Switch Mode

Book of the Dead – Volume 2 – Capítulo 26

Massacre

Não havia necessidade de jogar limpo, não contra oponentes assim. Tyron avançou com cautela pela escuridão, comandando seus lacaios a avançarem e cercarem as presas.

Era quase injusto. Em seus olhos, os bandidos eram como tochas no escuro, ele sabia onde cada um deles estava. De tão perto, conseguia sentir quando se espreguiçavam ou levavam a mão para coçar o traseiro.

O primeiro caiu rápida e silenciosamente. Cansado e com sono, uma figura saiu de uma das casas para mijar atrás de uma árvore. Silenciosos como a morte, três esqueletos o perseguiram, aproximando-se e cravando suas lâminas em suas costas.

Ele não teve a chance de gritar.

‘Um a menos.’

Seria ótimo se todos fossem até ele dessa maneira, mas não havia a menor chance de isso acontecer. Dentro das casas, eles estavam sentados ou deitados, alheios a tudo, e ele teria que entrar para eliminá-los.

Os fantasmas flutuavam pela vila enquanto Tyron os reunia ao seu redor, o que fez com que o ar ficasse perceptivelmente mais frio à medida que eles se aproximavam. Ainda havia alguns alvos fáceis que ele poderia eliminar antes que os aldeões percebessem sua presença e era melhor facilitar sua vida ao máximo.

Os esqueletos se moviam pela vila em grupo de cinco ou seis, com as lâminas envoltas em Magika de Morte. Ele os fez cercar vários edifícios, mas levou mais um grupo com ele para trás da pequena taverna da vila.

Havia um pequeno estábulo ali, e nas baias, mais dois bandidos estavam deitados no feno. Após um momento de hesitação, Tyron inclinou a cabeça para o lado e enviou seus seis fantasmas para frente.

Pelo que sabia, eles eram inúteis em batalha, pois eram incapazes de tocar ou agarrar qualquer coisa mundana, mas um pensamento surgiu em sua mente. Sempre que os tocava, eles provocavam um frio doloroso.

O que aconteceria se eles deslizassem para dentro de uma pessoa?

Com os olhos nas duas baias, ele ordenou que seus lacaios avançassem. Os espíritos flutuaram, com malevolência emanando deles em ondas conforme se aproximavam dos portões de madeira fechados e passavam diretamente por eles. As figuras se agitaram ao sentir um frio sobrenatural, mas ele não deu tempo para eles reagirem, ordenando os espíritos a se moverem para dentro dos homens, com três fantasmas em cada.

Assim que os bandidos sentiram o gelo congelar seu sangue, eles se sentaram com exclamações assustadas que morreram em suas gargantas. Como abutres, os mortos-vivos desceram sobre eles, pressionando-se contra a carne dos bandidos e uns contra os outros.

Tyron sentiu suas reservas de magika diminuírem de forma drástica. Aparentemente, não era tão fácil para os espíritos se moverem dentro de uma criatura viva quanto atravessar uma parede de madeira. No fim, os resultados valeram o gasto.

Um leve gorgolejo e arranhões podiam ser ouvido de onde ele estava enquanto os dois homens se debatiam e tentavam gritar, mas eram incapazes de emitir qualquer som. Os fantasmas sentiam um prazer cruel em infligir sofrimento aos vivos. Ele conseguia sentir isso através da conexão, a satisfação que eles sentiam, em congelar esses homens até a morte.

Demorou vários minutos para eles finalmente falecerem. Ele suspeitava, mas não podia ter certeza, de que isso poderia ter terminado muito mais rápido, mas os espíritos haviam decidido prolongar o sofrimento de suas vítimas.

‘Bastardos doentios.’

Ele se questionou se todos os espíritos seriam tão distorcidos, ou se os bandidos que havia matado e “recrutado” eram particularmente vingativos contra seus camaradas ainda vivos.

‘Mais dois já foram.’

Era bom saber que seus novos lacaios não eram completamente inúteis em luta, mesmo que o custo fosse um pouco alto demais. Embora ele não desejasse tal morte para ninguém, ele preferia eliminar o máximo de alvos possível em silêncio, apesar de não ser econômico. Isso inevitavelmente levaria a uma luta, e ele precisaria de magika para apoiar suas tropas.

Ainda assim, ele manteve os espíritos por perto. Afinal, poderia usá-los em caso de necessidade.

