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Book of the Dead – Volume 2 – Capítulo 27

Sobre a Ponte

— Não concorda?

— Estou tentando trabalhar.

— Não tem a mínima chance de você discordar.

— Eu realmente preferiria não fazer parte desta conversa.

— Você não tem escolha. Eu me recuso a falar de qualquer outra coisa até que isso termine. Você pode responder minha pergunta, ou mandar minha alma para o além, e acho que nós dois sabemos que você ainda não está pronto para fazer o segundo. Então, observar Yor sugando a alma daquele gordo fodido foi a coisa mais sexy que já vi na minha vida e pós-vida. Diga que concorda.

Tyron inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu, como se esperasse que uma forma de escapar dessa conversa o acertasse como um raio. Talvez até aceitasse ser acertado por um raio no momento.

Apesar de estar ensanguentado dos cotovelos para baixo por ter descarnado os restos humanos, só de pensar na… cena perturbadora de Yor se alimentando, foi suficiente para se sentir enjoado.

— Olha, se você vai me forçar a opinar, então eu direi. Em vez de “excitante”, eu descreveria a experiência como “perturbadora” e “aterrorizante”.

Dove, ela comeu a alma dele.

— Sexy para caralho — suspirou o crânio.

— Eu sabia que você era um pouco perturbado quando era vivo, mas não percebi que era tão depravado assim — comentou Tyron, grunhindo em seguida ao arrancar a carne do fêmur de uma perna com um estalo úmido.

Ele colocou o osso ao lado antes de pegar seu cutelo. As canelas seriam as próximas.

— Você acha que ficar preso em um crânio está te distorcendo de alguma forma? Ou você sempre foi assim?

— Para ser honesto, acho que estar morto distorceu um pouco a minha perspectiva. Não é como se eu tivesse bolas, emoções, pau ou sentimentos, então nem eu descreveria isso como uma excitação física. É algo mais profundo do que isso, mais significativo.

— Não entendo, as almas que recrutei…

O crânio riu.

—… para se tornarem fantasmas, elas estão praticamente irritadas cem por cento do tempo. A única coisa de que gostam é matar e, mesmo assim, só apreciam isso de uma forma irritada. Como é que você está basicamente da mesma forma de quando era vivo, com a possível exceção de ser ainda mais pervertido?

— Eu sou simplesmente uma alma muito superior — disse Dove, com um tom presunçoso. — Me comparar com alguns otários que ganham a vida empurrando um carrinho de mão? Você está sendo ridículo.

Tyron parou por um momento, enquanto olhava para seu amigo e mentor.

— Isso é mesmo verdade? Você possui uma alma mais forte com base na sua Classe e níveis?

— Não tenho ideia. Parece algo que um Necromante deveria descobrir. Almas, ossos e essas merdas, são a sua especialidade, não a minha.

O jovem Mago resmungou e golpeou o cutelo com força. Havia alguma diferença entre as almas? Alguma distinção qualitativa que permitisse que algumas pudessem manter suas personalidades mais ou menos intactas, mesmo após a morte?

‘A ressurreição é possível?’

Um arrepio percorreu sua espinha. Tal pensamento era tentador, e ele não conseguiu ignorá-lo depois que ele surgiu em sua cabeça. Se uma alma fosse suficientemente poderosa, digamos, um Exterminador de alto rank, seria forte o bastante para reter seus pensamentos e memórias perfeitamente após a morte?

Um processo similar deveria ser usado para criar um Lich, percebeu ele. Um Mago poderoso capturando a própria alma e depois animando seus restos mortais com ela.

‘Não é possível que seja tão simples. Se fosse, seria muito mais comum. Se eu posso perceber isso depois de apenas alguns meses, então certamente todos os Magos no império já devem ter percebido. Qual é a pegadinha?’

— Embora eu realmente não entenda por que você acha isso tão perturbador — disse Dove. — Yor é gostosa para caralho, isso é óbvio, e a ideia de arrancar a alma de um pedaço de merda como Monty, causando a ele um sofrimento indescritível, é a pura satisfação da justiça, além de a situação em si já ser deliciosa. O que há para não gostar?

— Eu acho que metade do motivo para você querer ter essa conversa é porque está de noite e sabe que ela provavelmente está ouvindo. Só quer deixá-la desconfortável. Não entendo por que você está tão interessado em sexualizar uma vampira, que, por sua própria admissão, é incapaz de se engajar fisicamente no ato.

— Que ato?

— Cala a boca.

‘Hora dos pés.’

