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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 76

Aos aventureiros da Guilda dos Aventureiros

Depois de ser traída por seu padrasto e vendida a um negociante de escravos, Marie foi tomada pelo desespero.

O verdadeiro pai de Marie havia morrido quando ela era pequena, e sua mãe se casara novamente antes de morrer de uma doença. Decidindo que não podia criar uma filha com quem não tinha laços de sangue, o padrasto ignorou o último desejo da esposa e vendeu Marie.

Traída por alguém que ela amava como se fosse seu pai de verdade, Marie perdeu a esperança de viver.

Uma garota no início da adolescência, como ela, não seria comprada por um bordel a menos que tivesse uma beleza excepcional. Era comum que garotas assim fossem vendidas por um preço irrisório e obrigadas a trabalhar até a morte em minas, realizando trabalho braçal pesado.

Ninguém poderia culpá-la por cair no desespero.

— Fufu, que noiva linda. Por favor, diga-me seu nome…

Foi por isso que ela sentiu um certo alívio ao saber que havia sido entregue a um Vampiro como pagamento, achando que tudo acabaria em breve.

Mesmo que por algum milagre um comprador bondoso a libertasse um dia, ela já não tinha uma família que se importasse com ela.

Viver o resto de suas décadas de vida carregando tamanha tristeza traria apenas dor.

— Então, você não consegue falar… Não importa. Em breve poderei saborear tudo com estas presas e esta língua.

O rosto bonito do Vampiro se contorceu em uma expressão animalesca quando suas presas apareceram.

E no momento em que aquelas presas se aproximavam do pescoço de Marie —

A janela, feita de vidro incomum para a cidade de Niarki (exceto na casa do lorde), se estilhaçou, espalhando estilhaços pelo chão.

— O quê?! Guah!

Sombras negras passaram pelas costas e pelos lados do Vampiro, e de cada uma delas jorrou sangue.

Marie apenas observou aquilo com o olhar perdido. A criatura à sua frente era um Vampiro, uma encarnação do mal que deveria ser derrotada por heróis ou campeões.

E alguém estava estraçalhando aquela criatura de forma unilateral.

— Maldito… covarde! Feridas como essas logo…!

— Elas não vão cicatrizar — disse uma voz. — São kunai com o Efeito de Negação de Cura do Filho Sagrado.

— Também têm veneno mortal que funciona contra Vampiros — disse outra.

— O-que?! Isso não pode ser… Guoh!

Com o sangue jorrando da boca como uma fonte, o Vampiro parou de se mover.

A criatura que deveria encerrar a vida de Marie havia morrido.

E seu cadáver foi levado por um Titã mascarado.

Vagamente se perguntando o que aconteceria com ela agora, Marie foi dominada pelo medo. Instintivamente, pegou um caco de vidro afiado.

— Espere.

Antes que pudesse levar o vidro à própria garganta, o assassino menor agarrou seu braço.

— Por que está me impedindo?! — ela gritou. — Por favor, eu imploro, me deixe morrer!

— Não! — disse o assassino. — Seria um problema se você morresse!

— Por quê? — ela perguntou. — Pode encontrar alguém para me substituir em qualquer lugar!

— Ninguém pode te substituir! — declarou o assassino com firmeza.

— Eh? — Marie soltou o vidro, enfraquecida pelo impacto daquelas palavras.

Braga aproveitou o momento para tirar o caco de vidro da mão dela e jogá-lo fora.

Em seguida, começou a tratar a mão dela, que estava cortada.

— Todos se importam com você — ele disse. — Não vá morrer assim, tão facilmente.

Braga e os outros haviam sido encarregados por Vandalieu, seu rei, de proteger o maior número possível de vítimas e prisioneiros dos Vampiros.

Por isso, tinham sido cautelosos ao proteger pessoas como Marie.

Braga não estava mentindo.

Mas naquele momento, para a Marie de coração despedaçado, ele era como um príncipe em um cavalo branco.

— Então é isso, Rei. Essa é minha namorada, Marie — anunciou Braga.

— Por favor, abençoe nosso casamento.

“A gente nunca sabe onde vai encontrar o amor da vida”, pensou Vandalieu, ao olhar para Braga — que exibia um ar orgulhoso — e para a garota ao lado dele, com cerca de doze ou treze anos.

