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Raising Villains the Right Way – Capítulo 27

Não é um pouco demais? (3)

Tradutor: miggigibe


Malon, um guarda que trabalhava em Kirdam, a capital de Caliban, adorava rumores. O motivo era simples: passar o dia inteiro de serviço nas muralhas da cidade podia ser entediante, e fofocas eram uma das maneiras de tornar os turnos um pouco mais divertidos.

Por isso, Malon vinha esperando por aquele dia. Ou, mais precisamente, pelo dia em que o conde Palatio chegaria. Ele ouvira em segredo que aquele arruaceiro, que fazia o que queria à sombra da mestra, pedira que o avisassem assim que o conde Palatio aparecesse.

Malon não sabia por que alguém como ele estava atrás de um conde de outro país, mas sabia muito bem o que viria depois. Afinal, aquele arruaceiro só procurava alguém por um único motivo. Por isso, esperava assistir a um espetáculo e tanto assim que o conde Palatio chegasse.

O que viu, porém, foi completamente diferente do que imaginara. Quem estava apanhando não era o conde Palatio, mas Vilan, e quem o espancava não era outro senão Deus.

Deus, um dos Cavaleiros-Mestres de Caliban, havia chegado ao topo da ordem dos cavaleiros em menos de um ano graças a um talento incomparável, recebendo o título de Muken, cujo significado era "Sem Espada". Era justamente esse Deus, o Sem Espada, que havia golpeado Vilan.

Só aquilo já bastaria para chocar toda a capital, onde um rumor conseguia se espalhar como fogo em palha seca em apenas um dia. Mas o que aconteceu em seguida deixou Malon ainda mais atônito.

'Deus… o Sem Espada… abaixou a cabeça…?'

Malon ficou de boca aberta ao ver Deus abaixar a cabeça enquanto falava.

— O… Sem Espada acabou de abaixar a cabeça?

— O Sem Espada…?

Os guardas ao redor pareciam tão chocados quanto ele. E havia um motivo simples para isso: até então, Deus jamais havia abaixado a cabeça diante de ninguém em Caliban, com exceção do atual rei.

Havia até um episódio, ainda muito comentado na capital, em que ele dera três tapas no segundo príncipe por este importunar sua única irmã. A reputação de Deus disparara depois disso. Embora o segundo príncipe já fosse conhecido como um encrenqueiro praticamente abandonado pela família real, Deus ainda havia agredido um membro da realeza e, mesmo assim, não recebera punição alguma, o que elevara ainda mais seu prestígio.

Na prática, aquilo significava que todo o Reino de Caliban considerava Deus Macallian mais importante do que o segundo príncipe. E sua fama só continuava crescendo.

Ainda assim, agora ele abaixava a cabeça diante de um mero conde de outro país.

— Por favor, entre.

Para qualquer pessoa que conhecesse os rumores, ver Deus abaixar a cabeça diante do conde Palatio era uma cena difícil de acreditar.

Logo, todos os olhares se voltaram para o conde, que caminhava sem demonstrar emoção, escoltado pelo Cavaleiro-Mestre como se nada daquilo o abalasse.

E então…

'Quem exatamente é esse conde Palatio para fazer Deus, o Sem Espada, abaixar a cabeça diante dele?'

Malon e todos os demais que viram o rosto do conde acabaram com a mesma pergunta na cabeça, boquiabertos de espanto.

'A situação já está estranha, mas por que estão todos me olhando desse jeito?'

Alon, alvo daqueles olhares chocados, não conseguia entender o que estava acontecendo.

— Por favor, entre.

Ao ouvir Deus repetir o convite, voltou os olhos para a carruagem que o aguardava.

'Ela chama bastante atenção…'

Diferente das demais carruagens, aquela era inteiramente preta e impossível de ignorar. E então…

Tum!

…Alon percebeu que ela estava cercada de cavaleiros, guardada como se fosse uma fortaleza. Só aí começou a entender por que todos o encaravam daquele jeito.

Até ele achava aquilo um pouco exagerado.

— Está bem.

Mas recusar-se a entrar na carruagem àquela altura seria ridículo, então Alon subiu sem fazer objeções.

— Então eu cuido da carruagem — disse Evan, encerrando a conversa.

Com isso, Alon e Deus seguiram no interior da carruagem em direção à mansão, escoltados pelos cavaleiros trajados de negro.


Pouco tempo depois…

'Isto é… uma mansão?'

Ao ver a residência de Deus pela primeira vez, Alon não conseguiu esconder a surpresa. Já ouvira dizer que Kirdam, a capital de Caliban, era enorme em comparação com as capitais de outros reinos, mas nunca tinha visto uma mansão daquele tamanho.

'Então é isso que é vencer na vida…?'

