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Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation – Volume 21 – Capítulo 3

Vire o Tabuleiro e Capture o Rei

Ah, Oi! Rudeus Greyrat aqui. Você deve estar se perguntando como isso aconteceu. Lá estava eu, cercado. Oito honrosos cavaleiros em reluzentes armaduras azuis estavam à minha volta.

Porém, antes de falarmos disso, vamos conhecer melhor nossos concorrentes.

A primeira, que estava bem na minha frente, era Therese. Therese Latria. Isso mesmo, minha tia e membro da Casa Latria. Ela era meio estranha até entre os Cavaleiros do Templo expulsionistas. Ela me aceitou, mesmo com todos os meus amigos demônios, mas ia além disso. Ela não parecia se importar com raças ou sangue.

Ela costumava ser bem descontraída comigo, mas dessa vez? Bom, estava usando um elmo, então quem ia saber?

Vamos seguir adiante. O próximo era o cavaleiro à esquerda dela.

Ele usava um elmo em forma de caveira e sua armadura tinha um arranhão na região do coração. Eu lembrava daquela característica. Não sabia ao certo qual era o nome dele, mas tinha de ser o cavaleiro conhecido como Cinzas de Caveira. Considerando o elmo de caveira, era um bom palpite.

O cara perto dele usava um elmo que lembrava muito as lixeiras que você veria pelas ruas de Millis. Ele era o único dos oito que usava uma capa vermelha e a Criança Abençoada gostava muito daquela capa, sempre limpando suas mãozinhas nela. Esse cavaleiro tinha a infeliz alcunha de Lata de Poeira.

O próximo tinha um capacete com uma placa frontal plana, com os dizeres “que você descanse em paz” gravados nela. Esse cara tinha mais de dois metros de altura. Ele colocava a Santíssima Criança em seus ombros para que ela pudesse pegar frutas das árvores. Ela o chamava de Coveiro.

O elmo do quarto homem fazia parecer que ele tinha um cabo de vassoura enfiado na cabeça. Sua armadura não tinha nenhum outro traço marcante que o identificasse. Certo, vassouras… limpar…

Ah! Varredor de Lixo.

Havia mais três, mas pra falar a verdade eu não conseguia distingui-los. Todos tinham nomes relacionados à morte, sepulturas ou qualquer outra coisa assim, e ficavam cheios de orgulho sempre que a Criança Abençoada os chamava, mas quanto a identidades, nomes

Eram todos codinomes esquisitos e sombrios. Isso era tudo o que eu lembrava.

Ah, verdade. Caixão Preto, Mortalha Funerária e Marcha Fúnebre. Tenho quase certeza de que era isso. Agora, como era mesmo que toda a equipe era chamada? Espera, tô quase lembrando… Hum…

— Que comece a inquisição! Eu sou Therese Latria, capitã dos Guardiões de Anastasia, e atuarei como inquisidora!

Os outros sete cavaleiros ao meu redor gritaram de seus assentos, batendo suas espadas contra o chão mais uma vez.

Certo, Guardiões de Anastasia, era isso. Therese já tinha me dito antes.

— Iniciarei, então, o interrogatório do acusado! Alguma objeção?

— Sem objeções!

— Objeção! Eu voto para que ele seja executado agora mesmo!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Todas as objeções foram negadas!

Aw, pobre Lata de Poeira, ficou desapontado. É assim mesmo, quando todo mundo fala que é melhor pensar antes de agir e você age antes para pensar depois, é claro que você vai ser ignorado… Não se preocupe, amigão, eu me lembrarei disso.

— Rudeus Greyrat é acusado.

Espera, espera. Não estou entendendo. Será que alguém poderia me deixar a par do que aconteceu da última vez?

Pode deixar! Tá na hooooora da recapitular!

Nosso herói Rudeus, tentando resgatar sua mãe, Zenith, se aproximou da Criança Abençoada e da capitã de sua guarda, Therese. Certo dia, ele foi à sede da igreja para ver Therese, e viu-se aprisionado numa barreira de nível Rei. Seus captores disseram que ele era acusado de heresia por planejar o sequestro da Criança Abençoada.

Pronto, estou a par de tudo. Me sinto melhor agora.

Tipo, beleza, admito que, uma vezinha, pensei em fazer um sequestro de leve, mas abandonei esse plano! Em vez disso, trouxe Therese para o meu lado e deixei que ela negociasse o retorno de Zenith para mim. Tinha que ser algum engano. Ou isso ou alguém estava espalhando informações falsas. Eu tinha mantido aquele plano de sequestro escondido a sete chaves. Geese, Cliff… Ah, e o Papa. O Papa era o mais suspeito dessa lista, embora também fosse possível que Geese tivesse sido capturado e eles o tivessem torturado até arrancar essa informação… oh. Esperava que Aisha estivesse bem.

