“Parado aí!”
Quando cheguei em frente ao portão enorme, um homem musculoso de expressão séria e usando um terno preto, com a logo da Lock no peito, entrou na minha frente.
Me analisando dos pés à cabeça, ele perguntou.
“Qual é o motivo da sua visita?”
Olhando o segurança diante de mim, suor frio começou a escorrer pelas minhas costas. Apesar de não demonstrar no meu rosto, estava sentindo uma pressão enorme vindo do homem.
Ele não era uma pessoa o qual deveria provocar… Se não estiver errado, ele deve estar na <Classe B>.
‘E pensar que os guardas da Leviatã são de classe alta…’
Isso só demonstrava o quanto de valor a escola colocava nos alunos do prédio. O prédio inteiro era protegido por seguranças de <Classe B>.
Doideira, não?
Abrindo um sorriso educado, respondi.
“Desejo falar com uma pessoa.”
Enquanto me encarava de forma neutra, depois de novamente me analisar com os olhos, o segurança perguntou.
“Horário marcado?”
Pego de surpresa, perguntei.
“Errr… é algo necessário?”
Espera…
Horário marcado?
Por que precisa de horário marcado para poder entrar em um dormitório? Não é como se um CEO famoso morasse aqui ou outras pessoas famosas.
Ao perceber minha expressão confusa, ele balançou a cabeça e disse de forma séria.
“Me parece que não tem. Sinto muito, mas não posso permitir sua entrada. Se deseja ter acesso ao prédio, você precisa marcar um horário com antecedência.”
“Espera, mas eu realmente preciso falar com uma pessoa.
“Sinto muito, não posso fazer nada.”
*Tsk*
Depois de ver que o segurança não cederia, estalei a língua e dei meia volta.
E agora?
De jeito nenhum que vou conseguir invadir o prédio, ainda mais com o quão protegido o lugar está.
Será que vou ter que deixar isso para outro dia?
*Sigh*
Acho que só me resta essa opção no momento…
Soltando um suspiro, chutei uma das pedras no caminho enquanto voltava.
Que ridículo.
Por que caralhos alguém precisa de horário marcado para entrar em um dormitório? Quando Amanda veio para o meu quarto, ela não precisou de nada disso.
Discriminação, isso sim!
Além disso, nunca escrevi nada sobre precisar marcar horário para entrar no prédio Leviatã.
Será que porque na novel o Kevin só conversava com algumas pessoas e nenhum de Classe baixa? Por isso situações assim nunca apareceram?
Não tenho certeza.
Balançando a cabeça, xinguei em voz alta.
“Hmm? É você, Ren?”
Enquanto voltava, escutei meu nome ser chamado, sem pensar muito, me virei na direção da voz. E congelei no mesmo lugar.
Logo depois, recuperado do choque, um sorriso largo se fez presente no meu rosto.
“Hora perfeita!”
Passando meu braço pelos ombros de Kevin, cujo estava confuso, o arrastei de volta até a entrada do prédio.
“Me dá uma mãozinha, cara.”
“Huh?”
Seguindo de volta para o local onde o segurança havia me parado antes, avancei sem a menor hesitação. Agora que Kevin estava junto não havia necessidade de marcar uma audiência.
“Licença, estou passando com o meu melhor amigo!”
“O q-quê?”
Sem saber como reagir, Kevin só ficou me encarando esperando por uma explicação. Mas antes que eu pudesse explicar, entrando no nosso caminho, a voz do mesmo segurança ressoou por um raio de cinco metros.
“Espera! Eu já te informei que—Kevin?”
No meio da frase, o guarda percebeu Kevin do meu lado. Sem saber o que fazer, ele olhou para o garoto de olhos vermelhos em confusão.
Abrindo um sorriso um pouco forçado, Kevin assentiu com a cabeça na direção do guarda.
“Ah, como vai, Ron.”
