Switch Mode
Participe do nosso grupo no Telegram https://t.me/+hWBjSu3JuOE2NDQx
Considere fazer uma Doação e contribua para que o site permaneça ativo, acesse a Página de Doação.

Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation – Volume 15 – Capítulo 7

Preparando para a Batalha

O tempo passou, indiferente às minhas preocupações; e logo outro mês se passou.

A Armadura Mágica Mark 1 agora estava completa.

De alguma forma, terminamos o projeto em apenas três meses. Gastei muito dinheiro perto do fim contratando trabalhadores adicionais para cobrirem as tarefas mais monótonas, o que definitivamente acelerou as coisas.

Assim como tinha previsto, a coisa acabou ficando com cerca de três metros de altura. No entanto, toda a sua estrutura estava coberta de placas espessas e grosseiras de armadura que eu criei, o que lhe deu uma aparência surpreendentemente atarracada e robusta. Não era exatamente elegante, em outras palavras.

Você entrava pela parte de trás. Havia um buraco em suas costas no formato de um humano, no qual você basicamente só entrava. Uma vez que a alimentava com mana, ela agiria como uma extensão do seu próprio corpo, então poderia fechar manualmente a traseira da armadura. Essa seção também continha um círculo mágico especial que o ejetaria automaticamente pelas costas se falasse o comando correto.

Montamos a “Metralhadora” no braço direito, o Implemento Mágico modificado agora disparava automaticamente feitiços de Canhão de Pedra sempre que eu quisesse. Quando o alimentei com o máximo de mana que pude, foi capaz de disparar meu Canhão de Pedra mais mortal dez vezes por segundo. Isso reduziria a maioria dos monstros a uma névoa sangrenta em um piscar de olhos.

Este era meu plano principal para lidar com Atrapalhar Magia de Orsted.

Na mão esquerda, montamos uma Pedra de Absorção. Na maioria das vezes, estava planejando afastar os feitiços de Orsted com Atrapalhar Magia, mas era possível que não tivesse tempo se as coisas ficassem muito agitadas. Esta pedra poderia dissipar a magia que já havia sido completamente formada. Isso me deixaria lidar com quaisquer feitiços que eu não fosse rápido o suficiente para parar preventivamente. Tive a sensação de que poderia ser útil.

Nós também lhe demos um escudo que poderia servir como uma espécie de arma corpo a corpo. Eu mesmo não era ruim com uma espada, mas sabia que não poderia competir com Orsted nessa questão. Concluí que seria melhor focar na defesa à curta distância. E honestamente, bater nele com uma placa de pedra gigante e pesada pode causar mais danos de qualquer maneira. O melhor ataque era uma boa defesa. Era o mesmo conceito de um tanque, basicamente.

No entanto, também montei uma das velhas armas de Paul na ponta do escudo. Era a espada mágica que tinha dado a Aisha, ao invés da que Norn agora possuía. Não sabia se sua capacidade de ignorar a defesa do inimigo funcionaria em Orsted, mas valia a pena tentar tudo que eu podia.

O resultado final não foi exatamente majestoso.

A Armadura Mágica foi pintada em um padrão de camuflagem, que parecia quase tão fora de lugar aqui quanto a volumosa Metralhadora em seu braço. O escudo enorme e desajeitado com uma lâmina na ponta também não tinha muito valor estético.

No momento, a coisa estava de bruços no chão em um campo nos arredores de Sharia. Era tão incrivelmente pesada que eu teria que entrar e alimentá-la com mana só para ficar de pé.

— Ah! Agora sim, isso é uma armadura temível!

— De fato, de fato. Seu tamanho é bastante imponente.

— Uh, não sei. Poderia ter escolhido algo um pouco mais elegante…

— Concordo, mas para ser perfeitamente honesta, acho que parece absurda.

— É como uma espécie de monstro, Rudy. Não poderia ter escolhido uma cor diferente?

Cliff e Zanoba assentiram com satisfação enquanto examinavam o produto acabado, mas as mulheres reagiram muito menos favoravelmente. Talvez esse tipo de coisa atraísse mais os garotos.

Por outro lado, Julie estava estudando com uma expressão bastante satisfeita em seu rosto, então isso claramente não se aplicava a todas. Se voltasse inteiro, teria que ver o que Aisha e Norn pensavam.

Bem, tanto faz. Não havíamos projetado essa coisa para ser bonita.

— Certo, todo mundo — disse, virando-me para o grupo. — Acho que é hora de começar o teste final.

Sylphie, Roxy, Zanoba, Cliff e Elinalise vieram assistir. Julie e Ginger também vieram. Nanahoshi não estava aqui. Ela concordou em ajudar a atrair Orsted para mim, mas seu objetivo principal ainda era retornar ao seu próprio mundo. Como precaução para sua segurança, estávamos fingindo que eu a tinha coagido a cooperar comigo. Por essa razão, ela não poderia ser vista conosco agora. Ela provavelmente estava estudando magia de invocação com Perugius na fortaleza flutuante neste momento.

Claro, havia uma chance de que Orsted acabasse matando-a de qualquer maneira, mas quando mencionei isso, ela assentiu enjoada e aceitou o risco.

— Tudo bem, acho que vou assistir de uma distância segura, então.

