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Raising Villains the Right Way – Capítulo 10

Mal-entendido (5)

Tradutor: miggigibe


Depois de lidar com os golems, Evan voltou para o local onde a carruagem estava e começou a preparar o acampamento. Incapaz de conter a curiosidade por mais tempo, perguntou:

— Você estava escondendo seu poder esse tempo todo?

— Não, de jeito nenhum.

— …Então aquilo era mesmo magia de 2º ranque?

— Sim.

Evan lançou a Alon um olhar de incredulidade.

— Entendo.

No entanto, percebendo que não importava o quanto perguntasse, não conseguiria arrancar mais respostas de Alon, Evan suspirou e assentiu, indicando que havia entendido. Em seguida, voltou a preparar o acampamento.

Observando Evan, Alon manteve a expressão neutra, embora por dentro se sentisse um tanto injustiçado.

Afinal, nem o próprio Alon fazia ideia de por que a magia que acabara de usar tinha produzido aquele resultado.

'Eu sabia que as restrições me deixariam mais forte até certo ponto, mas…'

O combate em Psychedelia, o jogo que Alon havia jogado, era por turnos, não em tempo real. No jogo, os selos de mão e os encantamentos eram usados para aumentar o dano mágico consumindo turnos.

Dependendo da magia usada, o selo de mão apropriado fortalecia o próprio feitiço. Ao escolher os encantamentos corretos entre centenas de opções dentro de um limite de tempo, era possível reforçar os atributos da magia.

Por exemplo, na magia que usara daquela vez, conhecida em Psychedelia como "Relâmpago em Cadeia", Alon havia usado quatro encantamentos específicos:

Refração, Rebote, Luz Azul e Difração Linear.

Ao usar esses quatro encantamentos e os selos de mão, ele fortaleceu Relâmpago em Cadeia. Além disso, havia imposto a si mesmo a restrição de sempre usar selos de mão e encantamentos ao lançar magia, fortalecendo ainda mais o feitiço.

Em outras palavras, Alon esperava que a magia ficasse mais de duas vezes mais poderosa que o normal.

'Mas não era para ficar tão forte assim.'

Em Psychedelia, usar um selo de mão ou um encantamento consumia um turno cada.

Portanto, em termos de jogo, a magia usada por Alon daquela vez teria levado cinco turnos para ser preparada.

'Mesmo levando isso em conta, era mesmo para pulverizar os golems daquele jeito…?'

Enquanto pensava nisso, Alon deu de ombros.

Na verdade, independentemente dos detalhes, o resultado havia saído conforme seus planos. E ter uma magia mais poderosa do que o esperado era algo positivo.

Mais do que simplesmente satisfeito, Alon agora estava tomado pela curiosidade.

'Se eu pudesse, queria fazer alguns experimentos.'

Os selos de mão e encantamentos usados por Alon daquela vez eram os mais comuns em Psychedelia ao desenvolver o protagonista como um mago do tipo "canhão de vidro", voltado para lidar com grandes grupos de inimigos usando magia elétrica de alto poder.

Isso significava que Alon ainda se lembrava perfeitamente de pelo menos mais dez encantamentos e selos de mão que não havia usado naquele dia.

Além disso, sua curiosidade estava especialmente aguçada pelas mudanças perceptíveis na magia toda vez que pronunciava um encantamento.

'No jogo, os encantamentos só aumentavam o dano em 10% quando eu escolhia o tipo correto. Aqui é diferente.'

Talvez um mago comum não tivesse percebido.

Mas Alon, que havia executado a magia pessoalmente e possuía um talento incomum para controlar mana, notara que os atributos da magia mudavam a cada encantamento acrescentado.

Não era apenas a potência que aumentava. A própria natureza da mana se alterava a cada encantamento.

Diante dessas mudanças, Alon tomou uma decisão.

'Quando minha mana se recuperar, preciso fazer alguns experimentos.'

Alon fechou os olhos dentro da carruagem, satisfeito, embora sua expressão continuasse neutra.

Naquele mesmo momento, uma garota apareceu no lugar onde Alon havia usado a magia, entre os montes de pedra que já não podiam voltar a se transformar em golems.

Uma garota cujos olhos brilhavam num verde profundo.

Não. Aquela que, no futuro, talvez viesse a ser chamada de Rine da Ganância passou em silêncio pelas pilhas de pedra que antes eram golems e olhou para a porta pela qual Alon havia entrado.

A porta estava rachada e desgastada, mas as inscrições entalhadas em sua moldura deixavam claro que aquilo fora feito por mãos humanas, não formado pela natureza.

Rine, porém, sabia que aquelas inscrições não estavam ali sem motivo.

Nascida com uma grande missão e com a capacidade inata de acessar a "Biblioteca Antiga" a qualquer momento, ela conseguia entender o que estava escrito na moldura.

'Da era esquecida dos deuses estrangeiros, a escrita do Império Alaneph.'

Ao reconhecer aquilo, Rine leu as palavras gravadas na moldura.

[De Palaon, para o amigo que ficou sozinho.]

— …Ha.

Rine soltou involuntariamente uma risada vazia ao ler a inscrição.

Ela sabia que, nos textos antigos, havia apenas uma pessoa que usava o nome "Palaon".

O grande Palaon.

Aquele que repelira diversas vezes as invasões dos "Seres Negros" durante a era dos deuses estrangeiros e derrotara "Alacoulakka", um ser capaz de fazer seus súditos oferecerem o próprio coração só de contemplá-lo.

O nobre, venerado, grande e glorioso Imperador.

Sabendo que Palaon, tal como escrito na língua antiga, se referia àquela única pessoa, Rine não conseguiu evitar um riso baixo.

Ao mesmo tempo, Rine se lembrou da voz de Alon:

'Foi um sujeito chamado Palaon.'

Enquanto fitava a moldura externa com uma expressão vazia e um tanto melancólica, a imagem da Grande Lua observando silenciosamente aquela moldura surgiu em sua mente, e uma hipótese começou a ocupar seus pensamentos.

A negação e a afirmação se chocaram em sua mente, e a balança pendeu para a negação.

Então, porém, ela se lembrou da magia que Alon havia demonstrado depois de sair do labirinto.

A magia em si não parecera particularmente excepcional.

Mas os encantamentos que ele murmurara eram diferentes.

Os encantamentos sussurrados pela Grande Lua nem sequer existiam na Biblioteca Antiga.

Ao se lembrar disso, a balança que antes pendia para um lado voltou ao equilíbrio.

'Mesmo sabendo que qualquer pessoa que a Lua Vermelha seguisse não poderia ser alguém comum…'

Seus pensamentos finalmente chegaram à identidade daquele que liderava a Lua Azul, e a balança em sua mente enfim pendeu para a verdade.

Que a Grande Lua, o amigo íntimo de Palaon, era alguém digno tanto de respeito quanto de reverência.

Ao chegar a essa conclusão, Rine sentiu um arrepio percorrer a espinha enquanto olhava na direção em que Alon estava.

Um nítido brilho de respeito surgiu nos olhos de Rine, que até então só agira sob as ordens da Lua Vermelha.

— Você voltou.

Ao perceber uma presença se aproximando, Rine virou levemente o olhar. Ali estava Deus, surgido sem que ela notasse, assentindo com os olhos brilhantes.

— Sim.

— Conseguiu alguma informação?

Rine se lembrou de como, uma semana antes, Deus havia interrompido a vigilância sobre Alon para seguir a figura vestida de preto que recuava, e perguntou a ele.

Deus balançou a cabeça.

— Não. Não consegui nenhuma informação.

— Por quê?

Diante do tom questionador de Rine, Deus começou a explicar o que havia acontecido quando perseguiu a figura vestida de preto.

— Está dizendo que a figura vestida de preto morreu enquanto você a perseguia…?

— Sim. Sem que nada a tocasse, o pescoço da figura se torceu duas voltas, e a pessoa morreu na hora. Não senti absolutamente nada.

Rine ficou em silêncio por um momento diante das palavras de Deus.

— Acho que… devemos relatar isso.

— Concordo.

Depois dessas palavras, os dois trocaram mais algumas frases antes de desaparecerem dali.

No fim, restou apenas a luz solitária da lua.


Dois meses haviam se passado desde que Alon obtivera a Restrição no Labirinto Sussurrante.

Naquele momento, Altia atravessava um período de grande turbulência.

Havia três motivos. O primeiro era a morte repentina de Kig, o segundo filho da família ducal, e Faylinne, a segunda filha.

O segundo era que o duque de Altia, que vinha sofrendo de uma doença e de quem se dizia restar pouco tempo de vida, finalmente havia falecido.

O terceiro era que Timalian, o filho mais velho da família ducal, fora encontrado morto um dia depois da morte do duque, ao lado de sua irmã mais velha, Malyan.

Os dois haviam se esfaqueado até a morte.

Com essa sucessão de acontecimentos, todos os filhos que poderiam herdar o título ducal desapareceram de uma hora para outra. Como resultado, Roria se tornou a única herdeira da família Altia.

Assim como acontecera com o conde Palatio não muito tempo antes.

Roria, que jamais imaginara que um dia se sentaria no escritório do duque, agora se via ali, engolindo em seco, apenas dois meses depois.

Rumores sobre Roria já haviam começado a circular dentro da família Altia.

Curiosamente, apesar de esses rumores se espalharem em voz baixa, ela não sofrera consequência alguma.

Roria tinha um álibi claro.

Quando o segundo filho e a segunda filha morreram, ela acabara de voltar de um baile.

E Timalian e Malyan haviam matado um ao outro.

Além disso, ela não se encontrara recentemente com nenhum deles. Acima de tudo, havia um motivo decisivo para que conseguisse escapar de qualquer suspeita.

Durante sua ausência no baile, sua organização havia sido completamente destruída.

Isso mesmo.

Quando voltou do baile, Roria havia perdido todo o poder que possuía por culpa da própria família maldita.

Por causa disso, embora os rumores circulassem em silêncio, Roria sequer era interrogada nas investigações formais.

Tudo havia sido executado de maneira tão limpa e perfeita.

'Coisas boas ainda vão acontecer.'

Roria se lembrou mais uma vez daquelas palavras.

Ditas com tamanha indiferença, elas haviam levado a acontecimentos que de indiferentes não tinham nada.

Roria já tinha certeza de que tudo o que acontecera se devia a ele.

Se alguém dissesse que tudo aquilo não passava de coincidência, Roria teria de duvidar da inteligência dessa pessoa, de tão forçada que aquela sequência de acontecimentos parecia.

'O que ele quer?'

Roria se lembrou da conversa com Alon.

Embora aparentemente tivesse recusado o pedido dela, ele resolvera tudo de forma mais decisiva do que qualquer outra pessoa conseguiria. E, mesmo um mês depois da morte de todos os herdeiros da família ducal, não fizera qualquer contato.

Nem mesmo depois de ela ter absorvido, com perdas mínimas, as organizações que haviam ficado sem seus líderes.

'Pura boa vontade?'

Roria sorriu diante do pensamento passageiro.

Até para ela era absurdo cogitar uma bobagem daquelas.

Depois de refletir por bastante tempo, Roria chegou a uma conclusão.

Alon tinha algum tipo de plano.

É claro que Roria não sabia qual era esse plano.

Mas havia uma coisa que ela conseguia compreender vagamente.

'Esse plano precisa do ducado de Altia.'

Alguém capaz de matar os membros da família ducal sem deixar rastros e fazer tudo parecer tão natural só podia querer algo que ainda não possuía.

Roria acreditava que o que ele queria, muito provavelmente, era o prestígio do ducado de Altia.

'E o que ele poderia fazer com esse prestígio…'

Roria fechou a boca com força.

Foi só então que percebeu o quão absurdo era o pacto que havia feito com o diabo.

Ao compreender isso, Roria soltou uma risada vazia, mas cerrou o punho.

Ela sabia que, uma vez firmado um pacto, não havia como voltar atrás. Depois de testemunhar o destino dos quatro que a precediam na sucessão, entendia muito bem o que aconteceria se rompesse o acordo.

Por isso, nem sequer considerou a possibilidade de traição. Em vez disso, decidiu se concentrar no que tinha diante de si.

'Ao menos deveria mandar um agradecimento.'

Pela primeira vez, um sorriso surgiu em seu rosto normalmente inexpressivo, um sorriso de que nem ela própria se deu conta.

Uma semana depois, uma garrafa de vinho e um cartão chegaram ao escritório do conde para Alon.

Era um vinho de Cernance, território imperial, do qual apenas três garrafas eram produzidas por ano. Cada uma valia milhares de moedas de ouro.

Junto com a garrafa havia um cartão com palavras de respeito.

???

Alon, olhando para o cartão que viera junto, exibiu uma expressão confusa.

Dois meses depois, Alon perguntou:

— Então está dizendo que Roria, a terceira filha da família Altia, se tornou a duquesa de Altia?

— Sim.

— Altia Roria?

— Isso mesmo…

???

— Há algum problema, jovem mestre?

Alon começou a perceber que havia algo errado.

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