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Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation – Volume 15 – Capítulo 8

Atoleiro vs Deus Dragão

A dois dias ao norte a nordeste da cidade de Sharia, havia uma aldeia abandonada que tinha sido engolida pela floresta.

Há cerca de quarenta anos, uma catástrofe mágica fez com que a floresta local se expandisse rapidamente. A aldeia foi rapidamente invadida, forçando seus habitantes a se mudarem. Nas décadas seguintes, os únicos visitantes deste lugar foram os monstros que percorriam a floresta e aventureiros ocasionais que vinham caçá-los.

Hoje, no entanto, um homem estava indo em direção a essa aldeia – um homem com cabelos prateados e olhos dourados, que usava um casaco de couro branco. O homem monitorou seus arredores em alerta enquanto se aproximava de seu destino. Ele não estava a cavalo ou montado em uma carruagem; ele estava simplesmente caminhando, andando calmamente pela floresta. Às vezes, seus olhos afiados e intensos olhavam para um objeto semelhante a uma bússola em sua mão esquerda.

Nenhum monstro se aventurou a atacá-lo. Muitos olhos brilhantes o espiaram das profundezas da floresta, mas quando ele se aproximou, até as criaturas mais ferozes fugiram como esquilos assustados.

— É isso?

Ao chegar nos arredores da aldeia abandonada para onde sua bússola apontava, o homem fez uma pausa e a estudou em silêncio por um momento.

— Por que ela me chamaria para um lugar como este…?

Lentamente e cautelosamente pôs os pés na cidade em ruínas. Suas ruas outrora limpas estavam cobertas de ervas daninhas e seus campos agora eram matagais. Grandes árvores subiam pelos telhados de casas vazias; outras estavam tão cobertas de trepadeiras que se assemelhavam a grandes montes verdes de vegetação.

Logo, o homem parou mais uma vez. Ele chegou ao centro da cidade, onde um poço presumivelmente teria sido localizado, porém uma estrutura distinta estava lá: um edifício alto e amarelo em formato cilíndrico, e era a única coisa em toda a cidade que não tinha nenhum vestígio de vegetação nele. Pela condição de suas paredes de pedra e sua porta da frente, claramente havia sido construída recentemente.

O homem olhou para a bússola em sua mão esquerda e confirmou que sua agulha apontava diretamente para esta torre. Ele estendeu a mão para a maçaneta com certa cautela.

— Nanahoshi, você está aí?

O interior da torre era extremamente simples. Não havia janelas ou corredores. O chão estava estranhamente escorregadio, como se estivesse coberto de algum tipo de óleo. Alguém havia deixado uma série de sacos de estopa protuberantes e algo como um queimador de incenso contra a parede. O cheiro estranho no ar parecia indicar que o queimador estava em uso ativo.

— Que lugar é este?

Olhando ao redor da sala, o homem avistou outra porta na parede em frente a ele. Com cautela, mas sem hesitar, caminhou até ela e alcançou a maçaneta. Ao fazer isso, sentiu uma pequena pontada de dor. Quando ele examinou a palma da mão, no entanto, não havia nem uma mancha de sangue.

— Hm…? Estou imaginando coisas?

Ele entrou pela porta e se viu em uma sala com um layout idêntico ao primeiro. Dado que estava sentado em uma encosta, parecia que uma parte deste edifício era realmente subterrânea.

O homem estava cada vez mais desconfiado, mas mesmo assim avançou. Placas com mensagens como “Por favor, remova seu calçado aqui” e “Todos os hóspedes, por favor, coloquem este chapéu” foram postados nas paredes; naturalmente, ele ignorou suas instruções e continuou com mais cautela do que antes.

Algumas das portas estavam equipadas com armadilhas tão pequenas que poderiam ter sido destinadas a ratos. Evitando-as cuidadosamente, continuou, passando por um cômodo após o outro.