— Eu não me importo em dar minha bênção, mas… Braga é um Goblin Negro. Você está bem com isso? — perguntou Vandalieu.

Goblins Negros eram muito mais parecidos com humanos do que os Goblins comuns, e tinham personalidades boas, como a de Braga.

Vandalieu podia entender que fossem amigos, mas… havia uma barreira que a maioria das pessoas hesitaria em ultrapassar ao escolher um Goblin como cônjuge, certo?

— Claro que sim — respondeu Marie, sem hesitar diante das dúvidas de Vandalieu. — A única que se importava comigo era minha mãe, que já morreu. Tenho certeza de que foi o destino que fez Braga e os outros me salvarem daquele Vampiro!

— E-eu entendo — disse Vandalieu. — Você não poderá voltar a este país por pelo menos mais dez anos. Ainda se sente assim?

— Não me importo!

— Então, não tenho nada a fazer além de te dar minha bênção e dizer: “parabéns”.

Se a própria Marie estava satisfeita, então provavelmente estava tudo bem.

Na verdade, Braga, o vice-capitão da unidade ninja, era o mais bem-sucedido dos Goblins Negros e um excelente indivíduo. Não havia razão para se opor.

E Marie provavelmente poderia levar uma vida mais luxuosa se fosse para Talosheim.

— Ah, Filho Sagrado, sobre as prostitutas que os canalhas mantinham em cativeiro e as mulheres que trabalhavam para eles… — começou Zran. Por alguma razão, suas palavras estavam um tanto hesitantes.

Quando Vandalieu se virou para olhá-lo, era claro — mesmo por trás da máscara — que ele estava incomodado.

— O que foi? — perguntou Vandalieu. — Estou planejando usar a habilidade Invasão Mental para fazê-las ficarem em silêncio, dar algum dinheiro e então libertá-las.

Ele só planejava usar os Presas das Noites Sombrias, que havia tomado, por alguns meses no máximo. Não tinha intenção de continuar administrando seus negócios, como os bordéis. Pretendia sair logo, então planejava eliminar as gerentes disfarçadas de prostitutas e silenciar o restante antes de libertá-las.

— Sobre isso — disse Zran. — Depois de verem a Marie-jouchan, parece que elas entenderam tudo errado… Acharam que não seriam mortas se nos bajulassem… Agora estão fazendo uma entrevista coletiva de casamento com os Goblins Negros.

—… Uau.

— E como nenhum deles tem experiência com mulheres, a coisa ficou bem interessante.

—… As mulheres são resistentes, não são?

— Então, Vandalieu-sama, o que faremos com essas mulheres? — perguntou Eleanora.

De fato, o que Vandalieu deveria fazer com elas?

— Para começar, vamos fazer entrevistas e exames físicos — disse ele.

— Querido, você tem que contar sobre mim também — disse uma mulher.

— Ah, é mesmo. Rei, eu também tenho uma namorada — disse outro Goblin Negro.

—… Parabéns — disse Vandalieu.

As palavras dos homens eram tão forçadas que não parecia apenas uma desculpa por terem fracassado em seu trabalho. Assim, Karcan decidiu aceitar os relatórios como verdadeiros.

Ele era responsável por toda uma ordem de cavaleiros. Já tinha visto com seus próprios olhos homens realizarem feitos inacreditáveis, apesar da idade e aparência, ao servirem como cavaleiros por tempo suficiente.

— Aquele garoto era um Dhampir, era? Por mais difícil que seja acreditar, se for mesmo um Dhampir, é uma história plausível — disse Karcan. — Mas, em outras palavras, isso significa apenas que havia um mago de cura competente com força equivalente a um aventureiro de classe D naquelas vilas — concluiu.

O fato do Dhampir ter derrotado três Orcs era impressionante, mas ele basicamente derrubou um com um ataque surpresa e usou o impulso para derrotar os outros dois. Isso seria possível para qualquer um com força de um aventureiro classe D.

— O mais importante é que ele não está usando a vila como base de operações como os aventureiros refugiados. Você disse que ele estava apenas de passagem, a caminho da cidade para se tornar um aventureiro, não foi? Em outras palavras, significa apenas que devemos concluir nossos planos enquanto aquele garoto não estiver nas vilas — disse Karcan.

