Switch Mode

Raising Villains the Right Way – Capítulo 40

Seolrang (2)

Tradutor: miggigibe


A Areia Sangrenta era uma grande organização de bandidos que atuava no deserto ao sul do continente havia muito tempo.

O grupo comandava centenas de integrantes, e a maioria dos combatentes conseguia imbuir as espadas com magia, força demais para que fossem considerados simples bandidos.

Com tamanho poder, era natural que a Areia Sangrenta chamasse a atenção da Colônia, nação estabelecida no próprio deserto.

Afinal, a região onde os bandidos agiam era justamente a da capital da Colônia.

Como diz o ditado, "o prego que se destaca leva martelada". Seria perfeitamente natural que o país agisse para eliminar um grupo de bandidos daquele tamanho.

Afinal, enquanto bandidos rondassem a região, a nação inevitavelmente sofreria prejuízos de uma forma ou de outra.

Ainda assim, a Areia Sangrenta conseguia agir com tamanha ousadia perto da capital porque tinha alguém poderoso por trás.

E não era qualquer um. Quem lhes dava cobertura era o Baba Yaga de mais longa data da Colônia, o guerreiro Kalman Arents.

Com Kalman os apoiando, o grupo que já deveria ter sido exterminado havia muito tempo cresceu de algumas dezenas para centenas de integrantes ao longo de dez anos.

Naquele dia, porém, Draco, líder da Areia Sangrenta e subordinado de confiança de Kalman Arents, estava de péssimo humor.

— Jack morreu?

— Sim.

O motivo era simples: um de seus homens havia saído naquele dia para atacar uma caravana e acabara morto.

— Ha…

Draco franziu a testa, irritado. Sua frustração não vinha da perda de um companheiro, mas do fato de um dos homens que tivera tanto trabalho para formar ter morrido de maneira inútil.

'Eu pretendia treiná-lo um pouco mais e usá-lo como assassino.'

Estalando a língua, Draco perguntou:

— Quem o matou?

— Parece que ele morreu pelas mãos de um nobre enquanto atacava uma maga.

— Um nobre? O Jack?

— Sim. Pelo que ouvi, quando o nobre usou magia, o meio do deserto congelou…

— Qual é o nome dele?

— Estamos reunindo informações com nossos contatos na Colônia. Devemos conseguir os detalhes até amanhã.

Draco ficou alguns instantes em silêncio antes de responder:

— Avise assim que conseguirmos as informações.

Naturalmente, Draco não tinha a menor intenção de deixar impune a pessoa que matara Jack.

'Preciso vingar esse desperdício dos meus recursos.'

É claro que matar um nobre de outro país poderia trazer todo tipo de complicação, mas Draco não estava muito preocupado.

Matar alguém no deserto não era exatamente incomum e, desde que não houvesse testemunhas, a maioria das mortes por ali acabava tratada como desaparecimento.

E Draco tinha muita experiência com esse tipo de coisa.

Assim que descobrisse a identidade do nobre, pretendia esperar o momento certo e enterrá-lo no deserto quando ele tentasse partir.

Isso, claro, se "aquilo" não tivesse aparecido.

— Gahk…!

Draco cuspiu sangue vermelho-escuro enquanto encarava seu esconderijo em desespero.

Apenas dez minutos antes, o esconderijo secreto da Areia Sangrenta, que permanecera de pé orgulhosamente durante anos, havia sido reduzido a ruínas.

E não era só isso.

Os homens que ele passara mais de dez anos formando estavam todos soterrados na areia ou esmagados contra as paredes do esconderijo, mortos.

E então…

— Hmm, é só isso?

Um par de olhos dourados e afiados percorreu os arredores antes de desaparecer num instante.

Com um clarão de relâmpagos dourados, Seolrang reapareceu segurando algo nas duas mãos.

— Acabou.

Eram as cabeças dos bandidos.

As duas cabeças ainda conservavam expressões tensas de expectativa, como se os homens nem tivessem percebido o que acontecera enquanto esperavam emboscados perto do esconderijo destruído por uma chance de atacar de surpresa.

Tum!

Sem demonstrar interesse, Seolrang arremessou as cabeças para longe. Draco apenas a encarou, incrédulo, incapaz de compreender a situação.