Ao sentir que não havia mais presas fáceis, havia pouco o que Tyron podia fazer além de se aproximar de uma das casas e bater na porta.

— Quem caralhos é? — gritou uma voz jovial de dentro.

‘Provavelmente pensa que sou um vizinho.’

— Só vim dar um oi — disse Tyron.

A porta foi aberta, revelando um fazendeiro de olhos sonolentos. A luz fraca da fogueira entrava pela porta, mas Tyron não precisava dela para encontrar o que buscava. Havia três deles aqui dentro.

Antes que o aldeão pudesse reagir, Tyron avançou, empurrando a porta com o ombro e empurrando o homem para trás. Com um rápido comando mental, os seis esqueletos invadiram a pequena casa, com os olhos brilhando.

Assim que viu os mortos-vivos invadindo sua casa, o fazendeiro cambaleou para trás até que seus ombros bateram na parede, com o rosto pálido de medo.

— Não estou aqui por você — disse Tyron, mas ele não tinha certeza se foi ouvido.

Os bandidos mal tinham saído de seus cobertores quando os esqueletos já estavam sobre eles, perfurando-os violentamente. Os homens gritaram, um deles berrando “você!” ao ver Tyron.

Mas não havia escapatória para eles. Pegos de surpresa e desarmados, eles caíram rapidamente.

Assim que seus alvos morreram, ele ordenou que seus lacaios saíssem, segurando a porta aberta enquanto eles passavam, atraindo o olhar aterrorizado do fazendeiro durante todo o processo.

— Só estou aqui por eles — disse ele —, não fique no meu caminho.

Com isso, ele fechou a porta e seguiu para a próxima casa.

Ele passou por mais duas casas e matou mais cinco bandidos, antes que alguém se incomodasse em soar o alarme, o que fez com que as pessoas saíssem das casas. Seminus e empunhando ferramentas agrícolas ou armas rudimentares, os aldeões cambaleavam pela escuridão junto com os bandidos.

Gritando e praguejando, eles tentavam compreender a situação, mas foram os “convidados” entre os primeiros a compreender o que estava acontecendo.

— É ele.

— Matem aquele fodido!

— Encontrem o filho da puta!

O caos irrompeu entre as casas à medida que os aldeões gritavam em terror com a visão dos mortos caminhando entre eles, enquanto os bandidos tentavam se agrupar para lutar contra eles. Em meio a tudo isso, Tyron os caçou, coordenando seus lacaios para atacar em grupo todos os alvos que conseguissem alcançar ao saírem das casas.

Várias figuras se dispersaram e correram pela escuridão, desesperadas para fugir do perigo. A cabeça de Tyron rapidamente girou pela escuridão enquanto tentava rastrear os bandidos no escuro, e com as mãos levantadas, conjurou Armadura de Ossos ao redor dos seus antebraços. Antes que a situação se desenvolvesse ainda mais, alguém se apresentou para controlar a situação antes que Tyron matasse muitos.

— Necromante! — rugiu Monty. — Magika maligna! Ele matará todos nós! Às armas! Às armas!

Apesar de prever que isso aconteceria, Tyron ainda achava difícil compreender a audácia do homem. Ele não tinha habilidade suficiente com as palavras para sequer tentar acalmar a multidão, motivo pelo qual ele nunca tentou isso. Tudo o que ele precisava fazer era manter os aldeões o mais longe possível do seu caminho.

Mais um bandido caiu, com várias lâminas cravadas em suas costas, enquanto as pessoas gritavam de medo.

— Monty, seu pedaço de merda! — gritou Tyron. — Você realmente achou que poderia se esconder onde eu não o encontraria? Seus ossos pertencem a mim, os seus e os de todos os idiotas que você arrastou com você!

— Às armas! — berrou Monty. — Lutem por sua vida!

Pequenos confrontos irromperam enquanto os bandidos começavam a se organizar, revidando contra os mortos-vivos. Alguns tentaram encontrar tochas para iluminar, mas isso levava tempo, tempo no qual os esqueletos tinham uma vantagem poderosa. Os olhos dos mortos não se importavam com luz ou escuro, eles enxergavam tão bem na noite quanto no dia.