Com essas palavras, Roxy foi até as cadeiras que arrumamos para nossos espectadores, levando Julie com ela. Sua barriga ainda não era visível, mas você poderia vê-la se observasse com atenção. Ela provavelmente não seria capaz de esconder isso por muito mais tempo. Esperançosamente ela faria o grande anúncio em breve.

Pensando bem, ir para a batalha com uma esposa grávida esperando por você em casa era uma maneira clássica de conseguir uma morte trágica…

Ok, não! Nem pense nisso. Quanto mais ansioso você ficar, mais difícil ficará se concentrar.

Eu iria vencer essa luta. Minha esposa teria seu filho e eu daria nome a ele. E então começaria a fazer o bebê número três. Era assim que meu futuro se parecia! É isso!

— Ok, vou entrar nela agora. Sylphie, Zanoba e Elinalise, quero que vocês três venham até mim de uma vez só. Cliff, mantenha seu Olho de Identificação ativo e me avise se notar alguma coisa.

— Claro, Rudy.

— Certamente, Mestre.

Sylphie e Zanoba avançaram imediatamente, mas, para minha surpresa, Elinalise ergueu as mãos no ar e se afastou.

— Desculpe, Rudeus, mas acho que estarei apenas assistindo hoje. Prefiro não me machucar.

Pensando bem, aquele diário dizia que Elinalise havia engravidado em algum momento. Quando estudei seu físico cuidadosamente, pensei que poderia distinguir o início de uma protuberância. Tinha sido um pouco impensado convidá-la para lutar comigo.

— Ah, certo. Não gostaria que nada acontecesse com o bebê. Por que você não vai se sentar com Roxy?

— O quê?! — gritou Cliff. — Bebê?! — Girando, ele olhou para a barriga de Elinalise intensamente. — Elinalise… você está grávida?

— Bem, minha maldição está inativa há algum tempo… então sim, provavelmente estou.

— Sua maldição está inativa?! Mas nós temos, er, continuado como de costume!

— Isso nós temos.

— Espere, de quem… é… não é o bebê de Rudeus, é?

— Você está tentando me irritar, Cliff?

— M-mas, quero dizer…

— Se é tão difícil de acreditar, por que você mesmo não dá uma olhada? Talvez esse seu Olho lhe diga alguma coisa.

— O-ok.

Cliff puxou o tapa-olho de lado e se aproximou de Elinalise… e depois mais perto ainda. Ele acabou com o rosto a cerca de cinco centímetros de seu abdômen inferior. Apesar das aparências, ele estava tentando olhar diretamente para seu útero. No entanto, este exame de perto não parecia ser o suficiente, então ele estendeu a mão e começou a subi-la lentamente pela saia.

— Oh nossa. Sabe que estamos em público, querido?

— Poderia ficar quieta por um minuto? — Sibilou Cliff intensamente. — Por favor?

— Tudo bem, tudo bem — respondeu Elinalise, com um pequeno encolher de ombros.

Para ser justo, parecia mais do que um pouco obsceno o jeito que ele estava rastejando sob aquela saia longa dela. Talvez pudesse tentar algo assim com uma das minhas esposas mais tarde… Hmm. Sylphie definitivamente ficaria bem em uma dessas.

Isso provavelmente não é algo em que eu deveria gastar meus recursos mentais agora.

— É verdade…

Cliff ressurgiu sob a saia de sua esposa, seu rosto pálido como um lençol. Aparentemente, o Olho de Identificação poderia servir como um pseudo-ultra-som. Talvez a palavra Grávida tenha aparecido em sua visão ou algo assim.

— A-agora o quê? O que nós fazemos?!

— Ah, nada em particular.

— Mas isso… não é um processo fácil, é? E há todos os tipos de…

— Cliff, já passei por isso muitas vezes. Vou ficar bem, apenas me deixe lidar com essas coisas e eu darei à luz a um bebê saudável.

— C-certo…

O rosto de Cliff não estava ficando menos pálido. Ele parecia chocado com a rapidez de tudo.

— De qualquer forma, não foi muito delicado da sua parte, Rudeus — disse Elinalise, olhando em minha direção. — Roxy deu com a língua nos dentes?

— Não, ela não disse nada. Só tive um palpite, eu acho.

— Entendo. Bem, espero que possa entender o motivo de não preferir me envolver em nenhuma luta no momento.

— Claro. Me desculpe por isso.

Elinalise, esvoaçando uma mão no ar, caminhou em direção à área de espectadores, onde se sentou ao lado de Roxy. As duas imediatamente iniciaram uma conversa. Tinha uma boa ideia de qual poderia ser o assunto, considerando que Roxy estava esfregando a mão na própria barriga. As duas devem ter engravidado quase exatamente ao mesmo tempo.

Por mais importante que tudo isso tenha sido, no entanto, tínhamos outras coisas nas quais precisávamos nos concentrar no momento.

— Certo, pessoal, de volta ao trabalho. Vamos começar este teste.

Sylphie e Zanoba assentiram, seus rostos ficando sérios.

Uma hora depois, declarei o teste como completo.

A Armadura Mágica teve um desempenho estupendo. Minha velocidade máxima parecia algo como duzentos quilômetros por hora, podia pular vários metros no ar com facilidade e meus socos bateram forte o suficiente para deixarem uma cratera de impacto no chão. Sylphie lutou para lançar um único feitiço em mim, mas qualquer magia que me atingia apenas rebatia. Nem mesmo consegui sentir os temíveis socos de Zanoba. Na verdade, ele acabou quebrando a mão na minha armadura e gritando de dor.