— A inquisição começará agora! Responda com sinceridade, Rudeus.

— …Está bem.

Não fazia ideia do que estava rolando. Quando isso acontecia, o mais importante era manter a calma. Se escorregasse agora, tudo pelo que eu tinha me esforçado não valeria de nada.

— Rudeus Greyrat. Você admite que distribuiu escritos negando que os demônios são maus, desviando o coração dos fiéis? — perguntou Therese.

Então eles fizeram o dever de casa. Certo, mas o Papa sabia disso, então provavelmente estava no banco de dados dele.

— Não admito — disse.

— Por favor, responda com a verdade. Nós temos provas.

— Eu não distribuí nada. Todos me pagaram direitinho.

— O preço não era notavelmente baixo para um livro?

Claro que era. Eu queria que o máximo de pessoas possível tivesse aquele livro em mãos.

— Como você bem sabe, Therese, eu…

— O acusado não deve falar, exceto para responder às perguntas da inquisidora.

Não seja assim. Pergunte por que eu estava puxando o saco do Ruijerd, pensei. Therese fazia perguntas para as quais sabia a resposta. Eu já tinha falado com ela sobre isso antes.

— Rudeus Greyrat, você cultua os demônios como deuses, correto?

Fiquei em silêncio por um momento.

Ok, esta eu com certeza posso negar.

— Não, eu não acredito em deuses.

— Mentiroso! — Os outros cavaleiros gritaram para mim.

— O acusado está mentindo!

— Mentiras!

— Tudo mentira!

— Mentiroso!

— Julgo que o acusado mente!

— Sim, mentiras!

Quando terminaram, Therese anunciou:

— A maioria decidiu que você está mentindo! — e assim foi decidido.

Regra da maioria, hein. Muito democrático da parte deles. Acho que é assim que as inquisições funcionam.

— Esta é a última pergunta. Rudeus Greyrat, você admite que planejou sequestrar a Criança Abençoada, símbolo da Sagrada Igreja de Millis?

— Não admito. Fiz uma piada de mau gosto nesse sentido uma vez, mas nunca planejei nada.

Não que tenha sido uma brincadeira quando disse pela primeira vez… mas nunca agi como se fosse sério. No final, poderia muito bem ter sido uma piada.

— Mentiroso!

— O acusado está mentindo!

— Mentiras!

— Tudo mentira!

— Mentiroso

— Julgo que o acusado mente!

— Sim, mentiras!

Ah, bom. Eu estava começando a achar a coisa toda meio engraçada. Queria fazer uma inquisição onde ninguém pudesse rir. Você responderia perguntas básicas com mentiras óbvias, e quem risse primeiro seria executado.

Essa realmente foi a última pergunta, hein…

— A maioria decidiu que você está mentindo — disse Therese solenemente. Os outros sete cavaleiros bateram suas espadas no chão novamente. Foi bastante intimidante. Se eu não tivesse passado o mês anterior olhando para o que estava por trás daqueles elmos, eu poderia ter surtado.

— Esta inquisição considera Rudeus Greyrat culpado de heresia!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Objeção! Não posso ficar aqui papeando com vocês quando tem arroz para ser colhido! Esperem! Tomem essa!

— …Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

— Sem objeções!

Minha interrupção rendeu uns olhares daqueles.

Desculpem, era a vez de vocês falarem, né?

— Isso conclui a inquisição. Condeno o réu ao desarmamento total!

— O que é isso? Algum tipo de pena de morte? — perguntei. Não esperava uma resposta, mas quis tentar de qualquer forma.

— Não, não vamos te matar — respondeu Therese. — Seus braços serão cortados. Então, para garantir que você nunca mais use magia, eles serão envolvidos em um pano tecido com uma barreira mágica e depois selados com magia da terra.

Hum, não é que ela realmente respondeu?! Não sei como ela vai fazer isso acontecer, já que nenhum de nós pode chegar ao outro agora…

Tinham me selado. Eles provavelmente tinham todo tipo de coisa preparada para quando a barreira descesse e a luta começasse.