Era uma situação caótica, para a qual ele havia se preparado, mas que, ainda assim, era avassaladora. Em sua mente, ele comandou seus lacaios o melhor possível, agrupando-os contra seus inimigos para que sempre tivessem a vantagem em número. Vários aldeões responderam ao chamado de Monty, correndo para lutar contra o Necromante com o que quer que tivessem em mãos. Era uma bravura imprudente que complicou muito a batalha, já que ele tinha que tomar cuidado para não os machucar.

— Qual foi, Monty! — gritou Tyron, zombando. — Eu posso te ver se escondendo aí atrás. Por que você não dá um passo à frente pela primeira vez?

Tenho certeza de que seus homens já estão cansados de morrer por você!

O líder rechonchudo dos bandidos continuou a correr de um lado para o outro na retaguarda, incitando os outros a se colocarem em perigo em vez de avançar ele mesmo. Uma demonstração esperada de covardia, uma demonstração frustrante. Se ele pudesse silenciar aquela voz, tudo acabaria muito mais rápido.

Conforme mais tochas começavam a ser acesas, Tyron se certificou de esconder-se nas sombras. Quanto mais tempo demorassem para encontrá-lo, melhor para ele. Comandar a batalha da retaguarda era a estratégia correta para um Necromante, embora ele pudesse reconhecer a ironia de estar zombando de Monty por fazer o mesmo.

— Protejam suas crianças! Protejam suas esposas! — rugiu Monty, enquanto os incentivava a lutar. — Não sobrará ninguém se ele vencer!

A esta altura, qualquer aldeão que não tivesse fugido gritando para a noite estava se armando às pressas, portanto, Tyron precisava avançar com força.

Ao seu comando, os seis fantasmas investiram, perseguindo seis bandidos que enfrentavam a linha de frente dos seus esqueletos.

Apesar dos seus melhores esforços, os esqueletos não eram tão fortes quanto ele gostaria, e até mesmo os fazendeiros conseguiam igualá-los nesse aspecto. Ao prender as Lâminas dos mortos-vivos com suas próprias pás, picaretas e ferramentas, eles podiam se apoiar nelas e permitir que seus companheiros atacassem os ossos vulneráveis.

Somente superando os oponentes em números os esqueletos poderiam se proteger dessa tática, mas com mais aldeões se juntando à luta, os números estavam se voltando contra ele.

Quase invisíveis e transbordando de malícia, os espíritos flutuavam entre os esqueletos e atacavam seus alvos, fazendo com que os homens gritassem e gorgolejarem enquanto o frio penetrava suas carnes e atingia seus ossos. Uma abertura que Tyron aproveitou imediatamente. Com os crânios sorrindo, os esqueletos sacaram suas lâminas libertadas e as cravaram no peito de seus oponentes, atravessando ao mesmo tempo os fantasmas.

‘Mais seis eliminados.’

Os esqueletos avançaram, e Tyron sentiu os bandidos e seus aliados começando a vacilar, portanto, era hora de fazer seu movimento. Ele passou as mãos sobre a Armadura de Ossos modificada que o cobria, como se para se tranquilizar, antes de avançar, flanqueado por dois de seus esqueletos que mantinha como reserva.

Ele conjurou a magika quase distraidamente, criando um raio que segurava em sua mão direita, com os olhos fixos em uma figura que brilhava em sua mente.

‘Dessa vez, você não vai escapar, seu filho da puta.’

Enquanto entrava na luz, ele podia ver o medo surgir nos olhos dos aldeões. Ele conseguia imaginar como estava sua aparência, desgrenhado, coberto por ossos que se prendiam ao seu corpo como uma armadura bárbara. Os bandidos não estavam muito melhores, pois ele já havia matado muitos deles e agora estava aqui, pronto para fazer isso de novo.

— Estou aqui pelos forasteiros! Aldeões, podem sair e serão poupados! — ele gritou de novo, esperando que alguns o escutassem e tentassem, fugir.

Em meio à luta, era improvável que alguém o ouvisse, mas valia a pena tentar. Seu rosto se fechou em linhas sombrias enquanto ele ordenava mais uma vez que seus espíritos avançassem.

Ele queria preservar sua magika, mas não podia permitir que isso continuasse.

Os fantasmas responderam, transbordando de malícia enquanto devastavam seus antigos aliados. Desse modo, vendo uma abertura, Tyron disparou o raio com a palma aberta, acertando a coxa de um bandido. O homem caiu, gritando de dor enquanto segurava o ferimento. No entanto, um esqueleto pôs um fim à sua miséria.

