Apocalypse Hunter – Capítulo 17

Esquecer de Viver (2)

Leona era curiosa sobre muitas coisas, e, apesar de Zin não ser gentil, ele respondeu a maioria das perguntas dela. E depois de quatro dias de viagem em direção ao norte, Leona se tornou bem informada sobre armas.

Por exemplo, ela aprendeu sobre arcos, pistolas, e lança-foguetes. Ela não sabia sobre como pólvora era baseada no diâmetro do cartucho, mas aprendeu sobre armas no geral. Ela só não entendia os detalhes.

Quando você puxa o gatilho, ela dispara um projétil, e pessoas morrem quando ela acerta.

Ela foi capaz de entender como uma arma, um um cartucho e um gatilho funcionavam. Era provavelmente mais do que o bastante para ela. Uma arma era uma máquina, e entender como usá-la era mais valioso do que entender os detalhes.

— Pessoas vão morrer se eu atirar com uma arma de fogo? Mesmo se eu for uma criança?

— Pessoas não são cortadas por uma faca independentemente se ela for usada por um adulto ou uma criança?

— Sim, mas eu sou fraca.

— Um projétil não viaja mais rápido se você for mais forte.

— Um projétil não viajaria mais rápido se você puxar o gatilho mais rápido?

— Que perspectiva inimaginável e interessante. Interessante de fato.

Zin se sentiu animado depois de ouvir as palavras ingênuas de Leona. Uma arma de fogo se tornou rara, e, apesar disso variar de região para região, pessoas na Coreia-Antiga se tornaram ignorantes quando se tratava de armas. E apesar de armas se tornarem incomuns na Ásia Central e Europa, as pessoas sabiam sobre elas. Se tornar ignorante sobre armas significava que pessoas não precisavam delas. E a falta de conhecimento significava que pessoas queriam viver em paz.

— Eu quero uma arma de fogo também.

Era natural para Leona pedir por uma arma de fogo se fosse uma arma que precisasse de uma única munição para matar uma pessoa. E uma criança fraca que não podia sobrepujar ninguém por força iria querer uma arma ainda mais. Leona ponderou um pouco e perguntou:

— Posso comprar uma com lascas?

— Você pode conseguir uma na Ásia Central ou Norte.

— Onde é isso?

— É um lugar onde você não sobreviveria um único dia.

— … Moço. Você sabe? Você parece educado, mas você é só um punk. Só diga “nem sonhe sobre conseguir uma”.

— Nem sonhe sobre isso.

— … Cuzão. — Leona queria xingar Zin, mas ele nem se incomodou em ouvir.

— Bom. Eu nem consigo usar uma de qualquer jeito porque parece pesada, e eu não vou ser capaz de levantá-la.

Era provavelmente impossível para Leona carregar como fuzis de assalto, fuzis de precisão e espingardas.

Zin olhou para Leona e pegou um revólver de seu bolso.

— Há muitos tipos de armas de fogo. Mas, eu não uso muito essa.

Zin puxou um revólver prateado estilo S&W-style. Um revólver de 6 cilindros que usava munição de calibre pequeno e tinha um alcance curto. Pessoas usavam ela em maioria para auto-defesa, não para propósitos de caça.

— Oh… essa parece bonita…

Leona estava encantada pelo revólver enquanto ela olhava para a mesma. Zin ficou alarmado por Leona que ficou hipnotizada pelo revólver, mas também percebeu que ele estava dando a ela falsas esperanças.

— Nem ferrando. Eu só te deixei saber.

— Psssh… sabia.

Zin calmamente guardou o revólver. Ele só queria mostrar e explicar para Leona que ele usava armas de fogo como pistolas e revólveres. Leona estava irritada porque pensou que Zin deixaria ela atirar com o revólver. Curiosa, ela ainda perguntou muitas coisas, e ele as respondeu pacientemente.

Zin escolheu evitar a maioria das bestas pequenas enquanto viajavam. Leona perguntou o motivo disso.

— Usar munições é a opção mais fácil, mas é melhor evitá-las já que não vou ganhar lascas o bastante com elas.

— Você não está com medo delas, não é?

— Eu não arrisco tudo quando eu caço.

Zin era uma pessoa extremamente prática, e ele não queria lutar em qualquer batalha que não fosse lucrativa. Mas, Zin usou uma luva laminada e uma lâmina de arame a fim de tomar conta de alguns cães venenosos para conseguir comida.

— O que é isso?