Eventualmente, chegou a uma sala muito estranha. Era alta, circular e não tinha teto algum. Quando olhou para cima, podia ver uma fatia do céu acima dele. Parecia que ele estava parado no fundo de uma chaminé.

— O que está havendo aqui?

Duvidoso, o homem franziu a testa, mas a agulha de sua bússola apontava para o centro da sala. Uma pequena caixa estava ali com uma única folha de papel embaixo dela. Ele se aproximou cautelosamente e olhou para o papel. Havia duas palavras escritas nele:

Deus-Homem.

Ele rapidamente pegou a caixinha e a abriu.

— Hã?!

Grandes nuvens de fumaça imediatamente saíram dela.

Quando ele a deixou cair e assumiu uma postura defensiva, o homem ouviu um pequeno tilintar metálico. Um anel de prata havia caído no chão ao lado da caixinha, que de alguma forma ainda soltava fumaça com uma intensidade notável.

O anel provavelmente havia saído da caixa quando bateu no chão. Por alguma razão, piscou com uma luz vermelha fraca – e a agulha de sua bússola apontou diretamente para ela.

— Nanahoshi?

O homem estendeu a mão para pegar o anel.

Uma fração de segundo depois, houve um grande clarão no céu.

— Guh!

O homem imediatamente se impulsionou, tentando pular para o lado. Mas o piso escorregadio se recusou a cooperar. As solas de suas botas perderam completamente o controle.

Um enorme raio atingiu o Deus-Dragão Orsted.

Rudeus

A partir do meu acampamento acima da aldeia abandonada, olhei atentamente para o local que atraí Orsted. No exato instante em que vi aquela fumaça subindo no ar, disparei um relâmpago no local do alvo com todo o poder que pude reunir.

Estava confiante de que tinha o acertado. Pratiquei muitas vezes em preparação para este dia, e revesti o chão com óleo vegetal para que ele não pudesse escapar do meu feitiço no último momento.

Mas, claro, um golpe não seria suficiente para derrubá-lo. Ninguém tão frágil poderia ter ganhado uma reputação como o mais forte do mundo – não com monstros como Atofe por perto.

Enfiei meu cajado no chão, alimentei-o com uma onda de mana e visualizei uma enorme nuvem de trovão – uma supercélula escura e turbulenta. Este era o feitiço Classe Santo de Água, Cumulonimbus. Em um instante, o céu estava coberto por uma grande nuvem negra. Fortes chuvas começaram a cair, acompanhadas de relâmpagos.

Coloquei mais energia em meu cajado. Podia sentir que isso arrastava a mana para fora de mim de algum lugar profundo dentro do meu corpo, e deixei isso ocorrer livremente.

Desta vez, imaginei gelo. Visualizei parando os movimentos de cada molécula no centro da cidade, baixando a temperatura rapidamente.

Nova Congelante.

Era um feitiço que já usei muitas vezes, mas nunca com tanto poder, ou em uma área tão ampla. Uma após a outra, as gotas de chuva caindo sobre a aldeia congelaram. Camadas sobre camadas de gelo se formaram rapidamente, consolidando-se em um único objeto gigante. Finalmente, quando atingiu o tamanho de um iceberg, parei meu feitiço.

Ainda não tinha acabado. Canalizei mais mana para o meu cajado e criei uma rocha no céu acima da aldeia. Ignorando o custo de mana, expandi constantemente seu tamanho até que fosse grande demais para escapar – depois a lancei direto para baixo, com toda a velocidade que pude transmitir.

A rocha caiu em uma fração de segundo. O chão tremeu sob meus pés. Um instante depois, um grande estrondo atingiu meus ouvidos, seguido por ventos ferozes e uma onda de choque.

Protegi meus olhos com meu braço e olhei para minha obra. O iceberg havia sido quebrado e dois terços da grande rocha estavam incrustados na terra. Parecia impossível que algo pudesse ter sobrevivido a tal impacto.

— Eu o peguei?

