Tradutor: miggigibe
O motivo aparente de Alon ter vindo ao território de Estrovan era fazer contatos. Porém, a verdadeira razão para ele ter suportado uma viagem de mais de uma semana até ali era um labirinto localizado ao sul de Estrovan.
— …É este o lugar onde disse que tinha algo para fazer?
— Sim.
— Levamos duas semanas para encontrar este lugar, mas… não tem nada aqui?
Evan falou enquanto examinava devagar a floresta vazia. Alon também olhou ao redor.
De fato, tudo o que havia por perto era uma estrada de terra e uma floresta que parecia abandonada havia muito tempo. Não existia nada que chamasse atenção.
'Foi por isso que tive tanto trabalho durante essas duas semanas.'
O rosto de Alon continuou inexpressivo, mas, por dentro, ele soltou um suspiro de alívio.
Depois do baile, Alon passara quase vinte dias em Estrovan, investindo seu tempo na busca por aquele labirinto.
'Subestimei demais isso só porque era fácil de encontrar no jogo.'
Pensando nisso, Alon voltou o olhar para uma pequena ravina visível além da floresta. Então começou a caminhar na direção da única pista que lhe permitira encontrar o labirinto.
— Tem certeza desta vez?
Depois de já terem desperdiçado duas viagens, Evan resmungou enquanto seguia Alon.
Ao ouvir os passos de Evan atrás de si, Alon organizou rapidamente os pensamentos.
'O nome do labirinto é "Labirinto Sussurrante". É um labirinto ao qual se tem acesso mais ou menos no meio do jogo, e a recompensa por concluí-lo é um item chamado "Restrição". Assim que eu conseguir isso, meu trabalho aqui estará terminado.'
Recordando as características do labirinto que visitara centenas de vezes em Psychedelia, Alon caminhou sem hesitar. Pouco depois, chegou à pequena ravina além da floresta.
— …Este lugar parece estranho, não importa como se olhe.
Evan falou assim que chegaram à ravina.
Como ele havia murmurado, a ravina era pequena, mas transmitia uma sensação inconfundível de que havia algo errado.
Apesar de o sol estar alto no céu, o interior da ravina era escuro demais, como se rejeitasse a luz solar.
Aquilo despertou em Evan uma sensação de alerta e cautela.
— Vamos.
— Jovem mestre!?
Para Alon, porém, o fenômeno só trouxe alegria.
O efeito dentro da ravina era idêntico ao efeito de campo do Labirinto Sussurrante que ele procurava.
Isso significava que o Labirinto Sussurrante realmente estava ali. Por isso, ele entrou na ravina escura sem hesitar.
Evan observou Alon com uma expressão chocada, mas não teve escolha a não ser segui-lo.
Assim que entraram na ravina, parecia mentira que o sol estivesse brilhando até poucos instantes atrás. O interior estava envolto em escuridão.
Em meio às trevas, várias pedras espalhadas pelo caminho exibiam padrões que pareciam ter sido entalhados artificialmente, e não formados pela natureza.
Depois de passar por elas, Alon logo avistou uma entrada mergulhada em escuridão absoluta.
Alon parou diante da porta, sem dúvida construída artificialmente e coberta por vários padrões, e ficou olhando para ela em silêncio.
— Como sabia que este lugar existia?
— Porque já vim aqui muitas vezes.
— O quê?
Percebendo que havia deixado escapar algo, Alon se corrigiu depressa.
— Foi uma piada.
— …Uma piada? Com essa cara, não pareceu uma piada nem um pouco… Então como ficou sabendo deste lugar?
— Tenho meus meios.
— Para alguém que tem seus meios, você demorou bastante para encontrar este lugar.
— …Eu também não esperava que demorasse tanto.
Enquanto Alon se lembrava por um instante de quando jogava Psychedelia, Evan fez outra pergunta.
— Então, quem construiu este lugar desagradável?
— Foi um sujeito chamado Palaon.
O Labirinto Sussurrante.
Alon se lembrou de que, em algumas comunidades online, ele também era chamado de Labirinto do Foguete d'Água de Palaon.
— Palaon, é?
— Vamos entrar.
Sem responder a mais nenhuma pergunta de Evan, Alon caminhou em direção à entrada do labirinto. Evan, nervoso e cauteloso, seguiu atrás dele.
Pouco depois, não havia mais ninguém na entrada do labirinto.
Kriiiiiii~!!!!
Crac! Crec! Croc!
Uma Gárgula Infernal, que só poderia ser derrotada por volta da metade da progressão de Psychedelia, estava sendo lentamente esmagada até a morte, como se presa em uma enorme prensa de pedra que despencara do teto.
Evan observava a cena com o rosto pálido.
— Ah…
Ver um monstro tão poderoso, que ele jamais conseguiria derrotar sozinho, morrer de uma forma tão inglória e brutal foi o bastante para abalar até sua postura normalmente impassível, lapidada por anos trabalhando como mercenário.