Extrair todos os ossos dos tendões densos ali era uma verdadeira dor. Se ele pudesse descobrir uma forma de dissolver a carne sem precisar gastar uma escolha de talento ou feitiço nisso, ele seria um Necromante feliz. Mesmo que usasse isso apenas para os pés e as mãos, o processo de extrair os ossos seria duas vezes mais rápido.

— Como pode dizer que sou eu que a está sexualizando? Ela literalmente moldou o próprio corpo para ser irresistível. Só estou descrevendo a realidade que ela criou! Uma realidade gostosa pra caralho.

— Acho que o motivo de ser estranho — disse Tyron, enquanto voltava a trabalhar depois de checar o fio das suas facas mais finas —, é porque a armadilha só funciona com pessoas que não sabem que é uma armadilha. No seu caso, parece ter aumentado o interesse, não diminuído. Isso é estranho.

Por extensão, você é estranho. Estou me esforçando bastante para não o julgar, já que, de certa forma, acho essa obsessão fascinante. No entanto, tenho certeza de que a única razão pela qual ela ainda não arrancou a sua alma e a comeu é porque ela pensa que é isso o que você quer.

— Eu sonho com isso todos os dias — suspirou Dove.

— É disso que estou falando, exatamente disso!

Por um tempo, Dove permaneceu abençoadamente em silêncio enquanto Tyron continuava a trabalhar. Quando ele finalmente terminou com os pés, deu um passo para trás da mesa de corte improvisada, que havia montado no meio da vila, e fez seus esqueletos coletarem a carne e levá-la à pilha de lixo.

Outro par de esqueletos pegou os ossos e ele, distraidamente, os instruiu a dispô-los no padrão correto, adicionando mais um conjunto completo aos outros que já haviam terminado de secar ao lado da fogueira.

Tanto trabalho a fazer, mas apenas uma noite para terminá-lo.

Seus dedos já doíam, e ele mal havia terminado de processar metade dos cadáveres dos bandidos. Além de que os ossos não seriam o fim, pois teria que lidar com os espíritos. Ele não transformaria todos em fantasmas, mas isso não significava que os desperdiçaria. Queria testar algumas ideias, afinal.

Era uma pena que não tivesse a alma de Monty, mas ele havia recebido um destino pior do que qualquer coisa que Tyron pudesse imaginar. Ele ainda estava sendo digerido no estômago de uma vampira e, pelo que ele havia entendido, era uma experiência nada agradável. Ele queria perguntar mais a respeito para Yor, mas, ao ver o brilho animalesco em seus olhos, ele decidiu que agora seria… uma hora… perigosa para conversar.

— Tragam os próximos três — ordenou ele em voz alta e mentalmente ao mesmo tempo.

— Não fale com os lacaios. Você me pediu para lembrá-lo.

—… Certo.

‘É tão fácil esquecer. Não fale com os lacaios, idiota.’

De certa forma, parecia mais natural falar com eles em voz alta, mesmo que não tivesse propósito. Tentar humanizar seus mortos-vivos seria um erro.

‘Se eu não tivesse Dove por perto, poderia já ter enlouquecido. Não é saudável ficar r odeado por nada além de escravos mortos-vivos o tempo todo.

Também preciso falar com pessoas.’

O que o recordou do seu “prisioneiro”. Ele deu um passo para o lado e lavou as mãos no balde que tirou do poço, antes de caminhar algumas portas adiante até um pequeno edifício, que era vigiado por quatro esqueletos, e bater na porta.

— Caelum? Você está aí dentro?

Ele esperou por um momento, mas não obteve resposta.

— Se não me respondeu, eu vou entrar…

— Não venha!

— Então você está aí.

— Eu não quero falar com você, monstro!

— Isso de novo? Esses homens eram criminosos. Eles fizeram coisas terríveis, terríveis.

— Quem diz isso é você. Nós passamos uma semana com eles. Eles trabalharam como cães para ajudar a todos na aldeia.

— Aposto que sim, mas pense por um segundo. Se eu sou realmente um Necromante terrível que assassina todos e os transforma em mortos-vivos, por que você está vivo? Por que eu iria tão longe para manter vocês, aldeões, vivos? Não faz muito sentido, a menos que eu esteja falando a verdade.

—… É difícil acreditar nas suas palavras quando você está aí fora separando cadáveres….

‘Todos ficam obcecados com a carnificina, ainda mais do que com a Magika de Morte!’

