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Raising Villains the Right Way – Capítulo 7

Mal-entendido (2)

Tradutor: miggigibe


Alon já esperava, até certo ponto, que problemas como aqueles acabassem surgindo.

No jogo, a família Palatio aparecia apenas como um degrau para o crescimento do protagonista. No Reino de Asteria, porém, o nome Palatio tinha um peso considerável.

É claro que isso não significava que a família fosse necessariamente muito respeitada. Embora, por cerca de três gerações, tivesse sido considerada uma casa de grande prestígio no reino, a atual família do conde Palatio era conhecida como a mais notória fonte de problemas entre os nobres da região leste.

Em termos mais simples, eram conhecidos como uma família nobre que se tornava incrivelmente incômoda quando provocada.

No entanto, mesmo ciente disso, havia algo que Alon não tinha levado em conta…

— Este vinho tem um sabor bastante peculiar.

— Hã? Ah… hum, o quê…?

— Gosto bastante de vinho, e este tem um aroma bem distinto. Eu adoraria levar algumas garrafas para casa.

— Vou falar com meu pai e pedir que mandem algumas para o senhor…!

— Perdão…?

…era que o potencial dos Palatio para causar problemas superava em muito o que ele imaginava.

Alon observou a jovem encolher-se como um rato assustado, abaixar depressa a cabeça e sair quase correndo. Ele ficou com uma expressão vazia.

— Olhem só! Ele está ameaçando Lady Malantino para tomar à força o vinho especial da família—

— É… é mesmo?

— É só ouvir! É exatamente igual a quando o filho mais velho dos Palatio fazia ameaças…! E aquele vinho é uma especialidade de edição limitada…!

Enquanto tentava entender qual era o problema, Alon ouviu uma voz baixa e pensou, com uma expressão amarga:

'Leo, aquele maldito encrenqueiro…'

Desanimado, Alon lançou um olhar para o lugar onde as jovens estiveram cochichando até pouco antes. Assim que perceberam seu olhar, elas baixaram a cabeça e desapareceram dali às pressas.

Alon simplesmente não conseguia entender a situação.

'Não era só uma daquelas famílias de péssima fama no leste…?'

É claro que ele imaginava que circulassem rumores ruins sobre a família e entendia por que alguns nobres preferiam evitá-los. Só não esperava que chegasse a esse extremo.

Mais precisamente, ele não sabia que a família Palatio tinha uma reputação tão péssima entre a nobreza.

…Ele não imaginara que seria tratado daquela forma só por causa do mal-entendido de que havia acabado com os encrenqueiros da própria família.

'Então quer dizer que socializar está fora de questão?'

Assim que Alon soltou um pequeno suspiro, uma voz o cumprimentou:

— Olá.

Ele se virou ao ouvir a voz e viu uma jovem de vestido preto dirigindo-lhe um sorriso sedutor.

Mesmo entre as jovens presentes no baile, sua beleza impressionante fazia com que se destacasse.

Alon retribuiu o sorriso ao cumprimentá-la.

— Olá, Lady Zenonia.

— Ora, você me conhece?

— Claro.

Para Alon, seria impossível não conhecê-la.

Era natural. A jovem diante dele era a filha mais velha da família Zenonia, que, assim como os Palatio, era conhecida por sua péssima reputação na região oeste.

Dali a seis anos, ela não seria apenas a filha mais velha da família Zenonia. Ela própria se tornaria a condessa Zenonia. Além disso, seria uma das três grandes vilãs que o protagonista enfrentaria no futuro dentro do Reino de Asteria.

— Afinal, você é bastante famosa.

— Famosa, diz?

— Sim.

Em resumo, era alguém com quem ele preferia não se envolver. Ao perceber uma emoção sutil passar por um instante nos olhos de Lady Zenonia, Alon continuou:

— Porque você é muito bonita.

A sociedade aristocrática era, por natureza, bastante complexa.

Mesmo dentro de Asteria havia inúmeras facções. Elas se dividiam entre a facção monarquista e a facção nobiliárquica, ambas mergulhadas em intensas disputas políticas.

E não se tratava apenas de retórica vazia. Como interesses reais estavam em jogo, a política era um elemento crucial para os nobres.

É claro que Alon não tinha ido ao baile para socializar por motivos políticos.

Mesmo que seu plano ainda fosse meio improvisado, o objetivo de Alon continuava sendo levar uma vida tranquila. E ele sabia muito bem que as palavras "paz" e "política" jamais poderiam coexistir.

Ainda assim, pretendia socializar até certo ponto porque mesmo algumas poucas conexões podiam ser úteis na vida de um aristocrata.