O projeto foi um sucesso. Era capaz de causar dano físico a uma Criança Abençoada como Zanoba, o que significava que seria capaz de machucar Orsted também. Pela primeira vez, parecia que consegui atingir meu objetivo completamente, sem estragar nada nenhuma vez ao longo do caminho. Isso era bom.

Pensando melhor, não poderia levar todo o crédito aqui. Zanoba e Cliff tornaram o projeto possível.

Talvez isso fosse algo parecido com o que era lutar sob a proteção da Aura de Batalha. Esse tipo de poder era inebriante. Estava começando a entender o porquê de gente como Perugius e Atofe terem se tornado tão arrogantes ao longo dos anos.

Será que igualei o nível da batalha o suficiente? Tinha uma chance agora?

Sim. Poderia funcionar… Posso fazer isso.

De uma forma ou de outra, meus preparativos estavam completos.


Naquela mesma noite, Roxy finalmente fez o grande anúncio.

— Acho que é hora de contar a vocês, pessoal. Parece que estou grávida.

Ela falou um pouco antes do jantar. Norn também estava em casa naquela noite, então toda a família estava presente.

— Parabéns! Que emocionante!

Lilia foi a primeira a reagir. Embora geralmente mantivesse suas emoções um pouco escondidas, havia um grande sorriso em seu rosto agora e parecia completamente genuíno. Por um momento, pensei que poderia ter algo a ver com seus sentimentos sobre a posição de sua própria filha na família… mas parecia mais provável que Roxy a tivesse consultado com antecedência. Isso também explicaria o motivo da refeição em nossa mesa de jantar estar um pouco mais chique do que o normal.

— Parabéns, Roxy.

A reação de Sylphie foi semelhante. Ou Roxy tinha ido até ela para pedir conselhos, ou tinha um palpite de que isso aconteceria. Ela aceitou a notícia facilmente, com um sorriso caloroso no rosto.

Por alguma razão, a visão daquele sorriso me atingiu com um flash de déjà vu.

De certa forma, isso foi semelhante ao dia em que Lilia revelou sua gravidez. Havia muitas diferenças, é claro. Zenith e Lilia estavam aqui e eu não estava exatamente traindo Sylphie com Roxy. Bem… pode ter começado assim, mas pelo menos conversamos como uma família e resolvemos. Sylphie aceitou Roxy. Ao contrário do meu velho, não ia levar um tapa na cara da minha esposa furiosa, ou ver minha “amante” cair em lágrimas. Tínhamos pulado direto para a parte do final feliz.

— Uhm… Rudy? Você não tem nada a dizer?

Evidentemente um pouco enervada pelo meu silêncio, Roxy se virou para mim com um olhar apreensivo em seu rosto.

Só havia uma coisa a dizer, é claro.

— Estou incrivelmente feliz. Obrigado, Roxy.

— Hã? Uh… pelo que você está me agradecendo, exatamente?

Roxy inclinou a cabeça para o lado com um sorriso meio confuso. Não pareceu entender minha reação, mas também não parecia chateada.

— Aí está você de novo, Rudy — disse Sylphie com uma risada. — Ele disse a mesma coisa para mim quando lhe contei sobre Lucie, sabe?

Eu disse? Sim, talvez tenha dito. Por que essa seria minha resposta padrão, no entanto? Hmm…

— Bem… estou feliz que você esteja grávida do meu bebê e estou feliz que se sentiu à vontade para me contar sobre isso. Parece uma prova de que você realmente me aceitou, eu acho.

— Pensei que tinha provado isso para você há algum tempo, mas… Wah!

Inclinei-me para frente, peguei Roxy e a puxei para o meu colo. Normalmente tentava não ficar muito carinhoso com ela na frente de Sylphie, mas hoje seria uma exceção.

— Você me deu todos os tipos de presentes, me ensinou todo tipo de coisa e me ajudou muitas, muitas vezes. E agora, para completar, vai ter um bebê comigo… Não sei o que dizer além de obrigado. Estou muito grato por ter conhecido você, Mestre Roxy.

— Deuses. Já faz um tempo desde que você me chamou assim…

Gentilmente, passei minha mão sobre a barriga de Roxy. Ela provavelmente estava no terceiro mês de gravidez agora; pude sentir um chute. Já tinha passado por isso uma vez com Sylphie, mas ainda parecia meio surreal.

— Ouça, Rudy. Você é meu marido agora e eu queria ter um bebê com você. Se sentir a necessidade de me elogiar, acho que algo como “muito bem” ou “bom trabalho” seria mais apropriado.

— Isso não soaria meio arrogante?

— Vamos lá. Por favor? Não pode me deixar fazer do meu jeito de vez em quando?

— Bem, tudo bem então… B-Bom trabalho, Roxy.

— Hehehe. Oh, não foi nada, realmente.

Enquanto ela falava essas palavras, Roxy pressionou a cabeça contra o meu peito e se aconchegou. Ela com certeza parecia estar levando isso com calma. Senti como se Sylphie estivesse um pouco mais nervosa.

