Tradutor: miggigibe
A nação desértica de Colônia.
O Coliseu, que serve ao mesmo tempo como coração e principal marco da nação, fica na capital de mesmo nome.
O Coliseu está sempre tomado pelos gritos e pela loucura do público, constantemente manchado pelo sangue derramado pelos gladiadores.
Mesmo quando um gladiador é esfaqueado ou perde a vida, tudo o que acontece naquele Coliseu não passa de entretenimento para as massas.
Mas, naquele momento, o Coliseu estava em silêncio.
Não era porque o público estivesse ausente.
O lugar estava tão lotado que até as escadarias, destinadas à circulação das pessoas, estavam abarrotadas.
Será que a luta ainda não tinha começado? Não, não era isso.
Centenas de gladiadores de vários ranques já estavam sob os holofotes.
Havia apenas uma coisa estranha.
Enquanto centenas de gladiadores se reuniam do lado direito da arena, no lado esquerdo havia apenas um homem.
Uma luta que parecia desequilibrada aos olhos de qualquer um.
Ainda assim, o homem sozinho no centro do Coliseu não demonstrava qualquer insatisfação. Pelo contrário, um sorriso discreto brincava em seus lábios.
As manoplas de ferro em suas mãos reluziam.
Assim que a voz do árbitro, amplificada por magia, ecoou pelo local, centenas de gladiadores avançaram contra ele.
Alguns empunhavam espadas, outros lutavam com os punhos, e havia ainda os que carregavam machados.
Gladiadores de todo tipo, dos ranques A e B, investiram ao mesmo tempo, mirando o pescoço de um único homem.
Mesmo diante dos olhares ferozes dos inimigos, porém, o sorriso no rosto daquele homem não desapareceu. Já os gladiadores que avançavam contra ele carregavam uma tensão intensa nos olhos.
Porque todos ali sabiam quem era o homem diante deles.
Um dos Baba Yaga de Colônia.
O homem que ocupava a posição de Baba Yaga havia mais tempo do que qualquer outro.
Kalman Arents.
Kalman abriu um sorriso ainda maior e assumiu uma postura de combate.
O pé esquerdo deslizou para trás do direito, enquanto a mão direita acompanhava o movimento, recuando.
Todos os músculos de seu corpo se retesaram num instante.
E, pouco antes de os gladiadores alcançá-lo, Kalman desferiu um soco.
Um soco contra o vazio.
Um soco que não mirava ninguém e, ainda assim, podia atingir qualquer um.
Bum!
A onda de choque explodiu, arremessando em todas as direções as centenas de gladiadores que avançavam contra ele. E, quando o corpo de Kalman desapareceu…
Crac!
Começou um massacre impiedoso.
Sempre que a manopla de obsidiana de Kalman avançava, os corpos dos gladiadores que tentavam se recompor eram despedaçados.
Durante cinco minutos, o Coliseu permaneceu em silêncio, até que restassem apenas os gladiadores caídos e Kalman.
Depois de um breve instante de quietude…
— Uooooaaaaah!
O Coliseu explodiu em gritos ensandecidos, como se o silêncio de antes nunca tivesse existido.
A multidão, enlouquecida, não dava a mínima para os gladiadores cujas cabeças haviam sido esmagadas ou cujos corações tinham sido destruídos por Kalman.
Apenas gritavam e urravam de euforia por ele.
Kalman percorreu lentamente a arquibancada com o olhar, ainda sorrindo, antes de se virar e retornar ao interior do Coliseu.
Seu destino era a luxuosa sala de espera reservada aos Baba Yaga.
Ouvindo os gritos intermináveis da multidão, Kalman comentou:
— Ainda existem tantos idiotas. Centenas deles achando que poderiam derrotar um Baba Yaga só com vantagem numérica.
Ao ouvir uma voz atrás de si, Kalman se virou e encontrou outro homem sorrindo.
Era Malian, também conhecido como Baba Yaga, com a cabeça careca grotescamente deformada para um dos lados.
Kalman se acomodou numa cadeira luxuosa, e Malian continuou:
— Sabe quem acabou com a Areia Sangrenta?
— Não. Você descobriu?
Malian respondeu imediatamente à pergunta de Kalman.
— Foi Seolrang.