Do começo ao fim…

Tudo.

…

'Que diabos… é isso…?'

Draco se viu encarando a própria ceifadora, que agora se aproximava devagar.

Passo, passo…

Num único instante, o clarão dourado que surgira havia destruído seu reino: o esconderijo que construíra. E também exterminara a Areia Sangrenta, as centenas de homens que cultivara ao longo de mais de dez anos.

Passo, passo…

A garota de olhos dourados. A ceifadora.

Assim que aqueles olhos dourados e cortantes se fixaram em Draco, um arrepio de medo primitivo percorreu todo o seu corpo. Era um medo instintivo.

Mesmo tomado pelo terror, Draco tentou desesperadamente falar, dizer qualquer coisa que pudesse salvar sua vida.

— S-Seolrang! Você sequer sabe o que acabou de fazer?!

A voz de Draco transbordava desespero. Seu reino de dez anos, tudo o que construíra, desabara como um castelo de areia. Ainda assim, ele não desistira. Se sobrevivesse, acreditava que poderia reconstruir seu pequeno reino outra vez.

Mas…

Infelizmente, Seolrang não reagiu às palavras frenéticas de Draco. Apenas ergueu a mão direita encharcada de sangue e agarrou pela cabeça o homem cujo abdômen havia sido perfurado.

— Se me matar agora, vai transformar Kalman Arents em seu inimigo! Estou sob a proteção dele!

Sentindo a morte se aproximar, Draco invocou o nome de Kalman na esperança de escapar, mas os dedos de Seolrang apenas apertaram ainda mais.

— É dinheiro que você quer?! Pegue! Leve tudo! Ou quer tributo? Eu pago o que você quiser!!

Seus gritos ficaram cada vez mais frenéticos até que, ao compreender por completo a morte que se aproximava, começou a berrar em desespero.

— Por quê?! Por que está fazendo isso comigo?! Por quê?! Por quê!!!

Sua voz, carregada de ressentimento e frustração, ecoou pelo lugar.

Em resposta…

— Porque você encostou no meu mestre. E…

O murmúrio chegou aos ouvidos de Draco. Não era alto, mas também não era baixo. Apenas uma voz tranquila.

E então…

— Porque eu não quero levar bronca.

Com aquele sussurro suave, lembrando-se daqueles olhos vermelhos, Seolrang esmagou a cabeça de Draco com um crac alto.

Com a missão concluída, Seolrang desapareceu sem deixar rastros.

Em apenas dez minutos, a Areia Sangrenta, que aterrorizara o deserto sob o nome de Kalman por mais de uma década, desapareceu da história.


No dia seguinte.

Alon, sentindo o cansaço da longa viagem finalmente se dissipar, recebeu duas notícias.

A primeira era que não seria possível entrar na Cidade Esquecida pelos próximos três dias.

A segunda…

— Conde, ouvi dizer que a Areia Sangrenta, que nos atacou, foi completamente exterminada!

— …A Areia Sangrenta?

O grupo que o atacara pouco tempo antes aparentemente havia sido aniquilado.

— Sim, foram todos exterminados.

— …Quando?

— Pelo que ouvi, aconteceu ontem.

— Um grupo inteiro de bandidos foi exterminado e o rumor já se espalhou em um dia?

Alon franziu a testa, confuso, e Evan assentiu.

— A cidade inteira está falando disso. Parece que a caravana que chegou hoje mais cedo trouxe a notícia.

Ao ouvir Evan, Alon sentiu como se mil pontos de interrogação flutuassem sobre sua cabeça.

A Areia Sangrenta não deveria desaparecer por mais três anos, a menos que fosse eliminada pelo protagonista, Eliban, como acontecia na história original.

'Por que diabos eles desapareceram de repente?'

Alon tentou entender o que acontecera, ainda com uma expressão confusa, mas…

— Fui eu!

A resposta veio de maneira muito mais simples do que esperava.

— Foi você?

— Sim! Eu não fiz um ótimo trabalho!?

Diante do sorriso inocente de Seolrang, Alon e Evan abriram a boca devagar, atônitos.

— Você… acabou com a Areia Sangrenta?

— Sim!

— …Por quê?

Alon perguntou por puro reflexo.