Por outro lado, parecia que Elinalise e Lilia sabiam da gravidez de Roxy com antecedência. Talvez ela tenha se tranquilizado falando com muitas pessoas diferentes sobre sua situação.

Talvez tenha se voltado para elas por causa do quão ocupado estive ultimamente.

A ideia me fez sentir culpado. Estava me transformando em um daqueles pais ausentes, ocupado demais para prestar atenção em sua família… Embora não fosse como se estivesse subindo a escada corporativa ou algo assim.

Apertei Roxy com força em meus braços, pressionei meu rosto na parte de trás de sua cabeça e enterrei meu nariz em seu cabelo. Seu cheiro estava tão maravilhoso como sempre. Realmente deixou meu coração tranquilo.

— Ugh! Rudeus! — gritou Norn, batendo as mãos contra a mesa para dar ênfase. — Você pode tentar se conter? Vou perder o apetite!

Quando olhei, vi seu rosto vermelho como um tomate.

— Qual é, dê uma folga para eles — repreendeu Aisha. — Roxy é sempre tão atenciosa, sabe? Ela merece um pouco de carinho esta noite.

Por alguma razão, ela estava inclinada sobre a mesa com o queixo na mão e um sorriso no rosto.

— Você só está mal-humorada porque Rudeus não está te dando atenção ultimamente, certo?

— O-o quê?! Não! — gritou Norn. — Eu não estou! Olha, quero dizer, as coisas são um pouco complicadas, certo? Pense em como Sylphie e Lucie devem se sentir! Só acho que eles deveriam manter esse tipo de coisa a portas fechadas!

— Ah, você não está me enganando. Sabe, querido irmão, você realmente deveria reservar um tempo para conversar com Norn. Ela está muito popular na escola ultimamente. Ainda outro dia, um menino passou em casa para deixar uma carta para ela.

— Aisha! Quem disse que você poderia contar a ele sobre isso?!

Ah, então Norn atraiu seu primeiro enxame de admiradores? Bem, ela era adorável e esforçada também. Os meninos tinham bom gosto, eu tinha de admitir.

Algum dia, ela provavelmente arrumaria um namorado, se casaria e sairia de casa para sempre. Queria ser solidário, é claro… mas se ela se apaixonasse por algum playboy ruim, seria difícil não intervir. Tentei imaginar Norn trazendo para casa um garoto com cabelos loiros descoloridos, orelhas furadas e uma tatuagem de lágrima sob um olho…

Sua irmãzinha está me ensinando o que é o verdadeiro amor, cara. Podemos, tipo, ter sua benção?

Hmm. Não parecia muito plausível, felizmente, mas se as coisas acabassem assim, teria que tentar sorrir educadamente antes de surtar.

— Você já tem alguém de quem goste, Norn?

— A-alguém de quem eu… goste? — Enquanto outro rubor se espalhava lentamente por seu rosto, Norn se afastou de mim e fez beicinho.  — C-claro que não.

Então tinha alguém aí, né? Nada de incomum nisso. Ela estava chegando a essa idade, afinal. Quem quer que fosse, era um garoto de sorte.

— Certo, entendi. Se as coisas começarem a ficar sérias, certifique-se de trazê-lo para conhecer a família.

— Você está me ouvindo?!

Uma vez que ela trouxesse o menino para casa, teria que avaliá-lo cuidadosamente no lugar de Paul. Isso, e distribuir algumas ameaças paternais. As palavras “Você só vai levar minha garotinha sobre o meu cadáver!” iriam ser berradas em algum momento.

— De qualquer forma, e você, Aisha? Está sempre tagarelando sobre como Rudeus ficará feliz quando mostrar a ele aquele arroz do jardim!

— Heeey! — gritou Aisha, pulando da cadeira. — Eu ia fazer um grande anúncio sobre isso mais tarde! Você é horrível, Norn!

— Hum! Estamos quites! — disse Norn, virando-se mal-humorada.

Espera espera. Ela acabou de dizer o que pensei que ela disse?

— Espere, Aisha. Você… colheu o arroz do jardim?!

— Uh… bem, sim. Acho que tem estado um pouco frio demais, então não consegui muito, mas se eu replantar agora, no outono devemos…

— Replantar?! Isso significa que você colheu sementes de arroz também?! Significa, não é?!

— S-Sim, colhi. Uh, você está… agindo um pouco estranho, Rudeus. Qual é o problema?

— Estou agindo perfeitamente normal, lhe garanto! E no próximo ano?! Teremos outra safra ano que vem?!

— B-Bem, contanto que você faça mais dessa terra com sua magia, claro…

Gentilmente peguei Roxy e a sentei no chão ao meu lado. Então me levantei, me movi para o lado da mesa e me ajoelhei a três passos da cadeira de Aisha com os braços abertos.

— Muito bem, Aisha!

— Hã? Uh, eu deveria estar… pulando em seus braços agora, ou algo assim?

Aisha caminhou lentamente em minha direção enquanto olhava repetidamente na direção de Roxy, então pulou cautelosamente em meu abraço. Agarrei-a de ambos os lados, ergui-a no ar e comecei a girá-la.

— Uau! É arroz, Aisha! Aaarrooz!

— Uau!

