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Warlock Apprentice – Capítulo 359

As fadas do sotão

Leonrick convidou Angor para se sentar.

“Você pode ajudar minha filha, Senhor Máscara?!” Cyndia falou imediatamente, temendo que Angor desaparecesse de repente.

Angor olhou para esta madame real que assumiu uma aparência completamente diferente depois de apenas cinco dias. Ela parecia cansada e suas bochechas, antes saudáveis, haviam encolhido. Sua pele ganhou um tom amarelo pálido em vez do branco habitual.

Uma mãe sempre sofre com o infortúnio do próprio filho.

Angor baixou o olhar e pensou em sua própria mãe, que dedicou seu amor a ele e a Leon até o último segundo de sua vida.

Enquanto Angor permanecia em silêncio, Cyndia soluçava baixinho em seu assento.

“Doutora Caroline, você pode levar Cyndia para o quarto dela?” Leonrick tentou permanecer forte. Como última linha de defesa da família, ele não podia se dar ao luxo de desmoronar agora.

Carolina assentiu. “Tudo bem. A senhora também precisa descansar.”

“Baal me disse que você encontrou alguma coisa?” Angor perguntou depois que Caroline e Cyndia foram embora.

Leonrick hesitou um pouco. “Eu… não tenho certeza. Vi uma lenda da cidade na biblioteca central…”

Leonrick falava cada vez mais rápido, até que finalmente perdeu a calma. “Não parece ter relação com a pequena sombra, mas…, mas não tenho mais nada! Margot está acordada, mas ela…”

“Vá direto ao ponto.”, interrompeu Angor. “Conte-me sobre esse boato.”

Leonrick achou que o que havia encontrado era completamente inútil, mas, como o Mago à sua frente parecia interessado, ele imediatamente explicou de maneira mais séria.

“Diziam que, mil anos atrás, em um lugar chamado Hippocratee, uma raça chamada ‘Krakok’ vivia junto com os humanos. Eles adoravam ficar nas casas das pessoas. Os habitantes de Hippocratee os chamavam de ‘pequenos habitantes do lar’ ou ‘Fadas do Sótão’.”

“Eles eram minúsculos, de natureza gentil, exímios dançarinos e adoravam música. Conseguiam criar belos amuletos e decorações para as casas. Quem tivesse Krakoks por perto via sua vida melhorar a cada dia. Por isso, as pessoas realmente adoravam a companhia deles. Frequentemente, ofereciam seus quartos de hóspedes às criaturas. No entanto, como os Krakoks não queriam causar transtornos, costumavam se instalar nos sótãos ou sob o assoalho — daí o nome.”

“No início, os Krakoks mantinham uma excelente convivência com a humanidade. O povo de Hippocratee acreditava que uma família com Krakoks desfrutaria de fortuna eterna. E, pela mesma razão, os Krakoks acabaram enfrentando um destino terrível.”

“Um dia, uma guerra caiu sobre Hippocratee, forçando todos a partir. A guerra durou dez anos. Quando o novo domínio foi estabelecido, a outrora animada e próspera cidade de Hippocratee havia se tornado ruínas esfarrapadas, que recebiam seus antigos moradores que ainda pensavam em voltar.

“O estranho era que as casas ocupadas pelos Krakoks estavam todas intactas. As pessoas encontraram os Krakoks que ainda viviam nos mesmos lugares, enquanto aguardavam o retorno de seus amigos humanos.”

Leonrick suspirou e continuou: “Os Krakoks eram criaturas inocentes. Eles acreditavam que o bom povo de outrora havia retornado para eles. No entanto… após passarem dez anos afastados pela guerra, as pessoas mudaram. Elas aprenderam muitas coisas e, ao mesmo tempo, perderam muitas outras.”

“Aprenderam sobre a ganância, a privação e o conflito. Perderam o caminho da bondade, da inocência e do bem-estar. Esse ‘novo povo’ de Hippocratee trouxe desastres devastadores para os Krakoks. Muitos Krakoks foram capturados, vendidos ou torturados; tudo apenas para satisfazer o egoísmo dos homens.”

“Por fim, os Krakoks desapareceram e não puderam mais ser encontrados no curso da história.”

Leonrick concluiu sua história com um comentário triste: “A guerra não destruiu seus lares, pois os Krakoks os haviam protegido enquanto aguardavam o retorno de seus mestres. Contudo…”

“… No final, os Krakoks acolheram apenas um bando de demônios.”, acrescentou Angor, completando o comentário.

Leonrick assentiu. “Os Krakoks tomaram tanto a decisão certa quanto a errada ao confiar plenamente na humanidade. Eles não faziam ideia de que o ser humano era a criatura mais… inconstante deste mundo.”

Angor refletiu sobre a história. Parecia algo para ensinar às crianças, para dizer a elas que as pessoas deveriam permanecer bondosas e rejeitar a guerra e o sofrimento.

Mas e se fosse real?

Mil anos atrás. Guerra. Hippocratee… Algo passou como um lampejo pela sua mente.

“Hippocratee é, na verdade, Água Grasse?” Angor ergueu o olhar.

“Sim… a cidade da história era a antiga Água Grasse.”

