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Raising Villains the Right Way – Capítulo 22

A Igreja do Embaixador (2)

Tradutor: miggigibe


A batalha contra os goblins terminou em vitória. Graças à reação calma dos cavaleiros e mercenários, a linha de frente se manteve firme, e a magia de Alon voltou a destruir um destacamento inimigo que tentava atacar os nobres pela retaguarda, inclinando rapidamente a batalha a favor deles. É claro que, diante de centenas de goblins mutantes, houve baixas, mas o número foi pequeno considerando a escala do confronto.

O golpe final veio quando um cavaleiro atravessou a cabeça do último goblin, encerrando de vez a batalha. Assim que os soldados confirmaram que tudo havia terminado, soltaram profundos suspiros de alívio e voltaram os olhos para Alon, que observava os cadáveres dos goblins. Apesar de ter acabado de passar por uma luta de vida ou morte, ele continuava sem expressão, como se a batalha não o tivesse afetado em nada. Os mercenários o encaravam com admiração, incapazes de esquecer a imagem de Alon transformando dezenas de goblins em meros pedaços de carne sem sequer mudar de expressão.

No entanto, enquanto cavaleiros e mercenários o admiravam, Alon pensava:

'Quase morri com um golpe só…!'

Embora o rosto não demonstrasse nada, por dentro ele se esforçava para acalmar o coração disparado. Mesmo com o Bracelete do Impuro, que lhe permitia lançar o triplo de magias, depois de usar muralhas e escudos duas vezes cada, sua reserva de mana chegara ao limite e ele voltara a ser um simples mortal.

'Ainda bem que os cavaleiros venceram.'

Mesmo contra goblins mutantes, as chances de os cavaleiros e mercenários perderem eram pequenas. Ainda assim, quando Alon ficou sem qualquer meio de se defender, sentiu um medo desesperador.

'Talvez eu devesse ter me separado do grupo antes… Não, foi melhor ter ficado por perto… mas, mais importante…'

Alon elogiou a si mesmo do passado por ter agido com racionalidade e, depois de acalmar o coração, voltou os olhos para o goblin à sua frente. Sua expressão ficou séria. Ele conhecia bem demais o significado da ametista roxa que brotava do corpo da criatura.

— Por que… uma descida divina?

Era um fenômeno estranho que surgia entre os monstros do continente quando um Deus Exterior tentava descer ao mundo. Os monstros afetados pela descida divina se tornavam mais ferozes e fisicamente mais fortes. O grupo de soldados que viajava com Alon tinha força suficiente para lidar com os monstros que encontraria no caminho até o território do duque. O que o preocupava era o simples fato de uma descida divina ter ocorrido.

Aquele fenômeno significava que um Deus Exterior logo desceria sobre aquelas terras. Normalmente, deuses assim não conseguiam descer a menos que um dos Cinco Grandes Pecados se manifestasse. Agora, porém, até aqueles deuses das fronteiras estavam prestes a chegar.

'Isso… não pode ser coisa boa…'

A descida de Deuses Exteriores era um assunto gravíssimo para Alon. Embora não fossem tão catastróficos quanto os Grandes Pecados, se aqueles deuses começassem a causar destruição, reinos inteiros poderiam desaparecer com facilidade. Excluindo o Império, havia apenas seis reinos no continente. Isso significava uma chance de um terço de seus planos para o futuro irem por água abaixo. Na verdade, se naquele ponto ainda tivesse a sorte de poder se preocupar com o próprio futuro, Alon já se consideraria sortudo. Sua expressão ficou séria enquanto observava o goblin.

Havia, porém, pessoas com uma expressão ainda mais grave que a de Alon. Tão grave, na verdade, que pareciam ter perdido tudo.

Essas pessoas eram o conde Crylde e o conde Edolon.