Finalmente poderei comer arroz de novo. Era uma coisa pequena em comparação à gravidez de Roxy, mas eu amava arroz de verdade. Nada poderia se comparar a um monte grande e gordinho de perfeição branca e fofa. Especialmente quando combinado com um bom peixe grelhado. Em breve, poderia tornar esse sonho feliz em realidade.

Enquanto girava Aisha, uma nova onda de alegria se espalhou pelo meu corpo. Roxy e eu teríamos um bebê. Lucie ia ter um irmão ou irmã mais novo, cerca de dois anos mais novo que ela. A criança seria metade Migurd, é claro… espero que ela não sofra bullying nem nada. Qual seria a cor do cabelo dela?

Lucie seria uma boa irmã mais velha? Esperançosamente, eles se dariam bem com Norn e Aisha também…

Mal posso esperar. Como devemos nomear… Ah, certo. Há um tabu sobre isso, não há…

Um monte de outros pensamentos rodopiaram pela minha cabeça em rápida sucessão, até que não conseguia mais acompanhá-los.

Após o anúncio de Roxy, tivemos uma pequena comemoração modesta. A comida estava melhor do que de costume e a conversa ao redor da mesa era alegre e enérgica. Norn nos contou histórias de suas atividades no conselho estudantil. Aisha relatou alegremente que as pessoas no mercado da cidade estavam começando a aprender seu nome. Lucie começou a chorar com todo o barulho e Sylphie a confortou habilmente. Lilia serviu a comida tranquilamente, com um sorriso gentil no rosto. Zenith comia em silêncio, mas estava claramente de bom humor. Roxy estava de mau humor depois da minha reação exagerada às notícias de Aisha, então tive que trabalhar duro para acalmá-la.

Um dos pratos daquela noite consistia em bolinhos de arroz salgados. Aisha tinha feito isso pessoalmente. Quando lhe perguntei o porquê de ter escolhido bolinhos de arroz em particular, explicou que Nanahoshi havia lhe ensinado como fazê-los algum tempo atrás. Tive que assumir que era a única “receita” que ela sabia de cabeça… a garota claramente não tinha passado muito tempo numa cozinha. Por outro lado, as únicas receitas que consegui lembrar no calor do momento foram para coisas igualmente básicas, como mingau de arroz e variações simples de bolinho de arroz.

De qualquer forma, a primeira tentativa de Aisha em fazer bolinhos de arroz feitos à mão terminou com eles redondos e pequenos. O primeiro plantio foi mais um experimento do que qualquer outra coisa, então não havia colhido tanto arroz.

Ainda assim, havia o suficiente para todos experimentarem um pouco. Ninguém mais ao redor da mesa parecia particularmente impressionado com o sabor, mas eu saboreei o meu com alegria. Aisha trabalhou muito duro para colher aquele arroz e o apertou em uma bola com suas próprias mãozinhas. Como o resultado poderia ser qualquer outra coisa senão delicioso? Lágrimas escorriam pelo meu rosto, lentamente mastiguei e engoli cada mordida.

A experiência foi um sucesso. Significava que poderíamos esperar uma colheita maior da próxima vez. Aisha iria plantar mais arroz do que antes, então os próximos bolinhos de arroz que fizesse seriam maiores.

No entanto… Não havia garantia de que eu estaria por perto para comê-los.

— Tenho algo que preciso dizer a vocês, pessoal.

Uma vez que todos terminaram sua refeição, finalmente falei, então parei para olhar ao redor da mesa. Minhas irmãs e minhas mães pareciam assustadas. Minhas esposas pareciam estar se preparando. Aproveitei para olhar todas elas nos olhos, uma por uma.

— Muito em breve, estarei lutando com alguém. Alguém que é incrivelmente poderoso.

Decidi de antemão não dizer o nome de Orsted explicitamente.

— Tenho certeza que notaram que tenho agido de forma bastante estranha nos últimos dois meses. Obrigado por não me pressionarem por uma explicação. Sei que não foi fácil para vocês e lamento não poder explicar em detalhes.

— …

— Há uma boa chance de eu não ganhar essa luta.

Quando falei essas palavras, surpresa e ansiedade passaram pelos rostos de minha família. Prossegui assim mesmo.

— Esta pode ser minha última refeição nesta mesa de jantar, em outras palavras.

— V-você tem que lutar contra essa pessoa? — disse Norn, claramente abalada. — Não há outra opção?

— Não. Nenhuma que eu conheça, pelo menos.

O Deus-Homem não apareceu mais desde que me aconselhou sobre como construir a Armadura Mágica. Conhecendo-o, no entanto, tinha que assumir que estava de olho em mim todo esse tempo.

— Mas você disse que poderia não ganhar, certo? O que… Por que faria algo assim? Isso não…

— Norn, escute.

Norn era a pessoa mais perturbada e confusa da sala. Isso era perfeitamente compreensível. Aisha e Lilia ainda viviam sob o mesmo teto que eu, então provavelmente perceberam que algo estava acontecendo. Suas expressões eram graves, mas não pareciam especialmente surpresas.

— Se eu não voltar, quero que entre no meu quarto e…

— Se você não voltar?! Por que diria isso?!

Ela tinha um ponto. Eu tinha trabalhado em uma boa linha dramática como algo saído de uma história, mas por que se preocupar com o ato do herói condenado? Poderia muito bem manter uma atitude positiva.