A figura brilhante em sua mente agora estava hesitando, ele não conseguia ver, mas não o deixaria fugir. Sacou a espada da bainha e avançou, golpeando os bandidos em seu caminho.

— Seu monstro!

Um aldeão, não mais velho que vinte anos, avançou pela lateral, com um machado em mãos. Com um comando rápido, um esqueleto se colocou à frente do homem, suportando sua carga e derrubando-o.

— Corra — rosnou Tyron.

Medo e raiva distorceram o rosto do jovem, transformando-o em algo desumano enquanto ele lutava contra dois instintos. Lutar ou fugir? Entretanto, o Necromante tirou essa escolha dele.

Um pé esquelético pisou no peito do aldeão, enquanto uma lâmina era colocada em sua garganta. Isso faria com que esse esqueleto não fizesse mais nada, mas ele podia pagar o preço.

Monty já tinha visto o suficiente. Enquanto os outros ainda lutavam a batalha claramente perdida em meio à noite, ele se virou e fugiu.

‘Isso não vai acontecer.’

Conjurando com uma mão, Tyron invocou um raio à sua esquerda e correu atrás dele. Sem o benefício do que o Abismo fez com ele, o líder dos bandidos provavelmente teria tido sucesso em escapar. Depois de afastar-se dez passos da tocha mais próxima, o cenário desapareceu na escuridão, mas isso não foi suficiente para ele se esconder de Tyron, não alguém marcado para morrer.

Ele correu atrás dele, com os olhos fixos na forma que podia sentir correndo à frente. Estendendo a palma, um pulso de magika foi disparado na noite.

— Porra! — gritou o bandido.

Então Tyron estava sobre ele, com a espada pressionada nas costas do homem que praguejava.

— Ei, Monty — sorriu ele — que bom que você decidiu ficar por aqui.

— Seu maluco fodido — disse o homem. — Você é um filho da puta maluco.

— Isso é um pouco exagerado vindo de você, um assassino e estuprador de merda.

Ele estendeu a mão e agarrou um punhado de cabelo.

— Levante-se. Você virá comigo por um instante.

— Me mata, seu verme covarde.

— Ah, não. Não se preocupe, outra pessoa decidirá seu destino, não eu.

Com a espada pressionada nas costas de Monty e mantendo seu aperto no cabelo do bandido, ele conduziu de volta à vila o bandido cambaleante, que o xingava e ameaçava.

A luta havia terminado, resultando em alguns bandidos e todos os aldeões fugindo, correndo para o frio e para a escuridão. Ele esperava que eles ficassem bem. Provavelmente ficariam longe até o amanhecer, antes de retornar para ver se ele havia ido embora, ou tentariam chegar a um assentamento vizinho. De qualquer modo, Tyron queria ir embora antes que eles voltassem.

Apesar disso, ainda havia aquele homem pressionado no chão pelo pé de um morto-vivo. Tyron teria que lidar com ele depois. Ele emitiu comandos mentais e viu seus lacaios começarem a trabalhar, reunindo os corpos, dispondo-os e preparando o terreno para o trabalho que começaria. Havia mais de vinte corpos para serem processados, muitos para serem desperdiçados.

— Pelos Cinco… você é um monstro.

Monty parecia aterrorizado ao ver os mortos-vivos se movendo na luz tremeluzente, mas Tyron riu.

— Monty, você não tem ideia do que é um monstro, mas descobrirá em breve.

—

— Eu fiquei surpresa ao ouvir você me chamar — disse Yor. — As coisas parecem ter ido bem o suficiente sem minha ajuda.

— Sim, deu tudo certo. Eu queria te dar um… presente, de certa forma — respondeu Tyron.

A vampira olhou para o bandido trêmulo, com seus olhos brilhando em vermelho enquanto o analisava.

— Deseja me oferecer essa… criatura?

Havia algo de formal na maneira como ela disse isso, que fez com que Tyron hesitasse, então ele escolheu suas palavras com cuidado.

— Eu… senti que você tinha um desagrado por… esses homens. Em particular, por aquele que os liderava. Então, pensei que você poderia gostar de… — ele procurou as palavras certas —… determinar o destino dele?

— O que diabos? — sussurrou Monty enquanto encarava a mulher na sua frente.

