“O que aquele idiota dp meu irmão mais velho está pensando?!” Marie resmungou, emburrada em sua mesa dentro de uma das salas de aula da academia, incapaz de esconder sua irritação. Não demorou para que o intervalo terminasse e a delegação imperial partisse, mas o humor dela não melhorou nem um pouco. A verdadeira causa da sua frustração, como sempre, era Leon.
Carla começou a recolher os livros e anotações de Marie, guardando tudo cuidadosamente em sua bolsa, algo a que já estava completamente acostumada depois de tanto tempo cuidando dela.
“Sim, ele está desaparecido desde o fim do nosso intervalo”, disse Carla. “O diretor até disse que não ouviu nada sobre o motivo pelo qual Leon não compareceu. Eu me pergunto o que poderia ter acontecido?”
O atual diretor era alguém que Leon respeitava profundamente como um verdadeiro cavalheiro e mestre do chá, embora não demonstrasse o mesmo nível de respeito por outros adultos. Ainda assim, nem mesmo ele sabia o motivo da ausência de Leon, o que só tornava tudo mais estranho.
Os olhos de Marie se fecharam com irritação.
“Leon tem sorte. Ele é um arquiduque, então ninguém vai dizer nada sobre ele matar aula. Nem mesmo os professores vão repreendê-lo por isso.”
“Não podemos ser muito duros com ele”, Carla respondeu, dando de ombros. “Ele é o herói que salvou o reino.”
Marie revirou os olhos.
“Bem, se ele é um herói, gostaria que ele não matasse aula sem dizer nada.”
No entanto, o que realmente a incomodava não era a ausência em si, mas o fato de não saber como Erica estava. Considerando a frequência e a gravidade recentes dos ataques da garota, aquilo a deixava inquieta, e a falta de notícias só piorava a situação. Luxion estava desligado onde quer que Leon estivesse, e Cleare não respondia, o que tornava impossível obter qualquer informação. A ausência daquele em quem sempre confiou começou a se transformar em um desconforto crescente, que logo deu lugar à irritação.
Com as sobrancelhas franzidas, Carla sugeriu com cautela: “Hum, por que não fala com aquelas garotas…?”
Ela não precisava dizer mais nada — ambas sabiam de quem estava falando.
“Seria melhor se você pudesse falar a sós com a senhorita Noelle, mas não estou otimista de que ela tenha as informações que você procura.”
“É verdade, elas podem saber de alguma coisa”, disse Marie, antes de fazer uma careta. “Mas eu realmente não quero falar com elas.”
“Eu também não.”
No primeiro ano, Marie e Carla causaram inúmeros problemas para Angie e Livia — na verdade, problemas era um eufemismo, já que suas ações colocaram as vidas das duas em risco. Por isso, ambas ainda carregavam um sentimento de culpa que dificultava pedir qualquer tipo de ajuda. Entre as três noivas de Leon, a única com quem conseguiam falar com mais naturalidade era Noelle, mas mesmo isso não resolvia tudo, já que Leon costumava confiar mais em Angie para assuntos importantes.
Marie cruzou os braços, encarando o teto enquanto tentava tomar uma decisão, e, depois de alguns instantes, finalmente falou: “E-eu acho que tudo o que podemos fazer agora é abordar Noelle.”
“Sim”, concordou Carla. “Não acho que tenhamos muitas outras opções.”
***
Por que isso está acontecendo?!
Gotas frias de suor escorriam pela testa de Marie enquanto, após o fim das aulas, ela era conduzida até o dormitório de Angie, onde as três noivas de Leon já a aguardavam. Angie a convidou para se sentar, enquanto Carla permaneceu atrás dela, como de costume. Marie lançou um olhar nervoso para Noelle.
“E-então, qual é a ocasião? Eu, uh, só queria falar com Noelle.”
A tensão no ambiente era sufocante, e Marie sabia exatamente o motivo. Angie e Livia a encaravam com frieza, e ela não podia culpá-las — afinal, havia roubado o noivo de Angie e o título de Santa de Livia. Diante disso, ela só podia esperar que Noelle fosse quem explicasse o motivo daquele verdadeiro interrogatório.
