Eiro olhou para a figura na sua frente e inseriu sua mana na Pedra Mágica de Energia Sagrada que segurava, antes de arremessá-la contra o Diabrete que avançava em sua direção. No entanto, seu oponente simplesmente sorriu. — O que você está tentando fazer, jogar pedras em mim?! — gritou ele, acertando a pedra mágica com pouco esforço.
Porém, em vez de ser capaz de fazê-lo, a Pedra Mágica se enterrou em sua carne, devido à força combinada com o fato de ser a perdição do Diabrete.
Quase de imediato, o corpo do Diabrete entrou em choque, como Eiro esperava. Sabia que ele próprio era um pouco único nesse sentido, mesmo se comparado a outros Demônios criados artificialmente.
Com um sorriso no rosto, Eiro observou o braço do Diabrete começar a derreter, enquanto a Pedra Mágica caía no chão. Em algum ponto, a carne começou a ser destruída, mas começou a se curar sozinha, fechando o ferimento a alguns centímetros de seu cotovelo.
— O que você fez comigo?! — gritou ele, agora sendo capaz de se mover de novo, enquanto Eiro dava de ombros. — Nada demais. Só utilizei nossa perdição. Porque, como se vê, eu sou muito mais especial do que você, a ponto de meu corpo nem se importar mais com isso — respondeu sem rodeios, mas o Diabrete ficou irritado. Muito irritado. Porém Eiro não se importava, ele só queria se divertir um pouco com tudo isso.
Como era noite, esta sala usava lanternas e velas em vez de luz solar, o que significava que havia muitas sombras ao redor deles, sombras que rapidamente se infundiram com Eiro. então, quando o Diabrete o alcançou e tentou atacá-lo, o corpo dele se desfez em sombras, e reapareceu alguns passos atrás de seu oponente.
— O que, você pensou que eu deixaria isso ser uma ‘luta’? Sinto muito, estou aqui para massacrá-lo, caro irmão tolo — disse Eiro, com um sorriso sádico se formando em seu rosto. O Diabrete enorme avançou mais uma vez contra ele, aparentando não se importar com o que ele dizia. Desta vez, em vez de tentar atingi-lo, ele tentou esmagar Eiro contra o chão, pensando que poderia funcionar.
No entanto, quando Eiro mergulhou de volta nas sombras sob ele, ou melhor quando apareceu em outra lugar, ele ficou surpreso em ver que o Diabrete havia… destruído o chão. Com um único soco, ele foi capaz de esmagar o chão em pedaços que agora se acumulavam no solo. Parte do tesouro que havia sido reunido na sala também deslizou para baixo, algo que o Diabrete enorme parecia valorizar muito mais do que qualquer outra coisa.
— Você me fez destruir os meus tesouros! — exclamou ele, e Eiro o encarou com um sorriso irônico, removendo as sombras com quem se infundiu do seu rosto por um instante. — Está brincando comigo? Eles nem estão destruídos, são moedas de metal, no máximo estão um pouco amassadas. Supere isso — disse o Demônio com um suspiro profundo, antes de cruzar os braços e assistir seu oponente se aproximar de algumas das pessoas acorrentadas ao longo das paredes.
— O q-O que ele est- Por favor! Nos ajude! El- — gritou um dos homens. Seu espírito havia sido quebrado anteriormente, assim como muitos dos outros, mas foi um dos poucos que conseguiu ver que havia a chance de serem libertados. No entanto, a mão do Diabrete enorme simplesmente… desapareceu em um instante. O humano estava se debatendo, algo que o Diabrete não gostava de ver, e provavelmente e foi por isso que foi escolhido em vez de um dos outros, possivelmente mais adequados.
O Diabrete segurou o corpo do homem e o arrancou da parede, quebrando seus braços, pulsos e mãos no processo, enquanto o homem era retirado das algemas. Foi um som bastante horripilante, mas… se Eiro conseguisse chegar até ele rapidamente, ele e Nelli deveriam conseguir curá-lo. Só que o Diabrete enorme começou a girá-lo como se não passasse de uma arma.
Claramente, o corpo desse homem estava sendo submetido a uma força considerável, já que Eiro conseguia ver, e até ouvir, sua pele rasgando. Então, o Demônio decidiu que deveria fazer algo mais ativo desta vez, em vez de brincar com esse babaca.