Leona ficou mais maravilhada com a lâmina de arame do que com uma arma de fogo. Zin cortou a carne e a preparou para cozinhar.

— Não é uma arma de fogo.

— Eu notei.

— Você não vai entender mesmo se eu te disser.

— Eu realmente quero chutar sua bunda…

Zin explicou como usar a lâmina e que precisava de mais habilidade do que para usar uma arma de fogo.

Depois de uma semana viajando para o norte, Leona se tornou uma autoproclamada expert em armas de fogo.

Leona suspirou de alívio quando ela viu a muralha de lixo ao longe. Eles estavam perto da cidade de Shera, e ela era muito maior do que a cidade de Zado.

— Finalmente… isso significa que eu não tenho que comer mais carne de cão venenoso?

— Eu estou certo que era mais saborosa que carne de morto-vivo.

— Saborosa? Eu nunca provei nada tão nojento! Tinha um gosto nojento como merda! Ah… merda… merda… O que era aquele gosto amargo e azedo?

Lembrando do gosto amargo e azedo da carne de cão, Leona se sentiu enjoada e cobriu sua boca.

— Carne de cão… isso não é algo comido apenas por pessoas com desejo de morrer? Eu fiquei com calafrios quando você me disse para comer aquilo.

— É seguro comer carne de cão venenoso contanto que você remova as glândulas. E olhe, nós estamos bem.

Zin conhecia a anatomia da besta e sabia quais partes eram seguras para comer. Leona estava assustada porque ela não sabia nada sobre cortar carne. E ela não tinha escolha além de comer.

Pode ser seguro comer, mas para Leona, tinha um gosto que não era nem um pouco seguro.

— No Sul da Ásia, pessoas separam as glândulas e as usam como condimentos. Entretanto, tem um efeito colateral que causa anestesia e alucinações.

— Esse mundo é cheio de pessoas loucas… — Leona balançou sua cabeça. Ela não ligava muito sobre como as pessoas do Sul da Ásia comiam carne de cães venenosos.

A cidade que eles chegaram tinha uma muralha de lixo, mas ao contrário de outras cidades, não havia nenhum guarda.

— Eu não ligo de ser uma cidade, mas… esse é um lugar seguro para se estabelecer?

— Não.

Zin prometeu levar Leona para um lugar seguro, mas a cidade sem guardas não parecia tão segura.

— Mas se você gostar, você pode se estabelecer em qualquer lugar.

Para Leona e Zin, era importante descansar em Shera depois da viagem cansativa. Pessoas não eram confiáveis, mas ficar em um lugar com tantas pessoas era relativamente seguro. Leona estava maravilhada ao olhar para as pessoas passando.

— São muitas pessoas.

— Há várias cidades de tamanho médio por aqui. Shera meio que serve como um ponto focal.

— Ponto focal?

— Pessoas de cidades vizinhas visitam Shera frequentemente para comprar e vender bens.

Os vários prédios e ruínas serviam como a grande muralha de lixo ao redor de Shera. Os prédios caídos serviam como a muralha e o lixo que preenchia entre as paredes permitia um bom ambiente para montar uma cidade.

E de fato, os arredores eram mais como ruínas do que selva. Apesar da grama crescer aqui e lá, havia prédios caídos e vislumbres de civilização. Prédios ilesos e de piso único se tornaram os abrigos para os cidadãos residentes e muitas pessoas estavam trocando bens.

Leona estava olhando ao redor da cidade, tudo parecia incrível.

— Esse deve ter sido um grande lugar. Há tantos prédios por aqui.

— Antes do mundo acabar, este lugar era chamado de “Seoul”.

— Seoul?

— Sim.

Zin falou sobre uma cidade esquecida, e Leona não percebeu o que isso significava. O norte de Seoul era um buraco negro chamado PCMS (Ponto de Confusão em Massa de Seoul). Era um lugar que era inacessível, e não havia razão alguma para qualquer um entrar lá.

— Caçadores sabem tantas coisas aleatórias.

— Claro. Nós viajamos muito.

Apesar dessa não ser a única razão, Zin não falou mais nada. Cada loja tinha seus banners com palavras trêmulas escritas neles,  “Armas”, “Restaurante”, “Hospedagem.” A maioria das pessoas não sabia ler, então a maioria dos banners tinham pequenos ícones perto das palavras.

Zin parou em um hotel. Assim que o dono viu Zin, ele levantou dois dedos.