— Ué, não foi o Mestre que disse?

Evan lançou a Alon um olhar que parecia perguntar "Disse?", enquanto Alon apenas o encarava sem reação. Mas isso durou pouco.

— O senhor disse que não queria vê-los de novo.

— Eu disse isso… mas…

— Se eles sumiram, o senhor não precisa mais vê-los, certo?

Com um sorriso largo e inocente, Seolrang assentiu como se tivesse acabado de resolver um grande dilema. Alon sentiu a mesma coisa que sentira quando conhecera Deus: havia algo ali que era simplesmente… demais.

A confusão logo passou, porém, e Alon se lembrou de algo.

— Espera. Então você exterminou a Areia Sangrenta inteira sozinha?

— Isso mesmo!

Seolrang assentiu com naturalidade, e Alon percebeu que havia ficado em silêncio sem querer.

A Areia Sangrenta que ele conhecia tinha centenas de integrantes, e a maioria dos combatentes conseguia imbuir as armas com magia. Não era exatamente um grupo que pudesse ser subestimado.

Além disso, Draco, o líder dos bandidos, era alguém que, até onde Alon sabia, seria capaz de manejar uma lâmina de aura dali a três anos.

Mesmo assim, Seolrang acabara de matar sozinha centenas de combatentes com força comparável à de cavaleiros, incluindo Draco, o líder…?

Alon sabia que o título de Baba Yaga não era algo que se conquistava com facilidade, mas… ela não era um pouco mais forte do que ele esperava?

Ele encarou Seolrang, que sorria despreocupadamente, e de repente se lembrou de que, no futuro, ela se tornaria a encarnação do Pecado do Orgulho.

'…'

Ao pensar nisso, Alon percebeu que, sem querer, começava a se portar com um pouco mais de reverência.

Faltavam três dias para partirem rumo à Cidade Esquecida.


Na mesma época em que Alon partira para a cidade desértica da Colônia, uma reunião secreta acontecia numa pequena taverna no lado leste de Teria, capital do Reino de Asteria.

— Então, por que me chamou, duque?

— Não achei que sua intuição tivesse enferrujado a ponto de precisar perguntar, marquês — respondeu o duque Limgrave, líder da facção monarquista.

Diante dessas palavras, o marquês Filboid, líder da facção nobiliárquica, sentou-se com naturalidade e falou:

— Imagino que seja por causa do conde Palatio.

— Perspicaz. Chamei você por causa do conde Palatio… ou, mais precisamente, da "Kalpha" que aqueles pirralhos montaram — respondeu Limgrave.

O marquês assentiu, como se nenhuma explicação adicional fosse necessária.

Depois de décadas navegando pelo traiçoeiro mundo da política, ambos entenderam sem dificuldade que o duque buscava uma aliança para derrubar a "Kalpha".

A Kalpha era uma organização irritante que ameaçava tanto a facção monarquista quanto a facção nobiliárquica e, portanto, precisava ser desmantelada o quanto antes.

Naquele mundo, inimigos de ontem podiam se tornar aliados de hoje dependendo dos interesses em jogo. Por isso, não foi difícil para os dois unirem forças.

— Então, qual é o plano? — Filboid foi direto ao ponto, sem perder tempo.

Admirado com a rapidez de raciocínio do marquês, que já havia calculado custos e benefícios em poucas palavras, o duque respondeu:

— Pretendo envolver Rosario.

— …Rosario?

— Sim. Mais especificamente, um "cardeal" de Rosario.

O duque começou a explicar seu plano em detalhes ao marquês.

Depois de algum tempo…

— E quanto você quer? — perguntou Filboid, como se não precisasse ouvir mais nada.

— Metade da propina para calar a boca do cardeal.

— Nada mal.

Os dois nobres trocaram olhares, ambos sorrindo satisfeitos.

Se o plano desse certo, a Kalpha recém-surgida, formada pela ralé do submundo, desmoronaria como um castelo de areia.

— Não vai demorar. Na verdade, eu já fiz contato.

— Estou ansioso para ver.

Com isso, os dois deixaram a taverna sorrindo e seguiram em direções opostas.

No estabelecimento decadente, restaram apenas dois copos de uísque, ainda cheios.

Comentários

0 0 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar