Apocalypse Hunter – Capítulo 16

Esquecer de Viver (1)

Claro, todos os tesouros roubados de Ponto Ardente foram destruídos com a explosão. Mas isso não significava que não havia mais nada sobrando. Ainda havia o os suprimentos dos salteadores.

— Esses caras invadiram uma Fortaleza dos Militares? Como eles conseguiram essas armas…

Zin correu até o Ponto Ardente, ele não teve tempo de observar as armas de perto. Mas ficou atônito enquanto olhava para os tranqueirões cheios de armas na área de estacionamento.

Os porta-malas estavam cheios de armamento pesado incluindo RPGs, bazucas, Panzerfausts[1], e ogivas.

— O que é tudo isso?

Similar aos outros moradores da Coreia-Antiga, Leona não tinha ideia do que eram essas armas.

Entretanto, ao julgar pela aparência perigosa dos objetos, Leona foi capaz de deduzir que não era qualquer coisa. Na verdade, Ela lembrou do ataque de ontem a noite e se sentiu horrorizada.

— Um dos malditos estava atirando algo, e os prédios estavam sendo destruídos como castelos de areia. É isso que ele usou?

— Ah, então seria essa arma aqui. — Zin pegou um lança-foguete.

— É chamado RPG. Esse é um tipo 7.

— É uma arma antiga?

— Bom… você pode dizer que sim.

Era uma arma antiga. Uma arma usada amplamente a 200 anos atrás. Mas Zin achou engraçado ela ser chamada de antiga. Tecnicamente, todo os fuzis de Zin eram armas antigas também. A série RPG em suas mãos foi desenvolvida depois do apocalipse.

— Eu posso atirar com ela? Como você usa?

— Eu preferia me livrar de todas essas armas do que você atirando com essa belezinha. — Zin balançou sua cabeça enquanto imaginava Leona atirando com o lança-foguete. Leona continuava fazendo perguntas, mas ele a ignorou e vasculhou os tranqueirões.

Não vejo fuzis, só armas de artilharia pesada… Que tipo de composição de armas é essa?

Ogivas para lança-foguetes e RPG-7 estavam empilhados separadamente, e havia granadas chamada granada de lascatambém.

— Hmmm.

Zin se sentiu mais perplexo ao ver as munições explosivas que eram usadas para artilharia anti-aeronave.

Eles devem ter invadido algum lugar. Não fazia sentido para os salteadores não possuírem uma única pistola ou fuzil. Que pena que não há munição.

Zin foi incapaz de encontrar uma única peça de munição 5.56mm ou 7.62mm. Eles provavelmente invadiram uma arsenal de artilharia pesada e fugiram o mais rápido que conseguiram.

— De qualquer jeito, isso é muito bom… Certo.

Zin pegou um lança-foguete. Leona ficou olhando enquanto ele colocava as ogivas dentro de sua bolsa.

— São caras?

— Bom… não é que não são caras. — Zin ponderou por um tempo e respondeu. — Você não consegue esse tipo de coisa nem com lascas.

Isso significava que essas armas eram incrivelmente valiosas. Assim que Leona ouviu isso, ela ficou feliz.

— Isso significa que elas são muito caras! Deixa-me ficar com algumas.

Havia um monte de artilharia pesada, então não era possível carregar todas elas.

— Eu acho que você não me entendeu. — Zin pegou Leona pelo ombro e disse: — Você não consegue elas facilmente, e você não consegue vender elas também.

— Por que?

— Você pode vender esses tipos de armas para aqueles que não sabem como usá-las, certo? Porém, se você vender elas para quem sabe sobre elas, você vai se tornar um alvo. Você quer morrer assim que chegar em uma vila? E onde você pretende armazenar elas?

Leona nem conseguia colocar uma única ogiva na bolsa de couro dela.

— E se eu não estou enganado, essas são daqueles caras, os Militares.

— Militares? Quer dizer os caras do exército?