— …É mesmo?
Depois de um breve silêncio, Kalman finalmente falou.
Mas não havia raiva alguma em sua voz.
Apenas uma leve aceitação, como se dissesse: "Então foi isso."
— Você não parece muito irritado — comentou Malian, um pouco confuso.
Kalman se recostou tranquilamente na cadeira.
— Nem um pouco. Para começo de conversa, eu só mantinha aquele sujeito por perto porque ele me rendia uns trocados. Além disso, nós vamos matar a Seolrang de qualquer jeito, não vamos?
Kalman respondeu com um sorriso astuto.
— Verdade. Esse é o plano.
— Então, qual é o plano?
Diante da pergunta, Malian abriu um sorriso rápido e estendeu a mão esquerda na frente de Kalman. Sobre a palma havia um cubo negro.
— Ora, ora. Esse é o Núcleo Abissal? Aquele capaz de elevar quem for digno?
Malian assentiu enquanto Kalman abria um sorriso torto.
— Isso. Com ele, vou poder esmagar a cabeça daquela arrogante do povo-fera.
— Música para os meus ouvidos.
Kalman pegou o cubo da mão de Malian. Observando o objeto abissal, que parecia absorver toda a luz ao redor, murmurou satisfeito:
— Finalmente vou poder matar aquela desgraçada que vem fazendo o que quer em Colônia como se este lugar fosse o quintal dela.
— Concordo. Alguns dias atrás, eu também sofri por causa dela. E…
Malian soltou um suspiro profundo, deixando transparecer parte de sua frustração enquanto concordava. Ao ver aquilo, Kalman voltou a falar.
— Então, quando o plano vai ser executado?
— Daqui a dois dias, nas ruínas.
— Rápido.
— E não é melhor assim? Quando aquela garota estiver morta, você poderá voltar a corroer o poder da realeza…
— E você poderá assumir o controle de todo o submundo, certo?
— Exatamente.
Malian sorriu quando os dois reafirmaram seus objetivos.
— Não tem como dar errado.
— Por causa do Núcleo Abissal?
— Também. Mas temos alguns amigos do outro lado.
Depois dessas palavras, Malian acrescentou:
— Ah, e se você encontrar aquele nobre que fica ao lado de Seolrang, seria ótimo se pudesse cuidar dele também.
— Por quê?
— Só um pequeno pedido. Ouvi dizer que ele é o mestre de Seolrang. Não acha que seria divertido matá-lo primeiro, bem na frente dela?
— Hmm. Realmente parece divertido.
Com a resposta sorridente de Kalman, Malian foi embora, deixando para trás a promessa de se encontrarem novamente dali a dois dias.
— Finalmente…
Kalman permaneceu sentado em seu trono, mais ganancioso do que qualquer outro, com um sorriso profundo nos lábios.
Cerca de dois dias depois, Alon, completamente recuperado após descansar na guilda, embarcou numa carruagem com Seolrang e partiu rumo às ruínas. Depois de algum tempo, já estavam quase chegando ao destino.
Olhando para Seolrang, que conversava despreocupadamente com um membro do povo-fera de juba dourada que escoltava a carruagem, Alon pensou:
'Ela não tem nada a ver com o que dizem por aí.'
Fazia apenas cerca de quatro dias desde que Alon chegara a Colônia, mas ele já havia entendido qual era a reputação de Seolrang por ali.
'Um Cão Louco…'
Alon fez uma expressão peculiar.
Os rumores costumavam retratar Seolrang como um Cão Louco e, naturalmente, isso despertara sua curiosidade. Afinal, desde o primeiro encontro, ela jamais demonstrara qualquer comportamento assim diante dele. Nos últimos três dias, tudo o que ele vira era Seolrang sorrindo alegremente e abanando a cauda.
— Mestre?
— Hmm?
Alon saiu de seus pensamentos e percebeu que Seolrang, que havia parado de conversar com o membro do povo-fera, agora o encarava.
— O senhor parecia muito pensativo, Mestre. Em que estava pensando?
— Em nada demais.
Seolrang inclinou a cabeça para o lado, quase a ponto de torcer o pescoço. Alon hesitou por um instante antes de responder:
— Só pensei que você cuida bem dos membros da guilda.
— Claro! Eles são todos minha família!