— Costumava ser uma lasca antes. Agora isso que eu chamo de facada.

— Da última vez, você não trouxe uma criança. Chequem os quartos #2 e #3 no terceiro andar. — O dono falou enquanto apontava para Leona. Zin perguntou de volta:

— Que tal ficarmos em um único quarto por uma lasca?

— Nosso hotel tem uma política de um quarto por pessoa. Não tem problema dividir um quarto, mas vai ter que reservar dois quartos.

— Você é um belo de um desgraçado, senhor Dono.

— Um desgraçado com muitas lascas.

— Haha… você.

Zin pagou as duas lascas sem reclamar mais. Ele escolheu o mesmo hotel que ficou da última vez que viajou para o sul, e assim como Zin lembrava do dono, o dono lembrava de Zin ficar no hotel.

— Bom, bela memória você tem para um desgraçado.

O dono pegou as duas lascas e sorriu.

— Lembro dos rostos de todos os meus convidados. É assim que eu consigo descrever eles sempre que caçadores de recompensa perguntarem sobre a localização de uma pessoa.

— Você não está vendendo a privacidade dos seus convidados?

— Então o convidado deveria viver uma vida limpa para evitar ser perseguido por caçadores.

Zin riu do dono do hotel que parecia ter um senso horrível de hospitalidade. Ele era bem assustador, mas ainda engraçado.

— A última vez lembrei de você como um caçador suspeito, mas habilidoso. Mas agora vou lembrar de você como um caçador com uma criancinha. — O dono gritou para Zin que começou a subir as escadas.

— Como quiser.

— Eu te disse antes, mas refeições são extra. E sem reclamações.

— Você não tem que se preocupar porque esse lugar é imundo, e eu não tenho intenções de comer aqui.

— Ah… que pena.

O dono riu alto, e Zin sorriu. Ele não tinha más intenções. Zin voltou para esse hotel porque ele gostava do dono que parecia ser honesto.

Era óbvio que o dono revelaria a localização dele na hora para qualquer caçador de recompensa que pagasse ele.

Assim que Zin entrou no quarto, ele se sentou na cama velha e barulhenta. Era um quarto apertado sem janelas, que sugeria que podia ter sido um karaokê. A única saída era pela porta, e era um ótimo quarto para ficar por uma noite.

Leona pôs sua bolsa no chão e levemente se espreguiçou no quarto escuro.

— Aquele dono não é irritante? Mas você não parecia ligar. Por que você pagou a mais? Há vários hotéis por aqui.

— Eu prefiro lidar com uma pessoa rude e honesta do que uma pessoa educada e sorrateira.

— Então você prefere desgraçados honestos do que os sorrateiros, certo?

— Você está começando a entender. Educados, mas sorrateiros são mais perigosos. Eu gosto deste dono que é alguém direto.

Zin riu, e Leona sorriu também. Zin tinha suas razões para deixar outros se aproveitarem dele.

— Vamos descansar por um dia e ir embora logo depois?

— Vai depender se eu receber algum pedido dos aldeões.

Era importante ganhar algumas lascas se houvesse pedidos disponíveis. Levar Leona para a próxima localização era secundário para Zin, e ele planejava completar alguns pedidos para ganhar algumas lascas ao longo do caminho. Ele não tinha razão para desistir de qualquer oportunidade de ganhar lascas extras.

Leona olhou infeliz para Zin.

— Moço, acho que você não está focado no meu pedido.

— Profissionais não dão seu melhor quando fazem favores.

— Hah…

— Eu vou descansar. — Zin se deitou na cama.

— E quanto a mim?

— O quarto ao lado é seu. Você pode descansar nele.

— As portas têm fechaduras?

Assentindo sua cabeça, Leona bateu e examinou as portas.

— Você tem que pagar quatro lascas a noite por esse tipo de hotel.

Esses tipos de hotéis eram quatro vezes mais caros. Mesmo os hotéis que não tinham nenhum tipo de porta cobravam uma lasca pela noite. A taxa noturna atual do hotel não era ruim, considerando que os quartos tinham portas.

Leona considerou dormir em uma cama sozinha, ou dormir no chão no mesmo quarto que Zin, uma arma humana. Para ela, a decisão não era difícil de fazer.

— Eu vou ficar nesse quarto.

Leona usou sua bolsa de couro como um travesseiro, e se deitou no chão do quarto. Apesar de o chão estar frio, ela se sentia mais segura deitada nele.

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