Tyron suspirou. Não convenceria ninguém de que era um herói depois de invadir a vila deles e massacrar os “refugiados”. Não adiantava ficar remoendo isso, ele tinha que trabalhar e precisava partir.

— Abra a porta, tenho mais três para você verificar.

Os esqueletos colocaram os corpos no chão, e o Mago conjurou uma luz para o jovem aldeão enxergar. Ele estava confiante de que apenas as pessoas marcadas haviam sido mortas no ataque, mas não custava nada pedir para alguém checar os corpos.

— Afaste-se — disse Caelum, com a voz trêmula.

Tyron recuou alguns passos e a porta se abriu em uma fresta, apenas o suficiente para que o “prisioneiro” enxergasse. Ele olhou para os cadáveres no chão antes de estender um dedo pela abertura.

— Aquele ali. Ele é o Gully, ele morou conosco por seis meses.

O Necromante encarou o cadáver em choque.

— Tem certeza?

— Claro que tenho. Gully chegou na época da colheita e ficou por aqui trabalhando na fazenda dos Perkins. Então, que se foda o papo de só matar “bandidos”, assassino.

— Is-Isso não faz sentido — murmurou ele, todos que morreram estavam marcados, ele tinha sido muito cuidadoso. Seus esqueletos não cravaram suas armas em ninguém antes que ele checasse primeiro. Ele não cometeu nenhum erro, tinha certeza disso!

Ele se inclinou para olhar para o cadáver com mais atenção. Ele estava intacto, sem perfurações ou cortes. O que havia o matado? Até que a ficha caiu.

Este havia morrido para os fantasmas! Um dos dois nas baias, um dos primeiros a morrer.

Não havia como ele ter cometido um erro; isso não aconteceu durante o caos da luta, mas no silêncio sepulcral. Ele conseguia se lembrar das duas figuras, brotando em sua consciência através das portas de madeira.

Ou a besta no Abismo cometeu um erro, ou…

— Esse babaca se aliou aos bandidos — suspirou ele.

— Espera que eu acredite nisso? — retrucou Caelum de trás da porta.

Tyron balançou a cabeça.

— Não. Não espero.

Não importava que fosse a verdade, se ele tentasse explicar como sabia, se condenaria ainda mais. Continuou a olhar para o corpo no chão frio. Será que esse homem tinha feito algo errado? Ou a intenção bastava?

Como ele deveria saber que medidas o Abismo usou para julgar tais assuntos? Em última análise, era sua responsabilidade, pois havia confiado em suas decisões implicitamente. Um erro do qual era tarde demais para consertar.

— Eu enterrarei esse homem — disse ele. — Obrigado, Caelum.

O aldeão bateu e trancou a porta mais uma vez, mas não antes de olhar mais uma última vez pela fresta. Alguns esqueletos se aproximaram e retiraram o cadáver do aldeão enquanto Tyron franziu o cenho, paralisado em pensamentos. No fim, não havia nada que pudesse fazer para mudar a situação, não importa o quanto odiasse isso. Ele retornou à sua mesa de trabalho, ordenou que seus lacaios colocassem mais um corpo sobre ela e começou a trabalhar.

Ele se perdeu no trabalho, com movimentos eficientes e precisos enquanto retirava a carne, cortava tendões e recolhia o que precisava para sua arte. A carne descartada era levada para fora da cidade e despejada em uma pilha de lixo que ele havia feito dois esqueletos cavarem, enquanto os ossos eram cuidadosamente separados, lavados e secos no chão antes de serem armazenados. Ele ficou nisso por horas, com as mãos, braços e ombros doendo até que fosse interrompido.

Um dos fantasmas foi o primeiro a perceber algo, pois se moveu, afastando-se do seu posto sem ser ordenado. O Necromante se levantou para enxugar as mãos, verificando mentalmente o fantasma antes de trocar para a visão dele.

Posicionado para observar a área entre a vila e a floresta, para onde a maioria dos aldeões havia escapado durante a noite caso alguém retornasse, o fantasma havia se afastado do seu posto. Com um pensamento, ele ordenou que ele retornasse, ordenando que o fantasma se virasse para que ele pudesse ver ao redor.

Nada… pelo menos, nada óbvio. O que estava acontecendo?

Momentos antes de ignorar a perturbação e voltar ao trabalho, ele perdeu a conexão com um esqueleto. Rapidamente, virou-se a tempo de ver seus ossos se desfazendo no chão, enquanto a luz do crânio diminuía conforme ele caía.

Um homem estava ali e, com uma lâmina em mãos, avançou em sua direção. Correndo rápido. Realmente rápido .

— PORRA! — xingou Tyron, enquanto se virava para pegar a única arma que tinha à mão em cima da sua mesa: seu cutelo.

— O quê? — balbuciou Dove, acordando de repente. — Bolas de merda! Corra, garoto!

Mas não havia para onde correr. Os esqueletos se aproximavam, pegaram suas armas, mas não conseguiram chegar a tempo.

O aço piscou sob a luz dos globos, cortando em direção ao seu pescoço. Suor brotou de cada poro no corpo de Tyron, enquanto ele se abaixava e sentia o vento da lâmina passar sobre ele.

Primeiro corte.

Ele ergueu a cabeça e, ao mesmo tempo, puxou seu cutelo. Por algum milagre, ele conseguiu aparar o próximo golpe com a lâmina da sua faca.

Faíscas voaram quando a espada penetrou fundo no cutelo, e o pulso de Tyron dobrou para trás, quase quebrando, ao absorver a força do golpe.

— Eu precisava daquela faca — rugiu ele.

Com a mão livre, ele fez vários símbolos enquanto um raio se formava, disparando-o quase à queima-roupa quando ficou pronto.

O corpo que o subjugou em um segundo, girou graciosamente para longe no seguinte, quase arrancando o cutelo destruído de suas mãos. Ele conseguiu segurá-lo, mas por pouco. Desequilibrado, tentou firmar os pés, mas foi muito lento.

Uma estocada violenta surgiu das sombras, com a ponta da espada mirando direto no seu coração.

‘Merda-’

Tyron girou bruscamente, mal desviando do dano ao puxar o ombro esquerdo para trás enquanto a lâmina raspava a Armadura de Ossos em seu peito.

‘Onde agora?’

Ele estava desequilibrado e vulnerável. De onde viria o próximo golpe?

‘Cabeça ou barriga. Cabeça ou barriga. Cabeça!’

Sem ver de onde o golpe vinha, ele ergueu os braços dos dois lados do rosto, com as palmas para dentro.

*CRUNCH!*

A espada atingiu os ossos presos por magia aos seus antebraços, partindo-os e penetrando em sua carne. Sangue espirrou, e Tyron cerrou os dentes para conter a dor.

Olhos roxos enxameavam a escuridão, lâminas reluziam e a figura desapareceu, deslizando para trás e para longe dos lacaios antes de parar a dez metros de distância.

— Ahhhh, merda! Nada bom! NADA bom! — gritou Dove.

— Cala a boca, Dove — respondeu Tyron, com a voz rouca, sem tirar os olhos do seu oponente.

A luta até esse momento havia durado meros segundos e, mesmo assim, ele quase teve o coração perfurado como uma maçã e forçado a uma situação de cinquenta-cinquenta com a vida em risco.

‘Exterminador.’

Este era um Exterminador. Um dos aldeões deveria ter se deparado com um batedor fazendo a ronda, que correu para matar o Necromante maligno.

Pelo menos, ele esperava que fosse um batedor. Se houvesse mais de um, então ele já estaria morto.

O espadachim, ou alguma variante de um, observou com cautela enquanto os esqueletos se reuniam ao redor dele, mas não demorou muito para que agisse. Ele ajustou o aperto na lâmina, inclinou-se para o lado e, então, desapareceu num instante.

Ou pelo menos era o que parecia.

Dois esqueletos caíram antes que Tyron percebesse para onde o Exterminador tinha ido, praguejando ao se virar.

‘Magika, seu idiota, você precisa usar magika.’

Ele era, no máximo, um lutador medíocre, portanto, tinha que usar as forças da sua Classe para revidar. Assim, levantou as mãos e começou a conjurar, percorrendo os sigilos em velocidade recorde enquanto buscava desesperadamente equilibrar o campo de batalha.

Do nada, facas surgiram das sombras, mirando em sua cabeça. No entanto, dois esqueletos com escudos as interceptaram, deixando Tyron livre para concluir sua conjuração.

Lâminas da Morte.

Assim que terminou, ele prosseguiu para a próxima.

‘ Eu preciso desacelerá-lo. Mal consigo acompanhá-lo com os olhos, meus esqueletos poderiam golpear por um ano e talvez nunca o acertassem.’

Com um grupo defensivo de mortos-vivos e mais se aproximando, ele precisava usar seus feitiços de suporte imediatamente. Se perdesse mais esqueletos antes que surtissem efeito, não haveria sentido em conjurá-los.

