irmãos transbordavam de suas personalidades individuais.

Rai, que se autodenominava ‘Gourmet’, adorava vidas com sabores intensos, para o bem ou para o mal.

Roi, da ‘Comilança Bizarra’, por outro lado, dava precedência à quantidade, ficando absorto em satisfazer sua fome com sabores exóticos.

Para Rui, muitas vezes era mais agradável desfrutar dos pratos escolhidos por Rai, mas também havia muito a ganhar com a devoração indiscriminada de Roi.

Mastigando diversas vidas, comparando sabores, rolando-os na língua e na mente, Rui chegou a entender uma coisa: era a quantidade absoluta de ‘Felicidade’ que fazia a diferença.

Rui, que possuía o poder de comparar as vidas dos outros através de seu próprio senso de valores, avaliava vários itens, como a diferença entre riqueza e pobreza ou a presença ou ausência de afeto, desde o ambiente de crescimento até a família e amigos, a existência de amantes, através de uma fórmula baseada em sua extensão, atribuindo notas e fazendo classificações das vidas dos outros uma após a outra.

Por ser próspera desde o nascimento. Por ser amada pelos pais e irmãos. Por viver uma vida tranquila sem provações ou tribulações. Por ter um grande número de amigos, que poderiam ser contatados em momentos de dificuldade. Por possuir talento transbordante, de modo que era possível se destacar acima de todos.

Seja isso ou aquilo, independente da fortuna e da desventura, inúmeras razões, de modo que algumas poderiam ser descartadas.

Era um pensamento terrivelmente arrogante e presunçoso, mas Rui tinha a Autoridade para torná-lo possível.

Se for para expressar em outras palavras, era como espiar a tela de jogo de outra pessoa por trás, apontando incessantemente e zombando enquanto dizia o que deveria ter sido feito desta ou daquela maneira.

Lançando desdém e zombaria por toda a tela, ela criticava a vida dos outros de acordo com suas próprias conveniências como espectadora.

Ela também zombava, lançando impressões francas, sem qualquer distinção entre o que gosta e o que não gosta, tudo para a própria satisfação.

Entretanto, aquilo que ela desfrutou inicialmente logo se tornou cansativo também.

Era óbvio de entender. O que Rui podia fazer era revisar as 『Memórias』passadas para ela, não podendo protestar em mais nada. Ela não possuía a habilidade de falar do presente ou futuro.

Mesmo que ela tentasse falar mal ou corrigir o gameplay dos outros, não havia ninguém que desse ouvidos ao que ela apontava, por isso ela perdeu seu entusiasmo inicial.

Olhar incessantemente para o jogo de humanos desajeitados era mais próximo da tortura do que apenas ser tedioso.

“Se nos deixassem fazer isso, faríamos muito, muito, muuuito melhor. Porque cada um deles é tão ridiculo.”

Apesar de terem pernas para seguir seus próprios caminhos, braços para superar desafios e mentes para vislumbrar o futuro, todos os outros pareciam absolutamente incompetentes.

Os irmãos de Rui, Rai e Roi, não eram exceção. Pelo contrário, poderiam ser descritos como a personificação da incompetência.

Se fosse para observar as ‘memórias’, seria compreendido plenamente quais foram os fracassos em suas vidas e onde se tornou irreparável.

 Cada um deles, uma pilha de fracassos terrivelmente simples e triviais.

Rui não conseguia entender por que alguém tropeçaria em um lugar como esse.

“Ridiculos, ridículos, ridiculos. Se vão viver sem rumo, então nos entregue essa vida. Nós iríamos lidar com isso muito, muito, muuuito melhor. Todos, todos, todos são tão inúteis.”

Um após a outra, “vidas” desprezíveis eram expostas como se fossem pratos.

Mastigando-os repetidamente, Rui estava tão furiosa que sentia vontade de vomitar.

Sem perceber tais emoções da ■ de Rui, seus irmãos mais velhos, que sucessivamente retomaram a comer para satisfazer seus próprios desejos, ela também sentiu-se irada. Sem sequer se preocupar com a irmã mais nova, que fazia uma expressão nauseante, a tolice de continuar a oferecer pratos cheios incessantemente, o que ela poderia  detestar senão isso?

“Ah, você realmente come como se fosse delicioso, onii-chan.”

“Ah, você realmente come enquanto acha divertido, nii-sama.”

“Ah, nós estamos, nós estamos prestes a vomitar a qualquer momento, sabe.”

Essa foi a razão pela qual Rui Arneb se nomeou “Saciedade”.

Uma fome nunca saciada, não importa o quanto se coma.

Pois o que estava faminto não era seu corpo, mas sim sua ■.


―― Quero ser, feliz.

―― Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz.


“――Ahahahaha! Então é essa, é essa a sensação de estar andando do lado de fora! Tanto onii-chan quanto nii-sama, fazendo isso o tempo todo…… a~h, que injusto, que injusto, que injusto!”

Dentro do confinamento forçado, sua autoconsciência acorrentada seguiu o caminho solitário para a expansão.

Assim como a alimentação facilitava o crescimento saudável entre os humanos, ao receber pratos que não desejava, Rui teve um crescimento favorável e vigoroso.

O mesmo aconteceu com Rai e Roi, seus dois irmãos mais velhos.

Seus irmãos mais velhos também tiveram o próprio ego inflado de forma desenfreada, fazendo com que suas ■ sentissem um ardente zelo pelas refeições. De qualquer forma, Rui se sentia irritada com a seleção insensível de alimentos feita por esses irmãos mais velhos.

Essa mudança foi um subproduto do crescimento e da irritação de Rui.

“Este é o ar do exterior! Esta é a água do exterior! Este é o solo do exterior! Este é o sangue do exterior! A~h, incrível, incrível, incrível! Isso é real! É real!”

Deitado sobre a terra nua, enquanto lambia o solo com amor e se saciava do mundo com todo o seu corpo, estava um garoto – não, embora esse mesmo corpo de carne pertencesse ao sujeito que se chamava Rai Batenkaitos, seu interior  era diferente.

Não era Rai que exercia o direito de controle sobre aquele corpo de carne e se movia livremente.

Sendo considerada por natureza ao destino de nunca deixar aquele mundo branco – Rui Arneb, a Arcebispa do Pecado da tragédia- pela primeira vez via-se livre daquela gaiola branca.

Foi uma coincidência.

Ela nunca imaginou que tal poder existisse dentro da Autoridade. Ou talvez tenha sido o espírito ávido de Rui que fez a Autoridade florescer, a resposta era incerta. Mas também não era importante de qualquer forma.

O que era de fato importante é que isso tornou-se alcançavel. ―― Que ela conseguiu andar do lado de fora.

“Ahahahahaha! Ahahahahahahaha!”

Intervindo entre a realidade restrita dela, Rui deu altas risadas pelo fruto que deu.