Alon pensou nisso por um instante enquanto seguia Deus, que o guiava da carruagem pela vasta mansão até o escritório.

Assim que entraram…

— Por favor, sente-se.

— Hm?

Alon franziu levemente a testa ao ver Deus lhe oferecer o lugar de honra sem hesitar.

Embora entendesse pouco de etiqueta formal, ao menos conhecia o básico.

'Não é o dono da casa que deveria se sentar no lugar de honra?'

É claro que seria diferente se Alon ocupasse uma posição muito superior, mas ele era apenas um conde. E nem sequer pertencia à nobreza de Caliban, e sim ao Reino de Asteria.

Em outras palavras, Deus não tinha motivo algum para tratá-lo com tamanha deferência.

Do ponto de vista de Alon, ver Deus agir daquele jeito era como ser um pai orgulhoso porque o filho havia se tornado alguém importante. Aquilo o deixava satisfeito, mas também um pouco preocupado.

Afinal, ele tinha vários favores para pedir a Deus.

— Hm…

Depois de limpar a garganta, Alon se sentou no lugar de honra, e Deus, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sentou-se ao lado dele.

Um silêncio pesado tomou conta do escritório.

'Sobre o que eu deveria falar?'

É claro que havia várias coisas que Alon precisava pedir, mas até ele sabia que não se começava uma conversa daquele jeito.

Primeiro precisava jogar conversa fora.

O problema era que nunca tinha conversado cara a cara com Deus, muito menos trocado cartas com ele. Sem saber como preencher aquele silêncio constrangedor, Alon ainda tentava pensar em alguma coisa quando…

Creeec…

— Cheguei um pouco atrasado.

Evan entrou cautelosamente no escritório, guiado pelos cavaleiros. Foi então que Alon percebeu que ele havia trazido o presente.

— Evan, o presente.

— Entendido.

Ao receber a ordem, Evan colocou o presente sobre a mesa de Deus.

— Isto é…?

— Um presente.

Diante da reação de Deus, Alon soltou um pequeno suspiro. Estava tentando descobrir como iniciar a conversa, e agora o presente finalmente lhe dera uma abertura.

— Obrigado.

Deus abaixou levemente a cabeça diante de Alon.

E então…

Silêncio outra vez.

'Certo… não é agora que a conversa deveria continuar naturalmente?'

Depois desse pensamento, Alon finalmente abriu a boca.

— Não vai abrir o presente?

— Seria falta de educação abri-lo agora. Farei isso mais tarde.

Alon sabia que abrir um presente com entusiasmo diante de alguém de posição superior realmente poderia ser considerado indelicado.

Só que ele não era nenhum grande nobre.

'…Afinal, o que exatamente ele pensa de mim?'

A confusão de Alon devia estar evidente em seu rosto, mas ele não teve tempo de pensar muito a respeito.

Porque…

Creeec!

— I-irmão…?

Antes que conseguisse organizar os pensamentos, uma garota entrou no escritório de Deus. Assim como ele, ela tinha olhos roxos marcantes. A menina olhou ao redor por um instante até seu olhar parar em Evan.

— Ah! Irmão Evan!

Ao reconhecê-lo, cumprimentou-o com um sorriso afetuoso.

— Ah, Silly!

Evan também se levantou com um sorriso caloroso. Alon logo percebeu que aquela era a irmã mais nova de Deus, a garota que Evan havia sido enviado para resgatar.

'Eles realmente se parecem.'

Em Psychedelia, só eram descritas as circunstâncias trágicas da morte dela, então Alon nunca tinha visto sua aparência. Agora que a encontrava pessoalmente, porém, não pôde deixar de assentir ao notar a forte semelhança entre os irmãos.

Quando voltou os olhos para Deus, levou um pequeno susto.

Ele estava claramente contrariado. E, quando Silly segurou a mão de Evan, seu olhar ficou ainda mais afiado.

— Silly, Evan não é seu irmão. Ele já é um velho — disse Deus.

Ao ver aquilo, Alon entendeu na mesma hora o quanto Deus era superprotetor com a irmã. Em resumo, era o típico siscon.

Alon compreendia de onde vinha aquele apego. No jogo, Deus carregava uma profunda sensação de perda e de vazio por ter ficado sem família. Ainda assim, vê-lo daquele jeito era engraçado.

Enquanto Alon pensava nisso, Silly, que até pouco antes brincava com Evan, aproximou-se dele de repente e falou com alegria.

— O senhor é o conde Palatio, não é?

— Sou eu.

— Evan me contou. Foi o senhor quem mandou me salvar.

Ao ouvir aquilo, Alon lançou um olhar para Deus e então assentiu em silêncio.

— Eu apenas fiz o que devia.