Desarmamento, é sério? Eles iam cortar meus braços, selá-los em uma barreira, depois envolvê-los em concreto também para que eu nunca mais pudesse usá-los. Chega de magia, de espadas, de armas… Daí o nome. Chega de carícias em seios para mim também. Eu teria que voltar a usar próteses. A Prótese Zaliff tinha um sistema sensorial decente, mas não era ideal para o parceiro que receberá as carícias. Como você pode imaginar, as mãos não são boas a menos que sejam quentes e macias.

— Therese, você tiraria minha alegria de viver?

— Assassinato é a sua alegria de viver?

Ugh… É isso que pensa de mim…? Que se eu tiver as duas mãos livres, vou sair matando pessoas? Na verdade, era o exato oposto: eu gostava de fazer pessoas.

— O quê? Não. Eu quis dizer que sem minhas mãos, como vou segurar minha esposa?

— Como assim?

— Eu, hmm… Eu quero, hmm, segurar minha esposa de novo — disse. Depois de ser forçado a repetir a mesma declaração vergonhosa duas vezes, tudo o que Therese fez foi estalar a língua com impaciência. Grossa

Bom, tanto faz. Eu não estava ansioso para entrar naquele diálogo “Segurar sua esposa? O que você quer dizer?” “Deixa que eu te mostro…” de hentais.

— Não importa o que aconteça, vocês não planejam me deixar ir, não é?

— Correto

— Então aquele julgamento ridículo não era brincadeira, mas sério?

— Correto.

— A Criança Abençoada seria capaz de confirmar minha inocência, se vocês a chamassem — ofereci. — Ela não costuma participar das inquisições?

— Desde que pelo menos sete estejam presentes, os Cavaleiros do Templo têm autoridade para julgar os hereges em inquisições básicas.

— Então você não vai chamar a Criança Abençoada para mim.

— Isso… está correto — respondeu Therese. Não consegui ver seu rosto por baixo do capacete, mas sua voz tremeu. Então ela não estava fazendo isso porque queria, ela era uma participante involuntária.

— Tudo de bom que fez por mim até agora foi apenas atuação para me trazer até aqui? — perguntei.

— Claro que não. Eu e a Criança Abençoada gostávamos muito de você. Foi você que nos traiu, Rudeus.

— Eu não traí ninguém. Vim até você porque confiei em você, Therese — disse, depois olhei ao redor para me dirigir a todos os cavaleiros presentes. — Vim aqui querendo apenas fazer amizade com sua amada Criança Abençoada.

Ninguém respondeu. Acho que não estavam interessados no que eu tinha a dizer.

Cara… Que merda.

Eu realmente tentei fazer um jogo aberto desta vez. Controlei minha impaciência, mantive todos os meus desejos sob controle e optei pelo caminho lento, mas seguro, para garantir o retorno de Zenith, mas aqui estava eu.

— Therese, o que vai acontecer com Zenith?

— Eu… vou me certificar de que a Mãe seja persuadida. A questão que estamos tratando nada tem a ver com esse assunto.

Hmm. Essa resposta, logo depois daquele tremor de antes na voz. Therese definitivamente não está dando as cartas aqui. É o Papa quem está por trás disso? Ou o cardeal?

Essa é a desvantagem de servir à igreja, hein.

— Eu sei que não sou da fé de Millis e tenho laços com o Papa… — comecei —mas todos vocês sabiam disso desde o início, não é? Por que agora…

— Terminou de fazer perguntas? — Therese me cortou, parecendo resoluta.

Sua voz era fria. Ela não ia me responder. Acho que não deve existir diálogo nesse tipo de situação.

— Uma última pergunta: a informação que você recebeu não foi de um deus que falou com você em sonho com uma mensagem, foi? — perguntei.

— Não! A informação veio de uma fonte confiável. Os Cavaleiros do Templo nunca dariam crédito às palavras de tal entidade desconhecida.

— Mesmo que o deus em seu sonho afirmasse ser o Santo Millis? — questionei.

Mal acabei de falar e os cavaleiros à minha volta explodiram em protesto.

— Santo Millis jamais enviaria mensagens dessa natureza!

— Deus jamais faria tal coisa.

— Suas palavras não são para nossos ouvidos indignos, de qualquer forma!

— Exatamente! Santo Millis nunca apareceria para ninguém além da Criança Abençoada!

— Millis é o único e verdadeiro deus!

— Apenas um demônio usaria o nome de Deus falsamente!

Therese deixou os outros terminarem. Então, endireitando-se, disse com orgulho:

— Bem colocado, todos vocês. Nossa fé é absoluta, Rudeus.

— …Bem, isso é um alívio — respondi.