Tornou-se possível para ela pegar emprestado o corpo de seus irmãos mais velhos e manipular independentemente esse corpo, essa Autoridade.

E..,

“Rai, qual é o significado disso? Você acabou enlouquecendo por ficar com fome ao ser meticuloso enquanto dava uma de “Gourmet”?

“A~hahaha! Não é isso, isso está errado, isso está completamente errado. De todas as formas isso não está certo, pois está errado, isso certamente está errado, está tudo errado, isso está errado, por isso que não está certo!”

“――――”

“Nós somos, a Arcebispa do Pecado do Culto das Bruxas representando a『Gula』, Rui Arneb.”

Dizendo isso, Rui cumprimentou Roi Alphard que estava perplexo, usando o corpo de Rai Batenkaitos.

Afinal, era a primeira vez que ela conversava com seus irmãos mais velhos desde que nascera.

“É a sua irmãzinha fofa, a terceira irmã de onii-chan e nii-sama. Por favor, sejam amorosos, por favor, sejam carinhosos, por favor, desejem o meu bem e sejam atenciosos, ok?”


―― Quero ser, feliz.

―― Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz.

―― Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz. Quero ser feliz.


―― Ao pegar emprestado os corpos de seus irmãos, ela obteve meios de interferir no mundo exterior.

―― O suprimento de alimentos de seus irmãos mais velhos não cessou e, como sempre, ela nunca passou fome.

No entanto, apesar dessa tão esperada oportunidade e do desejo ardente de explorar o mundo exterior, Rui Arneb logo se cansou. Completamente entediada.

“O mundo exterior é mais chato do que nós pensávamos, sabe….”

No final das contas, um corpo emprestado permanece um corpo emprestado.

Seu verdadeiro eu, incapaz de ser livre, continuava presa dentro do mundo branco.

Em vez disso, ao se certificar firmemente de sua sombra, ela estrangulou sua própria garganta sozinha.

“No final das contas, algo como a vida… não se trata do que você come ou quanto come. Trata-se de com quem você come, e mesmo assim”

Seus irmãos viviam suas próprias vidas, talvez era por isso que não almejavam por ela.

Apenas Rui, teve sua vida tirada, então talvez fosse por isso que ela buscava incessantemente.

“Eu quero, ser feliz”

Dentro daquele mundo branco, enquanto desordenadamente espalhava inúmeras『Memórias』, ela desejava isso com todo a sua ■.

Esse talvez tenha sido o maior――  ou o único―― desejo de Rui Arneb.

“Quero, ser feliz”

Um desejo que não foi realizado.

Inalterável, independentemente de ela ter tomado emprestado os corpos de seus irmãos mais velhos ou chutado outros a seu gosto.

Apesar de saborear vidas ricas em sabor e se embriagar com prazeres momentâneos, tudo isso desapareceu imediatamente.

“Quero ser feliz”.

Ela se cansou disso. Ela havia se cansado disso.

Ela desejava uma vida que pertencesse a ela mesma e somente a ela. Ela desejava um corpo, um espírito, um destino.

“Quero ser feliz”

Rui estava infeliz.

A infelicidade de Rui começou com o fato de que sua própria vida não estava em lugar algum.

“Quero ser feliz”.

Mas Rui também se conhecia ao mesmo tempo.

Mesmo que sua natureza inconstante e facilmente resignada alcançasse uma vida que subitamente aparecesse diante dela, seria inconcebível que ela ficasse satisfeita com isso. Afinal de contas, ela sabia.

Que havia inúmeras vidas neste mundo, que elas diferem em quantidades absolutas de felicidade e que eram essencialmente determinadas  por uma grande e incontrolável aposta.

Como seria a situação de um humano pertencente a uma residência pobre nascido no severo Reino Sagrado de Gusteko

Como seria a situação de um humano fraco inato, nascido no Império Vollachia, que valorizava os guerreiros.

Como seria a situação de um idiota de raciocínio lento nascido na Cidade-Estado de Kararagi, que esperava um progresso constante.

Como seria a situação de uma raça mestiça, um meio-demônio de cabelos prateados, nascido no Reino de Lugnica, que era corroído por antigos costumes.

Ao possuir os eus dos outros, Rui estava ciente de que eles não teriam uma vida decente.

No entanto, dizer que a alegria seria ser abundante nesses aspectos também seria um grande erro.

Ter nascido na casa de um grande sacerdote no Reino Sagrado de Gusteko, ter nascido na casa de um general no Império Vollachia, ter nascido na casa de um rico comerciante na Cidade-Estado de Kararagi, ter nascido na casa de qualquer tipo de nobre influente no Reino de Lugnica, quando se olhava para cima, era algo que continuava sem cessar.

Rui não queria ser inferior. Ela queria ser agraciada. Ela não queria ser menosprezada.

Ela continuou classificando a vida dos outros.

Não importava se era uma vida mal avaliada ou mesmo uma vida com a classificação mais alta, nem todos os critérios de avaliação eram perfeitos. Mesmo naquela vida de classificação mais alta, ela não se sentia satisfeita.

“Ah, eu só quero ser feliz.”

―― Rai e Roi, por volta dessa época, descobriram uma nova transfiguração da Autoridade,『Eclipse』.

A habilidade com a qual a Autoridade da Gula foi dotada era a capacidade de tomar as memórias, os nomes, dos outros, mastigando-os e digerindo-os.

Ao ser aplicada, é a Autoridade do “Eclipse Solar” e do “Eclipse Lunar” recriando os que foram usurpados por eles.

Extrair técnicas ou conhecimentos das [Memórias] de outros e usá-los como se pertencessem a alguém [Eclipse Lunar].

Ao máximo, ele extraía habilidades, não os benefícios de habilidades físicas semelhantes, de modo que a possibilidade de não utilizar esse poder perfeitamente era alta.

Por outro lado, o Eclipse Solar usava o nome capturado como base e reconstruía a existência da pessoa em sua totalidade, reconstruindo completamente as técnicas lapidadas por esse corpo de carne, podendo manifestar força ao máximo.

Não é preciso dizer que “Eclipse Solar” é avassaladoramente superior como habilidade, mas os dois irmãos preferiram usar “Eclipse Lunar” em vez disso. Ou melhor, seria mais preciso dizer que eles temiam e abominavam usar “Eclipse Solar”.

De acordo com a percepção de Rai e Roi, o “Eclipse Solar” parecia arrastar junto o pensamento do corpo de carne que havia se transformado.

Essa sensação era como se estivessem sendo danificados, era insuportável, foi o raciocínio dos dois. Ouvindo o que seus irmãos mais velhos tinham a dizer, Rui, do fundo da sua ■, achou que era totalmente ridículo.

Apesar de possuírem seus próprios corpos de carne, apesar de estarem em uma posição em que até mesmo seu próprio eu havia sido estabelecido, não serem capazes de preservar seus eus possuindo crenças firmes, quão deficiente e insignificante deve ser essa autoconsciência.