Um sorriso surgiu no rosto de Yor, desaparecendo tão rápido quanto apareceu.

— Sabe que isso não terá qualquer influência na dívida que deve à Corte? Isto é uma troca separada entre nós dois?

Tyron assentiu.

— Nem mesmo uma troca, mas um presente.

— Então solte-o e afaste-se.

O Necromante fez como ela pediu, soltando Monty e dando vários passos para trás. O bandido cambaleou para frente, desequilibrado pela ausência repentina de pressão, mas antes que pudesse dar mais um passo, Yor já estava ali.

Ela surgiu diante dele, estendendo os braços e o agarrando, girando o bandido de forma que o segurasse por trás, com o queixo apoiado contra a carne pálida do pescoço dele.

Ela sorriu.

— Há duas maneiras de fazer isso — Yor sussurrou enquanto deslizava sua mão delicada pelo pescoço do seu cativo. — Eu posso te dar um prazer além da sua imaginação mortal. Uma sensação indescritível percorrendo todos os centímetros do seu corpo — ela sorriu enquanto estreitava seu aperto no líder dos bandidos. — Uma prova e você ficará viciado. Você implorará para que eu o drene todas as noites, atirando-se aos meus pés como um cão.

Eventualmente, é isso que se tornará, um animal, rastejando de quatro, desesperado por qualquer olhar que eu lhe conceder.

A voz da vampira baixou, tornando-se rouca à medida que sua respiração acelerava. Seus lábios se abriram e ela passou a língua pela lateral do pescoço de Monty, traçando a artéria que pulsava com seu sangue vital.

— Ou posso tornar isso uma agonia — sussurrou Yor em seu ouvido. — Uma dor que não consegue conceber, enquanto arranco sua alma do seu corpo.

Eu beberei cada gota de sangue que há em você, depois beberei seu espírito. Você sentirá isso, enquanto se acomoda em meu estômago e eu consumo tudo o que você é, foi e será.

Ela deslizou seu aperto pelo bandido até que o segurasse pelo ombro com sua mão esquerda e um punhado de cabelo na direita. Então, enquanto ela apertava as mãos com mais força, afundava suas unhas na carne dele e fazia seu sangue jorrar, Monty gemeu.

Os olhos da vampira brilhavam com uma alegria bestial, exibindo uma expressão selvagem, sem qualquer vestígio de humanidade.

— Qual destino você deseja? — suspirou ela. — Escolha depressa, minha paciência está se esgotando.

Se ele demorasse mais do que alguns segundos, Tyron suspeitava que ela simplesmente o despedaçaria. A sede de sangue dela irradiava em uma aura escarlate que ele conseguia ver a olho nu.

— A primeira! — implorou Monty. — Tenha piedade de mim. A primeira.

Yor escutou os apelos dele com os olhos semicerrados, então o puxou.

— Não — disse ela.

Sua boca se abriu bem, dando a Tyron uma visão clara das quatro presas alongadas, antes que ela mordesse, cravando fundo seus dentes no bandido.

Monty gritou. Ele lamentou como se todas as partes do seu corpo estivessem em chamas. Era terrível de se ouvir, o desespero, medo e agonia eram tão intensos que o consumiam por inteiro. Tyron desejou poder tapar as orelhas, mas não podia. Nem conseguia desviar o olhar.

Os olhos de Yor encaravam os dele, e ele os observou brilharem com uma alegria obscena enquanto ela se alimentava.

Durou muito tempo e os gritos persistiram até o último segundo. Entretanto, o cadáver de Monty – o aspirante a rei dos bandidos – caiu no chão, sem sangue e, mais do que isso, sua pele já estava ficando acinzentada, como se toda a vitalidade que havia nele tivesse desaparecido.

Yor estava de pé sobre o corpo, ofegando, com sangue escorrendo pelo seu queixo e pingando pelas pontas dos dedos. Ela levou a mão ao rosto e lambeu o sangue de cada dedo, suspirando em seguida.

Então o monstro despareceu. Ela balançou os dedos e o sangue voou, respingando no chão. Mais uma vez, ela se erguia, calma e impecável, com um sorriso malicioso nos lábios.

— Seu presente é muito bem-vindo — disse ela. — Agora você precisa se preparar rapidamente. Não podemos demorar muito.

…

Comentários

0 0 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar