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Raising Villains the Right Way – Capítulo 15

A Torre Azul (1)

Tradutor: miggigibe


No Reino de Asteria, há três grandes famílias que atuam nas sombras.

Uma delas é a família ducal de Altia, no norte.

Outra é a família do conde de Zenonia, no oeste.

E, por fim, há a família do conde Palatio, no leste.

Originalmente, essas três famílias dividiam o submundo do Reino de Asteria em três partes e, juntas, formavam uma enorme organização clandestina. Quando a história original começava, elas já haviam acumulado poder suficiente para manipular discretamente o reino a partir das sombras.

A família Palatio, porém, havia perdido seu poder muito tempo antes. O assassinato de Leo levara à completa desintegração da organização que controlava. Assim, apenas a família ducal de Altia e a família do conde de Zenonia permaneciam como forças das sombras dentro do reino.

…À primeira vista, a aliança entre as duas não parecia um problema tão grave.

— Isso é verdade?

— O senhor já me viu mentir alguma vez, conde?

— …É verdade.

— É claro que, como o acordo foi firmado no submundo, talvez não haja nenhum sinal evidente na superfície. Ainda assim, tudo indica que a aliança é real.

Alon estava tão alarmado porque conhecia, em linhas gerais, a situação das forças das sombras no início da história original.

Quando o protagonista chegava ao Reino de Asteria, as três famílias possuíam um poder imenso, mas não conseguiam usá-lo plenamente porque se vigiavam e se continham mutuamente. Agora que a família Palatio estava fora de cena, se Zenonia e Altia unissem forças, não restaria ninguém no reino capaz de detê-las.

Em outras palavras, se tudo continuasse daquele jeito, as duas forças das sombras poderiam acabar mandando no reino como se fosse o próprio quintal.

'Hmm.'

Enquanto pensava em como a situação chegara àquele ponto, Alon se lembrou de repente de algo que havia dito a Lady Zenonia alguns meses antes.

'Será que…?'

Ele se perguntou se a aliança, que jamais deveria ter surgido no Reino de Asteria, teria se formado por causa de alguma coisa que dissera. Logo, porém, balançou a cabeça e descartou a ideia.

Mesmo sem compreender por completo a personalidade de Roria, a duquesa de Altia, Alon conhecia muito bem Lady Kalia, da família Zenonia. Ela era a própria definição de uma vilã, o tipo de pessoa incapaz de suportar estar no mesmo nível que alguém, muito menos abaixo. Para subir ainda mais, não hesitaria diante de nada, nem mesmo dos atos mais brutais.

— Hmm…

Pensando nisso, Alon relaxou um pouco. Conhecendo a personalidade de Kalia, aquela aliança certamente seria temporária.

— Evan.

— Sim.

— Depois, traga papel de carta para mim.

— Papel de carta?

— Sim.

Ainda assim, como nada na vida era cem por cento garantido, Alon decidiu tomar algumas precauções.

— A propósito, conde, investiguei os rumores sobre Seolrang que o senhor mencionou. Parece que começaram a se espalhar recentemente.

— É mesmo?

Ao ouvir Evan, Alon virou a cabeça.

— Que tipo de rumores?

— Ouvi dizer que ela tem se destacado bastante na Colônia. Até ganhou o apelido de "Relâmpago Dourado".

— O Relâmpago Dourado…

Aquele nome lhe despertou uma breve sensação de familiaridade, e Alon soltou um suspiro de alívio. Sempre acreditara que Seolrang jamais morreria no anonimato, mas ainda assim estava preocupado. Por isso, na última carta que enviara a Yutia, acrescentara uma observação perguntando por ela.

— Fico feliz que esteja indo bem.

— De fato. Naquele lugar, se alguém conquistar fama suficiente como combatente, pode ser tratado ainda melhor do que um nobre.

— E, se for forte o bastante, pode até ficar em pé de igualdade com o rei.

Depois dessas breves reflexões, Alon pegou o papel de carta que Evan lhe entregou e falou:

— Ah, e pretendo visitar uma torre daqui a mais ou menos uma semana.

— Uma torre?

— Sim. Talvez eu demore um pouco.

— Serão só duas semanas, certo?

Diante da pergunta confusa de Evan, Alon balançou a cabeça.

— Provavelmente vou levar cerca de um mês.

— Um mês? Pelo que sei, a Torre Verde fica a apenas uma semana de viagem da propriedade do conde.

— Não vou à Torre Verde. Vou à Torre Azul.

— …Se for a Torre Azul, realmente vai demorar. Mas há algum motivo específico para ir até lá? A Torre Azul fica entre Caliburn e a Cidade-Labirinto, não é?

Como Evan dissera, a Torre Azul ficava muito mais longe. Eram necessárias mais de três semanas para chegar até lá.

— Tenho alguns assuntos para resolver na Torre Azul.

Alon respondeu brevemente e voltou a escrever a carta, deixando claro que a conversa havia terminado. Percebendo isso, Evan estalou a língua, resignado.

— Então vou começar os preparativos com antecedência.

— Por favor.

Evan fez uma leve reverência e deixou o cômodo.

Por algum tempo, Alon escreveu em silêncio uma carta para Lady Zenonia. Depois de terminá-la e selá-la, soltou um suspiro leve.

'Vai ser difícil passar três semanas dentro de uma carruagem só para chegar à Torre Azul.'

Embora reclamasse por dentro do cansaço que aquilo lhe causaria, Alon estava decidido a ir à Torre Azul porque havia algo lá que precisava obter.

'Não tenho escolha. Preciso disso para a minha magia.'

Na Torre Azul, havia um item capaz de compensar seu talento meia-boca, que só lhe permitia estudar magia de verdade uma vez por dia.

Ao pensar nisso, Alon se lembrou de repente da Cidade-Labirinto próxima à Torre Azul.

'Cidade-Labirinto…'

A Cidade-Labirinto de Lartania. Bem no coração daquela cidade, como o nome sugeria, existia um labirinto interminável que se estendia pelo subsolo. Era um dos poucos lugares de Psychedelia onde os jogadores podiam acumular experiência e itens sem avançar a história.

Quanto mais fundo alguém descia no labirinto, mais experiência e tesouros podia obter. Ainda assim, nenhum jogador de Psychedelia jamais chegara ao fim. Embora fosse possível subir de nível sem avançar a história, o jogo obrigava o jogador a retornar à superfície a cada cinco andares, fazendo um dia se passar dentro do jogo.

Mesmo sem a história avançar, o tempo continuava correndo. Se o jogador se concentrasse apenas em explorar o labirinto e negligenciasse a história, poderia sair de lá um dia e descobrir que o mundo havia virado um caos.

Para evitar esse resultado, era preciso avançar a história ao mesmo tempo que se explorava o labirinto. Naturalmente, tentando equilibrar as duas coisas, os jogadores costumavam chegar por volta do 70º andar antes de o jogo terminar. Por isso, ninguém jamais alcançara o fim do labirinto em Psychedelia.

…Corria o boato de que alguém usando códigos de trapaça havia chegado ao 150º andar, mas ainda existiam mais andares depois disso…

Enquanto se lembrava vagamente de uma publicação numa comunidade cujo nome mal conseguia recordar, Alon passou a pensar em Rine.

'Espero que ela esteja bem.'

Alon havia enviado Rine para Lartania não para transformá-la em exploradora de labirintos, mas para que se tornasse uma avaliadora mágica. Todos os dias, incontáveis relíquias e artefatos eram encontrados no labirinto de Lartania, o que tornava avaliadores profissionais muito procurados.

Avaliadores mágicos, capazes de identificar até as propriedades mais minuciosas de um item, eram profissionais extremamente respeitados. Além disso, quem obtivesse em Lartania uma certificação como avaliador mágico poderia viver confortavelmente sem se preocupar com dinheiro. Foi por isso que Alon a enviara para lá.

Assim como os outros membros dos Cinco Grandes Pecados, Rine possuía um talento único, a "Biblioteca da Eternidade", que combinava muito bem com essa profissão.

'Bem, com o presente que dei a ela, avaliar itens deve ficar um pouco mais fácil…'

Alon pensou nisso com uma expressão ligeiramente constrangida.

'Pensando bem, o presente que dei à Rine parece um pouco modesto comparado ao que dei aos outros.'

Ao contrário dos presentes que dera aos demais membros dos Cinco Grandes Pecados, Alon entregara a Rine apenas um item especializado em avaliação de equipamentos. Agora, aquilo o deixava um pouco sem graça.

'Se acabar não sendo suficiente, vou ter que dar algum apoio extra mais tarde.'

Aceitando que não havia nada a fazer quanto ao que já passara, Alon deu de ombros. Era um dia tranquilo.


A Cidade-Labirinto de Lartania. No distrito sul daquela cidade independente, que tinha uma quantidade de exploradores e mercenários muito maior que a de outros países, havia uma loja de avaliações chamada "Merde".

Administrada por alguém que escondia a própria identidade e trabalhava como avaliador mágico, a loja não ficava numa área privilegiada. Mesmo em uma cidade-labirinto onde avaliadores eram altamente valorizados, a região central próxima ao labirinto concentrava inúmeras lojas de avaliação.

Em outras palavras, não havia muitos motivos para alguém ir até a Merde, no distrito sul. Ainda assim, um fluxo constante de clientes visitava a loja todos os dias.

A clientela também era incomum. A maioria era composta por exploradores de ranque A que se aventuravam nas profundezas do labirinto. Entre os clientes da Merde, havia ainda nobres de outros países e até o senhor de Lartania.

— As avaliações estão concluídas, meu senhor.

— Oh, e como é esta relíquia?

— É um dispositivo que produz chamas continuamente quando recebe magia.

O senhor de Lartania abriu um largo sorriso ao receber a relíquia da mulher mascarada. Ao baixar os olhos, percebeu o emblema de um olho negro gravado na parte inferior do objeto.

— Oh, então esta relíquia pode receber uma gravação?

— Sim.

— E de que forma a gravação afeta o poder da relíquia?

— A eficiência melhorou drasticamente. Agora, mesmo com uma pequena quantidade de magia, as chamas vão durar uma hora.

— Isso é realmente impressionante. Estou sempre em dívida com você.

— Não foi nada.

A mulher mascarada respondeu brevemente às palavras do homem mascarado. Com uma expressão satisfeita, o senhor saiu do cômodo e logo desapareceu de vista.

Depois que ele partiu e o escritório voltou ao silêncio, a mulher, que na verdade era Rine, soltou um suspiro e retirou a máscara ornamentada com uma lua crescente. Então olhou pela janela para a gravação que o senhor agora segurava nas mãos.

Era justamente aquela gravação que fazia a Merde, apesar de ficar no distrito sul, lucrar mais do que qualquer outra loja de avaliação.

Rine não apenas avaliava as relíquias trazidas por pessoas de alta posição. Ela também conseguia gravar certas relíquias e, com isso, aprimorar ainda mais suas capacidades.

No entanto, essa não era uma habilidade própria de Rine. Seu talento estava em usar a "Biblioteca" para identificar com precisão a natureza das relíquias e descobrir quais delas podiam receber uma gravação.

A capacidade de gravá-las vinha do presente da Grande Lua.

Rine desviou um pouco o olhar, abriu a porta do escritório ao lado e entrou em uma pequena sala. Ali, um olho dourado cercado por um halo azul permanecia em funcionamento.

[248/500]

Ao observar a indicação flutuando acima do halo, Rine se lembrou da primeira vez em que descobrira aquele presente da Grande Lua.

No início, assim como os outros, Rine não entendia por que a Grande Lua a enviara à Cidade-Labirinto e a fizera se tornar uma avaliadora. Por conhecer a existência esquecida dos "Seres Negros", suspeitava que aquilo tivesse alguma relação com enfrentá-los, mas ainda não conseguia compreender qual.

No mínimo, graças à sua "Biblioteca", Rine sabia o quanto os "Seres Negros" eram poderosos. O que não entendia era como se tornar uma avaliadora poderia ajudá-la a combatê-los.

Depois de descobrir o presente da Grande Lua, porém, ela foi obrigada a mudar de ideia.

O presente era o "Olho do Errante", um artefato capaz de avaliar relíquias que contivessem certo nível de magia. Rine, contudo, percebeu imediatamente com sua "Biblioteca" que aquele Olho estava longe de ser algo comum.

No começo, ele não parecia passar de uma simples esfera. Rine, porém, desfez os selos sobrepostos que o recobriam, selos que nem mesmo sua "Biblioteca" reconhecia. Com isso, o Olho revelou sua verdadeira forma e liberou uma habilidade específica.

Essa habilidade era a "Gravação".

A Gravação permitia que ela gravasse certas relíquias de categoria superior e, assim, aprimorasse suas capacidades.

Ironicamente, porém, a primeira coisa que o Olho do Errante liberou não era exatamente uma "habilidade".

Mais do que uma habilidade, era… um meio de oferecer sacrifícios.

A cada gravação, o poder da relíquia aumentava. Em troca, porém, Rine sabia que o olho dourado absorvia alguma coisa desconhecida, algo que nem mesmo ela conseguia compreender.

Ela sentia que, toda vez que isso acontecia, o Olho passava por uma mudança fundamental.

'Minha tarefa é despertar este Olho.'

Quando percebeu isso, Rine chegou a duas conclusões.

A primeira era que somente ela podia despertar aquele Olho. Ele só reagia a relíquias de categoria superior que apresentassem padrões específicos. Se Rine lhe oferecesse uma relíquia fora desses critérios, o poder acumulado diminuiria.

A segunda era que, no fim, o Olho lhe concederia poder suficiente para enfrentar os "Seres Negros".

Rine passou, então, a seguir a vontade da Grande Lua, observando o Olho despertar aos poucos a cada relíquia que absorvia.

'Tudo isso é para matar o "Lobo Negro".'

Murmurando aquilo para si mesma, Rine acariciou com delicadeza o olho dourado que flutuava no ar.

'E seguir a vontade Dele.'

Um tênue fanatismo, difícil de explicar, brilhou nos olhos de Rine.


Cerca de três semanas depois, como havia dito a Evan, Alon chegou de carruagem à Torre Azul. Originalmente, pretendia se encontrar com o mestre da Torre conforme o combinado, mas, infelizmente, ele estava ausente. Por isso, Alon teve de se reunir com o vice-mestre.

Só que…

— Vamos, diga logo o que veio fazer. Estou sem tempo.

Diante daquela atitude seca e desdenhosa, Alon ficou perplexo.

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