— Lojista Li, como está o cinábrio que pedi? Já chegou?
O Lojista Li, ocupado com o ábaco, olhou e viu um homem estranho num manto de Taoísta vermelho. Ele sorriu instantaneamente, pois o homem era um grande comprador: — Hehe, senhor, chegou há muito tempo e estive esperando por você. Os trinta quilos estão prontos. Tigrezinho, ajude este cliente com a entrega.
— Não precisa, eu carregarei — Li Huowang falou, pagando a última parcela. Em seguida, pegou o saco com uma mão e saiu da farmácia.
O assistente, Tigrezinho, olhou para seu chefe atordoado: — Lojista, por que aquele cara comprou tanto cinábrio? A maioria das pessoas só compra algumas peças, mesmo que as usem para propósitos medicinais.
O lojista cutucou a testa do Tigrezinho: — Machucou? Bom! Quero que se lembre de que você é só um assistente! O motivo por trás das compras dos clientes não é da sua conta! E se ele comer aquele cinábrio com arroz?
— Não é da sua conta!
Enquanto isso, Li Huowang caminhou até a carruagem e colocou o saco pesado de cinábrio na carruagem. Ele então subiu na carruagem e soltou um assobio agudo.
Pão apareceu e saltou na carruagem.
— Vamos lá! — Li Huowang exclamou. Ele olhou para o saco de cinábrio ao lado, puxou as rédeas e mandou o cavalo puxar a carruagem na direção dos portões oeste da cidade.
Na noite passada, Li Huowang descobriu um gargalo na sua abordagem anterior. Ele refletiu sobre o assunto e se lembrou de que os outros usavam cinábrio para refinar artefatos. Se eles conseguiam, por que ele não conseguiria?
Li Huowang tinha uma taxa de regeneração extremamente rápida. Além da dor, ele não sofreria de nenhum efeito desfavorável. Além disso, artefatos feitos de órgãos de um Perdido teriam habilidades extraordinárias.
Li Huowang reconheceu que sua força aumentaria dramaticamente se obtivesse estes artefatos; ele também acreditava que seria útil na batalha contra Bei Feng.
O cavalo puxando a carruagem emitiu barulhos de galope distintos nos pisos de pedra enquanto a carruagem saía lentamente da cidade. Uma vez fora, Li Huowang saiu da trilha batida até encontrar um lugar que atendesse às suas necessidades ao pôr do sol.
O local era uma clareira plana diante de vários túmulos.
O nível de alerta de Pão disparou; ela abaixou a postura e rosnou para os túmulos.
— Só estou pegando emprestada esta clareira na frente de vocês por uma noite. Por favor, não se ofendam pelo que estou prestes a fazer — enunciou Li Huowang, curvando-se para os túmulos antes de se virar para retirar algo da carruagem.
Pão saltou naquele momento, assustando alguns ratos que figuram em todas as direções.
Enquanto isso, Li Huowang tirou a pequena fornalha que obteve dos Humanos Xiao. Ele colocou um pouco de cinábrio dentro e colocou em cima de um carvão de alta qualidade.
Li Huowang tinha alguma experiência refinando pílulas, então refinar cinábrio era uma tarefa fácil. Uma hora depois, abriu a fornalha e um líquido prateado com alguns restos apareceu diante dele.
O método de refino de Li Huowang tinha vindo de Dan Yangzi. Ele aprendeu enquanto estava no Templo de Zéfiro. O líquido prateado do cinábrio refinado se chamava azougue, ou mercúrio no mundo anterior.
Li Huowang filtrou os restos antes de tirar uma tigela para coletar o azougue.
No entanto, ele precisava de mais.
Li Huowang prosseguiu para outra rodada de refino. Uma hora depois, seus lábios se curvaram num sorriso satisfeito enquanto olhava para a grande tigela de azougue na sua frente.
— Isto deve ser o bastante… — Li Huowang murmurou e se virou para pegar a pá que preparou antes. Ele imediatamente começou a cavar até criar um buraco fundo o bastante para submergir um humano. Ele fechou os olhos, respirou fundo e mexeu na bolsa de couro antes de puxar a adaga reluzente dentre os instrumentos de tortura que estavam na bolsa.
O Monge apressou-se com um olhar relutante: — Taoísta, você pode reconsiderar? Não tem que ser assim.
Por outro lado, Hong Zhong, sentado nos ombros de Peng Longteng, parecia ansioso para testemunhar o espetáculo.
Li Huowang ignorou as palavras das ilusões; sua determinação permaneceu firme como uma rocha. Ele levantou a adaga e cortou seu escalpo, abrindo-o para revelar os vasos sanguíneos embaixo.
Ele tirou as roupas e ficou pelado no buraco.
Abaixou a cabeça e se cobriu com solo.
Enterrar-se era difícil, mas Li Sui estava por perto para ajudar.
Os tentáculos de Li Sui arrastaram o solo na direção de Li Huowang, certificando-se de que fosse enterrado bem.
— Li Sui, seja obediente, tá? Me ajude… um pouco mais — Li Huowang apressou.
Li Sui obedeceu e dois tentáculos emergiram do pescoço dele. Os tentáculos levantaram a tigela com azougue e carregaram-na na direção do escalpo aberto dele.
Li Huowang engoliu em seco: — Mova levemente para o lado antes de despejar na ferida; certifique-se de não derramar.
Li Sui obedeceu e focou completamente na tarefa.
A grande tigela de azougue inclinou-se e o líquido prateado caiu na ferida de Li Huowang, criando uma visão magnífica ao brilho do luar.
— Cuidado… AAAAAH!
O processo foi extremamente difícil, mas Li Huowang não ousou vacilar, com medo de deixar o mercúrio vazar. A dor foi tolerável no começo, mas eventualmente se tornou uma coceira que o dominou completamente. Quando a coceira ficou extrema e alcançou seu auge, Li Huowang se debateu desesperadamente contra o solo que o cercava.
Li Huowang sentiu como se formigas estivessem o mordendo, e a sensação estava o deixando louco. Ele torceu e contorceu, espremendo-se para cima como uma serpente. Após muito esforço, ele finalmente conseguiu escapar do buraco.
— Haaa… — Li Huowang tremeu como um bambu e estava com tanta dor que nem conseguia dizer qual parte do corpo causava mais dor.
Ele levou alguns momentos para se acalmar e se acostumar com a dor, mas, quando a brisa fria do décimo segundo mês lunar cumprimentou seu corpo, a dor passou a parecer com ser esfaqueado mil vezes.
Foi tão doloroso que ele quase desmaiou.
Li Huowang pegou a Escritura Ardente e entoou os encantamentos dentro. Uma centopeia ardente escalou Li Huowang e logo ficou coberto de cicatrizes carbonizadas.
Estava piorando a dor, mas Li Huowang ainda decidiu colocar as roupas. Ele olhou para o buraco e suspirou de alívio. Em seguida, caminhou até a carruagem e deitou-se dentro. Li Huowang lutou contra a fadiga para se encolher e se proteger da brisa fria antes de finalmente desmaiar.