— Sim… Militares é o único grupo que pode carregar esse tipo de artilharia pesada.

Não era possível para outros grupos além dos militares carregar essas armas em massa. Zin estava bem certo disso.

— Eu não sei dos detalhes, mas esses salteadores provavelmente roubaram os Militares. Carregar abertamente armas deles é basicamente pedir para ser morto.

— Certo… — Leona encarou Zin. — E você ainda vai pegar algumas?

— Eu estou carregando elas escondidas. É diferente.

Zin apontou para seu armazém do vazio, e Leona suspirou com sua cabeça abaixada.

— Isso não é justo…

O espaço no armazém do vazio era limitado, e Zin só podia pegar uma quantidade limitada com ele.

Eu tenho um lança-foguete, então consigo provavelmente pegar dez ogivas se eu as empacotar com firmeza.

Zin tinha que deixar algum espaço extra no armazém do vazio em caso dele ter que carregar evidências de uma caçada com ele. Finalmente, Zin pegou as coisas que iria carregar.

Zin pegou um tipo avançado de ogivas de pressão de calor.

— Por que esses são diferentes? — Curiosa, Leona perguntou para Zin que estava cuidadosamente inspecionando a arma.

— Hmm… — Colocando o ogiva em seu armazém do vazio, Zin se perguntou como responder ela. — Se o salteador tivesse atirado essa coisa em você ontem, você estaria morta. Ele também adicionou: — E aquele prédio teria caído também.

Como Zin explicou, as ogivas de pressão-térmica tinham um poder monstruoso. E elas foram desenvolvidas como um tipo avançado de explosivo depois do apocalipse. Era poderosa o bastante para derrubar um monstro de tamanho médio ou tamanho grande. Enquanto ele explicava, Leona não conseguia imaginar o quão poderosa isso seria.

Zin conseguiu as lascas de suas recompensa assim como ogivas poderosas. Elas eram poderosas e estavam em ótimas condições. Facilmente valeriam três ou quatro mil lascas. Leona sabia que as armas eram perigosas e valiosas ao mesmo tempo.

— O que  vamos fazer com as sobras?

Eles não podiam carregar mais nada, e era assustador pensar em deixar elas no campo aberto para outros pegarem.

— Nós precisamos enterrá-las.

Zin pegou uma pá e começou a cavar. Ele era tão forte que escavava a terra como se fosse gelatina. Ele cavou um túnel rapidamente.

Como alguém lembraria onde eles enterraram armas neste vasto mundo? Leona não sabia se era possível, mas continuou assistindo Zin, que nem pediu ajuda. No passado, Zin enterrou qualquer munição ou armas que fosse incapaz de carregar por todo o mundo. Ele era capaz de lembrar a localização contanto que colocasse as coordenadas no sistema obscuro. Ele preferia lembrar a localização do que destruir as armas ou permitir que outros tomassem posse delas.

Zin cavou um buraco que era grande o bastante para caber três tranqueirões. Foi mais surpreendente depois. Era óbvio que enterrar os lança-foguetes e ogivas iria torná-los enferrujados e inutilizados.

Zin pegou placas de aço dos tranqueirões, soldou elas em uma caixa de aço, jogou todas as ogivas na caixa, e então selou a caixa para que a água não pudesse entrar. Leona nunca viu uma máquina de solda antes, e ela balançou a cabeça com o trabalho de Zin.

Usando a pá, Zin enterrou as caixas de aço, achatou o chão, e, finalmente, espreguiçou suas costas. Leona assistiu o trabalho de Zin e disse:

— Você parece um cachorro enterrando seu osso.

— … Bom, você está certa, e está me deixando irritado.

Zin era igual a um cachorro pelo fato de que ele enterrava seus ossos por todo o mundo.

— Acabou agora?

Leona continuou bocejando enquanto esperava Zin terminar, mas ele abriu os reatores dos tranqueirões.

— Agora o que?

— Eu vou tomar o que estiver disponível.