'Com exceção dessa pessoa.'

Alon olhou para Lady Zenonia.

Assim como os Palatio, a família Zenonia era vista como uma notória fonte de problemas na região oeste. A diferença era que, enquanto os Palatio se mantinham longe da política e agiam sem se preocupar com as consequências, os Zenonia sabiam tirar proveito das situações políticas.

Em outras palavras, eram um pouco mais ardilosos que os Palatio… Talvez se parecessem mais com uma quadrilha que funcionava como uma empresa.

— Obrigada pelo elogio.

— É a verdade.

Por isso, alguém poderia pensar que não haveria problema em se aproximar de Lady Zenonia caso Alon não pretendesse se envolver com política. Seria um engano.

As pessoas tendem a se juntar a quem se parece com elas.

Políticos atraem outros políticos, e bandidos se juntam a outros bandidos.

Então, naquela situação, o que aconteceria se Alon criasse laços com Lady Zenonia?

Se ele estivesse disposto a se envolver em atividades ilegais como os falecidos encrenqueiros dos Palatio, aquela poderia ser uma conexão valiosa. Caso contrário, seria um erro impossível de desfazer.

No pior dos casos, poderia até acabar se tornando um peão de Lady Zenonia.

Ao contrário dos rumores que circulavam sobre ele pertencer a um grupo que contava com um mestre da espada, Alon era, na realidade, apenas um nobre comum que não tinha nada de especial.

— Gostaria de conversar mais. O que acha?

— Eu adoraria, mas infelizmente preciso me retirar por hoje.

— É mesmo?

Os olhos de Lady Zenonia se estreitaram por um instante, adquirindo um ar predatório.

Um olhar impossível de decifrar.

Porém, apenas por um instante…

— …!

Os olhos da jovem se abriram um pouco, como se algo a tivesse surpreendido. Em seguida, ela assentiu como se tivesse entendido e um sorriso surgiu em seu rosto.

— Exatamente como dizem os rumores.

— Perdão?

— Não é nada. Espero vê-lo novamente.

Com essas palavras, ela passou por ele de raspão.

— …?

— …?

Alon se virou e olhou para Lady Zenonia com uma expressão confusa.


Um vinho especial de Malantino.

Chá de tangerina de Penia.

Artesanato em metal de Vilanda.

Um cavalo de primeira qualidade de Paldeon.

Esses eram os espólios que Alon havia acumulado no lugar de amizades, depois de decidir que, já que estava ali, tentaria fazer alguns conhecidos.

'Socializar não tem mais jeito.'

Olhando para a lista de espólios que conseguira no lugar de conhecidos, Alon soltou uma risada sem graça.

'Eu sabia. Não devia ter estudado coisas como os passatempos da nobreza.'

Lembrando-se de tudo o que estudara sobre vinhos na esperança de que aquilo ajudasse a socializar, Alon fez um muxoxo. Depois se virou para fazer o que pretendia desde o início.

— Um momento.

— Hm?

Outra voz chamou Alon.

— Olá.

Ao virar a cabeça, Alon viu uma mulher em um esplêndido vestido vermelho, adornada com vários acessórios.

Parecia que ela havia dedicado atenção até aos mínimos detalhes da própria aparência. Apesar de todo aquele cuidado, porém, seu rosto não demonstrava emoção alguma.

— Sim, olá.

De frente para ela, Alon a cumprimentou enquanto notava o quanto ela parecia deslocada naquele traje. Ela logo lhe fez uma pergunta.

— Se tiver um momento, poderíamos conversar?

Alon a encarou com uma expressão levemente surpresa.

Até então, apenas uma pessoa havia tomado a iniciativa de falar com ele naquele baile.

'Será que ela é do mesmo lado que Zenonia?'

Por um breve instante, ele recordou a lista de vilões do Reino de Asteria e então assentiu.

— Claro.

Quaisquer que fossem as intenções dela, não constava da lista de vilões que Alon guardava na cabeça. Mais importante ainda, tinha sido ela quem se aproximara para conversar.

Os dois saíram para o terraço e começaram uma conversa despretensiosa.

Pouco depois:

— Posso perguntar seu nome, senhorita?

— Perdoe-me pela apresentação tardia. Sou Roria, a terceira filha do duque de Altia.

— Ah… A família Altia.

— Sim.

Alon suspirou por dentro.

A família Altia era uma casa de péssima fama da região norte de Asteria.

E, assim como no caso de Lady Zenonia, aquela família estava ligada a um dos três grandes vilões: o duque de Altia.

'Pensando bem, é pouco provável que alguém que venha falar comigo seja normal. Eu devia ter perguntado o nome dela primeiro.'