'Se você tivesse morrido, seu irmão poderia ter virado uma máquina de matar em escala continental.'

— Muito obrigada — disse Silly, curvando-se profundamente.

A gratidão sincera da menina aqueceu o coração de Alon. Mesmo que suas ações tivessem sido motivadas por outras intenções, receber um agradecimento tão honesto por uma boa ação ainda era gratificante.

Alon deixou escapar um pequeno sorriso.


Depois que Silly saiu, a atmosfera ficou um pouco mais leve. Alon limpou a garganta e olhou para Deus, que ainda mantinha uma expressão discretamente hostil em relação a Evan mesmo depois da partida da irmã.

— Deus, vim vê-lo porque preciso lhe pedir um favor.

— Um favor…? — perguntou Deus, parecendo um pouco confuso.

— Sim. Há algo de estranho nisso?

Alon respondeu com a mesma confusão.

— Não. Nada. Por favor, diga.

A resposta de Deus pareceu um pouco estranha, mas Alon ficou em silêncio por um instante. Agora que chegara a hora de fazer o pedido, descobriu que era mais difícil falar do que imaginava.

Tinha dois favores para pedir a Deus, e os dois provavelmente seriam um tanto complicados.

Depois de hesitar, finalmente fez o primeiro pedido.

— Preciso ir para o norte. Pode me acompanhar?

— Claro.

Alon piscou, surpreso com a facilidade da resposta.

— É simples assim?

— Sim. Eu já estava planejando uma expedição para o norte.

Ao ouvir aquilo, Alon ficou aliviado. Ao menos o primeiro pedido havia sido mais fácil do que esperava.

Depois de soltar um suspiro aliviado, fez o segundo.

— Será que eu poderia pegar emprestado o "Anel do Arrogante" do tesouro real de Caliban?

Enquanto fazia o pedido, Alon observou Deus com atenção. Afinal, pedir emprestado um item do tesouro real era praticamente o mesmo que ficar em dívida com a família real, e aquilo poderia se tornar uma questão bastante delicada para Deus.

Por mais poderoso que fosse, ele ainda estava sujeito aos interesses políticos do Reino de Caliban.

Mesmo assim, o Anel do Arrogante era indispensável para o plano de Alon. Ele precisava pedir, ainda que acabasse colocando Deus numa posição desconfortável.

— É claro que não quero lhe causar nenhum problema — começou Alon, tentando suavizar o pedido e oferecer alguma compensação.

— Entendido — interrompeu Deus.

— …O quê?

— Vou buscar o "Anel do Arrogante" imediatamente.

Deus curvou levemente a cabeça ao falar, deixando Alon mais uma vez sem saber como reagir.

'Espera, isso é bom… mas… está mesmo tudo bem?'

Ainda um pouco atordoado, Alon perguntou:

— Você sabe onde ele está, certo?

— Ouvi dizer que está no tesouro real de Caliban.

— E não é meio difícil consegui-lo?

— Pelos meios normais, levaria cerca de uma semana. Mas, se desejar, posso trazê-lo imediatamente.

— …Existe algum jeito de fazer isso?

Intrigado com aquela afirmação ousada, Alon perguntou.

Deus ficou em silêncio por um instante, como se estivesse considerando alguma coisa. Então respondeu:

— O rei talvez dê um pouco de trabalho, mas dou conta de umas cinquenta pessoas. Não deve ser tão difícil.

— …Hã?

Evan, que estava por perto, ficou visivelmente desconcertado. Alon não demonstrou tanto quanto ele, mas estava igualmente perplexo diante da determinação inabalável de Deus.

'É assim que ele pretende mostrar até onde está disposto a ir por mim?'

Interpretando aquelas palavras como uma demonstração de lealdade, Alon hesitou por um momento antes de responder:

— Não. Não precisa ir tão longe.

— Entendido… Vou conseguir o anel o mais rápido possível.

Deus pareceu um pouco desapontado ao concordar.

'Eu só queria que você o pegasse emprestado…'

Alon assentiu logo depois.

'Ele realmente se importa comigo, mas isso não está ficando um pouco exagerado…?'

Com esse pensamento, Alon passou um dia na mansão enquanto esperava o anel ser trazido.

— Eu o trouxe.

— …O quê?

Alon encarou a preciosa caixa cravejada de joias que guardava o Anel do Arrogante.

E então…

— O quê?

— Conde, o senhor ficou sabendo? Parece que ontem Deus causou uma confusão no palácio real, exigindo que lhe entregassem o tesouro. Também ouvi dizer que ele deu outro tapa no segundo príncipe.

…??

Diante do relato de Evan, Alon ficou completamente sem palavras.

'O que está acontecendo?!'

Alon começava a perceber que havia alguma coisa errada com Deus.

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