Tradutor: miggigibe
Balam, lutador de classe A.
Entre os lutadores, classificados da classe F à classe A, ele era considerado um dos melhores em combate.
Para ele, era apenas mais um dia comum. Como não havia nenhum duelo marcado, relaxava tomando uma bebida numa taverna que frequentava bastante.
Até que um nobre apareceu diante de seus olhos.
Vestido de forma ostensiva, sem fazer qualquer esforço para esconder a própria riqueza, o nobre caminhava pela cidade pela primeira vez.
Como era de se esperar, acabou cercado por Adigo e seu bando. Adigo também era um lutador de classe A, mas tinha uma colocação superior.
Mesmo assim, aquilo ainda parecia apenas mais um dia comum. Balam já tinha visto Adigo extorquir dinheiro e mercadorias de comerciantes ou nobres que entravam na Colônia várias vezes.
— Olha só essas roupas caras. Tiramos a sorte grande.
— Vamos arrancar uma boa grana desse aí.
Os lutadores ao lado de Balam conversavam sem preocupação enquanto observavam o nobre cercado pelo bando de Adigo. Nenhum dos lutadores na taverna ou nas lojas próximas tinha a menor intenção de ajudá-lo. Embora houvesse outro lutador de classe A ali, todos apenas assistiam Adigo roubar o nobre com olhares preguiçosos e indiferentes, sem mover um dedo.
Era natural. Não havia nada a ganhar ajudando aquele nobre. Mesmo que ele oferecesse pagamento imediato em troca de auxílio, nenhum dos lutadores se apresentaria. Ninguém era tolo o bastante para comprar briga com o bando de Adigo ou, mais precisamente, com o monstro Malian, que lhe dava cobertura.
Os lutadores sabiam que a arrogância de Adigo vinha da confiança que depositava em Malian, o monstruoso Baba Yaga. Por isso, todos continuaram bebendo sua cerveja em silêncio, usando a situação diante deles apenas como entretenimento.
Então, no momento em que Adigo deu um leve tapa na cabeça do nobre…
Bum!
Algo extraordinário aconteceu.
— Comece a falar.
Uma aparição súbita. Uma entre os quatro Baba Yagas da Colônia.
— Ei.
A atmosfera pareceu se partir em eletricidade quando Seolrang, o Relâmpago Dourado, surgiu. Raios, sua marca registrada, crepitavam ao redor de seu corpo.
— Qual filho da puta…?
Adigo, que havia sido arremessado contra a parede, levantou-se com confiança, mas ficou confuso com a entrada repentina de Seolrang.
— S-Seolrang?
Ele murmurou em descrença, como se não conseguisse compreender a situação, embora reconhecesse perfeitamente quem estava diante dele.
No entanto…
— O que você fez com o meu Mestre?
Ao ouvir as palavras seguintes de Seolrang, a expressão de Adigo passou da confusão ao terror.
— Aaargh!?
Antes que pudesse reagir, Seolrang agarrou a cabeça de Adigo e a bateu contra o chão.
Crac!
Os lutadores ouviram o som arrepiante ecoar em seus ouvidos.
Mas não terminou ali. Com uma expressão fria, Seolrang agarrou Adigo pela perna e o arremessou para o lado.
Crash!
Adigo foi lançado para dentro da taverna. Enquanto tentava se levantar às pressas, abriu a boca para falar.
— E-Espera, eu não sabi—
Crac!
Seolrang agarrou sua cabeça outra vez e a esmagou contra o balcão.
— Sério!
De novo e de novo.
— Aaaagh!
De novo e de novo.
— Se continuar assim, meu chefe vai—
De novo e de novo.
— P-Por favor, pou—
Crac!
Silêncio.
Todos os lutadores ficaram calados, encarando os destroços da taverna. Até o dono, que deveria estar furioso com os estragos, permanecia ali tremendo, prendendo a respiração de medo. Um cliente sentado junto a uma mesa destruída estava imóvel, ainda segurando uma pesada caneca de cerveja.
E então…
Tum!
Coberta de sangue, Seolrang finalmente soltou a cabeça de Adigo sem demonstrar o menor interesse. Naquele instante, todos os lutadores presentes estremeceram de assombro. Sua velocidade estava além do que conseguiam acompanhar, e vê-la lidar sem esforço com um lutador de classe A como se fosse um capanga qualquer fez com que a encarassem com reverência.
Quando Seolrang, que nem sequer havia suado, lançou um olhar para os bandidos trêmulos que cercavam Alon…
Bum! Crac!
Num piscar de olhos, todos foram lançados para longe. Bateram contra paredes e janelas, convulsionaram e então ficaram imóveis.