Não houve nenhum movimento na aldeia. Parecia possível que isso realmente tivesse acabado. Eu certamente esperava que sim.

Mas um instante depois, a grande rocha se quebrou.

— Ei!

De alguma forma, pude sentir a raiva assassina do homem, mesmo a esta distância.

Um arrepio percorreu minha espinha. Minhas pernas tremiam fracamente e lágrimas se formaram em meus olhos.

Assim que pude me mover, pulei na Armadura Mágica, que estava pronta ao meu lado. Assim como pratiquei centenas de vezes, dei energia a todos os seus componentes individuais, assumi o controle de seus membros e estendi a mão para agarrar meu cajado. Não demorou nada, mas, de alguma forma, a raiva já estava se aproximando.

Com a rotina de inicialização concluída, voltei meu foco para o próximo ataque.

Mana saiu de mim, através da minha armadura, e entrou no cajado na minha mão direita. Estimulei a torrente, com toda a intenção de me secar.

Estava visualizando uma explosão nuclear.

Apontando meu cajado na direção do meu inimigo, soltei o feitiço com toda a ferocidade que pude reunir.

Houve um clarão intenso no centro da aldeia, e uma onda de calor e luz varreu o chão. Pelo canto do olho, vi árvores incineradas em um instante, reduzidas a sombras carbonizadas de si mesmas. Uma poderosa onda de choque seguiu um momento depois.

A Armadura Mágica que usava pesava várias toneladas. Ela suportou o calor e a onda de choque sem ao menos tremer.

Uma vez que a onda de devastação passou completamente por mim, olhei para baixo em direção à aldeia. Uma enorme nuvem de cogumelo estava subindo sobre ela. Não conseguia ver o chão claramente sob toda a fumaça e poeira, mas alimentei aquele feitiço com mana suficiente para destruir tudo em seu raio. Foi provavelmente o ataque mais poderoso que já usei na minha vida.

— …

E ainda assim, não conseguia parar de tremer de medo.

Ainda podia sentir aquela raiva, e estava muito, muito mais perto agora. Ele estava se aproximando de mim a uma velocidade feroz. Estávamos tão distantes no início, mas agora ele estava quase em mim.

Apertei minha mandíbula para impedir que meus dentes tremessem, apertei minhas mãos trêmulas com força e depositei meu cajado no suporte nas minhas costas. Então coloquei minha Metralhadora no meu braço direito, e peguei meu escudo com a minha esquerda.

— Hoo… Haa… Aah…

Quando parei para respirar fundo, percebi que até minha garganta tremia.

Suprimindo à força o medo e a ansiedade que se erguiam dentro de mim, apontei minha Metralhadora em direção à nuvem de poeira que se aproximava rapidamente da minha posição.

— Hoo! Haa!

Eu precisava manter a iniciativa. Se o deixasse controlar o ritmo, estava acabado.

Causei algum dano a ele? Os venenos na porta, ou o queimador de incenso afrodisíaco, ou qualquer uma das outras armadilhas tiveram algum efeito? Coloquei todo o poder que pude naqueles quatro feitiços com os quais acabei de atingi-lo. Se eles o tivessem deixado totalmente ileso, era difícil imaginar que essa pseudo-Metralhadora o arranharia. Mas, por falar nisso, meus feitiços chegaram a acertar? Certamente ele não poderia ter evitado eles. Sua área de efeito tinha sido enorme; eu os tornei tão enormes e mortais quanto possível. E os disparei de tão longe que não poderia tê-los visto chegando, mesmo com um Olho da Previsão. Não importa que tipo de Olho Demoníaco possua, a essa distância…

Uma silhueta humana se aproxima.

— Atiraaaaaar!

Gritando a palavra de comando, ativei a Metralhadora na minha mão direita. Quando a mana fluiu para dentro dela, imediatamente começou a disparar Canhões de Pedra a uma velocidade feroz. Tantas ‘balas’ cortaram o ar que o som de seus assobios se transformou em algo como um grito.