Noelle, porém, mantinha o olhar voltado para o chão, alheia ao nervosismo de Marie. Quando falou, sua voz era calma, mas carregada de seriedade.
“Você queria me perguntar por que Leon está ausente, certo? Bem, também não sabemos os detalhes. Luxion não está aqui e Cleare está no Licorne.”
“Eu sabia que não a via há algum tempo”, disse Marie. “Então é por isso. Ela esteve no Licorne esse tempo todo.”
“Sim. É por isso que esperamos que você saiba algo sobre tudo isso, Rie.”
Naquele momento, tudo fez sentido para Marie — elas acreditavam que ela tinha respostas. O problema era que ela também não sabia de nada.
Marie se encolheu sob o olhar penetrante de Angie e forçou um sorriso.
“Eu também não ouvi nada. Queria perguntar a mesma coisa a vocês.”
Noelle assentiu.
“Eu sei. Mas você e Leon são muito próximos, não é? Achamos que já era hora de perguntarmos a você o que exatamente está acontecendo entre vocês dois.”
Foi então que tudo se encaixou de vez — aquilo era um interrogatório.
“Leon também saiu sem nos dizer uma palavra”, acrescentou Angie calmamente. “Ele realmente não mencionou nada para você?”
Marie manteve o sorriso rígido.
“E-eu não ouvi nada sobre isso… Mas, falando sério, ele já fez isso antes, certo?”
“Na verdade, o Sr. Leon geralmente nos avisa antes de partir, mesmo que não entre em detalhes”, disse Olivia, com uma voz suave que contrastava com a expressão fria. “Mas desta vez ele não fez isso.”
“Rie, você conversou com ele recentemente, certo?” Noelle insistiu. “Ele disse alguma coisa?”
“Eu já disse, não ouvi nada.”
“Isso está me incomodando há algum tempo, então deixe-me perguntar claramente: qual é o seu relacionamento com Leon?” Angie exigiu. “Ele disse que ‘não pode ficar longe de você’, mas isso não explica nada.”
“Ele lhe dá uma quantidade absurda de dinheiro para gastar, e ele…”
Antes que Livia terminasse, Noelle olhou abruptamente para a janela.
“Leon está de volta!”
O Einhorn surgia à distância, sua silhueta inconfundível graças ao chifre na popa.
Marie soltou um suspiro de alívio.
***
Quando embarcaram no Einhorn, Cleare apareceu e guiou as três noivas até a sala de estar, onde deveriam esperar por Leon. Sentaram-se em um sofá, enquanto robôs preparavam bebidas que ninguém tocou, já que a tensão no ar tornava impossível qualquer gesto casual. Angie fervia em silêncio, e Noelle não conseguia parar de se mexer.
“Eu me pergunto por que Marie foi levada para uma sala separada”, disse Livia calmamente.
“Cleare disse que era para visitar a doente Princesa Erica, mas isso também me parece estranho. Que ligação Marie tem com ela?” Angie respondeu, franzindo a testa.
As três estavam claramente desconfiadas, incomodadas com a possibilidade de Leon confiar em Marie mais do que nelas.
“Não é justo que Rie receba um tratamento tão especial. Sério, o que está acontecendo entre os dois?” Noelle murmurou.
“E aqui eu pensei que ele finalmente estava confiando em nós”, disse Angie com um suspiro.
Livia também não conseguia esconder o desconforto.
“Lembro-me de Miss Marie chamá-lo de ‘Big Brother’. Isso causou bastante confusão na família do Sr. Leon…”
Apesar das suspeitas, todas sabiam que Leon não via Marie como interesse romântico — ele a tratava como família. Ainda assim, a forma como ele a tratava continuava difícil de ignorar.
Enquanto Livia refletia sobre isso, a porta se abriu de repente.
Leon entrou.
“Sr. Leon!”
Livia se levantou imediatamente — e então congelou.
“Huh…?”
Leon estava coberto de ferimentos, e havia algo estranho em sua postura, algo duro e artificial que não existia antes. Ainda assim, ele sorriu como sempre.