Não encontraria nenhum apóstolo do Deus-Homem nesse alegre bando de fanáticos. Eles eram todos devotos seguidores de Millis. Isso era tudo que eu precisava saber para me acalmar.

Abri meus braços, deixando meu robe cair no chão. Fez um som muito legal, se é que posso dizer. Na minha mão esquerda tinha o equipamento que guardei comigo para estes momentos.

— Braço, Absorver — murmurei. A pedra de absorção foi ativada e a barreira aos meus pés desapareceu. Os olhos dos Cavaleiros do Templo se arregalaram.

— Certo. Vamos ver do que vocês são capazes.


— Todas as unidades, espalhem-se! — gritou Therese. Os outros Cavaleiros do Templo se afastaram para criar distância entre nós. Em resposta, dei um passo para o lado ao mesmo tempo em que criava Canhões de Pedra em ambas as minhas mãos. Eles eram muito rápidos e acertavam forte o suficiente para que um golpe direto no lugar certo fosse fatal. Eu atirei. Quem foi meu primeiro alvo?

Lata de Poeira, eu escolho você!

— Apoio! — Ele gritou.

— Ngh!

Os dois cavaleiros ao lado do Poeira mergulharam na frente para desviar meus dois Canhões de Pedra. Ambos carregavam escudos que pareciam membranas semitransparentes. Escudos Mágicos de nível Iniciante.

Espera aí, Iniciante? Meu Canhão de Pedra foi parado por uma magia de nível baixo?

— Poeira, Coveiro e Caveira, flanqueiem pela direita! Lixo, Caixão, Mortalha, pela esquerda! Marcha, ataque ao meu comando!

Therese ordenou e três ataques mágicos coordenados vieram de ambos os lados. Fogo, água e terra. Três disciplinas mágicas diferentes ao mesmo tempo… Contudo, isso não seria o suficiente.

— Braço, Absorver! — Eu disse.

A pedra de absorção desintegrou magia enquanto, ao mesmo tempo, eu disparava outro Canhão de Pedra contra eles. Foi desviado novamente, desta vez pelo idiota com o Escudo Mágico que não havia se participado do ataque.

— Deixe esta chama ardente queimar com sua bênção! Lança-chamas!

— Majestosa lâmina de gelo, eu te invoco para derrubar meu inimigo! Lâmina de Gelo!

Fui atacado por magia de ambos os lados ao mesmo tempo. Fogo e água. Espera! Aquele cara estava com a mão no chão. Havia três tipos. Era uma Lança de Terra!

— Braço, Absorver!

O fogo e a água se desintegraram, enquanto a Lança da Terra foi substituída por um atoleiro em seu ponto de origem, deixando-a inutilizável.

Que merda, fui lento demais e perdi o timing para um contra-ataque

Porém, eu conseguia me mover. Recuei rapidamente e desviei dos ataques mágicos.

Um tipo de magia. Fogo. Pelo tamanho, talvez uma Bola de Fogo?

Por que foi apenas um? Tinham três caras ali, por que não vieram três ataques? Não havia tempo para pensar muito a respeito. Apontei um braço para o grupo da esquerda e o outro para o da direita e gritei:

— Canhão de Pedra!

Recuar conferiu a mim uma boa visão da situação. Os Cavaleiros do Templo se dividiram em grupos, com três à direita e três à esquerda. Dois membros de cada grupo seguravam um escudo semitransparente; foram eles que pularam na frente dos meus Canhões de Pedra e os bloquearam. Eu fiz os canhões mais fortes e rápidos desta vez, mas ainda ricocheteavam nos escudos como se não fossem nada. Já tinha visto isso antes: Estilo Deus da Água. Impressionante que funciona até com Escudos Mágicos.

— Deus desconhecido, responda ao meu chamado e eleve a terra aos céus! Lança de Terra!

— Ó espíritos das águas magníficas, eu rogo ao Príncipe do Trovão! Com sua majestosa lâmina de gelo, mate meu inimigo! Explosão de Gelo!

Os dois sem escudo lançaram magias contra mim, uma ligeiramente mais lenta que a outra. Eu obviamente poderia contra-atacar ambas, mas isso não me levaria a lugar nenhum.

Certo, qual é o plano?