Os lutadores, que já tinham visto Seolrang esmagar adversário após adversário sem demonstrar qualquer emoção no Coliseu, estremeceram mais uma vez diante do Relâmpago Dourado, que agora havia se tornado uma Baba Yaga.
— Mestre! O senhor chegou!? Devia ter me avisado!
Antes que alguém percebesse, Seolrang já estava sorrindo radiante e abanando a cauda dourada com entusiasmo enquanto envolvia o braço de Alon com o seu. Todos ao redor congelaram por um instante.
— Esperei tanto pela chegada do mestre! Preparei um monte de coisas, então vamos logo!
Ignorando a confusão dos lutadores, Seolrang continuou abanando a cauda e sorrindo enquanto puxava Alon consigo para algum lugar. Quando ela e o nobre desapareceram ao longe, uma pergunta desconcertante ficou na cabeça dos lutadores que observavam:
— Quem é aquele cara…? Quem conseguiria fazer o "Cão Louco"…?
Todos ficaram se perguntando quem era aquele nobre a quem Seolrang chamava de mestre.
Alon, porém, enquanto era arrastado por Seolrang coberta de sangue, estava tão confuso quanto os lutadores. Embora se sentisse grato e estranhamente orgulhoso, não pôde deixar de pensar:
'Eu… não vou morrer, né?'
Como Alon chegou à Colônia já no meio da tarde, o sol começava a se pôr quando Seolrang o levou até um determinado prédio.
— É aqui!
Seguindo Seolrang, que ergueu as orelhas e entrou no prédio, Alon entrou logo atrás.
'É grande.'
Enquanto encarava distraidamente o edifício, que passava dos nove andares e destoava da maioria das construções da região, ouviu ao lado a voz admirada de Evan.
— Uau, é enorme.
Embora não tivesse a mesma grandiosidade da mansão de Deus, edifícios altos eram raros naquela cidade, o que tornava o contraste ainda mais marcante.
Depois de entrarem no prédio com Seolrang, Alon e Evan seguiram diretamente para o último andar.
— Ah, chefe, voltou.
— Chefe!
Ao se aproximarem do último andar, passaram por vários membros do povo-fera que saudaram Seolrang com continências rígidas. Todos eles, assim como ela, tinham cabelos dourados.
— Chefe, bem-vinda de volta.
Quando finalmente chegaram ao último andar, outro membro do povo-fera, que parecia estar esperando junto à porta, cumprimentou-os com uma reverência. Ele também tinha cabelos dourados, mas uma longa cicatriz atravessava um dos lados do rosto.
— Sim. Não aconteceu nada, certo?
— Nada.
Seolrang sorriu alegremente enquanto conversava, abriu a porta e entrou. Alon e Evan a seguiram.
Ao passar pela entrada, Alon sentiu o olhar do membro do povo-fera parado junto à porta e, quando estava prestes a olhar para trás…
— Parece um pouco diferente dos rumores.
— Rumores?
Alon não conseguiu esconder a expressão confusa diante do comentário de Evan.
Olhando para Seolrang à frente, Evan explicou:
— Sim. Ouvi dizer que Seolrang não tem uma reputação muito boa.
— Como assim?
— Dizem que ela tem uma personalidade extremamente cruel. Acho que o apelido dela é "Cão Louco". Também ouvi que ela trata o próprio povo com um pouco mais de gentileza.
— …Seolrang?
Alon voltou os olhos para Seolrang.
— Mestre! Pode sentar aqui!
Abanando a cauda com entusiasmo, Seolrang já estava sentada de pernas cruzadas sobre um tapete que havia preparado no escritório. Ela bateu energicamente no lugar de honra do tapete.
'…Aquilo de antes foi meio assustador.'
Alon se lembrou por um instante da explosão de violência de Seolrang pouco antes, mas, ao vê-la agora sorrindo tão radiante, apenas deu de ombros e se sentou.
Com isso, a verdadeira conversa com Seolrang começou.
Na verdade, Alon estava um pouco preocupado com a forma como conduziria uma conversa com Seolrang. Embora a conversa anterior com Deus tivesse terminado bem, Seolrang era imprevisível, e ele não tinha certeza de como as coisas se desenrolariam.
No entanto, ao contrário das preocupações de Alon…
— Ótimo!
— …O quê?
— Ótimo!
A conversa com Seolrang acabou sendo, em certos aspectos, ainda mais fácil do que com Deus, deixando Alon um pouco perplexo.
— Você realmente ouviu tudo o que eu disse?
— Sim! E pode falar comigo sem tanta formalidade!