Tranqueirões usavam lascas como fonte de energia. E Zin planejava tomar todo o combustível deles. Todos os tranqueirões pareciam diferentes, mas eles tinham o mesmo tipo de motor de reator. Zin tirou cada lasca dos reatores.

Ele conseguiu 280 lascas no total e adicionando as ogivas e lascas, Zin lucrou mesmo que não tenha recebido uma missão de erradicar os salteadores.

— Você sabe, achei que eu era bem fodona. — Leona estava olhando para Zin espantada.

— E daí?

— Mas não… você, moço, é o melhor.  — Leona deu dois joinhas. — De todas as pessoas que eu já conheci, você é o pior.

— Isso é um elogio?

— Claro que sim.

Zin vasculhou todos os bens, consumiu todo o combustível dos tranqueirões e ainda por cima, enterrou todas as armas que não conseguia carregar. Zin, que trabalhava sem ficar entediado ou cansado, parecia um louco para Leona.

E agora, depois de terminar todo o trabalho, estava na hora deles partirem para a estrada.

— Não vamos entrar nessas coisa? — Leona perguntou para Zin. Ela nunca viu um tranqueirão operando, mas ela era capaz de deduzir que era algum tipo de veículo.

— Eu não tenho vontade de dirigir uma bomba.

— Por que? Não é melhor que andar? Nós não vamos ficar cansados. E aqueles malditos pilotavam elas muito bem, não?

— Há uma coisa que você precisa estar ciente. — Zin parou de andar e olhou para Leona. — Há algumas coisas que eu odeio. Uma delas é me arriscar. A próxima é ser barulhento e animado.

— …

— E aquele tranqueirão possui esses dois traços. Eu preferiria montar nas costas de um monstro do que entrar naquilo.

Zin prometeu a si mesmo que nunca pilotaria um tranqueirão. Era sua crença e ele odiava tranqueirões. O barulho alto do motor assustava os monstros ou os atraía. Se mover com isso iria expô-lo ao perigo, e Zin se recusava a se submeter a isso.

— É tão perigoso?

— Eu vou te mostrar.

Uma foto eram melhor do que mil palavras.

*Boom!*

— Ahhh!

Zin se aproximou do tranqueirão e o chutou. Com um barulho alto, o lado do tranqueirão se esmigalhou, e quebrou em pedaços. A boca de Leona caiu em espanto quando ela viu o tranqueirão se tornar um monte de lixo em um instante.

— O que foi isso…?

— O motivo dos salteadores serem chamados de malucos é porque eles andam nessas pilhas de lixo.

Leona não queria pilotar um veículo que se desintegrava com um chute. Zin foi embora e Leona o seguiu com calafrios.

— Você sabe, eu entendo que é um veículo perigoso, mas você não chutou aquela coisa forte demais, moço?

— Foi um chute gentil.

— Gentil? Eu vi a marca do seu pé na placa de aço.

— Eu acho que você está vendo coisas.

Havia uma marca de um pé na placa de aço do tranqueirão. Leona não estava certa se um tranqueirão que podia ser destruído com um único chute era problemático, ou se Zin, que destruiu o veículo com um único chute era problemático. De qualquer jeito, Zin estava andando rápido e se afastando de Leona.

— Ah… cara. Pode ir mais devagar?!

— Rápido. Siga-me.

Leona começou a correr para alcançar Zin.

Mesmo agora, Zin ou Leona não disseram nada sobre as mortes que aconteceram no Ponto Ardente. Eles sabiam que não havia razão em falar sobre isso já que ninguém voltaria a vida.

Em um sentido, eles eram parecidos, e ambos perceberam que  tinham algo em comum.

Como se eles nunca mais fossem voltar no Ponto Ardente, os dois foram embora sem olhar para trás.


[1] Panzerfausts: arma alemã utilizada durante a Segunda Guerra Mundial. Tinha o objetivo de servir como um destruidor de carros de combate.

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