Alguns dias depois do aparecimento do goblin mutante, faltando apenas um dia para chegarem à propriedade do duque, Alon percebeu duas mudanças naquele curto intervalo. A primeira era que os nobres, que antes o olhavam com desprezo e deboche explícitos, sobretudo quando os condes Crylde e Edolon faziam comentários sarcásticos, já não mostravam mais aquelas expressões. A segunda mudança era:

— Conde Palatio, esta carne veio da minha propriedade. Gostaria de provar?

— Conde, se for do seu agrado, eu poderia oferecer algum apoio ao seu domínio. O que acha?

Os condes Crylde e Edolon, que haviam passado os últimos dias zombando de Alon, agora o bajulavam na tentativa de cair nas graças dele. Os dois pareciam dispostos a lhe dar qualquer coisa que quisesse e não saíam de seu lado, adulando-o com sorrisos servis, enquanto Alon permanecia indiferente. Mas eles estavam desesperados. Desesperados de verdade.

A demonstração de poder que Alon fizera alguns dias antes era forte demais para ser descartada como mera "sorte" por ter assumido o título de conde Palatio. Além disso, os dois ainda se lembravam do que dissera naquela noite o mago de 3º nível que o barão Amon levara consigo para ostentar riqueza: a magia de Alon estava, sem dúvida, acima do 2º nível.

Depois de ouvir aquilo, os dois condes começaram a reconsiderar os rumores que circulavam entre a nobreza e a se perguntar se não estavam errados a respeito de Alon. Ainda restavam algumas dúvidas, mas isso já não importava. O importante era que ambos haviam percebido que Alon escondia um poder grande o bastante para não precisar de proteção.

Isso significava que o poder supostamente capaz de apagar Avalon do mapa em um único dia, o poder que o conde Palatio possuía, poderia ser real. Diante dessa conclusão, a única opção dos dois era conquistar o favor de Alon o mais rápido possível. Alguém poderia argumentar que seria melhor investigar tudo com cuidado antes de agir, mas essa lógica não se aplicava a quem conhecia bem a família Palatio.

Os dois condes haviam presenciado em primeira mão a brutalidade pela qual a família Palatio era famosa e sabiam o quanto seus membros podiam ser cruéis. Embora Alon, o terceiro filho, nunca tivesse demonstrado pessoalmente esse tipo de comportamento, os dois estavam convencidos de que ele compartilhava da mesma natureza cruel e impiedosa da família. Afinal, desde a época do avô de Alon, a família Palatio estava cheia de canalhas.

Graças a isso, Alon vinha levando uma vida luxuosa nos últimos dias. Em vez de batata-doce e milho, comia carne no café da manhã, no almoço e no jantar, e o vinho que os dois traziam de vez em quando também era excelente. Mesmo recebendo presentes assim por vários dias seguidos, porém, a expressão de Alon não se abrandava. Ele continuava ocupado demais pensando no goblin de alguns dias antes.

'Quem será…?'

Por mais que Alon pensasse, não conseguia chegar a uma resposta clara. A descida divina era apenas um sinal de que um Deus Exterior estava prestes a descer, e não havia como saber exatamente qual deus seria, nem quando ou onde isso aconteceria.

Não adiantava ficar pensando no assunto, mas Alon não conseguia evitar a preocupação. Seus planos para o futuro poderiam ser destruídos por completo num único instante. Ele poderia passar de nobre a plebeu num piscar de olhos, e era justamente por isso que não conseguia parar de pensar.

'Vou ter que reunir o máximo de informações possível quando chegar à propriedade.'

Enquanto pensava nisso, lançou um olhar aos nobres ao seu lado, que se esforçavam para compensar o comportamento anterior mesmo que para isso precisassem engolir o próprio orgulho. Mais uma vez, Alon se lembrou da péssima fama da família Palatio.

'…Não achei que fossem reagir assim só por começarem a duvidar um pouco de um boato.'

Observando a postura desesperada dos condes, Alon percebeu o quanto os rumores sobre sua família os haviam afetado. Mesmo entendendo o medo deles, porém, não tinha intenção alguma de aliviar a ansiedade dos dois. Alon se considerava uma pessoa racional, mas também tinha seu lado mesquinho.