Assim, esticou suas asas e infundiu seu corpo com o ar da sala. Com um bater de asas, Eiro avançou e, sem que o Diabrete enorme conseguisse reagir, todas as lâminas do Três de Espadas perfuraram sua pele, músculos, ossos e até a espessa carapaça que cobria suas costas, sem obstrução.
Desse modo, o braço do Diabrete caiu no chão, tendo sido decepado até o ombro. Ele gritou alto de dor, tentando agarrar o braço com a mão que havia perdido há não muito tempo. Antes que o braço caísse no chão, entretanto, Eiro o pegou e retirou o homem gravemente ferido do aperto da mão. Com rapidez, levou o homem a um local relativamente seguro, antes de retornar.
— Você vai pagar por isso! — exclamou o Diabrete enorme, encarando Eiro com raiva, mas recebeu apenas um encolher de ombros como resposta. — É, eu duvido disso. Parece que você já tem dinheiro mais que o suficiente — comentou o Demônio e, instantes depois, pôde ver que o ferrão enorme, que era um pouco mais do que sua própria cabeça, se aproximar do seu rosto. Bem, por enquanto, Eiro decidiu deixar acontecer, simplesmente porque sabia que era capaz de resistir a isso sem problemas.
O ferrão perfurou seu braço, e uma grande quantidade de veneno foi injetada em seu corpo. Por alguns instantes, sentiu que seu braço ia apodrecer, até que respirou fundo e começou a controlar o líquido desconhecido que havia entrado em seu corpo. Ele foi capaz de impedi-lo de entrar em contato com qualquer parte do seu corpo e o transportou lentamente por suas veias, levando-o até sua cauda.
Ali, os recipientes de veneno vazios presos à sua armadura foram preenchidos, pois conseguiu filtrar o veneno com sua própria glândula venenosa.
Apesar de ter doído bastante, mas… pelo que se seguiu, valeu a pena.
Quando o ferrão penetrou em sua carne, Eiro imediatamente tensionou a área ao redor do ponto de contato o máximo possível. Flexionando os músculos, ao concentrar todas suas habilidades de aumento de força nesse músculo específico e contraindo-o em múltiplas camadas, e fortalecendo a pele com a habilidade Pele de Pedra para criar uma camada mais espessa ao redor do ferrão. Por conta disso, o Diabrete enorme foi incapaz de retirar o ferrão.
Em pânico, ele tentou girar Eiro, mas o Demônio havia aumentado seu peso com Magia de Gravidade, enquanto deixava o corpo do seu oponente mais leve. Então, vem de balançá-lo ao mover sua cauda… o Diabrete girou a si mesmo e era tão estúpido que não percebeu o que estava acontecendo por alguns instantes.
Isto é, até que Eiro filtrou o veneno que havia sido injetado em seu corpo. Lentamente, moveu sua própria cauda na direção do Diabete e pressionou seu ferrão na ponta da cauda dele. Usou um veneno de sua própria criação, um que tecnicamente era similar ao que este Diabrete enorme havia usado, só que muitas vezes mais potente, já que sabia o que estava fazendo e como deveria usar seu corpo.
A melhor parte disso era que essa mistura em particular continha um pouco de Energia Sagrada, já que havia sido criada com a ajuda de uma Pedra Mágica. Não era suficiente para ferir ele próprio, mas seria suficiente para aumentar muitas vezes a potência do veneno quando atacasse o Diabrete enorme.
Foi fácil para seu ferrão penetrar na carapaça de seu oponente, e ele injetou o veneno na cauda dele enquanto finalmente soltava o ferrão. O Diabrete enorme foi arremessado pela sala, ainda afetado pela relativa ausência de gravidade a qual estava submetido, e olhou para sua cauda. A ponta, a parte semelhante a uma ‘agulha’, ainda estava presa no braço de Eiro, algo que nem mesmo Eiro antecipou. Claro, ele rapidamente a retirou e pronto, mas serviria como uma boa lembrancinha.
Especialmente porque, caso contrário, teria derretido, assim como o resto da cauda do Diabrete estava. O veneno se espalhava devagar, mas era evidente que seu oponente era incapaz de impedir que isso acontecesse.
— O q-O que você está fazendo comigo?! Isso não pode ser! — exclamou ele, e Eiro o encarou com um sorriso amplo no rosto. — Tem certeza disso?
Aproximou-se dele e finalmente viu medo nos olhos do Diabrete à sua frente.
— Não se preocupe, irmão… Sua morte será extremamente dolorosa, assim como você merece.