Não era brincadeira fingir ser mais triste do que ela, que não possuía um corpo de carne próprio, que nem mesmo seus irmãos sabiam de sua existência por mais de dez anos e que, por fim, havia se cansado até mesmo do amargo e da doçura da vida.

A Autoridade do “Eclipse Solar” era maravilhosa. Ou melhor dizendo, era conveniente para Rui.

Não seria exagero dizer que era exatamente isso que Rui Arneb ansiava.

Rui Arneb almejava uma vida somente para sí, e ainda assim, a melhor delas.

Isso era diferente da autoindulgência dos irmãos que consumiam vidas alheias e absorviam ‘memórias’ para se satisfazer. Era um direito mais nobre e universal—Rui simplesmente queria viver.”

Não dá para escolher onde nascer.

Essa era a causa de todas as pessoas infelizes. No entanto, para Rui era diferente.

Rui, tinha adquirido o poder, a oportunidade, de escolher seu nascimento, sua vida. Ela podia roubar as ‘Memórias’ dos outros, reconstruí-las através do ‘Eclipse Solar’ e torná-las suas.

Ela tinha a habilidade de escolher a vida. Tudo, ela podia escolher novamente.

Ela será meticulosa, buscando as melhores ‘Memórias’ e “Nomes’ que ainda estava por ver.

Embora houvesse alguns pratos que se alinhavam favoravelmente entre os que Rai e Roi haviam comido, eles não eram perfeitos. Havia uma escassez de novidades e ingenuidade.

Lares felizes, pais carinhosos, meios de subsistência ricos e ambientes ricos, amigos magníficos e companheiros aparentemente destinados, tudo isso parecia não passar de “felicidade que aparentemente já havia sido vista em outro lugar”.

Ela estava buscando não isso, mas a melhor vida.

Ter a capacidade de escolher a seu gosto não coincidia com o fato de que não se cansaria do que estava escolhendo. Se ela se cansasse dos inúmeros pratos alinhados diante de seus olhos, o que poderia achar agradável?

Rui Arneb estava procurando a melhor vida. Ela estava procurando.

É por isso que ela estava procurando,


Por isso que, quando Rui encontrou Natsuki Subaru, seu coração disparou.

“Ué? Onii-san é… Mhmm, era Natsuki Subaru, certo?”

Para ser preciso, não disparou no instante em que ela o conheceu.

A aparência externa de Natsuki Subaru não era do agrado de Rui, para fazer seu peito disparar no instante do encontro com ele.

Desde o início, embora parecesse um rosto que não estava de acordo com o gosto dela, de acordo com o senso de valores cultivado dentro de Rui, a beleza que a grande maioria dos humanos imaginava seria precisamente o rosto que Rui procuraria.

Nesse sentido, não existia sequer um único átomo que fosse disparar pela aparência externa de Natsuki Subaru.

Além disso, do ponto de vista de Rui, Natsuki Subaru era certamente uma figura que ela já conhecia, mas não era alguém a quem ela estava atenta simplesmente porque ele estava nas “Memórias” de outros.

Embora fosse algo que não exigisse muita reflexão, as “memórias” presentes em Rui eram vastas.

Não era simples extrair as “Memórias” desejadas de dentro dele.

Ainda mais quando a pessoa era alguém em quem ela não tinha interesse.

A razão pela qual Rui ainda se lembrava do nome da pessoa com apenas um olhar era porque, não por ela mesma, mas porque um de seus irmãos mais velhos, Rai Batenkaitos, estava consideravelmente ligado a esse nome.

Se não estava enganada,  havia algo muito ligado a Natsuki Subaru entre os pratos que Rai havia devorado.

“――――”

“Este lugar? Este lugar, como você pode ver, é o berço de Od Lagna… o『Corredor de Memórias』. É o lugar onde as almas dos mortos são filtradas. Como é raro alguém chegar aqui mantendo sua consciência sã, você é mais do que bem-vindo, onii-san. Estamos com muito tédio por aqui, sabe?”

Sorrindo maliciosamente, Rui deu uma calorosa recepção ao raro visitante. Para ser sincera, não havia falsidade naquele sentimento de boas-vindas. Rui ansiava bastante pela companhia de outros.

O local de nascimento de Rui Arneb, o mundo branco do qual ela não podia sair, o『Corredor de Memórias』.

A razão pela qual Rui sabia que este lugar tinha esse título e que a existência gigantesca e desconhecida era uma oficina de tão grande escala foi o resultado de mobilizar o conhecimento das『Memórias』que Rai ou Roi tinham devorado e caçado.

Entre as vítimas da Autoridade da『Gula』, havia muitos sábios que, na verdade, realizaram grandes estudos que permaneceriam para as gerações futuras e fizeram descobertas históricas.

Sem ver a luz do dia, eles foram parar no fundo do estômago dos três irmãos da『Gula』, mas estavam servindo profundamente a Rui.

Se fosse para ser sincera, Rui não estava nem um pouco interessada na razão pela qual nasceu aqui ou por que estava confinada aqui. Não haveria meios de dissipar essas dúvidas, nem ela achava isso significativo.

Ela havia aceitado que as coisas eram assim. Mesmo que fosse repentinamente levada para o mundo exterior neste momento, isso seria apenas problemático de certa forma.

O dia em que ela deixará este lugar deve ser o dia em que descobrir a melhor vida possível.

“――――”

“Ahaha! Desculpe, desculpe, ainda não me apresentei, né? Mas me perdoe! Afinal, não é sempre que faço uma apresentação de forma direta e sóbria assim por aqui!”

“――――”

“Então, vamos nos apresentar direito!  Nós somos a Arcebispa do Pecado do Culto das Bruxas representando a 『Gula』, Rui Arneb.”

“――――”

“Não sei se será por muito ou pouco tempo, mas espero que possamos nos dar bem, onii-san!”

O sujeito estava extremamente surpreso e angustiado com relação a Rui, que se apresentou dessa maneira.

Obviamente, normalmente, os humanos que pisam aqui não têm a intenção de vir. Embora ocasionalmente alguns acabem escorregando para cá, Rui considerava isso algo como espíritos perdidos – ou em outras palavras, o resultado de experiências de quase-morte.

Uma situação onde o『Espírito』se separava facilmente do corpo de carne, ou uma situação onde ele tinha se desprendido, talvez.

Da perspectiva deles, tais situações eram próximas à sensação de ser convocado do nada por Od Lagna.

Se isso fosse considerado, possivelmente, o papel de Rui era algo como um guia que acalmava a agitação das pessoas que haviam passado por experiências de quase-morte, e elucidava o que era este lugar.

Se isso fosse considerado como estando sobre a palma invisível de Od Lagna, isso era, novamente, irritante.

É claro, além de ser menosprezada, Rui também desprezava ser direcionada.