Alon pensou nisso, percebendo como bastara participar de um único baile para entender tão rápido a própria situação.

'Mas por que não me lembro dela?'

Alon observou o rosto de Roria.

Os adornos elaborados só faziam realçar ainda mais sua beleza já extraordinária.

'Com um rosto desses, não tem como eu não conhecê-la.'

Em Psychedelia, todos os membros da família Altia eram vilões.

Em outras palavras, se ela realmente fosse integrante da família Altia, Alon, que jogara o jogo várias vezes, deveria ao menos se lembrar do nome dela, mesmo que não tivesse decorado seu rosto.

Por isso, depois de pensar um pouco, Alon perguntou diretamente:

— …Posso ser franco?

— O que foi?

— Por favor, empreste-me sua força.

— …Sua força?

— Estou prestes a ser assassinada.

Ao ouvir aquelas palavras, Alon percebeu uma coisa.

…No jogo, o número total de membros da família Altia que ele havia visto era quatro: o duque de Altia, suas duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo. Portanto, para Roria ser a terceira filha…

Em outras palavras, isso significava que Roria já estaria morta dali a seis anos.

— Minhas irmãs… Não, elas… Elas vão tentar me matar em breve.

Em resumo, a história de Roria, iniciada assim que Alon percebeu a verdade, era a seguinte:

Ela era filha da única concubina do duque, a quem ele amava mais do que a própria esposa legítima. Roria só conseguira sobreviver até então por causa do favor dele. Agora, porém, o duque de Altia estava gravemente doente e podia morrer a qualquer momento.

Em outras palavras, no instante em que o duque morresse, Roria também morreria.

— Então por que está pedindo minha ajuda?

— Com o seu poder, isso deve ser possível.

Pela primeira vez, seu rosto demonstrou sinais de ansiedade.

— Eu me recuso.

Mesmo diante daquela expressão, Alon não tinha escolha a não ser rejeitar o pedido.

— É claro que não estou pedindo isso de graça. Se me ajudar, oferecerei metade do que pertence à família Altia—

— Receio que terei de recusar.

A urgência transpareceu no rosto de Roria enquanto ela falava.

A resposta de Alon, porém, não mudou.

Não era como se ele não sentisse pena de Roria.

Se tivesse força suficiente, valeria a pena considerar o pedido dela, mesmo que não aceitasse de imediato.

Infelizmente, Alon não possuía esse tipo de poder.

A maior parte dos rumores que circulavam a respeito de Alon era falsa.

Ele não tinha um assassino que houvesse matado Leo da família Palatio, nem possuía a força de um mestre da espada capaz de derrubar Avalon.

Portanto…

— Vou indo.

Ao se virar, Alon viu o desespero tremular nos olhos silenciosos de Roria.

Mas olhar para aquilo não faria Alon ganhar poder algum.

Ele já estava ocupado demais tentando cuidar de si mesmo.

Assim, quando estava prestes a voltar ao salão de baile, estalou a língua e olhou novamente para Roria.

— Coisas boas ainda vão acontecer.

Uma bênção dita apenas para aliviar um pouco o próprio abatimento.

Roria não respondeu.

Alon também não esperava resposta e se virou.

— Espero que possamos nos encontrar novamente.

Era apenas um tênue vestígio de seus valores modernos que fazia seu peito apertar um pouco. Por isso, ele murmurou aquelas palavras enquanto olhava distraidamente para o lustre em forma de lua crescente, tentando oferecer algum consolo.

E então…

— Seria melhor relatar isso à Lua Vermelha.

No telhado do salão de baile, acima do lugar onde pendia o lustre, um observador destacado para vigiar Alon e, se necessário, impedir que qualquer informação sobre o incidente de Avalon chegasse até ele virou-se para o lado e falou.

— Não precisa. Ela não é um dos alvos. Mesmo que não façamos nada, Ladan vai cuidar disso.

— Entendo. Então ela é a única entre os filhos do duque de Altia que não é um "alvo" para Ladan.

— Sim. De qualquer forma, devemos nos concentrar em outros assuntos.

Quando o observador de olhos verdes desviou o olhar para outro ponto, Deus também voltou os olhos em outra direção.

Ali, viu uma figura vestida de preto seguindo Alon discretamente.

— …Alguém o está seguindo?

Deus começou a reunir mana em silêncio para lidar com a figura, mas então hesitou.

Ele se lembrou da ordem de Yutia para que não agissem de forma precipitada sem permissão.

Assim…

— Por enquanto, vamos apenas observar.

Deus e Rine decidiram observar em silêncio a figura vestida de preto que seguia Alon.

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