Sorrindo para o Ron, ainda com o braço em volta do ombro do Kevin, fiz questão de mostrar o quão próximo nós dois éramos.
“Oi, senhor segurança, chamado Ron. Como pode ver, eu tenho um horário marcado e é com o meu amigo aqui. Kevin Voss.”
“Hmm.”
Observando nós dois, a expressão do segurança ficou séria. Virando-se para Kevin, ele perguntou.
“O que ele disse é verdade?”
“Ehh…”
Kevin não sabia o que falar.
Ele tinha acabado de voltar do Clube, quando de repente encontrou o Ren na entrada do prédio.
Como estava confuso do por que o garoto estaria aqui, ele chamou o nome do outro primeiro… mas não fazia ideia de que seria arrastado até entrar no seu próprio prédio por ele.
Kevin estava realmente confuso. O que estava acontecendo?
Virando a cabeça para o lado, para confrontar o Ren, suas palavras morreram assim que viu a expressão de súplica do outro. Apesar dele estar sorrindo, seus olhos gritavam.
“Diga sim, diga sim, diga sim…”
*Suspiro*
Suspirando, Kevin balançou a cabeça em desdém.
‘Nem sei por que estou fazendo isso…’
Voltando sua atenção para Ron, sem ter muita opção, Kevin concordou com a cabeça e disse.
“Sim… ele está falando a verdade.”
Depois de nos encarar por alguns segundos, Ron saiu da frente e disse.
“Hmm, apesar de ter minhas dúvidas, vou acreditar nas suas palavras, Kevin. Então, dessa vez vou deixar passar…”
Sorrindo sem jeito para Ron, Kevin agradeceu.
“Obrigado…”
“Obrigado!”
E assim, ao lado de Kevin, finalmente consegui entrar no prédio Leviatã.
-Clank!
“Wow.”
Ao entrar no prédio, retirei a mão dos ombros de Kevin e não pude deixar de ficar maravilhado. Dizer que o lugar era luxuoso seria minimizar demais a realidade.
Parecia como se tivesse entrado em um mundo totalmente diferente.
O prédio Leviatã era construído em formato de semicírculo. Em seu centro ficava um enorme parque, adornado com bancos, flores, fontes e árvores. Ao redor do jardim havia bares e diversas outras coisas, e por todos os lados era possível ver funcionários servindo os alunos que relaxavam debaixo do sol.
O edifício era o retrato do luxo moderno. E, apesar de ainda não ter explorado o interior, eu já podia entender perfeitamente porque Kevin lutava para continuar em primeiro lugar.
Esse lugar era bom demais.
“Então?”
Eu observava a paisagem diante de mim quando a voz de Kevin interrompeu meus pensamentos. Olhando para ele pelo canto dos olhos, inclinei a cabeça e falei.
“Então o quê?”
Com os olhos na direção do jardim, Kevin perguntou o que estava lhe incomodando desde o início.
“Por que você disse ser o meu amigo só para poder ganhar acesso aqui?”
Ele não estava entendendo.
Normalmente, quando uma pessoa quer entrar no Leviatã, precisa marcar um horário com antecedência.
E tinha uma razão para isso: os professores queriam limitar o acesso dos outros estudantes no prédio. Com suas instalações de primeira linha, sem dúvida o local acabaria se tornando um ponto de encontro para os alunos.
A escola tornou este lugar inacessível aos alunos comuns de propósito. A ideia era que ele funcionasse como uma motivação extra. Assim, eles se esforçariam ainda mais para alcançar uma classificação melhor e, quem sabe, conquistar o direito de entrar aqui.
Era uma forma de recompensar seu trabalho duro…
“Bom… preciso conversar com algumas pessoas.”
Arqueando a sobrancelha, Kevin olhou na minha direção e perguntou.
“Quem?”
“Ah, na verdade, acho que vou precisar da sua ajuda de novo.”
“Huh…?”
Ao ver a expressão confusa no rosto do garoto, clarifiquei as coisas.