Isso era o mesmo que Od Lagna, uma existência para quem isso perpetuamente era o estado usual das coisas.

Rui não queria que sua vida, que ainda não havia começado, fosse distorcida pela interferência de ninguém além de sí própria.

“――――”

“Eh? Claro que sabemos? Rai e Roi… onii-chan e nii-sama, certo? Ah, ah, não fique tão agitado, onii-san! Os dois são apenas protetores de sua irmãzinha, sabe.”

“Os dois devorando aqui e ali também, parte disso é para o nosso bem. Eles são desprovidos de inteligência e não têm a menor ideia das nossas preferências, mas estão sendo considerados. Provavelmente. Mas não tem o que fazer, né? Afinal, os três nunca estiveram juntos.”

“――――”

“Ao utilizar o corpo do onii-chan ou do nii-sama, às vezes saímos um pouquinho para fora, sabia? Mas quando fazemos isso, a pessoa que emprestou o corpo acaba dormindo e não pode ser encontrada, é isso que significa!”

“Por isso, os três nunca estiveram juntos. Opa, acabei falando demais.”

Enumerando enquanto falava rapidamente e um tanto agitada, Rui observava cuidadosamente a reação do sujeito.

Um leve pânico, apenas um pequeno desânimo. Uma raiva um tanto predominante e um senso de propósito bastante forte.

O que estava perplexo no início, agora tinha recuperado a presença de espírito, possuindo a atmosfera de tentar prosseguir de forma lógica.

“Hmmm…”

Nada mal, pensou Rui no interior de sua ■, enquanto lambia os lábios.

Se deveria ser rotulado como estando acostumada a mergulhar em cenas de carnificina, ela estava adequadamente rápida em se adaptar às situações.

Se observado e comparado com a impressão inicial que teve, isso era bastante uma característica desalinhada.

 Aquilo que estava longe de sua natureza original tinha sido moldado, de maneira forçada, por qualidades adquiridas posteriormente.

Rui sentia curiosidade, intrigada com o que poderia estar no cerne disso tudo――

“――Ah, aí está, aí está. É isso, não é, onii-san.”

Enquanto conversava, Rui retirava certas『Memórias』.

A maior razão pela qual Rai, através de um único prato que ele havia saboreado, estava ligado ao jovem diante de seus olhos. Puxando e coletando as『Memórias』vigorosamente, clamando poderosamente por essa existência, Rui sincronizava-se com elas.

“――Ahaha.”

Naquele instante, ela engasgou-se com o carinho profundo que emergiu do fundo de seu peito.

Um carinho que a preenchia sem fim pelo garoto à sua frente. Ela o amava e o amava e o amava tanto que não conseguia suportar. O pequeno peito de Rui se aqueceu e todo o seu corpo formigou de doce pressentimento.

Seus olhos se encheram de lágrimas, seu suspiro ficou quente e doce, seus lábios se curvaram em um sorriso.

E então――:

“Por favor, não faça essa cara tão preocupada. ――Subaru-kun.”

―― No mesmo instante, houve uma fortíssima rejeição.

«…!!»

Estando afiados os seus olhos enquanto enraivecido, Natsuki Subaru saltou adiante.

Ela sentiu o impulso de recebê-lo de braços abertos, mas conseguiu conter isso de algum modo e, seguindo as『Memórias』, esgueirou-se aguçadamente no peito dele.

Com um movimento suave, ela agarrou o braço do garoto, puxou-o para si e o torceu de uma só vez. Embora não fosse um corpo real, o garoto imaginou o som dos ossos rangendo, gritou de dor e foi prendido contra o chão branco.

«…»

“Pare com isso, por favor. Que vergonha de ser alvo de um pulo assim tão valente. ――Só brincando.”

Usando as『Memória』que amavam o garoto, ela o subjugou à força.

Com o seu ■ sádico satisfeito, um sorriso acabou se formando no canto de seus lábios. O que mais satisfazia o ■ sádico de Rui era a voz de Natsuki Subaru, gritando desesperadamente enquanto se contorcia.

Vendo-o gritar de raiva por alguém avidamente ―― Rui inclinou de súbito a cabeça.

“Onii-san, por que você se lembra das『Memórias』que roubamos?”

Foi uma reação estranha.

Rui percebeu isso depois de imobilizá-lo e inclinou bastante a cabeça.

As『Memórias』devoradas pela『Gula』não permaneciam na pessoa em questão e os『Nomes』devorados não permaneciam nos outros. Isso ocorria porque a Autoridade arrancava essas coisas da『Alma』que definia a existência no mundo.

Normalmente, a limpeza da『Alma』era feita no『Corredor de Memórias』por Od Laguna ― a Autoridade da『Gula』agia em seu lugar de maneira arbitrária e roubava essas coisas secretamente.

Portanto, as『Memórias』e os『Nomes』roubados pela『Gula』não permaneciam em ninguém. De modo restrito, mesmo que apenas as『Memórias』ou apenas o『Nome』fossem roubados, os respectivos efeitos colaterais se aplicariam.

Se as『Memórias』fossem roubadas, a pessoa em questão não se lembraria e, se o『Nome』fosse roubado, os outros que não se lembrariam da pessoa. Isso não podia ser mudado enquanto a natureza da『Alma』estivesse sob a proteção de Od Laguna.

No entanto, Natsuki Subaru se lembrava.

Ele se lembrava da comida cujas『Memórias』e『Nomes』tinham sido roubados, deixando a『Alma』exposta.

Ele não deveria ser capaz de se lembrar, ainda assim… Por quê, por quê, por quê——.

«…»

“Estamos começando a nos interessar por você um pouco, onii-san. O onii-chan pode ficar com raiva, mas…”

Lambendo os beiços, Rui corou devido ao desejo crescente.

Rai estava obcecado por ele. Se um terceiro roubasse a sua comida, ele ficaria devidamente furioso. Embora Rai fosse muito gentil com a irmã, dava ouvidos ao egoísmo dela sob a premissa de que não cruzariam o apetite com o do outro.

O apetite e a『Gula』eram o significado da vida para Rui, Rai e Roi.

Se isso fosse perturbado arbitrariamente, ninguém conseguiria manter seus ■ calmos.

“Se alguém roubar um prato que você está ansioso para comer, mesmo que seja um irmão, não tem o que fazer nem se ele for morto. ――Ah, mas você é irresistível, onii-san.”

Torcendo o braço do garoto nas costas dele e pressionando-o contra o chão, ela aproximou os lábios de sua nuca.

Ele era como um espírito sem corpo. Não havia gosto de suor nele, em estado de『Alma』 apenas. Até a dor era por natureza apenas uma ilusão, mas ela não precisava explicar isso.

Era só que o carinho que ela queria sentir irrompeu. ――A dona destas『Memórias』estava extremamente obcecada por esse garoto. Ela podia sentir isso intensamente.