Os pedaços de rocha que se moviam rapidamente atingiram seu alvo, soprando a nuvem de poeira que o cercava e revelando um homem de cabelos prateados em uma capa surrada com seu rosto coberto de fuligem.

Ele se machucou? Meus feitiços fizeram alguma coisa?

Sim. Podia ver sangue escorrendo de seu queixo, e algo como uma queimadura na base de seu pescoço. O dano foi pequeno até agora, mas consegui machucá-lo.

— Guh!

Nossos olhos se encontraram. Seu olhar afiado, como um falcão, estava fixo em mim agora. Ele tinha a aparência de um caçador que finalmente encontrou sua presa.

Ele se esquivava na tentativa de escapar do bombardeio de pedras.

Mantendo meu Olho da Previsão totalmente ativado, concentrei-me em antecipar os movimentos do Orsted. O homem era incrivelmente rápido, então eu estava vendo uma série de possibilidades borradas e sobrepostas. Ainda assim, tentei ajustar minha mira para cortar suas tentativas de evitar meu ataque.

O tempo de viagem para cada projétil individual atingir seu alvo era praticamente inexistente. Mas de alguma forma, Orsted os evitou como se os visse chegando, gradualmente se aproximando de mim no processo.

Um passo aqui. Dois passos lá.

Olhando para mim tão ferozmente quanto uma ave de rapina, ele estava vindo lentamente, mas firmemente fechando a distância entre nós. De vez em quando, um Canhão de Pedra o roçava, e ele fazia uma leve careta, mas era só isso. Ele parecia convencido de que mesmo um golpe direto não seria fatal; aparentava não ter medo.

Ao que tudo indica, meus ataques não eram nada de especial para ele. De todas as aparências, ele lutava contra pessoas como eu regularmente.

Me senti muito diferente. Sua calma e foco parecidas como um zumbi eram aterrorizantes de testemunhar. Tinha uma sensação crescente de que nenhum dos meus ataques funcionaria nele, e era uma luta de não ceder ao desespero.

Ainda assim, estava mantendo a vantagem por enquanto.

Tentando muito me convencer disso, comecei a me mover em resposta a Orsted. Quando ele deu um passo à frente e à direita, me movi para trás, para a esquerda. Quando ele ziguezagueou para a esquerda, recuei para a direita. Aonde quer que ele tentasse ir, eu o encontrava com uma saraivada de pedras. Enquanto pudesse continuar com isso, ele nunca se aproximaria. Eu tinha a vantagem. Estava indo exatamente como tinha visualizado.

Em uma tentativa de aumentar a pressão, usei minha mão esquerda para lançar um feitiço. Meu alvo era o chão sob nossos pés, e a magia que eu tinha em mente era Atoleiro.

Moldando rapidamente o feitiço familiar, levantei a mão para ativá-lo, mas naquele mesmo instante, Orsted também levantou a mão esquerda para mim.

— Interromper Magia!

Minha magia totalmente formada foi reduzida a um emaranhado caótico por uma súbita onda de poder externo. O feitiço começou a desaparecer em uma nuvem sem sentido de mana.

— Argh!

Mas eu a refiz forçadamente, puxando os fios de volta ao seu devido lugar.

Eu era capaz disso agora. Finalmente aprendi a fazer isso. Enquanto ensinava Sylphie a usar Interromper Magia, também estava me treinando para neutralizá-la: completar um feitiço, mesmo depois de ter sido arruinado. Todas aquelas horas de prática valeram a pena por este momento.

Os olhos de Orsted se arregalaram de surpresa. Foi a primeira vez que ele viu seu Interromper Magia falhar…

Uau.

No instante em que meu Atoleiro tornou o chão sob seus pés em lama, Orsted usou um feitiço próprio para sobrescrevê-lo. Ele cobriu meu pântano completamente com uma placa de barro.

E agora, sua mão direita estava apontando diretamente para mim. Eu respondi rapidamente com meu próprio Interromper Magia.

Uma luz brilhante apagou o mundo.

Um choque de medo correu através de mim. Pausando meu bombardeio da Metralhadora por um instante, pulei para o lado com todas as minhas forças.

Posso ver o mundo de novo.

Agora havia uma cratera profunda e considerável no local onde Orsted estava mirando. Eu nem tinha visto o ataque em si. Foi algum feitiço de Fogo? Ou talvez algo mais estranho, como magia de Gravidade?

Aquela luz que eu tinha visto agora era a morte?

Não havia tempo para pensar. Orsted estava correndo para mim com uma mão estendida. O Interromper Magia não funcionaria; ele podia neutralizá-lo, assim como eu.

Apontei as duas mãos para ele, canalizando mana através delas simultaneamente. Minha intenção era parar o avanço do Orsted com a Metralhadora, enquanto também cancelava sua magia com a Pedra da Absorção, mas assim que coloquei esse plano em ação, percebi meu erro.

O feitiço do Orsted se dissipou. Mas, ao mesmo tempo, meus projéteis de pedra também se dissolveram em nuvens de areia quando deixaram minha arma.

Aproveitando esta breve janela de oportunidade, Orsted se aproximou rapidamente. Com a mão direita ainda estendida em minha direção, puxou o braço esquerdo de volta para a cintura, depois o balançou violentamente em direção ao meu coração.

— Argh…!

Por puro instinto, tomei medidas evasivas. Usando as duas pernas ao mesmo tempo, me lancei diretamente para trás com toda a força e velocidade que pude reunir.

— Guh!

Não fui rápido o suficiente.

O punho do Orsted bateu no meu peitoral. Um som de assobio encheu o ar, e eu o vi encurtar a distância a uma velocidade feroz. Logo o assobio deu lugar a um estrondo, mastigando ruídos atrás de mim, e o mundo estava cheio de árvores dançantes.

Ah. Então é assim que se sente ao ser acertado com tanta força.

Assim que esse pensamento passou pela minha mente, bati em uma árvore enorme, interrompendo meu voo. A desaceleração repentina me atingiu como um martelo; parecia que todos os meus órgãos internos haviam sido esmagados.

Minha visão começou a escurecer, mas me recuperei rapidamente. Os círculos mágicos que Cliff havia esculpido no interior da minha armadura curaram minhas feridas automaticamente.

Quando olhei para o meu peito, no entanto, descobri que meu peitoral estava muito amassado e quase rachado ao meio. A rachadura estava se reparando gradualmente, mas o processo era dolorosamente lento.

Ainda assim, pelo menos me protegeu de um golpe. Foi uma coisa boa eu ter tirado um tempo para fazer essa peça da armadura particularmente grossa e forte.

Aquela raiva assassina familiar já estava me dominando novamente. Orsted estava correndo direto para mim, tentando dar um golpe final. Ativando rapidamente minha Metralhadora, disparei uma saraivada de pedras mortais em sua direção. Ele se esquivou agilmente e estendeu a mão direita para mim mais uma vez.

Nesse ritmo, as coisas iam se desenrolar como da última vez. É um grande problema. Minha armadura foi severamente danificada por um único golpe – se ele acertasse mais em mim, acabaria por dar um soco direto nela.

Quais eram minhas opções? Duelar com ele usando magia não ia funcionar. Poderia cancelar seu Interromper Magia, mas o homem claramente tinha alguns meios de resistir a danos mágicos, assim como Moore. E eu nem sabia que tipo de feitiços ele estava jogando em mim.

Eu estava em desvantagem em uma luta à distância. Isso significava que eu teria que tentar a minha sorte a uma distância mais próxima. Era a única opção que me restava.

Tive que confiar no poder da Armadura Mágica. Tinha que derrubá-lo com minha força bruta.

Disparei outro bombardeio da minha Metralhadora para manter Orsted preso e avancei, soltando um grito de batalha silencioso.