“Ei. Desculpe por demorar. Vocês três estão bem? Acabei me envolvendo em outra confusão. Foi um saco resolver tudo.”
Ninguém soube como reagir.
Angie avançou, levantando a mão como se fosse bater nele — mas parou no último instante.
“Seu idiota… O que você tem feito esse tempo todo?”
“Eu já te disse, eu…”
“Você deveria ter nos avisado! Por que está escondendo coisas de novo? Se você está com problemas, deixe-nos ajudar!”
Leon suspirou, coçando a cabeça — e então sua expressão mudou completamente. Pela primeira vez, ele olhou para elas com frieza absoluta.
“Isso tudo é demais. Uma verdadeira dor.”
“Já chega. Estou encerrando meus compromissos com vocês três aqui e agora.”
“Sr. Leon…?”
A voz de Livia falhou, e o sangue sumiu de seu rosto.
“V-você não pode estar falando sério…”
Angie começou a tremer.
“Por que… depois de tudo? Você disse que me queria… que lutaria contra a Casa Redgrave…”
Noelle franziu o rosto.
“Você está falando sério agora?”
Leon virou-se sem sequer olhar para trás.
“Claro que estou. Já que sabem onde estamos, saiam do meu navio.”
“Duvido que nos veremos novamente.”
A porta se fechou silenciosamente atrás dele.
Angie caiu de joelhos, envolvendo o próprio corpo com os braços, enquanto Livia correu até ela e a abraçou com força.

“Angie?!”
“E-eu fui… abandonada de novo. E depois… eu fiz tudo isso por Leon…”
Angie, que sempre manteve sua postura com dignidade e graça, agora tremia como uma criança, reduzida às lágrimas. A cena era dolorosa demais de assistir, e só quando Lívia sentiu algo quente escorrer por seu próprio rosto percebeu que também estava chorando.
“Por que, Sr. Leon?” ela murmurou, com a voz rouca de tristeza. “Isso é muito cruel.”
Ele nem sequer lhes dera uma explicação antes de romper o noivado. As três permaneceram na sala de estar, incapazes de se mover, como se o impacto daquelas palavras ainda estivesse sendo processado.
***
Depois de falar com elas, segui para o laboratório de pesquisa de Cleare. Os itens que eu havia reunido nos últimos dias estavam espalhados sobre uma grande mesa, formando um conjunto variado: desde dispositivos antigos até armas relativamente modernas — todos tesouros obtidos ao explorar masmorras, recompensas que existiam dentro do jogo, pelo menos no primeiro.
Cleare analisava cada peça com atenção.
“Luxion mencionou que você se concentrou na região oriental do reino. Estou surpresa que tenha encontrado tanta coisa.”
“Isso nem é tudo”, respondi. “Não consigo me lembrar de cada detalhe. Infelizmente, não registrei tudo quando reencarnei — principalmente os itens menores.”
Agora eu me arrependia disso. Na época, ignorei objetos triviais por julgá-los inúteis, mas justamente um desses era o que eu mais precisava naquele momento. A frustração me corroía.
Cleare então voltou sua atenção para um cajado metálico incrustado com grandes joias, típico de um mago.
“Essas pedras absorveram essência demoníaca”, explicou. “Elas permitem aumentar o fluxo de mana na magia.”
“Podemos usar isso?”
“Vou precisar desmontar o cajado para otimizar os efeitos. O restante é desnecessário — não há motivo para manter a estrutura original. Mas você não usa magia, não é, Mestre?”
“Quanto mais opções tivermos, melhor. Desmonte e adapte.”
“Isso vai destruir o valor cultural do item”, alertou.
O cajado era um artefato antigo, provavelmente com valor histórico. Ainda assim, dadas as circunstâncias, aquilo era irrelevante.
“Não me importo. Faça.”
Cleare chamou robôs da tripulação para recolher os itens e iniciar o trabalho. Em seguida, virou sua lente azul em minha direção.
“A propósito, Mestre, notei que você ganhou muita massa muscular em pouco tempo. Recomendo não exagerar nas drogas.”
“Se isso aumenta nossas chances de vitória, não vejo problema.”