“Será que você pode me fazer o favor de pedir para a Melissa me encontrar no jardim?”
“Melissa? A Melissa?”
“Sim, essa Melissa… ah, e naquele Café ali, por favor.”
Assentindo, apontei para o Café ao longe. Resolvi encontrá-la lá porque queria evitar ficar a sós com ela no mesmo lugar.
Aquela garota é perigosa…
“Eh… ok.”
Antes de responder, a boca de Kevin abriu e fechou diversas vezes. No final, depois de alguns segundos, ele concordou com a cabeça.
Apesar do Kevin querer saber sobre o que seria a conversa com a Melissa, ele não perguntou.
Ele não era próximo o suficiente de Ren, para perguntar sobre as coisas dele. Além do mais, ele lembrou que o outro salvou a vida dele uma vez, então ajudá-lo dessa vez seria uma forma de retribuir o favor.
*Suspiro*
Suspirando, Kevin pegou o celular e mandou uma mensagem para a garota de cabelos castanhos.
Kevin: [Uma pessoa chamada Ren Dover quer ver você. Ele disse para encontrá-lo no Café dentro do nosso dormitório.]
“Ah, e não esquece de mencionar o meu nome. Ren Dover. A Melissa com certeza vai lembrar quem é.”
Ao ver o Kevin escrever no celular, tive certeza de fazê-lo escrever meu nome na mensagem. Afinal de contas, eu já conversei com ela antes. Ela com certeza se lembra de mim.
“Ela conhece você?”
“Sim… bom, provavelmente?”
Pensando melhor, será que a Melissa realmente se lembra de mim?
É, com certeza ela deve se lembrar.
Considerando o fato de que tive poucas interações com ela no passado, ainda tinha chances dela lembrar quem eu era.
Mas, relembrando sobre a personalidade dela, também tinha uma grande chance dela ter se esquecido.
Hmm, isso complicaria as coisas.
“Ela disse que desceria em dez minutos.”
“Ae, maravilha!”
Pelo visto ela se lembra, fiquei preocupado por nada.
“Mais alguma coisa que posso ajudar?”
Enquanto contemplava o belo jardim à minha frente, olhei para Kevin e pensei por alguns instantes antes de falar.
“Hmm, na verdade, eu precisava conversar com você sobre algo.”
Apontando para si mesmo, Kevin perguntou confuso.
“Comigo?”
“Sim, mas isso vai ser uma outra hora, porque vai levar tempo.”
Pegando o celular, olhei para o Kevin e perguntei.
“Você tem número de celular?”
“Tenho.”
Olhando para o meu celular, Kevin assentiu com a cabeça. Claro que ele tinha um. Quem não teria um número nos dias de hoje?
“Beleza, me passa o seu número. Vou te mandar uma mensagem para marcar o dia. Confia em mim, você não vai se arrepender da proposta que tenho para oferecer.”
Kevin pegou meu celular e digitou seu número. Pelo visto, ele não tinha dado muita importância ao que eu havia dito. Afinal, com um Sistema à disposição, a menos que fosse um manual de cinco estrelas ou uma habilidade de <Classe +A>, dificilmente algo conseguiria despertar seu interesse.
“Se você diz…”
Depois de digitar, ao ver o horário, Kevin se despediu.
“Beleza, preciso ir. Bom, até logo acho.”
Assentindo com a cabeça, acenei de volta.
“Yup, beleza. Até mais.”
E assim, Kevin foi embora.
“Huuuu…”
Ao vê-lo indo, soltei um longo suspiro e fui em direção ao Café.
Quando cheguei e me sentei em uma das cadeiras do lado de fora, meus pensamentos começaram a passar.
‘Ainda bem que consegui o telefone dele. Dessa forma, vou conseguir achar um jeito de convencê-lo a me levar para o outro mundo…”
Afinal de contas, já tinha uma ideia sobre como convencê-lo a me levar para Immorra…