— Tem certeza de que isso vai dar certo? — perguntou Froto.

Karcan riu. — Você se preocupa demais. Nem mesmo esse Dhampir faria algo como colocar guardas para vigiar as vilas, não é?

— Suponho que tenha razão.

Na realidade, Vandalieu havia deixado seus Familiares, os Lemures, bem como dezenas de Golens de Pedra em cada vila de cultivo.

— Se aquele garoto Dhampir pretende se tornar um aventureiro, ele será obrigado a frequentar a escola de aventureiros por pelo menos um ano — disse Karcan. — Durante esse tempo, vamos fingir ser bandidos e destruir as vilas de cultivo… Eu mesmo liderarei os homens.

Os homens se agitaram com o anúncio de que Karcan e seus cavaleiros atuariam como bandidos.

— Isso é mesmo seguro? Se descobrirem, mesmo que as vítimas sejam apenas refugiados, seremos enforcados ou transformados em escravos!

— Temos que estar dispostos a correr ao menos esse risco — respondeu Karcan. — Tudo isso é pelo bem de exterminar esses tolos vergonhosos do Ducado de Sauron que estão se espalhando como parasitas pelo nosso Ducado de Hartner, pelo bem do povo e pelo bem de Lorde Lucas!

Como Vandalieu suspeitava, Karcan não reconhecia os refugiados que escaparam do Ducado de Sauron, incluindo os que viviam nas vilas de cultivo, como cidadãos de sua própria nação.

As “pessoas” a quem ele se referia eram as do Ducado de Hartner; os de outros ducados, como o de Sauron, eram essencialmente estrangeiros.

Dito isso, a verdadeira motivação de Karcan era sua frustração por não ter conquistado nada de significativo em nome de Lucas, o que o impedia de alcançar o status social que desejava, mesmo que Lucas sucedesse a família.

— Minha companhia está programada para uma expedição no mês que vem — disse Karcan. — Nessa ocasião, começaremos com a Sétima Vila de Cultivo e depois atacaremos as outras. Froto-dono, você virá conosco.

— E-eu?!

— Para garantir que ninguém sobreviva, precisamos de você, Froto-dono, já que conhece bem as vilas por fingir pregar para elas. Se tudo der certo, você também se tornará vassalo da casa do duque. Estou contando com você.

— C-claro…

Apesar da sensação sombria de estar envolvido em uma conspiração mais profunda do que havia imaginado, Froto já não podia voltar atrás.


Enquanto isso, Vandalieu, que havia interrompido todos os planos de Karcan sem querer, caminhava pelo mercado em direção à Guilda dos Aventureiros.

Seu objetivo era, claro, registrar-se como um aventureiro.

“As coisas mudaram depois que descobri várias coisas, mas agora é a oportunidade perfeita para me registrar.”

Agora que estava claro que o Ducado de Hartner havia traído Talosheim, Vandalieu havia estabelecido um novo objetivo: resgatar os Titãs escravizados nas minas de trabalho forçado.

Ele já havia feito contato com Talosheim sobre isso; Borkus estava aparentemente tão furioso que queria invadir o ducado imediatamente.

“Como ele é confiável.”

O motivo de Vandalieu ainda estar se registrando como aventureiro, apesar disso, era porque se deixasse essa chance passar, a próxima poderia demorar anos para chegar.

Além disso, ele já havia eliminado o Vampiro que fora enviado pelos Nobres Puros que adoravam o Deus Maligno da Vida Alegre, transformando-o em aliado. Até mesmo a organização criminosa que controlava a cidade de Niarki havia se tornado seu fantoche.

“Vou me registrar rapidamente, sair da cidade imediatamente, me reagrupar com Eleanora e os outros, esperar a noite cair e então voar em direção à capital do ducado.”

De qualquer forma, Vandalieu precisava esperar o anoitecer para voar, então não havia problema com isso.

Seria problemático se ele tivesse aquele tipo de encontro clichê com aventureiros delinquentes, no entanto.

— Ainda assim, é bom que eu tenha aprendido que existem muitas coisas necessárias para trabalhar como aventureiro. Quem diria que eu ao menos precisaria de uma casa.

Normalmente, aventureiros não precisavam de uma casa para exercer a profissão. Aventureiros iniciantes usavam pensões baratas, enquanto muitos aventureiros veteranos utilizavam estalagens conhecidas como suas bases.

No entanto, Vandalieu tinha circunstâncias bem diferentes dos outros aventureiros, já que precisava se preocupar com Borkus, Zadiris, Sam e Eleanora.

Eles não seriam tratados como “pessoas”. Eram “monstros” domesticados por Vandalieu. Portanto, ele não podia se hospedar em uma estalagem comum.

Era semelhante a restaurantes ou pensões na Terra que não permitiam a entrada de clientes com animais de estimação. E nesse caso, não se tratava de pets, mas de monstros ainda mais temidos do que feras selvagens.

Se fossem monstros pequenos, como fadas (Pixies), talvez não houvesse problemas. E, no caso de Eleanora e Zadiris, que aparentavam ser pessoas normais à primeira vista, talvez fosse possível em algumas estalagens. Mas seria impossível no caso de Knochen e Bone Man.

Claro, havia aventureiros domadores, mas quando se hospedavam, deixavam seus monstros nos estábulos. Fossem Goblins, Kobolds ou até mesmo Ghouls, todos tinham que ficar no estábulo.

Por isso, se Vandalieu quisesse usar uma estalagem, Borkus, Bone Man e até Eleanora e os Ghouls, caso não fossem aceitos nos quartos, teriam que ser tratados como cavalos e dormir no celeiro.

Um comportamento realmente bárbaro.

Apesar disso, ao perceber isso na noite anterior, Eleanora já havia se preparado, pensando:

“Humilhar-me dessa forma na frente de alguém que não seja Vandalieu-sama… Mas se for pelo bem de Vandalieu-sama…”

— Para trabalhar como aventureiro, preciso frequentar a escola de aventureiros, mas antes disso, preciso pegar dinheiro de bandidos e organizações criminosas, reunir tesouros de Masmorras e comprar uma casa grande — disse Vandalieu. — Huh, não é normalmente o contrário?

Era estranho pensar que, para se tornar aventureiro e conquistar feitos, ele primeiro precisaria ficar rico e adquirir uma casa. Mas se trabalhasse sozinho, não conseguiria adquirir Pontos de Experiência por causa da maldição, e não suportaria a solidão.

Além disso, ele não tinha confiança de que conseguiria companheiros para formar um grupo na escola de aventureiros.

Uma casa era necessária, afinal.

— Mesmo se eu usar dinheiro para comprar uma casa, não poderei andar pela cidade com todos eles, a menos que receba coleiras e colares que provem que os domestiquei. Ser aventureiro dá tanto trabalho… — murmurou Vandalieu ao passar por uma Igreja de Vida deserta e chegar ao prédio da Guilda dos Aventureiros.

Era um prédio de dois andares construído em um terreno tão grande que a filial da Sétima Vila de Cultivo, incluindo a loja de faz-tudo inteira, cabia dentro dela dezenas de vezes. Excluindo os edifícios do senhor da região, era um dos cinco maiores prédios da cidade de Niarki.

“As filiais da Guilda nas cidades realmente são grandes.”

Até mesmo Vandalieu, que normalmente vivia no castelo real de Talosheim, ficou impressionado.

Ele fez uma oração silenciosa, esperando não acabar entrando em uma briga com algum aventureiro delinquente.

— Vamos lá.

Reuniu coragem e abriu a porta da Guilda. O horário em que a Guilda ficava cheia de aventureiros procurando pedidos já havia passado, então havia poucos presentes. Havia atendentes sentadas no balcão, e atrás delas, outros funcionários preenchendo formulários.

Vandalieu avançou em silêncio e conseguiu chegar ao balcão. Sem entrar em nenhuma briga.

“Parece que minha oração foi ouvida,” pensou Vandalieu — mas ele estava enganado.

A verdade é que a maioria dos aventureiros nem havia notado sua presença, e mesmo que tivessem, poucos começariam uma briga com uma criança.

A maioria das crianças que vai à Guilda dos Aventureiros está lá para se registrar, já é um aventureiro classe G, ou é estudante da escola de aventureiros.

E se alguém dissesse: “Você acha que um pirralho como você pode ser aventureiro?!” e começasse uma briga com um aventureiro classe G — que faz trabalhos como carregar coisas na cidade ou limpar a Guilda — receberia apenas risadas e desprezo.

