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Chrysalis – Capítulo 1659

Espalhou-se como Vírus - Parte 6 de 10

Zothoth, que se banqueteia com a sanidade, é mal compreendido até mesmo pelo Culto do Asilo, que o venera. Mais precisamente conhecido como “o Culto da Mente Fragmentada”, já que aqueles que sonham com Zothoth geralmente são incapazes de comunicar o que viram ao acordar. Ou de comunicar qualquer coisa, na verdade.

Existem poucas lendas sobre o Antigo, pois é conhecido como devorador de mentes, criatura que consome os próprios pensamentos e a consciência de qualquer um que os olhe.

Uma única anotação em um diário recuperado da Fenda faz referência às “planícies da lembrança perdida”, onde milhões de pessoas quebradas e insanas vagavam, delirando e gritando. Os cultos acreditam que foi ali que Zothoth chegou à superfície e se alimentou como nunca.

– Trecho de ‘Sabedoria Coletiva dos Cultos’, de Granin Lazus


O sátrapa Umizan descansava em seu palácio subaquático, satisfeito com o relatório à sua frente. Com uma mão sobre a barriga, deixou a outra deslizar mais uma vez pelas páginas, deleitando-se com os números gloriosos que preenchiam as colunas organizadas e impecáveis.

“Lucros, lucros maravilhosos”, ele ronronou.

Negociar com a Colônia fora necessário para evitar o colapso do comércio de commodities no quarto estrato e ele teria investido nesse empreendimento mesmo que, Deus o livre, o Consórcio tivesse que operar com prejuízo. Contudo, ver lucros tão deliciosos e suculentos o enchia de uma alegria especial. As margens não eram incríveis, o maldito negociador das formigas havia se certificado disso, mas o volume compensava de sobra.

“A missão comercial foi um enorme sucesso”, disse ele, com um largo sorriso.

Sua esposa, reclinada ao seu lado, permitiu-se um sorriso indulgente.

“Claro que sim, meu querido marido, você achou que poderia ser diferente comigo no comando?”

Na verdade, ele estava muito preocupado. Não por causa de sua querida esposa Eran, é claro, mas por causa das formigas. Expor aquelas criaturas daquela forma havia sido um risco enorme, mas de alguma forma aqueles monstros alienígenas, insetos, conseguiram conquistar a simpatia de muitos moradores do quarto estrato.

Sim, muitos negócios foram fechados e agora um volume absurdo de mercadorias saía da Colônia todos os dias, caindo diretamente nas mãos do Conglomerado da Ilha Brathian, que ficava mais do que feliz em levá-las ao mercado.

“Estamos nadando em águas tranquilas agora, minha esposa”, disse Umizan, rindo, extremamente satisfeito com o resultado. “Talvez precisemos discutir nossa carteira de investimentos. Deve haver algo que possamos fazer com toda essa riqueza.”

Claro que ele já tinha algumas ideias. Havia alguns lagos pelos quais ele pagaria de bom grado pelos direitos de mineração, embora aumentar a capacidade de construção naval do grupo fosse uma decisão sábia. Eles estavam tendo que contratar serviços de transporte para a quantidade absurda de itens que estavam movimentando e as tarifas eram exorbitantes.

Assim que o sátrapa e sua esposa começaram o mais prazeroso momento conjugal, discutindo finanças, houve uma batida muito rude na porta de seu escritório.

Umizan ficou paralisado, na esperança de que quem quer que fosse desistisse e fosse embora. Eran franziu a testa para ele, mas balançou a cabeça teimosamente.

Havia investimentos para discutir! Investimentos!

No entanto, a pessoa à porta, com as barbatanas apodrecidas e as escamas a descascar, continuou a bater insistentemente. Eventualmente, Umizan foi forçado a desistir e gritar.

“Quem está aí? perguntou ele, irritado.

“Seu irmão, Marzban, posso entrar?”

“Isso é importante?”

“Será que eu estaria aqui batendo à porta se não fosse?”

Resmungando consigo mesmo sobre parentes arrogantes, mesmo que fossem os chefes de sua segurança, Umizan fez um gesto para que o guarda sempre presente abrisse a porta. Ele franziu a testa quando seu irmão entrou nadando no quarto.

“É melhor que isso seja bom”, ele disparou.

As sobrancelhas de Marzban se ergueram, mas ele não demonstrou nenhuma outra reação ao mau humor do irmão.

“Há uma perturbação da ordem pública em frente ao palácio. Achei que você pudesse ter interesse em ver com seus próprios olhos.”

“Uma perturbação da ordem pública?” murmurou Umizan.

Sua mente trabalhava a mil. As pessoas estavam insatisfeitas com sua liderança? Ele não lhes havia proporcionado grandes oportunidades, riqueza e prosperidade? O saneamento básico havia ficado sem verba? Os registros meticulosos em sua cabeça tilintavam enquanto ele rapidamente repassava todas as informações. O desemprego era muito baixo, o saneamento básico era generosamente financiado e os pacotes salariais que ele oferecia aos membros do conglomerado estavam bem acima da média do mercado.

Ele estava bem.

Então, com o que eles estavam insatisfeitos?

“Você não pode simplesmente me dizer o que está acontecendo?” perguntou ele.

Marzban balançou a cabeça negativamente.

“Sinceramente, acho que não. Você precisa vir e ver.”

Quase sem querer, Umizan se viu intrigado. Decidindo que a discussão sobre a riqueza recém-adquirida do Conglomerado poderia esperar, ele ofereceu a mão à esposa, que a aceitou graciosamente e saiu nadando do palácio, seguido por sua guarda de honra.

“Eles estão nisso há horas”, disse Marzban, balançando a cabeça. “Nunca vi nada parecido.”

“Com o que?”

“Você vai ver.”

Ele ouviu a perturbação antes de vê-la. Vibrações e ondulações na água causadas por uma multidão grande e muito animada.

‘Essas pessoas não deveriam estar trabalhando?’

Ele nadou mais para cima e finalmente conseguiu vislumbrar o motivo de toda a comoção.

Um fosso havia sido cavado no fundo do mar e o que pareciam ser duas equipes de brathians atiravam água uns nos outros em uma luta brutal e aparentemente sem objetivo. Ele avistou a bola depois de um instante, quando um soldado astuto estendeu a palma da mão, lançando um jato de água finíssimo que contornou a bola e a estilhaçou, fazendo com que a multidão que assistia explodisse em aplausos e gritos.

‘E que multidão… deve ter umas mil pessoas.’

“Eles estão jogando esse… jogo há horas”, resmungou Marzban, cruzando os braços. “E a multidão só está aumentando. Pelo visto, eles aprenderam com as formigas.”

Umizan olhou para eles de cima, vendo tudo. Os jogadores, a multidão, o entusiasmo, a alegria e a camaradagem.

“Você está sentindo esse cheiro?”, perguntou Umizan.

Marzban franziu a testa, fungando.

“Cheiro de quê?”

Umizan deu um largo sorriso.

“Dinheiro.”

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