“Então, a guerra de mil anos atrás foi a que fundou o Domínio de Zeal?” Angor se lembrou dessa parte da história. De acordo com o que Baal lhe contara antes, o Domínio de Zeal existia há cerca de mil anos.

Leonrick assentiu. “Deve ser isso mesmo. O antigo Rei mudou o nome da nação para Água Grasse.”

Leonrick balançou a cabeça e continuou: “Quarenta anos atrás, quando eu tinha 16 anos, tornei-me o líder de Água Grasse. Naquela época, nosso povo era exatamente como o descrito na história. Terras áridas e um ambiente insalubre que davam origem a bandidos mal-intencionados. Passei metade da minha vida melhorando a cidade, construindo casas melhores e ensinando a virtude. E agora… quase conseguimos.”

“Agora, deveria ser a hora de eu colher os frutos, mas minha única filha, ela, ela…” Leonrick começou a chorar novamente. “Se foi um Krakok que roubou a sombra da minha filha, isso significa que finalmente chegou a hora de pagarmos pelos atos pecaminosos de nossos ancestrais?”

Angor esperou que Leonrick se acalmasse um pouco. “Não é isso.”

“Então… por que isso está acontecendo?”

“Isso não explica por que eles visam apenas cabelos loiros e olhos azuis.”, disse Angor, enquanto levava a mão aos próprios cabelos.

“Senhor, então é realmente um Krakok?”

“Ainda não sei.” Angor pensou em como o Mago havia mencionado o gosto especial de Sombra por aquele tipo específico de cabelo e cor de olhos.

“Mas tenho quase certeza de que é.”

“O que devemos fazer? Onde posso encontrar esse Krakok?”, perguntou Leonrick rapidamente ao ver uma possível solução.

Angor apenas se levantou e despediu-se do velho.

“Obrigado pelas informações. Vou indo por hoje.”

Leonrick só pôde observar, impotente, o jovem mago se afastar. Será que não havia esperança para sua filha?

Quando Angor desapareceu completamente de sua vista, Leonrick cobriu o rosto e soluçou baixinho.

Em seguida, ouviu de repente uma voz familiar falando com ele.

“Venha me encontrar, se estiver preparado para enfrentar um mago furioso, capaz de incendiar toda a Água Grasse.”

…

Em vez de ir embora de verdade, Angor estava escondido em algum lugar próximo sob o efeito de Reticência Infinita. Queria ver como sua primeira Transmissão de Voz funcionaria.

E a expressão de Leonrick sugeria que ele havia conseguido.

“Qual Mago? É o Mago, de quem Baal nos falou?” perguntou Leonrick em voz alta.

Depois de se certificar de que seu feitiço funcionara bem, Angor saiu lentamente da mansão do conde.

…

Uma cena estranha no pátio recebeu Angor quando ele retornou ao Distrito da Baía.

Baal e Dodoro estavam sentados juntos, enquanto Trusan estava sentada em frente a eles com uma expressão séria no rosto. Dodoro ainda parecia inocente e despreocupado, enquanto Baal estava de cabeça baixa em completo silêncio.

“Como assim? Você também quer estudar com o Dodoro, Baal?” perguntou Angor ao entrar no pátio.

Baal caminhou rapidamente até Angor, tropeçando e ajoelhou-se. “Por favor! Me tire daqui senhor! Eu não aguento mais!”

Com o nariz escorrendo, Baal explicou a experiência dolorosa que tivera naquela manhã.

Toda vez que tentava sair, as ilusões de suas vítimas voltavam para atormentá-lo. Ele era obrigado a entrar na mansão para escapar delas e só conseguia permanecer lá dentro enquanto esperava o retorno de Angor.

Trusan conseguiu ouvir seus devaneios aleatórios quando ele estava atormentado pelas ilusões, que falavam sobre como ele massacrou inúmeras pessoas em sua “carreira”. Quando Trusan veio repreendê-lo, Baal simplesmente tentou ameaçá-la para que desistisse com seus métodos violentos habituais. No entanto, a velha senhora não recuou nem um pouco. Em vez disso, Trusan começou a atacar Baal com palestras realmente severas.

E Baal não podia realmente fazer mal a Trusan, pois sabia que Angor havia contratado aquela mulher para estar ali. No fim das contas, a única opção de Baal era aceitar os sermões como um bom garoto.

Angor soltou uma risadinha. “Ora, vamos lá. A Vovó Trusan só queria que você mudasse de atitude.”

Mas eu não quero! Baal reclamou em sua mente.

“Heh, entendo. Baal, a partir de hoje, você ficará com a Trusan. Você deve garantir a segurança dela e do Dodoro. Ao mesmo tempo, talvez você também aprenda a agir como um homem de bem. Vou permitir que você entre e saia da casa livremente.”

Baal balançou a cabeça freneticamente. Ele não queria imaginar como seriam aqueles dias. No entanto, não ousou protestar de verdade ao ver o sorriso diabólico de Angor.

“Bem, já que Baal é seu guarda-costas agora, você pode retomar seu plano original, Vovó Trusan,” disse Angor.

Com isso resolvido, Angor pediu a Baal que entrasse na mansão com ele.

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