— Família?
— Sim! São todos do meu povo! Eu tenho que cuidar deles! Não ligo para mais ninguém.
— Entendo…
— Ah, mas o senhor é diferente, Mestre!
Seolrang disse isso e, de repente, ficou séria enquanto o encarava com intensidade.
Como se estivesse ponderando algo muito importante, franziu as sobrancelhas e murmurou:
— Mestre… hmm… família… depois da família?… Não, depois da Yutia…?
— É mesmo?
— Sim. Por mais importantes que o senhor e a Yutia sejam, vocês não são do meu sangue.
Como se tivesse tomado uma decisão difícil, Seolrang concluiu com uma expressão ligeiramente culpada.
Alon, porém, apenas deu de ombros e pensou:
'Uma posição mais alta do que eu esperava.'
Embora mantivesse o rosto inexpressivo, Alon ficou satisfeito. Considerando que mal havia conversado com Seolrang, muito menos trocado cartas com ela, ser tratado como a terceira pessoa mais importante de sua vida era algo bastante gratificante.
'Hmm… então, se alguma coisa perigosa acontecer mais para frente, provavelmente posso pedir a ajuda dela pelo menos uma vez, não?'
Assim que terminou esse pensamento, sentindo-se um pouco mais aliviado, o cocheiro gritou de repente:
— Chegamos!
A carruagem havia chegado a Kahara, a antiga Cidade dos Deuses.
À entrada daquele lugar, hoje conhecido simplesmente como as ruínas, Alon se lembrou de que a cidade fora chamada no passado de "Kahara, a Cidade dos Deuses Antigos", pelo menos de acordo com seu conhecimento como jogador.
Alon desceu da carruagem e começou a caminhar para dentro da caverna escura, organizando os pensamentos.
'Por onde devo começar a procurar?'
Em Psychedelia, Alon já visitara aquele lugar várias vezes. No entanto, suas visitas tinham sido apenas para missões secundárias em que precisava lidar com bandidos escondidos ali, não para descobrir algum segredo oculto.
'Eu me lembro de um lugar cheio de inscrições.'
Usando seu conhecimento do jogo, decidiu concentrar a busca em alguns pontos que se destacavam em sua memória depois de entrar em Kahara. Aos poucos, foi delimitando alguns lugares que valeria a pena investigar com mais cuidado.
Depois de caminharem por algum tempo, quando a expressão de Seolrang já começava a demonstrar tédio, Alon avistou um grupo muito mais à frente, seguindo pelo mesmo caminho.
Não demorou para reconhecer quem eram.
— Ah, conde Palatio?
— Liyan…?
A mulher que se aproximava pela escuridão, iluminando o caminho com magia de luz, era ninguém menos que Liyan Aguileras, filha do mestre da Torre Vermelha, acompanhada por um grupo de magos da Torre Vermelha que Alon encontrara durante sua recente passagem pela cidade desértica de Colônia.
Alon percebeu que as expressões confusas dos cerca de vinte magos haviam se transformado em leve surpresa e ficou um pouco desconcertado também.
— O senhor veio explorar as ruínas também, conde? — perguntou Liyan.
— Vim, sim — respondeu Alon com um aceno.
Naturalmente, ele passou a caminhar ao lado dos magos da Torre Vermelha enquanto todos continuavam explorando as ruínas.
Depois de caminharem mais um pouco, Alon ouviu Evan, que também começava a parecer entediado como Seolrang, dizer:
— Ali está a saída.
Alon seguiu o olhar de Evan até a saída e, quando finalmente atravessou para o outro lado, deparou-se com uma visão impressionante.
— Uau…
Os magos, os membros do povo-fera e até Seolrang não conseguiram conter a admiração. Diante deles, depois de saírem da passagem, erguia-se uma fortaleza colossal dentro de uma enorme caverna subterrânea.
Alon, porém, não ficou particularmente surpreso. Já havia visto aquela fortaleza gigantesca várias vezes antes.
Mesmo assim, seus olhos normalmente inexpressivos se arregalaram um pouco mais do que de costume.
Porque, junto ao ouvido, ele escutou algo que ninguém mais conseguia ouvir:
[Finalmente chegou, mago.]
Uma voz que somente ele podia ouvir.