Seria ainda mais trágico se fizessem isso com um estudante da escola de aventureiros. Cargos como instrutor da escola são populares entre aventureiros aposentados. Se alguém ficasse arrumando confusão ou ameaçando os outros à toa, só ganharia o desprezo dos veteranos e perderia chances de emprego no futuro.

Portanto, o cenário clichê do “aventureiro mais velho e grosseiro que arruma briga com novato” só ocorre quando os aventureiros recém-formados da escola começam suas aventuras de verdade. Alternativamente, às vezes é a própria criança que começa a briga.

Sim, há pessoas em todas as áreas que são tão lamentáveis que o bom senso não se aplica a elas, mas… elas não estão presentes em todas as filiais da Guilda a qualquer hora do dia.

Talvez, nesse sentido, a oração de Vandalieu realmente tenha sido atendida.

“Com licença,” disse Vandalieu, chamando uma recepcionista. “Quero me registrar como aventureiro.”

“! A-ah, sim.”

Parecia que a recepcionista não havia notado sua presença; ela se mostrou surpresa por um momento, antes de rapidamente forçar um sorriso profissional e entregar-lhe uma caneta e um formulário em papel.

“Por favor, preencha seu nome, idade, raça e especialidades, se tiver alguma. Precisa que alguém preencha por você?” ela perguntou.

“Não, não é um problema,” disse Vandalieu. “Mas que tipo de coisa eu deveria escrever no campo de especialidades?”

Ele havia ouvido sobre o processo de inscrição na Guilda dos Aventureiros de duzentos anos atrás por Borkus, e sobre o processo na Nação-Escudo de Mirg por Kachia, mas os detalhes mudavam com o tempo e de nação para nação. Era melhor garantir que estivesse preenchendo o formulário corretamente.

“Em especialidades, você deve escrever coisas como qualquer treinamento que tenha recebido de ex-aventureiros, afinidade com atributos, suas qualidades e quaisquer habilidades únicas que possua,” explicou a recepcionista.

“Mesmo minhas habilidades únicas? Mas vocês não descobrem minhas habilidades quando emitem o Cartão da Guilda?” perguntou Vandalieu.

“Sim, isso está correto, mas as habilidades reveladas no registro são mantidas confidenciais, então só o funcionário responsável por sua inscrição terá conhecimento delas.

Quando você escreve uma habilidade única no campo de especialidades do formulário, está fazendo uma declaração de que pretende torná-la pública e utilizá-la para competir por certos tipos de pedidos,” explicou a recepcionista.

Por exemplo, se um aventureiro possuísse uma habilidade única que concedesse dano extra contra certas espécies de monstros — como Matador de Goblins ou Matador de Dragões —, a Guilda poderia organizar pedidos específicos para aquela habilidade e conectá-lo a clientes apropriados.

Mas se o aventureiro quisesse manter a habilidade em segredo, essa informação basicamente ficaria selada na mente do funcionário.

Parecia que havia exceções, no entanto… como contar ao Mestre da Guilda, por exemplo.

Afinal, a Guilda dos Aventureiros era gerida por pessoas, então provavelmente não era bom confiar demais na política de confidencialidade.

Na verdade, embora Vandalieu não soubesse disso, um Mestre de Guilda na Nação-Escudo de Mirg havia promovido fraudulentamente Riley, a Lança do Vento Verde, por exigência do Conde Thomas Palpapek.

Claro, havia Mestres de Guilda que gerenciavam suas filiais de forma íntegra, mas também havia aqueles que não.

Nesse caso, é melhor deixar o campo de especialidades em branco.

Vandalieu planejava sair da cidade imediatamente após se registrar. Ele entregou o formulário preenchido apenas com os campos de nome, raça e idade.

“Isso é…”

Por algum motivo, a recepcionista arregalou os olhos ao pegar o formulário, e então lançou a Vandalieu um olhar de pena.

“De acordo com o que está escrito aqui, você é um Dhampir de sete anos. Está correto, Vandalieu-san?”

Mesmo que tentasse mentir, seu nome verdadeiro, idade e raça seriam revelados assim que o Cartão da Guilda fosse emitido. Portanto, é claro, ele havia preenchido o formulário com total honestidade.

“Sim, está certo,” ele confirmou.