— Raaaaaah!

— Ngh!

Orsted puxou a mão direita para trás para se preparar para o meu ataque. Conduzindo com o escudo no meu braço esquerdo, me endireitei com as duas pernas. Minha intenção era bater nele como um aríete.

Orsted assume uma postura Estilo Deus da Água.

No instante em que vi isso com meu Olho da Previsão, balancei meu escudo para frente, atacando em sua direção com a lâmina montada em sua ponta. Esta era uma espada que causava mais dano aos inimigos com defesas poderosas. Talvez funcionasse.

Meu corpo bateu em Orsted com um estrondo alto e metálico. Parecia que tinha batido contra uma parede. Mas o impacto o fez voar para trás; e havia sangue jorrando de seu braço. Seus olhos, ainda fixos em mim, estavam ardendo de ódio e raiva.

Esta era a minha chance. Colocando minha Metralhadora em posição, rapidamente disparei um bombardeio de pedras. Elas bateram nele no ar, rasgando o que restava de suas roupas e revelando um corpo machucado e espancado por baixo. Havia queimaduras, cortes e arranhões por todo o corpo. Meus canhões de pedra atingiram sua pele exposta repetidamente, enviando jatos frescos de sangue para o ar.

Finalmente, Orsted bateu no chão com um forte estrondo.

Eu poderia fazer isso. Eu poderia matá-lo. Contanto que pudesse acertar golpes diretos, meus feitiços poderiam causar muitos danos. Sim, as pedras ricochetearam nele, mas rasgaram sua pele e o deixaram sangrando. Eventualmente, isso seria o suficiente para matá-lo. Se eu pudesse machucá-lo o suficiente agora, antes que ele…

— Parece que não tenho escolha.

De alguma forma, o ouvi dizer essas palavras. Mesmo à distância. Mesmo enquanto minhas pedras gritavam no ar.

Naquele instante, o ar esfriou. Meu corpo estremeceu incontrolavelmente, como se de repente tivesse pisado em uma tundra gelada. E então meu Olho da Previsão parou de ver Orsted, embora ele fosse claramente visível para o meu outro olho.

Antes que eu pudesse entender o que isso significava, ele desapareceu completamente.

— Ei!

Atingido por um súbito e intenso choque de terror, dei um salto para a direita.

Naquele momento, houve um estrondo agudo do meu lado esquerdo.

Quando olhei, vi Orsted parado ao meu lado com uma espada parecida com uma katana nas mãos. Sob todos os aspectos, ele tinha acabado de balançá-la.

Eu também vi a mão esquerda da minha armadura, cortada de forma limpa de seu braço, cair no chão com um baque pesado.

— Graaaaaaaaaaahhh!

Antes que eu pudesse reagir, Orsted soltou um grito assustador e ensurdecedor. A força do grito deixou meu corpo atordoado e entorpecido. Esta era a magia vocal, a especialidade do povo-fera.

Por um instante, vacilei à beira da inconsciência. Mas no último momento, consegui me recompor e pular para o lado.

Impulsionando o chão com tanta força que deixou uma cratera em seu rastro, Orsted saltou atrás de mim em perseguição.

Virei minha Metralhadora para ele. Mas assim que eu estava ativando, ele balançou a espada pela segunda vez, cortando-a ao meio. Pedaços quebrados dos implementos mágicos caíram inutilmente no chão.

Eu ainda tinha meu braço direito, pelo menos. Havia uma ranhura longa e profunda na superfície de sua armadura, mas ele não estava perto o suficiente para cortá-la completamente.

Orsted estava bem na minha frente agora com sua espada ainda baixa de seu ataque. Imediatamente canalizei mana na minha mão direita. No mesmo momento em que disparei minha versão mais forte do feitiço Elétrico, balancei meu punho blindado implacavelmente em seu rosto.

Mas, em vez de acertar com um estalo, senti meu golpe deslizar inofensivamente para longe de seu alvo.