No entanto, o que fez o coração de Evan bater ainda mais forte foi perceber que aquela enorme pedra que esmagava a Gárgula Infernal também estava suspensa acima da cabeça deles.
'Como o jovem mestre consegue ficar tão calmo numa situação dessas…?'
Evan olhou para Alon.
Apesar de saber que errar a solução de um único enigma naquele labirinto os levaria a uma morte brutal como a da Gárgula, o rosto de Alon permanecia inexpressivo.
Ele parecia apenas esperar a porta se abrir, sem se abalar nem um pouco com a situação.
Ver Alon daquele jeito só intensificou a curiosidade de Evan a respeito dele.
Normalmente, por mais indecifrável que fosse um mago, quatro anos de convivência acabariam revelando pelo menos um pouco de sua verdadeira natureza.
Além disso, Evan ajudara Alon em muitas coisas ao longo dos últimos quatro anos.
Às vezes, salvava órfãos.
Às vezes, acabava com organizações criminosas.
Em outras ocasiões, ajudava uma garota escravizada ou pagava a dívida de um velho. Quando não era isso, entregava mensagens aparentemente sem sentido a conhecidos. Fazia todo tipo de coisa.
Ainda assim, mesmo depois de lidar com todas aquelas tarefas, Evan continuava sem entender Alon.
Isso acontecia porque nenhuma das tarefas que Alon lhe passara oferecia qualquer pista sobre suas verdadeiras intenções.
O mais próximo de um padrão era o fato de Alon parecer manter interesse por algumas das crianças que havia salvado e mandado para orfanatos.
Fora isso, havia muita coisa que Evan não sabia sobre Alon.
Por exemplo, como Alon conhecia um lugar daqueles apesar de nunca ter saído da propriedade dos Palatio.
Ou como entendia o funcionamento daquele labirinto sinistro e conseguia responder às perguntas dele com tanta confiança.
Mesmo assim, apesar das suspeitas que guardava, Evan desenvolvera uma confiança peculiar em Alon. Era confiança suficiente para segui-lo até um lugar tão suspeito, em parte porque todas as tarefas que Alon assumira acabavam levando a bons resultados.
'O que exatamente ele está preparando?'
Mesmo com essa confiança, sua curiosidade não diminuía. Evan observou Alon com uma mistura de admiração e interesse enquanto ele examinava os arredores com uma expressão indiferente.
'…Acho que vou vomitar.'
Na verdade, Alon estava desviando o olhar à força para não ver a gárgula sendo esmagada daquela maneira horrível.
'Eu sabia que era grotesco, mas não tanto assim…'
Kriiiiiii~!
Assim que a execução da gárgula terminou, Alon confirmou que a porta se abrira e soltou um suspiro.
Embora não fosse capaz de lutar de verdade, Alon entrara com confiança no Labirinto Sussurrante, acessível apenas por volta da metade do jogo, justamente porque conhecia aquele labirinto.
'Graças a isso, consegui passar por tudo com facilidade.'
O labirinto era composto por oito salas. Em cada uma delas, era necessário resolver um enigma antes de seguir para a próxima.
Como conhecia todos os enigmas daquele labirinto, Alon não precisaria lutar contra inimigo algum. E ele se lembrava perfeitamente de cada solução.
Não. Do ponto de vista de um jogador de Psychedelia, era impossível esquecer os enigmas daquele labirinto.
Aquele era um dos poucos labirintos nos quais era possível entrar repetidas vezes sem recolher a recompensa, o que o tornava ideal para subir de nível.
Naturalmente, Alon, que sempre usara aquele lugar para subir de nível na metade do jogo em inúmeras jogatinas, decorara todos os enigmas e chegou ao fim do labirinto com facilidade.
Arrastando consigo Evan, que estava completamente exausto apesar de nenhuma luta ter ocorrido, Alon entrou numa pequena sala no fim do labirinto e pegou um anel que repousava sobre uma mesa velha no centro.
Era um anel de aparência simples, tão comum que alguns talvez demonstrassem abertamente decepção ao não sentir poder algum vindo dele.
Alon, porém, sorriu.
Ele tinha certeza de que o item em suas mãos era a "Restrição" que procurava.
A falta de uma aparência chamativa no anel também não o incomodava.
— …Hã? Jovem mestre, esse anel que estava na sua mão acabou de…
Afinal, aquele item não funcionava como um artefato. Era mais parecido com um elixir que seria absorvido pelo corpo do usuário no momento em que fosse usado.
— Agora que conseguimos o que precisávamos, vamos.
Quando o anel desapareceu da mão de Alon, Evan, ainda surpreso, viu Alon se virar como se já tivesse terminado tudo o que precisava fazer. Ainda atônito, Evan saiu depressa da sala atrás dele.
Assim que chegaram à saída, o labirinto inteiro se fechou, como se tudo ali tivesse chegado ao fim.