Mais rápido do que nunca, as palavras saíram de sua língua, cada uma enunciada com perfeição, com ritmo e cadência impecáveis. Sem querer permitir que ele conjurasse sua magika, o espadachim atacou.

Comandar seus lacaios ao mesmo tempo em que conjurava feitiços complexos era exaustivo para Tyron, e ele quase gaguejou ao tentar reagir. O aço brilhou em um arco e mais dois lacaios foram perdidos. O espadachim avançou e os esqueletos golpearam sombras e poeira, já que eram lentos demais para reagir.

Mais uma investida, mais um golpe reluzente e mais um lacaio desmoronando no chão.

‘Isso não é bom!’

Ele terminou seu feitiço com um rugido, estalando as mãos enquanto sua magika se infiltrava no chão sob seus pés.

‘Maldição do Tremor.’

Talvez fosse contraintuitivo conjurar em si mesmo, mas os mortos-vivos não eram afetados e agora era impossível para o espadachim atacá-lo sem estar dentro do raio de alcance.

Com as mãos livres, Tyron rapidamente preparou um par de Raios Magikos e os manteve prontos. O espadachim o avaliou por um instante, e Tyron fez o mesmo.

Ele era jovem, talvez nem tivesse chegado ao nível vinte ainda. Se tivesse, então não estava muito longe disso.

‘ Agradeço a todos que escutam por isso. Se ele fosse de nível trinta, eu teria uma cabeça a menos.’

— Nenhuma chance de conversa? — disse ele, baixinho.

No entanto, o espadachim se mexeu e balançou a cabeça ligeiramente.

Como esperado.

— Vamos lá então.

Classes baseadas em armas, especialmente armas leves como uma espada, eram máquinas de matar extremamente ágeis. O combate entre eles nunca duraria muito tempo.

‘ Não consigo mantê-lo longe de mim, não por muito tempo. Tudo o que preciso para vencer é prendê-lo por um segundo. Um segundo e eu venço.’

Tyron cerrou os dentes. Isso ia ser difícil.

Ele dispersou ligeiramente seus lacaios e ordenou que abaixassem suas armas, prontos para perfurar. Isso deveria dificultar um pouco a investida do Exterminador, pois corria o risco de ser empalado por lâminas infundidas com magika.

Aparentemente, isso não importava. O espadachim moveu-se para a esquerda e para a direita num instante, cortando mais dois esqueletos antes de atravessar a formação e sair do outro lado.

Os dois Raios Magikos voaram e atingiram o chão enquanto o Exterminador se esquivava. Em seguida, um esqueleto avançou e atacou, apenas para receber uma espadada no crânio por seus esforços.

Mais dois raios se formaram e foram disparados. No entanto, o espadachim estava em constante movimento, e a formação se ajustava conforme mais esqueletos eram eliminados.

‘ Merda.’

Um amplo golpe de machado e, de repente, houve um desequilíbrio, bem em frente ao Necromante.

Como um falcão atacando uma presa desprotegida, o Exterminador avançou. Tyron sentiu a sombra da morte alcançá-lo enquanto a espada se aproximava, sabendo que não podia fazer nada para impedi-la. Levou os braços ao peito para cobrir o coração.

Uma dor lancinante surgiu em seu estômago quando a espada o atravessou com perfeição, deslizando entre as lacunas na Armadura de Ossos e saindo por suas costas.

Rápido como uma cobra, as mãos de Tyron desceram num instante para agarrar os antebraços do Exterminador.

— Desculpa por isso — balbuciou ele, com sangue escorrendo por seus lábios.

O Exterminador tentou soltar sua espada, mas ele a segurou, então os fantasmas investiram.

Um frio de perfurar os ossos os cercou enquanto três espíritos entravam no espadachim. O homem enrijeceu, depois revidou ao perceber que havia algo errado, mas Tyron o segurou.

*Thunk, thunk, thunk!*

Com os músculos congelados, o Exterminador não conseguiu reagir enquanto os esqueletos se aproximavam. Os três mais próximos cravaram suas armas em sua carne, enquanto o revestimento de Magika de Morte crepitava contra sua pele.

Eles o esfaquearam repetidamente enquanto os fantasmas prendiam seu corpo com o frio penetrante. Logo, a luz esvaiu-se dos olhos dele e o Exterminador desabou no chão. Tyron estava de pé sobre o cadáver, com uma lâmina atravessando-o e sangue escorrendo por todo o chão.

— Ai.

Ele cuspiu uma bocada cheia de sangue no chão ao seu lado.

— Isso vai ser muito ruim.

…

Nota da Equipe

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