De alguma forma, a espada do Orsted estava pressionada contra meu braço. E atrás dele, a eletricidade explodiu ruidosamente pela floresta, incendiando a vegetação rasteira e quebrando grandes árvores.

Ele redirecionou meu feitiço e meu soco.

No momento em que finalmente entendi isso, sua espada se moveu ligeiramente.

— Gaaaagh!

O braço direito da minha armadura caiu no chão com meu braço real ainda dentro dela.

A dor era esmagadora, mas eu nem tive tempo de fazer careta. Mesmo enquanto ele seguia em seu ataque, Orsted continuava pressionando o ataque novamente.

Não pude responder. Não pude nem me preparar.

Seu chute me acertou bem no estômago. Um grito metálico horrível soou em meus ouvidos. Fui levantado brevemente do chão. Toda a força de seu ataque havia passado direto através da armadura para o meu corpo.

— Bleeergh!

O golpe no meu estômago enviou sucos gástricos pela minha garganta e pela minha boca. Minha visão estava turva de lágrimas. Mas quando caí pesadamente de costas, apontei o cotoco do meu braço direito para Orsted e disparei uma onda de choque nele.

Orsted balançou a espada no ar. Ouvi um estrondo enquanto ele fazia isso, mas essa foi sua única reação ao meu ataque. Quando percebi que ele havia cortado a onda de choque, seu pé havia esmagado meu rosto. Meu pescoço rangeu ameaçadoramente, e um choque de dor intensa correu da minha cabeça até meus ombros.

—Nh…?!

Sem nem perceber, caí no chão. Depois de me levantar apressadamente para uma posição sentada, consegui me levantar – apenas para ver Orsted parado bem na minha frente com sua espada erguida.

Eu ia morrer.

— Expurgar!

Por puro reflexo, consegui gritar a palavra de comando. Os painéis traseiros da Armadura Mágica saltaram instantaneamente, puxando-me junto com eles. Uma fração de segundo depois, Orsted cortou a armadura vazio ao meio.

Bati no chão com força e meu corpo caiu por algum tempo antes de finalmente parar.

Não conseguia ver o que Orsted estava fazendo. Eu estava sem opções. Estava tudo acabado.

— Ai!… caaagh…

Meu corpo inteiro estava cheio de dor. O homem só me chutou algumas vezes através da minha armadura, mas parecia mais que eu tinha sido espancado com um bastão por horas. Meu peito dói. Meu estômago dói. Meu braço direito dói. Meu pescoço dói. Minhas costas doem. Era doloroso apenas respirar. Por alguma razão, mal conseguia me mover. Me senti mais exausto do que nunca em toda a minha vida.

Oh. É assim… que se sente… quando sua mana acaba?

— Aah… haah…

Os olhos de Orsted se voltaram para mim.

Me encolhi de medo. Minha armadura se foi. Tinha que correr, ou ele me mataria aqui e agora…

Espera. Meu braço direito. Onde está meu braço direito?

— Guhhh…

O chute acertou antes mesmo de eu vê-lo se mexer. Caí para trás com meu corpo gritando em agonia.

Caí de bruços na terra. Lutando para respirar, virei de costas – e um pé bateu no meu peito.

— Nrrgh…

Um gemido de dor saiu da minha garganta.

Meu corpo parecia estar queimando. Mas havia algo frio pressionado contra minha garganta. Olhando para cima, vi que era a espada do Orsted.

Droga. Eu realmente vou morrer. Tudo isso, e ainda não foi o suficiente…

— Então é você, Rudeus Greyrat. Da última vez que soube, você tinha sossegado e começado uma família. Por que viria atrás da minha cabeça?

Parecia que Orsted não pretendia me matar imediatamente. Talvez fosse porque ele já havia poupado minha vida uma vez. Ou talvez soubesse que eu não era capaz de continuar a luta.

