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Apocalypse Hunter – Capítulo 1

Prólogo + Um mundo de Tolos

— Caro caçador, alguém está vindo ao longe, da selva. Eu não tenho ideia se ele é um salteador, um andarilho, um caçador, um vagabundo ou um maligno. O que eu faço nessa situação?

O caçador responde:

— Atire primeiro. — Depois de uma breve pausa ele explica: — Ataque é a melhor defesa.



— Não posso dar procê.

— Eu sei que os tempos ficaram estranhos, mas você parece ter perdido seu intelecto. Nesse caso, a única razão que você não está me dando é porque você não quer. Não é porque você não pode.

— Eu tinha um monte de lascas quando fui até você com meu pedido, mas usei todas elas desde então. Nós não estaríamos nessa situação se você tivesse cumprido sua tarefa mais rápido.

A atitude do homem tinha mudado completamente desde a último encontro deles enquanto ele olhava indiferente para a pilha de orelhas de monstros que Zin trouxe. Nem mesmo quatro dias se passaram, ele implorou Zin ao ponto de lamber suas botas, depois que Zin tomou conta do grupo problemático de bestas. ele estava agindo como se nada tivesse acontecido, indisposto a pagar.

— Se eu me recordo, um pagamento baseado no tempo não fazia parte do acordo.

— Bem, isso depende. De qualquer jeito, eu não tenho mais lascas. Não posso te dar algo que não tenho.

— Hmm… essa pode ser uma área rural, em uma cidade em algum lugar no meio do nada, mas você não parece perceber que não pagar um caçador por seu trabalho não é exatamente a coisa mais esperta de se fazer.

O homem riu do seu aviso.

— Heh, você pode ser um caçador e não uma pessoa comum, mas eu não posso te dar o que não está mais aqui. E se você caçou as bestas, você provavelmente tem lascas o bastante como recompensa, então por que não deixar essa passar sem mais problemas?

De repente, o homem encarou Zin com um olhar diferente. Não era o rosto de alguém que não podia pagar por causa da falta de dinheiro.

— Isso é, se você quiser voltar seguro com as lascas que você tem.

— Eu acho que você não está entendendo a sua situação.

Zin nem se recuou com a ameaça do homem.

— A quantidade de lascas que você me deve não é o ponto. — Zin continuou a falar enquanto seu rosto se endureceu.  — É o fato que alguém não vai pagar um caçador o seu salário – esse é o ponto.

Alguém que não queria pagar. Alguém que precisava ser pago. Essa era a luta sem fim acontecendo desde o Apocalipse.

O líder da cidade, que tinha mais de vinte armas estava tentando evitar pagar Zin a todo custo. E, portanto, ele sacou sua última carta. Esticando a mão por baixo da mesa, ele lentamente puxou um objeto. Zin assistiu entretido.

Ele engatilhou a arma.

CLIQUE!

— Você sabe o que é isso?

— Uma “arma”.

O homem olhou vagaroso para Zin como se ele tivesse ganhado vantagem – Zin permaneceu quieto.

— Você vai embora, não vai…? Heh. — O homem sorriu antes de murmurar, “antes que eu atire em você”.

Mas Zin soltou um grande suspiro. não havia nenhuma necessidade dele prestar atenção na arma do homem.

— Idiota. — Zin fez careta. Ao invés de ficar bravo, ele parecia ainda mais aborrecido e estupefato.

— Você ao menos sabe o que é uma arma?

— Claro. Essa coisa pode tomar conta de qualquer um com um único tiro. Caçadores não são exceção.

— Olha… primeiro de tudo, você está segurando errado.

O homem estava segurando no ferrolho da arma ao invés do punho. Uma pessoa só bateria em alguém com o punho se eles segurassem dessa maneira.

— Além disso, sua arma chique nem tem um gatilho. — A arma só tinha um guarda-mato. O homem nem sabia como usar uma arma.  — E não há um carregador.

A semi-automática não tinha um carregador anexado. Zin se sentia aborrecido que ele tinha que explicar tudo isso, e o homem estava ameaçando ele. Entretanto, o homem ainda parecia confiante.

— Você se acha né, Sr. Caçador, mas você sabe quantas pessoas morreram por causa dessa arma?

Era como se o homem acreditasse que as coisas iriam ser do seu jeito por usar uma arma sem carregador. Ele provavelmente conseguiu a posição de líder com essa arma.

— Ei, armas precisam de carregadores para serem efetivas. Uma arma por si só é inútil.

O homem riu de novo.

— Nem mesmo uma vez eu ouvi falar de uma arma que precisava de carregador.

O homem não tinha ideia do que era um carregador e que a arma precisava de munição. Zin estava começando a ficar cansado dessa situação toda.

— Você acha que um caçador não tem ideia do que uma arma é?

O mundo se tornou um lugar estranho onde até tolos estavam tentando enganar um caçador. Soltando outro suspiro, Zin puxou seu revólver prateado. Não havia mais tempo para ser desperdiçado.

— Armas não são brinquedos.

— O… o que…

— Elas são para atirar.

-*ang!*

Um tiro saiu do cano.

— Arrrgh! — O homem gritou.

— … errei.

O homem sentiu a munição assobiar ao lado de sua orelha, e logo notou o que uma arma podia fazer.

— É a coisa de verdade!

Se a munição tivesse ido uma fração de centímetro em direção ao seu rosto, ele nem estaria aqui gritando para começo de conversa. Percebendo quem ele estava tentando enganar, o homem se ajoelhou.

— Ah meu… Sr. Caçador. Me desculpe…

— Chega. Me dê as lascas.

— É pra já!

— E me dê isso também.

— Si… sim!.

Zin desmontou a semi-automática e a jogou longe antes que outro tolo decidisse brincar com a arma. O homem correu para o armazém e trouxe de volta oitenta lascas como compensação. Depois de contar as lascas, Zin chamou-o.

— Si… sim, você precisa de algo?

— Isso se aplica a clientes patifes como você, então vamos revisar nosso acordo por mais compensação.

— O… o que?

— Eu estou te cobrando mais vinte lascas por estresse desnecessário.

— O que??

— Outras vinte por horas extras já que você não me contou a localização exata das bestas.

— Mas o que…?

— Outras quarenta já que tinha trinta por cento mais bestas do que você havia mencionado inicialmente.

— Não…

— Outras dez já que a chuva no caminho de volta realmente azedou meu humor.

— O que!

— Então, isso dá um adicional de noventa lascas. Mais quarenta lascas pela munição, então você me deve cento e trinta lascas em cima disso.

O pedido de Zin estava fora de cogitação. E o homem começou a reclamar.

*CLIQUE!*

Zin mirou no homem e sussurrou para ele.

— A munição ou sua cabeça. Você quer descobrir qual é mais dura?

— Ha…haha…

Depois de coletar suas lascas adicionais em cima das oitenta lascas, Zin conversou calmamente com o homem que não tinha mais lascas.

— Não tente dar calote em um caçador, a menos que você queria ter negociações adicionais.

A negociação de um caçador não era uma negociação. Se o homem tivesse dado as oitenta lascas prometidas, as coisas não teriam acabado assim, mas não havia utilidade em se arrepender agora.

Da perspectiva do homem, ele era sortudo por ainda estar vivo, mesmo depois de ameaçar o caçador.

Se sentindo desnorteado, o homem assistiu Zin ir embora. Ele então olhou para a semi-automática desmontada.

— Então, nós precisamos de carregadores de papel para usar armas.

Parecia que o tolo tinha um longo caminho pela frente.

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