“Bem, agora isso é nosso.”

Mesmo que fossem『Memórias』de outra pessoa, guardadas desta forma, agora eram dela.

Ela entendia um pouco o medo de Rai e de Roi do『Eclipse』. Não tinha medo, mas sabia que os pressentimentos deles estavam certos. ――Provavelmente, se isso continuasse:

“Nós certamente amaremos você, onii-san.”

«…»

“…O quê? Dá ânsia, você diz? Isso é cruel. Mesmo que não pareça, somos uma garota, tivemos coragem de nos declarar e você ainda foi cruel. Ah, está lutando de novo. Não faça isso, onii-san. Não vai doer, então acalme-se, tá?”

«…»

“Não machucaríamos você. Afinal, você é tão querido. Então, relaxe o ■.”

Mesmo tentando acalmá-lo com palavras gentis, ele resistia com pequenos movimentos desesperados.

Sendo chamada pelo nome das『Memórias』várias vezes, todo o corpo de Rui tremia de enorme êxtase. Esta sensação só podia ser experimentada por alguém que se lembrava da pessoa cujo『Nome』foi roubado.

Ou seja, era um sabor que Rui nunca havia experimentado.

―― Um fruto docíssimo e desconhecido.

“――Natsuki Subaru.”

―― Qual é o seu sabor?

“Obrigada pela refeição.”

Buscando a resposta para essa curiosidade doce em seu ■, Rui lambeu suavemente a nuca do garoto com sua língua vermelha. Chamando o seu nome e sentindo os seus fios ralos com a ponta da língua, ela lambia gentilissimamente.

No sentido de desejar ser satisfeito, apetite era semelhante a desejo sexual.

Durante o intensificar do carinho pelo garoto à sua frente, satisfazer esse desejo insaciável já era como um acasalamento que ambos buscavam sordidamente.

Dentro da existência de Rui se misturaram companheiros que estimavam um ao outro.

Quão doce seria esse sabor――:

“――Foi um banquete.”

Depois de saborear plena e irrestritamente, Rui expressou sua gratidão pela refeição.

Esse era o procedimento de refeição da『Gula』 ―― chamar o nome da pessoa cujas『Memórias』queria roubar, separar do corpo uma parte da『Alma』e devorá-la.

―― As『Memórias』eram como sedimentos acumulados na『Alma』.

Podiam ser embelezadas com palavras bonitas, como refeição servida em um prato branco.

Mas, ao expor tudo de forma primitiva, a futilidade de embelezar se difundia. Essa era a compreensão de Rui sobre a Autoridade da『Gula』, o poder de devorar a『Alma』que era privilégio de Rui.

Agora, tudo relacionado à『Alma』do garoto à sua frente seria esmiuçado.

Então, ela misturaria isso com as『Memórias』da garota que já estavam dentro dela e desfrutaria da reação química que ocorresse――:

«――Você, o que você fez comigo agora?»

Uma voz que não deveria ser ouvida fez Rui pela primeira vez encarar Natsuki Subaru em pessoa.

Até então, parecia que estavam conversando, mas não estavam. Parecia que estavam se encarando, mas não estavam. Era um acaso vago, como um sonho em que se afogava.

Essa, até para Rui, foi a primeira vez que a situação ganhou cor abruptamente.

O que foi que ele disse agora?

“Onii-san, não pode ser, você se lembra de nós?”

O olhar cheio de forte hostilidade foi a resposta à pergunta de Rui.

“――Ah”

Foi o momento em que o pequeno peito de Rui bateu a um ritmo alto e certo.


Por que ele estava calmo, apesar de ter tido as『Memórias』devoradas?

Por que ele ainda olhava para Rui com aqueles olhos?

Por que Rui estava tão confusa e com o coração acelerado?

Por quê, por quê, por quê, por quê, por quê――.

Talvez fosse um impulso que devesse até ser chamado de pressentimento.

“Por que você se lembra de nós, onii-san?”

Olhando para baixo, para a parte de trás da cabeça de Natsuki Subaru, quem havia imobilizado, Rui primeiro suspeitou que poderia ter falhado na refeição.

A Autoridade da『Gula』tinha alguns procedimentos absolutamente necessários.

O mais importante era conhecer o nome da pessoa que seria devorada, que era um fator essencial para interferir na『Alma』da pessoa.

Portanto, se fosse um nome falso, a Autoridade seria neutralizada.

Houve várias vezes em que falharam na refeição dessa maneira.

Nesses casos, quem sofria era sempre Rai ou Roi, Rui nunca havia sofrido isso uma vez sequer.

“Mas o onii-chan e o nii-sama se sentiam mal, como se estivessem sofrendo…”

Rui enrijeceu o corpo, pensando que poderia haver uma reação adversa para ela também.

No entanto, por mais que esperasse, não havia sinal de que fosse ser acometida por tal reação.

Além disso, novas『Memórias』estavam claramente fluindo para dentro de Rui.

“A torre de vigia do『Sábio』, os companheiros e o『Teste』…”

Como se estivesse lendo a fundo um livro que nasceu em sua mente, Rui se concentrou em desbravar as novas『Memórias』.

Além de não haver reação adversa, ela havia conseguido roubar as『Memórias』.

Referenciando essas『Memórias』, ela entendeu o que Natsuki Subaru e seus companheiros estiveram fazendo e os detalhes de como ele acabou se perdendo no『Corredor de Memórias』.

Agora, só restava que a particularidade de Natsuki Subaru――:

“——Hã?”

Como poderia ela descrever o tamanho do choque que a atingiu naquele momento?

“…”

Atordoada, ela perdeu a força nos braços e arregalou os olhos.

Aproveitando essa oportunidade, Natsuki Subaru, imobilizado, escapou do aperto de Rui. Ele se afastou nesse mesmo ritmo e assumiu uma postura de luta que não parecia muito eficaz.

Mais que isso, era uma resistência tão cômica que dava vontade de rir, mas Rui não podia rir.

Ela não tinha margem para rir.

O choque de ver algo impossível atravessou o pequeno corpo de Rui.

Era――:

“Como você tem『Memórias』de quando morreu?”

«…»

“Não, não é só isso. Não é só isso, onii-san. Ter『memórias』de quando morreu é certamente estranho. É muito esquisito. Mas é estranho. Afinal…”

«…»

“Afinal, nas『Memórias』que devoramos, não há nenhuma『Memória』de ter matado você, mas você, onii-san, tem『Memórias』de ser morto!”

Isso era anormal.

Um paradoxo inexplicável que não podia ocorrer estava ocorrendo.

Ah, talvez fosse a influência das『Memórias』de Natsuki Subaru, mas o repertório de palavras de Rui estava se expandindo. Paradoxo. Uma emergência causada por um paradoxo, o Einstein de Maxwell de Schrödinger era Nikola Tesla――!