Três inimigos à minha direita e três à minha esquerda. Dois em cada grupo estavam usando barreiras mágicas para bloquear meus ataques. Eu só podia fazer dois ataques mágicos por vez, então só precisavam de dois escudos. Quando um ataque mágico foi em sua direção, o terceiro membro respondeu com sua própria magia. Assim que os da outra equipe percebiam que não eram alvos, baixavam seus escudos. Então, com minhas defesas totalmente abertas, todos os três atacavam ao mesmo tempo. Eles provavelmente usaram três disciplinas mágicas porque sabiam que eu só poderia usar duas. Uma pena que suas informações não explicava que eu poderia neutralizar todos os seus ataques simultaneamente. A razão pela qual eles atacaram apenas de um lado no início foi uma mera questão de distância, imagino. Se eu estivesse mais próximo, poderiam ter me enfrentado de perto e então atacado sempre que eu iniciasse um encantamento. Cada grupo tinha um membro sem escudo, que presumi estarem encarregados do combate corpo-a-corpo.

No entanto, enquanto eu estivesse nessa zona segura, eles não se moveriam.

…Eles realmente se prepararam para essa situação. Certo, que tal isso?

— Bola de Fogo!  — gritei, me certificando de que todos eles me ouvissem invocar minha magia. Criei duas esferas ardentes, cada uma com dois metros de diâmetro. Seu tamanho e temperatura eram de nível Avançado, mas eram mais lentas que os Canhões de Pedra. Tão lentas que pareceriam um arremesso de eephus, com arco alto e de baixa velocidade. Lancei uma em cada grupo.

— Apoio! — Veio o chamado e os cavaleiros com escudos avançaram, mas o Escudo Mágico tinha um ponto fraco.

— Perturbar Magia! — entoei. O feitiço desfez os escudos de ambos os cavaleiros à esquerda.

Quase toda barreira mágica consome energia mágica enquanto está ativa, mesmo uma barreira mágica de nível Iniciante. O que significava que o Perturbar Magia ainda funcionava, mesmo que o encantamento já estivesse completo. O grupo à direita iria bloqueá-lo, mas é aquele ditado: Dividir para conquistar.

Esse foi o meu pensamento até o instante em que veio algo por trás de mim. Girei com minha mão direita levantada para bloqueá-lo. Houve um baque alto e algo explodiu e virou pó na minha frente. Uma pedra marrom, reduzida a fragmentos que agora passavam voando pelo meu rosto. Ainda podia sentir a força do impacto no meu cotovelo. Aquilo era um Canhão de Pedra. Acho que foi a primeira vez que usaram isso contra mim.

— Rudeus pode lançar um feitiço diferente de cada mão! — disse Therese. — Contanto que dois bloqueiem e um ataque, ficaremos bem! Todos vocês, fiquem firmes!

Ela se esgueirou atrás de mim junto com outro cavaleiro, aquele que lançou o feitiço.

Eu estava totalmente cercado. Recuar tinha sido um erro? Não, eu tinha que presumir que eles também tinham um plano de curto alcance.

A armadura dos cavaleiros que atingi com a Bola de Fogo estava fumegando um pouco, mas eles estavam ilesos.

— Rudeus, nós oito somos os mais fortes entre todos os Cavaleiros do Templo — disse Therese. — Você não pode vencer.

— Você acredita mesmo nisso, não é? — retruquei.

— Sim. Nos últimos dez dias, nos dedicamos a estudar como você luta. Você é tão famoso que não demorou muito para montarmos uma contra estratégia.

Ah é? Nesse caso, por que vocês não sacam suas espadas? Eu sou mais fraco à curta distância.

Até agora eles estavam evitando minha magia. Era possível que não quisessem se arriscar num combate corpo a corpo porque não sabiam o que eu faria. Considerando como tinham me neutralizado, a estratégia deles parecia estar funcionando. Se tivessem que recorrer a uma batalha de resistência, bem, isso mostraria que suas habilidades de pesquisa não eram tão boas assim. Porém, ainda estavam mantendo a distância entre nós.

Eles deviam ter um plano, o que significava que eu tinha que agir rápido.

— Por favor, Rudeus — Therese gritou para mim novamente —, entregue-se! Antes de tentar qualquer coisa, sabemos que você prefere usar magia e temos um plano para acabar com você! Eu não esperava esse artefato na sua mão esquerda, mas agora sei como funciona!

— Ah, é mesmo?

— A entrada para o jardim está selada com uma barreira mágica! Ninguém virá ajudá-lo!

Huh. Parabéns, pessoal. O plano era praticamente perfeito. Eles elaboraram uma estratégia infalível para me pegar. Nenhum contraplano feito no calor do momento iria superar isso. Foram minuciosos.

Eu me perguntei se deveria tentar abordagens diferentes e ver se conseguiria escapar, mas se acabasse capturado, seria muito humilhante. Eu não podia mais me dar ao luxo de pegar leve.

— Atoleiro — bradei.

Era hora de levar aquilo a sério.

POV THERESE

Rudeus murmurou algo e o chão sob meus pés se transformou em lama. Meu informante havia me falado sobre esse feitiço. Era por isso que o chamavam de Rudeus “Atoleiro” Greyrat.

O pântano que o feitiço criou deveria ter apenas o tamanho de um prato. Porém, como era de se esperar do Atoleiro, este era muito maior. Cada centímetro visível do jardim foi transformado em um pântano lamacento. Houve um desagradável som algo sendo esmagado quando as preciosas Árvores Sarakh, as Árvores Balta e as Árvores Peeris da Criança Abençoada foram todas inclinadas para o lado. O atoleiro não iria nos deter; Lixo já estava entoando o contra-feitiço.

— Névoa Profunda! — Rudeus murmurou. Logo depois, tudo foi obscurecido por uma névoa branca.

Merda.

— Todo mundo em guarda! Ele quer nos deixar presos na lama e perdidos na névoa para que possa nos pegar um por um! — gritei. No instante seguinte, o chão brilhou em roxo, seguido por um estalo agudo, como se algo se partisse. Meus ouvidos zumbiam.

— Não entrem em pânico! O encantamento nas suas armaduras faz de vocês imunes à eletricidade! — alertei. — Esse cara é esperto, não deem a ele nenhuma oportunidade de escapar!

Ouvi alguém dizer: “Entendido, capitã!” da névoa.

As coisas iriam dar certo. Meu informante disse que Rudeus não era bom em combate próximo. Ele, no entanto, tinha feitiços como o Canhão de Pedra, Eletricidade e vários outros que tínhamos que ter cuidado. Sua magia era poderosa demais para ser ignorada e eu não queria receber um golpe direto.

Entretanto, infelizmente para Rudeus, todos os cavaleiros dos Guardiões de Anastasia eram sacerdotes guerreiros do mais alto calibre. Eram, no mínimo, de nível avançado com espada, e também foram treinados em magia de barreira, além de outras quatro disciplinas de nível avançado. Qualquer um deles seria um oponente formidável sozinho, mas também treinavam exaustivamente para subjugar em equipe inimigos que lutavam sozinhos. Meu Estilo Deus da Água era apenas de nível intermediário, mas Marcha Fúnebre, esperando ao meu lado, era um Santo da Água. Rudeus pode ser um mago de nível Imperador, mas não seria fácil passar pelo anel que desenhamos em torno dele. Minha estratégia foi boa.

— Vamos combater o Atoleiro, capitã! — disse Fúnebre. Um momento depois, ouvi Lixo dizer:

— Onda de Areia!

A lama abaixo de nós se transformou em areia e puxei meus pés para evitar ser enterrada nela.

Desculpe Rudeus, mas a Onda de Areia pode sobrescrever o Atoleiro. Aposto que não te ensinaram isso na academia. Afinal, o combate à magia combinada ainda é um tópico de pesquisa em andamento… Esta deve ser a primeira vez que vê sua técnica ser combatida assim, certo? O que quer que você tenha planejado, fracassou. Xeque-mate.

Nenhum de nós realmente acredita que você tentaria sequestrar a Criança Abençoada, é claro. Você realmente a fez sorrir, e eu sei que só veio até mim porque estava genuinamente com medo por Zenith. Infelizmente, minhas mãos estão atadas. Esta foi uma ordem do cardeal, então a verdade não é levada em conta nisso, eu simplesmente obedeço.

Bem, só o Poeira que ficou um pouco irritado, dizendo que sabia que você sempre esteve apaixonado pela Criança Abençoada…

Argumentei para poupar sua vida, pelo menos. E funcionou. O cardeal decretou generosamente que, como inimigo de Lorde Millis, perder seus braços seria punição suficiente. É por isso que não trouxemos lâminas ou veneno.

Vai ficar tudo bem, Rudeus. Você é tão jovem e já tem uma linda esposa! Mesmo sem os braços, você poderá viver sua vida com o apoio de Lady Eris. Ouvi dizer que você também serve ao Deus Dragão. Quando eu era criança, diziam que os dragões tinham poderes misteriosos, então talvez possam quebrar nosso selo e recolocar seus braços. Contanto que não fiquemos sabendo de nada, prometo que não vamos incomodá-lo.

Quanto à Zenith… Vou dar um jeito para que dê certo. Como eu disse, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

— Vamos anular a Névoa Profunda, capitã — disse Fúnebre, trazendo-me de volta à realidade. Então, de repente, tive uma sensação estranha. Tinha alguma coisa errada, mas o quê?

Rudeus… não estava fazendo nada. Era isso. Depois de lançar a Névoa Profunda, Rudeus não se moveu nem um centímetro. Se ele tivesse corrido ou usado magia, eu teria escutado. Nas profundezas da névoa, onde não conseguia ver nem um metro à frente do meu rosto, não ouvi nada desde aquela primeira Eletricidade. Será que ele tinha fugido? O Atoleiro e a Névoa Profunda, seguidos por Eletricidade, foram lançados para evitar que nos movêssemos, então ele usou alguma outra magia e já estava…

— Rajada de Vento!

O feitiço de vento foi disparado e a névoa se dispersou instantaneamente.

— Hmm?

Todos nós olhamos, incapazes de acreditar em nossos olhos

Quando a névoa se dissipou, o que vimos no meio do círculo não era Rudeus. Aquela coisa, o que quer que fosse, estava em cima de um pergaminho rasgado. Era grande e feito de pedra.

Uma estátua? Um conjunto de armadura?

Uma ideia de repente me ocorreu e eu murmurei:

— Isso foi… magia de invocação?

No momento seguinte, a armadura gigante se moveu com uma velocidade assustadora.

POV RUDEUS

Esmaguei o grupo do Poeira primeiro. Eu me aproximei deles no momento em que a névoa se dissipou, e ficaram surpresos demais para reagir a tempo. Usando meu Olho da Previsão, li as posições de seus escudos e para onde se moveriam ao mesmo tempo em que disparava um, dois, três tiros

Acho que eles tentaram se defender, mas todos os meus disparos acertaram o alvo.

Eu me contive, obviamente. Só os derrubei. Eles estavam vivos… Provavelmente…

Antes mesmo que caíssem no chão, mudei para o modo metralhadora. Girei para a minha direita, virando também os meus braços. Houve um zumbido como o de abelhas furiosas quando vários Canhões de Pedra foram disparados. As pernas dos cavaleiros estalaram como galhos, junto com as proteções que estavam usando. Eles ainda estavam inteiros, e eu não tinha atingido nenhum ponto vital, então provavelmente não tinham morrido. Se levantassem, eu estaria em apuros, então atirei na cabeça de cada um deles para nocauteá-los. Faltavam dois.

Eu me virei usando o trabalho de pés que Orsted me ensinou, que permitia que me aproximasse de possíveis atacantes por trás enquanto mantinha a habilidade de esquiva. Não parecia que alguém iria me atacar naquele momento, mas melhor prevenir do que remediar. Parei na frente de Therese. Ela olhou para mim em choque e outro cavaleiro tentou desembainhar sua espada para defendê-la. Muito lento, amigão, muito lento. Eris poderia tê-lo cortado em pedaços dez vezes naquele tempo.

Vestindo a Versão Um, eu conseguia lidar com aquilo. Meu punho o atingiu antes que puxasse a lâmina da bainha. Ele saiu voando com o meu soco, se chocou contra a parede da igreja e desmaiou.

Therese ficou lá parecendo atordoada com o que tinha acontecido. Não conseguia ver seu rosto dentro do capacete, mas reconhecia aquela linguagem corporal. As pessoas entram em pânico e congelam quando não conseguem mais processar o que está acontecendo.

— O… O quê…? — disse ela, boquiaberta.

Eu a nocauteei. Como um gesto de respeito por tudo que fez por mim, fiz isso com um Canhão de Pedra em vez de um soco.

Tinha acabado.

A Armadura Mágica Versão Um era uma grande força a ser reconhecida. Todos os meus ataques haviam atravessado suas defesas, e eu mal havia levado um único golpe. Lutar assim quase parecia trapaça. Os outros Cavaleiros do Templo caíram ao redor de Therese e de mim, nenhum deles estava morto. Ótimo, eu não gostava de matar pessoas se pudesse evitar, a menos que fossem apóstolos do Deus-Homem. Essa era a minha regra. Além disso, aqueles caras nunca foram uma grande ameaça.

— Ufa… bem melhor.

Foi muito bom aliviar um pouco da frustração que eu vinha acumulando ultimamente.

Talvez eu devesse entrar em uma briga de verdade de vez em quando. Quem sabe eu arranque uma folha do livro da Eris e… Melhor não, seria violento demais.

Fiquei me perguntando o que fazer. Depois daquilo, os Cavaleiros do Templo e eu definitivamente tínhamos nos tornado inimigos.

Para começar, quem me dedurou? A lista de pessoas que sabiam sobre a ideia do sequestro incluía eu, Geese e Aisha… e depois Cliff e o Papa. Talvez a garota na casa de Cliff também? Eu descartei Aisha imediatamente. Se ela quisesse me trair, poderia ter me atingido mais perto de casa.

— Irmãozão, cavalinho! — Ela diria, toda fofa, aí enquanto eu estivesse distraído com seus seios contra minhas costas, ela cortaria minha garganta. Mais simples ainda, ela poderia envenenar minha bebida.

— Irmãozão, fiz isso especialmente para você… — Era tudo o que ela precisaria dizer, e esse seria o meu fim. Eu tinha certeza que Geese e Cliff também não eram culpados. Nenhum deles precisava de um plano elaborado para levar a melhor sobre mim.

Sobrava o Papa, mas por que o Papa escolheria este momento para se livrar de mim? O que ele ganharia com isso? Não, eu estava deixando alguma coisa passar. Talvez só quisesse me colocar contra os Cavaleiros do Templo. Olhando da perspectiva dele, eu disse que o apoiaria, mas na verdade não levei isso à frente. Poderia ser que ele tivesse planejado aquilo porque estava cansado de eu aparecer o tempo todo sem avisar. Então, enquanto os guardas dela estavam aqui ocupados comigo, o pessoal do Papa entrou sorrateiramente e sequestrou a Criança Abençoada…

Espera aí. Therese não tinha dito que suas informações vinham de uma fonte confiável? O Papa era seu inimigo, definitivamente não era uma fonte confiável. A história do sequestro pode ter sido uma coincidência, uma mentira que alguém inventou e depois atribuiu a mim.

Não, espera. Não é uma coincidência, esta poderia ser a trama do Deus-Homem. Seus apóstolos podem estar à espreita em algum lugar nas sombras agora. Sim, essa era uma explicação mais plausível do que traição. Ah, se eu soubesse qual era o ângulo dele e, de qualquer maneira, seria baseado no que quer que ele visse no futuro. Tudo de desagradável que já aconteceu tem um dedo daquele desgraçado.

Não dava pra descobrir o culpado apenas com as informações disponíveis, e eu não podia perder tempo pensando demais nisso enquanto havia um problema mais imediato: comecei a acumular inimigos. Não sabia se alguma coisa havia acontecido com a Criança Abençoada, mas eu tinha acabado com os guardas dela e a facção cardinalista não ia gostar nada daquilo. Primeiro, me prenderiam pela tentativa de sequestro dela. Em seguida, seguiriam a trilha de migalhas até Cliff, aquele que me trouxe para Millishion, e então iriam atrás do Papa.

Um momento, isso não significaria que o Papa não havia orquestrado nada? Foi o cardeal?

Já falamos disso. Pare de se preocupar com quem está por trás de tudo e comece a pensar na sua próxima jogada.

O problema era: contra o quê? Contra quem? Parte de mim queria reunir todo mundo e dar o fora da cidade, mas ainda tinha a Zenith, e de jeito nenhum eu a deixaria para trás. Eu poderia ir para o território dos Latrias tirá-la de lá.. mas e se ela não estivesse lá? E se, enquanto eu estava ocupado trabalhando com Therese, Claire tivesse levado Zenith para outro lugar?

Eu ia acabar colocando toda a Millis em chamas lutando contra esses cavaleiros? Nossa, o Deus-Homem adoraria isso.

Que merda. Talvez eu devesse fazer isso mesmo. Primeira ordem do dia: tirar Aisha, Geese e Cliff de perigo. Então eu iria para o território Latria resgatar Zenith. Se ela não estivesse lá, eu iria para o castelo, sequestraria um membro da família real e exigiria uma troca de reféns. Pronto, é isso. Eu já estava cansado de pensar sobre isso.

— Ah…! — Ouvi uma voz.

Olhei para além da bagunça que o Atoleiro havia feito no jardim, para a entrada do santuário interno. Na frente da porta, segurando a chave especial que operava sua fechadura, estava uma garota, sozinha.

Percebi que ela estava olhando nos meus olhos. Imediatamente tentei desviar meu olhar, mas era tarde demais. Um olhar de perfeita compreensão tomou conta de seu rosto e ela sorriu, então estendeu os braços para mim, como se me recebesse. Quando vi aquilo, tive um estalo. Talvez tenha sido apenas por instinto, mas agi de acordo com ele.

Eu sequestrei a Criança Abençoada.



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