— Está bem então. Quando eu voltar, vamos tomar um banho juntos ou algo assim.

— Eu não quero. Tome um sozinho.

Haha, ai! Um clássico da Norn!

— Aisha.

— Sim?

— Se eu não voltar, quero que leve alguns daqueles bolinhos de arroz que fez para Nanahoshi também.

— Oh…

— Ela vai chorar de alegria, garanto. Uma vez que você der a ela alguns desses, ela fará qualquer coisa que você pedir.

— Eu realmente não quero conquistar a Srta. Nanahoshi — murmurou Aisha, sua cabeça ligeiramente inclinada. — Prefiro fazer você me mimar, Rudeus.

Ah, ela é tão doce. Que criança adorável. Terei que comprar um belo presente para ela se voltar vivo. Acho que ela merecia uma grande bolsa ou um anel de diamante.

— Lilia…

— Sim, Mestre Rudeus?

— Cuide da minha mãe, por favor.

— Certamente irei. No entanto…

— Sim?

— Estarei esperando seu retorno, Mestre Rudeus. Não importa quanto tempo demore.

A voz de Lilia era suave, mas firme. Nós nos conhecíamos há muito tempo, mas ela nunca conseguiu ser menos formal comigo. Aisha definitivamente era minha irmãzinha, mas parecia que Lilia não se considerava minha mãe.

— Ei mãe. Você ouviu tudo?

— …

— Tenho que ir em breve, mas estarei de volta.

— …

Achei que podia ver uma pitada de tristeza no rosto de Zenith, mas era difícil dizer. Tinha de esperar que ela conseguisse expressar suas emoções com mais clareza algum dia.

— Sylphie…

— Sim?

— Cuide de Lucie.

— Certo. Uhm, Rudy… eu…

— Diga. O que é?

— É… não é nada. Me desculpe.

Havia algo na ponta da língua de Sylphie, mas não conseguia adivinhar exatamente o que era. Eu a amava muito, é claro, mas ela não era fácil de se ler e isso me deixava ansioso às vezes.

Estendi a mão debaixo da mesa e peguei a mão dela com a minha. E então, levando minha boca ao ouvido dela, falei em um sussurro.

— Uh, Sylphie?

— Sim?

— Honestamente isso pode te irritar um pouco…

— Ok.

— Mas se eu conseguir voltar, vamos ficar muito ocupados.

A cabeça de Sylphie foi para frente com isso. Talvez eu tenha tomado a abordagem errada aqui?

— Minha nossa! Por que você é sempre tão travesso, Rudy? — sussurrou ela, me batendo levemente no ombro.

Aproveitei a oportunidade para pegar sua mão e puxá-la para perto.

— Ah!

Foi um beijo repentino e relativamente forte. Sylphie endureceu em surpresa, mas não se afastou. Ela estava tão fofa hoje. Não que ela não fosse fofa em outros momentos. Sylphie era fofa por definição. Eu ia voltar para casa, para ela. Quando disse isso para mim mesmo, começou a parecer verdade.

— Vamos, Rudy… todo mundo está assistindo… Hyaah!

Só para garantir, levei algum tempo para lamber uma de suas orelhas longas e pontudas, parando para mordiscar suavemente. No momento em que a soltei, havia marcas de mordida visíveis nela.

— Não se preocupe, eu vou voltar. Apenas seja paciente, certo?

— Certo— murmurou Sylphie, seu rosto vermelho brilhante. — Vou tentar o meu melhor.

Com isso, me virei para a última pessoa na mesa.

— Roxy…

— Sim, Rudy?

— Vamos… dormir juntos esta noite, ok?

— Mas o bebê… Bem, tudo bem.

Ela hesitou brevemente a minha oferta, mas acabou concordando com a cabeça.

Naquela noite, Roxy e eu tomamos nosso banho e fomos para o meu quarto juntos, de mãos dadas. No ano passado, esse tipo de coisa era o suficiente para me deixar excitado e ansioso para fazermos, mas sob essas circunstâncias, bem… não havia como eu entrar no clima.

— Tudo bem então. Contanto que você seja gentil, eu…

— Tudo bem, Roxy. Acho que devemos pular isso hoje à noite.

Roxy já tinha começado a tirar a camisola, mas levantei a mão para impedi-la. Ela fez uma pausa, com as mãos ainda na manga, e inclinando a cabeça interrogativamente.

— Vamos. Sente-se.

Apontei para a cama. Assim que Roxy se sentou, sentei na minha cadeira, em vez de me juntar a ela.

— Quero dar os detalhes da situação… e explicar o que pode acontecer se eu perder.

— …Por que só eu? E quanto a Sylphie?

— …

— Você está disposto a confiar em mim e em Nanahoshi, mas não nela?

— Como você sabe que eu tenho falado com Nanahoshi?

— É uma teoria de Sylphie, não minha. Estamos conversando sobre a situação há algum tempo… Existe algum motivo para você não querer que Sylphie saiba todos os detalhes?

— Essa é… uma boa pergunta, na verdade.

Por que estava fazendo isso? Não tinha certeza, mas por alguma razão, não queria contar tudo a Sylphie. Talvez não quisesse preocupá-la?

Não, não era isso, mas por que, então? Sério, por quê?

Isso era aquela coisa do destino em ação de novo?

— Estou feliz que esteja disposto a me contar, é claro, mas me sinto muito mal por ela neste momento.