Depois de escaparem em segurança, Alon e Evan se depararam com algo inesperado.
— …Você também previu isso?
Assim que saíram do labirinto, encontraram diante de si golems de forma humana empunhando armas e dispostos em formação. Eles não estavam ali poucos instantes antes.
— Esses golems são aqueles montes de pedra que vimos antes…
Ao perceber que os golems eram os incontáveis montes de pedra pelos quais haviam passado antes, Evan ficou tenso e sacou a espada.
— Eu cuido disso.
— Hã?
Evan respondeu às palavras de Alon com uma expressão confusa.
Evan nem chegou a fazer uma pergunta.
— A Restrição entra em vigor.
A declaração saiu dos lábios de Alon.
Sentada na carruagem que voltava para a propriedade do duque de Altia, Roria soltou um longo suspiro. Com o rosto tomado por um profundo desespero, ela olhou para a propriedade ao longe e esboçou um sorriso autodepreciativo.
'Como eu imaginava, fui uma tola.'
Roria pensou no homem que encontrara no baile.
Alon, o terceiro filho da família Palatio.
Mas aquela era apenas sua identidade pública. Segundo os rumores que circulavam entre a nobreza, ele havia matado os dois irmãos mais velhos, figuras importantes do submundo, e até destruído Avalon, que praticamente dominava a região leste, tudo em uma única noite.
Ele era o verdadeiro cérebro por trás da família Palatio, escondendo o próprio poder e esperando o momento certo para mostrar as garras.
'Não. Não são apenas rumores.'
Depois de conhecer Alon, Roria não tinha dúvida de que aqueles rumores eram verdadeiros.
O controle emocional que ele demonstrara no baile jamais poderia vir de uma pessoa comum.
'Foi quase como olhar para meu pai…'
Roria pensou no pai.
O duque de Altia, conhecido entre a aristocracia como o "Nobre" porque conseguia manipular à vontade tanto a facção monarquista quanto a facção nobiliárquica do reino, era alguém que jamais deveria ser contrariado.
Seu pai, que nunca revelava as emoções sem necessidade e permanecia sempre frio em seus julgamentos.
Os olhos dele se pareciam com os de Alon, que Roria vira cinco dias antes.
Por isso Roria se agarrara a Alon, percebendo que ele era sua última tábua de salvação. E falhara.
Para falar a verdade, ela não se surpreendera com o resultado.
No instante em que viu os olhos de Alon, Roria percebeu que ele não era alguém que se deixaria mover por mera compaixão ou pena.
Ainda assim, implorou por compaixão e pena.
Porque não tinha mais nada a oferecer.
O único poder de que dispunha era meramente aparente, sustentado pela benevolência e pelo afeto do duque.
Por mais que tentasse conquistar algo além disso, seus esforços sempre eram frustrados por aqueles que mal mereciam ser chamados de família: seus parentes desprezíveis.
Em outras palavras, ela não tinha poder e, por isso, fora incapaz de agarrar sua última tábua de salvação.
Ou melhor, só ela enxergava aquilo como uma tábua de salvação.
Ninguém aceitaria uma negociação em que os riscos eram mais evidentes do que os benefícios.
'Ha.'
Na verdade, seria mentira dizer que ela não sabia disso.
Mesmo que aquele poder fosse apenas aparente, Roria já havia passado por inúmeras situações, lutando contra seus parentes desprezíveis, que tinham tudo, numa tentativa de garantir sua posição.
Por isso, embora ainda não tivesse chegado à idade adulta, sua mente já conhecia muito bem a lógica daquele mundo.
Ela compreendia perfeitamente que toda relação e toda história traziam consigo ganhos e perdas.
'Coisas boas ainda vão acontecer.'
Enquanto observava pela janela a paisagem da propriedade, Roria se lembrou daquelas palavras aparentemente sem sentido que Alon lhe dissera no fim.
Cerca de trinta minutos depois, quando voltou à mansão…
— …O que você disse?
— Lady Faylin e Lord Kigg… faleceram!
Roria soube por uma criada que dois de seus irmãos, que a haviam atormentado tanto, tinham tirado a própria vida.
Ao ouvir a notícia, Roria, perplexa, foi para o quarto sem conseguir entender aquelas mortes.
Seus familiares detestáveis eram muito mais propensos a apunhalar uns aos outros pelas costas do que a cometer suicídio.
Em outras palavras, desde o início não fazia sentido que os dois tivessem tirado a própria vida.
'Isso é absurdo.'
Certa de que havia algum plano por trás daquilo, Roria de repente se lembrou das palavras daquele homem, o terceiro filho da família Palatio.
Não.
'Coisas boas ainda vão acontecer.'
Ela se lembrou das palavras do verdadeiro cérebro por trás da família, aquele que havia matado todos os próprios irmãos e ascendido à posição de herdeiro da família do conde.
Um calafrio percorreu sua espinha.