Meu rosto permaneceu inexpressivo.
Cleare hesitou, como se não esperasse uma resposta tão indiferente.
“Luxion, não é sua função cuidar da saúde do Mestre?” perguntou, em tom acusador.
“Não posso desobedecer a uma ordem direta”, respondeu ele, encerrando o assunto.
“Amanhã, após a manutenção e o reabastecimento, iremos para o sul”, anunciei. Ainda havia itens que não coletamos, e o tempo era escasso. Não podíamos nos dar ao luxo de perder sequer um momento.
“Se continuar assim, você vai desmaiar”, advertiu Cleare.
A guerra com o império era apenas uma questão de tempo. Eu queria resolver tudo o mais rápido possível, mas a realidade era cruel — estávamos em desvantagem. Cada item coletado, cada melhoria no meu corpo, era um pequeno passo rumo à batalha final contra Arcádia.
Ainda assim, faltava algo essencial.
“Vocês conseguiram contato com seus antigos aliados?” perguntei.
Cleare balançou suas lentes.
“Sem sucesso. Todos estão se dirigindo diretamente a Arcádia. Quando se aproximam demais, a comunicação se torna impossível. Talvez possamos alcançá-los se nos aproximarmos também.”
Ela não disse em voz alta, mas era óbvio o risco: se chegássemos perto demais, Arcádia poderia nos detectar.
“Continuem tentando. Se souberem que os descendentes da velha humanidade ainda existem, devem aceitar se unir a nós.”
Se o que Brave disse fosse verdade, havia outros como Luxion e Cleare despertos. Precisávamos de todos eles. Eu estava disposto a reunir cada vantagem possível antes da guerra.
Então, Luxion quebrou o silêncio.
“Mestre, por que você encerrou seus compromissos com suas noivas? Isso foi desnecessário.”
Cruzei os braços, evitando seu olhar.
“Porque eram um incômodo.”
“Você normalmente evita esse tipo de situação com desculpas. Desta vez, escolheu machucá-las deliberadamente”, observou ele.
Minhas sobrancelhas se contraíram.
“Mestre”, acrescentou Cleare, “você realmente acha que agir como um completo idiota fará com que elas desistam de você? Isso é exagerado até para você.”
Enquanto ela demonstrava irritação, Luxion parecia genuinamente furioso.
“Isso não foi um rompimento comum”, disse ele. “Há algo mais profundo por trás disso.”
Ele então me encarou diretamente.
“Mestre, você pretende sobreviver ao confronto com Arcádia?”
Não respondi. Já estava cansado daquela insistência.
“Marie está aqui, certo? Deve estar com Erica. Vou falar com ela.”
Sem esperar reação, saí do laboratório.
Atrás de mim, ouvi Cleare murmurar: “Ele literalmente fugiu da pergunta.”
“Angie?!”
“E-eu fui… abandonada de novo. E depois… eu fiz tudo isso por Leon…”
Angie, que sempre manteve sua postura com dignidade e graça, agora tremia como uma criança, reduzida às lágrimas. A cena era dolorosa demais de assistir, e só quando Lívia sentiu algo quente escorrer por seu próprio rosto percebeu que também estava chorando.
“Por que, Sr. Leon?” ela murmurou, com a voz rouca de tristeza. “Isso é muito cruel.”
Ele nem sequer lhes dera uma explicação antes de romper o noivado. As três permaneceram na sala de estar, incapazes de se mover, como se o impacto daquelas palavras ainda estivesse sendo processado.
***
Depois de falar com elas, segui para o laboratório de pesquisa de Cleare. Os itens que eu havia reunido nos últimos dias estavam espalhados sobre uma grande mesa, formando um conjunto variado: desde dispositivos antigos até armas relativamente modernas — todos tesouros obtidos ao explorar masmorras, recompensas que existiam dentro do jogo, pelo menos no primeiro.
Cleare analisava cada peça com atenção.
“Luxion mencionou que você se concentrou na região oriental do reino. Estou surpresa que tenha encontrado tanta coisa.”
“Isso nem é tudo”, respondi. “Não consigo me lembrar de cada detalhe. Infelizmente, não registrei tudo quando reencarnei — principalmente os itens menores.”
Agora eu me arrependia disso. Na época, ignorei objetos triviais por julgá-los inúteis, mas justamente um desses era o que eu mais precisava naquele momento. A frustração me corroía.
Cleare então voltou sua atenção para um cajado metálico incrustado com grandes joias, típico de um mago.
“Essas pedras absorveram essência demoníaca”, explicou. “Elas permitem aumentar o fluxo de mana na magia.”
“Podemos usar isso?”
“Vou precisar desmontar o cajado para otimizar os efeitos. O restante é desnecessário — não há motivo para manter a estrutura original. Mas você não usa magia, não é, Mestre?”
“Quanto mais opções tivermos, melhor. Desmonte e adapte.”
“Isso vai destruir o valor cultural do item”, alertou.
O cajado era um artefato antigo, provavelmente com valor histórico. Ainda assim, dadas as circunstâncias, aquilo era irrelevante.
“Não me importo. Faça.”
Cleare chamou robôs da tripulação para recolher os itens e iniciar o trabalho. Em seguida, virou sua lente azul em minha direção.
“A propósito, Mestre, notei que você ganhou muita massa muscular em pouco tempo. Recomendo não exagerar nas drogas.”
“Se isso aumenta nossas chances de vitória, não vejo problema.”
Meu rosto permaneceu inexpressivo.
Cleare hesitou, como se não esperasse uma resposta tão indiferente.
“Luxion, não é sua função cuidar da saúde do Mestre?” perguntou, em tom acusador.
“Não posso desobedecer a uma ordem direta”, respondeu ele, encerrando o assunto.
“Amanhã, após a manutenção e o reabastecimento, iremos para o sul”, anunciei. Ainda havia itens que não coletamos, e o tempo era escasso. Não podíamos nos dar ao luxo de perder sequer um momento.
“Se continuar assim, você vai desmaiar”, advertiu Cleare.
A guerra com o império era apenas uma questão de tempo. Eu queria resolver tudo o mais rápido possível, mas a realidade era cruel — estávamos em desvantagem. Cada item coletado, cada melhoria no meu corpo, era um pequeno passo rumo à batalha final contra Arcádia.
Ainda assim, faltava algo essencial.
“Vocês conseguiram contato com seus antigos aliados?” perguntei.
Cleare balançou suas lentes.
“Sem sucesso. Todos estão se dirigindo diretamente a Arcádia. Quando se aproximam demais, a comunicação se torna impossível. Talvez possamos alcançá-los se nos aproximarmos também.”
Ela não disse em voz alta, mas era óbvio o risco: se chegássemos perto demais, Arcádia poderia nos detectar.
“Continuem tentando. Se souberem que os descendentes da velha humanidade ainda existem, devem aceitar se unir a nós.”
Se o que Brave disse fosse verdade, havia outros como Luxion e Cleare despertos. Precisávamos de todos eles. Eu estava disposto a reunir cada vantagem possível antes da guerra.
Então, Luxion quebrou o silêncio.
“Mestre, por que você encerrou seus compromissos com suas noivas? Isso foi desnecessário.”
Cruzei os braços, evitando seu olhar.
“Porque eram um incômodo.”
“Você normalmente evita esse tipo de situação com desculpas. Desta vez, escolheu machucá-las deliberadamente”, observou ele.
Minhas sobrancelhas se contraíram.
“Mestre”, acrescentou Cleare, “você realmente acha que agir como um completo idiota fará com que elas desistam de você? Isso é exagerado até para você.”
Enquanto ela demonstrava irritação, Luxion parecia genuinamente furioso.
“Isso não foi um rompimento comum”, disse ele. “Há algo mais profundo por trás disso.”
Ele então me encarou diretamente.
“Mestre, você pretende sobreviver ao confronto com Arcádia?”
Não respondi. Já estava cansado daquela insistência.
“Marie está aqui, certo? Deve estar com Erica. Vou falar com ela.”
Sem esperar reação, saí do laboratório.
Atrás de mim, ouvi Cleare murmurar: “Ele literalmente fugiu da pergunta.”