— Sim… você está certa, Roxy. Vou buscá-la agora.

— Fico feliz em ouvir isso.

Roxy estava sempre certa, não estava? Eu tinha tanta sorte de tê-la por perto.

Deixei Roxy no meu quarto por um momento e fui até o quarto de Sylphie. Quando minha mão encontrou a maçaneta, porém, hesitei por um momento.

Agora que pensei sobre isso, nunca tinha visto Sylphie em uma “noite da Roxy” antes. E se ela estivesse chorando até dormir ou algo assim? Sylphie sempre disse que estava tudo bem comigo me apaixonando por outras mulheres. Ela acolheu Roxy na família calorosamente e até aceitou a possibilidade de Eris se juntar a nós também, mas era possível que se sentisse bem diferente lá no fundo.

E se ela estivesse chorando agora?

Ou se estivesse martelando pequenos pregos em um boneco de vodu? Ou mordendo um lenço rendado, sussurrando “Aquela vadiazinha!” para si mesma?

Hmm… Não, vai ficar tudo bem. Certamente minha pequena e doce Sylphie não seria capaz disso.

— Uhm, Sylphie? Você poderia vir ao meu quarto para…

— Ele apenas mordeu minha orelha, assim! Oh, você deveria ter ouvido o jeito que ele murmurou Vamos ficar muito ocupados! Eee! O que ele vai fazer comigo? Aposto que vai ser como naquela primeira noite de novo… O que eu faço, Lucie? Você pode ter um irmãozinho ou irmãzinha a caminho em breve!

Quando abri a porta, encontrei Sylphie rolando em sua cama com os braços em volta de um travesseiro, chutando as pernas em excitação feminina. Ela estava falando bem baixinho, mas uma vez que a porta estava aberta, podia ouvir cada palavra claramente.

Era um pouco difícil acreditar que essa garota já era mãe de uma criança. Por outro lado, era uma visão extremamente adorável. Fiquei muito tentado a atacá-la. Felizmente, Lucie não estava no quarto, pois dormia no quarto de Lilia. Contudo, é preciso ressaltar, este quarto não era à prova de som…

Gah. Controle-se! Roxy está esperando por você, lembra?

— Ah.

Nossos olhos se encontraram. Sylphie parou no meio do rolamento com as costas na cama, a bunda contra a parede e as pernas esticadas em direção ao teto. Um grande e assustador sorriso estava congelado em seu rosto.

— …

Num gesto de compaixão, fechei a porta sem dizer uma palavra. Todo mundo faz coisas que não gostaria que ninguém visse, certo?

— Ei! Não, Rudy! Espera! Você entendeu tudo errado! Não vá!

Movendo-se com velocidade impressionante, Sylphie saltou de sua cama e correu para frente, pegando a porta pouco antes de fechar completamente.

— Bem, eu não ia a lugar nenhum. Apenas pensei que poderíamos tentar de novo do início.

— O quê? Você não tem que fazer isso. Precisa de alguma coisa? É a noite de Roxy, não é? Oh, talvez seja um daqueles dias? Você quer que eu me troque?

A garota claramente não estava pensando direito no momento. Parecia pensar que a menstruação de Roxy tinha começado de repente, apesar de ela estar grávida. Você não a via assim todos os dias, nem muito frequentemente, na verdade.

No entanto, por mais encantador que fosse, já era hora de colocar as coisas de volta nos trilhos.

— Queria falar sobre a pessoa com quem vou lutar e o que pode acontecer depois. Você pode vir ao meu quarto?

Sylphie ficou em silêncio por alguns segundos, então assentiu rapidamente com uma expressão séria no rosto. Pensei ter visto uma pitada de felicidade em seus olhos também.

Me senti um pouco aliviado, por algum motivo.

A explicação em si não demorou muito.

Sylphie e Roxy ouviram em silêncio enquanto lhes dizia que meu oponente era o Deus-Dragão Orsted e que tinha recebido ordens de lutar com ele por alguém chamado Deus-Homem, que me visitava em meus sonhos. Expliquei que, se eu morresse, elas precisariam fazer algumas coisas: primeiro, considerar Orsted um inimigo, mas nunca desafiá-lo diretamente; segundo, nunca confiar em nenhum conselho dado pelo Deus-Homem; e terceiro, transmitir ambas as instruções para as futuras gerações de nossa família.

Também mencionei que, após minha morte, elas deveriam contar ao resto da família tudo o que eu disse a elas e tentar pensar em maneiras de manter uns aos outros seguros. Fiz o meu melhor para transmitir a gravidade da situação. Nós três começamos sentados na cama, mas enquanto a conversa continuava, me encontrei deitado com Roxy e Sylphie aninhadas em cada lado meu.

— Se eu acabar perdendo, há uma chance de que algo horrível aconteça com Roxy durante a gravidez. Ou para Lucie, por falar nisso.

— Algo horrível? Uhm, basicamente… você está dizendo que este Deus-Homem pode fazer algo conosco?

— Sim.

— Ah… agora entendi. Então é por isso que ficou nos dizendo para ficarmos de olho na casa ultimamente…

Sylphie assentiu para si mesma, parecendo que tinha acabado de resolver um quebra-cabeça. Tinha a sensação de que ela estava entendendo um pouco mal meus motivos. Isso foi conveniente, de certa forma, mas talvez precisasse dizer alguma coisa.