“O que é isso!? O que está acontecendo!?『Memórias』não são ilusões, sabe!? Os sedimentos acumulados na『Alma』não podem ser distorcidos à vontade! Então! Este é o mundo que o onii-san viu! Esta é a história que o onii-san experimentou! Esta é a história que só o onii-san conhece!”

Colocando os dedos em seu longuíssimo cabelo dourado, Rui explodiu em um impulso ardente.

Ela não podia, nem por um segundo, deixar contido esse impulso sem extravasá-lo. Assim que o fizesse, Rui Arneb explodiria. Ela explodiria em pedaços e sua mente se fragmentaria.

“Novo… novo, novo, novo, novo, novo, novo, novo, novo! Um novo conjunto de valores, gh!”

Foi um encontro.

Um encontro com um artigo que ia além das suposições, algo que Rui nunca conheceu, nunca viu, nunca imaginou.

Atravessada inteiramente por um raio, ela não conseguia pensar em mais nada. Se isso não fosse chamado de destino, do que seria? Que nome daria a este sentimento?

“Onii-san, será que você é como nós? Você é um Arcebispo do Pecado?”

«…»

“Nunca nos encontramos pessoalmente, mas o Petelgeuse disse! O Fator deve ter alcançado. Os assentos dos pecados estão preenchidos, então todos se reunirão algum dia! Esse assento vazio não é do onii-san… não é meu assento?”

«…!!»

“Ah, há, há, há, há, há, há, há, há, há! Não fique bravo, não fique, onii-san! Não nos confunda mais, onii-san! Nossa cabeça já está cheia e o nosso pequeno peito dói como se fosse explodir. Ah, ah, ah! Incrível, incrível, incrível!”

Batendo e batendo levemente nas próprias têmporas com os dedos, Rui saboreava as『Memórias』até os ossos.

Inacreditável. Não dava para acreditar. Não havia margem para acreditar que havia topado com ninguém menos do que a『Gula』.

Rui conseguia acreditar na evolução de Natsuki Subaru porque compartilhava as mesmas『Memórias』. ――Não, não era que acreditava, ela estava ciente como fato.

Esse era o caminho que Rui Arneb também havia percorrido.

“Ah, que『Orgulho』! Injusto… injusto, injusto! Injusto, injusto, injusto, injusto, injusto, injusto, injusto, injusto, injusto, injusto! ――Não, maravilhoso, gh! Onii-san, você realmente consegue morrer várias e várias e várias e várias vezes!”

«…»

“Uau, incrível! Você realmente morreu! Morreu miseravelmente, onii-san! Várias vezes, sem poder fazer nada, você morreu, onii-san! Isso realmente aconteceu, onii-san!”

Uma salva de palmas, aplausos de pé, uma parabenização por ter nascido.

Gratidão pelo milagre de ter encontrado você, o trem para o futuro que seguirá junto de mim.

“Surgida a inspiration! Estimulada a innovation! Onii-san, você veio de um lugar que não é aqui nem qualquer outro lugar!? Ah, já não consigo pen… sar.”

Rui, imersa em não resistir as emoções que explodiam sem restrição de vigor, de repente percebeu essa possibilidade. ――Não, ela ouviu sua voz interior.

Conhecer paisagens não conhecidas e ser de um mundo desconhecido eram refeições completas de primeira que certamente saciariam a fome de curiosidade do ■ de Rui.

Mas a característica mais notável de Natsuki Subaru eram――:

“――『Memórias』de morte.”

Não deveriam existir. Memórias sobre o que vinha após a『Morte』que nunca deveriam existir.

Até o cerne era diferente de uma simples experiência de quase morte, que era como um test drive porco. Era um fenômeno concretizado pelo fato real da『Alma』ser despedaçada, a vida ser arrancada e o sopro de vida ser interrompido.

O outro lado do rio Sanzu, a linha entre esta vida e o além, da qual jamais se podia retornar. Sem nadá-lo nem cruzá-lo, essas『Memórias』eram de alguém refazendo a vida que lhe foi arrancada――.

“――『Retorno Através da Morte』.”

Rui assim chamou a maior menina dos olhos das『Memórias』que haviam surgido dentro dela.

Acumulando como memórias as experiências de inúmeras『Mortes』, o que não poderia ser registrado como『Memória』nenhuma vez era transmitido de um『Eu』para o próximo como algo definitivo.

Foi assim que Natsuki Subaru superou todas as dificuldades.

“Incrível, incrível, onii-san! Realmente incrível! Ficamos emocionadas. Tocou o nosso ■. Você realmente consegue fazer isso. Superar a『Morte』livremente!”

«…»

“Não, não, não seja modesto. Estamos falando sério. Estamos realmente com inveja do onii-san. Afinal, absolutamente ninguém tem『Memórias』da morte.”

«…»

“E mais, e mais, por quê? Por que você está tranquilo, mesmo conosco tendo roubado suas『Memórias』? Qual é a sua especialidade? Save da『Alma』? Backup? Imutabilidade? Sem sentido, sem sentido!”

Dentro de Natsuki Subaru, que se debatia, existiam muitas e muitas『Memórias』de mortes.

Eram intensas emoções que Rui nunca havia conseguido experimentar. Além disso, a habilidade de poder continuar morrendo inesgotavelmente e acumulando『Mortes』era algo a ser invejado.

“――Queremos.”

Ela queria o poder do『Retorno através da Morte』.

Não era pela habilidade de repetir a『Morte』. Claro, essa nova emoção também era um fator que atraía Rui imensamente, mas o mais importante era a capacidade de『Refazer』.

―― Rui Arneb estava procurando pela melhor vida.

E a conclusão na qual havia chegado Rui, que havia devorado inúmeras vidas, foi que a melhor vida não era nem uma rica, nem uma amada por muitos, nem uma abençoada com alto status.

A melhor vida era uma em que “tudo acontecia do jeito que você queria”.

Em que tudo acontecia de acordo com o que acreditava, de acordo com o que esperava e de acordo com o que desejava.

Um mundo perfeito, sem nenhuma falha, sem nenhuma incompletude e sem nenhum absurdo.

Ela sempre esteve procurando uma maneira de realizar isso. A resposta era uma escuridão interminável em Rui, mas ela finalmente entendeu.

“――É o『Retorno Através da Morte』.”

Se ela tivesse isso, poderia reverter coisas desagradáveis e falhas.

Se soubesse o que aconteceria no futuro, poderia lidar com isso. Se ao menos soubesse quais falhas ocorreriam, quais absurdos a aguardavam e quais incompletudes enfrentaria.

“Nós poderíamos viver a melhor vida――!”

«…»

“Como devemos fazer? Como fazemos para roubar? Se o『Retorno através da Morte』do onii-san é uma Autoridade, não podemos roubá-lo apenas comendo. Não é algo que vem com as『Memórias』e o『Nome』. É que Fatores da Bruxa são o oposto de Od Laguna! Não será entregue facilmente! Então…”

Então, para roubar a Autoridade, o Fator da Bruxa deveria ser roubado junto.