Seolrang respondeu cheia de energia. Mesmo naquele momento, parecia incapaz de ficar parada. Ainda sentada de pernas cruzadas, apoiou casualmente as mãos no chão e começou a fazer uma parada de mãos.
Observando-a com uma expressão vazia, Alon comentou:
— Ainda assim, você não tem muita coisa para pensar? Ouvi dizer que também está comandando uma guilda.
Durante a breve conversa, Alon descobrira que, além de se tornar uma Baba Yaga na Colônia, Seolrang também reunira outros de seu povo e formara uma guilda. Por isso, fez a pergunta.
— Hmm…
Ainda numa estranha posição de parada de mãos, Seolrang pareceu pensar por um momento.
— Está tudo bem!
— …Tem certeza?
— Sim! Mesmo que não sejamos família, o senhor é meu mestre!
A resposta entusiasmada de Seolrang fez Alon assentir de forma um pouco constrangida. No fundo, porém, sentiu o mesmo orgulho que experimentara ao lidar com Deus. Afinal, não esperava que Seolrang fosse tão longe para ajudá-lo, principalmente porque ele não entrara em contato nem sequer lhe enviara uma carta.
'Para falar a verdade, não esperava que ela ajudasse tanto assim.'
Do ponto de vista de Alon, não havia nada de ruim em receber tanta ajuda. Ele continuou a conversa, sentindo crescer no peito um calor quase paternal. Falaram sobre muitas coisas, embora a maior parte não fosse nada especialmente importante. Alon perguntou como Seolrang estava e contou histórias sobre Deus, enquanto ela falou sobre sua vida na Colônia.
Então, como se tivesse se lembrado de algo, Seolrang falou com um suspiro.
— Graças ao senhor, consegui reunir os membros da nossa tribo que estavam espalhados!
— …Por minha causa?
— Sim, olha!
Seolrang sorriu radiante e mostrou a luva que usava na mão direita. Alon imediatamente a reconheceu como uma Essência da Tribo da Juba Dourada.
— Entendi.
'Então realmente havia algo naquela história de que encontrar a Tribo da Juba Dourada desperta o verdadeiro poder deles.'
Alon começou a entender por que Seolrang tinha uma opinião tão favorável a seu respeito. Depois de conversarem por mais algum tempo, o assunto mudou de repente.
— Pensando bem, o deserto é bem perigoso.
— Hmm? Por quê?
Seolrang inclinou a cabeça, curiosa com o comentário de Evan.
— Fomos atacados.
— …Atacados?
— Sim.
Ao ouvir a palavra "atacados", o sorriso alegre de Seolrang congelou por um instante. Alon, porém, assentiu, concordando com Evan.
— Fomos emboscados pela Areia Sangrenta, mesmo viajando durante o dia, quando eles normalmente não agem.
— Sério? Eles são uns caras ruins… não são?
— Definitivamente não são pessoas que eu gostaria de encontrar de novo.
Alon deu de ombros ao se lembrar do incidente e olhou para Seolrang. Ela parecia tentar esconder a expressão séria de antes atrás de seu sorriso despreocupado de sempre. Depois de mais um pouco de conversa, Seolrang falou novamente.
— Enfim, por enquanto descansem! Devem estar cansados depois de vir até aqui, não é?
Com isso, Seolrang deu a Alon e Evan um quarto para cada um no andar logo abaixo do último. Depois de acomodá-los, voltou ao último andar e, ainda sorrindo, falou em voz baixa.
— Ralga.
— Sim.
Ralga, o membro do povo-fera com uma cicatriz no rosto, apareceu imediatamente ao ser chamado.
— Onde estão aqueles caras ruins?
— Os bandidos da Areia Sangrenta montaram acampamento a nordeste, mas há outra coisa que preciso mencionar.
— O quê?
— Até onde sei, a Areia Sangrenta conta com o apoio de Kalman, um dos outros três Baba Yagas.
Havia preocupação na voz de Ralga.
— Sério? Mas, mesmo assim—
Apesar da informação, Seolrang apenas abanou a cauda uma vez, sem demonstrar a menor hesitação.
— Ninguém mexe com o meu mestre.
Sua resposta deixava claro que a notícia sobre Kalman não mudaria em nada o que pretendia fazer.
— Se ele descobrir, vou levar uma bronca na certa, né?
Ela murmurou tão baixo para si mesma que nem Ralga conseguiu ouvir, enquanto olhava para o nordeste.
— Enfim, espere aqui.
Com uma expressão séria e ameaçadora, os olhos dourados brilhando de modo sinistro, ela continuou:
— Vou matar todos eles.
E então desapareceu, deixando para trás um clarão dourado crepitante.