O espetáculo dos dois condes finalmente chegou ao fim quando Alon chegou à propriedade do duque Rotegre.


Assim que chegou à propriedade do duque Rotegre, Alon foi recebido por uma mansão absurdamente grande. Não, por várias mansões.

'Quantas mansões existem dentro desta propriedade? Claro que gente rica teria tudo isso.'

Enquanto observava a variedade de construções, quase como se alguém com gostos extremamente diversos para decoração de interiores tivesse decidido colecionar mansões, Alon logo descobriu que todas elas pertenciam às concubinas do duque. Ele balançou a cabeça, incrédulo.

'Como o corpo dele ainda aguenta?'

A dúvida passou rapidamente por sua cabeça, mas, ao chegar ao salão de baile no meio de uma festa grandiosa, Alon voltou a ficar chocado.

Tudo o que via gritava riqueza. Até as taças de vinho, objetos aos quais normalmente ninguém daria muita atenção, tinham as bordas revestidas de ouro. Os lustres eram feitos inteiramente de ouro e davam a Alon vontade de roubar um e vendê-lo enquanto circulava pelo salão.

Naturalmente, o salão estava lotado de nobres. Como esperado, o duque Rotegre, que parecia incrivelmente magro, conversava com várias pessoas. Alon nem tentou se juntar àquelas conversas. Não era difícil imaginar que não ganharia nada com isso, especialmente naquele salão, que lhe parecia ainda pior do que o do baile anterior.

Em vez de se misturar aos outros, Alon decidiu ficar por perto, beliscando alguma coisa e ouvindo às escondidas as conversas dos nobres. Afinal, assim que chegaram à propriedade, seu criado Evan já havia saído para entrar em contato com a guilda de informações.

Enquanto saboreava uma tortinha de creme de ovos acompanhada de vinho, Alon ouviu algo interessante numa conversa entre nobres.

— Barão Daldoran, ouviu as novidades?

— Que novidades?

— Sabe aquele rumor de que a duquesa de Altia e o conde Zenonia não apenas formaram uma aliança, como também estão tentando criar uma facção?

— Ah, aquele rumor? Sim, ouvi falar.

Os dois nobres, agindo como se discutissem um grande segredo, foram para um canto e começaram a cochichar. Graças à audição aprimorada, porém, Alon conseguia ouvi-los sem dificuldade.

— Mas isso é verdade? Eu já mal consegui acreditar que os dois tinham se aliado. Se realmente formarem uma facção, podem superar em poder todas as facções atuais juntas.

— Exatamente. Pode ser algo sem precedentes.

Alon ficou um pouco surpreso ao ouvir aquilo, mas sua expressão quase não mudou. Mesmo que os rumores fossem verdadeiros, não achava que os dois conseguiriam manter a aliança por muito tempo.

Enquanto pensava nisso, Alon arregalou os olhos com o sabor delicioso da tortinha em sua boca e assentiu, satisfeito.

— Isso é bom.

Sem hesitar, pegou outra e a colocou na boca.

Foi então que a conversa que vinha ouvindo tomou um rumo ainda mais interessante.

— Mas esse nem é o verdadeiro problema.

— Como assim? Existe um rumor ainda maior?

— Claro. Se não houvesse outro, eu nem teria puxado o assunto.

— Hmm… então o que é?

— Ouvi isso em segredo, então não saia espalhando por aí. Dizem que nem a duquesa de Altia nem o conde Zenonia são os líderes dessa facção.

— …O quê? Então quem é?

— Hmm… o conde Palatio.

— …Conde Palatio?

— Sim. Dizem que o líder da facção… é o conde Palatio.

— Isso é verdade?

— Claro. Acha que eu mentiria sobre uma coisa dessas?

— Hmm…? O quê?

Ao ouvir aquilo, Alon virou instintivamente a cabeça para os nobres que discutiam o tal segredo e ficou de boca aberta diante do que acabara de descobrir.

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