— O Deus-Homem… disse…

— Hmph. Então você é um dos discípulos dele, afinal. Morra, então.

Ele tirou o pé do meu peito e ergueu a espada.

— Ele disse… que você está tentando destruir o mundo, e meus descendentes vão ajudá-lo a te matar um dia…

Orsted fez uma pausa ao ouvir isso.

— O quê?

— O Deus-Homem me disse… ele está lutando contra você porque quer proteger o mundo.

— …

— Ele disse que se eu te matasse, não machucaria meus filhos… ou minha família…

Virei-me de barriga para baixo e estendi a mão em direção ao pé do Orsted. Agarrando-me a ele, esfregando meu rosto contra ele, comecei a implorar com uma voz alta e desesperada.

Isso era a única coisa que eu podia fazer agora.

— Por favor… não destrua o mundo. Você pode me matar, não me importo. Só não leve meus filhos… Não tire o futuro deles! Por favor, isso… Esta é a primeira vez que eu… fui tão feliz. Por favor, deixe o Deus-Homem em paz. Eu te imploro!

Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Eu era um fracasso impotente, e agora até perdi minha dignidade.

Patético. Apenas patético. O que há de errado comigo, droga?

— Não posso fazer isso, estou com medo.

No momento em que ouvi essas palavras, mordi ferozmente o pé do Orsted.

— Fgaaaaaah!

Ao mesmo tempo, levantei o coto sangrando do meu braço direito do chão, canalizei toda a minha mana restante para ele e ordenei que explodisse.

Se eu tivesse que morrer, pelo menos eu levaria esse desgraçado comigo.

— Interromper Magia!

Um chute forte me fez voar. Com meu foco quebrado, a mana que reuni se dissipou inutilmente. Era uma luta apenas para ficar acordado agora. Se eu usasse mais mana neste momento, poderia dizer que ficaria instantaneamente inconsciente.

— Você pode possuir o Fator de Laplace e a enorme quantidade de mana que vem com ele. Mas lançar tantos feitiços poderosos em rápida sucessão ainda o drenará.

Enquanto falava, Orsted se abaixou e estendeu a mão para mim.

Eu vou morrer. Ele vai me matar. Mas se eu morrer, ele não morrerá.

E se ele não morrer… então Lucie morrerá. E Roxy. E Sylphie. Não posso deixar isso acontecer. Não posso deixá-lo me vencer. Eu preciso ganhar!

Mas meu corpo não se mexe. E estou sem mana.

O sangue pulsava constantemente para fora do meu braço cortado. Meus pensamentos estavam ficando vagos e lentos. O mundo parecia estar ficando mais escuro.

A mão do Orsted se aproximou até ser tudo o que pude ver.

Droga. Droga.

Dane-se…

Eu deveria ter escolhido um nome, pelo menos.


— Hrm?!

De repente, Orsted saltou para longe de mim.

— Mm…?

Olhando para cima, descobri que outra pessoa tinha ficado entre nós. Era uma mulher alta de calças escuras e uma jaqueta elegante. Em sua mão, segurava uma espada de uma mão com uma lâmina prateada. Mas ela estava de costas para mim, então eu não podia ver seu rosto.

Ah, espera. Reconheço esse cabelo…

Estava ondulado, descia até a cintura dela – e era um tom vibrante e ardente de carmesim.

— Desculpe o atraso, Rudeus.

Eris Greyrat estava na minha frente.


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Likolt
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Likolt
1 mês atrás

Top 10 roteiros

Lucas BuenoD
Membro
Lucas Bueno
2 meses atrás

Mas vou te falar, que homem sortudo da porra que é o Rudeus tá

Lucas BuenoD
Membro
Lucas Bueno
2 meses atrás

A patroa chegou carai

Gabriel Silva
Membro
Gabriel Silva
5 meses atrás

Cara. Tá vendo. Eu sabia! A Eris é a personagem mais incrível que esse mundo já viu! Olha isso mano!

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