Acho que Dhampirs realmente são raros, pensou Vandalieu, enquanto retirava o pano que cobria um de seus olhos, mostrando a ela que de fato era um Dhampir.

“… Então… Receio que você não pode se registrar,” disse a recepcionista, com uma expressão grave ao ver seus olhos heterocromáticos — um vermelho e outro roxo.

Vandalieu piscou algumas vezes, confuso com aquela resposta inacreditável. Mas a expressão da recepcionista não mudou, e ela não corrigiu o que havia dito.

“Por quê?” ele perguntou. “Eu pensei que menores de dez anos que se registrassem como aventureiros só precisassem fazer um teste simples?”

Se o exame fosse aprovado… Se o candidato conseguisse demonstrar que possuía inteligência e capacidade de decisão equivalentes às de uma criança de dez anos, ele seria registrado como um aventureiro Classe G. Quanto a se poderia se tornar Classe F ou superior, assim como outros aventureiros menores de idade, isso seria decidido após se formar na escola dos aventureiros.

Pelo menos, era assim que deveria ser, mas –

“Sob a assinatura conjunta de Lorde Belton e do Mestre da Guilda da sede do Ducado de Hartner, as regras foram alteradas. Crianças menores de dez anos que tenham sangue misto, incluindo sangue de raças de Vida originárias de monstros como Lamias e Centauros, não têm o direito de fazer o exame,” a recepcionista lhe informou. “É claro que isso inclui Dhampirs.”

O sistema havia sido mudado para que Vandalieu não pudesse se registrar como aventureiro no Ducado de Hartner até atingir dez anos de idade, quando poderia frequentar a escola dos aventureiros — cerca de três anos a mais.

Kasim e seus amigos não haviam mencionado isso, mas também não o tinham escondido intencionalmente. Eles eram todos humanos; os únicos afetados por essa mudança eram os homens-bestia, Titãs, Elfos Negros e pessoas de sangue misto dessas raças. Seres como Vampiros ou Lamias eram considerados monstros. Crianças nascidas entre humanos e esses seres, com feições humanas mais evidentes que as monstruosas, eram minoria.

Kasim e os outros não podiam ser culpados por não lembrarem dessa mudança.

Agora que pensava nisso, Vandalieu percebeu que nunca havia contado a eles que tinha sete anos. Como ele decapitou um Bárbaro Goblin e usou magia avançada do atributo vida (ou pelo menos, Kasim e os outros acreditavam nisso) para curar Ivan, não seria surpreendente que tivessem assumido que Vandalieu era mais velho do que parecia.

“E-entendo.”

“Sim. E dizem que as regras vão mudar novamente este ano, para que esses indivíduos nem tenham direito de se matricular na escola dos aventureiros…” A recepcionista fez uma expressão de arrependimento enquanto suas palavras se perdiam.

Se isso se concretizasse, Vandalieu não poderia se tornar aventureiro por mais oito anos, nem três.

“E-entendo…” disse Vandalieu, tentando conter o choque para pensar.

Era desagradável que Lorde Belton e o Mestre da Guilda tivessem feito uma mudança no sistema e nas regras que parecia mirá-lo especificamente. Incluindo a forma como Talosheim e os Titãs haviam sido traídos, Vandalieu jamais esqueceria isso.

Mas não faria sentido protestar ali. Era melhor Vandalieu desistir e sair da cidade.

E, uma vez resolvidas as pendências, ele só precisaria procurar uma oportunidade para se registrar como aventureiro em outro ducado.

Ele não esperaria oito anos. Poderia se registrar no próximo ano ou no seguinte. Normalmente, seria difícil para uma criança neste mundo ir para outro ducado (que era essencialmente outro país), mesmo se estivesse numa cidade comercial perto da fronteira entre ducados. Mas Vandalieu poderia fazer isso facilmente voando pelo céu.

Não era um grande problema. Sim, era desagradável, mas não um grande problema.

Porém, alguém atrás de Vandalieu levantou a voz. “Espere um segundo, por favor!”

A recepcionista à sua frente e até outros funcionários e aventureiros começaram a se agitar, chamando a atenção para a pessoa que havia falado.

Vandalieu arregalou os olhos sem se virar.

Vandalieu surpreso ao ver quem esta atras
Vandalieu surpreso ao ver quem esta atras

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