Mas Rui não sabia nem como roubar o Fator da Bruxa. Até agora, nunca quis a Autoridade de outros Arcebispos do Pecado. Aquela corja era repulsiva só de entrar em contato.

Mas――:

“Onii-san, você consegue usar a Autoridade do Petelgeuse que você matou…?”

As『Mãos Ocultas』nas『Memórias』eram mais fracas em número e alcance do que as originais, mas eram indiscutivelmente o poder que aquele louco usava. Isso, em resumo, provava que Natsuki Subaru tinha vários Fatores da Bruxa armazenados dentro de si.

Se era possível armazenar Fatores da Bruxa――:

“Nós vamos, absolutamente e custe o que custar, obter o『Retorno Através da Morte』. A Autoridade do onii-san é nossa esperança. Se conseguirmos, nós…”

«…»

“Poderíamos viver nossa própria vida, gh!”

Ela queria ser feliz.

Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz.

Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz――.

“A maneira de fazer isso está bem na nossa frente… a maneira de fazer isso… gh.”

«…»

“――Ah! Que egoísmo esse! O『Retorno Através da Morte』não é uma coisa boa que você tem? As pessoas que têm não conseguem entender como as que não têm se sentem, gh!”

Persuasões impositivas que pareciam já ter sido ouvidas antes em algum lugar eram entediantes.

Aqueles que vinham usando plenamente esse poder e não gostavam de usá-lo eram ridículos.

Então, iria absolutamente consegui-lo. Absoluta, absoluta, absolutamente.

Como fazer――:

“Como fazer para roubar a Autoridade… não, errado. Está errado, hein, está errado mesmo, por estar errado, segue errado, por estar completamente errado, já dissemos que está errado, é exatamente por seguir errado, gh! Bebendo que nem um glutão, gh! Comendo que nem um glutão, gh!”

Batendo as mãos com muitíssima força, Rui arregalou os olhos.

Revelando presas afiadas, ela aplaudiu, admirada com a própria lucidez.

Os meios e os fins haviam se invertido sem que percebesse.

Mas não era assim. Não era assim.

Rui não tinha como objetivo roubá-lo, porque queria o『Retorno Através da Morte』, porque queria viver a melhor vida de forma divertida ao obter a Autoridade de『Retorno Através da Morte』.

Tendo sido o Arcebispo do Pecado representando a『Gula』por tanto tempo, ela tinha se acostumado a pensar de forma violenta e isso não era bom. Era problemático. Era uma armadilha de pensamentos rígidos. Isso levaria à derrota.

Era simples. Se ela quisesse obter, e não roubar――:

“――Eu deveria me tornar ele.”

«…»

“Nós deveríamos nos tornar o onii-san. Se nos tornarmos o onii-san e o devorarmos com a Autoridade da『Gula』… poderíamos integrar os Fatores da Bruxa. Já que é o onii-san, eles podem ser armazenados.”

Dizendo isso, Rui puxou suas bochechas com as duas mãos, esticando-as forte e violentamente.

Não foi um gesto fofo, mas sim doloroso com o intuito de machucar. Para quê? Para rasgar carne e dividir a si mesma.

“Você conhece os Três Grandes Majuus? Elas foram criadas pela antiga portadora do Fator da Bruxa. Nós podemos fazer algo semelhante. Nunca houve motivo para isso, mas…”

«…»

“――Se pensarmos em fazer, podemos fazer qualquer coisa.”

―― Se nós pensarmos em fazer, podemos fazer qualquer coisa.

Esse era um monstro de potencial.

Esse era o potencial de um ser puro antes mesmo de nascer.

Esse era aquele destinado a viver a melhor vida no futuro.

―― Esse era o destino de Rui Arneb, o ser mais feliz.

“ “――Esse é o ser que somos.” ”

As palavras de Rui, lentamente tecida, foram amontoadas e pronunciadas.

O fenômeno de ouvir a mesma voz duplicada não era uma alucinação nem um engano. Estava em conformidade com o que aconteceu, porque a mesma voz, o mesmo tom e a mesma pessoa se duplicaram.

“Ficamos surpresas com as『Memórias』do onii-san, mas Arneb é da constelação da Lebre, não é? E também foi o seu grupo, onii-san, que destruiu o Grande Coelho, estamos chocadas.”

“Mas, sendo assim, essa não é uma surprise tão grande, é? ‘Como foi que multiplicamos?’ ou será que o onii-san está em êxtase porque a fofa Rui-chan se multiplicou? Não é? Não, é? Onii-san, então você não é do type que sente desejo por garotinhas pequenas. Hmm, é?”

Vendo os olhos arregalados do outro, petrificado de surpresa, Rui colocou o braço em volta dos ombros de uma presença ao seu lado — por assim dizer, outra Rui. Neste lugar separado da realidade que era o『Corredor de Memórias』, Rui era uma existência formada apenas pelo Fator da Bruxa sem corpo físico e pela『Alma』; aliás, o nome de cada um dos três irmãos parecia corresponder aos Três Grandes Majuus, mas isso não importava agora.

Seja como for, dividindo em dois o Fator da Bruxa, Rui Arneb se duplicou.

Era provável que Rai e Roi, que temiam perder seus sensos de identidade ao usar o『Eclipse Solar』, não conseguiam fazer essa manobra. Saber que seu eu poderia ser copiado levava à perda da essência de si.

Mas isso não se aplicava a Rui, cujo eu sempre foi estabelecido de forma vaga.

Podia haver uma Rui, duas Rui e por aí vai.

Com isso, Rui Arneb obter a Autoridade de Natsuki Subaru era…

«…»

“Hã? O que foi?”

Algo foi dito pelo garoto que era o recipiente do Fator da Bruxa.

Ao olhar para ele, além do fascínio pelo『Retorno através da Morte』, Rui simplesmente sentiu um carinho crescente. Isso a irritou e ela abandonou as『Memórias』que havia trazido à tona.

Ela as arrancou de sua『Alma』e as descartou como se já fossem inúteis.

――Não, não era como se fossem inúteis. De fato eram inúteis agora.

Todas as『Memórias』eram tapa-buracos até que enconstrasse a melhor vida, apenas lanchinhos. Mas Rui Arneb finalmente encontrou seu prato principal.

“ “――Se pensarmos em fazer, podemos fazer qualquer coisa.” ”

Então, ela faria exatamente isso.

De dentro, corroeria Natsuki Subaru. E de fora, lamberia completamente o corroído Natsuki Subaru sem deixar restos ―― Rui Arneb obteria Natsuki Subaru.

«Você vai ■■■ ■■■■■■■ ■■ ■■■■■■■■■■.»

Até o último momento, o recipiente disse algo.