— Certo, eu entendo — continuou Sylphie. — Mas sabe, Rudy, posso cuidar de mim mesma! E você também não precisa me pedir para proteger minha filha. Eu daria minha vida por ela num piscar de olhos.

— Não se preocupe comigo também — acrescentou Roxy. — Eu me mantive viva por muitos anos e não pretendo ser descuidada agora. Posso ser mais fraca que você, mas, por favor, não pense que sou indefesa.

Pensando bem, não conseguia ver uma razão para dizer algo. Ambas estavam um pouco animadas e isso era bom.

— De qualquer forma, Orsted dos Sete Grandes Poderes é… um grande oponente — continuou Roxy. — Acha que pode vencer?

— Não tenho certeza — respondi honestamente. — Só lutei com ele uma vez antes.

— E o que aconteceu?

— Ele me superou. Facilmente.

Mesmo depois de todo esse tempo, lembrar daquele primeiro encontro com o Deus-Dragão fez minhas pernas tremerem. Ele derrotou Ruijerd em um instante, facilmente tirou Eris da luta… e enfiou sua mão profundamente em meu corpo.

O homem era aterrorizante.

— Rudy, tem certeza que não devemos ir todos juntos?

— Nah, vou fazer isso sozinho. Acho que isso me dá a melhor chance de ganhar. Vou disparar vários feitiços enormes e destruir suas defesas à distância.

— Isso faz sentido… mas você está tremendo, sabia?!

— Sim.

— Ei! O que… Tire as mãos, Rudy! Pare de tentar me distrair!

Em minha defesa, não comecei a tocar em Sylphie porque queria distraí-la, só queria senti-la. Se Orsted me matasse, não teria outra chance de tocar nisto, ou nisto aqui também, ou naquilo… ou nisso, aliás…

— Ah! Vamos. Estamos tendo uma conversa séria aqui, certo?

— Sim.

— Você sabia, Rudy? Lucie está rastejando por todo o lugar agora. Ela pode chegar onde quiser.

— Hmm…

— Lilia disse que ela a lembra do jeito que você era quando bebê.

— …

— Além disso, ela está pegando muitas palavras novas. Nesse ritmo, aposto que ela estará andando por aí em menos de um ano.

Não estava ajudando muito com a criação de Lucie. Estava deixando isso inteiramente para Lilia e Sylphie. Ainda assim… sabia o quão incrivelmente fofa ela era, pelo menos.

— Estou realmente ansiosa por isso, Rudy.

— Eu também.

— Se parecer que vai perder, certifique-se de fugir, certo?

— Sim. Não sei se vou conseguir me livrar dele, mas vou tentar.

Lucie já tinha idade suficiente para entender o que estava acontecendo ao seu redor? Se eu morresse nesta batalha, ela provavelmente nem se lembraria do rosto de seu próprio pai quando crescesse. Qual seria a sensação? Era difícil imaginar, mas talvez pudesse encontrar uma maneira diplomática de perguntar a Aisha…

— Rudy…

Roxy tinha falado da minha esquerda. Estendi a mão para apalpar seu peito também, mas ela agarrou meu braço antes que eu pudesse.

Ooh, isso é uma força de aperto impressionante! Ai. Desculpe. Eu sei, eu sei… estamos tendo uma conversa séria.

— Uhm… estou feliz por ter conhecido você, Rudy. Estou feliz por me casar com você e ter um filho com você. Nunca estive mais feliz em toda a minha vida do que estou agora. Para ser honesta, nunca pensei que encontraria esse tipo de felicidade.

— Certo…

— Mas há uma desvantagem, suponho. Se você sair e se matar, vai me deixar mais triste do que nunca.

— Certo…

— Uhm, é um pouco embaraçoso dizer esse tipo de coisa, mas…

Roxy parou por um momento, respirou fundo e então terminou sua frase.

— Por favor, me faça feliz, Rudy.

Não tinha tomado a decisão errada, afinal. Iria lutar por Roxy e por Sylphie.

Precisava lutar por essas duas e depois voltar para casa e para minha família.

Todas as minhas dúvidas tinham finalmente evaporado.

Alguns dias depois, com todos os meus preparativos finalmente completos, parti da Cidade Mágica de Sharia.

Estava completamente sozinho.


Comentários

5 6 votos
Avalie!
Se Inscrever
Notificar de
guest
2 Comentários
Mais recente
Mais Antigo Mais votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Lucas BuenoD
Membro
Lucas Bueno
25 dias atrás

Rapaiz, essa treta vai ser insana demais, mas o Orsted é um personagem extremamente fodão, portanto ainda vai ter muito tempo de tela pra ele brilhar

Gabriel Silva
Membro
Gabriel Silva
3 meses atrás

Não sei se é apenas ceticismo meu, mas, não consigo imaginar o Rudeus vencendo, mesmo com essa armadura.
E caso ele comece uma luta sem dialogar antes, também não consigo imaginar que vá conseguir se explicar antes do Orsted matar ele igual da última vez.
Dessa vez não tem Nanahoshi pra convencer ele a mudar de ideia.
Queria ver um final feliz, mas, não sei.. acho que não vai ser bem assim pelo jeito né…

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar