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Raising Villains the Right Way – Capítulo 9

Mal-entendido (4)

Tradutor: miggigibe


Kalia, a filha mais velha dos Zenonia, acabara de chegar à propriedade e alcançara o escritório onde estava o conde. Mais uma vez, ela se viu pensando num homem de quem já se lembrara inúmeras vezes.

Alon Palatio, que recentemente matara todos os próprios irmãos e garantira para si a posição de herdeiro da família Palatio.

— …"Famosa", hein.

Kalia se lembrou do olhar do homem quando ele a encarara. Olhos que não revelavam nada, como se observassem um abismo para além das terras do norte, indiferentes a tudo. Não importava quantas vezes pensasse neles, aquele olhar fazia um arrepio percorrer seus braços.

Por meio daqueles olhos, Kalia percebeu uma coisa: ele era do mesmo "tipo" que ela.

Na verdade, se fosse apenas isso, Kalia teria deixado de pensar nele assim que Alon rejeitara sua proposta.

Rejeitar sua proposta significava, em essência, que eles não poderiam ser aliados. Isso, por sua vez, implicava que agora eram adversários.

Apesar disso, a curiosidade de Kalia persistia por causa de algo que ele havia dito.

— …"Famosa", foi o que ele disse.

A família Zenonia certamente era famosa. Mesmo sem se envolver na política, o poder financeiro e militar dos Zenonia era forte o bastante para, ao menos uma vez, virar de cabeça para baixo a ordem atual do reino.

No entanto, aquela fama pertencia, no fim das contas, ao próprio conde de Zenonia, não à família Zenonia como um todo e, muito menos, a Kalia.

Ainda assim, Alon havia falado dela.

Ele se referira a Kalia de maneira tão clara e específica.

Mesmo havendo muito mais nobres que nunca tinham visto seu rosto, já que ela só participara de dois bailes, ele a chamara de famosa.

Não o conde de Zenonia, mas ela.

É claro que Alon dissera aquilo sem pensar muito, lembrando-se da fama que ela tinha como vilã quando a história original começava.

Para Kalia, porém, aquelas palavras tinham enorme importância.

— Que intrigante.

Kalia voltou o olhar para o conde, sentado no escritório.

O conde apenas cuidava da papelada em silêncio.

Com a cabeça baixa, como se ela nem estivesse ali, concentrava-se unicamente no trabalho.

Toc, toc.

Quando Kalia se aproximou do conde, os olhos dele se ergueram naturalmente para encontrá-la.

Os mesmos olhos vermelhos que os dela a encararam de volta.

Embora não dissesse nada, o conde parecia transbordar vitalidade.

Estalo!

Ao menos até Kalia estalar os dedos uma vez.

Assim que o estalo ecoou, a luz desapareceu dos olhos do conde.

Os olhos que haviam sido tão penetrantes um instante antes ficaram vazios como os de um idiota, e a boca antes firmemente fechada se abriu frouxa, deixando saliva escorrer.

O conde estava num estado que claramente não era normal.

Kalia murmurou enquanto encarava "ele".

— Como ele soube? Ninguém deveria saber disso.

O rosto de Kalia se encheu de curiosidade enquanto ela pensava em Alon, que falara como se conhecesse o segredo que ela mantinha oculto desde que transformara o próprio pai num imbecil.

— Ou será que ele só estava chutando?

Com essas dúvidas em mente, Kalia deixou o escritório onde mantinha aquela encenação havia cinco anos.

— S-Senhorita Kalia.

— O que foi?

— T-Tem um cadáver no seu quarto…!!

Diante da súbita exclamação, Kalia seguiu depressa até o próprio quarto.

E lá…

— Ah…

Ela viu.

O informante que havia colocado para vigiar Alon duas semanas antes estava morto, com a cabeça torcida duas voltas completas, os olhos arregalados, incapaz de encontrar paz mesmo na morte.

— Parece que o selo não foi ativado, então não deve ter revelado nenhum segredo.

Esse foi o relatório de um dos cavaleiros.

'O informante não revelou nenhum segredo, mas ainda assim trouxeram o corpo dele para o meu quarto…'

Pensando nisso, Kalia soltou um suspiro.

Ela sentiu suas suspeitas se transformarem em certeza.

— …Parece que ele descobriu uma grande vulnerabilidade minha logo depois de nos conhecermos.

Ela murmurou com um sorriso.


Evan franziu a testa ao olhar para os golems que brilhavam em vermelho vivo na escuridão da noite.

Trabalhando como mercenário havia mais de quinze anos, desde a infância, seus olhos se moviam sem parar em busca dos pontos fracos dos golems. Ainda assim, ele não conseguia esconder a ansiedade.

Evan confiava nas próprias habilidades, mas era justamente por isso que tratava com ainda mais cautela as entidades desconhecidas diante dele.

Ele já havia experimentado na própria pele o perigo que algo desconhecido podia representar.

Além disso, naquele momento, tinha alguém para proteger.

Enfrentar inimigos desconhecidos, cujas características ele nem sequer conhecia, era o pior cenário possível.

Para piorar, o número de inimigos parecia passar facilmente de vinte. Enquanto Evan pensava em como lidar com a situação,

— Eu cuido disso.

— Hã…?

Ele respondeu distraidamente à voz repentina e viu Alon avançar sem que tivesse percebido.

Sua expressão continuava tão indiferente quanto quando entraram no labirinto.

Evan voltou a achar Alon incrivelmente misterioso e intrigante.

Ele realmente não entendia como seu mestre conseguia manter aquela expressão mesmo numa situação daquelas.

Ao menos do ponto de vista de Evan, a situação atual era uma crise considerável.

Diante deles havia mais de vinte golems humanoides que claramente precisavam ser enfrentados, e era certo que cada um possuía um poder de combate considerável.

Mesmo assim, Alon avançara dizendo que cuidaria deles.

Sendo sincero consigo mesmo, Evan não acreditava que Alon fosse capaz de lidar com os golems diante deles.

É claro que Evan sabia que Alon não era uma pessoa comum e que tinha talento para magia.

Sem mestre algum, por puro autodidatismo, ele havia se tornado um mago respeitável e alcançado o 2º ranque.

Por mais impressionante que isso fosse segundo os padrões gerais, não significava que tal conquista bastaria para uma situação como aquela.

Era verdade que ele alcançara o 2º ranque ainda jovem apenas com o próprio esforço. Ainda assim, com aquele nível de poder, até mesmo um único dos golems à sua frente seria difícil de enfrentar.

Tum!

Assim que esse pensamento passou por sua cabeça, os golems, que permaneciam imóveis como se avaliassem seus alvos, de repente começaram a se mover e avançaram na direção de Alon.

Foi então que Alon falou:

— Ativo a Restrição.

A voz de Alon ressoou como uma declaração.


Assim que Alon murmurou o encantamento, o mundo pareceu parar.

Sua visão ficou em preto e branco, e os movimentos dos golems que avançavam contra ele pareciam imagens registradas por uma câmera de alta velocidade.

Então…

[Fragmento herdeiro da grande vontade de Niacula, declare as duas restrições que deseja impor.]

Uma voz grandiosa, que parecia fazer todo o espaço estremecer, ecoou em sua mente.

Soava ao mesmo tempo como um homem e uma mulher, uma criança e uma pessoa idosa.

Ao ouvi-la, um breve suor frio escorreu pelo rosto de Alon.

'Como eu imaginava, é diferente do jogo.'

O artefato chamado "Restrição", que Alon obtivera no Labirinto Sussurrante, funcionava exatamente como seu nome sugeria: impunha limitações ao usuário em troca de uma recompensa equivalente.

Quando ativado, inúmeras opções apareciam diante dele.

Uma janela de notificação pedia que escolhesse quais restrições impor e quais recompensas receber.

Porém, lembrando-o de que aquilo era realmente a realidade, o que surgiu diante dele não foi uma janela de notificação, mas uma voz.

Uma voz que, só de ser ouvida, fazia sua cabeça girar e o coração disparar, enchendo-o de uma inquietação aterradora, como se seu peito pudesse explodir a qualquer momento.

Alon soltou um suspiro profundo, obrigou o coração trêmulo a se acalmar e declarou as restrições que tinha em mente.

— Uma.

[Declare sua restrição.]

— O uso de magia exige a execução completa dos selos de mão babilônicos.

[O que deseja obter em troca?]

— Poder capaz de distorcer levemente as leis do mundo.

[Concedido.]

— E mais uma.

[Declare sua restrição.]

— O uso de magia exige a execução limitada dos grandes encantamentos babilônicos.

[O que deseja obter em troca?]

— O mesmo de antes.

[…]

Depois das palavras de Alon, a voz permaneceu em silêncio por um momento.

O pé de um golem, movendo-se lentamente, ergueu-se no ar e então voltou ao chão.

Alon se perguntou se havia cometido algum erro.

[Aceito.]

Como se dissipasse suas preocupações, a voz majestosa vinda dos céus pronunciou sua confirmação.

[A você, que se lembra dos selos de mão e dos mistérios de um grande deus esquecido, ofereço minha gratidão por herdar a vontade.]

A voz transmitiu essa mensagem a Alon.

— …?

A expressão de Alon se tornou confusa.

Embora seu rosto permanecesse inexpressivo por fora, seus olhos estavam cheios de perguntas.

'Herdar a vontade? O que isso quer dizer?'

Naturalmente, Alon não fazia ideia do que aquilo significava.

A razão pela qual escolhera os selos de mão e os encantamentos babilônicos como suas restrições era simples.

No jogo, essas duas escolhas ofereciam, em troca, o maior poder de ataque mágico possível.

Além disso, ele escolhera aquelas restrições tantas vezes que acabara decorando naturalmente os selos de mão e os encantamentos babilônicos.

É claro que Alon não era um gênio, então não havia memorizado todos os selos e encantamentos que vira no jogo. Ainda assim, isso não o preocupava.

Alon sabia onde estavam escritos os selos de mão e os encantamentos babilônicos.

Por isso, embora a voz vinda dos céus o tivesse deixado confuso, a sensação durou apenas um instante.

[Estarei sempre observando. Você, que herda a vontade.]

Quando Alon percebeu que o mundo em preto e branco começava aos poucos a recuperar as cores, entendeu que a realidade voltara a se mover.

Ele ergueu a mão para testar as restrições enquanto observava, à distância, os golems avançando em sua direção.


Ao mesmo tempo, mana começou a fluir do corpo de Alon, passando pelo coração e se reunindo na ponta dos dedos da mão erguida.

A mana reunida na ponta de seus dedos era fraca.

Embora estivesse usando toda a mana que seu corpo possuía, a esfera de eletricidade que, segundo a descrição no livro, deveria brilhar intensamente emitia apenas uma luz tênue, como o último lampejo de um velho à beira da morte.

Alon, porém, não sentiu decepção nem surpresa.

Ele sabia muito bem que esse era o limite de Alon, o terceiro filho da família Palatio.

Mesmo assim…

— Refração.

No instante em que pronunciou aquelas palavras, acompanhando a recitação,

— Rebote.

A pequena esfera se deformou em linhas caóticas.

— Luz Azul.

Com um crepitar, ela começou a emitir uma luz azul. A pequena esfera se transformou em centenas, milhares de linhas, criando uma fonte de luz não linear que faiscava e estalava.

Uma fonte luminosa que irradiava um brilho azul tão frio que quase doía olhar para ela.

Ao mesmo tempo, Alon formou um selo com a mão.

Seu polegar cobriu o dedo médio.

Era uma posição semelhante ao gesto usado para dar um peteleco na testa de alguém.

Alon, porém, virou a mão, formando uma postura que lembrava o gesto da roda do Dharma de Buda.

Então olhou para o golem que já havia chegado até ele e declarou o encantamento final.

— Difração Linear.

Quando a luz azul expulsou a escuridão por um instante:

Estalo!

Alon estalou os dedos, liberando um clarão.

Fuuuush!

Não houve som algum.

Só se ouviu depois o leve assobio do clarão. Sob a luz ofuscante que iluminara a ravina, os golems permaneciam imóveis, como se o tempo tivesse parado.

Então…

Crac! Crec!

As dezenas de golems desabaram sem oferecer resistência alguma, reduzindo-se a montes de pedra.

Evan, que corria para conter os golems que atacavam Alon, parou ali de boca aberta, atônito.

— Mas o que foi isso…?

Ele murmurou, com a incredulidade evidente na voz.

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