Mas o que ele disse não importava mais. Rui lambeu os sedimentos grudados na『Alma』e herdou as『Memórias』.

E, dentro do recipiente que tinha esquecido tudo, Rui se juntou ao Fator da Bruxa.

Agora――:

“Agora, só precisamos esperar até que esteja pronto.”

Ela estava acostumada a ficar esperando no『Corredor de Memórias』.

O problema era lidar com as『Memórias』. Para roubar de novo as『Memórias』de alguém que já havia sido devorado, havia um truque. O Autoridade gourmet não reconheceria o mesmo nome e o mesmo sabor no cardápio como algo novo.

Portanto, era necessário mudar o tempero da 『Alma』.

Tão diferente que Rui, que a『Gula』, esquecesse que já o havia provado.

Esperando que se tornasse o sabor supremo que Rui Arneb ansiava.

Que se tornasse o melhor, o mais excelente, o mais perfeito prato.

Contando nos dedos os momentos e lambendo os beiços, ela esperou ansiosamente――:


???: “Então. Você viu o que queria tanto ver? ――Rui Arneb.”

Rui: “Hã?”

Com um chamado repentino, a consciência de Rui despertou e ela arregalou os olhos.

Piscando algumas vezes, ela confirmou onde estava. Cercada por branco, um chão branco com um céu branco, em pé no meio de um mundo completamente branco, Rui estava com uma expressão distraída.

Rui: “…”

Ela tocou o próprio rosto, verificando a sensação.

Ali não havia espelho para ver, mas a sensação era inconfundivelmente a de seu próprio rosto. Não havia muito entretenimento ali, e tratando-se das coisas que podia tocar, só havia o seu próprio rosto e corpo.

Então, ela havia tocado seu rosto tantas vezes que tinha se cansado de tocá-lo. Então, tocando o rosto que estava cansada de tocar, saberia de imediato como ele e o seu corpo estavam.

De volta ao normal. Sim, de volta ao normal. ――Este era o corpo de Rui.

???: “Você viu o que queria ver?”

Rui se examinou lentamente e atônita.

Quando terminou o ato, a pergunta de repente foi repetida. Rui levantou o rosto e olhou para a pessoa que esteve bem na sua frente esse tempo todo.

Um garoto deesarrumado de cabelo preto curto e olhos sanpaku afiados com um tronco longo e pernas curtas.

Seu nome era Natsuki Subaru. Até pouco tempo atrás, Rui havia se unificado com ele como um Fator da Bruxa e agora――:

“――Ah”

――E agora, a existência de loucura inimaginável que tinha a Autoridade do『Retorno Através da Morte』.

Rui: “N-NÃÃÃÃÃããããããÃÃÃÃÃooOOoOOoooo―― gh!!”

Rui abriu a boca e gritou.

Ela gritou com todas as suas forças, com o máximo que podia, com todo o seu ser.

Se não o fizesse, seria esmagada completamente. Pelo medo, pela ameaça, pelo desespero.

Presa na loucura de um lunático que continuava avançando e repetindo a『Morte』inúmeras e inúmeras vezes.

Rui: “Não queremos morrer! Nós não queremos morrer! Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não! Não! Não, gh!!”

Sacudindo a cabeça, caindo no chão e recuando, Rui implorou desesperadamente.

Ao se unificar com essa existência, Rui experimentou a『Morte』. Provou dela. Ao ser ela mesma absorvida pela『Alma』que『Retornava através da Morte』, sentiu na pele o『Retorno através da Morte』que revertia até o tempo.

As memórias de『Morte』eram incompletas apenas por serem as『Memórias』de Natsuki Subaru.

Memórias, no final, eram apenas memórias. O impacto sensacional e fresco de que você nunca retornaria de novo àquele momento, àquela fração de segundo, àquela ocasião se abrisse mão dela uma vez não podia ser capturado.

Por isso, ela ansiava por isso. Ela ansiava pelo sabor da『Morte』.

Mesmo que a『Morte』não fosse tão intensa quanto Rui esperava, ao usar a Autoridade de『Retorno através da Morte』, o direito de viver uma vida que podia ser refeita seria troco o suficiente.

Era o que ela pensava. ――Até experimentar a『Morte』por si mesma.

Rui: “Aquilo… aquilo é insuportável! Aquela dor! A sensação de perda! Não pode ser suportada! Impossível! Impossivelmente impossível! Absolutamente impossível! Não!”

Nenhuma vez foi uma morte fácil.

Nenhuma vez sentiu que a『Morte』foi doce.

Nenhuma vez pensou querer morrer.

Natsuki Subaru experimentou isso mais de vinte vezes e reprisou.

Rui: “Ninguém pode suportar isso! Monstro! Monstro, gh!”

Não era possível. Não deveria ser possível.

Rui devorou a vida de muitas pessoas e violou inúmeras『Almas』em procura de sua própria vida.

Ela acreditava que tinha o direito, o privilégio de fazer isso.

Então, ela estendeu a mão à『Alma』de Natsuki Subaru ―― e teve o seu doce ■ destruído.

Porque――:

Rui: “――O coração humano não pode suportar a própria morte, gh!”

Ela queria ser feliz.

Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz.

Queria ser feliz. Queria ser feliz. Queria ser feliz. Quis — ser feliz.

Ela quis ser feliz.

Esse era o desejo que Rui Arneb sempre, sempre teve em vista.

Ela acreditava que tinha o direito de usar seu poder para pisotear tudo e obter a melhor vida. Já que acreditava nisso sem qualquer pingo de remorso, Rui viveu até hoje.

Mas isso, isso, isso, essa premissa, ela desmoronou.

Ela quis ser feliz. Mas, agora, o seu desejo de agora, ele era diferente.

Rui: “Não queremos morrer.”

Não queremos morrer.

Não queremos morrer. Não queremos morrer. Não queremos morrer.

Não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer, não queremos morrer ――.

Subaru: “――É por isso que eu disse quando você tentou me devorar.”

Rui abraçava a própria cabeça, encolhia-se, sacudia a cabeça de um lado ao outro e tentava desesperadamente se proteger.

Logo do lado e logo de acima dela, que não conseguia olhar para cima, desceu uma voz.

Ela não queria nem ouvir. Estava com medo de ouvir. Mas tinha medo do que poderia acontecer se não ouvisse. ――Ela tinha medo de morrer.

Então, não teve escolha a não ser ouvir.

E assim, enquanto olhava para Rui, que estava encolhida de medo, a voz continuou.

Eu te avisei — com esse sendo o prelúdio――:

Subaru: “――Eu te disse que você ia com certeza se arrepender.”



Nota: O nome de “Louis” será alterado para “Rui” nos próximos capítulos (igualmente ao seus irmãos) devido ao consenso geral decidido pela staff sobre o qual se aproxima mais do original, esse capítulo passará por alterações futuramente.

Mais contexto sobre a mudança: Ice [WCT]

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